2227: O T-Rex tem dois novos primos tailandeses

PALEONTOLOGIA

Universidade de Bonn

Duas novas espécies de dinossauros, que eram predadores eficientes e parentes distantes do Tiranossauro-Rex, foram identificadas em restos fósseis encontrados há 30 anos na Tailândia, revelou a Universidade de Bonn, na Alemanha.

Há três décadas, o Museu de Sirindhorn, no sul da Tailândia, recebeu ossos fossilizados de dinossauros que nunca foram analisados em detalhe. “Há cinco anos encontrei estas descobertas durante a minha pesquisa, explicou Adun Samathi, paleontólogo tailandês que está a fazer o seu doutoramento no Instituto Steinmann de Geologia, Mineração e Paleontologia da Universidade de Bonn.

Depois de “tropeçar” no achado, o investigador levou alguns moldes dos fósseis para serem analisados juntamente com o seu orientador, o professor Martin Sander, recorrendo a tecnologias mais avançadas.

Os resultados da investigação mostram uma nova visão sobre a história dos megaraptors, um grupo de dinossauros de grandes dimensões, que inclui, por exemplo, o T-Rex e que agora tem duas novas espécies conhecidas.

À semelhança do “primo” T-Rex, as novas espécies também corriam sobre as suas patas traseiras. Em sentido oposto, estes familiares tinham braços fortes dotados com grandes garras. Além disso, tinham também cabeças mais delicadas e um focinho largo.

“Conseguimos atribuir os ossos [fossilizados] a um novo megaraptor, que chamamos de Phuwiangvenator yaemniyomi“, revelou Samathi, citado em comunicado.

O nome escolhido, recorda, por um lado, refere-se a Phuwiang, uma área no noroeste da Tailândia, e, por outro lado, tem também a referência ao cientista responsável pela descoberta do primeiro fóssil de dinossauro tailandês.

O investigador revelou ainda mais alguns detalhes sobre o Phuwiangvenator yaemniyomi: era, provavelmente, um corredor rápido com cerca de seis metros de comprimento, ou seja, menor do que o T-Rex (12 metros.)

Quanto à segunda nova espécie descoberta, o estudante afirma que há menos informação. Os ossos identificados também pertencem a um megaraptor, que era um pouco mais pequeno, medindo cerca de 4,5 metros.

O material analisado não foi suficiente para precisar a sua ascendência com exactidão, mas os cientistas acreditam que este seja um outro primo do T-Rex, tendo-lhe atribuído o nome de Vayuraptor nongbualamphuenisis.

“Talvez a situação [das duas novas espécies] possa ser comparada à [situação] dos grandes felinos africanos”, explica Samathi. “Se Phuwiangvenator fosse um leão, Vayuraptor seria um chita”, rematou o estudante.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Acta Palaeontologica Polonica.

ZAP //

Por ZAP
24 Junho, 2019

2188: Os humanos podem ter sido destinados a reinar sobre a Terra (e já sabemos porquê)

CIÊNCIA

Viktor M. Vasnetsov / Wikimedia

Se voltássemos atrás no tempo, a aleatoriedade dos eventos mudaria completamente o nosso caminho evolucionário. No entanto, os cientistas descobriram que os inúmeros trilhos possíveis poderiam não evitar que fossem os humanos a espécie dominadora.

O que aconteceria se voltássemos a um ponto aleatória na nossa história evolutiva e recomeçássemos o relógio do tempo? O paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould propôs este pensamento no final dos anos 80 e, ainda hoje, cativa a imaginação dos biólogos evolucionistas.

Gould calculou que, se o tempo fosse rebobinado, a evolução levaria o rumo da vida por um caminho completamente diferente e os humanos nunca voltariam a evoluir da mesma forma. De facto, o cientista considerou que a evolução da humanidade era tão rara que poderíamos repetir a história um milhão de vezes e não veríamos nada parecido com o Homo Sapiens.

Os eventos do acaso desempenham um papel enorme na evolução. Isto inclui extinções em massa gigantescas, como impactos de asteróides cataclísmicos e erupções vulcânicas. Mas os eventos aleatórios também operam na escala molecular. A mutação genética, que forma a base da adaptação evolucionária, depende de eventos fortuitos.

