3519: Os pedregulhos de Bennu brilham como faróis para a OSIRIS-REx da NASA

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Durante o evento de recolha de amostras, O NFT (Nature Feature Tracking) guiará a sonda OSIRIS-REx da NASA até à superfície do asteróide Bennu. A sonda captura imagens em tempo real de características à superfície do asteróide, enquanto desce, e compara-as com imagens de um catálogo a bordo. A nave então usa estes marcos geográficos para se orientar e pousar com precisão no local previsto.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Este verão, a sonda OSIRIS-REx empreenderá a primeira tentativa da NASA de tocar a superfície de um asteróide, recolher uma amostra e recuar em segurança. Mas, desde que chegou ao asteróide Bennu há mais de um ano, a equipa da missão tem vindo a enfrentar um desafio inesperado: como realizar este feito num asteróide cuja superfície está coberta de pedras do tamanho de edifícios.

Usando estas rochas perigosas como marcos, a equipa da missão desenvolveu um novo método de navegação de precisão para superar o desafio.

A equipa da OSIRIS-REx havia planeado originalmente usar um sistema LIDAR para navegar até à superfície de Bennu durante o evento de recolha de amostras TAG (Touch-And-Go). O LIDAR é semelhante a radar, mas usa pulsos de laser em vez de ondas de rádio para medir distâncias. O LIDAR GNC (Guidance, Navigation, and Control) da OSIRIS-REx foi construído para navegar a sonda até uma superfície relativamente livre de riscos. A missão previa originalmente um local de pouso com 50 metros de diâmetro, mas as maiores áreas seguras de Bennu são muito mais pequenas. O maior local tem apenas 16 metros de diâmetro, ou aproximadamente 10% da área segura prevista. A equipa percebeu que precisava de uma técnica mais precisa de navegação que permitisse à sonda atingir com exactidão locais muito pequenos, evitando ao mesmo tempo os potenciais riscos.

Diante deste desafio, a equipa da OSIRIS-REx mudou para um novo método de navegação chamado NFT (Natural Feature Tracking). O NFT fornece recursos de navegação mais abrangentes do que o LIDAR e é essencial para executar o que a equipa está a chamar “Bullseye TAG,” que encaminha a sonda para uma área de amostragem muito menor. Como uma técnica de navegação óptica, requer a criação de um catálogo de imagens de alta resolução a bordo da nave.

No início deste ano, a sonda realizou passagens de reconhecimento sobre o local primário de recolha e sobre o local backup da missão, designados Nightingale e Osprey, voando tão perto quando 625 m acima da superfície. Durante estas passagens rasantes, a sonda recolheu imagens de diferentes ângulos e condições de iluminação para completar o catálogo NFT de imagens. A equipa usa este catálogo para identificar pedregulhos e crateras exclusivas da região do local de amostragem e fará o upload destas informações para a sonda antes do evento de recolha de amostras. O NFT guia autonomamente a sonda até à superfície de Bennu, comparando o catálogo de imagens a bordo com imagens de navegação em tempo real, obtidas durante a descida. À medida que a sonda desce até à superfície, o NFT actualiza o seu ponto de contacto previsto, dependendo da posição da sonda em relação aos pontos de referência.

No solo, os membros da equipa criaram “mapas de risco” para os locais Nightingale e Osprey a fim de documentar todas as características de superfície que podem potencialmente prejudicar a nave, como grandes rochas ou encostas íngremes. A equipa usou o catálogo de imagens em conjunto com os dados do OLA (OSIRIS-REx Laser Altimeter) para criar mapas 3D que modelam com exactidão a topografia de Bennu. Como parte do NFT, estes mapas documentam as alturas dos pedregulhos e as profundidades das crateras, e guiam a sonda para longe de potenciais perigos enquanto tem como alvo um local muito pequeno. Durante a descida, caso a sonda preveja tocar terrenos inseguros, ela afastar-se-á autonomamente da superfície. No entanto, se a área estiver livre de perigos, continuará a descer e tentará recolher uma amostra.

O NFT será usado em Abril para navegar a sonda durante o seu primeiro ensaio de recolha de amostras. A equipa de operações realizou testes preliminares durante a fase B da missão orbital, no final de 2019, e os resultados demonstraram que o NFT trabalha em condições reais, conforme projectado. O NFT também será usado para navegação durante o segundo ensaio planeado para Junho.

A primeira tentativa de recolha de amostras da OSIRIS-REx está planeada para Agosto. A sonda partirá de Bennu em 2021 e deverá entregar as amostras à Terra em Setembro de 2023.

Astronomia On-line
27 de Março de 2020

 

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“X” marca o local: NASA selecciona local para recolha amostras em Bennu

CIÊNCIA

Esta imagem mostra o local de recolha de amostras “Nightingale”, o local primário de recolha de amostras no asteróide Bennu. A imagem está sobreposta por um gráfico da sonda OSIRIS-REx para ilustrar a escala do local.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Depois de um ano a analisar a superfície repleta de pedregulhos de Bennu, a equipa que lidera a primeira missão de retorno de amostras de um asteróide da NASA seleccionou oficialmente um local de recolha de amostras.

A missão OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer) concluiu que o local designado “Nightingale” – localizado numa cratera a alta latitude no hemisfério norte de Bennu – é o melhor local para a sonda OSIRIS-REx recolher as suas amostras.

