2811: Encontrado fóssil de tubarão parecido com uma enguia de há 350 milhões de anos

CIÊNCIA

© Citron / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia
O tubarão Phoebodus podia ser parecido com o tubarão-cobra dos dias de hoje (apresentado nesta imagem)

Um membro de um grupo indígena encontrou na Anti-Atlas, cordilheira montanhosa de Marrocos, um esqueleto quase completo e muito bem preservado do tubarão Phoebodus.

De acordo com o Live Science, os paleontólogos tiveram recentemente uma visão rara de um animal que existiu há 350 milhões de anos, através do primeiro esqueleto quase completo de um tubarão que pertencia ao género Phoebodus.

Os tubarões Phoebodus, que tinham cerca de 1,2 metros de comprimento, viveram muito antes dos dinossauros e do tubarão gigante Megalodon. Porém, antes deste estudo, agora publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, os cientistas não sabiam muito sobre como era esta espécie. Aliás, a única prova de que estes tubarões existiram mesmo tinham sido dentes com três cúspides encontrados anteriormente.

Entretanto, um membro dos Berberes, um grupo indígena do norte da África, encontrou pela primeira vez um fóssil quase completo desta espécie na Anti-Atlas, uma cordilheira montanhosa no sudoeste de Marrocos, tendo-o feito chegar a Christian Klug, paleobiólogo da Universidade de Zurique, na Suíça, e um dos autores do estudo.

Klug imediatamente percebeu que o espécime não era de “um peixe normal”, explica a autora principal da pesquisa, Linda Frey, acrescentando que foram descobertos este esqueleto e outros crânios na região sul das montanhas, numa camada de sedimentos de 360 a 370 milhões de anos que já foi uma bacia marinha.

O fóssil do esqueleto quase completo do tubarão Phoebodus

“Os fósseis estão muito bem preservados. Ficámos muito felizes com a descoberta”, declarou Frey ao mesmo site, explicando que todos estavam muito bem preservados porque estavam em condições com baixos níveis de oxigénio, onde os organismos em decomposição não podiam separá-los.

Uma análise aos fósseis mostrou que este tubarão tinha um corpo semelhante ao de uma enguia e um focinho longo, parecendo-se com o tubarão-cobra moderno — Chlamydoselachus anguineus —, embora os dois não estejam relacionados, afirma Frey.

Além disso, a anatomia da mandíbula do Phoebodus e a forma dos dentes com três cúspides sugerem que a criatura tinha uma estratégia de alimentação semelhante ao dos Lepisosteiformes, uma família de peixes de água doce com mandíbulas compridas. Estes animais “basicamente capturam as suas presas num movimento rápido“, e também podia ser assim que os tubarões Phoebodus se alimentavam, explica a investigadora.

As perguntas sobre o Phoebodus continuam a existir e não podem ser respondidas apenas com este esqueleto, uma vez que lhe falta uma barbatana caudal que lhes diria mais sobre como o animal se movia.

ZAP //

Por ZAP
10 Outubro, 2019

 

2757: T. Rex podia esmagar um carro nas suas mandíbulas (sem danificar o próprio crânio)

CIÊNCIA

David Monniaux / wikimedia
Fóssil de Tyranossaurus Rex

Investigadores descobriram que o rei dos dinossauros tinha um crânio rígido, como os dos crocodilos e das hienas modernos.

Entre todos os animais, extintos ou não, não há dúvida de que o Tyrannosaurus rex tinha a mordida mais forte de sempre. O rei dos dinossauros era capaz de morder ossos sólidos, mas os paleontólogos estavam há muito desconcertados com a forma como o conseguiam fazer (sem partir o próprio crânio).

De acordo com o Business Insider, uma equipa de investigadores descobriu que este dinossauro tinha um crânio rígido, como os dos crocodilos e das hienas modernos, em vez de um crânio flexível, como pássaros e répteis. Essa rigidez permitiu ao T. rex morder as suas infelizes presas com uma força superior a sete toneladas.

“As forças mais altas no T. rex que conseguimos estimar foram de 64 mil newtons, o que representa cerca de 7,1 toneladas de força”, disse Ian Cost, autor principal do estudo publicado na revista científica The Anatomical Record.

Em termos de comparação, os crocodilos de-água-salgada dos dias de hoje, que detêm o maior recorde de mastigação de qualquer animal vivo, têm uma força de 16.460 newtons, ou seja, apenas 25% da força de um T. rex.

Anteriormente, os cientistas haviam sugerido que o crânio do T. rex — com cerca de 1,8 metros de comprimento e 1,2 metros de altura — possuía articulações flexíveis, uma característica chamada cinesia craniana.

Porém, Cost afirma que esta teoria não se enquadrava com aquilo que os cientistas observavam nos predadores modernos, como os crocodilos, que têm pouca ou nenhuma cinesia craniana.

cheungchungtat / Deviant Art

Por isso, a equipa modelou como os crânios e as mandíbulas de papagaios e lagartixas funcionavam — dois animais com crânios móveis —, tendo aplicado depois esses movimentos a um crânio de T. rex. “O que descobrimos foi que o crânio do T. rex, na verdade, não reage bem ao movimento e prefere não se mover”, disse Cost.

De acordo com Casey Holliday, co-autor do estudo, há uma troca entre movimento e estabilidade quando uma criatura morde com muita força. Os pássaros e os lagartos, por exemplo, têm mais movimento mas menos estabilidade. Menos estabilidade à mordida e amplitude de movimento limitam a quantidade de força de mordida que um animal pode conseguir.

Mark Norell, curador do Museu Americano de História Natural, descreveu o T. rex como “um caçador de cabeças”, já que o predador tinha a rara capacidade de morder ossos sólidos e digeri-los.

Segundo Cost, um crânio rígido fez com que o T. rex pudesse morder ossos e, assim, ser  “capaz de produzir força suficiente para esmagar alguns carros, mas talvez não todos”.

O cientista acrescenta que aplicar 7,1 toneladas de força da mordida do T. rex “através de um dente ou dois no impacto resulta em incríveis libras por polegada quadrada (psi) de pressão que podem perfurar muitos veículos, incluindo os pneus Jeep”.

Cost afirma que os resultados do seu estudo, que indicam que o crânio do T. rex manipulava presas de forma semelhante à de uma hiena, pode lançar novas luzes sobre este debate. “As hienas são caçadoras e necrófagas. Acho que o T. rex era um caçador e um necrófago oportunista”, conclui.

ZAP //

Por ZAP
3 Outubro, 2019

 

2664: Dragões de Komodo têm uma “armadura” debaixo da pele

CIÊNCIA

zoofanatic / Flickr

Um novo estudo mostra que debaixo da sua pele escamosa, os dragões de Komodo estão quase todos cobertos por uma armadura de pequenos ossos.

Os dragões de Komodo (Varanus komodoensis) são conhecidos por serem fortes, rápidos e perigosos. Mas agora, de acordo com o Science Alert, uma nova investigação descobriu que têm outra característica especial: sob a pele escamosa, estes animais estão cobertos por uma armadura de pequenos ossos semelhante a uma cota de malha.

Investigadores da Universidade do Texas e do Fort Worth Zoo, nos Estados Unidos, fizeram tomografias computorizadas a dois dragões já falecidos (um adulto e um jovem). A equipa descobriu que o animal mais velho estava completamente blindado, mas o mais novo não apresentava nada do género. A descoberta sugere que os osteodermos, como estes pequenos ossos são chamados, não se desenvolvem até à idade adulta.

“Os dragões de Komodo jovens passam bastante tempo nas árvores e, quando são grandes o suficiente para sair delas, é quando podem começar a entrar em conflito com dragões da sua espécie. Esse seria o momento em que uma armadura extra dava jeito”, explica num comunicado o paleontólogo Christopher Bell, da Universidade de Texas.

Os osteodermos não são uma nova descoberta e, na verdade, podem ser encontrados noutros répteis e anfíbios. No entanto, como a pele dos dragões de Komodo é geralmente removida para outros estudos científicos, e como estas placas ósseas ficam dentro da pele, acabaram por nunca serem bem estudadas ou compreendidas.