Simplificando, a evolução é o produto da mutação aleatória. Algumas mutações raras podem melhorar a hipótese de sobrevivência de um organismo em determinados ambientes em detrimento de outros. Esta aleatoriedade inerente sugere que diferentes formas de vida se originariam caso rebobinássemos o rolo da vida.

Óbvio que na realidade, é impossível rebobinar o relógio desta maneira. No entanto, os biólogos evolucionistas experimentais têm os meios para testar algumas das teorias de Gould numa micro-escala com bactérias. Os resultados foram divulgados num estudo publicado no ano passado na revista Science.

Os microrganismos dividem-se e evoluem muito rapidamente. Podemos, portanto, congelar milhões de células idênticas no tempo e armazená-las indefinidamente. Isso permite obter um subconjunto dessas células, desafiá-las a crescer em novos ambientes e monitorizar as alterações adaptativas em tempo real. Podemos ir do “presente” para o “futuro” e vice-versa quantas vezes quisermos.

Evidências do destino evolutivo

Muitos estudos de evolução bacteriana descobriram que a evolução segue caminhos muito previsíveis a curto prazo, com os mesmos traços e soluções genéticas frequentemente realizadas. Todas as populações em evolução nesta experiência mostram maior aptidão, crescimento mais rápido e células maiores do que as ancestrais. Isto sugere que os organismos têm algumas restrições sobre como podem evoluir.

Existem forças que mantêm os organismos em evolução numa linha recta e estreita. A selecção natural é o guia da evolução, reinando no caos de mutações aleatórias e estimulando mutações benéficas. Isto significa que muitas mudanças genéticas irão desaparecer ao longo do tempo, com apenas as melhores a resistirem.

Encontramos evidências disso na história da evolução, onde espécies que não estão intimamente relacionadas, mas compartilham ambientes semelhantes, desenvolvem um traço semelhante.

Por exemplo, Pterossauros e pássaros extintos evoluíram tanto nas asas quanto num bico distinto, mas não de a mesma espécie ancestral. Essencialmente, asas e bicos evoluíram duas vezes, em paralelo, devido a pressões evolutivas.

Mas a arquitectura genética também é importante. Certas localizações no genoma contribuirão para a evolução com maior frequência, ou com um efeito maior, do que outras — influenciando os resultados evolutivos.

Leis da Física

Mas e as leis da Física subjacentes — favorecem a evolução previsível? Em escalas muito grandes, parece que sim. Sabemos de muitas leis do nosso universo são certas, como por exemplo a gravidade e as teorias de Isaac Newton. Estas descrevem o universo como perfeitamente previsível.

Se a visão de Newton permanecesse perfeitamente verdadeira, a evolução dos humanos seria inevitável. No entanto, essa previsibilidade reconfortante foi abalada pela descoberta do mundo contraditório, mas fantástico, da mecânica quântica no século XX. Em escalas menores de átomos e partículas, a verdadeira aleatoriedade está em jogo — o que significa que o nosso mundo é imprevisível no mais fundamental nível.

Isto significa que as “regras” para a evolução permaneceriam as mesmas, não importando quantas vezes nós rebobinássemos a cassete. Por exemplo, haveria sempre uma vantagem evolutiva para os organismos que absorvem a energia solar. Mas, em última análise, a aleatoriedade, que é incorporada em muitos processos evolutivos, retira a nossa capacidade de “prever o futuro” com total certeza.

Há um problema na astronomia que funciona como uma analogia apropriada. Em 1700, um instituto matemático ofereceu um prémio para resolver “o problema dos três corpos“, que consiste em descrever precisamente a relação gravitacional e órbitas resultantes do Sol, da Terra e da Lua.

O vencedor, Joseph-Louis Lagrange, essencialmente provou que o problema não poderia ser resolvido exactamente. Assim como o caos introduzido por mutações aleatórias, um pequeno erro inicial inevitavelmente surgiria, o que significa que não se poderia determinar com exactidão onde os três corpos acabariam no futuro. Mas como o parceiro dominante, o Sol dita as órbitas de todos os três — permitindo-nos reduzir as possíveis posições dos corpos dentro de um alcance.

