1278: A China apresentou o seu novo Palácio Celestial, a estação espacial do futuro


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Equipada com painéis solares, com um peso mínimo de 60 toneladas e aberta a todos os países para experiências científicas. A China apresentou esta terça-feira uma réplica do primeiro módulo de habitação permanente da sua estação espacial Taingong-2, que pretende colocar no espaço a partir de 2022.

Enquanto a maior parte dos países envolvidos na Corrida Espacial optou por se associar ao consórcio que gere a ISS – Estação Espacial Internacional, com a NASA, ESA e Roscosmos à cabeça, a China insistiu desde o início em desenvolver o seu próprio projecto de Estação Espacial – o programa Tiangong, ou “Palácio Celestial”.

Numa altura em que o programa da ISS só tem tem financiamento até 2024, e não se vislumbra grande vontade política dos países envolvidos em prolongar a vida da mítica estação espacial — que parece ter os dias contados — a China poderá aproveitar o momento para tomar a dianteira na exploração espacial.

O programa Tiangong arrancou em 2011 com o lançamento do laboratório espacial Tiangong-1, a que se seguiu em 2016 um segundo laboratório orbital, o Tiangong-2.

Depois de em Abril o Tiangong-1 ter “regressado à Terra” de forma espectacular, a China manteve em órbita o Tiangong-2, ao qual nos próximos anos serão acoplados os módulos que o transformação na CSS, a primeira estação espacial chinesa permanentemente habitada.

Esta terça-feira, na Feira Aeronáutica e Aeroespacial em Zuhai, no sul do país, a agência espacial chinesa apresentou uma réplica à escala real do seu futuro Palácio Celestial.

A réplica da futura estação é composta por três partes: um módulo principal com cerca de 17 metros de comprimento, destinado à vida e trabalho dos ocupantes, e dois anexos para a realização de experiências científicas. O início da montagem da CSS, que tem um tempo de vida estimado de 10 anos, está previsto para 2022.

Com um peso total mínimo previsto de 60 toneladas, equipada com painéis solares, a estação espacial do futuro tem capacidade para três astronautas, que poderão viver lá continuamente e realizar pesquisas em áreas como a ciência, a biologia e a micro-gravidade.

A China anunciou também que a estação estará aberta a todos os países, para fins de experimentação científica, tendo já vários institutos, universidades e empresas públicas e privadas sido convidadas a apresentar propostas. Até agora, manifestaram já interesse 40 entidades de 27 países, que passarão posteriormente por um processo de selecção.

A partir de 2024, a Estação Espacial Chinesa deverá passar a ser a única no espaço, e, segundo Bill Ostrove, especialista em questões espaciais do gabinete de aconselhamento Forecast International, “a longo prazo, a China colherá bons frutos” deste programa.

“Muitos países e um número crescente de empresas e universidades têm programas espaciais, mas não têm dinheiro para construir a sua própria estação espacial. A possibilidade de, graças à China, poderem enviar cargas úteis para uma plataforma de voo habitada e realizar experiências científicas é algo extremamente precioso“, observa.

A Agência Espacial Europeia, ESA, está já a enviar astronautas para treinar na China com o objectivo de viajar um dia para a estação chinesa.

Segundo o analista chinês Chen Lan, apesar da rivalidade entre Pequim e Washington, envolvidos numa guerra comercial, é possível que também astronautas americanos venham a trabalhar a bordo da CSS. “A agência espacial chinesa e a ONU poderiam pensar em algo assim. Mas não é certo que o Congresso americano seja da mesma opinião”.

“A China vai utilizar a sua estação espacial da mesma forma que os parceiros da ISS usam a sua actualmente: pesquisa, desenvolvimento de tecnologia e preparação das equipas chinesas para voos de longa duração”, explica Chen Lan.

Apesar de o gigante asiático passar a ser “uma das grandes potências do espaço”, Ostrove  considera que Rússia, Japão e Índia vão continuar a ter umimportante papel“, e que os Estados Unidos continuarão a ser o actual “poder espacial dominante”.

Dominar o espaço nunca foi uma meta para a China“, aponta Chen Lan, referindo que as questões comerciais são cada vez mais importantes a nível espacial, sendo a inovação e a ciência fortes impulsionadores económicos.

Pequim, que espera enviar um robô a Marte e humanos à Lua, investe milhões no seu programa espacial, com a coordenação do exército, tendo por conta própria colocado satélites em órbita, que usa para para observação, em telecomunicações e no seu sistema de geolocalização Beidu.

ZAP // Lusa / Popular Mechanics

Por ZAP
11 Novembro, 2018