3325: Cientistas apresentam o primeiro peixe que conquistou a terra firme

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Flick Ford
Tiktaalik roseae

Uma investigação sobre peixes fossilizados do final do período devoniano, há cerca de 375 milhões de anos, detalham a evolução das barbatanas quando começaram a fazer a transição para membros aptos a caminhar em terra.

O novo estudo, realizado por paleontólogos da Universidade de Chicago e publicado no mês passado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, usou a tomografia computorizada para examinar a forma e a estrutura dos raios das barbatanas enquanto ainda estão envoltos em rochas circundantes.

As ferramentas de imagem permitiram que os investigadores construíssem modelos 3D digitais das barbatanas do Tiktaalik roseae e dos seus parentes no registo fóssil pela primeira vez. Com esses modelos, os cientistas conseguiram inferir a forma como as barbatanas funcionavam e mudavam à medida que evoluíam para membros.

Grande parte dos estudos sobre barbatanas durante este estágio transitório é focada nos ossos e pedaços de cartilagem grandes e distintos que correspondem aos do braço, antebraço, punho e dedos. Conhecidos como o “endosqueleto”, os investigadores traçam a forma como os ossos mudaram para se tornarem braços, pernas e dedos reconhecíveis em tetrápodes ou criaturas de quatro patas.

Os delicados raios e espinhos das barbatanas de um peixe formam um segundo esqueleto “dérmico”, que também estava a passar por mudanças evolutivas nesse período. Estas peças são negligenciadas porque podem ser destruídas quando os animais são fossilizados ou porque são removidas intencionalmente por preparadores fósseis para revelar os ossos maiores do endosqueleto.

Os raios dérmicos formam a maior parte da superfície de muitas barbatanas de peixes, mas foram completamente perdidos nas primeiras criaturas com membros.

Segundo explicam em comunicado, Stewart e os seus colegas trabalharam com três peixes devonianos tardios com características primitivas de tetrápodes: Sauripterus taylori, Eusthenopteron foordi e Tiktaalik roseae, que foram descobertos em 2006.

Os modelos mostraram que os raios das barbatanas destes animais eram simplificados e o tamanho geral da rede de barbatanas era mais pequeno do que a dos seus antecessores. Também viram que as partes superior e inferior das barbatanas estavam a tornar-se assimétricas.

Matt Wood

Os raios das barbatanas são, na verdade formados por pares de ossos. No Eusthenopteron, por exemplo, o raio da barbatana dorsal ou superior era ligeiramente maior e mais longo do que o ventral ou inferior. Os raios dorsais do Tiktaalik eram maiores do que os raios ventrais, sugerindo que possuía músculos que se estendiam na parte inferior das suas barbatanas, como a base carnosa da palma da mão, para ajudar a suportar o seu peso.

Acreditava-se que Sauripterus e Eusthenopteron eram totalmente aquáticos e usavam as suas barbatanas peitorais para nadar, embora possam ter sido capazes de se sustentar no fundo de lagos e riachos. Tiktaalik pode ter sido capaz de suportar a maior parte do seu peso com as suas barbatanas – e talvez até as tenha usado para se aventurar fora de água para viagens curtas em águas rasas.

“Isto dá-nos mais confiança para dizer que estes padrões são reais, generalizados e importantes para os peixes, não apenas no registo fóssil em relação à transição da barbatana para o membro, mas para a função de barbatanas em geral”, concluiu Stewart.

ZAP //

Por ZAP
7 Janeiro, 2020

spacenews

 

3302: Afinal, pode nunca ter existido uma espécie de T-rex anão

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Zissoudisctrucker / Flickr
Jane, Tyrannosaurus rex exposto no Burpee Museum of Natural History,

Durante três décadas, paleontólogos de todo o mundo não conseguiram chegar a um consenso sobre esta questão: Existiu, ou não, uma espécie de tiranossauro anão?

Em 1988, o paleontólogo Robert Bakker e os seus colegas do Museu de História Natural de Cleveland, nos Estados Unidos, reclassificaram um espécime descoberto em 1942, tornando-se o primeiro exemplar de uma nova pequena espécie baptizada Nanotyrannus, escreve o Science Alert.

Então, em 2001, outra equipa de cientistas descobriu o esqueleto quase completo de um pequeno tiranossauro perto de Ekalaka, Montana, na famosa Formação Hell Creek. O animal, baptizado com o nome Jane, era um pouco maior do que um cavalo de tracção e foi classificado como um Tyrannosaurus rex jovem.

No entanto, uma minoria de especialistas continuou a insistir que pertencia à nova espécie Nanotyrannus, baseando-se na morfologia do crânio e dos ossos, que diziam ser diferente da dos T-Rex adultos.

Esta quarta-feira, num estudo publicado na revista Science Advances, investigadores liderados por Holly Woodward, da Universidade Estatal de Oklahoma, realizaram uma análise microscópica em amostras do interior dos ossos da tíbia e do fémur de Jane, bem como de outro fóssil menos completo chamado Petey.

Esta técnica, conhecida como paleohistologia, confirmou que ambos eram indivíduos imaturos, não adultos, e, por extensão, os autores do estudo consideram pouco provável a existência dos Nanotyrannus.

O tamanho das aberturas dos vasos sanguíneos revelou ainda que os dois dinossauros ainda estavam numa fase de crescimento rápido no momento da sua morte. Se fossem adultos, essa vascularização teria sido menos proeminente.

A equipa também foi capaz de contar os anéis de crescimento nos ossos de cada, da mesma forma que se pode determinar a idade de uma árvore: 13 anos para Jane e 15 para Petey.

Jane, que pesava apenas uma tonelada, morreu antes de atingir a fase de crescimento exponencialmente rápido que normalmente a levaria a um peso adulto de cerca de dez toneladas.

“Toda a gente adora os T-Rex, mas não sabemos muito sobre como cresciam. É provavelmente o dinossauro mais famoso do mundo, e na maioria das vezes só temos esqueletos realmente grandes”, conclui Woodward.

ZAP //

Por ZAP
3 Janeiro, 2020

spacenews

 

3207: Até os dinossauros tinham piolhos

CIÊNCIA

Chen Wang

Insectos ancestrais semelhantes ao piolhos modernos parasitavam os dinossauros, alimentando-se das com suas penas, como evidenciado por um novo par de fósseis em âmbar.

Por vezes, os pássaros modernos são infestados por piolhos que mastigam e se alimentam das suas penas e, como mostra uma nova investigação publicada esta semana na revista científica Nature Communications, os seus antepassados mesozóicos também tiveram um problema semelhante.

O novo estudo, liderado por Dong Ren, paleontólogo na Universidade Capital Normal, na China, descreve um insecto semelhante ao piolho, anteriormente desconhecido, chamado Mesophthirus engeli, que viveu há 100 milhões de anos, durante o período cretáceo.

Foram encontrados dez desses indivíduos em dois pedaços de âmbar birmanês – e ambos continham penas danificadas. As penas parecem ter sido mastigadas pelos insectos. Esta evidência é considerada a evidência mais antiga da mastigação de penas no registo fóssil.

O insecto apresentava uma série de características consistentes com um parasita, incluindo um “corpo minúsculo sem asas”, uma cabeça com “peças bucais fortes para mastigar”, antenas grossas e curtas com cerdas longas (estruturas semelhantes a cabelos) e “Pernas com apenas uma única garra do tarso associada a duas cerdas longas”, entre outras características.

O facto de os dinossauros terem sido atormentados por parasitas dificilmente é uma surpresa. Os dinossauros que viveram durante o Jurássico (201 a 145 milhões de anos atrás) e o Cretáceo (145 a 66 milhões de anos atrás) foram atingidos por pulgas sugadoras de sangue. Já os carrapatos parasitaram os dinossauros desde pelo menos o período Cretáceo.