(dr) University of Texas / Jackson School of Geosciences
A “armadura” do dragão de Komodo

No caso do dragão adulto, os cientistas analisaram apenas a cabeça (uma vez que o seu corpo era tão grande que não cabia na máquina), mas foi suficiente para revelar detalhes fascinantes sobre esta armadura.

A cabeça do animal estava quase toda envolvida nesta malha de ossos minúsculos, com quatro formas distintas, e completamente diferente das outras espécies de lagartos analisados para comparação.

Os outros lagartos parecem ter uma dispersão muito mais esparsa dos ossos, às vezes com áreas onde estão completamente ausentes e com apenas uma ou duas formas ósseas. No caso da cabeça do dragão de Komodo, esta estava quase totalmente tapada (só os olhos, narinas, borda da boca e olho parietal estavam destapados).

“Ficámos impressionados quando vimos isto. A maioria dos lagartos Varanus possui apenas osteodermos vermiformes (em forma de verme), mas o dragão de Komodo tem quatro morfologias muito distintas, o que é muito incomum entre os lagartos”, disse a paleontóloga Jessica Maisano, da Universidade do Texas.

Agora, os cientistas, cujo estudo foi publicado na revista The Anatomical Record, querem estudar mais dragões de Komodo com diferentes idades para lançar mais algumas luzes sobre esta misteriosa armadura.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2571: Descoberta uma espécie idêntica ao “esquilo” da Idade do Gelo

CIÊNCIA

(dr) Jorge A. González
Ilustração do Pseudotherium argentinus

A criatura pré-histórica é tão parecida com Scrat, personagem do filme de animação “A Idade do Gelo”, que o paleontólogo responsável pela sua descoberta pensou baptizar a espécie com o seu nome.

Segundo o IFLScience, o Pseudotherium argentinus foi descoberto no Parque Provincial de Ischigualasto, San Juan, no noroeste da Argentina, com base num crânio adulto de 6,9 centímetros que sugere que este animal tinha 25 centímetros de comprimento.

Esta criatura pré-histórica foi classificada de mammaliamorph — um grupo de parentes próximos dos mamíferos — e viveu há 231 milhões de anos, durante o Triássico Superior, quando os dinossauros ainda estavam no seu auge.

De acordo com o estudo publicado em Agosto na revista científica PLOS One, o Pseudotherium pode estar intimamente relacionado a um ancestral dos mamíferos, mas faltam as distintas regiões cerebrais expandidas que separam os mamíferos dos nossos predecessores.

O facto curioso é que este animal mostra grandes semelhanças com Scrat, uma das personagens do filme de animação “A Idade do Gelo”. “A espécie tem um focinho muito longo, plano e raso e as suas presas muito longas localizadas quase na ponta do focinho, por isso as parecenças são tremendas”, disse o paleontólogo Ricardo Martinez, da Universidade Nacional de San Juan, à Agência CTyS, acrescentando que até considerou nomear a espécie tendo em conta a personagem.

Esta não é a primeira criatura que os cientistas descobrem que se parece com Scrat. O Cronopio dentiacutus era um verdadeiro mamífero — com o tamanho e forma semelhantes ao Pseudotherium — que viveu há 95 milhões de anos, durante o Cretáceo, e cuja descoberta em 2011 também se seguiu aos filmes.

Com apenas um espécime para analisar, os investigadores não sabem ainda muitas coisas sobre o estilo de vida deste animal ou porque é que precisava de dentes tão ameaçadores. É provável que tivesse uma dieta à base de insectos ou animais menores, sendo que os dentes-de-sabre poderiam ter sido usados para apanhar presas, mas também para lutar por territórios ou companheiros, sobretudo se o espécime encontrado fosse macho.

ZAP //

Por ZAP
4 Setembro, 2019

 

2384: Paleontólogos descobrem estranhos micróbios em fósseis de dinossauro

CIÊNCIA

Peter Trusler / University of Queensland
Imagem ilustrativa

Uma equipa de paleontólogos procurou preservar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um dinossauro. Mas os cientistas não encontraram as proteínas: em vez disso, encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos.

Para as preservar, uma equipa internacional de paleontólogos decidiu procurar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um Centrosaurus, mas sem sucesso. Em vez disso, os cientistas encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos a viver dentro dos ossos do dinossauro. O artigo científico foi publicado em Junho na eLife.

“É a primeira vez que descobrimos esta comunidade microbiana única nestes ossos fósseis enterrados no subsolo”, disse o principal autor do estudo, Evan Saitta, investigador do Field Museum of Natural History, citado pelo Sci-News.

Durante o processo de fossilização, os tecidos biológicos degradam-se ao longo de milhões de anos. Ainda assim, os cientistas encontraram vestígios de material biológico dentro de alguns fósseis.

Enquanto que alguns cientistas acreditam que estes podem ser os restos de antigas proteínas, vasos sanguíneos e células, tradicionalmente considerados como estando entre os componentes menos estáveis do osso, outros investigadores estão convencidos de que têm fontes mais recentes.

(dr) Evan Saitta / Field Museum of Natural History
Micróbios modernos a fluorescente

Para investigar a origem do material biológico em ossos de dinossauros, Saitta e a sua equipa realizaram várias análises nos ossos fossilizados, com cerca de 75 milhões de anos, do Centrosaurus. Os ossos foram cuidadosamente escavados de forma a reduzir a contaminação.

Depois, os cientistas compararam a composição bioquímica dos fósseis com os modernos ossos de galinha, os sedimentos do local dos fósseis em Alberta, no Canadá, e os antigos dentes de tubarão, chegando assim à conclusão que os fósseis de Centrosaurus não pareciam conter as proteínas de colagénio presentes nos ossos novos ou nos dentes de tubarão muito mais jovens.

Mas vemos muitas evidências de micróbios recentes. Há claramente algo orgânico nestes ossos”, disse o cientista, adiantando ter encontrado carbono orgânico morto sem radio-carbono, aminoácidos recentes e ADN no osso – descobertas indicativas de que o osso hospeda uma comunidade microbiana moderna.

Surpreendentemente, os micróbios encontrados nos ossos não são as mesmas bactérias que vivem na rocha ao seu redor. “É uma comunidade muito incomum. Cerca de 30% das sequências estão relacionadas a Euzebya“, disse Saitta.

“Não sabemos ao certo por que estes micróbios em particular estão a viver nos ossos dos dinossauros, mas não estamos chocados com o facto de as bactérias serem atraídas pelos fósseis”, explicou ainda.

Os ossos fósseis contêm fósforo e ferro, “e os micróbios precisam deles como nutrientes”. Além disso, os ossos são porosos “Se fosse uma bactéria a viver no chão, provavelmente iria querer viver num osso de dinossauro”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
28 Julho, 2019

[vasaioqrcode]

 

2361: Ninhos descobertos na Mongólia mostram que os dinossauros protegiam os seus ovos

CIÊNCIA

(dr) Masato Hattori

Ninhos de dinossauro descobertos no Deserto de Gobi, na Mongólia, mostram que estes animais pré-históricos faziam ninhos em grupo e, tal como os pássaros, protegiam os seus ovos.

De acordo com a revista Nature, uma equipa de investigadores descobriu fósseis de um grupo de 15 ninhos com mais de 50 ovos, com cerca de 80 milhões de anos, no Deserto de Gobi, na Mongólia.

“Os dinossauros costumam ser retratados como criaturas solitárias que faziam os seus ninhos sozinhas, enterrando os ovos e depois indo embora. Agora conseguimos mostrar que alguns dinossauros eram muito mais gregários. Uniam-se e estabeleciam uma colónia que provavelmente os protegia”, explica François Therrien, paleontólogo do Museu Real Tyrrell de Paleontologia, no Canadá.

A descoberta, publicada no início deste mês na revista científica Geology, fornece a mais clara evidência até ao momento que os complexos comportamentos reprodutivos dos dinossauros, como os ninhos em grupo, evoluíram antes das aves modernas se terem separado deles há 66 milhões de anos.