A equipa OSIRIS-REx passou os últimos meses a avaliar dados detalhados dos quatro locais candidatos, a fim de identificar a melhor opção para a recolha de amostras. Os locais candidatos – apelidados de “Sandpiper”, “Osprey”, “Kingfisher” e “Nightingale” – foram escolhidos para investigação porque, de todas as regiões de potenciais amostragens em Bennu, estas áreas representam o menor risco à segurança da sonda e ainda fornecem uma oportunidade de recolher amostras de grande qualidade.

“Depois de avaliar minuciosamente todos os quatro locais candidatos, tomámos a nossa decisão final com base no qual possui a maior quantidade de material refinado e com que facilidade a nave pode aceder a esse material, mantendo-a segura,” disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona em Tucson, EUA. “Dos quatro candidatos, ‘Nightingale’ é o que melhor atinge estes critérios e, por fim, garante o sucesso da missão.”

O local “Nightingale” está localizado numa cratera com 140 metros. O rególito de “Nightingale” – ou material rochoso à superfície – é escuro e as imagens mostram que a cratera é relativamente lisa. Como está localizado no extremo norte, as temperaturas na região são mais baixas do que noutras partes do asteróide e o material da superfície está bem preservado. Pensa-se também que a cratera seja relativamente jovem e o rególito recentemente exposto. Isto significa que o local provavelmente permitirá a recolha de uma amostra pristina do asteróide, dando à equipa uma visão da história de Bennu.

Embora “Nightingale” esteja no topo da classificação, o local ainda apresenta desafios para a recolha de amostras. O plano original da missão previa um local de amostra com um diâmetro de 50 metros. Embora a cratera que hospeda “Nightingale” seja maior, a área segura o suficiente para a sonda pousar é muito menor – aproximadamente 16 metros de diâmetro, resultando num local com apenas um-terço do tamanho originalmente previsto. Isto significa que a sonda precisa atingir com precisão a superfície de Bennu. “Nightingale” também tem uma pedra do tamanho de um edifício situada na orla leste da cratera, que pode representar um perigo para a nave quando se afastar após o contacto com o local.

A missão também seleccionou “Osprey” como local de reserva para recolha de amostras. A sonda tem a capacidade de executar várias tentativas de amostragem, mas qualquer perturbação significativa na superfície de “Nightingale” dificultaria a recolha de uma amostra dessa área numa tentativa posterior, tornando necessário um local de “backup”. A sonda está construída para interromper autonomamente a aproximação se a posição prevista estiver demasiado perto de uma área perigosa. Durante esta manobra, as plumas de exaustão dos propulsores da sonda podem potencialmente perturbar a superfície devido ao ambiente de micro-gravidade do asteróide. Em qualquer situação onde uma tentativa subsequente de pousar em “Nightingale” não seja possível, a equipa tentará recolher uma amostra no local “Osprey”.

“Bennu desafiou a OSIRIS-REx com terreno extraordinariamente acidentado,” disse Rich Burns, gestor do projecto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. “A equipa adaptou-se empregando uma técnica de navegação óptica mais precisa, embora mais complexa, para poder entrar nestas pequenas áreas. Também vamos equipar a OSIRIS-REx com a capacidade de reconhecer se está a caminho de uma característica superficial perigosa dentro ou adjacente do local e interromper a manobra antes que isso aconteça.”

Com a selecção do local primário e do local de reserva, a equipa da missão realizará mais voos de reconhecimento por cima de “Nightingale” e “Osprey”, começando em Janeiro e continuando até à primavera. Uma vez concluídas estas passagens, a sonda começará ensaios para a sua primeira tentativa de recolha de amostras “touch-and-go”, prevista para Agosto. A sonda partirá de Bennu em 2021 e tem regresso à Terra previsto para Setembro de 2023.

Astronomia On-line
17 de Dezembro de 2019

 

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3184: O “Asteróide do Apocalipse” está a cuspir rochas para o Espaço

CIÊNCIA

NASA / Goddard / University of Arizona

A sonda OSIRIS-REx da NASA chegou ao Bennu, o “Asteróide do Apocalipse”, em Dezembro de 2018 e, apenas uma semana depois, descobriu algo incomum: o asteróide estava a lançar partículas para o Espaço.

A câmara de navegação da sonda detectou as partículas, mas os cientistas pensaram inicialmente que eram apenas estrelas ao fundo. Após um exame mais minucioso, a equipa do OSIRIS-REx percebeu que eram partículas de rocha e ficou preocupada com a possibilidade de representar um risco.

Asteróides que estão a perder massa são chamados de “asteróides activos” e, às vezes, “cometas do cinturão principal”. Por vezes, de acordo com o Universe Today, deixam rastos transitórios de poeira e detritos que se parecem com a cauda de um cometa.

Quando este tipo de asteróides foi observado pela primeira vez, os astrónomos pensaram que o rasto era feito de gelo derretido, como a cauda de um cometa. No entanto, agora sabemos que existem vários mecanismos que podem fazer com que um asteróide seja activo.

Os astrónomos não encontraram muitos asteróides activos – e a maioria deles está a perder tanto material que é visível nos telescópios. A maioria dos asteróides é estável e, de facto, Bennu parecia ser um asteróide inactivo em observações da Terra.