A nova descoberta é diferente, uma vez que é o exemplo mais antigo de um insecto que mastiga penas. O registo anterior pertencia a Megamenopon rasnitsyni – um antigo fóssil de piolho de pássaro encontrado na Alemanha que remonta 44 milhões de anos ao período Eoceno, aproximadamente 22 milhões de anos, depois de dinossauros não aviários se terem extinguido.

A descoberta empurra o comportamento parasitário em mais 34 milhões de anos. “É muito raro e difícil encontrar estes primeiros insectos do tipo piolho em âmbar”, escreveu Chungkun Shih, co-autor do novo estudo e cientista do Museu Nacional de História Natural da Smithsonian Institution, em declarações ao Gizmodo.

De acordo com Shih, a descoberta é significativa, porque está a ajudar os paleontólogos a entender melhor o desenvolvimento evolutivo precoce das características físicas e comportamentos de alimentação das penas desses insectos.

ZAP //

Por ZAP
16 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

3194: Cinco antepassados de crocodilos viveram há 150 milhões de anos na Lourinhã

CIÊNCIA

Giovanni Toso / Flickr

Pelo menos cinco crocodilomorfos, antepassados dos crocodilos, viveram na região da Lourinhã há 150 milhões de anos, durante o período do Jurássico.

Num artigo publicado na Zoological Journal of the Linnean Society, os paleontólogos Alexandre Guillaume, Miguel Moreno-Azanza, Octávio Mateus e Eduardo Puértolas-Pascual revelam que aqueles animais coabitaram “em rios jurássicos da região” da Lourinhã, refere uma nota de imprensa divulgada na quinta-feira.

A existência de pelo menos cinco diferentes crocodilomorfos – grupo que inclui os crocodilos actuais e os antepassados mais próximos – vem enriquecer a biodiversidade de animais do Jurássico Superior já descobertos na Lourinhã e permite explorar as relações ecológicas entre todos, salientam os cientistas.

Os dentes pertencentes àqueles crocodilomorfos permitiu distinguir comportamentos alimentais diferentes.

Uns alimentavam-se de presas com concha e moles, outros de animais com conchas, como caracóis ou moluscos, e havia também outros que preferiam pequenos artrópodes, como insectos e crustáceos e, ocasionalmente, pequenos vertebrados, como mamíferos e anfíbios. O quinto crocodilomorfo, ainda indeterminado, era um predador carnívoro terrestre.

A investigação resultou de um trabalho de mais de 700 horas a peneirar centenas de quilogramas de sedimentos jurássicos, triando fósseis – alguns “são tão pequenos quanto um milímetro”.

Entre os milhares de fósseis encontrados, que integraram a colecção do Museu da Lourinhã, encontram-se dentes de crocodilomorfos. “O pequeno tamanho dos dentes encontrados sugere que os animais a que pertenciam a espécies pequenas ou eram jovens de espécies maiores”, apontam os paleontólogos, acrescentando que só a descoberta de outros restos esqueléticos destes animais poderia trazer mais certezas científicas.

Dos mais de 120 dentes descobertos e reunidos entre 2017 e 2018, os investigadores conseguiram distinguir dez morfologias diferentes de cinco animais diferentes: Atoposauridae, Goniopholididae, Bernissartiidae, Lusitanisuchus mitracostatus e um crocodilomorfo indeterminado.

Todas estes grupos taxonómicos já eram conhecidos da comunidade científica, sendo que o Lusitanisuchus mitracostatus foi identificado pela primeira vez na Mina da Guimarota, em Leiria.

O estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e por uma bolsa de investigação financiada pelo Parque dos Dinossauros da Lourinhã, é parte integrante da dissertação de mestrado de Alexandre Guillaume, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã e que agora está a iniciar o doutoramento em micro-fósseis de vertebrados.

A tese foi coordenada pelos paleontólogos Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus, da mesma universidade, juntando-se também para este artigo Eduardo Puértolas-Pascual, especialista em crocodilomorfos ibéricos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
13 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

3001: Primata com “pernas humanas” viveu há 11,6 milhões de anos na Europa

CIÊNCIA

Velizar Simeonovski

Uma equipa internacional de paleontologistas descobriu que um primata capaz de andar erecto viveu na actual Europa durante o Mioceno, segundo um novo estudo.

Trata-se de Danuvius guggenmosi, criatura que viveu na Europa há 11,6 milhões de anos e pode ser um ancestral distante dos humanos. A equipa encontrou restos fósseis dos seus membros e partes da da mandíbula e da coluna em quatro espécimes no leste de Allgóvia, na Alemanha, entre 2015 e 2018.

Os cientistas estimam que este ser tivesse até um metro de altura, pensando até 31 quilogramas, segundo detalham um novo estudo publicado na revista científica Nature. A espécie teria ainda polegares adaptados para se agarrar aos galhos e pernas semelhantes ao do ser humano contemporâneo.

De acordo com os cientistas, este primata andava sobre as duas patas quando estava a subir para as árvores e usava os seus braços longos para manter o equilíbrio e não para erguer o seu corpo, ao contrário do que fazem os macacos actualmente.

“A imagem emergente de sua locomoção é diferente de qualquer criatura viva conhecida”, disse a autora principal do artigo, Madelaine Bohme, cientista da Universidade de Tübingen, na Alemanha, em declarações ao portal Gizmodo.

Até agora, o hominídeo bípede mais antigo conhecido era o Ardipithecus ramidus, que habitou África há 4,4 milhões de anos.

Se a descoberta agora anunciada for aceite entre a comunidade científica, mudará significativamente tudo o que se sabe sobre a origem desta adaptação entre os primatas.

“O que define os hominídeos se não for o bipedalismo usual? O nosso artigo pode criar um dilema para a definição de hominídeos“, rematou a cientista.

ZAP //

Por ZAP
9 Novembro, 2019

[post-vídeos]

 

2961: Couraça dos crocodilos é diferente da dos seus antepassados

CIÊNCIA

b00nj / Flickr

Um antepassado dos crocodilos encontrado na Lourinhã permitiu aos cientistas concluírem que há 150 milhões de anos a couraça daqueles répteis primitivos era diferente da actual.

O estudo dos paleontólogos Octávio Mateus e Eduardo Puértolas Pascoal foi publicado na revista Zoological Journal of the Linnean Society, e conclui que há 150 milhões de anos a couraça dos crocodilos era diferente da actual.

Os fósseis de crocodilomorfos (grupo primitivo do qual derivaram os crocodilos) “até agora descobertos estão muito pouco preservados e articulados”, explicaram à Lusa os paleontólogos do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa.

Pelo contrário, o exemplar encontrado em 1999 na praia da Peralta, no concelho da Lourinhã, doado ao Museu da Lourinhã em 2014 e agora estudado, “é um caso raro em posição de vida com boa parte do dorso preservado”.

Parte do esqueleto do animal encontra-se “na conexão anatómica de um crocodilomorfo, composto por osteodermes [ossos da pele], vértebras, costelas e alguns ossos dos membros posteriores”, descreveram na nota de imprensa divulgada. O material fóssil foi sujeito a uma micro Tomografia Axial Computorizada (TAC) nos laboratórios do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana, em Espanha.

A técnica permitiu “recriar modelos em três dimensões” do animal e concluir que “a presença de vértebras anficélicas, típicas na maioria dos crocodilomorfos primitivos, a morfologia peculiar da sua armadura dérmica (formada por duas fileiras de osteodermes dorsais que se articulam através dum espinho lateral) e a presença de osteodermes ventrais poligonais indicam que, muito provavelmente” se trata de um Goniopholididae, da mesma família dos crocodilomorfos.

Os Goniopholididae são um grupo extinto de crocodilomorfos que viveram na Europa, Ásia e América do Norte, durante os períodos Jurássico e Cretácico, mas cuja linhagem se separou dos jacarés, crocodilos e gaviais durante o Jurássico, apresentando diferenças anatómicas.

Uma dessas diferenças é a sua armadura dérmica, que é formada por osteodermes, que, actuando como um todo, lhe conferem estabilidade durante a locomoção.

