4894: Ötzi, o Homem do Gelo, pode ter escalado os Alpes quando não havia gelo

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

South Tyrol Museum of Archaeology/EURAC/Samadelli/Staschitz
Ötzi, o Homem do Gelo que, com 5300 anos, é a múmia mais velha da Europa

Quando Ötzi, o Homem do Gelo, escalou os Alpes, a montanha não tinha neve. Um novo estudo sugere que, na altura, só os picos mais altos da cadeia montanhosa eram gelados.

Uma nova investigação sugere que só os picos mais altos dos Alpes foram cobertos por gelo até pouco antes de Ötzi ter escalado a montanha. As descobertas indicam que durante o Holoceno, a época que abrange os últimos 11.650 anos até ao presente, os glaciares nos Alpes mudaram dramaticamente.

“A nossa principal descoberta é que o gelo tem 5.900 anos, mais ou menos, sendo um pouco mais velho do que o Homem do gelo”, que tem 5.300 anos, disse Pascal Bohleber, que estuda gelo glacial na Academia Austríaca de Ciências, citado pelo Live Science.

“Isto sugere que, nesta região, tivemos um tempo em que os glaciares começaram a formar-se em condições que não tinham gelo ou com glaciares bem mais pequenos do que os de hoje”, acrescentou o investigador.

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Glaciares de Weißseespitze, nos Alpes

Para chegar a esta conclusão, os cientistas deslocaram-se até ao glaciar de Weißseespitze, na parte austríaca dos Alpes de Ötzal, a cerca de 3.500 metros de altitude.

Bohleber e a sua equipa perfuraram 11 metros e obtiveram um registo contínuo de gelo. A água derretida no topo ameaçou contaminar as camadas abaixo, pelo que os cientistas se viram obrigados a realizar grande parte da perfuração depois do pôr-do-sol, quando o gelo estava mais firme.

A equipa analisou quantidades microscópicas de carbono presas no gelo de diversas origens diferentes, que chegaram à superfície em cada época. O método usou datação por radio-carbono para medir o nível de carbono 14 numa determinada amostra e, desta forma, os cientistas conseguiram descobrir a época da camada mais antiga de todas.

Os resultados mostraram que o gelo mais antigo datava de 5.900 anos atrás, poucas centenas de anos antes de Ötzi morrer. O artigo científico foi publicado no dia 17 de Dezembro na revista Scientific Reports.

Na altura em que o Homem do gelo faleceu, podia haver um pouco de neve, mas não havia uma grande cobertura como actualmente. Ainda assim, permanece o mistério sobre se Ötzi morreu já no meio do gelo ou se faleceu em rochas e o gelo o cobriu depois.

Por Liliana Malainho
31 Dezembro, 2020


2953: Desvendados novos detalhes sobre Ötzi, o Homem do Gelo

CIÊNCIA

South Tyrol Museum of Archaeology/EURAC/Samadelli/Staschitz
Ötzi, o Homem do Gelo que, com 5300 anos, é a múmia mais velha da Europa

Enterrados no gelo ao lado do famoso Ötzi estavam, pelo menos, 75 espécies de briófitas (musgos e plantas pequenas) que permitiram aos cientistas descobrir em que tipo de ambiente morreu o Homem do Gelo.

Ötzi, o Homem do Gelo, é um exemplar humano com 5.300 anos, encontrado congelado a 3.200 metros acima do nível do mar nos Alpes italianos. Quando foi encontrado, em 1991, Ötzi estava congelado ao lado das suas roupas, dos seus equipamentos e de um conjunto abundante de pequenas plantas e fungos.

De acordo com um estudo recente, publicado no PLOS ONE, James Dickson, investigador da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, e os seus colegas da Universidade de Innsbruck, na Áustria, tentaram identificar os musgos e as plantas, especificamente as hepáticas, conservadas junto ao Homem do Gelo.

Actualmente, na área onde Ötzi foi encontrado, vivem 23 espécies de briófitas, mas os cientistas identificaram no gelo milhares de fragmentos de briófitas preservadas, que representavam, pelo menos, 75 espécies. É o único local de alta altitude com briófitas preservadas há milhares de anos, constatam os cientistas, citados pelo Europa Press.

O conjunto descoberto pelos investigadores inclui uma variedade de musgos que variam de espécies de baixa a espécies de alta altitude, assim como 10 espécies de hepáticas, que raramente são preservadas em sítios arqueológicos.

Apenas 30% das briófitas identificadas parecem ser espécies locais. De acordo com os cientistas, as restantes foram transportadas para o local no intestino e nas roupas de Ötzi, ou por grandes mamíferos herbívoros cujos excrementos acabaram congelados ao lado do Homem do Gelo.