“Entre as surpresas de Bennu, as ejecção de partículas despertaram a nossa curiosidade e passámos os últimos meses a investigar esse mistério”, disse Dante Lauretta, investigador principal do OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson, em comunicado. “Esta é uma grande oportunidade para expandir o nosso conhecimento sobre como os asteróides se comportam”.

Existem várias causas para asteróides activos como o Bennu. Sublimação de gelo, impactos, instabilidade rotacional, fracturas térmicas e repulsão electrostática são alguns deles. Num artigo publicado este mês na revista científica Science, Lauretta e outros cientistas apresentaram os resultados das suas observações sobre a perda de massa de Bennu.

O título do artigo – “Episódios de ejecção de partículas da superfície do asteróide activo (101955) Bennu” – deixa claro que as ejecções são episódicas e não contínuas. A equipa concentrou-se nos três maiores episódios de ejecção de partículas em 6 de Janeiro, 19 de Janeiro e 11 de Fevereiro.

O maior evento foi no dia 6 de Janeiro, quando o OSIRIS-REx viu cerca de 200 partículas a deixar Bennu. As partículas viajaram a cerca de três metros por segundo e variaram em tamanho, de menos de 2,5 a 10 centímetros.

Os três episódios ocorreu em locais diferentes da superfície do asteróide. Um ocorreu no hemisfério sul e dois perto do equador. Todos ocorreram a meio do dia e parece não haver nada de notável naqueles lugares.

Depois de serem expulsos do Bennu, as partículas faziam uma de duas coisas: orbitaram durante um breve período de vários dias antes de voltarem à superfície do asteróide ou foram lançadas para o Espaço.

A ejecção de partículas tem três causas possíveis: impactos de meteoróides, fractura por stress térmico ou libertação de vapor de água.

A vizinhança do Bennu é movimentada, com muitas pequenas rochas espaciais passando em redor. Uma possibilidade é que as rochas estivessem a atingir Bennu fora da vista do OSIRIS-REx.

A fractura térmica também pode explicar as partículas. O período rotacional de Bennu é de 4,3 horas e a temperatura da superfície do asteróide varia muito durante esse período. Os três principais eventos de ejecção de partículas ocorreram à tarde, quando a temperatura sobe de baixas nocturnas frias para altas diurnas. As variações de temperatura podem causar fracturas na rocha e ejecção de partículas.

Além disso, o Bennu tem argilas que contêm água. O aquecimento durante o dia pode fazer com que e se expanda, criando pressão ao tentar escapar. A pressão pode formar fendas na rocha, permitindo que as partículas escapem.

No verão de 2020, o OSIRIS-REx vai recolher uma amostra do Bennu e vai devolver-la à Terra até 2023. As partículas que foram ejectadas e que regressaram ao asteróide são suficientemente pequenas para serem colhidas durante a amostragem – é possível que algumas cheguem à Terra . Enquanto isso, o OSIRIS-REx estará no Bennu durante um longo tempo, estudando-o com o seu conjunto de instrumentos científicos.

ZAP //

Por ZAP
13 Dezembro, 2019

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3174: Missão OSIRIS-REx explica misteriosos eventos de partículas de Bennu

CIÊNCIA

Esta imagem do asteróide Bennu a libertar partículas da sua superfície no dia 6 de Janeiro foi criada combinando duas imagens obtidas pela NavCam 1 a bordo da OSIRIS-REx: uma curta exposição com 1,4 ms que mostra o asteróide claramente, e outra exposição longa (5 s), que mostra claramente as partículas. Também foram aplicadas outras técnicas de processamento, como corte e ajuste de brilho e contraste de cada camada.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona/Lockheed Martin

Pouco tempo depois da sonda OSIRIS-REx da NASA ter chegado ao asteróide Bennu, uma descoberta inesperada da equipa científica da missão revelou que o asteróide podia ser activo, ou estar a descarregar consistentemente partículas para o espaço. A análise contínua de Bennu – e as suas amostras que eventualmente serão transportadas para a Terra – podem lançar luz sobre o porquê da ocorrência deste fenómeno intrigante.

A equipa da OSIRIS-REx observou pela primeira vez um evento de ejecção de partículas nas imagens capturadas pelas câmaras de navegação da sonda no dia 6 de Janeiro, apenas uma semana após ter entrado na sua primeira órbita em torno de Bennu. À primeira vista, as partículas pareciam estrelas por trás do asteróide, mas, observando mais cuidadosamente, a equipa percebeu que o asteróide estava a libertar material da sua superfície. Depois de concluir que estas partículas não comprometiam a segurança da nave, a missão começou observações dedicadas para documentar completamente esta actividade.

“Entre as muitas surpresas de Bennu, as ejecções de partículas despertaram a nossa curiosidade, e passámos os últimos meses a investigar este mistério,” disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona em Tucson, EUA. “Esta é uma grande oportunidade para expandir o nosso conhecimento de como os asteróides se comportam.”

Depois de estudar os resultados das observações, a equipa da missão divulgou as suas descobertas num artigo científico publicado dia 6 de Dezembro na revista Science. A equipa observou os três maiores eventos de ejecção de partículas nos dias 6 e 19 de Janeiro, e 11 de Fevereiro, e concluiu que os eventos tiveram origem em diferentes locais da superfície de Bennu. O primeiro evento teve origem no hemisfério sul e o segundo e o terceiro ocorreram perto do equador. Todos os três eventos ocorreram ao final da tarde em Bennu.