Por isso, mais do que protecção e absorção do calor, há 150 milhões de anos a couraça destes répteis tinha também uma função locomotora, que se perdeu depois do Jurássico Superior até aos actuais crocodilos.

Enquanto os crocodilomorfos atingiriam cinco metros de comprimento, em vida este animal teria “menos de um metro”, o que leva os paleontólogos a equacionar que poderia ser um anão, um juvenil ou uma nova espécie, conclusões a que vão conseguir chegar ao determinarem a idade deste exemplar.

O animal foi descoberto numa das jazidas do Jurássico Superior, com 150 milhões de anos, da Lourinhã, conhecidas a nível mundial pelos fósseis de dinossauro e uma das mais ricas regiões do mundo em achados paleontológicos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
4 Novembro, 2019

 

2811: Encontrado fóssil de tubarão parecido com uma enguia de há 350 milhões de anos

CIÊNCIA

© Citron / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia
O tubarão Phoebodus podia ser parecido com o tubarão-cobra dos dias de hoje (apresentado nesta imagem)

Um membro de um grupo indígena encontrou na Anti-Atlas, cordilheira montanhosa de Marrocos, um esqueleto quase completo e muito bem preservado do tubarão Phoebodus.

De acordo com o Live Science, os paleontólogos tiveram recentemente uma visão rara de um animal que existiu há 350 milhões de anos, através do primeiro esqueleto quase completo de um tubarão que pertencia ao género Phoebodus.

Os tubarões Phoebodus, que tinham cerca de 1,2 metros de comprimento, viveram muito antes dos dinossauros e do tubarão gigante Megalodon. Porém, antes deste estudo, agora publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, os cientistas não sabiam muito sobre como era esta espécie. Aliás, a única prova de que estes tubarões existiram mesmo tinham sido dentes com três cúspides encontrados anteriormente.

Entretanto, um membro dos Berberes, um grupo indígena do norte da África, encontrou pela primeira vez um fóssil quase completo desta espécie na Anti-Atlas, uma cordilheira montanhosa no sudoeste de Marrocos, tendo-o feito chegar a Christian Klug, paleobiólogo da Universidade de Zurique, na Suíça, e um dos autores do estudo.

Klug imediatamente percebeu que o espécime não era de “um peixe normal”, explica a autora principal da pesquisa, Linda Frey, acrescentando que foram descobertos este esqueleto e outros crânios na região sul das montanhas, numa camada de sedimentos de 360 a 370 milhões de anos que já foi uma bacia marinha.

O fóssil do esqueleto quase completo do tubarão Phoebodus

“Os fósseis estão muito bem preservados. Ficámos muito felizes com a descoberta”, declarou Frey ao mesmo site, explicando que todos estavam muito bem preservados porque estavam em condições com baixos níveis de oxigénio, onde os organismos em decomposição não podiam separá-los.

Uma análise aos fósseis mostrou que este tubarão tinha um corpo semelhante ao de uma enguia e um focinho longo, parecendo-se com o tubarão-cobra moderno — Chlamydoselachus anguineus —, embora os dois não estejam relacionados, afirma Frey.

Além disso, a anatomia da mandíbula do Phoebodus e a forma dos dentes com três cúspides sugerem que a criatura tinha uma estratégia de alimentação semelhante ao dos Lepisosteiformes, uma família de peixes de água doce com mandíbulas compridas. Estes animais “basicamente capturam as suas presas num movimento rápido“, e também podia ser assim que os tubarões Phoebodus se alimentavam, explica a investigadora.

As perguntas sobre o Phoebodus continuam a existir e não podem ser respondidas apenas com este esqueleto, uma vez que lhe falta uma barbatana caudal que lhes diria mais sobre como o animal se movia.

ZAP //

Por ZAP
10 Outubro, 2019

 

2757: T. Rex podia esmagar um carro nas suas mandíbulas (sem danificar o próprio crânio)

CIÊNCIA

David Monniaux / wikimedia
Fóssil de Tyranossaurus Rex

Investigadores descobriram que o rei dos dinossauros tinha um crânio rígido, como os dos crocodilos e das hienas modernos.

Entre todos os animais, extintos ou não, não há dúvida de que o Tyrannosaurus rex tinha a mordida mais forte de sempre. O rei dos dinossauros era capaz de morder ossos sólidos, mas os paleontólogos estavam há muito desconcertados com a forma como o conseguiam fazer (sem partir o próprio crânio).

De acordo com o Business Insider, uma equipa de investigadores descobriu que este dinossauro tinha um crânio rígido, como os dos crocodilos e das hienas modernos, em vez de um crânio flexível, como pássaros e répteis. Essa rigidez permitiu ao T. rex morder as suas infelizes presas com uma força superior a sete toneladas.

“As forças mais altas no T. rex que conseguimos estimar foram de 64 mil newtons, o que representa cerca de 7,1 toneladas de força”, disse Ian Cost, autor principal do estudo publicado na revista científica The Anatomical Record.

Em termos de comparação, os crocodilos de-água-salgada dos dias de hoje, que detêm o maior recorde de mastigação de qualquer animal vivo, têm uma força de 16.460 newtons, ou seja, apenas 25% da força de um T. rex.

Anteriormente, os cientistas haviam sugerido que o crânio do T. rex — com cerca de 1,8 metros de comprimento e 1,2 metros de altura — possuía articulações flexíveis, uma característica chamada cinesia craniana.

Porém, Cost afirma que esta teoria não se enquadrava com aquilo que os cientistas observavam nos predadores modernos, como os crocodilos, que têm pouca ou nenhuma cinesia craniana.

cheungchungtat / Deviant Art

Por isso, a equipa modelou como os crânios e as mandíbulas de papagaios e lagartixas funcionavam — dois animais com crânios móveis —, tendo aplicado depois esses movimentos a um crânio de T. rex. “O que descobrimos foi que o crânio do T. rex, na verdade, não reage bem ao movimento e prefere não se mover”, disse Cost.

De acordo com Casey Holliday, co-autor do estudo, há uma troca entre movimento e estabilidade quando uma criatura morde com muita força. Os pássaros e os lagartos, por exemplo, têm mais movimento mas menos estabilidade. Menos estabilidade à mordida e amplitude de movimento limitam a quantidade de força de mordida que um animal pode conseguir.

Mark Norell, curador do Museu Americano de História Natural, descreveu o T. rex como “um caçador de cabeças”, já que o predador tinha a rara capacidade de morder ossos sólidos e digeri-los.

Segundo Cost, um crânio rígido fez com que o T. rex pudesse morder ossos e, assim, ser  “capaz de produzir força suficiente para esmagar alguns carros, mas talvez não todos”.

O cientista acrescenta que aplicar 7,1 toneladas de força da mordida do T. rex “através de um dente ou dois no impacto resulta em incríveis libras por polegada quadrada (psi) de pressão que podem perfurar muitos veículos, incluindo os pneus Jeep”.

Cost afirma que os resultados do seu estudo, que indicam que o crânio do T. rex manipulava presas de forma semelhante à de uma hiena, pode lançar novas luzes sobre este debate. “As hienas são caçadoras e necrófagas. Acho que o T. rex era um caçador e um necrófago oportunista”, conclui.

ZAP //

Por ZAP
3 Outubro, 2019

 

2664: Dragões de Komodo têm uma “armadura” debaixo da pele

CIÊNCIA

zoofanatic / Flickr

Um novo estudo mostra que debaixo da sua pele escamosa, os dragões de Komodo estão quase todos cobertos por uma armadura de pequenos ossos.

Os dragões de Komodo (Varanus komodoensis) são conhecidos por serem fortes, rápidos e perigosos. Mas agora, de acordo com o Science Alert, uma nova investigação descobriu que têm outra característica especial: sob a pele escamosa, estes animais estão cobertos por uma armadura de pequenos ossos semelhante a uma cota de malha.

Investigadores da Universidade do Texas e do Fort Worth Zoo, nos Estados Unidos, fizeram tomografias computorizadas a dois dragões já falecidos (um adulto e um jovem). A equipa descobriu que o animal mais velho estava completamente blindado, mas o mais novo não apresentava nada do género. A descoberta sugere que os osteodermos, como estes pequenos ossos são chamados, não se desenvolvem até à idade adulta.