A partir destes restos, os investigadores conseguiram chegar à conclusão que a comunidade de briófitas nos Alpes, há cerca de 5.000 anos, era semelhante à actual. Além disso, as espécies não locais ajudam a confirmar o percurso que Ötzi percorreu até ter chegado ao local onde viria a falecer. para seu local de descanso final.

Actualmente, várias espécies de musgo identificadas prosperam no vale inferior de Schnalstal, sugerindo assim que Ötzi viajou ao longo do vale durante a sua subida. Esta conclusão é corroborada por pesquisas anteriores sobre pólen, que também identificaram Schnalstal como a provável rota de ascensão do Homem do Gelo.

ZAP //

Por ZAP
3 Novembro, 2019

 

1076: As tatuagens de Ötzi podem ter sido finalmente desvendadas

CIÊNCIA

South Tyrol Museum of Archaeology/EURAC/Samadelli/Staschitz
Ötzi, o Homem do Gelo que, com 5300 anos, é a múmia mais velha da Europa

As misteriosas tatuagens encontradas em Ötzi – a múmia mais antiga da Europa – podem ter sido finalmente desvendavas. Os cientistas acreditam que as marcas podem representar uma forma primitiva de acupunctura. 

Ötzi, também conhecido como o Homem do Gelo, tem 5.300 anos e foi encontrado em 1991 nos Alpes italianos. Desde então, os cientistas têm conduzido uma série de testes morfológicos, radiológicos e moleculares para compreender o seu estado de saúde em vida.

Apesar dos inúmeros testes, os cientistas têm ainda perguntas sobre esta múmia, muitas das quais relacionadas com as tatuagens que tem gravas no corpo. Um grupo de cientistas acredita ter desvendado o mistério.

As tatuagens da múmia não eram novidade para os cientistas, mas os especialistas discordaram durante anos sobre o número de tatuagens. Com o tempo, a pele da múmia foi escurecendo, tornando ainda mais difícil a contagem.

De acordo com um novo e exaustivo estudo, publicado no início do mês de agosto na International Journal of Paleopathology, os cientistas conseguiram observar e mapear um total de 61 tatuagens que cobrem o corpo de Ötzi.

Apesar de o Homem do Gelo padecer de várias patologias médicas – como problemas nas articulações, dentição deteriorada e problemas gástricos -, os cientistas encontraram padrões nas marcas que sugerem que a sua cultura já tinha desenvolvido um sistema para combater e aliviar os sintomas de doenças – uma espécie de acupunctura primitiva.

Segundo a pesquisa, todas as tatuagens encontradas foram feitas com uma mistura de carvão e ervas e produziram linhas negras dispostas em paralelo. Estas linhas formavam grupos de duas até quatro linhas.

Os cientistas reavaliam cuidadosamente os problemas de saúde, comparando-os com a localização e o número de tatuagens. A partir da análise das tatuagens, os investigadores percebam que muitas destas marcas estavam localizada na zona dos pulsos e tornozelos – partes do corpo que denotavam claramente processos degenerativos.

Pontos estes também muito utilizados nos tratamentos de acupunctura. Por tudo isto, os cientistas acreditam que as tatuagens eram uma forma da civilização antiga lidar com as doenças, aliviando a dor crónica. Estas marcam denotam, segundo os cientistas, uma forma muito inicial e primitiva desta prática oriunda da medicina tradicional chinesa.

(dr) Marco Samadelli

Patologias eram já conhecidas

Estudos anteriores revelam que Ötzi tinha ingerido ou transportado uma série de medicamentos que incluíam um fungo, o Polyporus fomentates, que podia ser utilizado para acalmar uma inflamação ou como um antibiótico.

No seu estômago, os cientistas encontraram também uma planta tóxica para os seres humanos – a Pteridium – que, aparentemente, era consumida pelo Homem do Gelo para limpar o seu organismo de parasitas intestinais como a ténia.

A acupunctura – prática associada ao uso de agulhas – combinada com o uso sofisticado de plantas de fungos no tratamento de doenças sugere que Ötzi pertencia a uma cultura com alguns conhecimentos sobre anatomia e patologia.

É provável que estas técnicas tenham sido desenvolvidas de forma sistemática através de uma abordagem de tentativa e erro, sendo depois transmitidas de geração em geração na sociedade antiga em que Ötzi viveu.

A múmia mais velha da Europa é também uma das mais estudadas pela comunidade científica. Os investigadores descobriram que Ötzi morreu após uma ferimento de flecha e até que a sua última refeição terá sido carne de cabra – o que fica ainda por descobrir é por que motivo os tratamentos médicos não resultaram.

ZAP // RT

Por ZAP
26 Setembro, 2018

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