Desde os anos 80 que os paleontólogos desenterram ovos fossilizados ou ninhos que estão agrupados. Mas a rocha circundante geralmente representa vários milhares de anos ou mais, tornando difícil para os investigadores saber se os ovos foram colocados ao mesmo tempo, ou apenas no mesmo lugar, explica Darla Zelenitsky, paleontóloga da Universidade de Calgary, no Canadá, e co-autora do estudo.

Mas este grupo de ninhos agora descoberto é diferente. A formação de 286 metros quadrados contém camadas vivas de cor laranja e cinzenta. Entre estas, encontra-se uma risca fina de rocha vermelha brilhante que conecta todos os 15 ninhos relativamente intactos. Alguns dos ovos esféricos, com cerca de dez a 15 centímetros de diâmetro, haviam eclodido e estavam parcialmente preenchidos com a rocha vermelha.

Uma vez que a tal risca vermelha liga todos os ovos, a descoberta sugere que os dinossauros os tenham colocado juntos, durante a mesma época de reprodução, provavelmente com o objectivo de os proteger de predadores e outras ameaças. “Geologicamente, acho que não poderíamos ter pedido um sítio melhor”, diz Zelenitsky.

A paleontóloga e os colegas também foram capazes de identificar o tipo de dinossauro que colocou lá os ovos. Graças às suas texturas exteriores e interiores, bem como a espessura da casca, os investigadores sugerem que se trata de um terópode não aviário, grupo que inclui o velociraptor e o tiranossauro.

Os investigadores ainda conseguiram estimar que pouco mais mais de metade dos ninhos teve pelo menos um ovo chocado. Essa taxa de sucesso relativamente alta é parecida com a de aves e crocodilos modernos que protegem os seus ninhos, comparativamente com as espécies que os abandonam.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
23 Julho, 2019

[vasaioqrcode]

 

2341: Afinal, Gibraltar não foi o último refúgio dos neandertais

CIÊNCIA

Kojotisko / Flickr

A primeira extracção de ADN antigo dos célebres restos mortais neandertais de Gibraltar revelou que este local não se trata do último refúgio desta espécie humana antes da sua extinção.

O novo estudo, liderado pelo Museu de História Natural e pelo Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, confirmou o sexo dos crânios e, no caso do fóssil descoberto na pedreira de Forbes, ligou-o aos neandertais além de Gibraltar.

Os fósseis de Neandertal de Gibraltar estão entre os achados mais destacados da paleontologia. Os fósseis são alguns dos mais históricos do seu tipo, uma vez que foram descobertos na pedreira de Forbes em 1848 e na Torre do Diabo em 1926.

Os autores do novo estudo, publicado a 15 de Julho na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, usaram um método de preparação de ADN que reduz a poluição moderna antes de sequenciamento para isolar o componente neandertal do ADN.

Chris Stringer, do Museu de História Natural, disse, em comunicado, que “as análises confirmaram que o menino da Torre do Diabo era um homem e o adulto da pedreira de Forbes era uma fêmea e geneticamente mais semelhante aos neandertais anteriores (60 mil a 120 mil anos) na Europa e na Ásia Ocidental do que aos neandertais mais jovens da Espanha”.

Embora Gibraltar seja considerado um dos últimos refúgios para os neandertais antes de sua extinção, de acordo com a Europa Press, parece que os restos encontrados na pedreira de Forbes não seriam de um Neandertal jovem.

Para investigar a conservação do ADN nos restos neandertais, Lukas Bokelmann e os seus colegas analisaram 20 miligramas de pó de osso de pedra da amostra da pedreira de Forbes e 36 miligramas da amostra da Torre do Diabo.

“É um momento emocionante para trabalhar no campo do ADN antigo. As melhorias metodológicas, como mostrado neste estudo, permitem trabalhar com um material realmente desafiador. O ADN antigo é sempre complicado, mas como estas amostras eram antigas e estavam num clima quente, foram especialmente difíceis de trabalhar, contou Selina Brace, co-autora do artigo do Museu de História Natural.

Os resultados mostram que agora é possível analisar o ADN em fósseis altamente contaminados por climas relativamente quentes, prometendo a recuperação de ADN comparativamente antigo de regiões como o norte da África, o Médio Oriente e a China.

ZAP //

Por ZAP
20 Julho, 2019

[vasaioqrcode]

 

2226: O T-Rex tem dois novos primos tailandeses

PALEONTOLOGIA

Universidade de Bonn

Duas novas espécies de dinossauros, que eram predadores eficientes e parentes distantes do Tiranossauro-Rex, foram identificadas em restos fósseis encontrados há 30 anos na Tailândia, revelou a Universidade de Bonn, na Alemanha.

Há três décadas, o Museu de Sirindhorn, no sul da Tailândia, recebeu ossos fossilizados de dinossauros que nunca foram analisados em detalhe. “Há cinco anos encontrei estas descobertas durante a minha pesquisa, explicou Adun Samathi, paleontólogo tailandês que está a fazer o seu doutoramento no Instituto Steinmann de Geologia, Mineração e Paleontologia da Universidade de Bonn.

Depois de “tropeçar” no achado, o investigador levou alguns moldes dos fósseis para serem analisados juntamente com o seu orientador, o professor Martin Sander, recorrendo a tecnologias mais avançadas.

Os resultados da investigação mostram uma nova visão sobre a história dos megaraptors, um grupo de dinossauros de grandes dimensões, que inclui, por exemplo, o T-Rex e que agora tem duas novas espécies conhecidas.

À semelhança do “primo” T-Rex, as novas espécies também corriam sobre as suas patas traseiras. Em sentido oposto, estes familiares tinham braços fortes dotados com grandes garras. Além disso, tinham também cabeças mais delicadas e um focinho largo.

“Conseguimos atribuir os ossos [fossilizados] a um novo megaraptor, que chamamos de Phuwiangvenator yaemniyomi“, revelou Samathi, citado em comunicado.

O nome escolhido, recorda, por um lado, refere-se a Phuwiang, uma área no noroeste da Tailândia, e, por outro lado, tem também a referência ao cientista responsável pela descoberta do primeiro fóssil de dinossauro tailandês.

O investigador revelou ainda mais alguns detalhes sobre o Phuwiangvenator yaemniyomi: era, provavelmente, um corredor rápido com cerca de seis metros de comprimento, ou seja, menor do que o T-Rex (12 metros.)

Quanto à segunda nova espécie descoberta, o estudante afirma que há menos informação. Os ossos identificados também pertencem a um megaraptor, que era um pouco mais pequeno, medindo cerca de 4,5 metros.

O material analisado não foi suficiente para precisar a sua ascendência com exactidão, mas os cientistas acreditam que este seja um outro primo do T-Rex, tendo-lhe atribuído o nome de Vayuraptor nongbualamphuenisis.

“Talvez a situação [das duas novas espécies] possa ser comparada à [situação] dos grandes felinos africanos”, explica Samathi. “Se Phuwiangvenator fosse um leão, Vayuraptor seria um chita”, rematou o estudante.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Acta Palaeontologica Polonica.

ZAP //

Por ZAP
24 Junho, 2019

[vasaioqrcode]

2187: Os humanos podem ter sido destinados a reinar sobre a Terra (e já sabemos porquê)

CIÊNCIA

Viktor M. Vasnetsov / Wikimedia

Se voltássemos atrás no tempo, a aleatoriedade dos eventos mudaria completamente o nosso caminho evolucionário. No entanto, os cientistas descobriram que os inúmeros trilhos possíveis poderiam não evitar que fossem os humanos a espécie dominadora.

O que aconteceria se voltássemos a um ponto aleatória na nossa história evolutiva e recomeçássemos o relógio do tempo? O paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould propôs este pensamento no final dos anos 80 e, ainda hoje, cativa a imaginação dos biólogos evolucionistas.

Gould calculou que, se o tempo fosse rebobinado, a evolução levaria o rumo da vida por um caminho completamente diferente e os humanos nunca voltariam a evoluir da mesma forma. De facto, o cientista considerou que a evolução da humanidade era tão rara que poderíamos repetir a história um milhão de vezes e não veríamos nada parecido com o Homo Sapiens.

