4863: Estudo sugere que os primeiros humanos podem ter hibernado

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

Jose Luis Martinez Alvarez / Wikimedia
O Homo heidelbergensis poderá ser o antepassado comum do Homo neanderthalensis e do Homo sapiens

Um novo estudo científico tentou perceber se os primeiros humanos tiveram alguma vez a capacidade de hibernar, tal como acontece com muitos outros mamíferos.

Um desses casos são os ursos, que têm processos metabólicos especializados para os proteger deste sono prolongado. Mas por vezes esta ‘ajuda’ não acontece de acordo com o planeado e os animais podem, por exemplo, desenvolver uma série de doenças pós-hibernação se não obtiverem reservas de alimento suficientes antes do inverno.

“Os hibernantes podem sofrer de raquitismo, hiperparatiroidismo e neurofibromatose se não possuírem reservas de gordura suficientes. Estas doenças são todas expressões de osteodistrofia renal consistente com doença renal crónica”, explicam no seu estudo, publicado em Dezembro na revista L’Anthropologie, os paleoantropólogos Antonis Bartsiokas e Juan-Luis Arsuaga.

De acordo com o site Science Alert, os investigadores acreditam que este pode ter sido o destino de alguns ancestrais humanos cujos restos mortais foram descobertos numa caverna espanhola chamada Sima de los Huesos.

Este poço profundo na Caverna Maior da Serra de Atapuerca abriga um grande número de fósseis, onde arqueólogos descobriram milhares de restos de esqueletos de hominídeos com cerca de 430 mil anos.

Isto foi muito antes do Homo sapiens andar pela Terra e, embora haja ainda algum debate sobre a qual ancestral humano pertencem estes fósseis, pelo menos alguns são do Homo heidelbergensis.

“A hipótese de hibernação é consistente com a evidência genética e com o facto de os hominídeos de Sima de los Huesos terem vivido durante o período glacial”, escreveram os cientistas no mesmo artigo.

A ideia é que esses antigos ancestrais podem ter tentado dormir durante os meses mais frios e, portanto, os seus ossos mostram as cicatrizes dos meses de sono sem as reservas de gordura suficientes, falta de vitamina D e, nos adolescentes, estranhos surtos de crescimento sazonal.

No entanto, como destaca o mesmo site, antes de podermos afirmar efectivamente que os nossos ancestrais hibernavam, temos de ter em conta que esta investigação ainda está numa fase muito preliminar. Tanto que até os os próprios autores do estudo admitem que esta hipótese soa um pouco a “ficção científica”.

Por Filipa Mesquita
25 Dezembro, 2020


1307: Talvez os neandertais não fossem tão brutos como se pensava

CIÊNCIA

Gleiver Prieto / University of Tübingen

Apesar de vários esqueletos de neandertais terem sido encontrados com ferimentos graves na cabeça e no pescoço, um novo estudo sugerem que não fossem tão violentos como se pensava.

Na verdade, os níveis de lesões cranianas dos neandertais são muito semelhantes aos dos primeiros humanos modernos, de acordo com o estudo publicado a 14 de Novembro na revista Nature.

“Não há diferença estatística entre os dois, o que significa que não podem ser diferenciados”, disse a co-autora do estudo, Katerina Harvati, paleoantropóloga da Universidade de Tübingen, na Alemanha.

“Acho que é uma evidência que eles não andavam a bater uns nos outros“, pelo menos não mais do que os humanos modernos, referiu Fred Smith, professor da Universidade do Estado de Illinois, especializado em Neandertais, que não estava envolvido na investigação.

Smith não ficou surpreendido com os resultados, e que, por muitos anos, “houve muito foco em enfatizar as diferenças entre os neandertais e nós”. Isso mudou em 2010, quando os cientistas descobriram que os neandertais contribuíam com material genético para os humanos modernos, tornando-os um parente precoce.

Desde então, uma enxurrada de estudos desafiou a imagem dos neandertais como selvagens. Investigadores sugeriram que podem ter feito arte, tiveram longas infâncias, por vezes comiam dietas vegetarianas e até usavam jóias e maquilhagem.

Os investigadores reuniram um banco de dados de artigos publicados que descreviam os ossos de 204 indivíduos neandertais e do homem moderno do Paleolítico Superior, incluindo lesões cranianas. Os espécimes vieram do que hoje é a Europa e a Ásia e datam de aproximadamente 20 a 80 mil anos atrás.

Em ambos os grupos, os homens eram mais propensos a sofrer lesões cranianas do que as mulheres – o que, de acordo com a Universidade de Tübingen, é “explicado pela divisão do trabalho entre homens e mulheres ou por comportamentos e actividades específicos do sexo determinados culturalmente”.

Embora o nível de traumatismo craniano entre os neandertais e os primeiros humanos modernos fosse estatisticamente o mesmo, os neandertais que sofreram traumatismo craniano antes dos 30 anos tinham maior probabilidade de morrerem mais jovens.

“Essa descoberta poderia indicar que os neandertais tinham um risco maior de mortalidade após sobreviverem a lesões cranianas em comparação com os humanos modernos do Paleolítico Superior”, de acordo com os investigadores. Isso também poderia significar que os primeiros humanos modernos eram melhores em cuidar dos feridos.

Harvati disse que, provavelmente, houve muitas causas para esses ferimentos na cabeça. Além da caça e da violência interpessoal, lesões cranianas em ambos os grupos foram provavelmente causadas por “acidentes de um estilo de vida altamente móvel de caçadores-colectores em ambientes glaciais, bem como ataques de carnívoros”.

ZAP // NPR

Por ZAP
19 Novembro, 2018

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