“Os dragões de Komodo jovens passam bastante tempo nas árvores e, quando são grandes o suficiente para sair delas, é quando podem começar a entrar em conflito com dragões da sua espécie. Esse seria o momento em que uma armadura extra dava jeito”, explica num comunicado o paleontólogo Christopher Bell, da Universidade de Texas.

Os osteodermos não são uma nova descoberta e, na verdade, podem ser encontrados noutros répteis e anfíbios. No entanto, como a pele dos dragões de Komodo é geralmente removida para outros estudos científicos, e como estas placas ósseas ficam dentro da pele, acabaram por nunca serem bem estudadas ou compreendidas.

(dr) University of Texas / Jackson School of Geosciences
A “armadura” do dragão de Komodo

No caso do dragão adulto, os cientistas analisaram apenas a cabeça (uma vez que o seu corpo era tão grande que não cabia na máquina), mas foi suficiente para revelar detalhes fascinantes sobre esta armadura.

A cabeça do animal estava quase toda envolvida nesta malha de ossos minúsculos, com quatro formas distintas, e completamente diferente das outras espécies de lagartos analisados para comparação.

Os outros lagartos parecem ter uma dispersão muito mais esparsa dos ossos, às vezes com áreas onde estão completamente ausentes e com apenas uma ou duas formas ósseas. No caso da cabeça do dragão de Komodo, esta estava quase totalmente tapada (só os olhos, narinas, borda da boca e olho parietal estavam destapados).

“Ficámos impressionados quando vimos isto. A maioria dos lagartos Varanus possui apenas osteodermos vermiformes (em forma de verme), mas o dragão de Komodo tem quatro morfologias muito distintas, o que é muito incomum entre os lagartos”, disse a paleontóloga Jessica Maisano, da Universidade do Texas.

Agora, os cientistas, cujo estudo foi publicado na revista The Anatomical Record, querem estudar mais dragões de Komodo com diferentes idades para lançar mais algumas luzes sobre esta misteriosa armadura.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2571: Descoberta uma espécie idêntica ao “esquilo” da Idade do Gelo

CIÊNCIA

(dr) Jorge A. González
Ilustração do Pseudotherium argentinus

A criatura pré-histórica é tão parecida com Scrat, personagem do filme de animação “A Idade do Gelo”, que o paleontólogo responsável pela sua descoberta pensou baptizar a espécie com o seu nome.

Segundo o IFLScience, o Pseudotherium argentinus foi descoberto no Parque Provincial de Ischigualasto, San Juan, no noroeste da Argentina, com base num crânio adulto de 6,9 centímetros que sugere que este animal tinha 25 centímetros de comprimento.

Esta criatura pré-histórica foi classificada de mammaliamorph — um grupo de parentes próximos dos mamíferos — e viveu há 231 milhões de anos, durante o Triássico Superior, quando os dinossauros ainda estavam no seu auge.

De acordo com o estudo publicado em Agosto na revista científica PLOS One, o Pseudotherium pode estar intimamente relacionado a um ancestral dos mamíferos, mas faltam as distintas regiões cerebrais expandidas que separam os mamíferos dos nossos predecessores.

O facto curioso é que este animal mostra grandes semelhanças com Scrat, uma das personagens do filme de animação “A Idade do Gelo”. “A espécie tem um focinho muito longo, plano e raso e as suas presas muito longas localizadas quase na ponta do focinho, por isso as parecenças são tremendas”, disse o paleontólogo Ricardo Martinez, da Universidade Nacional de San Juan, à Agência CTyS, acrescentando que até considerou nomear a espécie tendo em conta a personagem.

Esta não é a primeira criatura que os cientistas descobrem que se parece com Scrat. O Cronopio dentiacutus era um verdadeiro mamífero — com o tamanho e forma semelhantes ao Pseudotherium — que viveu há 95 milhões de anos, durante o Cretáceo, e cuja descoberta em 2011 também se seguiu aos filmes.

Com apenas um espécime para analisar, os investigadores não sabem ainda muitas coisas sobre o estilo de vida deste animal ou porque é que precisava de dentes tão ameaçadores. É provável que tivesse uma dieta à base de insectos ou animais menores, sendo que os dentes-de-sabre poderiam ter sido usados para apanhar presas, mas também para lutar por territórios ou companheiros, sobretudo se o espécime encontrado fosse macho.

ZAP //

Por ZAP
4 Setembro, 2019

 

2384: Paleontólogos descobrem estranhos micróbios em fósseis de dinossauro

CIÊNCIA

Peter Trusler / University of Queensland
Imagem ilustrativa

Uma equipa de paleontólogos procurou preservar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um dinossauro. Mas os cientistas não encontraram as proteínas: em vez disso, encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos.

Para as preservar, uma equipa internacional de paleontólogos decidiu procurar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um Centrosaurus, mas sem sucesso. Em vez disso, os cientistas encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos a viver dentro dos ossos do dinossauro. O artigo científico foi publicado em Junho na eLife.

“É a primeira vez que descobrimos esta comunidade microbiana única nestes ossos fósseis enterrados no subsolo”, disse o principal autor do estudo, Evan Saitta, investigador do Field Museum of Natural History, citado pelo Sci-News.

Durante o processo de fossilização, os tecidos biológicos degradam-se ao longo de milhões de anos. Ainda assim, os cientistas encontraram vestígios de material biológico dentro de alguns fósseis.

Enquanto que alguns cientistas acreditam que estes podem ser os restos de antigas proteínas, vasos sanguíneos e células, tradicionalmente considerados como estando entre os componentes menos estáveis do osso, outros investigadores estão convencidos de que têm fontes mais recentes.

(dr) Evan Saitta / Field Museum of Natural History
Micróbios modernos a fluorescente

Para investigar a origem do material biológico em ossos de dinossauros, Saitta e a sua equipa realizaram várias análises nos ossos fossilizados, com cerca de 75 milhões de anos, do Centrosaurus. Os ossos foram cuidadosamente escavados de forma a reduzir a contaminação.

Depois, os cientistas compararam a composição bioquímica dos fósseis com os modernos ossos de galinha, os sedimentos do local dos fósseis em Alberta, no Canadá, e os antigos dentes de tubarão, chegando assim à conclusão que os fósseis de Centrosaurus não pareciam conter as proteínas de colagénio presentes nos ossos novos ou nos dentes de tubarão muito mais jovens.

Mas vemos muitas evidências de micróbios recentes. Há claramente algo orgânico nestes ossos”, disse o cientista, adiantando ter encontrado carbono orgânico morto sem radio-carbono, aminoácidos recentes e ADN no osso – descobertas indicativas de que o osso hospeda uma comunidade microbiana moderna.

Surpreendentemente, os micróbios encontrados nos ossos não são as mesmas bactérias que vivem na rocha ao seu redor. “É uma comunidade muito incomum. Cerca de 30% das sequências estão relacionadas a Euzebya“, disse Saitta.

“Não sabemos ao certo por que estes micróbios em particular estão a viver nos ossos dos dinossauros, mas não estamos chocados com o facto de as bactérias serem atraídas pelos fósseis”, explicou ainda.

Os ossos fósseis contêm fósforo e ferro, “e os micróbios precisam deles como nutrientes”. Além disso, os ossos são porosos “Se fosse uma bactéria a viver no chão, provavelmente iria querer viver num osso de dinossauro”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
28 Julho, 2019

[vasaioqrcode]

 

2361: Ninhos descobertos na Mongólia mostram que os dinossauros protegiam os seus ovos

CIÊNCIA

(dr) Masato Hattori

Ninhos de dinossauro descobertos no Deserto de Gobi, na Mongólia, mostram que estes animais pré-históricos faziam ninhos em grupo e, tal como os pássaros, protegiam os seus ovos.

