4744: Painel de especialistas alerta: alterações climáticas vão colapsar os sistemas de saúde

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/SAÚDE

Relatório anual publicado na revista científica Lancet mostra as ligações entre saúde e clima, dando o exemplo das mortes provocadas por ondas de calor e consumo excessivo de carne vermelha

Dos pequenos Estados insulares às grandes potências, todos os países enfrentam ameaças à saúde humana “que se multiplicam e se intensificam”, à medida que que as alterações climáticas propiciam futuras pandemias e tornam cada vez mais prováveis os colapsos dos sistemas sanitários, adianta o quinto relatório anual da Lancet sobre as ligações entre saúde e clima.

Segundo o estudo, o calor extremo, a poluição do ar e a agricultura intensa abrem “as piores perspectivas para a saúde pública que a nossa geração já viu”.

O relatório mostra que nas últimas duas décadas houve um aumento de 54% em mortes relacionadas com o calor entre os idosos, tendo ondas de calor extremas provocado a morte de perto de 300 mil pessoas só em 2018.

Embora fenómenos relacionados com o clima, como tempestades tropicais, continuem a ser, por enquanto, os problemas enfrentados pela maioria das nações em desenvolvimento, os autores disseram que o calor extremo já está a causar danos devastadores à saúde nos países mais ricos.

Durante o ano de 2018, só França teve 8000 mortes de idosos relacionadas com o calor, infligindo um custo económico equivalente a 1,3% do PIB naquele ano, concluiu o relatório.

“As ameaças à saúde humana estão a multiplicar-se e a intensificar-se devido às alterações climáticas e, a menos que mudemos de rumo, os nossos sistemas de saúde correm o risco de ficar sobrecarregados no futuro”, disse Ian Hamilton, director executivo do relatório Lancet Countdown.

O calor e a seca estão a provocar fortes aumentos na exposição humana a incêndios florestais, com 128 países a ver um aumento na população ferida, morta ou desalojada por incêndios desde o início de 2000.

O relatório indica que os aumentos projectados do nível do mar causados ​​por emissões de combustíveis fósseis, agricultura e transportes podem ameaçar deslocar até 565 milhões de pessoas até 2100, expondo-as a uma série de problemas de saúde.

Com mais de nove milhões de mortes a serem atribuídas à fome a cada ano, o painel de especialistas que elaborou o relatório descobriu que a mortalidade ligada ao consumo excessivo de carne vermelha aumentou 70 por cento em apenas três décadas.

O consumo excessivo de carne vermelha foi responsável por pelo menos 13 mil mortes em França em 2017, de quase 90 mil mortes naquele ano atribuíveis à fome.

Os autores alertaram que a urbanização contínua, a agricultura intensiva, as viagens aéreas e os estilos de vida movidos a combustíveis fósseis tornariam pandemias como a de Covid-19 muito mais prováveis no futuro e pediram uma acção urgente para evitar os piores efeitos das alterações climáticas e reduzir o seu impacto como um multiplicador de ameaças à saúde.

Agora é a hora de todos nós levarmos mais a sério as questões ambientais”, disse o editor-chefe do Lancet, Richard Horton. “Devemos enfrentar a emergência climática, proteger a biodiversidade e fortalecer os sistemas naturais dos quais a nossa civilização depende”.

O relatório chega perto do quinto aniversário do acordo climático de Paris, que ordena às nações que limitem o aumento da temperatura global para bem abaixo de 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais por meio de cortes radicais nas emissões.

Embora confinamentos e restrições de viagens provavelmente signifiquem que as emissões de gases tenham caído em 2020, há receios de que os combustíveis fósseis sejam utilizados pelos governos para impulsionar a recuperação económica.

O painel da Lancet pediu um “alinhamento do clima com a recuperação da pandemia” para proporcionar benefícios económicos e sanitários de curto e longo prazo.

“Com centenas de milhões a ser investidos globalmente em apoio e estímulo económico, há uma oportunidade genuína de melhorar a saúde pública, criar uma economia sustentável e proteger o meio ambiente”, disse Maria Neira, directora do Departamento de Meio Ambiente, Mudança Climática e Saúde na Organização Mundial da Saúde.

Diário de Notícias
DN/AFP
03 Dezembro 2020 — 01:10


4212: O consumo de recursos naturais teve uma diminuição histórica. A culpa é da Covid-19

CIÊNCIA/ECOLOGIA/CORONAVÍRUS

Nicolas Raymond / Flickr

Com a pandemia de Covid-19 a assombrar a população mundial, é agora possível  reconhecer uma consequência positiva do vírus para a Terra. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o Planeta Azul teve uma redução de 9,3% na pegada ecológica deixada pela humanidade.

A humanidade tem vindo a ser a principal causadora de destruição de importantes recursos naturais oferecidos pelo planeta Terra. Contudo, os dados apresentados mostram que houve uma diminuição drástica na utilização recursos naturais, em resultado da pandemia do novo coronavírus – revela o The Guardian.

O Earth Overshoot Day, o dia em que o consumo humano excede o que a natureza é capaz de regenerar durante um ano, teve um retrocesso de mais de três semanas – o que corresponde ao período de 29 de Julho a 22 de Agosto deste ano. “Este dia é uma forma de ilustrar o desafio ecológico que enfrentamos”, disse Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network.

O atraso de três semanas entre as datas do Earth Overshoot Day em 2019 e 2020, representa uma mudança histórica. Desde a década de 1970, início do overshoot global, que não haviam alterações positivas tão significativas. Contudo, Wackernagel diz que apesar de os dados deste ano serem motivadores, é necessário continuar a caminhar em prol de uma evolução.