A equipa descobriu que, após a ejecção da superfície do asteróide, as partículas orbitaram brevemente Bennu e caíram de volta à superfície ou escaparam para o espaço. As partículas observadas viajaram até 3 metros por segundo e tinham um tamanho inferior a 10 cm. Durante o maior evento, que ocorreu a 6 de Janeiro, foram observadas aproximadamente 200 partículas.

A equipa investigou uma ampla variedade de possíveis mecanismos que podem ter provocado os eventos de ejecção e reduziu a lista a três candidatos: impactos de meteoróides, fracturas por stress térmico e libertação de vapor de água.

Os impactos de meteoróides são comuns na vizinhança do espaço profundo de Bennu e é possível que esses pequenos fragmentos de rocha espacial estivessem a atingir Bennu onda a OSIRIS-REx não estava a observar, sacudindo partículas soltas com o momento do seu impacto.

A equipa também determinou que a fractura térmica é outra explicação possível. As temperaturas à superfície de Bennu variam drasticamente durante o período de rotação de 4,3 horas. Embora esteja extremamente frio durante as horas da noite, a superfície do asteróide aquece significativamente a meio da tarde, quando os três grandes eventos tiveram lugar. Como resultado desta mudança de temperatura, as rochas podem começar a rachar e a quebrar-se e, eventualmente, as partículas podem ser expelidas da superfície. Este ciclo é conhecido como fractura por stress térmico.

A libertação de água também pode explicar a actividade do asteróide. Quando as argilas presas em água são aquecidas, a água pode começar a libertar-se a criar pressão. É possível que, à medida que a pressão se acumula nas fissuras e nos poros das rochas onde a água absorvida é libertada, a superfície se torne agitada, levando à erupção de partículas.

Mas a natureza nem sempre permite explicações simples. “É possível que mais do que um destes mecanismos esteja em jogo,” disse Steve Chesley, autor do artigo e investigador sénior no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “Por exemplo, as fracturas térmicas podem estar a cortar o material da superfície em pedaços pequenos, facilitando em muito o lançamento de seixos para o espaço durante os impactos de meteoróides.”

Se as fracturas térmicas, os impactos de meteoróides, ou ambos, são de facto as causas destes eventos de ejecção, é provável que este fenómeno esteja a acontecer em todos os asteróides pequenos, pois todos sofrem estes mecanismos. No entanto, se a libertação de água é a causa destes eventos de ejecção, este fenómeno seria específico aos asteróides que contêm minerais com água, como Bennu.

A actividade de Bennu apresenta maiores oportunidades assim que a amostra seja recolhida e enviada para a Terra para estudo. Muitas das partículas ejectadas são pequenas o suficiente para serem recolhidas pelo mecanismo de amostragem, o que significa que as amostras podem conter algum material ejectado e que torna a cair para a superfície de Bennu. A determinação de que uma partícula em específico foi ejectada e voltou a Bennu poderá ser um feito científico semelhante a encontrar uma agulha num palheiro. No entanto, o material de Bennu que será trazido para a Terra, quase certamente aumentará a nossa compreensão dos asteróides e das maneiras como são diferentes e semelhantes, mesmo que o fenómeno de ejecção de partículas continue a ser um mistério cujas pistas também vão para a Terra sob a forma de dados e material adicional para estudo.

A recolha de amostras está programada para o verão de 2020 e as amostras chegarão à Terra em Setembro de 2023.

Astronomia On-line
10 de Dezembro de 2019

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3173: OSIRIS-REx prestes a seleccionar local de recolha de amostras

CIÊNCIA

Estas imagens mostram os quatro candidatos a local de recolha de amostras no asteróide Bennu: “Sandpiper”, “Osprey”, “Kingfisher” e “Nightingale”. Um destes quatro locais será o local em que a sonda OSIRIS-REx irá pousar para recolher amostras.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

A missão OSIRIS-REx da NASA está a poucos dias de seleccionar o local onde a sonda vai recolher amostras do asteróide Bennu. Após um processo demorado e complexo, a equipa está finalmente pronta para fazer a selecção de um local primário e outro de reserva de entre quatro candidatos.

A OSIRIS-REx é a primeira missão de recolha e envio de amostras de asteróides da NASA, de modo que esta decisão do local de recolha é essencial para as operações no asteróide e para o sucesso da missão.

Depois de escolher os quatro locais candidatos – de nomes “Sandpiper”, “Osprey”, “Kingfisher” e “Nightingale” – em Julho, a missão concluiu a sua fase A de reconhecimento. Durante a fase A, a sonda OSIRIS-REx realizou uma série de quatro passagens rasantes ao longo de um mês – um por cada dos potenciais locais de recolha de amostras. Esta fase da missão forneceu à equipa imagens de alta resolução para examinar minuciosamente o tipo de amostragem (material fino), topografia, albedo e cor de cada zona. Os dados recolhidos durante estes voos de alta altitude são fundamentais para determinar qual o mais adequado para a recolha de amostras.

Embora a missão esteja um passo mais perto de recolher amostras, as observações da fase A de reconhecimento revelaram que até os melhores locais candidatos em Bennu apresentam desafios significativos à recolha de amostras, e a escolha que o comité de selecção fará não é fácil.

