3991: Descoberto antepassado dos dinossauros que cabia na palma da mão

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Frank Ippolito / American Museum of Natural History
Kongonaphon kely

Um réptil com apenas dez centímetros de altura foi um antepassado dos dinossauros gigantes que o sucederam, sugere um novo estudo.

Uma equipa de investigadores descobriu, em Madagáscar, um pequeno réptil que viveu há 237 milhões de anos e que os cientistas acreditam ser antepassado dos grandes dinossauros que dominaram a Terra.

Conhecido como Kongonaphon kely, este réptil tinha cerca de 40 centímetros de comprimento e apenas dez centímetros de altura, escreve o The Guardian. Os especialistas acreditam que esta criatura era bípede e que comeria insectos ou outros pequenos invertebrados.

“Com base em análises estatísticas do tamanho do corpo, argumentamos que dinossauros e pterossauros evoluíram a partir de um ancestral miniaturizado“, disse o paleontólogo Christian Kammerer, autor principal do artigo científico publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“A evolução do gigantismo de pequenos antepassados não é incomum no registo fóssil”, acrescentou o co-autor John Flynn em comunicado de imprensa divulgado pelo Museu Americano de História Natural de Nova Iorque.

Os dinossauros foram evoluindo até chegar às dimensões gigantescas que lhes são tipicamente associadas. O primeiro pterossauro, por exemplo, tinha o tamanho de um pombo. Mais tarde, alguns atingiram as dimensões de um jacto F-16.

Kammerer realça que “houve uma tendência sustentada para tamanhos menores de corpos adultos no início da história” da linhagem do Kongonaphon.

Scott Hartman & Frank Ippolito / AMNH
Comparação do tamanho do corpo entre o Kongonaphon kely e o dinossauro Herrerassauro.

“Embora dinossauros e gigantismo sejam praticamente sinónimos, uma análise da evolução do tamanho do corpo em dinossauros […] demonstra que os membros mais antigos do grupo podem ter sido menores do que se pensava anteriormente, e que um profundo evento de miniaturização ocorreu perto da base da linhagem”, escrevem os autores do artigo científico.

Mas como é que estas criaturas evoluíram de origens tão humildes? A resposta está longe de ser concreta, já que poucos foram os espécimes desta linhagem de repteis encontrados e estudados.

ZAP //

Por ZAP
13 Julho, 2020

 

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3988: Descoberta nova espécie de dinossauro carnívoro em Portugal

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Um novo género e espécie de dinossauro carnívoro terópode, cujos fósseis foram escavados em arribas dos concelhos de Torres Vedras e da Lourinhã, foi agora descrito na revista internacional “Journal of Vertebrate Paleontology” por paleontólogos portugueses e espanhóis.

A descoberta do ‘Lusovenator santosi’, com 145 milhões de anos, pertencente ao Jurássico Superior de Portugal, mostra que estes animais estavam presentes no hemisfério norte, 20 milhões de anos antes do que indicava o registo conhecido, concluíram Elisabete Malafaia, Pedro Mocho (Universidade de Lisboa), Fernando Escasso e Francisco Ortega, todos investigadores ligados à Sociedade de História Natural de Torres Vedras e à Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid (Espanha).

O dinossauro que pertence ao grupo dos carcharodontossauros, vem reforçar a tese de que a Península Ibérica é uma “região fundamental para compreender o processo de dispersão deste grupo de animais no hemisfério norte durante o final do Jurássico, vários milhões de anos antes destes dinossauros se tornarem os maiores predadores terrestres no hemisfério sul, no final do Cretácico”, explicou Elisabete Malafaia à agência Lusa.

A nova espécie foi identificada a partir de restos recolhidos nas duas últimas décadas nas jazidas das praias de Valmitão (Lourinhã) e de Cambelas (Torres Vedras).

De início, os fósseis foram atribuídos ao dinossauro carnívoro terópode ‘Allosaurus’, mas uma análise mais detalhada do material permitiu aos paleontólogos identificar um conjunto de características exclusivas que permitiu estabelecer este novo género e espécie.

Os carcharodontossauros, de que havia registos do Cretáceo Inferior (130 milhões de anos) e no final do Cretáceo (100 milhões de anos), são um grupo de dinossauros carnívoros que inclui alguns dos maiores predadores que habitaram o planeta.

Na Península Ibérica o grupo estava representado apenas pela espécieConcavenator corcovatus’, identificada na jazida de Las Hoyas (Cuenca, Espanha) por alguns dos mesmos investigadores.

O carcharodontossauro mais antigo conhecido foi encontrado na Tanzânia, em África, sendo da mesma altura da nova espécie agora identificada em Portugal, o que, segundo os paleontólogos, “constitui a primeira evidência e a mais antiga deste grupo no hemisfério norte”. A identificação desta espécie amplia a diversidade de dinossauros terópodes conhecidos no Jurássico Superior português, um dos melhores registos deste período.

O ‘Lusovenator santosi’ foi apelidado em homenagem a José Joaquim dos Santos, um curioso da paleontologia, que, durante mais de 30 anos, descobriu fosseis de dinossauro, guardando-os em casa. Mais tarde, vendeu à Câmara de Torres Vedras a colecção, que tem vindo a ser estudada por investigadores da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
11 Julho, 2020

 

spacenews

 

3953: Fósseis guardados em gaveta de museu pertencem a criatura gigante com 25 milhões de anos

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Peter Schouten

Os fósseis foram descobertos em 1973, mas só agora foram formalmente identificados e anunciados ao público. Trata-se de um antepassado gigante de fascólomos, também conhecidos como vombates.

Fascólomos estão entre os animais mais peculiares. De facto, os fascólomos são excêntricos e não se parecem muito com os seus parentes vivos mais próximos, os coalas. Mas os coalas e os fascólomos são os últimos sobreviventes de um grupo de marsupiais que já foi mais diversificado e cuja história fóssil remonta há pelo menos 25 milhões de anos.

Descobrir como este grupo diversificado fracassou em apenas fascólomos e coalas levou séculos de descobertas extraordinárias no registo fóssil. Uma dessas foi, na semana passada, anunciada num estudo publicado na revista Scientific Reports.

Mukupirna nambensis é um dos mais antigos marsupiais australianos descobertos. A sua descoberta aprofundou a compreensão dos relacionamentos e da história evolutiva de um dos grupos mais estranhos que já governaram esse continente.

Em 1973, no lago Pinpa , no sul da Austrália, uma expedição liderada pelo paleontólogo Dick Tedford, do Museu Americano de História Natural, descobriu uma série de animais extintos.

Uma combinação de seca e ventos fortes soprou a areia da superfície do leito do lago, revelando os restos de animais que morreram depois de ficarem presos na lama há 25 milhões de anos.

Uma das descobertas foi o crânio e o esqueleto parcial de um animal grande e distinto, semelhante ao fascólomo, que era claramente novo na ciência – Mukupirna.

Uma vez descobertos, os fósseis foram envoltos em gesso para serem transportados de volta para o Museu de História Natural, onde foram submetidos a anos de cuidadosa preparação. Embora Mukupirna tenha sido descoberto dessa maneira em 1973, só agora essa descoberta pode ser formalmente anunciada ao mundo.

O paleontólogo que descobriu o fóssil pela primeira vez morreu antes que pudesse estudá-lo. Agora, um dos seus ex-alunos pegou no trabalho deixado para trás, escreve o ATI.

Uma das coisas mais notáveis sobre este marsupial é o seu grande tamanho, que se estima ser entre 143-171 quilogramas, mais de quatro vezes maior do que qualquer fascólomo vivo.

Os antebraços de Mukupirna eram poderosamente musculados e as suas mãos podem ter funcionado como pás, um atributo compartilhado com os fascólomos modernos. Além disso, Mukupirna era claramente herbívoro, ao contrário dos fascólomos.