De acordo com a revista Nature, uma equipa de investigadores descobriu fósseis de um grupo de 15 ninhos com mais de 50 ovos, com cerca de 80 milhões de anos, no Deserto de Gobi, na Mongólia.

“Os dinossauros costumam ser retratados como criaturas solitárias que faziam os seus ninhos sozinhas, enterrando os ovos e depois indo embora. Agora conseguimos mostrar que alguns dinossauros eram muito mais gregários. Uniam-se e estabeleciam uma colónia que provavelmente os protegia”, explica François Therrien, paleontólogo do Museu Real Tyrrell de Paleontologia, no Canadá.

A descoberta, publicada no início deste mês na revista científica Geology, fornece a mais clara evidência até ao momento que os complexos comportamentos reprodutivos dos dinossauros, como os ninhos em grupo, evoluíram antes das aves modernas se terem separado deles há 66 milhões de anos.

Desde os anos 80 que os paleontólogos desenterram ovos fossilizados ou ninhos que estão agrupados. Mas a rocha circundante geralmente representa vários milhares de anos ou mais, tornando difícil para os investigadores saber se os ovos foram colocados ao mesmo tempo, ou apenas no mesmo lugar, explica Darla Zelenitsky, paleontóloga da Universidade de Calgary, no Canadá, e co-autora do estudo.

Mas este grupo de ninhos agora descoberto é diferente. A formação de 286 metros quadrados contém camadas vivas de cor laranja e cinzenta. Entre estas, encontra-se uma risca fina de rocha vermelha brilhante que conecta todos os 15 ninhos relativamente intactos. Alguns dos ovos esféricos, com cerca de dez a 15 centímetros de diâmetro, haviam eclodido e estavam parcialmente preenchidos com a rocha vermelha.

Uma vez que a tal risca vermelha liga todos os ovos, a descoberta sugere que os dinossauros os tenham colocado juntos, durante a mesma época de reprodução, provavelmente com o objectivo de os proteger de predadores e outras ameaças. “Geologicamente, acho que não poderíamos ter pedido um sítio melhor”, diz Zelenitsky.

A paleontóloga e os colegas também foram capazes de identificar o tipo de dinossauro que colocou lá os ovos. Graças às suas texturas exteriores e interiores, bem como a espessura da casca, os investigadores sugerem que se trata de um terópode não aviário, grupo que inclui o velociraptor e o tiranossauro.

Os investigadores ainda conseguiram estimar que pouco mais mais de metade dos ninhos teve pelo menos um ovo chocado. Essa taxa de sucesso relativamente alta é parecida com a de aves e crocodilos modernos que protegem os seus ninhos, comparativamente com as espécies que os abandonam.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
23 Julho, 2019

[vasaioqrcode]

 

2341: Afinal, Gibraltar não foi o último refúgio dos neandertais

CIÊNCIA

Kojotisko / Flickr

A primeira extracção de ADN antigo dos célebres restos mortais neandertais de Gibraltar revelou que este local não se trata do último refúgio desta espécie humana antes da sua extinção.

O novo estudo, liderado pelo Museu de História Natural e pelo Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, confirmou o sexo dos crânios e, no caso do fóssil descoberto na pedreira de Forbes, ligou-o aos neandertais além de Gibraltar.

Os fósseis de Neandertal de Gibraltar estão entre os achados mais destacados da paleontologia. Os fósseis são alguns dos mais históricos do seu tipo, uma vez que foram descobertos na pedreira de Forbes em 1848 e na Torre do Diabo em 1926.

Os autores do novo estudo, publicado a 15 de Julho na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, usaram um método de preparação de ADN que reduz a poluição moderna antes de sequenciamento para isolar o componente neandertal do ADN.

Chris Stringer, do Museu de História Natural, disse, em comunicado, que “as análises confirmaram que o menino da Torre do Diabo era um homem e o adulto da pedreira de Forbes era uma fêmea e geneticamente mais semelhante aos neandertais anteriores (60 mil a 120 mil anos) na Europa e na Ásia Ocidental do que aos neandertais mais jovens da Espanha”.

Embora Gibraltar seja considerado um dos últimos refúgios para os neandertais antes de sua extinção, de acordo com a Europa Press, parece que os restos encontrados na pedreira de Forbes não seriam de um Neandertal jovem.

Para investigar a conservação do ADN nos restos neandertais, Lukas Bokelmann e os seus colegas analisaram 20 miligramas de pó de osso de pedra da amostra da pedreira de Forbes e 36 miligramas da amostra da Torre do Diabo.

“É um momento emocionante para trabalhar no campo do ADN antigo. As melhorias metodológicas, como mostrado neste estudo, permitem trabalhar com um material realmente desafiador. O ADN antigo é sempre complicado, mas como estas amostras eram antigas e estavam num clima quente, foram especialmente difíceis de trabalhar, contou Selina Brace, co-autora do artigo do Museu de História Natural.

Os resultados mostram que agora é possível analisar o ADN em fósseis altamente contaminados por climas relativamente quentes, prometendo a recuperação de ADN comparativamente antigo de regiões como o norte da África, o Médio Oriente e a China.

ZAP //

Por ZAP
20 Julho, 2019

[vasaioqrcode]

 

2226: O T-Rex tem dois novos primos tailandeses

PALEONTOLOGIA

Universidade de Bonn

Duas novas espécies de dinossauros, que eram predadores eficientes e parentes distantes do Tiranossauro-Rex, foram identificadas em restos fósseis encontrados há 30 anos na Tailândia, revelou a Universidade de Bonn, na Alemanha.

Há três décadas, o Museu de Sirindhorn, no sul da Tailândia, recebeu ossos fossilizados de dinossauros que nunca foram analisados em detalhe. “Há cinco anos encontrei estas descobertas durante a minha pesquisa, explicou Adun Samathi, paleontólogo tailandês que está a fazer o seu doutoramento no Instituto Steinmann de Geologia, Mineração e Paleontologia da Universidade de Bonn.

Depois de “tropeçar” no achado, o investigador levou alguns moldes dos fósseis para serem analisados juntamente com o seu orientador, o professor Martin Sander, recorrendo a tecnologias mais avançadas.

Os resultados da investigação mostram uma nova visão sobre a história dos megaraptors, um grupo de dinossauros de grandes dimensões, que inclui, por exemplo, o T-Rex e que agora tem duas novas espécies conhecidas.

À semelhança do “primo” T-Rex, as novas espécies também corriam sobre as suas patas traseiras. Em sentido oposto, estes familiares tinham braços fortes dotados com grandes garras. Além disso, tinham também cabeças mais delicadas e um focinho largo.

“Conseguimos atribuir os ossos [fossilizados] a um novo megaraptor, que chamamos de Phuwiangvenator yaemniyomi“, revelou Samathi, citado em comunicado.

O nome escolhido, recorda, por um lado, refere-se a Phuwiang, uma área no noroeste da Tailândia, e, por outro lado, tem também a referência ao cientista responsável pela descoberta do primeiro fóssil de dinossauro tailandês.

O investigador revelou ainda mais alguns detalhes sobre o Phuwiangvenator yaemniyomi: era, provavelmente, um corredor rápido com cerca de seis metros de comprimento, ou seja, menor do que o T-Rex (12 metros.)

Quanto à segunda nova espécie descoberta, o estudante afirma que há menos informação. Os ossos identificados também pertencem a um megaraptor, que era um pouco mais pequeno, medindo cerca de 4,5 metros.

O material analisado não foi suficiente para precisar a sua ascendência com exactidão, mas os cientistas acreditam que este seja um outro primo do T-Rex, tendo-lhe atribuído o nome de Vayuraptor nongbualamphuenisis.

“Talvez a situação [das duas novas espécies] possa ser comparada à [situação] dos grandes felinos africanos”, explica Samathi. “Se Phuwiangvenator fosse um leão, Vayuraptor seria um chita”, rematou o estudante.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Acta Palaeontologica Polonica.