“A selecção do local é realmente uma actividade compreensiva. Requer que analisemos muitos tipos diferentes de dados, de várias maneiras, para garantir que o local seleccionado é a melhor escolha em termos de segurança para a sonda, em termos de presença de material amostrável e em termos de valor científico,” disse Hearther Enos, vice-investigadora principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson, e presidente do conselho de selecção do local de recolha de amostras. “A nossa equipa é incrivelmente inovadora e está bastante bem integrada, e é isso que faz o processo de selecção funcionar.”

As imagens mais recentes mostram que embora exista material fino (com diâmetros inferiores a 2,5 cm), grande parte dele poderá não ser facilmente acessível. A missão foi originalmente construída para uma superfície parecida à de uma praia, com “lagoas” de material arenoso, não para o terreno acidentado de Bennu. Na realidade, os potenciais locais de amostragem não são áreas grandes e limpas, mas pequenos espaços cercados por grandes pedregulhos, de modo que a navegação da sonda para dentro e para fora dos locais exigirá um ajuste mais requintado do que o originalmente planeado.

Começando no hemisfério sul de Bennu, o local “Sandpiper” foi o primeiro sobrevoado durante a fase A de reconhecimento. “Sandpiper” é um dos locais mais “seguros” porque está localizado numa área relativamente plana, facilitando a aproximação e o afastar da nave. As imagens mais recentes mostram que está presente material granulado, mas o rególito arenoso está preso entre as rochas maiores, o que dificulta a operação do mecanismo de recolha de amostras.

O local “Osprey” foi o segundo local observado durante a fase A. Este local foi originalmente escolhido com base na sua forte assinatura espectral de material rico em carbono e devido a uma mancha escura no centro da cratera, que se pensava possivelmente ser material fino. No entanto, as imagens de alta resolução mais recentes de “Osprey” sugerem que o local contém material disperso que pode ser demasiado grande para ser ingerido pelo mecanismo de amostragem.

O local “Kingfisher” foi seleccionado porque está localizado numa pequena cratera – o que significa que pode ser uma característica relativamente jovem em comparação com as crateras maiores de Bennu (como a que contém a região “Sandpiper”). As crateras mais jovens geralmente contêm material mais fresco e minimamente alterado. Imagens de alta resolução capturadas durante o voo da fase A revelaram que embora a cratera original possa ser muito rochosa, uma cratera vizinha parece conter material fino.

A fase A de reconhecimento concluiu com a passagem pelo local “Nightingale”. As imagens mostram que a cratera contém uma boa quantidade de material fino sem obstruções. No entanto, enquanto a capacidade de amostragem do local permanece alta, Nightingale está situado bem para norte, onde as condições de iluminação criam desafios adicionais para a navegação da OSIRIS-REx. Também existe aí uma rocha do tamanho de um prédio situada na orla leste da cratera, que pode constituir um perigo para a nave quando esta se afastar após entrar em contacto com o local.

Bennu também tornou a identificação de um local que não accione os mecanismos de segurança da sonda um desafio. Durante a fase A de reconhecimento, a equipa começou a catalogar as características à superfície de Bennu para criar mapas para o sistema de navegação autónoma NFT (Natural Feature Tracking). Durante o evento de recolha de amostras, a sonda irá usar o NFT para navegar até à superfície do asteróide, comparando o catálogo de imagens a bordo com as imagens de navegação que serão capturadas durante a descida. Em resposta à superfície extremamente rochosa de Bennu, o sistema NFT foi aprimorado com um novo recurso de segurança que contém instruções para interromper a tentativa de recolha de amostras e para se afastar caso determine que o ponto de contacto está perto de uma característica potencialmente perigosa à superfície. Com rochas do tamanho de prédios e pequenos locais alvo, a equipa está ciente da possibilidade de a sonda interromper a primeira tentativa de descer para recolher amostras.

“Os desafios de Bennu são parte inerente desta missão e a equipa da OSIRIS-REx respondeu desenvolvendo medidas robustas para os superar,” disse Mike Moreau, vice-gerente do projecto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard. “Se a nave espacial interromper a sua recolha de amostras, isso significa simplesmente que a equipa e a OSIRIS-REx fizeram bem o seu trabalho de garantir que possa voar outro dia. O sucesso da missão é a nossa primeira prioridade.”

Qualquer que seja o local escolhido, a equipa da missão OSIRIS-REx está pronta para quaisquer novos desafios que Bennu apresente. Na próxima primavera, a equipa realizará mais voos de reconhecimento sobre os locais de amostra primário e de reserva e começará os ensaios para o pouso da nave. A recolha de amostras está programada para o verão de 2020 e as amostras chegarão à Terra em Setembro de 2023.

Astronomia On-line
10 de Dezembro de 2019

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2538: Nem Asteróide do Apocalipse, nem Deus do Caos. Nenhum asteróide (conhecido) vai colidir com a Terra nos próximos 100 anos

forplayday / Canva

A NASA continua a afirmar que nenhum asteróide conhecido representa um risco significativo de impacto com a Terra nos próximos 100 anos.

Vários média noticiaram nos últimos dias a aproximação à Terra do asteróide 99942 Apophis, também conhecido como “Deus do Caos”.

Este corpo rochoso, que tem 340 metros de largura, “passará” pela Terra nos próximos 10 anos, de acordo com as estimativas dos cientistas, e ficará a 30.500 quilómetros de distância do nosso planeta, recorda a agência Europa Press.

O Apophis é um dos maiores asteróides a passar tão perto da Terra e uma eventual colisão poderia ser devastara para toda a vida na Terra.

