3042: Descoberto no Japão fóssil de pássaro com 120 milhões de anos

CIÊNCIA

(dr) Masanori Yoshida
Reconstituição da ave Fukuipteryx prima

O fóssil de um pássaro do Cretáceo recentemente descoberto no Japão pode levar os cientistas a repensarem alguns detalhes sobre a evolução do voo.

Há cerca de 120 milhões de anos, um pássaro com o tamanho de um pombo voou sobre as florestas do Cretáceo, naquilo que agora é o Japão. O fóssil recentemente descoberto, preservado em três dimensões, é o primeiro pássaro desta era encontrado fora da China.

Segundo o Live Science, este pássaro antigo, agora chamado Fukuipteryx prima, possui uma característica encontrada em pássaros modernos que não se vê noutros fósseis de aves deste período: uma placa óssea perto da cauda.

Conhecida como pigóstilo, esta estrutura triangular suporta penas da cauda e tem sido associada à evolução de caudas mais curtas para voar. Mas os investigadores suspeitam agora que, embora essa placa tenha surgido à medida que as caudas se tornaram menores, não é necessariamente uma adaptação ao voo.

De acordo com Takuya Imai, autor principal do estudo, publicado na revista científica Communications Biology, e professor assistente do Instituto de Pesquisa de Dinossauros da Universidade da Província de Fukui, os F. prima têm membros anteriores mais longos do que os membros posteriores, ossos do ombro não fundidos e uma cauda encurtada com um pigóstilo.

Embora alguns dinossauros não-aviários possam ter tido alguma dessas características, apenas os pássaros têm todos, disse o investigador em declarações ao mesmo site.

Tal como o Archaeopteryx — o pássaro mais antigo já conhecido —, o Fukuipteryx tinha uma pélvis não fundida e uma fúrcula (também conhecida por “osso da sorte”) em forma de U: marcas de pássaros primitivos.

Outros ossos intactos do fóssil incluem costelas, vértebras e ossos de membros, bem como o pigóstilo, que era “longo, robusto, em forma de bastão” e que terminava com “uma estrutura parecida com uma pá”, dizem os investigadores, acrescentando que, em alguns aspectos, o formato do pigóstilo deste pássaro lembra o de uma galinha doméstica.

Anteriormente, pensava-se que as caudas dos pássaros diminuíam à medida que os animais se adaptavam ao voo. Mas o Fukuipteryx prima é um pássaro mais primitivo do que o último dos aviadores de cauda longa: uma espécie chamada Jeholornis, que viveu na China entre 122 e 120 milhões de anos.

Isto sugere que a perda das caudas longas e a aparência do pigóstilo podem não estar ligadas ao voo. “Precisamos de mais evidências para clarificar esta situação”, diz Imai.

ZAP //

Por ZAP
17 Novembro, 2019

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1303: Cientistas encontraram um pássaro que é três espécies numa só

CIÊNCIA

(dr) Lowell Burket

Cientistas encontraram um pássaro incomum na Pensilvânia que guarda um incrível segredo genético: esta toutinegra é o híbrido de três espécies diferentes de pássaros.

Uma equipa de cientistas encontrou um passo incomum na Pensilvânia, cuja mãe era um híbrido de dois toutinegras e o pai era uma toutinegra de um terceiro género totalmente diferente. Assim, este pássaro é três espécies numa só, algo “extremamente raro”, afirma David Towes, do Cornell Lab of Ornithology.

Híbridos de pássaros não são incomuns. Aliás, a toutinegra de Brewster (que, neste caso, era o híbrido da mãe deste pássaro “3 em 1”) é conhecida desde 1874. Além disso, sabe-se que a hibridação pode levar ao desenvolvimento de novas espécies.

No entanto, em casos normais, entram apenas duas espécies na equação. O facto de este pássaro ser um híbrido de três espécies é algo muito incomum que, além de fascinante, revela também algo alarmante sobre o declínio do número de toutinegras em Appalachia, uma região no leste dos Estados Unidos.

(dr) Cornell Lab of Ornithology

Segundo o ScienceAlert, este pássaro foi visto, pela primeira vez, em maio de 2018 por Lowell Burket, que chegou à conclusão que esta ave tinha uma coloração semelhante às das toutinegras de asas douradas (Vermivora chrysoptera) e às de asa azul (Vermivora cyanoptera). No entanto, o seu canto era muito mais parecido com a de uma toutinegra Setophaga pensylvanica.

Depois de avistar o pássaro várias vezes, Burket relatou a sua descoberta no site de observação de pássaros do The Cornell Lab of Ornithology, o eBird. “Tentei fazer com que o email soasse um pouco intelectual para que os investigadores não pensassem que eu era um maluco”, disse Burket.

“Uma semana depois estava já com David Toews a recolher as medidas e uma amostra de sangue desta espécie. Foi uma manhã muito interessante e muito emocionante para nós”, lembra Burket. Poucos dias depois, Towes enviou uma mensagem a Burket, pontuada com vários pontos de exclamação – o observador amador de pássaros estava correto em relação às suas observações.

Os investigadores estudaram os genes que codificam a coloração e usaram-nos para descobrir como seria a ave mãe – chegando a uma mãe toutinegra de Brewster e a um pai toutinegra dos castanheiros. Esta é a primeira vez que esta combinação híbrida é vista. O estudo foi publicado recentemente na Biology Letters.

Mas o que é fascinante, é também preocupante, dado que algumas populações de toutinegras de asas douradas diminuíram drasticamente em Appalachia. Um novo tipo de evento de hibridação pode indicar que não há parceiros suficientes para todos, de modo a que as aves são obrigadas a procurar outras espécies para opções reprodutivas.

Persiste, todavia, uma outra preocupação. Sabemos que alguns híbridos de aves continuam férteis e são capazes de se reproduzir, mas não se sabe se este híbrido triplo será capaz de fazer o mesmo. Mesmo que consiga, as parceiras achá-lo-ão demasiado estranho para o escolherem como companheiro.

Mas nada como esperar por novos desenvolvimentos. Quem sabe se este pássaro “3 em 1” não será pai em breve.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
18 Novembro, 2018

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