ZAP //

Por ZAP
24 Junho, 2019

[vasaioqrcode]

2187: Os humanos podem ter sido destinados a reinar sobre a Terra (e já sabemos porquê)

CIÊNCIA

Viktor M. Vasnetsov / Wikimedia

Se voltássemos atrás no tempo, a aleatoriedade dos eventos mudaria completamente o nosso caminho evolucionário. No entanto, os cientistas descobriram que os inúmeros trilhos possíveis poderiam não evitar que fossem os humanos a espécie dominadora.

O que aconteceria se voltássemos a um ponto aleatória na nossa história evolutiva e recomeçássemos o relógio do tempo? O paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould propôs este pensamento no final dos anos 80 e, ainda hoje, cativa a imaginação dos biólogos evolucionistas.

Gould calculou que, se o tempo fosse rebobinado, a evolução levaria o rumo da vida por um caminho completamente diferente e os humanos nunca voltariam a evoluir da mesma forma. De facto, o cientista considerou que a evolução da humanidade era tão rara que poderíamos repetir a história um milhão de vezes e não veríamos nada parecido com o Homo Sapiens.

Os eventos do acaso desempenham um papel enorme na evolução. Isto inclui extinções em massa gigantescas, como impactos de asteróides cataclísmicos e erupções vulcânicas. Mas os eventos aleatórios também operam na escala molecular. A mutação genética, que forma a base da adaptação evolucionária, depende de eventos fortuitos.

Simplificando, a evolução é o produto da mutação aleatória. Algumas mutações raras podem melhorar a hipótese de sobrevivência de um organismo em determinados ambientes em detrimento de outros. Esta aleatoriedade inerente sugere que diferentes formas de vida se originariam caso rebobinássemos o rolo da vida.

Óbvio que na realidade, é impossível rebobinar o relógio desta maneira. No entanto, os biólogos evolucionistas experimentais têm os meios para testar algumas das teorias de Gould numa micro-escala com bactérias. Os resultados foram divulgados num estudo publicado no ano passado na revista Science.

Os microrganismos dividem-se e evoluem muito rapidamente. Podemos, portanto, congelar milhões de células idênticas no tempo e armazená-las indefinidamente. Isso permite obter um subconjunto dessas células, desafiá-las a crescer em novos ambientes e monitorizar as alterações adaptativas em tempo real. Podemos ir do “presente” para o “futuro” e vice-versa quantas vezes quisermos.

Evidências do destino evolutivo

Muitos estudos de evolução bacteriana descobriram que a evolução segue caminhos muito previsíveis a curto prazo, com os mesmos traços e soluções genéticas frequentemente realizadas. Todas as populações em evolução nesta experiência mostram maior aptidão, crescimento mais rápido e células maiores do que as ancestrais. Isto sugere que os organismos têm algumas restrições sobre como podem evoluir.

Existem forças que mantêm os organismos em evolução numa linha recta e estreita. A selecção natural é o guia da evolução, reinando no caos de mutações aleatórias e estimulando mutações benéficas. Isto significa que muitas mudanças genéticas irão desaparecer ao longo do tempo, com apenas as melhores a resistirem.

Encontramos evidências disso na história da evolução, onde espécies que não estão intimamente relacionadas, mas compartilham ambientes semelhantes, desenvolvem um traço semelhante.

Por exemplo, Pterossauros e pássaros extintos evoluíram tanto nas asas quanto num bico distinto, mas não de a mesma espécie ancestral. Essencialmente, asas e bicos evoluíram duas vezes, em paralelo, devido a pressões evolutivas.

Mas a arquitectura genética também é importante. Certas localizações no genoma contribuirão para a evolução com maior frequência, ou com um efeito maior, do que outras — influenciando os resultados evolutivos.

Leis da Física

Mas e as leis da Física subjacentes — favorecem a evolução previsível? Em escalas muito grandes, parece que sim. Sabemos de muitas leis do nosso universo são certas, como por exemplo a gravidade e as teorias de Isaac Newton. Estas descrevem o universo como perfeitamente previsível.

Se a visão de Newton permanecesse perfeitamente verdadeira, a evolução dos humanos seria inevitável. No entanto, essa previsibilidade reconfortante foi abalada pela descoberta do mundo contraditório, mas fantástico, da mecânica quântica no século XX. Em escalas menores de átomos e partículas, a verdadeira aleatoriedade está em jogo — o que significa que o nosso mundo é imprevisível no mais fundamental nível.

Isto significa que as “regras” para a evolução permaneceriam as mesmas, não importando quantas vezes nós rebobinássemos a cassete. Por exemplo, haveria sempre uma vantagem evolutiva para os organismos que absorvem a energia solar. Mas, em última análise, a aleatoriedade, que é incorporada em muitos processos evolutivos, retira a nossa capacidade de “prever o futuro” com total certeza.

Há um problema na astronomia que funciona como uma analogia apropriada. Em 1700, um instituto matemático ofereceu um prémio para resolver “o problema dos três corpos“, que consiste em descrever precisamente a relação gravitacional e órbitas resultantes do Sol, da Terra e da Lua.

O vencedor, Joseph-Louis Lagrange, essencialmente provou que o problema não poderia ser resolvido exactamente. Assim como o caos introduzido por mutações aleatórias, um pequeno erro inicial inevitavelmente surgiria, o que significa que não se poderia determinar com exactidão onde os três corpos acabariam no futuro. Mas como o parceiro dominante, o Sol dita as órbitas de todos os três — permitindo-nos reduzir as possíveis posições dos corpos dentro de um alcance.

Isso é muito semelhante à evolução. Podemos não estar totalmente certos de onde os humanos estariam se rebobinássemos o tempo, mas os caminhos disponíveis para os organismos em evolução estão longe de ser ilimitados.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
17 Junho, 2019

[vasaioqrcode]

2002: Revelada nova espécie de dinossauro saurópode na Lourinhã

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Paleontólogos portugueses e espanhóis descreveram uma nova espécie de dinossauro herbívoro saurópode, cujos fósseis foram recolhidos há mais de 20 anos numa praia da Lourinhã, num artigo científico publicado num boletim especializado.

O Oceanotitan dantasi é descrito como sendo um novo género e uma nova espécie de dinossauro saurópode no artigo “Um novo saurópode macronário do Jurássico Superior de Portugal”, publicado na quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Um dos autores, Pedro Mocho, do Instituto Don Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, disse à Lusa que, enquanto outros saurópodes já conhecidos atingem grandes dimensões, este animal chamou a atenção dos investigadores “pelo seu tamanho mediano”.

As características morfológicas encontradas neste herbívoro “colocava-o fora dos grupos do Jurássico Superior e assemelhava-o a formas do Cretáceo”, explicou. Esta espécie vem contribuir para a enorme diversidade de dinossauros saurópodes encontrados em Portugal com 150 a 145 milhões de anos, pertencentes ao período do Jurássico Superior.

Os autores do estudo escolheram o nome Oceanotitan dantasi, em alusão à costa atlântica, onde foram encontrados os fósseis, à música “oceania” da cantora islandesa Björk e ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90 do século XX e então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.

O estudo em que é descrita a nova espécie é também subscrito pelos espanhóis Rafael Royo-Torres, investigador do Museu Aragonês de Paleontologia, e Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

Os achados deste dinossauro agora estudado foram feitos em 1996 nas arribas da praia de Valmitão, concelho da Lourinhã, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar fósseis de dinossauro e outros animais nas arribas.

Durante mais de 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expo-los num futuro museu. A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Maio, 2019



[vasaioqrcode]

 

1905: Impressão de pele de dinossauro encontrada perfeitamente preservada. É única no mundo

CIÊNCIA

philjrenaud / Flickr

Várias pegadas de dinossauro com uma precisão sem precedentes foram identificadas por uma equipa de cientistas numa camada de uma rocha extraída na cidade de Jinju, na Coreia do Sul. 

No total são cinco impressões, quatro das quais foram atribuídas com certeza a um mesmo animal bípede que atravessou a lama húmida daquela região há milhões de anos. A equipa de geólogos internacionais considerou que o autor das pegadas foi um dinossauro nomeado como Minisauripus, que terá sido o menor terópode até então conhecido.