O jornal britânico The Express escreveu que a NASA já iniciou os preparativos para a passagem do Apophis, dando conta que a agência norte-americana está também atenta a eventuais mudanças na sua trajectória e a futuros impactos com a Terra.

Contudo, a NASA desdramatiza a situação. Na sua página oficial, escreve que o maior risco de impacto para um asteróide conhecido (FD 2009) ocorrerá em 2185 e tem uma probabilidade de impacto de 1 em 714 – ou seja, uma possibilidade menor que 0,2%.

A tabela de risco que monitoriza riscos de impactos é da responsabilidade do NEO Study Center do Jet Propulsion Laboratory, sendo também continuamente actualizada à medida que novos asteróides são descobertos e que mais asteróides conhecidos são observados.

Um dos asteróide que a NASA estuda de perto é o Bennu, que tem uma possibilidade de impactar a Terra de 1 em 2.700 entre 2175 e 2195.

A nave espacial OSIRIS-REx completará uma investigação de 2 anos ao asteróide antes de extrair uma amostra de material da superfície do corpo rochoso para depois devolvê-la à Terra. O lugares para pousar no Bennu, também conhecido como Asteróide do Apocalipse, foram recentemente definidos.

Além de recolher uma amostra, OSIRIS-REx também estudará como é que a luz absorvida pelo Sol e re-irradiada pelo Bennu afecta a sua órbita e, consequentemente, como é que esta órbita se pode tornar mais perigosa para a Terra.

ZAP //

Por ZAP
29 Agosto, 2019

(extra-notícia) Asteróide “Deus do Caos”

 

2472: A NASA já escolheu os lugares de pouso no “Asteróide do Apocalipse”

NASA’s Goddard Space Flight Center

Depois de mais de oito meses a explorar o asteróide Bennu, também conhecido como o “Asteróide do Apocalipse”, a NASA já escolheu quatro áreas na sua superfície onde a nave espacial da missão OSIRIS-REx irá pousar.

Os astrónomos da agência espacial norte-americana consideram que o Bennu, que se localiza entre a Terra e Marte, é o “o testemunho silencioso de eventos titânicos na história de 4,6 mil milhões de anos do Sistema Solar”.

O asteróide é uma rocha gigantesca com cerca de 500 metros de diâmetro e pesa cerca de 87 milhões de toneladas, sendo ainda um dos asteróide mais próximos da Terra.

Os especialistas da OSIRIS-REx escolheram quatro lugares na superfície do asteróide para explorar o corpo celeste em detalhe. Cada área recebeu o nome de uma espécie de ave encontrada no Egipto, uma vez que a União Astronómica Internacional decidiu que os nomes oficiais de partes deste asteróide devem referir-se a aves mitológicas.

Segundo revelou a equipa, a escolha das áreas para pousar a nave foi mais difícil do que se acreditava que iria ser. A superfície do asteróide Bennu é mais rochosa do que parecia à distância, informação que a NASA confirmou depois de ter obtido imagens do asteróide captadas pela nave espacial Osiris-Rex.

A nave espacial chegou perto do asteróide em Dezembro de 2018, entrado na órbita do Bennu no final desse mesmo ano. Desde então, a nave tem explorado a superfície do asteróide, criando um mapa pormenorizado do corpo celeste.

Graças a este mesmo mapa, os cientistas da NASA conseguiram agora escolher os lugares mais convenientes para o futuro pouso. Os astrónomos querem realizar as primeiras recolhas de amostras do solo do asteróide no segundo sementes de 2020.

O melhor lugar definido pelos especialista da agência foi uma cratera que contem uma substância semelhante a areia. Os cientistas esperam começar a estudar o material que irá ser recolhido em Setembro de 2023.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
19 Agosto, 2019

 

2453: Seleccionados os quatro candidatos finais a local de recolha de amostras de Bennu

Na imagem encontram-se os quatro locais candidatos à recolha de amostras do asteróide Bennu pela missão OSIRIS-REx da NASA. “Nightingale” (canto superior esquerdo) encontra-se no hemisfério norte de Bennu. “Kingfisher” (canto superior direito) e “Osprey” (canto inferior esquerdo) encontram-se na região equatorial do asteróide. “Sandpiper” (canto inferior direito) está no hemisfério sul de Bennu. Em Dezembro, um destes locais será o escolhido para o evento de pouso da missão.
Crédito: NASA/Universidade do Arizona

Depois de meses a lutar contra a dura realidade da superfície do asteróide Bennu, a equipa que lidera a primeira missão de retorno de amostras de um asteróide da NASA seleccionou quatro potenciais locais para a nave espacial OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) tocar o seu parceiro de dança cósmica.

Desde a sua chegada em Dezembro de 2018 que a sonda OSIRIS-REx tem mapeado todo o asteróide com o objectivo de identificar os locais mais seguros e acessíveis para a nave recolher amostras. Estes quatro locais agora serão estudados em mais detalhe a fim de seleccionar os dois últimos alvos – um primário e um local de reserva – em Dezembro.

A equipa originalmente planeava já ter escolhidos os dois últimos locais até este ponto da missão. A análise inicial de observações terrestres sugeriu que a superfície do asteróide provavelmente continha grandes “lagoas” de material fino. As primeiras imagens da nave, no entanto, revelaram que Bennu tem um terreno particularmente rochoso. Desde então, a topografia cheia de pedregulhos criou um desafio para a equipa identificar áreas seguras contendo material amostrável, que deve ser suficientemente fino – menos de 2,5 cm de diâmetro – para o mecanismo de recolha o conseguir recolher.