Pólen no depósito fóssil indica que, ao contrário de hoje, não havia pastos nesta área do centro da Austrália naquela época. Em vez disso, era dominada pela floresta tropical.

O reconhecimento formal de Mukupirna preenche mais uma lacuna no nosso conhecimento da estranha e maravilhosa história evolutiva dos mamíferos neste continente.

Infelizmente, é provável que todos eles tenham desaparecido quando uma mudança no clima global desencadeou uma alteração ambiental de florestas tropicais fracas, há 25 milhões de anos, para florestas tropicais mais exuberantes e com mais biodiversidade, há 23 milhões de anos.

Isso resultaria em condições de efeito de estufa mais intensas e num ambiente presumivelmente não adequado a estas criaturas.

Por ZAP
4 Julho, 2020

 

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3842: Cientistas descobrem nova espécie de dinossauro na Patagónia

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

JASoliday / Flickr

Paleontólogos argentinos encontraram, na Patagónia, uma nova espécie de dinossauro com 90 milhões de anos.

De acordo com a agência Europa Press, a descoberta deste dinossauro ocorreu na província de Río Negro, na Patagónia argentina. Trata-se de um animal pequeno e ágil, que não teria mais de um metro e meio de comprimento.

Embora não pudesse voar, este dinossauro podia realizar movimentos semelhantes aos que os pássaros modernos fazem hoje em dia durante o voo, e teria usado as suas asas para se equilibrar quando corria, por exemplo, para atacar presas.

“Esta nova espécie, que chamámos Overoraptor chimentoi, é um novo membro do grupo dos dinossauros carnívoros chamados Paraves, explicou à agência CTyS Matías Motta, investigador do Laboratório de Anatomia Comparada e Evolução de Vertebrados do Museu Argentino de Ciências Naturais (LACEV-MACN-CONICET).

Agencia CTyS – UNLaM @CTyS_UNLaM

Importante aporte a la evolución de la aves 🦅

El doctor Fernando Novas, jefe del @LACEV_MACN, explicó que “las aves no son más que dinosaurios emplumados que viven hoy, comparten el planeta Tierra con nosotros y tuvieron origen en dinosaurios con aspecto de velocirraptores”.

 

Agencia CTyS – UNLaM @CTyS_UNLaM

Las ilustraciones de @Gabrielluislio nos ayudan a imaginar cómo era este Overoraptor chimentoi que, según el becario @_matiasmotta del @LACEV_MACN, es un nuevo integrante dentro el grupo de dinosaurios carnívoros denominados paravianos.

 

“Este animal tinha uma garra muito afiada no dedo indicador do pé, o que seguramente servia para atacar as suas presas, e tinha uma pata alongada e delicada, o que indica que era um animal corredor“, disse o principal autor do estudo publicado, no final de maio, na revista científica The Science of Nature.

Por sua vez, Federico Agnolín, outro dos autores do estudo, destacou que o que mais os surpreendeu foi o facto de as “suas patas serem como as de um velociraptor, mas os seus membros superiores serem extremamente longos e robustos, semelhantes aos das aves modernas”.

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14 Junho, 2020

 

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3839: Há 120 milhões de anos, crocodilos gigantes andavam sobre duas patas

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Anthony Romilio / The University of Queensland

Uma equipa de investigadores encontrou pegadas ancestrais de um crocodilo gigante que caminhava sobre duas patas. Foram deixadas há 120 milhões de anos, na Coreia do Sul.

Num estudo publicado esta quinta-feira na revista Scientific Reports, uma equipa de investigadores detalhou a descoberta de pegadas de crocodilo primorosamente preservadas, formadas há cerca de 120 milhões de anos, naquilo que é agora Sacheon, na Coreia do Sul.

Esses vestígios fósseis revelam vários crocodilos a adoptar um comportamento muito curioso: um caminhar bípede, como muitos dinossauros.

As pegadas antigas descobertas assemelham-se àquelas feitas por seres humanos, com uma impressão de calcanhar proeminente. Mas têm recursos adicionais, incluindo impressões escamosas e grossas da sola e dos dedos dos pés, explica o co-autor Anthony Romilio numa texto publicado no portal The Conversation.

O formato das pegadas é também comparável às pegadas de crocodilos conhecidas noutros lugares. No entanto, em vez de serem feitas por crocodilos quadrúpedes do tamanho de gatos, os rastos fósseis de Sacheon são grandes. Com pegadas que medem cerca de 24 centímetros de comprimento, elas provêm de animais com pernas da mesma altura que pernas humanas e corpos com mais de três metros de comprimento.

Um antepassado distante

Hoje, os crocodilos andam sobre quatro pernas, mas as descobertas em Sacheon indicam um diferente padrão de movimento. Os trilhos são excepcionalmente estreitos, quase como se o animal deixasse as pegadas enquanto caminhava na corda bamba.

Isto sugere que estes crocodilos antigos tinham as pernas por baixo do corpo, como um dinossauro, em vez de assumir a típica postura vista nos crocodilos de hoje.

Os rastos não poderiam ter sido feitos por dinossauros. Uma diferença clara entre os rastos de dinossauros e crocodilos é que os crocodilos andam com os pés no chão, deixando uma impressão clara no calcanhar. Os dinossauros e os seus descendentes de pássaros andam quase em pontas de pés, com o calcanhar levantado do chão.

Rastos fósseis podem ser encontrados em muitos estados diferentes de preservação, variando de excelente a relativamente indistinto. Isso pode dificultar a identificação precisa dos animais que os criaram. Contudo, os investigadores sabem que os animais que deixaram esta rasto eram crocodilos antigos porque os rastos foram preservados na perfeição.

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13 Junho, 2020

 

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3824: Alterações climáticas pré-históricas levaram a uma extinção em massa

CIÊNCIA/GEOLOGIA/PALEONTOLOGIA

Um novo estudo sugere que alterações climáticas registadas há milhões de anos podem ter danificado a camada de ozono e levado a uma extinção em massa.

As extinções em massa são muito importantes para a evolução da vida na Terra. Por exemplo, quando um asteróide atingiu a Terra há 66 milhões de anos, a extinção resultante dos dinossauros levou os mamíferos a tomar o seu lugar.

Uma equipa de cientistas publicou recentemente na revista científica Science Advances um novo estudo sobre a extinção em massa que ocorreu há 359 milhões de anos. Houve muitas especulações anteriores sobre a causa deste evento, incluindo erupções vulcânicas, impactos de asteróides, alterações climáticas, mudanças no nível do mar, incêndios florestais e o surgimento das primeiras florestas.

Mas os investigadores mostraram que as extinções neste momento podem ter sido causadas por uma redução catastrófica da camada de ozono, que permite a entrada de níveis prejudiciais de radiação ultravioleta. Algo semelhante contribuiu para as extinções em massa no final dos períodos Permiano e Triássico, mas estes eventos foram causados por erupções vulcânicas.

Este novo estudo sugere que a Terra possui um processo interno natural desencadeado por um clima quente que pode destruir a camada de ozono, um sério aviso para o nosso próprio período de alterações climáticas.

A extinção do Devoniano desempenhou um papel significativo no desenvolvimento da vida dos vertebrados. Incluiu a perda do grupo dominante de peixes de água doce. Os sobreviventes eram os tubarões e o grupo menor de peixes ósseos que posteriormente se espalharam para dominar os oceanos mais jovens.

O evento também moldou a nossa própria evolução, porque levou à extinção dos primeiros “tetrápodes” de quatro patas. Estes eram “peixes” cujas barbatanas tinham evoluído para se tornar membros com entre seis a oito dedos das mãos e dos pés. Os primeiros tetrápodes terrestres com cinco dedos das mãos e dos pés – os nossos ancestrais – não aparecem no registo fóssil até depois dessa extinção.