Isso é muito semelhante à evolução. Podemos não estar totalmente certos de onde os humanos estariam se rebobinássemos o tempo, mas os caminhos disponíveis para os organismos em evolução estão longe de ser ilimitados.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
17 Junho, 2019

2003: Revelada nova espécie de dinossauro saurópode na Lourinhã

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Paleontólogos portugueses e espanhóis descreveram uma nova espécie de dinossauro herbívoro saurópode, cujos fósseis foram recolhidos há mais de 20 anos numa praia da Lourinhã, num artigo científico publicado num boletim especializado.

O Oceanotitan dantasi é descrito como sendo um novo género e uma nova espécie de dinossauro saurópode no artigo “Um novo saurópode macronário do Jurássico Superior de Portugal”, publicado na quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Um dos autores, Pedro Mocho, do Instituto Don Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, disse à Lusa que, enquanto outros saurópodes já conhecidos atingem grandes dimensões, este animal chamou a atenção dos investigadores “pelo seu tamanho mediano”.

As características morfológicas encontradas neste herbívoro “colocava-o fora dos grupos do Jurássico Superior e assemelhava-o a formas do Cretáceo”, explicou. Esta espécie vem contribuir para a enorme diversidade de dinossauros saurópodes encontrados em Portugal com 150 a 145 milhões de anos, pertencentes ao período do Jurássico Superior.

Os autores do estudo escolheram o nome Oceanotitan dantasi, em alusão à costa atlântica, onde foram encontrados os fósseis, à música “oceania” da cantora islandesa Björk e ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90 do século XX e então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.

O estudo em que é descrita a nova espécie é também subscrito pelos espanhóis Rafael Royo-Torres, investigador do Museu Aragonês de Paleontologia, e Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

Os achados deste dinossauro agora estudado foram feitos em 1996 nas arribas da praia de Valmitão, concelho da Lourinhã, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar fósseis de dinossauro e outros animais nas arribas.

Durante mais de 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expo-los num futuro museu. A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Maio, 2019



 

1906: Impressão de pele de dinossauro encontrada perfeitamente preservada. É única no mundo

CIÊNCIA

philjrenaud / Flickr

Várias pegadas de dinossauro com uma precisão sem precedentes foram identificadas por uma equipa de cientistas numa camada de uma rocha extraída na cidade de Jinju, na Coreia do Sul. 

No total são cinco impressões, quatro das quais foram atribuídas com certeza a um mesmo animal bípede que atravessou a lama húmida daquela região há milhões de anos. A equipa de geólogos internacionais considerou que o autor das pegadas foi um dinossauro nomeado como Minisauripus, que terá sido o menor terópode até então conhecido.

Em comunicado, Martin Lockley, professor da Universidade do Colorado em Denver, nos Estados Unidos, explicou que estas são as primeiras amostras já encontradas “onde as impressões perfeitas da pele cobrem toda a superfície de cada pegada”. As impressões representam a “maior resolução de detalhes já registada para qualquer impressão de pele de dinossauro”, observaram os cientistas.

“As pegadas formaram-se numa camada muito subtil de lama fina“, sustentou o especialista norte-americano, comparando estas impressões a  “uma camada de tinta fresca de apenas um milímetro de espessura. Quando o pequeno dinossauro – com o tamanho de um melro – pisou aquela superfície firme e pegajosa, sem escorregar, a textura da pele da planta do seu pé ficou registada em detalhe, completou.

As impressões foram descobertas durante uma escavação de grande escala liderada pelo cientista coreano Kyung Soo Kim, responsável pela prospecção paleontológica da local. Mias tarde, juntou-se à equipa de investigação. Soo Kim viu a primeira marca numa pedra partida e parou de imediato os trabalhos até recuperar todas as impressões.

Gizmodo @Gizmodo

Intricate skin impressions still visible on ‘exquisitely preserved’ dinosaur footprints http://gizmo.do/hXVrfF1 

1840: Tem 430 milhões de anos e 45 tentáculos blindados. Eis Cthulhu, o “Monstro do Mar”

CIÊNCIA

Elissa Martin/Yale Peabody Museum of Natural History

Uma equipa de paleontólogos dos Estados Unidos e do Reino Unido descobriu os restos bem preservados de uma antiga criatura marinha, um parente dos invertebrados conhecidos como pepinos do mar. 