“Sabíamos que Bennu ia surpreender-nos, de modo que viemos preparados para o que pudéssemos encontrar,” disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson, EUA. “Como acontece com qualquer missão de exploração, lidar com o desconhecido requer flexibilidade, recursos e engenho. A equipa OSIRIS-REx demonstrou estes traços essenciais para superar o inesperado durante todo o encontro com Bennu.”

O cronograma original da missão incluía, intencionalmente, mais de 300 dias de tempo extra para as operações de asteróide a fim de enfrentar tais desafios inesperados. Numa demonstração da sua flexibilidade e engenho em resposta às surpresas de Bennu, a equipa da missão está a adaptar o seu processo de selecção de locais. Em vez de seleccionar os dois últimos locais este verão, a missão vai passar mais quatro meses a estudar os quatro candidatos em mais detalhe, prestando especial atenção na identificação de regiões com material fino e amostrável recorrendo a observações de alta resolução. Os mapas que os “cidadãos contadores de pedregulhos” ajudaram a criar através de observações no início deste ano foram usados como um dos muitos dados considerados na avaliação da segurança de cada local. Os dados recolhidos serão fundamentais para seleccionar os dois últimos alvos mais adequados para a recolha de amostras.

A fim de se adaptar ainda mais à complexa superfície de Bennu, a equipa da OSIRIS-REx fez outros ajustes no processo de identificação do seu local de recolha de amostras. O plano original da missão previa um local de recolha de amostras com um raio de 25 metros. Não existem locais deste tamanho que não tenham pedregulhos, por isso a equipa identificou locais que variam entre 5 e 10 metros em raio. Para que a sonda tenha como alvo um local mais pequeno, a equipa reavaliou as capacidades operacionais da nave a fim de maximizar o seu desempenho. A missão também reforçou os seus requisitos de navegação para guiar a sonda até à superfície do asteróide, e desenvolveu uma nova técnica de amostragem chamada “Bullseye TAG,” que usa imagens da superfície do asteróide para navegar, com alta precisão, a sonda até ao solo. Até agora, o desempenho da missão demonstrou que os novos padrões estão dentro das suas capacidades.

“Embora a OSIRIS-REx tenha sido construída para recolher amostras de um asteróide a partir de uma área semelhante a uma praia, o extraordinário desempenho de voo, até à data, demonstra que seremos capazes de enfrentar o desafio que a superfície acidentada de Bennu representa,” comentou Rich Burns, gerente do projecto da OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Este extraordinário desempenho engloba não apenas a nave e os instrumentos, mas também a equipa que continua a enfrentar todos os desafios que Bennu nos lança.”

Os quatro locais candidatos em Bennu são designados “Nightingale” (rouxinol), “Kingfisher” (guarda-rios), “Osprey” (águia-pesqueira) e “Sandpiper” (galinhola) – pássaros nativos do Egipto. O tema da nomenclatura complementa as outras duas convenções de nomenclatura da missão – divindades egípcias (o asteróide e a nave espacial) e aves mitológicas (características à superfície de Bennu).

Os quatro locais são diversos tanto em posição geográfica como em características geológicas. Embora a quantidade de material amostrável em cada local ainda não tenha sido determinada, todos os quatro locais foram cuidadosamente avaliados para garantir a segurança da sonda à medida que desce, toca e recolhe uma amostra da superfície do asteróide.

“Nightingale” é o local mais a norte, situado a 56º N. Existem várias possíveis regiões de recolha de amostras. Encontra-se dentro de uma pequena cratera englobada por uma cratera maior com mais de 140 metros de diâmetro. O local contém principalmente material escuro e fino e tem o menor albedo, ou reflectividade, e a temperatura mais baixa dos quatro alvos.

“Kingfisher” está localizado numa pequena cratera perto do equador de Bennu a 11º N. A cratera tem um diâmetro de 8 metros e é cercada por pedregulhos, embora o local propriamente dito esteja livre de rochas grandes. Dos quatro locais, “Kingfisher” tem a mais forte assinatura espectral de minerais hidratados.

“Osprey” está situada numa pequena cratera, com 20 metros em diâmetro, também localizada na região equatorial de Bennu a 11º N. Existem várias possíveis regiões de recolha de amostras no local. A diversidade de tipos de rochas na área circundante sugere que o rególito de “Osprey” também pode ser diversificado. “Osprey” tem a mais forte assinatura espectral de material rico em carbono dos quatro alvos.

“Sandpiper” está localizado no hemisfério sul de Bennu, a 47º S. O local encontra-se numa área relativamente plana na parede de uma grande cratera com 63 metros em diâmetro. Também estão presentes minerais hidratados, o que indica que “Sandpiper” pode conter material não modificado e rico em água.

Neste outono, a OSIRIS-REx dará início a análises detalhadas dos quatro locais candidatos durante a fase de reconhecimento da missão. Durante o primeiro estágio desta fase, a sonda executará passagens altas sobre cada um dos quatro locais a partir de uma distância de 1,29 km para confirmar que são seguros e contêm material amostrável. A obtenção de imagens detalhadas também ajudará a mapear as características e pontos de referência necessários para a navegação autónoma da sonda até à superfície do asteróide. A equipa usará os dados destas passagens para seleccionar os dois locais de recolha de amostras finais (o primário e o de reserva) em Dezembro.