Para descobrir exactamente o que causou esta extinção, os cientistas procuraram evidências do que aconteceu na atmosfera que foi capturada por plantas fossilizadas antes e depois do evento. Em particular, examinaram as paredes resistentes dos restos microscópicos de pólen e esporos, retirados de fósseis encontrados no leste da Gronelândia.

As paredes resistentes de esporos e pólen estão lá para proteger o conteúdo da célula da radiação ultravioleta. Mas há um breve intervalo entre a criação de uma nova célula e a formação da sua parede protectora quando esta é vulnerável.

Os tipos de esporos examinados são cobertos por pequenos espinhos, normalmente de comprimento idêntico e com pontas perfeitamente pontiagudas. Mas a maioria dos espinhos das amostras analisadas apresentava malformações em diversas formas, sugerindo que o ADN das suas células foi danificado pela radiação ultravioleta. Isto sugere que o escudo protector de ozono da Terra caiu quando os esporos foram formados.

Outros esporos e pólen tinham paredes pigmentadas que agiam como um bronzeado protector, permitindo que estas plantas sobrevivessem. Mas vários grupos importantes de plantas foram rapidamente extintos e o ecossistema florestal entrou em colapso. Os grupos que sobreviveram ainda foram interrompidos e levou vários milhões de anos para serem reconstruidos, criando um ecossistema completamente diferente no processo.

Mecanismo de extinção

Outros cientistas mostraram que as altas temperaturas do verão nas áreas continentais podem aumentar o transporte de vapor de água para a atmosfera. Esse vapor de água leva consigo compostos orgânicos de carbono que incluem cloro, que são produzidos naturalmente por uma grande variedade de plantas, algas e fungos. Quando estes compostos estão próximos da camada de ozono, eles libertam cloro e isso decompõe as moléculas de ozono.

Isto produz um ciclo de feedback positivo, porque um ecossistema terrestre em colapso liberta uma descarga de nutrientes nos oceanos, o que pode causar um rápido aumento de algas. Portanto, quanto mais a camada de ozono é danificada, mais plantas morrem e mais compostos nocivos à camada de ozono são libertados. Mais tarde, a camada de ozono recuperará naturalmente à medida que o clima arrefece e as algas ajudam a remover o dióxido de carbono da atmosfera.

A descoberta deste potencial novo mecanismo de extinção indica que um clima quente, como o que temos agora, tem o potencial de erodir a camada de ozono para permitir a radiação ultravioleta prejudicial. Isto tem consequências para toda a vida na Terra.

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10 Junho, 2020

 

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3739: Fóssil de um dos últimos megaraptores encontrado na Argentina

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

kabacchi / Flickr

Os restos de um megaraptor com o dobro do tamanho de uma girafa foram encontrados na Estancia La Anita, no sul da Argentina.

De acordo com os paleontólogos responsáveis pela descoberta, este megaraptor tinha cerca de dez metros, o que faz dele um dos maiores já encontrados. É também um dos mais jovens, com os cientistas a descrevê-lo como “um dos últimos representantes deste grupo”, antes de os dinossauros serem extintos, cita a revista Newsweek.

“Este foi o momento, há 65 milhões de anos, em que ocorreu a extinção dos dinossauros. Este novo megaraptor que temos agora de estudar terá sido um dos últimos representantes deste grupo”, afirmou à agência Reuters Fernando Novas, paleontólogo do Museu de Ciências Naturais de Buenos Aires que liderou a escavação.

Os megaraptores foram um grupo de dinossauros carnívoros e bípedes que viveram naquilo que é hoje a América do Sul, a Ásia e a Austrália, durante o período Cretáceo (há 145-66 milhões de anos).

Segundo Matt Lamanna, curador assistente e responsável pela Paleontologia de Vertebrados do Museu Carnegie de História Natural em Pittsburgh, Pensilvânia, este grupo de dinossauros é conhecido pelos seus dentes afiados, crânios pequenos e membros alongados.

Porém, as características que melhor o define, de acordo com um comunicado do museu argentino, eram os braços longos e as garras poderosas, que cresciam até cerca de 35 centímetros de comprimento.

Os paleontólogos acreditam que esses braços fortes eram a principal arma deste dinossauro, e não as suas mandíbulas, como é o caso de outros grupos, nos quais se inclui o Tyrannosaurus rex.

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24 Maio, 2020

 

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3727: Afinal, as pernas longas do T. Rex não foram feitas para correr

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

cheungchungtat / Deviant Art

Cientistas sugerem que as pernas longas evoluíram entre grandes dinossauros, como o Tyrannosaurus rex, para ajudá-los a economizar energia enquanto percorriam grandes distâncias.

De acordo com o site IFLScience, esta descoberta dá-nos uma nova imagem destes predadores, uma vez que os cientistas sempre assumiram que as pernas longas serviam para lhes dar velocidade quando caçavam presas ou precisavam de fugir.

“A suposição tende a ser que os animais com adaptações para correr, como pernas longas, são adaptados para uma velocidade máxima mais alta, mas este estudo mostra que há mais corrida do que velocidade máxima”, afirma em comunicado Thomas Holtz, professor do Departamento de Geologia da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.

“No caso de um grande animal, estas adaptações também podem estar ligadas à resistência e à eficiência. Pode ser mais um maratonista do que um velocista”, acrescenta o investigador, cujo estudo foi publicado, na semana passada, na revista científica PLOS One.

A equipa chegou a essa conclusão depois de ter analisado várias métricas como as proporções dos membros, a proporção de tamanho, a massa corporal e a maneira de andar para estimar as velocidades máximas de mais de 70 espécies de terópodes, grupo de dinossauros no qual se inclui o famoso Tyrannosaurus rex.

Pensava-se que a locomoção bípede era a chave do seu sucesso, mas o novo estudo revelou uma história mais subtil. As análises mostraram que pernas mais longas eram boas para correr no caso de dinossauros pequenos e médios, mas, para espécies acima dos 998 quilos, provavelmente não traziam benefício no que toca à velocidade. Isto significa que os grandes dinossauros provavelmente não eram mais rápidos do que os mais pequenos, mas podiam mover-se com mais eficiência.

Ao calcular a quantidade de energia que cada dinossauro gastava enquanto se movia numa velocidade de caminhada, os cientistas descobriram que entre os maiores dinossauros, aqueles com pernas mais longas precisavam de menos energia para caminhar.

“Isto era realmente muito benéfico, porque os predadores costumavam gastar grande parte do seu tempo a procurar presas. Se estavam a consumir menos energia durante essa parte do dia, era uma forma de poupança de energia que os dinossauros com pernas mais curtas não possuíam”, conclui Holtz.

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22 Maio, 2020

 

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3718: Descoberto novo “primo” do T-rex, desdentado e de pescoço comprido

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Ruairidh Duncan

Uma nova espécie de dinossauro da família do T-rex foi descoberta na Austrália. Os paleontólogos acreditam que o dinossauro perdia os dentes à medida que ia envelhecendo.

Uma equipa de paleontólogos descobriu, na Austrália, uma nova espécie de dinossauro da mesma família do famoso Tyrannosaurus rex e do Velociraptor. A criatura tinha algumas características diferentes do T-rex, já que não tinha dentes, tinha um longo pescoço e uma dieta incomum.

Pelo que os cientistas apuraram, apenas os espécimes mais jovens tinham dentes. À medida que cresciam, iam perdendo a dentição, deixando-os com um bico pontiagudo. Isto sugere que seriam carnívoros quando eram jovens, mas evoluiriam para uma dieta mais vegetariana conforme iam envelhecendo.