Os eventos do acaso desempenham um papel enorme na evolução. Isto inclui extinções em massa gigantescas, como impactos de asteróides cataclísmicos e erupções vulcânicas. Mas os eventos aleatórios também operam na escala molecular. A mutação genética, que forma a base da adaptação evolucionária, depende de eventos fortuitos.

Simplificando, a evolução é o produto da mutação aleatória. Algumas mutações raras podem melhorar a hipótese de sobrevivência de um organismo em determinados ambientes em detrimento de outros. Esta aleatoriedade inerente sugere que diferentes formas de vida se originariam caso rebobinássemos o rolo da vida.

Óbvio que na realidade, é impossível rebobinar o relógio desta maneira. No entanto, os biólogos evolucionistas experimentais têm os meios para testar algumas das teorias de Gould numa micro-escala com bactérias. Os resultados foram divulgados num estudo publicado no ano passado na revista Science.

Os microrganismos dividem-se e evoluem muito rapidamente. Podemos, portanto, congelar milhões de células idênticas no tempo e armazená-las indefinidamente. Isso permite obter um subconjunto dessas células, desafiá-las a crescer em novos ambientes e monitorizar as alterações adaptativas em tempo real. Podemos ir do “presente” para o “futuro” e vice-versa quantas vezes quisermos.

Evidências do destino evolutivo

Muitos estudos de evolução bacteriana descobriram que a evolução segue caminhos muito previsíveis a curto prazo, com os mesmos traços e soluções genéticas frequentemente realizadas. Todas as populações em evolução nesta experiência mostram maior aptidão, crescimento mais rápido e células maiores do que as ancestrais. Isto sugere que os organismos têm algumas restrições sobre como podem evoluir.

Existem forças que mantêm os organismos em evolução numa linha recta e estreita. A selecção natural é o guia da evolução, reinando no caos de mutações aleatórias e estimulando mutações benéficas. Isto significa que muitas mudanças genéticas irão desaparecer ao longo do tempo, com apenas as melhores a resistirem.

Encontramos evidências disso na história da evolução, onde espécies que não estão intimamente relacionadas, mas compartilham ambientes semelhantes, desenvolvem um traço semelhante.

Por exemplo, Pterossauros e pássaros extintos evoluíram tanto nas asas quanto num bico distinto, mas não de a mesma espécie ancestral. Essencialmente, asas e bicos evoluíram duas vezes, em paralelo, devido a pressões evolutivas.

Mas a arquitectura genética também é importante. Certas localizações no genoma contribuirão para a evolução com maior frequência, ou com um efeito maior, do que outras — influenciando os resultados evolutivos.

Leis da Física

Mas e as leis da Física subjacentes — favorecem a evolução previsível? Em escalas muito grandes, parece que sim. Sabemos de muitas leis do nosso universo são certas, como por exemplo a gravidade e as teorias de Isaac Newton. Estas descrevem o universo como perfeitamente previsível.

Se a visão de Newton permanecesse perfeitamente verdadeira, a evolução dos humanos seria inevitável. No entanto, essa previsibilidade reconfortante foi abalada pela descoberta do mundo contraditório, mas fantástico, da mecânica quântica no século XX. Em escalas menores de átomos e partículas, a verdadeira aleatoriedade está em jogo — o que significa que o nosso mundo é imprevisível no mais fundamental nível.

Isto significa que as “regras” para a evolução permaneceriam as mesmas, não importando quantas vezes nós rebobinássemos a cassete. Por exemplo, haveria sempre uma vantagem evolutiva para os organismos que absorvem a energia solar. Mas, em última análise, a aleatoriedade, que é incorporada em muitos processos evolutivos, retira a nossa capacidade de “prever o futuro” com total certeza.

Há um problema na astronomia que funciona como uma analogia apropriada. Em 1700, um instituto matemático ofereceu um prémio para resolver “o problema dos três corpos“, que consiste em descrever precisamente a relação gravitacional e órbitas resultantes do Sol, da Terra e da Lua.

O vencedor, Joseph-Louis Lagrange, essencialmente provou que o problema não poderia ser resolvido exactamente. Assim como o caos introduzido por mutações aleatórias, um pequeno erro inicial inevitavelmente surgiria, o que significa que não se poderia determinar com exactidão onde os três corpos acabariam no futuro. Mas como o parceiro dominante, o Sol dita as órbitas de todos os três — permitindo-nos reduzir as possíveis posições dos corpos dentro de um alcance.

Isso é muito semelhante à evolução. Podemos não estar totalmente certos de onde os humanos estariam se rebobinássemos o tempo, mas os caminhos disponíveis para os organismos em evolução estão longe de ser ilimitados.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
17 Junho, 2019

[vasaioqrcode]

2002: Revelada nova espécie de dinossauro saurópode na Lourinhã

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Paleontólogos portugueses e espanhóis descreveram uma nova espécie de dinossauro herbívoro saurópode, cujos fósseis foram recolhidos há mais de 20 anos numa praia da Lourinhã, num artigo científico publicado num boletim especializado.

O Oceanotitan dantasi é descrito como sendo um novo género e uma nova espécie de dinossauro saurópode no artigo “Um novo saurópode macronário do Jurássico Superior de Portugal”, publicado na quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Um dos autores, Pedro Mocho, do Instituto Don Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, disse à Lusa que, enquanto outros saurópodes já conhecidos atingem grandes dimensões, este animal chamou a atenção dos investigadores “pelo seu tamanho mediano”.

As características morfológicas encontradas neste herbívoro “colocava-o fora dos grupos do Jurássico Superior e assemelhava-o a formas do Cretáceo”, explicou. Esta espécie vem contribuir para a enorme diversidade de dinossauros saurópodes encontrados em Portugal com 150 a 145 milhões de anos, pertencentes ao período do Jurássico Superior.

Os autores do estudo escolheram o nome Oceanotitan dantasi, em alusão à costa atlântica, onde foram encontrados os fósseis, à música “oceania” da cantora islandesa Björk e ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90 do século XX e então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.

O estudo em que é descrita a nova espécie é também subscrito pelos espanhóis Rafael Royo-Torres, investigador do Museu Aragonês de Paleontologia, e Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

Os achados deste dinossauro agora estudado foram feitos em 1996 nas arribas da praia de Valmitão, concelho da Lourinhã, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar fósseis de dinossauro e outros animais nas arribas.

Durante mais de 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expo-los num futuro museu. A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Maio, 2019



[vasaioqrcode]

 

1905: Impressão de pele de dinossauro encontrada perfeitamente preservada. É única no mundo

CIÊNCIA

philjrenaud / Flickr

Várias pegadas de dinossauro com uma precisão sem precedentes foram identificadas por uma equipa de cientistas numa camada de uma rocha extraída na cidade de Jinju, na Coreia do Sul. 

No total são cinco impressões, quatro das quais foram atribuídas com certeza a um mesmo animal bípede que atravessou a lama húmida daquela região há milhões de anos. A equipa de geólogos internacionais considerou que o autor das pegadas foi um dinossauro nomeado como Minisauripus, que terá sido o menor terópode até então conhecido.

Em comunicado, Martin Lockley, professor da Universidade do Colorado em Denver, nos Estados Unidos, explicou que estas são as primeiras amostras já encontradas “onde as impressões perfeitas da pele cobrem toda a superfície de cada pegada”. As impressões representam a “maior resolução de detalhes já registada para qualquer impressão de pele de dinossauro”, observaram os cientistas.

“As pegadas formaram-se numa camada muito subtil de lama fina“, sustentou o especialista norte-americano, comparando estas impressões a  “uma camada de tinta fresca de apenas um milímetro de espessura. Quando o pequeno dinossauro – com o tamanho de um melro – pisou aquela superfície firme e pegajosa, sem escorregar, a textura da pele da planta do seu pé ficou registada em detalhe, completou.

As impressões foram descobertas durante uma escavação de grande escala liderada pelo cientista coreano Kyung Soo Kim, responsável pela prospecção paleontológica da local. Mias tarde, juntou-se à equipa de investigação. Soo Kim viu a primeira marca numa pedra partida e parou de imediato os trabalhos até recuperar todas as impressões.