O corpo do “monstro marinho” media três centímetros e estava completamente coberto de placas ósseas. A criatura antiga era dotada de 45 tentáculos blindados, que eram provavelmente utilizados para capturar comida e para se esgueirar pelo fundo do mar.

A equipa, que publicou esta semana os resultados da investigação na revista cientifica Proceedings of the Royal Society B, baptizou o pequeno ser de Sollasina cthulhu, em homenagem a uma das mais conhecidas criatura fantásticas das histórias de terror de H. P. Lovecraft.

Ao contrário da entidade cósmica que protagoniza “The Call of Cthulhu”, a criatura agora encontrada é minúscula. Contudo, notam os cientistas, com os muitos “pés tubulares” estendidos em todas as direcções, a criatura pareceria muito maior.

Mesmo com um tamanho tão pequeno, não deixava de inspirar “pesadelos”: os seus tentáculos tinham uma espécie de armadura e eram usados para apanhar alimento, movimentar-se e afastar predadores.

Outra das diferenças entre o ser ficcional de Lovecraft e a criatura real é a idade: o fóssil encontrado em Herefordshire é bem mais velho, tendo cerca de 430 milhões de anos.

“Neste documento, relatamos um novo equinodermo, o grupo [de animais] que inclui ouriços do mar, pepinos do mar e estrelas do mar, com preservação de tecidos moles. (…) Esta nova espécie pertence a um grupo extinto chamado opiocystioids“, pode ler-se.

Christopher Mah @echinoblog

A neat reconstruction of an intriguing Paleozoic echinoderm called an ophiocistioid! Early ancestors of sea cucumbers with a very urchin-like appearance! Sollasina cthulhu! Named for Lovecraft’s famous monster!! A nice account here https://www.eurekalert.org/pub_releases/2019-04/uoo-fr040519.php 

Os cientistas revelaram ainda que a reconstrução tridimensional deste espécime revelou tecidos moles nunca antes encontrados em fósseis deste género.

“Com a ajuda da tomografia físico-óptica de alta resolução, descrevemos as espécies em 3D, revelando elementos internos do sistema vascular da água que eram anteriormente desconhecidos neste grupo e em quase todos os equinodermos fósseis”, apontou o paleontólogo Derek Briggs, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

A descoberta deste “primo” do pepino do mar vai ajudar os cientistas a melhor compreender as mudanças que ocorreram na evolução inicial deste grupo.

ZAP //

Por ZAP
12 Abril, 2019

 

1804: As alterações climáticas transformaram os Neandertais em canibais

CIÊNCIA

Stanley Zimny / Flickr

Ossos foram descobertos numa caverna no sudeste da França nos anos 90. No total, seis neandertais: dois adultos, dois adolescentes e dois filhos.

Em toda a Europa, existem mais de 200 locais que apresentam restos antigos de Neandertais como estes, mas poucos deles contam a mesma história terrível que esta caverna contém, de acordo com uma nova análise arqueológica.

Quem quer que fossem, o modo como estes humanos antigos deixaram o mundo de 120 mil a 130 mil anos atrás poderia ter sido marcado por desespero, fome e brutalidade selvagem. Estes neandertais viveram durante o último período interglaciar – época em que o mundo estava rapidamente a transitar de uma era glacial para um clima mais quente.

“A mudança do clima do período glacial para o último interglaciar foi muito abrupta“, disse o paleontólogo Emmanuel Desclaux, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), ao Cosmos. “Não estamos a falar de escala geológica, mas em escala humana. Dentro de algumas gerações, a paisagem pode ter mudado totalmente.”

Quando o mundo ficou mais quente, os mares ergueram-se contra as costas. Plantas transformaram-se e animais mudaram. As comunidades, adaptadas com sucesso por dezenas de milhares de anos ao frio extremo, estavam a enfrentar o desconhecido.

Sabe-se pouco sobre como se saíram neste período difícil, mas as camadas arqueológicas preservadas em cerca de 220 sites europeus oferecem algumas pistas, baseadas em raros vestígios de restos humanos isolados, incluindo dentes, fragmentos de crânios e outros ossos. Mas na caverna Baume Moula-Guercy, em França, são diferentes.