“Estes são alguns dos dinossauros terópodes mais intrigantes, como são conhecidos por estes poucos fósseis”, disse ao The Guardian Steve Brusatte, paleontólogo da Universidade de Edimburgo, que não participou no estudo. “Eles parecem ter sido terópodes levemente construídos, de corrida rápida e pescoço longo, que trocavam a dieta carnívora dos seus ancestrais e tornavam-se omnívoros”.

Com apenas dois metros, o dinossauro tinha algumas características comuns à sua família. Andava sobre duas penas, tinha dois pequenos braços e poderia até ter penas, escreve o New Atlas.

Sem ainda ter um nome oficial para a espécie, os especialistas baptizaram o espécime de “Eric”, em honra ao local onde foi descoberto: Eric the Red West, em Vitória, na Austrália.

A equipa de paleontólogos identificou esta nova espécie através de um único osso do pescoço de Eric, descoberto em 2015. Isto leva a que os especialistas não estejam seguros em relação às conclusões retiradas. O osso tinha apenas 5 centímetros de comprimento e pensava-se pertencer a um pterossauro.

“As vértebras do pescoço dos pterossauros são muito distintivas”, explica Adele Pentland, autora do estudo publicado este mês na revista científica Gondwana Research. “Em todos os pterossauros conhecidos, o corpo da vértebra possui uma cavidade na extremidade da cabeça e uma bola na extremidade do corpo. Esta vértebra tinha cavidades nas duas extremidades, portanto não poderia ser de um pterossauro”.

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20 Maio, 2020

 

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3704: Distinguir um dinossauro macho de uma fêmea não é tão fácil quanto parece

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Swordlord3d / Deviant Art

Os cientistas debatem há muito tempo a capacidade de diferenciar um dinossauro macho de uma fêmea. Agora, um novo estudo revela que, apesar das alegações anteriores, é muito difícil detectar diferenças entre os dois sexos.

Uma recente investigação, levada a cabo por investigadores da Universidade Queen Mary, em Londres, analisou os crânios de crocodilos gaviais, uma espécie ameaçada, para decifrar o quão difícil é distinguir entre machos e fêmeas através de registos fósseis.

Os crocodilos macho são maiores do que as fêmeas e têm um crescimento carnoso no focinho, conhecido como ghara. Apesar da ghara ser composta por tecido mole, é sustentada por um buraco ósseo próximo às narinas (fossa narial), que pode ser identificado nos crânios dos animais.

A equipa analisou 106 espécimes, presentes em museus de todo o mundo, e descobriu que, além da presença da fossa narial, era muito difícil distinguir os sexos através de registos fósseis. O artigo científico com os resultados foi publicado no dia 12 de maio na Peer J.

David Hone, professor de Zoologia, explicou que, “tal como os dinossauros, os crocodilos gaviais são répteis muito grandes e de crescimento lento que depositam ovos, o que os torna um bom modelo para estudar espécies extintas de dinossauros”.

Esta investigação mostra que, mesmo com conhecimento prévio do sexo da amostra, pode ser muito difícil distinguir o sexo destes crocodilos.

Em várias espécies, os machos diferenciam-se das fêmeas: em termos de coloração, por exemplo, os machos costumam ser muito mais coloridos. Este fenómeno, conhecido como dimorfismo sexual, é muito comum no reino animal.

Apesar de ser esperado que os dinossauros também apresentem diferenças, a verdade é que, segundo este estudo, é muito difícil distinguir machos e fêmeas através da análise do esqueleto.

“O nosso estudo sugere que, a menos que as diferenças entre os dinossauros sejam realmente impressionantes, ou haja uma característica clara, temos de nos esforçar muito para distinguir um dinossauro macho de uma fêmea”, conclui Hone, citado pelo EuropaPress.

Esta investigação também desafia estudos anteriores, nomeadamente um que sugeria diferenças de género em espécies populares de dinossauros, como o Tyrannosaurus rex.

“Há muitos anos, um artigo científico sugeriu que T. rex fêmea é maior do que os machos. No entanto, essa conclusão baseou-se em registos fósseis danificados de 25 espécimes e os nossos resultados mostram que, a esse nível, os dados não são suficientemente fidedignos para se chegar a essa conclusão.”

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17 Maio, 2020

 

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3325: Cientistas apresentam o primeiro peixe que conquistou a terra firme

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Flick Ford
Tiktaalik roseae

Uma investigação sobre peixes fossilizados do final do período devoniano, há cerca de 375 milhões de anos, detalham a evolução das barbatanas quando começaram a fazer a transição para membros aptos a caminhar em terra.

O novo estudo, realizado por paleontólogos da Universidade de Chicago e publicado no mês passado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, usou a tomografia computorizada para examinar a forma e a estrutura dos raios das barbatanas enquanto ainda estão envoltos em rochas circundantes.

As ferramentas de imagem permitiram que os investigadores construíssem modelos 3D digitais das barbatanas do Tiktaalik roseae e dos seus parentes no registo fóssil pela primeira vez. Com esses modelos, os cientistas conseguiram inferir a forma como as barbatanas funcionavam e mudavam à medida que evoluíam para membros.

Grande parte dos estudos sobre barbatanas durante este estágio transitório é focada nos ossos e pedaços de cartilagem grandes e distintos que correspondem aos do braço, antebraço, punho e dedos. Conhecidos como o “endosqueleto”, os investigadores traçam a forma como os ossos mudaram para se tornarem braços, pernas e dedos reconhecíveis em tetrápodes ou criaturas de quatro patas.

Os delicados raios e espinhos das barbatanas de um peixe formam um segundo esqueleto “dérmico”, que também estava a passar por mudanças evolutivas nesse período. Estas peças são negligenciadas porque podem ser destruídas quando os animais são fossilizados ou porque são removidas intencionalmente por preparadores fósseis para revelar os ossos maiores do endosqueleto.

Os raios dérmicos formam a maior parte da superfície de muitas barbatanas de peixes, mas foram completamente perdidos nas primeiras criaturas com membros.

Segundo explicam em comunicado, Stewart e os seus colegas trabalharam com três peixes devonianos tardios com características primitivas de tetrápodes: Sauripterus taylori, Eusthenopteron foordi e Tiktaalik roseae, que foram descobertos em 2006.

Os modelos mostraram que os raios das barbatanas destes animais eram simplificados e o tamanho geral da rede de barbatanas era mais pequeno do que a dos seus antecessores. Também viram que as partes superior e inferior das barbatanas estavam a tornar-se assimétricas.

Matt Wood

Os raios das barbatanas são, na verdade formados por pares de ossos. No Eusthenopteron, por exemplo, o raio da barbatana dorsal ou superior era ligeiramente maior e mais longo do que o ventral ou inferior. Os raios dorsais do Tiktaalik eram maiores do que os raios ventrais, sugerindo que possuía músculos que se estendiam na parte inferior das suas barbatanas, como a base carnosa da palma da mão, para ajudar a suportar o seu peso.

Acreditava-se que Sauripterus e Eusthenopteron eram totalmente aquáticos e usavam as suas barbatanas peitorais para nadar, embora possam ter sido capazes de se sustentar no fundo de lagos e riachos. Tiktaalik pode ter sido capaz de suportar a maior parte do seu peso com as suas barbatanas – e talvez até as tenha usado para se aventurar fora de água para viagens curtas em águas rasas.

“Isto dá-nos mais confiança para dizer que estes padrões são reais, generalizados e importantes para os peixes, não apenas no registo fóssil em relação à transição da barbatana para o membro, mas para a função de barbatanas em geral”, concluiu Stewart.