Gizmodo @Gizmodo

Intricate skin impressions still visible on ‘exquisitely preserved’ dinosaur footprints http://gizmo.do/hXVrfF1 

1839: Tem 430 milhões de anos e 45 tentáculos blindados. Eis Cthulhu, o “Monstro do Mar”

CIÊNCIA

Elissa Martin/Yale Peabody Museum of Natural History

Uma equipa de paleontólogos dos Estados Unidos e do Reino Unido descobriu os restos bem preservados de uma antiga criatura marinha, um parente dos invertebrados conhecidos como pepinos do mar. 

O corpo do “monstro marinho” media três centímetros e estava completamente coberto de placas ósseas. A criatura antiga era dotada de 45 tentáculos blindados, que eram provavelmente utilizados para capturar comida e para se esgueirar pelo fundo do mar.

A equipa, que publicou esta semana os resultados da investigação na revista cientifica Proceedings of the Royal Society B, baptizou o pequeno ser de Sollasina cthulhu, em homenagem a uma das mais conhecidas criatura fantásticas das histórias de terror de H. P. Lovecraft.

Ao contrário da entidade cósmica que protagoniza “The Call of Cthulhu”, a criatura agora encontrada é minúscula. Contudo, notam os cientistas, com os muitos “pés tubulares” estendidos em todas as direcções, a criatura pareceria muito maior.

Mesmo com um tamanho tão pequeno, não deixava de inspirar “pesadelos”: os seus tentáculos tinham uma espécie de armadura e eram usados para apanhar alimento, movimentar-se e afastar predadores.

Outra das diferenças entre o ser ficcional de Lovecraft e a criatura real é a idade: o fóssil encontrado em Herefordshire é bem mais velho, tendo cerca de 430 milhões de anos.

“Neste documento, relatamos um novo equinodermo, o grupo [de animais] que inclui ouriços do mar, pepinos do mar e estrelas do mar, com preservação de tecidos moles. (…) Esta nova espécie pertence a um grupo extinto chamado opiocystioids“, pode ler-se.

Christopher Mah @echinoblog

A neat reconstruction of an intriguing Paleozoic echinoderm called an ophiocistioid! Early ancestors of sea cucumbers with a very urchin-like appearance! Sollasina cthulhu! Named for Lovecraft’s famous monster!! A nice account here https://www.eurekalert.org/pub_releases/2019-04/uoo-fr040519.php 

Os cientistas revelaram ainda que a reconstrução tridimensional deste espécime revelou tecidos moles nunca antes encontrados em fósseis deste género.

“Com a ajuda da tomografia físico-óptica de alta resolução, descrevemos as espécies em 3D, revelando elementos internos do sistema vascular da água que eram anteriormente desconhecidos neste grupo e em quase todos os equinodermos fósseis”, apontou o paleontólogo Derek Briggs, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

A descoberta deste “primo” do pepino do mar vai ajudar os cientistas a melhor compreender as mudanças que ocorreram na evolução inicial deste grupo.

ZAP //

Por ZAP
12 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1803: As alterações climáticas transformaram os Neandertais em canibais

CIÊNCIA

Stanley Zimny / Flickr

Ossos foram descobertos numa caverna no sudeste da França nos anos 90. No total, seis neandertais: dois adultos, dois adolescentes e dois filhos.

Em toda a Europa, existem mais de 200 locais que apresentam restos antigos de Neandertais como estes, mas poucos deles contam a mesma história terrível que esta caverna contém, de acordo com uma nova análise arqueológica.

Quem quer que fossem, o modo como estes humanos antigos deixaram o mundo de 120 mil a 130 mil anos atrás poderia ter sido marcado por desespero, fome e brutalidade selvagem. Estes neandertais viveram durante o último período interglaciar – época em que o mundo estava rapidamente a transitar de uma era glacial para um clima mais quente.

“A mudança do clima do período glacial para o último interglaciar foi muito abrupta“, disse o paleontólogo Emmanuel Desclaux, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), ao Cosmos. “Não estamos a falar de escala geológica, mas em escala humana. Dentro de algumas gerações, a paisagem pode ter mudado totalmente.”

Quando o mundo ficou mais quente, os mares ergueram-se contra as costas. Plantas transformaram-se e animais mudaram. As comunidades, adaptadas com sucesso por dezenas de milhares de anos ao frio extremo, estavam a enfrentar o desconhecido.

Sabe-se pouco sobre como se saíram neste período difícil, mas as camadas arqueológicas preservadas em cerca de 220 sites europeus oferecem algumas pistas, baseadas em raros vestígios de restos humanos isolados, incluindo dentes, fragmentos de crânios e outros ossos. Mas na caverna Baume Moula-Guercy, em França, são diferentes.

O sítio apresenta um nível inigualável de preservação de ossos e carvão. Isso permitiu aos arqueólogos reconstruir o ambiente natural e as paisagens que os neandertais experimentaram durante o período Eemiano, observam os investigadores no artigo publicado na revista Journal of Archaeological Science.

Mas também revela outra coisa: a evidência do canibalismo neandertal que os autores propõem ter surgido em resposta à “profunda reviravolta” provocada pela mudança climática. Na caverna, foram encontrados 120 ossos dos seis indivíduos. Eles estavam misturados com ossos de animais e a análise revela que algo grave aconteceu com os antigos restos humanos.

“As marcas de corte estão espalhadas por 50% dos restos humanos e distribuídas por todo o esqueleto, desde o crânio e a mandíbula até as metáforas e falanges”, escreve a equipa. “As marcas de percussão são visíveis em todos os crânios, todos os ossos longos e outros ossos de adultos e crianças.”

Com base nas evidências, que também revelam possíveis sinais de esmagamento e mastigação, os cientistas sugerem que a condição dos ossos são consistentes com um único episódio de canibalismo.

“Elementos esqueléticos de todas as regiões do corpo sugerem que estavam intactos antes do evento”, afirma o artigo. “Além disso, nenhum dos restos está em relação anatómica um ao outro, indicando que os corpos foram completamente desmembrados.”

É claro que a proposta do canibalismo permanece hipotética, mas baseada nas evidências, alinha-se com outras coisas que se sabe sobre os neandertais. Eles geralmente enterravam os mortos, e provavelmente foram forçados a abandonar partes da Europa durante o período, devido a casos de fome trazidos pelo mundo em mudança, e a falta de presas ricas em proteínas.

Para aqueles que ficaram para trás, as condições eram difíceis. Alguns podem ter matado para sobreviver. Outros tornaram-se comida.

“O canibalismo destacado em Baume Moula-Guercy não é uma marca de bestialidade ou sub-humanidade”, explicam os investigadores. “A síntese dos dados torna possível interpretar a ocorrência como um episódio curto e único de endo-canibalismo em resposta ao stress nutricional induzido por mudanças ambientais rápidas e radicais”.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1801: Um campo nos EUA revela como foi o último dia dos dinossauros na Terra

CIÊNCIA

(dr) Robert DePalma / University of Kansas

Uma enorme ondulação num mar interno e uma chuva de esferas de vidro foram as condições às quais a biodiversidade continental ou marinha não conseguiu sobreviver na América do Norte.

Dinossauros e peixes morreram e foram enterrados numa questão de horas ou mesmo dezenas de minutos após a queda do asteróide Chicxulub.

Esta é a imagem apresentada na sexta-feira em comunicado da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, prevendo uma publicação futura da revista Proceedings of National Academy of Sciences. A imagem apocalíptica vem de um achado paleontológico – não de uma hipótese sobre o último dia dos dinossauros.

O paleontólogo Robert DePalma levou a cabo durante seis anos as escavações no depósito Tanis em Dakota do Norte, perto do município de Bowman, na formação geológica de Hell Creek. Os achados mostram que é um campo que demonstra o abate massivo num período de tempo tempo muito curto, após o impacto do Chicxulub no Golfo do México.

De acordo com o co-autor do estudo, os fósseis da área representam “o primeiro conjunto de mortes massivas de grandes organismos já encontrado” e correspondem à fronteira cretácea e paleogénica. A um tiranossauro rex e um tricerátops juntaram-se a uma variedade de mamíferos, um grande número de insectos e outros seres. Ali estão os esqueletos do extinto réptil Mosasaurus, moluscos amonites, esturjões e peixes-espátula.

