Nova teoria de formação explica o misterioso objecto interestelar ‘Oumuamua’

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do asteroide interestelar 1I/2017 U1 (‘Oumuamua) à medida que passava pelo Sistema Solar depois da sua descoberta em Outubro de 2017. As observações de ‘Oumuamua indicam que deverá ser muito alongado devido às suas dramáticas variações de brilho enquanto vagueava pelo espaço.
Crédito: ESO/M. Kornmesser

Desde a sua descoberta em 2017 que um ar de mistério envolveu o primeiro objecto interestelar conhecido a visitar o nosso Sistema Solar, um corpo alongado em forma de charuto chamado ‘Oumuamua.

Como é que foi formado, e de onde veio? Um novo estudo publicado dia 13 de Abril na revista Nature Astronomy fornece uma primeira resposta compreensiva a estas perguntas.

O autor principal Yun Zhang do Observatório Astronómico Nacional da Academia Chinesa de Ciências e o co-autor Douglas N. C. Lin da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, usaram simulações de computador para mostrar como objectos como ‘Oumuamua podem formar-se sob a influência de forças de maré, como as que são sentidas pelos oceanos da Terra. A sua teoria de formação explica todas as características invulgares de ‘Oumuamua.

“Nós mostrámos que objectos interestelares semelhantes a ‘Oumuamua podem ser produzidos através de uma extensa fragmentação de marés durante encontros próximos dos seus corpos parentes com as suas estrelas hospedeiras, e depois expelidos para o espaço interestelar,” disse Lin, professor emérito de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Objecto misterioso

Descoberto no dia 19 de Outubro de 2017 pelo Pan-STARRS1 (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System 1) no Hawaii, Zhang diz que ‘Oumuamua é totalmente diferente de tudo no nosso Sistema Solar. A sua superfície seca, a sua forma invulgarmente alongada e o seu movimento intrigante até levaram alguns cientistas a pensar se era uma sonda alienígena.

“É realmente um objecto misterioso, mas alguns sinais, como as suas cores e a ausência de emissão de rádio, apontam para que ‘Oumuamua seja um objecto natural,” disse Zhang.

“O nosso objectivo é criar um cenário compreensivo, com base em princípios físicos bem entendidos, para reunir todas as pistas tentadores,” disse Lin.

Os astrónomos esperavam que o primeiro objecto interestelar que detectassem fosse um corpo gelado como um cometa. Os objectos gelados como aqueles que povoam a nuvem de Oort, um reservatório de cometas nos confins do Sistema Solar, evoluem a grandes distâncias das suas estrelas hospedeiras, são ricos em voláteis e são geralmente expulsos dos seus sistemas por interacções gravitacionais. São também altamente visíveis graças à sublimação de compostos voláteis, que criam a cabeleira de um cometa (ou cauda) quando aquecidos pelo Sol. A aparência seca de ‘Oumuamua, no entanto, é semelhante à de corpos rochosos como os asteróides do Sistema Solar, indicando um cenário de expulsão diferente.

Outros investigadores calcularam que deve haver uma população extremamente grande de objectos interestelares como ‘Oumuamua. “A descoberta de ‘Oumuamua implica que a população de objectos interestelares rochosos é muito maior do que pensávamos anteriormente,” disse Zhang. “Em média, cada sistema planetário deve ejectar no total cerca de cem biliões de objectos como ‘Oumuamua. Precisamos de construir um cenário muito comum para produzir este tipo de objecto.”

Quando um corpo mais pequeno passa muito perto de um muito maior, as forças de maré do corpo maior podem fragmentar o mais pequeno, como aconteceu com o cometa Shoemaker-Levy 9 quando se aproximou de Júpiter. Os processos de perturbação de marés podem expelir alguns detritos para o espaço interestelar, o que foi sugerido como uma possível origem para ‘Oumuamua. Mas permaneceu muito incerto se esse processo podia explicar as características intrigantes de ‘Oumaumua.

Simulações de computador

Zhang e Lin executaram simulações de computador de alta resolução para modelar a dinâmica estrutural de um objecto que passasse perto de uma estrela. Descobriram que se o objecto se aproximar o suficiente da estrela, ela pode rasgá-lo em fragmentos extremamente alongados que são depois expelidos para o espaço interestelar.

“A forma alongada é mais atraente quando consideramos a variação da força do material durante o encontro estelar. A proporção do eixo longo para o eixo curto pode ser ainda superior a dez para um,” disse Zhang.

A modelagem térmica dos investigadores mostrou que a superfície de fragmentos resultantes desta ruptura do corpo inicial derreteria a uma distância muito curta da estrela e recondensaria a distâncias maiores, formando assim uma crosta coesa que garantiria a estabilidade estrutural da forma alongada.