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7 Janeiro, 2020

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3302: Afinal, pode nunca ter existido uma espécie de T-rex anão

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Zissoudisctrucker / Flickr
Jane, Tyrannosaurus rex exposto no Burpee Museum of Natural History,

Durante três décadas, paleontólogos de todo o mundo não conseguiram chegar a um consenso sobre esta questão: Existiu, ou não, uma espécie de tiranossauro anão?

Em 1988, o paleontólogo Robert Bakker e os seus colegas do Museu de História Natural de Cleveland, nos Estados Unidos, reclassificaram um espécime descoberto em 1942, tornando-se o primeiro exemplar de uma nova pequena espécie baptizada Nanotyrannus, escreve o Science Alert.

Então, em 2001, outra equipa de cientistas descobriu o esqueleto quase completo de um pequeno tiranossauro perto de Ekalaka, Montana, na famosa Formação Hell Creek. O animal, baptizado com o nome Jane, era um pouco maior do que um cavalo de tracção e foi classificado como um Tyrannosaurus rex jovem.

No entanto, uma minoria de especialistas continuou a insistir que pertencia à nova espécie Nanotyrannus, baseando-se na morfologia do crânio e dos ossos, que diziam ser diferente da dos T-Rex adultos.

Esta quarta-feira, num estudo publicado na revista Science Advances, investigadores liderados por Holly Woodward, da Universidade Estatal de Oklahoma, realizaram uma análise microscópica em amostras do interior dos ossos da tíbia e do fémur de Jane, bem como de outro fóssil menos completo chamado Petey.

Esta técnica, conhecida como paleohistologia, confirmou que ambos eram indivíduos imaturos, não adultos, e, por extensão, os autores do estudo consideram pouco provável a existência dos Nanotyrannus.

O tamanho das aberturas dos vasos sanguíneos revelou ainda que os dois dinossauros ainda estavam numa fase de crescimento rápido no momento da sua morte. Se fossem adultos, essa vascularização teria sido menos proeminente.

A equipa também foi capaz de contar os anéis de crescimento nos ossos de cada, da mesma forma que se pode determinar a idade de uma árvore: 13 anos para Jane e 15 para Petey.

Jane, que pesava apenas uma tonelada, morreu antes de atingir a fase de crescimento exponencialmente rápido que normalmente a levaria a um peso adulto de cerca de dez toneladas.

“Toda a gente adora os T-Rex, mas não sabemos muito sobre como cresciam. É provavelmente o dinossauro mais famoso do mundo, e na maioria das vezes só temos esqueletos realmente grandes”, conclui Woodward.

ZAP //

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3 Janeiro, 2020

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3207: Até os dinossauros tinham piolhos

CIÊNCIA

Chen Wang

Insectos ancestrais semelhantes ao piolhos modernos parasitavam os dinossauros, alimentando-se das com suas penas, como evidenciado por um novo par de fósseis em âmbar.

Por vezes, os pássaros modernos são infestados por piolhos que mastigam e se alimentam das suas penas e, como mostra uma nova investigação publicada esta semana na revista científica Nature Communications, os seus antepassados mesozóicos também tiveram um problema semelhante.

O novo estudo, liderado por Dong Ren, paleontólogo na Universidade Capital Normal, na China, descreve um insecto semelhante ao piolho, anteriormente desconhecido, chamado Mesophthirus engeli, que viveu há 100 milhões de anos, durante o período cretáceo.

Foram encontrados dez desses indivíduos em dois pedaços de âmbar birmanês – e ambos continham penas danificadas. As penas parecem ter sido mastigadas pelos insectos. Esta evidência é considerada a evidência mais antiga da mastigação de penas no registo fóssil.

O insecto apresentava uma série de características consistentes com um parasita, incluindo um “corpo minúsculo sem asas”, uma cabeça com “peças bucais fortes para mastigar”, antenas grossas e curtas com cerdas longas (estruturas semelhantes a cabelos) e “Pernas com apenas uma única garra do tarso associada a duas cerdas longas”, entre outras características.

O facto de os dinossauros terem sido atormentados por parasitas dificilmente é uma surpresa. Os dinossauros que viveram durante o Jurássico (201 a 145 milhões de anos atrás) e o Cretáceo (145 a 66 milhões de anos atrás) foram atingidos por pulgas sugadoras de sangue. Já os carrapatos parasitaram os dinossauros desde pelo menos o período Cretáceo.

A nova descoberta é diferente, uma vez que é o exemplo mais antigo de um insecto que mastiga penas. O registo anterior pertencia a Megamenopon rasnitsyni – um antigo fóssil de piolho de pássaro encontrado na Alemanha que remonta 44 milhões de anos ao período Eoceno, aproximadamente 22 milhões de anos, depois de dinossauros não aviários se terem extinguido.

A descoberta empurra o comportamento parasitário em mais 34 milhões de anos. “É muito raro e difícil encontrar estes primeiros insectos do tipo piolho em âmbar”, escreveu Chungkun Shih, co-autor do novo estudo e cientista do Museu Nacional de História Natural da Smithsonian Institution, em declarações ao Gizmodo.

De acordo com Shih, a descoberta é significativa, porque está a ajudar os paleontólogos a entender melhor o desenvolvimento evolutivo precoce das características físicas e comportamentos de alimentação das penas desses insectos.

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16 Dezembro, 2019

 

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3194: Cinco antepassados de crocodilos viveram há 150 milhões de anos na Lourinhã

CIÊNCIA

Giovanni Toso / Flickr

Pelo menos cinco crocodilomorfos, antepassados dos crocodilos, viveram na região da Lourinhã há 150 milhões de anos, durante o período do Jurássico.

Num artigo publicado na Zoological Journal of the Linnean Society, os paleontólogos Alexandre Guillaume, Miguel Moreno-Azanza, Octávio Mateus e Eduardo Puértolas-Pascual revelam que aqueles animais coabitaram “em rios jurássicos da região” da Lourinhã, refere uma nota de imprensa divulgada na quinta-feira.

A existência de pelo menos cinco diferentes crocodilomorfos – grupo que inclui os crocodilos actuais e os antepassados mais próximos – vem enriquecer a biodiversidade de animais do Jurássico Superior já descobertos na Lourinhã e permite explorar as relações ecológicas entre todos, salientam os cientistas.

Os dentes pertencentes àqueles crocodilomorfos permitiu distinguir comportamentos alimentais diferentes.

Uns alimentavam-se de presas com concha e moles, outros de animais com conchas, como caracóis ou moluscos, e havia também outros que preferiam pequenos artrópodes, como insectos e crustáceos e, ocasionalmente, pequenos vertebrados, como mamíferos e anfíbios. O quinto crocodilomorfo, ainda indeterminado, era um predador carnívoro terrestre.

A investigação resultou de um trabalho de mais de 700 horas a peneirar centenas de quilogramas de sedimentos jurássicos, triando fósseis – alguns “são tão pequenos quanto um milímetro”.

Entre os milhares de fósseis encontrados, que integraram a colecção do Museu da Lourinhã, encontram-se dentes de crocodilomorfos. “O pequeno tamanho dos dentes encontrados sugere que os animais a que pertenciam a espécies pequenas ou eram jovens de espécies maiores”, apontam os paleontólogos, acrescentando que só a descoberta de outros restos esqueléticos destes animais poderia trazer mais certezas científicas.

Dos mais de 120 dentes descobertos e reunidos entre 2017 e 2018, os investigadores conseguiram distinguir dez morfologias diferentes de cinco animais diferentes: Atoposauridae, Goniopholididae, Bernissartiidae, Lusitanisuchus mitracostatus e um crocodilomorfo indeterminado.

Todas estes grupos taxonómicos já eram conhecidos da comunidade científica, sendo que o Lusitanisuchus mitracostatus foi identificado pela primeira vez na Mina da Guimarota, em Leiria.

O estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e por uma bolsa de investigação financiada pelo Parque dos Dinossauros da Lourinhã, é parte integrante da dissertação de mestrado de Alexandre Guillaume, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã e que agora está a iniciar o doutoramento em micro-fósseis de vertebrados.

A tese foi coordenada pelos paleontólogos Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus, da mesma universidade, juntando-se também para este artigo Eduardo Puértolas-Pascual, especialista em crocodilomorfos ibéricos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
13 Dezembro, 2019

 

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3001: Primata com “pernas humanas” viveu há 11,6 milhões de anos na Europa

CIÊNCIA

Velizar Simeonovski

Uma equipa internacional de paleontologistas descobriu que um primata capaz de andar erecto viveu na actual Europa durante o Mioceno, segundo um novo estudo.

Trata-se de Danuvius guggenmosi, criatura que viveu na Europa há 11,6 milhões de anos e pode ser um ancestral distante dos humanos. A equipa encontrou restos fósseis dos seus membros e partes da da mandíbula e da coluna em quatro espécimes no leste de Allgóvia, na Alemanha, entre 2015 e 2018.

Os cientistas estimam que este ser tivesse até um metro de altura, pensando até 31 quilogramas, segundo detalham um novo estudo publicado na revista científica Nature. A espécie teria ainda polegares adaptados para se agarrar aos galhos e pernas semelhantes ao do ser humano contemporâneo.

De acordo com os cientistas, este primata andava sobre as duas patas quando estava a subir para as árvores e usava os seus braços longos para manter o equilíbrio e não para erguer o seu corpo, ao contrário do que fazem os macacos actualmente.

“A imagem emergente de sua locomoção é diferente de qualquer criatura viva conhecida”, disse a autora principal do artigo, Madelaine Bohme, cientista da Universidade de Tübingen, na Alemanha, em declarações ao portal Gizmodo.

Até agora, o hominídeo bípede mais antigo conhecido era o Ardipithecus ramidus, que habitou África há 4,4 milhões de anos.

Se a descoberta agora anunciada for aceite entre a comunidade científica, mudará significativamente tudo o que se sabe sobre a origem desta adaptação entre os primatas.

“O que define os hominídeos se não for o bipedalismo usual? O nosso artigo pode criar um dilema para a definição de hominídeos“, rematou a cientista.

ZAP //

Por ZAP
9 Novembro, 2019

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2961: Couraça dos crocodilos é diferente da dos seus antepassados

CIÊNCIA

b00nj / Flickr

Um antepassado dos crocodilos encontrado na Lourinhã permitiu aos cientistas concluírem que há 150 milhões de anos a couraça daqueles répteis primitivos era diferente da actual.

O estudo dos paleontólogos Octávio Mateus e Eduardo Puértolas Pascoal foi publicado na revista Zoological Journal of the Linnean Society, e conclui que há 150 milhões de anos a couraça dos crocodilos era diferente da actual.

Os fósseis de crocodilomorfos (grupo primitivo do qual derivaram os crocodilos) “até agora descobertos estão muito pouco preservados e articulados”, explicaram à Lusa os paleontólogos do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa.

Pelo contrário, o exemplar encontrado em 1999 na praia da Peralta, no concelho da Lourinhã, doado ao Museu da Lourinhã em 2014 e agora estudado, “é um caso raro em posição de vida com boa parte do dorso preservado”.

Parte do esqueleto do animal encontra-se “na conexão anatómica de um crocodilomorfo, composto por osteodermes [ossos da pele], vértebras, costelas e alguns ossos dos membros posteriores”, descreveram na nota de imprensa divulgada. O material fóssil foi sujeito a uma micro Tomografia Axial Computorizada (TAC) nos laboratórios do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana, em Espanha.

A técnica permitiu “recriar modelos em três dimensões” do animal e concluir que “a presença de vértebras anficélicas, típicas na maioria dos crocodilomorfos primitivos, a morfologia peculiar da sua armadura dérmica (formada por duas fileiras de osteodermes dorsais que se articulam através dum espinho lateral) e a presença de osteodermes ventrais poligonais indicam que, muito provavelmente” se trata de um Goniopholididae, da mesma família dos crocodilomorfos.

Os Goniopholididae são um grupo extinto de crocodilomorfos que viveram na Europa, Ásia e América do Norte, durante os períodos Jurássico e Cretácico, mas cuja linhagem se separou dos jacarés, crocodilos e gaviais durante o Jurássico, apresentando diferenças anatómicas.

Uma dessas diferenças é a sua armadura dérmica, que é formada por osteodermes, que, actuando como um todo, lhe conferem estabilidade durante a locomoção.

Por isso, mais do que protecção e absorção do calor, há 150 milhões de anos a couraça destes répteis tinha também uma função locomotora, que se perdeu depois do Jurássico Superior até aos actuais crocodilos.

Enquanto os crocodilomorfos atingiriam cinco metros de comprimento, em vida este animal teria “menos de um metro”, o que leva os paleontólogos a equacionar que poderia ser um anão, um juvenil ou uma nova espécie, conclusões a que vão conseguir chegar ao determinarem a idade deste exemplar.

O animal foi descoberto numa das jazidas do Jurássico Superior, com 150 milhões de anos, da Lourinhã, conhecidas a nível mundial pelos fósseis de dinossauro e uma das mais ricas regiões do mundo em achados paleontológicos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
4 Novembro, 2019

 

2811: Encontrado fóssil de tubarão parecido com uma enguia de há 350 milhões de anos

CIÊNCIA

© Citron / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia
O tubarão Phoebodus podia ser parecido com o tubarão-cobra dos dias de hoje (apresentado nesta imagem)

Um membro de um grupo indígena encontrou na Anti-Atlas, cordilheira montanhosa de Marrocos, um esqueleto quase completo e muito bem preservado do tubarão Phoebodus.

De acordo com o Live Science, os paleontólogos tiveram recentemente uma visão rara de um animal que existiu há 350 milhões de anos, através do primeiro esqueleto quase completo de um tubarão que pertencia ao género Phoebodus.

Os tubarões Phoebodus, que tinham cerca de 1,2 metros de comprimento, viveram muito antes dos dinossauros e do tubarão gigante Megalodon. Porém, antes deste estudo, agora publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, os cientistas não sabiam muito sobre como era esta espécie. Aliás, a única prova de que estes tubarões existiram mesmo tinham sido dentes com três cúspides encontrados anteriormente.

Entretanto, um membro dos Berberes, um grupo indígena do norte da África, encontrou pela primeira vez um fóssil quase completo desta espécie na Anti-Atlas, uma cordilheira montanhosa no sudoeste de Marrocos, tendo-o feito chegar a Christian Klug, paleobiólogo da Universidade de Zurique, na Suíça, e um dos autores do estudo.

Klug imediatamente percebeu que o espécime não era de “um peixe normal”, explica a autora principal da pesquisa, Linda Frey, acrescentando que foram descobertos este esqueleto e outros crânios na região sul das montanhas, numa camada de sedimentos de 360 a 370 milhões de anos que já foi uma bacia marinha.

O fóssil do esqueleto quase completo do tubarão Phoebodus

“Os fósseis estão muito bem preservados. Ficámos muito felizes com a descoberta”, declarou Frey ao mesmo site, explicando que todos estavam muito bem preservados porque estavam em condições com baixos níveis de oxigénio, onde os organismos em decomposição não podiam separá-los.

Uma análise aos fósseis mostrou que este tubarão tinha um corpo semelhante ao de uma enguia e um focinho longo, parecendo-se com o tubarão-cobra moderno — Chlamydoselachus anguineus —, embora os dois não estejam relacionados, afirma Frey.

