2775: Guerra nuclear entre Índia e Paquistão poderia matar 100 milhões e provocar arrefecimento global

AMBIENTE

rclarkeimages / Flickr

Um estudo criado por investigadores mostra como uma guerra entre a Índia e o Paquistão causar a morte de 100 milhões de mortes, ao que se seguiria a fome em massa a nível global à medida e um novo período de arrefecimento no planeta, com temperaturas não vistas desde a última Era Glacial.

Num artigo publicado quarta-feira, citado pelo Raw Story, os cientistas relatam um cenário criado para o ano 2025, no qual militantes atacam o parlamento indiano, matando a maioria dos seus líderes. Nesse mesmo cenário, Nova Deli retalia, enviando tanques para a parte de Caxemira controlada pelo Paquistão.

Temendo ser invadida, Islamabade atinge as forças invasoras com armas nucleares, desencadeando uma troca crescente – que se torna o conflito mais mortal da História – e envia milhões de toneladas de fumo negro e espesso para a atmosfera.

Este cenário projectado pelos investigadores surge num momento de renovadas tensões entre os dois países, que travaram várias guerras pelo território de maioria muçulmana de Caxemira, e que estão a construir arsenais atómicos. Cada país tem já cerca de 150 ogivas nucleares à sua disposição e o número deverá subir para mais de 200 em 2025.

“A Índia e o Paquistão continuam em conflito por Caxemira e todos os meses lemos sobre pessoas a morrer ao longo da fronteira”, disse à AFP o professor de Ciências Ambientais da Rutgers University, Alan Robock, em dos autores do artigo.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, abandonou em Agosto a autonomia da parte da Caxemira controlada por Nova Deli, com o seu homólogo paquistanês, Imran Khan, a avisar que a disputa poderia transformar-se numa guerra nuclear.

Pierre J. / Flickr

O último conflito na fronteira dois países ocorreu em Fevereiro, terminando depois de o Paquistão devolver à Índia o corpo de um piloto abatido.

Arrefecimento catastrófico

Tendo por a população actual e os centros urbanos – que provavelmente seriam alvos -, os investigadores estimaram que até 125 milhões de pessoas poderiam ser mortas se fossem usadas armas de 100 quilotons – seis vezes mais potentes que as bombas lançadas em Hiroshima. Durante a 2.ª Guerra Mundial, foram mortas entre 75 e 80 milhões de pessoas.

A pesquisa constatou que tempestades de fogo em massa desencadeadas pelas explosões das armas nucleares poderiam liberar entre 16 a 36 milhões de toneladas de fuligem (carbono preto) na atmosfera, que se espalhariam pelo mundo em semanas.

Essa fuligem, por sua vez, absorveria a radiação solar, aquecendo o ar e aumentando a fumaça. A luz solar que atinge a Terra diminuiria de 20 a 35%, arrefecendo a superfície de entre dois a cinco graus Celsius e reduzindo a precipitação em 15 a 30%.

A isso se seguiria a escassez mundial de alimentos, com os seus efeitos a persistir durante aproximadamente uma década.

“Espero que nosso trabalho faça as pessoas perceberem que não se podem usar armas nucleares. São armas de genocídio em massa”, indicou ainda Alan Robock à AFP, acrescentando que as evidências do estudo apoiam o Tratado da ONU, de 2017, sobre a Proibição de Armas Nucleares.

TP, ZAP //

Por TP
4 Outubro, 2019

 

2003: Descoberto o culpado dos misteriosos terramotos na cordilheira Hindu Kush

CIÊNCIA

Faizi.be87 / Wikimedia

A cordilheira Hindu Kush – que se estende por 800 quilómetros ao longo da fronteira do Afeganistão com o Paquistão – treme com mais de cem terramotos de magnitude 4,0 ou mais por ano.

A área é um dos locais mais sismicamente activos do mundo, especialmente para terramotos de profundidade intermediária – tremores que se formam entre 70 e 300 quilómetros abaixo da superfície do planeta). No entanto, os cientistas não têm certeza do porquê.

As montanhas não se localizam numa grande falha geológica, onde se espera alta actividade sísmica, e a região fica a muitos quilómetros de distância da zona de colisão em movimento lento, onde as placas tectónicas euro-asiática e indiana colidem continuamente.

Um novo estudo publicado em 17 de Abril na revista Tectonics pode ter uma resposta para os terramotos misteriosos do Hindu Kush – e, como todos os grandes mistérios geológicos, envolve massas viscosas.

De acordo com o estudo, as montanhas Hindu Kush devem a sua reputação sísmica a uma longa “massa” de rocha que lentamente escorre da parte subterrânea da cordilheira para o manto quente e viscoso por baixo. Como uma gota de água solitária que se afasta da borda de uma torneira, a faixa de 150 quilómetros de montanha pode estar a afastar-se da crosta continental a uma velocidade de até dez centímetros por ano. Esse stress subterrâneo pode estar a desencadear terremotos.

Os investigadores descobriram a problemática massa após vários anos de observações de terramotos perto das montanhas Hindu Kush. Viram que os terramotos formaram-se num padrão, criando o que parecia ser um “caminho redondo” de actividade sísmica na superfície do planeta, disse Rebecca Bendick, geofísica da Universidade de Montana em Missoula, citada pela Live Science.

Esses terramotos também se formaram ao longo de um eixo vertical claro, começando entre 160 e 230 quilómetros abaixo do continente e eram mais comuns mais abaixo, onde a sólida crosta continental encontra o manto superior, quente e viscoso. Aqui, é onde a massa de alongamento lento é mais tensa.

Todas as observações foram consistentes com uma massa de rocha sólida que lentamente escorria no submundo pegajoso – uma hipótese que foi usada anteriormente para explicar a actividade sísmica semelhante sob as Montanhas dos Cárpatos na Europa central. De acordo com os geólogos, Hindu Kush terá começado a pingar não antes de há dez milhões de anos e continua a estender-se quase dez vezes mais rápido que a superfície das montanhas, enquanto as placas da Índia e da Eurásia colidem.

Se confirmados, estes resultados podem ser mais uma evidência de que as forças geofísicas além da subducção de placas tectónicas podem enviar terramotos pelo planeta.

ZAP //

Por ZAP
18 Maio, 2019



[vasaioqrcode]