2159: O oceano está a afundar no manto da Terra (e parte da culpa é da Pangeia)

CIÊNCIA

Christopher Scotese / Ian Webster / Paleomap / University Of Sydney
Pangeia foi o último super-continente

A água da Terra está lentamente a drenar para a crosta do nosso planeta. No entanto, o fenómeno não é “rápido” o suficiente para superar o aumento do nível da água do mar.

Diariamente, centenas de milhões de galões de água fluem do fundo do oceano para o manto da Terra, como parte do ciclo da água profunda.

Neste processo, a água absorvida na crosta e os minerais do fundo do mar são empurrados para o interior da Terra nos limites submarinos onde as placas tectónicas colidem. Parte dessa água permanece presa, mas grandes quantidades de líquido são expelidas de volta à superfície por vulcões submarinos e fontes hidrotermais.

Não é um sistema perfeito: os cientistas estimam que, actualmente, há mais água a mergulhar no manto, por exemplo. No geral, este ciclo é apenas uma engrenagem que determina se os oceanos sobem ou descem.

Num estudo publicado na Geochemistry, Geophysics and Geosystems no dia 17 de maio, os cientistas demonstraram que esta engrenagem pode ser mais importante do que se pensava.

Ao modelar os fluxos no ciclo das águas profundas nos últimos 230 milhões de anos, os autores do estudo descobriram que houve momentos na história do nosso planeta em que a quantidade gigantesca de água que afundava no manto desempenhou um importante papel no nível da água do mar.

Durante estas alturas, o ciclo das águas profundas pode ter contribuído para a perda de 130 metros do nível da água do mar, graças a um evento que mudou o mundo: a ruptura do super-continente Pangeia.

Krister Karlsen, investigador do Centro de Evolução da Terra e Dinâmica da Universidade de Oslo, disse à Live Science que o rompimento do super-continente foi associado a uma época de subducção muito rápida da placa tectónica. “Isto levou a um período de grande transporte de água para a Terra, causando a queda do nível da água do mar”, explicou.

Há cerca de 200 milhões de anos, a Pangeia começou a dividir-se. À medida que enormes placas continentais se afastavam umas das outras, novos oceanos surgiam, fendas enormes no fundo do mar rompiam e lajes antigas de crosta subaquática mergulhavam nos novos vazios.

Como resultado, quantidades gigantescas de água, presas dentro desses pedaços de crosta, afundaram no interior profundo do nosso planeta.

Com base em estudos anteriores, os cientistas modelaram as taxas aproximadas em que a água entrou – e deixou – o manto da Terra. Quanto mais rápido uma placa rica em água caísse na Terra, mais longe poderia submergir antes que o seu teor de água fosse evaporado pelo calor elevado do manto. De acordo com os cálculos, isso desequilibrou o ciclo da água profunda, o que resultou em milhões de anos de perdas de água.

É óbvio que este estudo não chega para explicar as mudanças no nível do mar, uma vez que há outros motivos que as explicam, como as alterações climáticas ou a cobertura de manto de gelo. Ainda assim, não deixa de ser uma descoberta que entusiasma os cientistas.

“Apesar de o ciclo das águas profundas poder mudar o nível da água do mar ao longo de centenas de milhões a milhares de milhões de anos, as alterações climáticas podem mudar o nível da água do mar em zero a 100 anos”, disse Karlsen.

“A actual elevação do nível do mar associada às mudanças climáticas é de cerca de 3,2 milímetros por ano. A queda do nível do mar associada ao ciclo da água profunda é de cerca de 1/10.000 disso”, exemplificou o especialista.

ZAP //

Por ZAP
12 Junho, 2019

1359: Pangeia foi o último super-continente. Nova Pangeia pode ser o próximo

CIÊNCIA

Christopher Scotese / Ian Webster / Paleomap / University Of Sydney

O nosso planeta já foi a casa de super-continentes como o Gondwana ou a Pangeia, que se separaram há milhões de anos e formaram os continentes da forma como os conhecemos hoje. No entanto, uma nova investigação sugere que pode voltar a existir um novo super-continente num futuro distante.