Além disso, a anatomia da mandíbula do Phoebodus e a forma dos dentes com três cúspides sugerem que a criatura tinha uma estratégia de alimentação semelhante ao dos Lepisosteiformes, uma família de peixes de água doce com mandíbulas compridas. Estes animais “basicamente capturam as suas presas num movimento rápido“, e também podia ser assim que os tubarões Phoebodus se alimentavam, explica a investigadora.

As perguntas sobre o Phoebodus continuam a existir e não podem ser respondidas apenas com este esqueleto, uma vez que lhe falta uma barbatana caudal que lhes diria mais sobre como o animal se movia.

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10 Outubro, 2019

 

2757: T. Rex podia esmagar um carro nas suas mandíbulas (sem danificar o próprio crânio)

CIÊNCIA

David Monniaux / wikimedia
Fóssil de Tyranossaurus Rex

Investigadores descobriram que o rei dos dinossauros tinha um crânio rígido, como os dos crocodilos e das hienas modernos.

Entre todos os animais, extintos ou não, não há dúvida de que o Tyrannosaurus rex tinha a mordida mais forte de sempre. O rei dos dinossauros era capaz de morder ossos sólidos, mas os paleontólogos estavam há muito desconcertados com a forma como o conseguiam fazer (sem partir o próprio crânio).

De acordo com o Business Insider, uma equipa de investigadores descobriu que este dinossauro tinha um crânio rígido, como os dos crocodilos e das hienas modernos, em vez de um crânio flexível, como pássaros e répteis. Essa rigidez permitiu ao T. rex morder as suas infelizes presas com uma força superior a sete toneladas.

“As forças mais altas no T. rex que conseguimos estimar foram de 64 mil newtons, o que representa cerca de 7,1 toneladas de força”, disse Ian Cost, autor principal do estudo publicado na revista científica The Anatomical Record.

Em termos de comparação, os crocodilos de-água-salgada dos dias de hoje, que detêm o maior recorde de mastigação de qualquer animal vivo, têm uma força de 16.460 newtons, ou seja, apenas 25% da força de um T. rex.

Anteriormente, os cientistas haviam sugerido que o crânio do T. rex — com cerca de 1,8 metros de comprimento e 1,2 metros de altura — possuía articulações flexíveis, uma característica chamada cinesia craniana.

Porém, Cost afirma que esta teoria não se enquadrava com aquilo que os cientistas observavam nos predadores modernos, como os crocodilos, que têm pouca ou nenhuma cinesia craniana.

cheungchungtat / Deviant Art

Por isso, a equipa modelou como os crânios e as mandíbulas de papagaios e lagartixas funcionavam — dois animais com crânios móveis —, tendo aplicado depois esses movimentos a um crânio de T. rex. “O que descobrimos foi que o crânio do T. rex, na verdade, não reage bem ao movimento e prefere não se mover”, disse Cost.

De acordo com Casey Holliday, co-autor do estudo, há uma troca entre movimento e estabilidade quando uma criatura morde com muita força. Os pássaros e os lagartos, por exemplo, têm mais movimento mas menos estabilidade. Menos estabilidade à mordida e amplitude de movimento limitam a quantidade de força de mordida que um animal pode conseguir.

Mark Norell, curador do Museu Americano de História Natural, descreveu o T. rex como “um caçador de cabeças”, já que o predador tinha a rara capacidade de morder ossos sólidos e digeri-los.

Segundo Cost, um crânio rígido fez com que o T. rex pudesse morder ossos e, assim, ser  “capaz de produzir força suficiente para esmagar alguns carros, mas talvez não todos”.

O cientista acrescenta que aplicar 7,1 toneladas de força da mordida do T. rex “através de um dente ou dois no impacto resulta em incríveis libras por polegada quadrada (psi) de pressão que podem perfurar muitos veículos, incluindo os pneus Jeep”.

Cost afirma que os resultados do seu estudo, que indicam que o crânio do T. rex manipulava presas de forma semelhante à de uma hiena, pode lançar novas luzes sobre este debate. “As hienas são caçadoras e necrófagas. Acho que o T. rex era um caçador e um necrófago oportunista”, conclui.

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3 Outubro, 2019

 

2664: Dragões de Komodo têm uma “armadura” debaixo da pele

CIÊNCIA

zoofanatic / Flickr

Um novo estudo mostra que debaixo da sua pele escamosa, os dragões de Komodo estão quase todos cobertos por uma armadura de pequenos ossos.

Os dragões de Komodo (Varanus komodoensis) são conhecidos por serem fortes, rápidos e perigosos. Mas agora, de acordo com o Science Alert, uma nova investigação descobriu que têm outra característica especial: sob a pele escamosa, estes animais estão cobertos por uma armadura de pequenos ossos semelhante a uma cota de malha.

Investigadores da Universidade do Texas e do Fort Worth Zoo, nos Estados Unidos, fizeram tomografias computorizadas a dois dragões já falecidos (um adulto e um jovem). A equipa descobriu que o animal mais velho estava completamente blindado, mas o mais novo não apresentava nada do género. A descoberta sugere que os osteodermos, como estes pequenos ossos são chamados, não se desenvolvem até à idade adulta.

“Os dragões de Komodo jovens passam bastante tempo nas árvores e, quando são grandes o suficiente para sair delas, é quando podem começar a entrar em conflito com dragões da sua espécie. Esse seria o momento em que uma armadura extra dava jeito”, explica num comunicado o paleontólogo Christopher Bell, da Universidade de Texas.

Os osteodermos não são uma nova descoberta e, na verdade, podem ser encontrados noutros répteis e anfíbios. No entanto, como a pele dos dragões de Komodo é geralmente removida para outros estudos científicos, e como estas placas ósseas ficam dentro da pele, acabaram por nunca serem bem estudadas ou compreendidas.

(dr) University of Texas / Jackson School of Geosciences
A “armadura” do dragão de Komodo

No caso do dragão adulto, os cientistas analisaram apenas a cabeça (uma vez que o seu corpo era tão grande que não cabia na máquina), mas foi suficiente para revelar detalhes fascinantes sobre esta armadura.

A cabeça do animal estava quase toda envolvida nesta malha de ossos minúsculos, com quatro formas distintas, e completamente diferente das outras espécies de lagartos analisados para comparação.

Os outros lagartos parecem ter uma dispersão muito mais esparsa dos ossos, às vezes com áreas onde estão completamente ausentes e com apenas uma ou duas formas ósseas. No caso da cabeça do dragão de Komodo, esta estava quase totalmente tapada (só os olhos, narinas, borda da boca e olho parietal estavam destapados).

“Ficámos impressionados quando vimos isto. A maioria dos lagartos Varanus possui apenas osteodermos vermiformes (em forma de verme), mas o dragão de Komodo tem quatro morfologias muito distintas, o que é muito incomum entre os lagartos”, disse a paleontóloga Jessica Maisano, da Universidade do Texas.

Agora, os cientistas, cujo estudo foi publicado na revista The Anatomical Record, querem estudar mais dragões de Komodo com diferentes idades para lançar mais algumas luzes sobre esta misteriosa armadura.

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19 Setembro, 2019

 

2571: Descoberta uma espécie idêntica ao “esquilo” da Idade do Gelo

CIÊNCIA

(dr) Jorge A. González
Ilustração do Pseudotherium argentinus

A criatura pré-histórica é tão parecida com Scrat, personagem do filme de animação “A Idade do Gelo”, que o paleontólogo responsável pela sua descoberta pensou baptizar a espécie com o seu nome.

Segundo o IFLScience, o Pseudotherium argentinus foi descoberto no Parque Provincial de Ischigualasto, San Juan, no noroeste da Argentina, com base num crânio adulto de 6,9 centímetros que sugere que este animal tinha 25 centímetros de comprimento.