Em comunicado, Martin Lockley, professor da Universidade do Colorado em Denver, nos Estados Unidos, explicou que estas são as primeiras amostras já encontradas “onde as impressões perfeitas da pele cobrem toda a superfície de cada pegada”. As impressões representam a “maior resolução de detalhes já registada para qualquer impressão de pele de dinossauro”, observaram os cientistas.

“As pegadas formaram-se numa camada muito subtil de lama fina“, sustentou o especialista norte-americano, comparando estas impressões a  “uma camada de tinta fresca de apenas um milímetro de espessura. Quando o pequeno dinossauro – com o tamanho de um melro – pisou aquela superfície firme e pegajosa, sem escorregar, a textura da pele da planta do seu pé ficou registada em detalhe, completou.

As impressões foram descobertas durante uma escavação de grande escala liderada pelo cientista coreano Kyung Soo Kim, responsável pela prospecção paleontológica da local. Mias tarde, juntou-se à equipa de investigação. Soo Kim viu a primeira marca numa pedra partida e parou de imediato os trabalhos até recuperar todas as impressões.

Gizmodo @Gizmodo

Intricate skin impressions still visible on ‘exquisitely preserved’ dinosaur footprints http://gizmo.do/hXVrfF1 

1839: Tem 430 milhões de anos e 45 tentáculos blindados. Eis Cthulhu, o “Monstro do Mar”

CIÊNCIA

Elissa Martin/Yale Peabody Museum of Natural History

Uma equipa de paleontólogos dos Estados Unidos e do Reino Unido descobriu os restos bem preservados de uma antiga criatura marinha, um parente dos invertebrados conhecidos como pepinos do mar. 

O corpo do “monstro marinho” media três centímetros e estava completamente coberto de placas ósseas. A criatura antiga era dotada de 45 tentáculos blindados, que eram provavelmente utilizados para capturar comida e para se esgueirar pelo fundo do mar.

A equipa, que publicou esta semana os resultados da investigação na revista cientifica Proceedings of the Royal Society B, baptizou o pequeno ser de Sollasina cthulhu, em homenagem a uma das mais conhecidas criatura fantásticas das histórias de terror de H. P. Lovecraft.

Ao contrário da entidade cósmica que protagoniza “The Call of Cthulhu”, a criatura agora encontrada é minúscula. Contudo, notam os cientistas, com os muitos “pés tubulares” estendidos em todas as direcções, a criatura pareceria muito maior.

Mesmo com um tamanho tão pequeno, não deixava de inspirar “pesadelos”: os seus tentáculos tinham uma espécie de armadura e eram usados para apanhar alimento, movimentar-se e afastar predadores.

Outra das diferenças entre o ser ficcional de Lovecraft e a criatura real é a idade: o fóssil encontrado em Herefordshire é bem mais velho, tendo cerca de 430 milhões de anos.

“Neste documento, relatamos um novo equinodermo, o grupo [de animais] que inclui ouriços do mar, pepinos do mar e estrelas do mar, com preservação de tecidos moles. (…) Esta nova espécie pertence a um grupo extinto chamado opiocystioids“, pode ler-se.

Christopher Mah @echinoblog

A neat reconstruction of an intriguing Paleozoic echinoderm called an ophiocistioid! Early ancestors of sea cucumbers with a very urchin-like appearance! Sollasina cthulhu! Named for Lovecraft’s famous monster!! A nice account here https://www.eurekalert.org/pub_releases/2019-04/uoo-fr040519.php 

Os cientistas revelaram ainda que a reconstrução tridimensional deste espécime revelou tecidos moles nunca antes encontrados em fósseis deste género.

“Com a ajuda da tomografia físico-óptica de alta resolução, descrevemos as espécies em 3D, revelando elementos internos do sistema vascular da água que eram anteriormente desconhecidos neste grupo e em quase todos os equinodermos fósseis”, apontou o paleontólogo Derek Briggs, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

A descoberta deste “primo” do pepino do mar vai ajudar os cientistas a melhor compreender as mudanças que ocorreram na evolução inicial deste grupo.

ZAP //

Por ZAP
12 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1803: As alterações climáticas transformaram os Neandertais em canibais

CIÊNCIA

Stanley Zimny / Flickr

Ossos foram descobertos numa caverna no sudeste da França nos anos 90. No total, seis neandertais: dois adultos, dois adolescentes e dois filhos.

Em toda a Europa, existem mais de 200 locais que apresentam restos antigos de Neandertais como estes, mas poucos deles contam a mesma história terrível que esta caverna contém, de acordo com uma nova análise arqueológica.

Quem quer que fossem, o modo como estes humanos antigos deixaram o mundo de 120 mil a 130 mil anos atrás poderia ter sido marcado por desespero, fome e brutalidade selvagem. Estes neandertais viveram durante o último período interglaciar – época em que o mundo estava rapidamente a transitar de uma era glacial para um clima mais quente.

“A mudança do clima do período glacial para o último interglaciar foi muito abrupta“, disse o paleontólogo Emmanuel Desclaux, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), ao Cosmos. “Não estamos a falar de escala geológica, mas em escala humana. Dentro de algumas gerações, a paisagem pode ter mudado totalmente.”

Quando o mundo ficou mais quente, os mares ergueram-se contra as costas. Plantas transformaram-se e animais mudaram. As comunidades, adaptadas com sucesso por dezenas de milhares de anos ao frio extremo, estavam a enfrentar o desconhecido.

Sabe-se pouco sobre como se saíram neste período difícil, mas as camadas arqueológicas preservadas em cerca de 220 sites europeus oferecem algumas pistas, baseadas em raros vestígios de restos humanos isolados, incluindo dentes, fragmentos de crânios e outros ossos. Mas na caverna Baume Moula-Guercy, em França, são diferentes.

O sítio apresenta um nível inigualável de preservação de ossos e carvão. Isso permitiu aos arqueólogos reconstruir o ambiente natural e as paisagens que os neandertais experimentaram durante o período Eemiano, observam os investigadores no artigo publicado na revista Journal of Archaeological Science.

Mas também revela outra coisa: a evidência do canibalismo neandertal que os autores propõem ter surgido em resposta à “profunda reviravolta” provocada pela mudança climática. Na caverna, foram encontrados 120 ossos dos seis indivíduos. Eles estavam misturados com ossos de animais e a análise revela que algo grave aconteceu com os antigos restos humanos.

“As marcas de corte estão espalhadas por 50% dos restos humanos e distribuídas por todo o esqueleto, desde o crânio e a mandíbula até as metáforas e falanges”, escreve a equipa. “As marcas de percussão são visíveis em todos os crânios, todos os ossos longos e outros ossos de adultos e crianças.”

Com base nas evidências, que também revelam possíveis sinais de esmagamento e mastigação, os cientistas sugerem que a condição dos ossos são consistentes com um único episódio de canibalismo.

“Elementos esqueléticos de todas as regiões do corpo sugerem que estavam intactos antes do evento”, afirma o artigo. “Além disso, nenhum dos restos está em relação anatómica um ao outro, indicando que os corpos foram completamente desmembrados.”

É claro que a proposta do canibalismo permanece hipotética, mas baseada nas evidências, alinha-se com outras coisas que se sabe sobre os neandertais. Eles geralmente enterravam os mortos, e provavelmente foram forçados a abandonar partes da Europa durante o período, devido a casos de fome trazidos pelo mundo em mudança, e a falta de presas ricas em proteínas.

Para aqueles que ficaram para trás, as condições eram difíceis. Alguns podem ter matado para sobreviver. Outros tornaram-se comida.