O sítio apresenta um nível inigualável de preservação de ossos e carvão. Isso permitiu aos arqueólogos reconstruir o ambiente natural e as paisagens que os neandertais experimentaram durante o período Eemiano, observam os investigadores no artigo publicado na revista Journal of Archaeological Science.

Mas também revela outra coisa: a evidência do canibalismo neandertal que os autores propõem ter surgido em resposta à “profunda reviravolta” provocada pela mudança climática. Na caverna, foram encontrados 120 ossos dos seis indivíduos. Eles estavam misturados com ossos de animais e a análise revela que algo grave aconteceu com os antigos restos humanos.

“As marcas de corte estão espalhadas por 50% dos restos humanos e distribuídas por todo o esqueleto, desde o crânio e a mandíbula até as metáforas e falanges”, escreve a equipa. “As marcas de percussão são visíveis em todos os crânios, todos os ossos longos e outros ossos de adultos e crianças.”

Com base nas evidências, que também revelam possíveis sinais de esmagamento e mastigação, os cientistas sugerem que a condição dos ossos são consistentes com um único episódio de canibalismo.

“Elementos esqueléticos de todas as regiões do corpo sugerem que estavam intactos antes do evento”, afirma o artigo. “Além disso, nenhum dos restos está em relação anatómica um ao outro, indicando que os corpos foram completamente desmembrados.”

É claro que a proposta do canibalismo permanece hipotética, mas baseada nas evidências, alinha-se com outras coisas que se sabe sobre os neandertais. Eles geralmente enterravam os mortos, e provavelmente foram forçados a abandonar partes da Europa durante o período, devido a casos de fome trazidos pelo mundo em mudança, e a falta de presas ricas em proteínas.

Para aqueles que ficaram para trás, as condições eram difíceis. Alguns podem ter matado para sobreviver. Outros tornaram-se comida.

“O canibalismo destacado em Baume Moula-Guercy não é uma marca de bestialidade ou sub-humanidade”, explicam os investigadores. “A síntese dos dados torna possível interpretar a ocorrência como um episódio curto e único de endo-canibalismo em resposta ao stress nutricional induzido por mudanças ambientais rápidas e radicais”.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Abril, 2019

 

1802: Um campo nos EUA revela como foi o último dia dos dinossauros na Terra

CIÊNCIA

(dr) Robert DePalma / University of Kansas

Uma enorme ondulação num mar interno e uma chuva de esferas de vidro foram as condições às quais a biodiversidade continental ou marinha não conseguiu sobreviver na América do Norte.

Dinossauros e peixes morreram e foram enterrados numa questão de horas ou mesmo dezenas de minutos após a queda do asteróide Chicxulub.

Esta é a imagem apresentada na sexta-feira em comunicado da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, prevendo uma publicação futura da revista Proceedings of National Academy of Sciences. A imagem apocalíptica vem de um achado paleontológico – não de uma hipótese sobre o último dia dos dinossauros.

O paleontólogo Robert DePalma levou a cabo durante seis anos as escavações no depósito Tanis em Dakota do Norte, perto do município de Bowman, na formação geológica de Hell Creek. Os achados mostram que é um campo que demonstra o abate massivo num período de tempo tempo muito curto, após o impacto do Chicxulub no Golfo do México.

De acordo com o co-autor do estudo, os fósseis da área representam “o primeiro conjunto de mortes massivas de grandes organismos já encontrado” e correspondem à fronteira cretácea e paleogénica. A um tiranossauro rex e um tricerátops juntaram-se a uma variedade de mamíferos, um grande número de insectos e outros seres. Ali estão os esqueletos do extinto réptil Mosasaurus, moluscos amonites, esturjões e peixes-espátula.

Os peixes, muito mais bem conservados, têm algumas esferas de vidro com vários milímetros de diâmetro nas brânquias. Os cientistas têm a certeza de que guardam esses vestígios de um evento desastroso, como a chuva de rochas derretidas, enquanto nadavam com as bocas abertas. Eles estimam que na região, localizada a mais de 3.200 quilómetros da cratera, choveu cristal entre 45 minutos e uma hora após o impacto.

A camada de rocha sedimentar que cobria todo o conjunto de restos ósseos é rica em irídio, um elemento raro na crosta terrestre, mas não nos asteróides. Os cientistas acreditam que esta camada se acumulou devido a ondas gigantes – mas não propriamente um tsunami.