“A difusão de calor durante o processo de ruptura de maré estelar também consome grandes quantidades de materiais voláteis, o que não apenas explica as cores da superfície de ‘Oumuamua e a ausência de uma coma visível, mas também elucida a secura inferida da população interestelar,” disse Zhang. “No entanto, alguns voláteis de alta temperatura de sublimação enterrados sob a superfície, como água gelada, podem permanecer em forma condensada.”

As observações de ‘Oumuamua não mostraram actividade cometária, e apenas a água gelada é a possível fonte de fluxo gasoso que explique o seu movimento não gravitacional. Caso ‘Oumuamua fosse produzido e ejectado pelo cenário de Zhang e Lin, uma grande quantidade de água gelada residual podia ser activada durante a sua passagem pelo Sistema Solar. O fluxo gasoso resultante provocaria acelerações que correspondem à trajectória tipo-cometa de ‘Oumuamua.

“O cenário de fragmentação de marés não fornece apenas uma maneira de formar um único ‘Oumuamua, como também explica a vasta população de objectos interestelares do tipo asteroide,” disse Zhang.

Os cálculos dos investigadores demonstram a eficácia das forças de maré na produção deste tipo de objecto. Possíveis progenitores, incluindo cometas de longo período, discos de detritos, e até super-Terras, podem ser transformados em pedaços do tamanho de ‘Oumuamua durante encontros estelares.

Este trabalho suporta estimativas de uma grande população de objectos interestelares semelhantes a ‘Oumuamua. Tendo em conta que estes objectos podem passar pelos domínios das zonas habitáveis, a possibilidade de transportar matéria capaz de gerar vida (hipótese chamada “panspermia”) não pode ser descartada. “Este é um campo muito novo. Estes objectos interestelares podem fornecer pistas críticas sobre como os sistemas planetários se formam e evoluem,” disse Zhang.

Segundo Lin, “‘Oumuamua é apenas a ponta do icebergue. Nós prevemos que muitos mais visitantes interestelares com características semelhantes sejam descobertos em futuras observações com o próximo Observatório Vera C. Rubin.”

O astrónomo Matthew Knight, da Academia Naval dos EUA, co-líder da equipa ‘Oumuamua do Instituto Internacional de Ciências Espaciais, que não esteve envolvido no novo estudo, disse que este estudo “faz um trabalho notável ao explicar uma variedade de propriedades invulgares de ‘Oumuamua com um único e coerente modelo.”

“À medida que mais objectos interestelares forem descobertos nos próximos anos, será muito interessante ver se têm propriedades semelhantes às ‘Oumuamua. Nesse caso, isso poderá significar que os processos descritos neste estudo são generalizados,” disse Knight.

Astronomia On-line
17 de Abril de 2020

 

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3537: Northolt Branch Observatories

2015 FC35

2015 FC35 is an Apollo-type asteroid with a diameter of 125 – 275 metres. It was first observed by Pan-STARRS 1, Haleakala on the 17th of March 2015. It makes a close approach on April 4th, at a distance of 0.0267 AU (3.9 million km) from Earth.We observed 2015 FC35 at magnitude +16, moving through the constellation of Virgo.#SpotTheAsteroidNortholt Branch ObservatoriesAsteroid DayNEOShield-2Qhyccd

Publicado por Northolt Branch Observatories em Quarta-feira, 1 de abril de 2020

 

2015 FC35 is an Apollo-type asteroid with a diameter of 125 – 275 metres. It was first observed by Pan-STARRS 1, Haleakala on the 17th of March 2015. It makes a close approach on April 4th, at a distance of 0.0267 AU (3.9 million km) from Earth.

We observed 2015 FC35 at magnitude +16, moving through the constellation of Virgo.

#SpotTheAsteroid

2015 FC35 é um asteróide tipo Apollo com um diâmetro de 125-275 metros. Foi observado pela primeira vez pelo Pan-STARRS 1, Haleakala no dia 17 de Março de 2015. Faz uma aproximação estreita no dia 4 de Abril, a uma distância de 0.0267 UA (3.9 milhões de km) da Terra.

Observamos 2015 FC35 na magnitude + 16, movendo-se através da constelação de Virgo.

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2252: Asteróide explodiu na atmosfera perto de Porto Rico horas após ser detectado pela primeira vez

Astrónomos descobriram um asteróide de um tamanho de um carro horas antes de atingir a Terra e queimar na atmosfera no fim de semana passado.

Cientistas no Hawai viram o asteróide, chamado 2019 MO, no sábado, dia 22 de Junho. Pouco depois, o objecto explodiu numa grande bola de fogo à medida que atingiu a atmosfera a cerca de 380 quilómetros a sul de San Juan, em Porto Rico, de acordo com a Universidade do Hawai.