Os peixes, muito mais bem conservados, têm algumas esferas de vidro com vários milímetros de diâmetro nas brânquias. Os cientistas têm a certeza de que guardam esses vestígios de um evento desastroso, como a chuva de rochas derretidas, enquanto nadavam com as bocas abertas. Eles estimam que na região, localizada a mais de 3.200 quilómetros da cratera, choveu cristal entre 45 minutos e uma hora após o impacto.

A camada de rocha sedimentar que cobria todo o conjunto de restos ósseos é rica em irídio, um elemento raro na crosta terrestre, mas não nos asteróides. Os cientistas acreditam que esta camada se acumulou devido a ondas gigantes – mas não propriamente um tsunami.

Na sua opinião, era mais provável que fosse um seicha, as típicas ondas estacionárias de um corpo de águas parcialmente fechadas expostas aos efeitos de um forte terremoto. Esse fenómeno ocorreria em Dakota antes de um tsunami atingir uma região tão distante do Golfo do México.

ZAP // Russia Today

Por ZAP
3 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1791: Como era a Terra há 66 milhões de anos? Esta descoberta ajuda-nos a contar a história

Um grande conjunto de fósseis em excelente estado de conservação, encontrado no Dakota do Norte, nos Estados Unidos, pode permitir identificar espécies entretanto extintas

© ROBERT DEPALMA O grupo de cientistas da Universidade do Kansas, em trabalho de campo no depósito de Tanis

Há 66 milhões de anos, um asteróide de grandes dimensões (estima-se que tivesse entre 11 e 81 quilómetros de diâmetro) caiu no sudeste do México, perto da cidade de Chicxulub, alterando para sempre a vida na Terra. A teoria de que terá sido este evento a provocar a extinção dos dinossauros e de 75% das espécies animais e vegetais do planeta é hoje dominante. Ondas gigantescas – cuja dimensão é estimada em 1600 metros, o equivalente a cerca de 11 Torres Vasco da Gama, em Lisboa – terão tido consequências catastróficas.

O que tem este acontecimento a ver com o conjunto de fósseis “extremamente bem preservados” de animais e peixes encontrado por grupo de paleontologistas no estado-norte americano do Dakota do Norte, que fica a cerca de 3000 quilómetros de Chicxulub? Aparentemente, tudo. Num estudo publicado esta segunda-feira, os cientistas da Universidade do Kansas defendem que estes fósseis fazem parte de uma imensidão de seres vivos que morreu poucos minutos depois do impacto do asteróide. Toda a fauna marinha e terrestre do período Cretáceo terá sido soterrada por uma camada de sedimentos.

Os fósseis foram encontrados num depósito que dá pelo nome de Tanis, na formação de Hell Creek, um dos sítios mais famosos e intensamente estudados de fósseis de dinossauro. Foram encontrados vestígios de “peixes de água doce, vertebrados terrestres, árvores, ramos, troncos, amonóides [um grupo extinto de moluscos cefalópodes] e outras criaturas marinhas”, refere Robert DePalma, autor principal do estudo, ao jornal britânico “The Guardian”.

O óptimo estado de conservação dos fósseis poderá permitir identificar novas espécies de peixes e estudar melhor outras já classificadas. “A sedimentação aconteceu tão depressa que está tudo preservado em três dimensões – eles não estão esmagados”, assinala David Burnham, co-autor do estudo. Nas guelras dos peixes em melhor estado encontraram-se mesmo vestígios de esferas milimétricas de vidro (tectitos), possivelmente provenientes de uma chuva de rocha derretida.

“Estamos a analisar registos, passo a passo, de um dos momentos mais importantes da história da Terra. Em mais nenhum lugar há um registo deste tipo. Nada voltou a ser como dantes depois deste impacto. A Terra tornou-se um planeta de mamíferos em vez de um planeta de dinossauros”, resumiu Robert DePalma, que iniciou as escavações em Tanis em 2013.

msn notícias
João Pedro Barros
01/04/2019

[vasaioqrcode]

 

1654: Eis Moros, o tiranossauro “anão” que revela que o T-rex nem sempre foi Rei

(dr) Jorge Gonzalez

O Tyrannosaurus rex é celebrizado como o “rei” dos dinossauros devido ao seu enorme porte que pode atingir os 12 metros de comprimento, contudo um novo estudo, esta semana publicado, pode pôr em causa o prestígio da sua “coroa”. 

Uma equipa de paleontólogos norte-americanos, liderados pela especialista Lindsay Zanno, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriu um fóssil de um tiranossauro com cerca de 77 quilogramas e menos de 1,5 metros de altura.

O pequeno fóssil, apelidado de Moros intrepidus, é o menor dinossauro do seu tipo. De acordo com as estimativas dos especialistas, viveu durante o período Cretáceo, entre 145 e 66 milhões de anos atrás, no território que hoje conhecemos como o Utah. Até então, este mini-tiranossauro é a espécie mais antiga já descoberta na América do Norte.

De acordo com a nova investigação, esta semana publicada na revista especializa Communicacions Biology, a descoberta desta espécie permitiu fechar uma lacuna que somava já 70 milhões de anos no registo fóssil.

Os paleontólogos precisavam de uma evidência esquelética dos tiranossauro norte-americanos de há 150 milhões de anos (período Jurássico ao qual pertencem os remanescentes dos tiranossauros e alossauros primitivos de tamanho médio) até há 81 milhões de anos (no Cretáceo, quando surgiram os maiores tiranossauros e os alossauros, por sua vez, tornaram-se extintos).

Na verdade, os tiranossauros nem sempre foram os enormes predadores que imaginamos hoje em dia. No início da sua evolução, explicaram os cientistas, estes animais eram carnívoros muito pequenos e caçavam juntamente com os alossauros, também carnívoros, mas de porte muito maior.

Os cientistas não sabem ainda como é que os tiranossauros atingiram o seu tamanho colossal, instalando-se depois no topo da cadeia alimentar – esse continua a ser o mistério. Contudo, os paleontólogos sabem agora que esta evolução não levou mais de 16 milhões de anos e que aconteceu apenas no final da era dos dinossauros.

“O que o Moros intrepidus faz por nós é ajudar-nos a entender quem, o quê, porquê, onde e quando os tiranossauros alcançaram o papel principal entre os predadores no subcontinente norte-americano”, rematou a principal autora da investigação, Lindsay Zanno, citado pela National Geographic.

ZAP //

Por ZAP
1 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1626: Afinal, um asteróide pode não ter sido o “assassino” dos dinossauros

Ntvtiko / Deviant Art

Há 66 milhões de anos, algo mudou o mundo. Cerca de 75% das espécies de plantas e animais morreram, erradicando os dinossauros. Isto marcou o fim do Cretáceo e foi o início de uma nova Era – o Cenozóico – a era dos mamíferos.

Mas não se sabe exactamente o que causou esta extinção em massa da Terra. Registos fósseis e geológicos mostram tempos turbulentos que abrangem um milhão de anos – um impacto gigante de asteróides e intensa actividade vulcânica que se espalhou pelo mundo. Mas o relacionamento entre os fenómenos e o evento de extinção ainda não é claro.

A maioria dos paleontologistas e geólogos acredita que a última extinção em massa de animais na Terra, que ocorreu há 65,5 milhões de anos, foi causada pela queda de um asteróide que formou a gigante cratera de Chicxulub, com cerca de 300 quilómetros, no fundo do mar ao largo da costa do sul do México. A queda do asteróide é inegável, mas o seu papel na extinção dos dinossauros continua a ser objeto de debate.

Em 1989, o paleontólogo Mark Richards sugeriu que a razão para o seu desaparecimento foi o derrame maciço de magma no local do actual planalto indiano de Decã, que ocorreu mais ou menos na mesma época.

Recentemente, os cientistas encontraram indícios de que as ondas sísmicas que surgiram após a colisão entre o asteróide e a Terra “acordaram” os vulcões. As suas emissões, segundo alguns geólogos, ampliaram as consequências do impacto do asteróide e mataram grande parte da fauna marinha.