Na sua opinião, era mais provável que fosse um seicha, as típicas ondas estacionárias de um corpo de águas parcialmente fechadas expostas aos efeitos de um forte terremoto. Esse fenómeno ocorreria em Dakota antes de um tsunami atingir uma região tão distante do Golfo do México.

ZAP // Russia Today

Por ZAP
3 Abril, 2019

 

1792: Como era a Terra há 66 milhões de anos? Esta descoberta ajuda-nos a contar a história

Um grande conjunto de fósseis em excelente estado de conservação, encontrado no Dakota do Norte, nos Estados Unidos, pode permitir identificar espécies entretanto extintas

© ROBERT DEPALMA O grupo de cientistas da Universidade do Kansas, em trabalho de campo no depósito de Tanis

Há 66 milhões de anos, um asteróide de grandes dimensões (estima-se que tivesse entre 11 e 81 quilómetros de diâmetro) caiu no sudeste do México, perto da cidade de Chicxulub, alterando para sempre a vida na Terra. A teoria de que terá sido este evento a provocar a extinção dos dinossauros e de 75% das espécies animais e vegetais do planeta é hoje dominante. Ondas gigantescas – cuja dimensão é estimada em 1600 metros, o equivalente a cerca de 11 Torres Vasco da Gama, em Lisboa – terão tido consequências catastróficas.

O que tem este acontecimento a ver com o conjunto de fósseis “extremamente bem preservados” de animais e peixes encontrado por grupo de paleontologistas no estado-norte americano do Dakota do Norte, que fica a cerca de 3000 quilómetros de Chicxulub? Aparentemente, tudo. Num estudo publicado esta segunda-feira, os cientistas da Universidade do Kansas defendem que estes fósseis fazem parte de uma imensidão de seres vivos que morreu poucos minutos depois do impacto do asteróide. Toda a fauna marinha e terrestre do período Cretáceo terá sido soterrada por uma camada de sedimentos.

Os fósseis foram encontrados num depósito que dá pelo nome de Tanis, na formação de Hell Creek, um dos sítios mais famosos e intensamente estudados de fósseis de dinossauro. Foram encontrados vestígios de “peixes de água doce, vertebrados terrestres, árvores, ramos, troncos, amonóides [um grupo extinto de moluscos cefalópodes] e outras criaturas marinhas”, refere Robert DePalma, autor principal do estudo, ao jornal britânico “The Guardian”.

O óptimo estado de conservação dos fósseis poderá permitir identificar novas espécies de peixes e estudar melhor outras já classificadas. “A sedimentação aconteceu tão depressa que está tudo preservado em três dimensões – eles não estão esmagados”, assinala David Burnham, co-autor do estudo. Nas guelras dos peixes em melhor estado encontraram-se mesmo vestígios de esferas milimétricas de vidro (tectitos), possivelmente provenientes de uma chuva de rocha derretida.

“Estamos a analisar registos, passo a passo, de um dos momentos mais importantes da história da Terra. Em mais nenhum lugar há um registo deste tipo. Nada voltou a ser como dantes depois deste impacto. A Terra tornou-se um planeta de mamíferos em vez de um planeta de dinossauros”, resumiu Robert DePalma, que iniciou as escavações em Tanis em 2013.

msn notícias
João Pedro Barros
01/04/2019

 

1654: Eis Moros, o tiranossauro “anão” que revela que o T-rex nem sempre foi Rei

(dr) Jorge Gonzalez

O Tyrannosaurus rex é celebrizado como o “rei” dos dinossauros devido ao seu enorme porte que pode atingir os 12 metros de comprimento, contudo um novo estudo, esta semana publicado, pode pôr em causa o prestígio da sua “coroa”. 

Uma equipa de paleontólogos norte-americanos, liderados pela especialista Lindsay Zanno, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriu um fóssil de um tiranossauro com cerca de 77 quilogramas e menos de 1,5 metros de altura.

O pequeno fóssil, apelidado de Moros intrepidus, é o menor dinossauro do seu tipo. De acordo com as estimativas dos especialistas, viveu durante o período Cretáceo, entre 145 e 66 milhões de anos atrás, no território que hoje conhecemos como o Utah. Até então, este mini-tiranossauro é a espécie mais antiga já descoberta na América do Norte.