Esta criatura pré-histórica foi classificada de mammaliamorph — um grupo de parentes próximos dos mamíferos — e viveu há 231 milhões de anos, durante o Triássico Superior, quando os dinossauros ainda estavam no seu auge.

De acordo com o estudo publicado em Agosto na revista científica PLOS One, o Pseudotherium pode estar intimamente relacionado a um ancestral dos mamíferos, mas faltam as distintas regiões cerebrais expandidas que separam os mamíferos dos nossos predecessores.

O facto curioso é que este animal mostra grandes semelhanças com Scrat, uma das personagens do filme de animação “A Idade do Gelo”. “A espécie tem um focinho muito longo, plano e raso e as suas presas muito longas localizadas quase na ponta do focinho, por isso as parecenças são tremendas”, disse o paleontólogo Ricardo Martinez, da Universidade Nacional de San Juan, à Agência CTyS, acrescentando que até considerou nomear a espécie tendo em conta a personagem.

Esta não é a primeira criatura que os cientistas descobrem que se parece com Scrat. O Cronopio dentiacutus era um verdadeiro mamífero — com o tamanho e forma semelhantes ao Pseudotherium — que viveu há 95 milhões de anos, durante o Cretáceo, e cuja descoberta em 2011 também se seguiu aos filmes.

Com apenas um espécime para analisar, os investigadores não sabem ainda muitas coisas sobre o estilo de vida deste animal ou porque é que precisava de dentes tão ameaçadores. É provável que tivesse uma dieta à base de insectos ou animais menores, sendo que os dentes-de-sabre poderiam ter sido usados para apanhar presas, mas também para lutar por territórios ou companheiros, sobretudo se o espécime encontrado fosse macho.

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4 Setembro, 2019

 

2384: Paleontólogos descobrem estranhos micróbios em fósseis de dinossauro

CIÊNCIA

Peter Trusler / University of Queensland
Imagem ilustrativa

Uma equipa de paleontólogos procurou preservar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um dinossauro. Mas os cientistas não encontraram as proteínas: em vez disso, encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos.

Para as preservar, uma equipa internacional de paleontólogos decidiu procurar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um Centrosaurus, mas sem sucesso. Em vez disso, os cientistas encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos a viver dentro dos ossos do dinossauro. O artigo científico foi publicado em Junho na eLife.

“É a primeira vez que descobrimos esta comunidade microbiana única nestes ossos fósseis enterrados no subsolo”, disse o principal autor do estudo, Evan Saitta, investigador do Field Museum of Natural History, citado pelo Sci-News.

Durante o processo de fossilização, os tecidos biológicos degradam-se ao longo de milhões de anos. Ainda assim, os cientistas encontraram vestígios de material biológico dentro de alguns fósseis.

Enquanto que alguns cientistas acreditam que estes podem ser os restos de antigas proteínas, vasos sanguíneos e células, tradicionalmente considerados como estando entre os componentes menos estáveis do osso, outros investigadores estão convencidos de que têm fontes mais recentes.

(dr) Evan Saitta / Field Museum of Natural History
Micróbios modernos a fluorescente

Para investigar a origem do material biológico em ossos de dinossauros, Saitta e a sua equipa realizaram várias análises nos ossos fossilizados, com cerca de 75 milhões de anos, do Centrosaurus. Os ossos foram cuidadosamente escavados de forma a reduzir a contaminação.

Depois, os cientistas compararam a composição bioquímica dos fósseis com os modernos ossos de galinha, os sedimentos do local dos fósseis em Alberta, no Canadá, e os antigos dentes de tubarão, chegando assim à conclusão que os fósseis de Centrosaurus não pareciam conter as proteínas de colagénio presentes nos ossos novos ou nos dentes de tubarão muito mais jovens.

Mas vemos muitas evidências de micróbios recentes. Há claramente algo orgânico nestes ossos”, disse o cientista, adiantando ter encontrado carbono orgânico morto sem radio-carbono, aminoácidos recentes e ADN no osso – descobertas indicativas de que o osso hospeda uma comunidade microbiana moderna.

Surpreendentemente, os micróbios encontrados nos ossos não são as mesmas bactérias que vivem na rocha ao seu redor. “É uma comunidade muito incomum. Cerca de 30% das sequências estão relacionadas a Euzebya“, disse Saitta.

“Não sabemos ao certo por que estes micróbios em particular estão a viver nos ossos dos dinossauros, mas não estamos chocados com o facto de as bactérias serem atraídas pelos fósseis”, explicou ainda.

Os ossos fósseis contêm fósforo e ferro, “e os micróbios precisam deles como nutrientes”. Além disso, os ossos são porosos “Se fosse uma bactéria a viver no chão, provavelmente iria querer viver num osso de dinossauro”, concluiu.

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28 Julho, 2019

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2361: Ninhos descobertos na Mongólia mostram que os dinossauros protegiam os seus ovos

CIÊNCIA

(dr) Masato Hattori

Ninhos de dinossauro descobertos no Deserto de Gobi, na Mongólia, mostram que estes animais pré-históricos faziam ninhos em grupo e, tal como os pássaros, protegiam os seus ovos.

De acordo com a revista Nature, uma equipa de investigadores descobriu fósseis de um grupo de 15 ninhos com mais de 50 ovos, com cerca de 80 milhões de anos, no Deserto de Gobi, na Mongólia.

“Os dinossauros costumam ser retratados como criaturas solitárias que faziam os seus ninhos sozinhas, enterrando os ovos e depois indo embora. Agora conseguimos mostrar que alguns dinossauros eram muito mais gregários. Uniam-se e estabeleciam uma colónia que provavelmente os protegia”, explica François Therrien, paleontólogo do Museu Real Tyrrell de Paleontologia, no Canadá.

A descoberta, publicada no início deste mês na revista científica Geology, fornece a mais clara evidência até ao momento que os complexos comportamentos reprodutivos dos dinossauros, como os ninhos em grupo, evoluíram antes das aves modernas se terem separado deles há 66 milhões de anos.

Desde os anos 80 que os paleontólogos desenterram ovos fossilizados ou ninhos que estão agrupados. Mas a rocha circundante geralmente representa vários milhares de anos ou mais, tornando difícil para os investigadores saber se os ovos foram colocados ao mesmo tempo, ou apenas no mesmo lugar, explica Darla Zelenitsky, paleontóloga da Universidade de Calgary, no Canadá, e co-autora do estudo.

Mas este grupo de ninhos agora descoberto é diferente. A formação de 286 metros quadrados contém camadas vivas de cor laranja e cinzenta. Entre estas, encontra-se uma risca fina de rocha vermelha brilhante que conecta todos os 15 ninhos relativamente intactos. Alguns dos ovos esféricos, com cerca de dez a 15 centímetros de diâmetro, haviam eclodido e estavam parcialmente preenchidos com a rocha vermelha.

Uma vez que a tal risca vermelha liga todos os ovos, a descoberta sugere que os dinossauros os tenham colocado juntos, durante a mesma época de reprodução, provavelmente com o objectivo de os proteger de predadores e outras ameaças. “Geologicamente, acho que não poderíamos ter pedido um sítio melhor”, diz Zelenitsky.

A paleontóloga e os colegas também foram capazes de identificar o tipo de dinossauro que colocou lá os ovos. Graças às suas texturas exteriores e interiores, bem como a espessura da casca, os investigadores sugerem que se trata de um terópode não aviário, grupo que inclui o velociraptor e o tiranossauro.

Os investigadores ainda conseguiram estimar que pouco mais mais de metade dos ninhos teve pelo menos um ovo chocado. Essa taxa de sucesso relativamente alta é parecida com a de aves e crocodilos modernos que protegem os seus ninhos, comparativamente com as espécies que os abandonam.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
23 Julho, 2019

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