A camada externa da Terra, a crosta sólida sobre a qual andamos, é composta por pedaços quebrados. Cada um desses pedaços – as placas tectónicas – movem-se pelo planeta a velocidades de poucos centímetros por ano.

Esses movimentos lentos fazem com que as placas tectónicas se juntem e se combinem, formando um super-continente, que permanece junto durante algumas centenas de milhões de anos antes de se voltar a separar. Nesse momento, as placas dispersam-se e afastam-se umas das outras até que se voltam a unir, entre 400 e 600 milhões de anos depois.

O último super-continente, a Pangeia, formou-se há cerca de 310 milhões de anos e começou a desintegrar-se há cerca de 180 milhões de anos. Agora, uma investigação sugere que o próximo super-continente irá formar-se daqui a 200 milhões de anos – ou seja, estamos, actualmente, a meio da fase de dispersão do actual ciclo do continente.

Mas a questão que se impõem é: que forma terá este novo super-continente?

Os especialistas sugerem quatro cenários possíveis para a formação do próximo super-continente: Nova Pangeia, Pangeia Última, Aurica e Amasia. A forma do próximo super-continente está dependente e inteiramente ligada à desintegração da Pangeia e da forma como, actualmente, as placas tectónica se movem.

O colapso da Pangeia levou à formação do oceano Atlântico, que ainda hoje continua a expandir-se. Consequentemente, o oceano Pacífico está a ficar cada vez mais estreito.

O Pacífico é o lar de um anel de zonas de subducção ao longo das suas bordas (o “anel de fogo”), onde o solo oceânico é subduzido sob placas continentais. Lá, o antigo leito oceânico é reciclado e pode entrar em plumas vulcânicas.

O Atlântico, em contraste, tem uma grande cadeia oceânica que produz uma nova placa oceânica, mas abriga apenas duas zonas de subducção: o Arco das Pequenas Antilhas, no Caribe, e o Arco Scotia, entre a América do Sul e a Antárctida.

Nova Pangeia

Se assumirmos que as condições actuais vão persistir, isto é, que o Atlântico se vai continuar a expandir e o Pacífico a diminuir, temos um cenário no qual o próximo super-continente se forma nos antípodas do Pangeia.

Por outras palavras, a América do Sul colidiria com a Antárctida e com a Austrália e a América do Norte com a Eurásia, que já estará colada com a África.

Assim, o super-continente que se formaria seria a Nova Pangeia, que ganhou este nome por ser muito semelhante à Pangeia original.

(dr)

Pangeia Última

No entanto, a expansão do Atlântico pode desacelerar, havendo até a hipótese de o Atlântico começar a fazer o oposto: a retrair-se.

Neste cenário, a América do Norte ligar-se-ia à África, que já estaria junto da Eurásia. Por sua vez, a América do Sul estaria bem próxima da Antárctida e existiria um grande oceano no meio do continente. Além disso, este super-continente seria cercado por um super oceano Pacífico.

(dr)

Aurica

Mas se o Atlântico desenvolver novas zonas de subducção – algo que pode já estar a acontecer – tanto o oceano Pacífico como o próprio Atlântico podem estar condenados a deixar de existir.

Neste cenário, seria aberto um enorme buraco do oeste da Índia até ao Árctico. A Austrália iria para o norte e seria englobada por parte da Ásia, Antárctica e Américas. Por fim, a Europa e a Ásia ligar-se-iam ao outro lado do continente americano.

Amasia

Esta é a hipótese mais remota, mas existe, dado que muitas placas tectónicas estão a mover-se para norte do planeta graças às anomalias causadas pela Pangeia. Desta forma, todos os continentes se moveriam para o norte, com a excepção da Antárctida.

Destes quatro cenários, a investigação aponta que o cenário mais provável de acontecer é o da Nova Pangeia, enquanto que os demais só ocorreriam com a influência de uma série de factores, adianta o The Conversation.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
1 Dezembro, 2018