De acordo com a nova investigação, esta semana publicada na revista especializa Communicacions Biology, a descoberta desta espécie permitiu fechar uma lacuna que somava já 70 milhões de anos no registo fóssil.

Os paleontólogos precisavam de uma evidência esquelética dos tiranossauro norte-americanos de há 150 milhões de anos (período Jurássico ao qual pertencem os remanescentes dos tiranossauros e alossauros primitivos de tamanho médio) até há 81 milhões de anos (no Cretáceo, quando surgiram os maiores tiranossauros e os alossauros, por sua vez, tornaram-se extintos).

Na verdade, os tiranossauros nem sempre foram os enormes predadores que imaginamos hoje em dia. No início da sua evolução, explicaram os cientistas, estes animais eram carnívoros muito pequenos e caçavam juntamente com os alossauros, também carnívoros, mas de porte muito maior.

Os cientistas não sabem ainda como é que os tiranossauros atingiram o seu tamanho colossal, instalando-se depois no topo da cadeia alimentar – esse continua a ser o mistério. Contudo, os paleontólogos sabem agora que esta evolução não levou mais de 16 milhões de anos e que aconteceu apenas no final da era dos dinossauros.

“O que o Moros intrepidus faz por nós é ajudar-nos a entender quem, o quê, porquê, onde e quando os tiranossauros alcançaram o papel principal entre os predadores no subcontinente norte-americano”, rematou a principal autora da investigação, Lindsay Zanno, citado pela National Geographic.

ZAP //

Por ZAP
1 Março, 2019

 

1626: Afinal, um asteróide pode não ter sido o “assassino” dos dinossauros

Ntvtiko / Deviant Art

Há 66 milhões de anos, algo mudou o mundo. Cerca de 75% das espécies de plantas e animais morreram, erradicando os dinossauros. Isto marcou o fim do Cretáceo e foi o início de uma nova Era – o Cenozóico – a era dos mamíferos.

Mas não se sabe exactamente o que causou esta extinção em massa da Terra. Registos fósseis e geológicos mostram tempos turbulentos que abrangem um milhão de anos – um impacto gigante de asteróides e intensa actividade vulcânica que se espalhou pelo mundo. Mas o relacionamento entre os fenómenos e o evento de extinção ainda não é claro.

A maioria dos paleontologistas e geólogos acredita que a última extinção em massa de animais na Terra, que ocorreu há 65,5 milhões de anos, foi causada pela queda de um asteróide que formou a gigante cratera de Chicxulub, com cerca de 300 quilómetros, no fundo do mar ao largo da costa do sul do México. A queda do asteróide é inegável, mas o seu papel na extinção dos dinossauros continua a ser objeto de debate.

Em 1989, o paleontólogo Mark Richards sugeriu que a razão para o seu desaparecimento foi o derrame maciço de magma no local do actual planalto indiano de Decã, que ocorreu mais ou menos na mesma época.

Recentemente, os cientistas encontraram indícios de que as ondas sísmicas que surgiram após a colisão entre o asteróide e a Terra “acordaram” os vulcões. As suas emissões, segundo alguns geólogos, ampliaram as consequências do impacto do asteróide e mataram grande parte da fauna marinha.

Duas equipas de geólogos e geoquímicos tentaram resolver este problema calculando a idade dos depósitos vulcânicos em diferentes pontos do planalto, utilizando dois métodos de datação diferentes que detectam a presença de urânio e outros isótopos instáveis de vários elementos nas rochas. Este método torna possível determinar o tempo de erupções vulcânicas com precisão.

Os cientistas analisaram os minerais expelidos pelos vulcões através de medições e obtiveram resultados que indicaram que as erupções vulcânicas no planalto Deccan começaram aproximadamente ao mesmo tempo da queda do asteróide, de acordo com o estudo publicado na revista Science.

Por outro lado, o seu papel na extinção tornou-se agora ainda mais obscuro devido ao período de tempo em que as suas erupções atingiram o pico, bem como às diferenças nas medições dos cientistas.

Descobriu-se que a maioria dos fluxos de magma ocorreu após a queda do asteróide, representando cerca de 70% do volume total de todas as rochas. Esta descoberta põe em dúvida a teoria de Richards e sugere que os vulcões não foram os principais “assassinos” dos dinossauros, mas estiveram activamente envolvidos na destruição da flora e fauna do período Mesozoico.