Esta é a quarta vez na História que os astrónomos detectam um asteróide tão perto do impacto. As outras três identificações ocorreram nos últimos 11 anos – 2008 TC3, 2014 AA e 2018 LA, que aterrou como meteorito na África do Sul sete horas depois de ser identificado pelos cientistas.

Ao contrário do 2018 LA, o último visitante da Terra foi inofensivo e não chegou ao chão. Mas o asteróide, de quatro metros de comprimento, ainda fez uma bola de fogo que equivaleu a cerca de seis mil toneladas de explosivos TNT, segundo o Centro de Estudos de Objetos da Terra Próxima (CNEOS), dirigido pelo Jet Propulsion Lab Pasadena, Califórnia.

O impacto do asteróide foi tão poderoso que até os satélites em órbita o avistaram. Satélites operados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) registaram o seu impacto e destruição às 21h25.

No momento do impacto, 2019 MO viajava a cerca de 14,9 quilómetros por segundo. O Geostationary Lightning Mapper da NOAA a bordo do satélite GOES-East também mapeou o asteróide, de acordo com o The Weather Channel.

O facto de os cientistas terem detectado o asteróide antes da sua aniquilação é motivo de comemoração. Esta é a primeira vez que dois telescópios – o ATLAS da Universidade do Hawai e o Pan-STARRS mostraram que podem “fornecer suficiente advertência para afastar as pessoas” do local de impacto de um asteróide.

Usando estes telescópios, os astrónomos observaram 2019 MO quatro vezes em apenas 30 minutos, quando o asteróide estava a apenas 500 mil quilómetros da Terra – 1,3 vezes a distância da Terra à Lua.

No início, os cientistas deram uma classificação de dois em quatro, o que significa que parecia improvável que atingisse a Terra. Mas à medida que mais dados chegavam, actualizaram 2019 MO para quatro. A rede climática Nexrad, em Porto Rico, que é operada pelo Serviço Nacional de Meteorologia da NOAA, também localizou o asteróide, identificando o seu local de entrada, de acordo com a Cnet.

2019 MO foi muito menor que o meteoro de 20 metros que explodiu em Chelyabinsk, na Rússia, em 2013. A energia liberta por esse meteoro foi equivalente a cerca de 440 mil toneladas de TNT.

Agora que o ATLAS está instalado e a funcionar, detectará todos os tipos de asteróides, grandes e pequenos. Os dois telescópios do sistema, situados a 160 quilómetros de distância, analisam o céu nocturno em busca de asteróides a cada duas noites. Desde então, descobriram cerca de 100 asteróides com mais de 30 metros de diâmetro por ano.

Em teoria, o ATLAS deverá conseguir encontrar asteróides menores, como 2019 MO, cerca de meio dia antes de chegar e objectos maiores, como o meteoro de Chelyabinsk, alguns dias antes de chegarem.

ZAP //

Por ZAP
30 Junho, 2019

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1095: O asteróide em forma de caveira está de volta à Terra

J.A.Peñas / Agência Sinc
Por ter sido observado na época do Dia das Bruxas e ter semelhança com uma caveira, o 2015 TB145 foi chamado de Asteróide do Halloween

Segundo cálculos da NASA, o asteróide de forma peculiar que chamou a atenção de vários cientistas aproximar-se-á da Terra no próximo dia 11 de Novembro.

A 31 de Outubro de 2015, a NASA anunciou a passagem pela órbita terrestre de um asteróide em forma da caveira. Sob certas condições de luz, este asteróide lembra um crânio o que chamou a atenção de vários cientistas e entusiastas da astronomia.

Através do Twitter, a NASA alertou para a passagem deste asteróide coincidindo com a noite de Halloween.

Agora, três anos depois, o asteróide está de volta, regressando dia 11 de Novembro à órbita terrestre. Desta vez, segundo os cálculos da NASA, o asteróide falhará o dia das bruxas e não passará tão perto como em 2015.

Na sua primeira passagem pelo planeta Terra o asteróide-caveira, também conhecido por TB145 2015, passou a uma distância de 499 mil quilómetros (a lua encontra-se a quase 385 mil quilómetros) e a uma velocidade de 125 mil quilómetros por hora. Desta vez estará a 40 milhões de quilómetros.

O asteróide-caveira tem entre 625 e 700 metros de diâmetro e, à distância que irá passar pelo planeta, torna-se demasiado pequeno para ser visto a olho nu.

O asteróide foi descoberto a 10 de Outubro de 2015 pelo telescópio Pan-STARRS, sediado no Havai. Acredita-se que o asteróide foi formado a partir de restos de um cometa extinto que perdeu a maior arte do seu gelo e gases.

A próxima visita deste peculiar objecto espacial será em 2027, quando passará a cerca de 384 mil quilómetros do planeta Terra.

Por ZAP
3 Outubro, 2018

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