De acordo com uma pesquisa da Global Footprint Network, as restrições impostas pelo coronavírus levaram a uma redução de 9,3% na pegada ecológica da humanidade. No entanto, para continuar a consumir recursos ecológicos de forma equilibrada, seriam ainda necessários, aproximadamente, 1,6 planetas Terra.

Wackernagel garante que a sustentabilidade do planeta é essencial e está ao alcance de todos, pois “temos uma escolha muito simples, a prosperidade de um planeta ou miséria de um planeta”.

Também Mike Childs, director político da Friends of the Earth, deixou um alerta importante. “A melhoria deste ano deve-se exclusivamente à Covid-19. A menos que haja uma mudança significativa na maneira como agimos, a situação provavelmente voltará ao normal, ou então irá piorar nos próximos anos”, remata.

A redução da actividade humana durante o período de quarentena levou a um consumo muito mais baixo no que toca aos recursos do planeta. Os animadores resultados de 2020 só podem ser equiparado aos níveis apresentados no ano de 2006.

ZAP //

Por ZAP
23 Agosto, 2020

 

 

4065: Pandemia reduziu para metade as vibrações terrestres. Nem no Natal a Terra é tão silenciosa

CIÊNCIA/GEOLOGIA

(CC0/PD) PIRO4D / pixabay

As medidas tomadas à escala global para conter a pandemia nos últimos meses reduziram para metade o ruído sísmico de alta frequência da Terra, concluiu uma nova investigação levada a cabo por uma equipa internacional de cientistas.

No novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Science, os cientistas dizem que esta é, provavelmente, a mais longa e proeminente diminuição de vibrações desde que este estes ruídos são controlados.

“Este período silencioso é, provavelmente, o maior e mais longo amortecimento sísmico produzido pelo Homem desde que começamos a controlar a Terra em detalhe utilizando extensas redes de monitorização sismométrico”, disse o co-autor do estudo Stephen Hicks, cientista do Imperial College London, citado em comunicado.

Os cientistas analisaram dados de cerca de 268 estações sísmicas localizadas em diferentes países do mundo e em 185 destas encontraram reduções significativas do ruído antropogénico em comparação com qualquer outro período do ano.

Os cientistas observaram um onda de amortecimento inicial na China, no final de Janeiro de 2020, seguindo depois para a Europa e no resto do mundo em Março e Abril, à medida que vários países iam tomando medidas para conter a pandemia, tais como a quarentena, o confinamento ou o regime de teletrabalho.

De acordo com os cientistas, o baixo nível de ruído sísmico observado durante o período de confinamento não só foi mais longo quando comparado com os habituais período de baixa actividade, como o Natal ou Ano Novo, como também foi mais silencioso.

Segundo os cálculos da equipa, entre Março e Maio a média global de ruído sísmico ambiental de alta frequência (hiFSAN, na sigla em inglês) foi reduzida até 50%.

ZAP //

Por ZAP
28 Julho, 2020

 

 

2764: Cientistas revelam os melhores países para sobreviver a uma pandemia global

CIÊNCIA

herraez / Canva

Uma equipa de cientistas da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, elencou alguns dos melhores países para sobreviver a uma eventual pandemia global ou outra qualquer crise que coloque a Humanidade em risco.

“As descobertas no campo da Biotecnologia podem ver uma pandemia geneticamente modificada a ameaçar a sobrevivência da nossa espécie”, explicou Nick Wilson, um dos autores do estudo, citado em comunicado da instituição de ensino.

De acordo com a investigação levada a cabo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Risk Analysis, os países insulares seriam os melhores lugares em caso de crise devido ao seu isolamento natural.

Os especialistas seleccionaram as 20 opções mais favoráveis para este cenário, sendo estas classificadas consoante a sua disponibilidade de recursos, localização, capacidade de serem auto-suficientes e número de habitantes. Quanto maior for a população, recordam, mais fácil seria depois reiniciar a civilização afectada pela eventual pandemia.

Os resultados revelaram que a Austrália é o melhor lugar para sobreviver em caso de crise, tendo em conta a sua produção de alimentos e energia, seguindo-se depois a Nova Zelândia e a Islândia. “Tal como esperado, foram os países com alto PIB, que são auto-suficientes na produção de alimentos e/ou energia e que são também um pouco remotos, que se saíram melhor”, escreveram os cientistas.

“Embora os portadores da doença [em causa] possam contornar facilmente as fronteiras terrestres, uma ilha fechada e auto-suficiente pode abrigar uma população isolada e tecnologicamente apta para posteriormente repovoar a Terra após o desastres”, frisou.

Embora os perigoso estudados na investigação não sejam iminentes, os cientistas recordam que são totalmente reais. Por isso, defendem, é necessário começar a planear como mitigar uma crise que ameaça a extinção.

É como uma apólice de seguro. Espera-se que nunca se use, mas se ocorrer um desastre, a estratégia deve ter sido estabelecida com antecedência”, exemplifica Wilson.

“Pode ser que exista uma necessidade clara e premente onde a única opção para a Humanidade é um refúgio numa ilha”, afirmou o principal autor do estudo, Matt Boyd, acrescentando que, embora o Regulamento Sanitário Internacional geralmente não apoie o encerramento das fronteiras em caso de uma ameaça deste género, a introdução rápida de controlos fronteiriços seria essencial.

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2019