As análises de datação também sugerem que os vulcões no planalto de Decã irromperam de forma episódica. Os cientistas contaram quatro grandes “surtos” de vulcanismo, um dos quais ocorreu cerca de algumas dezenas de milhares de anos antes da queda do asteróide.

Naquela época, o nível geral de actividade vulcânica duplicou, o que deveria ter tido um impacto extremamente negativo no clima do planeta, elevando a possibilidade de extinção em massa dos habitantes da Terra. Dessa forma, os vulcões teriam sido tão responsáveis pelo cataclismo como o asteróide.

Futuras escavações na Índia mostrarão qual das teorias está mais próxima da verdade e revelarão quem foi o verdadeiro assassino dos dinossauros, répteis marinhos e outros seres vivos da era mesozoica.

ZAP // Science Alert / Sputnik News

Por ZAP
23 Fevereiro, 2019

 

1400: Dinossauro desconhecido estava escondido em opalas da Austrália

CIÊNCIA

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Opalas encontradas por mineiros numa área deserta da Austrália acabaram por ser fragmentos de fóssil de uma espécie de dinossauro desconhecida até agora.

Baptizado como Weewarrasaurus pobeni, em honra do campo de opalas Wee Warra, que fica perto da pequena cidade de Lightning Ridge, onde foi encontrado, e do comprador de opalas Mike Poben, que doou os fósseis aos cientistas da Universidade da Nova Inglaterra, na Austrália. A descoberta foi publicada a 4 de Dezembro na revista PeerJ.

A criatura viveu há cerca de 100 milhões de anos no período Cretáceo, quando o que é hoje o deserto Lightning Ridge era apenas um espaço verde e exuberante.

O único fragmento de Weewarrasaurus que foi recuperado foi a mandíbula inferior, com os dentes intactos – o que tem ajudado a revelar muita coisa. Para começar, não era um grande dinossauro, tendo apenas do tamanho de um cão de porte médio.

Baseado nos dentes e na forma da mandíbula, o paleontologista Phil Bell, da Universidade da Nova Inglaterra, determinou que era uma espécie pequena de ornitópode, um grupo de herbívoros bípedes.

Lightning Ridge foi uma rica planície aluvial à beira de um gigantesco mar chamado Eromanga Sea, que se espalhou pelo continente australiano. A abundante vida pré-histórica que encheu a área ficou preservada na lama, que se tornaria, milhares de milhões de anos depois, em arenito.

Este fenómeno pode ser observado em todo o mundo. Mas, na Austrália, o que aconteceu foi diferente. Quando o Eromanga Sea começou a desaparecer há 100 milhões de anos, a acidez no arenito seco aumentou. Isto, por sua vez, libertou sílica da rocha, que se acumulou em cavidades, inclusive nos espaços presentes nos fósseis dos animais.

Quando os níveis de acidez diminuíram, a sílica endureceu ao ponto de se transformar em opalas, resultando em moldes de arco-íris brilhantes e cintilantes de restos antigos.

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Dois pedaços de osso do maxilar, posteriormente doados aos investigadores da Universidade da Nova Inglaterra, foram encontrado por Poben num saco cheio de opalas que comprou a mineiros.

Com base nos fósseis já encontrados, talvez houvesse pequenas espécies ornitópodes que prosperaram na vegetação exuberante e outras quatro espécies no estado sudeste de Victoria. Apenas uma pequena espécie foi encontrada no estado de Queensland.

Isto é muito diferente da América, onde pequenos herbívoros teriam de competir por comida com gigantes como Triceratops e Alamosaurus. Assim, fósseis como o Weewarrasaurus podem ajudar a entender melhor como a biodiversidade dos dinossauros diferem no mundo.

Bell e a equipa estão a trabalhar para descrever mais fósseis opalizados – uma tarefa complicada, uma vez que geralmente são encontrados partidos devido à acção da mineralização. Entretanto, o Weewarrasaurus recebeu uma nova casa no Australian Opal Centre, entre a sua colecção de fósseis opalizados.

ZAP // Science Alert; Sputnik

Por ZAP
9 Dezembro, 2018