“O canibalismo destacado em Baume Moula-Guercy não é uma marca de bestialidade ou sub-humanidade”, explicam os investigadores. “A síntese dos dados torna possível interpretar a ocorrência como um episódio curto e único de endo-canibalismo em resposta ao stress nutricional induzido por mudanças ambientais rápidas e radicais”.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1801: Um campo nos EUA revela como foi o último dia dos dinossauros na Terra

CIÊNCIA

(dr) Robert DePalma / University of Kansas

Uma enorme ondulação num mar interno e uma chuva de esferas de vidro foram as condições às quais a biodiversidade continental ou marinha não conseguiu sobreviver na América do Norte.

Dinossauros e peixes morreram e foram enterrados numa questão de horas ou mesmo dezenas de minutos após a queda do asteróide Chicxulub.

Esta é a imagem apresentada na sexta-feira em comunicado da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, prevendo uma publicação futura da revista Proceedings of National Academy of Sciences. A imagem apocalíptica vem de um achado paleontológico – não de uma hipótese sobre o último dia dos dinossauros.

O paleontólogo Robert DePalma levou a cabo durante seis anos as escavações no depósito Tanis em Dakota do Norte, perto do município de Bowman, na formação geológica de Hell Creek. Os achados mostram que é um campo que demonstra o abate massivo num período de tempo tempo muito curto, após o impacto do Chicxulub no Golfo do México.

De acordo com o co-autor do estudo, os fósseis da área representam “o primeiro conjunto de mortes massivas de grandes organismos já encontrado” e correspondem à fronteira cretácea e paleogénica. A um tiranossauro rex e um tricerátops juntaram-se a uma variedade de mamíferos, um grande número de insectos e outros seres. Ali estão os esqueletos do extinto réptil Mosasaurus, moluscos amonites, esturjões e peixes-espátula.

Os peixes, muito mais bem conservados, têm algumas esferas de vidro com vários milímetros de diâmetro nas brânquias. Os cientistas têm a certeza de que guardam esses vestígios de um evento desastroso, como a chuva de rochas derretidas, enquanto nadavam com as bocas abertas. Eles estimam que na região, localizada a mais de 3.200 quilómetros da cratera, choveu cristal entre 45 minutos e uma hora após o impacto.

A camada de rocha sedimentar que cobria todo o conjunto de restos ósseos é rica em irídio, um elemento raro na crosta terrestre, mas não nos asteróides. Os cientistas acreditam que esta camada se acumulou devido a ondas gigantes – mas não propriamente um tsunami.

Na sua opinião, era mais provável que fosse um seicha, as típicas ondas estacionárias de um corpo de águas parcialmente fechadas expostas aos efeitos de um forte terremoto. Esse fenómeno ocorreria em Dakota antes de um tsunami atingir uma região tão distante do Golfo do México.

ZAP // Russia Today

Por ZAP
3 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1791: Como era a Terra há 66 milhões de anos? Esta descoberta ajuda-nos a contar a história

Um grande conjunto de fósseis em excelente estado de conservação, encontrado no Dakota do Norte, nos Estados Unidos, pode permitir identificar espécies entretanto extintas

© ROBERT DEPALMA O grupo de cientistas da Universidade do Kansas, em trabalho de campo no depósito de Tanis

Há 66 milhões de anos, um asteróide de grandes dimensões (estima-se que tivesse entre 11 e 81 quilómetros de diâmetro) caiu no sudeste do México, perto da cidade de Chicxulub, alterando para sempre a vida na Terra. A teoria de que terá sido este evento a provocar a extinção dos dinossauros e de 75% das espécies animais e vegetais do planeta é hoje dominante. Ondas gigantescas – cuja dimensão é estimada em 1600 metros, o equivalente a cerca de 11 Torres Vasco da Gama, em Lisboa – terão tido consequências catastróficas.

O que tem este acontecimento a ver com o conjunto de fósseis “extremamente bem preservados” de animais e peixes encontrado por grupo de paleontologistas no estado-norte americano do Dakota do Norte, que fica a cerca de 3000 quilómetros de Chicxulub? Aparentemente, tudo. Num estudo publicado esta segunda-feira, os cientistas da Universidade do Kansas defendem que estes fósseis fazem parte de uma imensidão de seres vivos que morreu poucos minutos depois do impacto do asteróide. Toda a fauna marinha e terrestre do período Cretáceo terá sido soterrada por uma camada de sedimentos.

Os fósseis foram encontrados num depósito que dá pelo nome de Tanis, na formação de Hell Creek, um dos sítios mais famosos e intensamente estudados de fósseis de dinossauro. Foram encontrados vestígios de “peixes de água doce, vertebrados terrestres, árvores, ramos, troncos, amonóides [um grupo extinto de moluscos cefalópodes] e outras criaturas marinhas”, refere Robert DePalma, autor principal do estudo, ao jornal britânico “The Guardian”.

O óptimo estado de conservação dos fósseis poderá permitir identificar novas espécies de peixes e estudar melhor outras já classificadas. “A sedimentação aconteceu tão depressa que está tudo preservado em três dimensões – eles não estão esmagados”, assinala David Burnham, co-autor do estudo. Nas guelras dos peixes em melhor estado encontraram-se mesmo vestígios de esferas milimétricas de vidro (tectitos), possivelmente provenientes de uma chuva de rocha derretida.

“Estamos a analisar registos, passo a passo, de um dos momentos mais importantes da história da Terra. Em mais nenhum lugar há um registo deste tipo. Nada voltou a ser como dantes depois deste impacto. A Terra tornou-se um planeta de mamíferos em vez de um planeta de dinossauros”, resumiu Robert DePalma, que iniciou as escavações em Tanis em 2013.

msn notícias
João Pedro Barros
01/04/2019

[vasaioqrcode]

 

1654: Eis Moros, o tiranossauro “anão” que revela que o T-rex nem sempre foi Rei

(dr) Jorge Gonzalez

O Tyrannosaurus rex é celebrizado como o “rei” dos dinossauros devido ao seu enorme porte que pode atingir os 12 metros de comprimento, contudo um novo estudo, esta semana publicado, pode pôr em causa o prestígio da sua “coroa”. 

Uma equipa de paleontólogos norte-americanos, liderados pela especialista Lindsay Zanno, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriu um fóssil de um tiranossauro com cerca de 77 quilogramas e menos de 1,5 metros de altura.

O pequeno fóssil, apelidado de Moros intrepidus, é o menor dinossauro do seu tipo. De acordo com as estimativas dos especialistas, viveu durante o período Cretáceo, entre 145 e 66 milhões de anos atrás, no território que hoje conhecemos como o Utah. Até então, este mini-tiranossauro é a espécie mais antiga já descoberta na América do Norte.

De acordo com a nova investigação, esta semana publicada na revista especializa Communicacions Biology, a descoberta desta espécie permitiu fechar uma lacuna que somava já 70 milhões de anos no registo fóssil.

Os paleontólogos precisavam de uma evidência esquelética dos tiranossauro norte-americanos de há 150 milhões de anos (período Jurássico ao qual pertencem os remanescentes dos tiranossauros e alossauros primitivos de tamanho médio) até há 81 milhões de anos (no Cretáceo, quando surgiram os maiores tiranossauros e os alossauros, por sua vez, tornaram-se extintos).

Na verdade, os tiranossauros nem sempre foram os enormes predadores que imaginamos hoje em dia. No início da sua evolução, explicaram os cientistas, estes animais eram carnívoros muito pequenos e caçavam juntamente com os alossauros, também carnívoros, mas de porte muito maior.

Os cientistas não sabem ainda como é que os tiranossauros atingiram o seu tamanho colossal, instalando-se depois no topo da cadeia alimentar – esse continua a ser o mistério. Contudo, os paleontólogos sabem agora que esta evolução não levou mais de 16 milhões de anos e que aconteceu apenas no final da era dos dinossauros.

“O que o Moros intrepidus faz por nós é ajudar-nos a entender quem, o quê, porquê, onde e quando os tiranossauros alcançaram o papel principal entre os predadores no subcontinente norte-americano”, rematou a principal autora da investigação, Lindsay Zanno, citado pela National Geographic.

ZAP //

Por ZAP
1 Março, 2019

[vasaioqrcode]