Duas equipas de geólogos e geoquímicos tentaram resolver este problema calculando a idade dos depósitos vulcânicos em diferentes pontos do planalto, utilizando dois métodos de datação diferentes que detectam a presença de urânio e outros isótopos instáveis de vários elementos nas rochas. Este método torna possível determinar o tempo de erupções vulcânicas com precisão.

Os cientistas analisaram os minerais expelidos pelos vulcões através de medições e obtiveram resultados que indicaram que as erupções vulcânicas no planalto Deccan começaram aproximadamente ao mesmo tempo da queda do asteróide, de acordo com o estudo publicado na revista Science.

Por outro lado, o seu papel na extinção tornou-se agora ainda mais obscuro devido ao período de tempo em que as suas erupções atingiram o pico, bem como às diferenças nas medições dos cientistas.

Descobriu-se que a maioria dos fluxos de magma ocorreu após a queda do asteróide, representando cerca de 70% do volume total de todas as rochas. Esta descoberta põe em dúvida a teoria de Richards e sugere que os vulcões não foram os principais “assassinos” dos dinossauros, mas estiveram activamente envolvidos na destruição da flora e fauna do período Mesozoico.

As análises de datação também sugerem que os vulcões no planalto de Decã irromperam de forma episódica. Os cientistas contaram quatro grandes “surtos” de vulcanismo, um dos quais ocorreu cerca de algumas dezenas de milhares de anos antes da queda do asteróide.

Naquela época, o nível geral de actividade vulcânica duplicou, o que deveria ter tido um impacto extremamente negativo no clima do planeta, elevando a possibilidade de extinção em massa dos habitantes da Terra. Dessa forma, os vulcões teriam sido tão responsáveis pelo cataclismo como o asteróide.

Futuras escavações na Índia mostrarão qual das teorias está mais próxima da verdade e revelarão quem foi o verdadeiro assassino dos dinossauros, répteis marinhos e outros seres vivos da era mesozoica.

ZAP // Science Alert / Sputnik News

Por ZAP
23 Fevereiro, 2019

[vasaioqrcode]

 

1400: Dinossauro desconhecido estava escondido em opalas da Austrália

CIÊNCIA

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Opalas encontradas por mineiros numa área deserta da Austrália acabaram por ser fragmentos de fóssil de uma espécie de dinossauro desconhecida até agora.

Baptizado como Weewarrasaurus pobeni, em honra do campo de opalas Wee Warra, que fica perto da pequena cidade de Lightning Ridge, onde foi encontrado, e do comprador de opalas Mike Poben, que doou os fósseis aos cientistas da Universidade da Nova Inglaterra, na Austrália. A descoberta foi publicada a 4 de Dezembro na revista PeerJ.

A criatura viveu há cerca de 100 milhões de anos no período Cretáceo, quando o que é hoje o deserto Lightning Ridge era apenas um espaço verde e exuberante.

O único fragmento de Weewarrasaurus que foi recuperado foi a mandíbula inferior, com os dentes intactos – o que tem ajudado a revelar muita coisa. Para começar, não era um grande dinossauro, tendo apenas do tamanho de um cão de porte médio.

Baseado nos dentes e na forma da mandíbula, o paleontologista Phil Bell, da Universidade da Nova Inglaterra, determinou que era uma espécie pequena de ornitópode, um grupo de herbívoros bípedes.

Lightning Ridge foi uma rica planície aluvial à beira de um gigantesco mar chamado Eromanga Sea, que se espalhou pelo continente australiano. A abundante vida pré-histórica que encheu a área ficou preservada na lama, que se tornaria, milhares de milhões de anos depois, em arenito.

Este fenómeno pode ser observado em todo o mundo. Mas, na Austrália, o que aconteceu foi diferente. Quando o Eromanga Sea começou a desaparecer há 100 milhões de anos, a acidez no arenito seco aumentou. Isto, por sua vez, libertou sílica da rocha, que se acumulou em cavidades, inclusive nos espaços presentes nos fósseis dos animais.

Quando os níveis de acidez diminuíram, a sílica endureceu ao ponto de se transformar em opalas, resultando em moldes de arco-íris brilhantes e cintilantes de restos antigos.

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Dois pedaços de osso do maxilar, posteriormente doados aos investigadores da Universidade da Nova Inglaterra, foram encontrado por Poben num saco cheio de opalas que comprou a mineiros.

Com base nos fósseis já encontrados, talvez houvesse pequenas espécies ornitópodes que prosperaram na vegetação exuberante e outras quatro espécies no estado sudeste de Victoria. Apenas uma pequena espécie foi encontrada no estado de Queensland.

Isto é muito diferente da América, onde pequenos herbívoros teriam de competir por comida com gigantes como Triceratops e Alamosaurus. Assim, fósseis como o Weewarrasaurus podem ajudar a entender melhor como a biodiversidade dos dinossauros diferem no mundo.

Bell e a equipa estão a trabalhar para descrever mais fósseis opalizados – uma tarefa complicada, uma vez que geralmente são encontrados partidos devido à acção da mineralização. Entretanto, o Weewarrasaurus recebeu uma nova casa no Australian Opal Centre, entre a sua colecção de fósseis opalizados.

ZAP // Science Alert; Sputnik

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

[vasaioqrcode]

 

1239: Os pássaros “herdaram” os ovos coloridos dos dinossauros

CIÊNCIA

(CC0/PD) foto-augenblick / Pixabay

Afinal, os ovos coloridos não são exclusivamente uma “inovação das aves” como se acreditava até então. Um estudo divulgado recentemente revelou que já os dinossauros punham ovos coloridos, em tons de azul e castanho.

Para chegar a esta conclusão, a equipa de cientistas, liderada pela paleontologista Jasmina Wiemann, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, analisou doze cascas fossilizadas de ovos de dinossauros encontrados na Europa, Ásia e na América do Norte e Sul.

Depois de analisar os vestígios fósseis, a equipa concluiu que um grupo conhecido como Eumaniraptora – um clado de dinossauros com um ancestral comum – possuía os mesmos dois pigmentos que actualmente são encontrados nos ovos coloridos das aves modernas: o pigmento azul-verde, apelidado de biliverdina, e o castanho-vermelho, conhecido como protoporfirina IX, noticiou a agência Reuters.

Este grupo de dinossauros incluía várias espécies como o velociraptor carnívoro e outros pequenos espécimes cobertos com penas, considerados os ancestrais das aves. A investigação descobriu ainda que o carnívoro deinonychus punha ovos azuis com manchas castanhas, enquanto que os do oviraptor tinham uma tonalidade azul escura.

Alguns eram de cor uniforme, outros manchados“, disse  um dos investigadores, Mark Norell., acrescentando que estas tonalidades são semelhantes às dos pássaros actuais. “Eram como os dos pássaros modernos: os ovos do pisco-de-peito-ruivo são azuis de forma uniforme, mas o da codorniz são manchados”, explicou ainda.

“Descobrimos que a cor do ovo não é uma característica exclusiva dos nossos pássaros modernos, mas que esta característica evoluiu antes dos ancestrais dinossauros não-aviários”, concluiu Wiemann.

De acordo com o cientista, a publicação, recentemente publicada na revista Nature, “altera fundamentalmente a muda nossa compreensão sobre a evolução da cor dos ovos, adicionando cor aos ninhos de dinossauros no verdadeiro ‘Mundo Jurássico’”, concluiu.

ZAP // RT / EuropaPress

Por ZAP
4 Novembro, 2018

[vasaioqrcode]

 

1209: Os dinossauros dominaram o mundo graças aos seus super pulmões

Peter Trusler / University of Queensland
Ilustração do Diluvicursor pickeringi no antigo vale que existia entre a Austrália e a Antárctica.

CIÊNCIA

Os dinossauros eram animais rápidos e activos, características muito intrigantes já que a atmosfera da Terra tinha muito menos oxigénio do que hoje. Mas estes animais podem ter sido bem sucedidos graças aos seus super pulmões, parecidos com os das aves.

