1565: “Deserto submarino” no Pacífico pode provocar desastre ambiental

Uma equipa de cientistas acredita que o desaparecimento progressivo da estrela-do-mar-girassol, cuja causa é ainda desconhecida, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos, pode vir a causar um desastre ambiental no Pacífico. 

Os cientistas alertam para este “deserto submarino” através de uma novo artigo científico publicado na quarta-feira passada na revista especializada Science Advances.

“Nunca vi um declínio desta magnitude numa espécie tão importante”, disse o autor principal do estudo, Drew Harvell, em declarações ao The Washington Post.

A pesquisa dá conta que a doença que afecta a estrela do mar, que prejudicou significativamente a estrela-do-mar-girassol (Pycnopodia helianthoides), pode estar por detrás de surtos de doenças infecciosas que desde 2013 colocam em risco várias espécies de animais, incluindo rãs, corais e até morcegos.

Os investigadores frisam ainda que esta espécie marinha está à beira da extinção, pedindo, por isso, às autoridades que tomem medidas, tentando salvar a espécie através de um programa de reprodução com estrelas-do-mar-girassol em Washington, Canadá e Alasca. Por outro lado, escreveram, o declínio desta espécie coincidiu com o período que aquecimento global que ocorreu no Pacífico entre 2013 e 2015.

A equipa monitorizou o progressivo desaparecimento da estrela-do-mar-de-girassol através de incursões em águas rasas na área entre 2006 e 2014, nas quais foram contabilizadas entre “duas a 100 estrelas” dessa espécie, sendo depois registado uma queda significativa no número de espécies a partir desse momento.

Por último, os cientistas afirmam ainda que o maior inimigo das estrelas-do-mar-de-girassol – os ouriços-do-mar-roxos (Strongylocentrotus purpuratus) – estão a multiplicar-se no fundo do mar, tornando a sobrevivência destas estrelas-do-mar ainda mais complicada, uma vez que se alimentam da vegetação, que é também um elemento-chave para o ecossistema da área em causa do Pacífico.

De acordo com o Oceanário, a estrela-do-mar-girassol é uma das maiores estrelas-do-mar, sendo a mais rápida de todas as espécies já conhecidas. A espécie é capaz de se deslocar 50 centímetros por minuto. Nos Estados Unidos, é também conhecida como sea pigs (porcos do mar), nome devido à sua voracidade.

ZAP //

Por ZAP
7 Fevereiro, 2019

 

967: Países do Pacífico devem assinar acordo sobre alterações climáticas

Declaração de segurança é a peça central do 49º Fórum das Ilhas do Pacífico, que começou na última terça-feira em Nauru

© REUTERS/David Mercado

Os chefes de Estado dos países do Pacífico devem esta quarta-feira um acordo de segurança para abordar as alterações climáticas, crimes como o tráfico de drogas e a pesca ilegal.

“No mundo globalizado e dada a natureza transfronteiriça de muitos dos desafios que enfrentamos – as mudanças climáticas, a poluição marítima, a pesca insustentável, a criminalidade transnacional – as parcerias e a cooperação são vitais para a construção de um Pacífico, azul, forte e seguro”, pode ler-se na página oficial do 49º Fórum das Ilhas do Pacífico, que teve início na terça-feira em Nauru.

Os chefes de Estado desta região consideram as alterações climáticas a maior ameaça à segurança das suas nações, uma vez que as ilhas mais baixas do Pacífico correm o risco de desaparecer com o aumento do nível do mar.

A assinatura da declaração de segurança, que também aborda o cibercrime e as preocupações com a saúde, como doenças transmissíveis e pandemias, é a peça central da reunião de três dias.

Durante a manhã desta quarta-feira, grupos pesqueiros e comunitários do Pacífico assinaram um acordo com a União Europeia com vista a uma pesca mais sustentável, no valor de 35 milhões de euros. A Suécia vai também contribuir com 10 milhões de euros, ao longo de cinco anos.

As tensões com a China marcaram o primeiro dia do Fórum. O Presidente do Nauru, Baron Waqa, acusou um responsável chinês de ter desrespeitado a reunião, por querer falar interrompendo outros lideres.

Na terça-feira, o diplomata chinês Du Qiwen queria falar na reunião, mas Waqa não o deixou, o que levou à saída da delegação chinesa do sala.

“Ele insistiu e foi muito insolente, fez muito barulho e bloqueou a reunião dos líderes por muitos minutos”, disse na terça-feira o Presidente de Nauru.

“Talvez porque ele era de um grande país queria intimidar-nos”, disse Waqa.

Nauru reconhece Taiwan e não tem relações diplomáticas com a China.

Fundado em 1971, o Fórum é composta por 18 membros: Austrália, Ilhas Cook, Estados Federados da Micronésia, Fiji, Polinésia Francesa, Kiribati, Nauru, Nova Caledónia, Nova Zelândia, Niuê, Palau, Papua Nova Guiné, Ilhas Marshall, Samoa, Ilhas Salomão, Tonga, Tuvalu e Vanuatu.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Setembro 2018 — 10:42

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