Era muito pouco provável que, no ar pobre em oxigénio da era Mesozóica, conseguissem mover-se muito rápido: mas os dinossauros fugiam à regra. Os seus pulmões super eficientes e parecidos com pássaros eram a sua arma secreta, de acordo com um estudo recente, publicado na Royal Society Open Science. Esta adaptação única pode mesmo ter dado aos dinossauros uma vantagem em relação à concorrência.

Há muito tempo que a comunidade científica sabe que as aves descendem de um ramo de dinossauros extintos e que têm um sistema respiratório incomum e sofisticado. No entanto, os paleontologistas debate há muito tempo se os super pulmões surgiram em pássaros ou se já existiam anteriormente – nomeadamente nos dinossauros.

Ao contrário dos pulmões humanos, os pulmões das aves são rígidos. São os sacos de ar especiais ao lado dos pulmões das aves que fazem o trabalho duro, bombeando o ar através dos pulmões, onde o oxigénio se difunde na corrente sanguínea.

Os pulmões estão ligados às vértebras e às costelas, que foram uma espécie de “tecto” da caixa torácica, e tudo isso em conjunto ajuda a manter os pulmões. Além disso, um conector – chamado costovertebral – fornece um suporte adicional e essa configuração permite um fluxo contínuo de oxigénio e requer menos energia do que inflar e desinflar pulmões.

Robert Brocklehurst e William Sellers, da Universidade de Manchester, no Reino Unido, e a bióloga Emma Schachner recuperam a modelos de computador para perceber como é que estes super pulmões evoluíram. Através da comparação das características esqueléticas das vértebras e das costelas em várias espécies conseguiram chegar a uma conclusão.

Descobriram então que vários dinossauros possuíam uma arquitectura pulmonar muito parecida com a das aves. Estes dinossauros tinham, então, uma articulação costovertebral e o tecto ósseo de vértebras e costelas que ajudavam a manter os seus pulmões rígidos. O estudo foi recentemente publicado na Royal Society Open Science.

Estas características sugerem que os dinossauros tinham o mesmo tipo de órgãos respiratórios que as aves. Os super pulmões podiam também ajudar a explicar por que motivo os dinossauros foram capazes de dominar o mundo e espalhar-se, apesar do ar rarefeito da era Mesozóica, adianta a equipa de investigadores.

Os cientistas já achavam estranho as aves terem uns pulmões tão extraordinários e um sistema respiratório muito evoluído. Agora, chegam assim à conclusão de que, afinal, os super pulmões desenvolveram-se muito antes, nos dinossauros, tendo evoluído mais tarde nas aves, muito provavelmente para amparar o voo monitorizado nos pássaros.

Ainda assim, segundo a ScienceMag, o facto de um fóssil ter uma estrutura óssea que indica que muito provavelmente os dinossauros teriam super pulmões não chega. O ideal, antes de tirar conclusões precipitadas, seria encontrar tecido pulmonar, que quase nunca é preservado, e estudá-lo devidamente para, assim, confirmar esta suspeita.

ZAP //

Por ZAP
28 Outubro, 2018

[vasaioqrcode]

 

1198: Cientistas descobrem ancestral de jacaré com 65 milhões de anos

CIÊNCIA

Papa Pic / Flickr

Uma equipa de paleontólogos argentinos descobriu ossadas pertencentes a um ancestral de jacaré que terá habitado a Patagónia há 65 milhões de anos, quando o país sul-americano tinha um clima subtropical.

De acordo com a Agência para a Ciência e Tecnologia (CyTA), que avançou a descoberta nesta segunda-feira, os especialistas acreditam que o fóssil encontrado tem o dobro do tamanho comparativamente à espécie actual.

Os paleontólogos decidiram apelidar o espécime de peligrensis Protocaiman, uma vez que os restos fósseis foram encontrados em Punta Perigo, região localizada no Golfo San Jorge, entre as cidades argentinas de Comodoro Rivadavia e Bahía Bustamente, na província de Chubut.

Segundo a CyTA, estes jacarés pertencem a um grupo de crocodilos que habitaram os sistemas de água doce na América Central e do Sul. No entanto, salientam, a história evolutiva destes animais é ainda pouco conhecida, uma vez que os restos fósseis até agora encontrados estavam em mau estado de conservação.

A descoberta, publicada recentemente na revista Proceedings of the Royal Society of London, é especialmente importante para os cientistas da região pois permite traçar com mais detalhe o percurso da espécie pelas Américas.

“Permite uma revisão da árvore genealógica dos crocodilos e propõe, pela primeira vez, que os jacarés habitaram a América do Norte durante a época dos dinossauros e deslocaram-se para a América do Sul no Cretáceo – período que se estende entre 145 e 66 milhões de anos -, onde se dispersaram e diversificaram”, explicou a investigadora Paula Bona, do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET).

CyTA-Fundación Leloir
Fotomontagem do fóssil encontrado

Os investigadores acreditam ainda que o ancestral terá atingido, aproximadamente, o dobro do tamanho de um jacaré actual, aponta a CNN, citando a agência.

“Esta nova espécie representa um dos mais antigos fósseis de jacaré já encontrados”, rematou Paula Bona.

ZAP // RT
Por ZAP
26 Outubro, 2018

[vasaioqrcode]

 

1146: Encontrado raro caracol fossilizado em âmbar com 99 milhões de anos

CIÊNCIA

Lida Xing, China University of Geosciences

Uma equipa internacional de paleontólogos descobriu em Mianmar um caracol incrivelmente fossilizado em âmbar datado de há cerca de 100 milhões de anos – sendo, por isso, contemporâneo dos dinossauros. 

Ao contrário da maioria dos fósseis de caracol já encontrados, que costumam apenas preservar a concha, o fóssil recém-descoberto está perfeitamente intacto, desde a sua concha até aos seus tecidos moles e tentáculos.

De acordo com o cientista e professor Xing Lida, que liderou a pesquisa, este é o exemplar de caracol com tecidos moles mais antigo até agora encontrado. “O par de tentáculos e os olhos do caracol foram preservados intactos no âmbar”, disse.

O fóssil foi encontrado no Vale de Hukawng, no norte de Mianmar, uma região rica em descobertas fósseis em âmbar, pertencendo assim ao período do Cretáceo, no qual viveram alguns dos dinossauros mais amados do mundo, como o T-Rex ou o Velociraptor.

De acordo com o artigo publicado esta semana na revista Cretaceous Research, a morfologia sugere que o fóssil encontrado é ancestral dos Cyclophoridae, uma família de caracóis terrestres. Desta forma, este exemplar não é só o mais antigo já encontrado em âmbar, como pode também ser do mais antigo já descoberto na Ásia.

Os caracóis são extremamente frágeis, tal como nota o Science Alert. Os seus corpos são macios e gelatinosos, e os seus exoesqueletos – também conhecidos como as suas conchas – são sensíveis. Apesar de haver registo de alguns exemplares, é muito raro encontrar caracóis preservados em âmbar.

Este fóssil, comprado a um coleccionador de fósseis privado em 2016, é 70 milhões de anos mais velho do que qualquer outro fóssil de caracol com tecido mole até agora encontrado – é um fóssil excepcional de um caracol ainda jovem.

“A antiga resina das árvores tinha um excepcional potencial de preservação, capturando até os detalhes mais ínfimos dos organismos fósseis há milhões de anos num espaço 3D perfeito – os animais parecem ter ficado presos em resina ontem”, explicou o paleontólogo Jeffrey Stilwell em declarações à National Geographic.

Há ainda outro detalhe interessante sobre o fóssil. De acordo com os especialistas, o animal estava provavelmente vivo quando foi “apanhado” pela resina. “As partes moles do caracol estão muito esticadas e isso pode significar que estava a tentar uma fuga final que não tem sucesso”, lê-se no artigo.

Esta é uma descoberta com detalhes sem precedentes neste tipo de fossilização, que agora se junta às demais descobertas feitas em Mianmar nos últimos anos. O fóssil encontra-se agora na colecção do Instituto de Paleontologia de Dexu em Chaozhou, na China.

Por ZAP
15 Outubro, 2018

[vasaioqrcode]