O segundo e terceiro estágios do reconhecimento vão começar no início de 2020, quando a sonda realizar passagens sobre os dois últimos locais a altitudes ainda mais baixas e captar observações de resolução ainda mais elevada da superfície com o objectivo de identificar características, como agrupamentos de rochas que serão usados para navegar ate à superfície para recolha de amostras. A recolha de amostras da OSIRIS-REx está prevista para a segunda metade de 2020 e a sonda regressará à Terra no dia 24 de Setembro de 2023.

Astronomia On-line
16 de Agosto de 2019

 

2066: NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx

Esta imagem mostra a superfície do asteróide Bennu numa região perto do equador. Foi obtida pela PolyCam a bordo da sonda OSIRIS-REx no dia 21 de Março a uma distância de 3,5 km. O campo de visão mede 48,3 metros. Para efeitos de escala, a rocha clara no canto superior esquerdo da imagem tem 7,4 m de comprimento.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

A missão OSIRIS-REx da NASA, actualmente em órbita do asteróide Bennu, precisa de mais pares de olhos para ajudar a escolher o local de recolha de amostras – e para procurar qualquer outra coisa que possa ser cientificamente interessante.

A sonda OSIRIS-REx encontra-se em Bennu desde 3 de Dezembro de 2018, mapeando detalhadamente o asteróide, enquanto a equipa da missão procura um local de recolha de amostras seguro, propício à colecta de amostras e digno de estudo mais detalhado. Um dos maiores desafios deste esforço, que a equipa descobriu logo após chegar ao asteróide há cinco meses atrás, é que Bennu tem uma superfície extremamente rochosa e cada pedregulho representa um perigo para a segurança da nave. Para agilizar o processo de selecção de amostras, a equipa está a solicitar a cidadãos, cientistas voluntários, que desenvolvam um mapa de risco contando pedregulhos.

“Pela segurança da sonda, a equipa da missão precisa de um catálogo abrangente de todos os pedregulhos próximos dos potenciais locais de recolha de amostras, e convido os membros do público a ajudar a equipa da missão OSIRIS-REx a realizar esta tarefa essencial,” disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA.

Para este esforço, a NASA fez parceria com o CosmoQuest, um projecto do PSI (Planetary Science Institute) que apoia iniciativas de ciência cidadã. Os voluntários realizarão as mesmas tarefas que os cientistas planetários – medindo as rochas de Benu e mapeando os seus pedregulhos e crateras – através da utilização de uma simples interface web. Também vão marcar outras características cientificamente interessantes no asteróide para futuras investigações.

O trabalho de mapeamento de rochas envolve um alto grau de precisão, mas não é difícil. A aplicação de mapeamento do CosmoQuest requer um computador, um monitor e um rato capaz de fazer marcas precisas. Para ajudar os voluntários a começar, a equipa do CosmoQuest fornece um tutorial interactivo, bem como assistência adicional ao utilizador por meio de uma comunidade Discord e sessões de “livestreaming” no site Twitch.

“Estamos muito satisfeitos e empolgados por disponibilizar as imagens da OSIRIS-REx para este importante empreendimento de ciência cidadã,” disse Rich Burns, gerente do projecto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. “Bennu surpreendeu-nos com uma abundância de pedregulhos. Pedimos a ajuda dos cientistas cidadãos para avaliar este terreno acidentado, para que possamos manter a nossa nave em segurança durante as operações de recolha de amostras.”

A recolha de amostras não é algo novo para a NASA – este ano, a agência espacial comemora o 50.º aniversário das missões Apolo à Lua, que permitiram com que os astronautas trouxessem 382 kg de amostras de rochas e solo lunar. Essas amostras ajudaram os cientistas a descobrir que a Lua tem água nas rochas e até permanentemente gelada nas crateras. Estes achados, e outros, inspiraram a agência a criar o programa Artemis para fazer regressar humanos à Lua até 2024 e a começar a preparar a exploração humana de Marte.

“A missão OSIRIS-REx vai continuar o legado da Apolo dando aos cientistas amostras preciosas de um asteróide,” disse Lori Glaze, directora da Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA em Washington. “Estas amostras vão ajudar os cientistas a descobrir os segredos da formação planetária e as origens do nosso planeta Terra.”

A campanha de mapeamento de Bennu continua até 10 de Julho, quando a missão inicia o processo de selecção do local de recolha de amostras. Assim que os locais primários e secundários sejam seleccionados, a nave começará um reconhecimento mais próximo para mapear os dois locais a uma resolução inferior a um centímetro. A manobra de amostragem TAG (Touch-and-Go) está programada para Julho de 2020, e a sonda regressará à Terra com a sua carga em Setembro de 2023.

Para juntar-se como voluntário à iniciativa de mapeamento de Bennu, visite:

http://bennu.cosmoquest.org/

Astronomia On-line
28 de Maio de 2019


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1920: Metade da água nos nossos oceanos pode ter vindo do Espaço (à boleia de asteróides)

CIÊNCIA

(dr) JAXA

Mais de 70% da superfície da Terra está coberta de água, quase toda ela nos oceanos. Mas de onde veio toda esta água?

Várias hipóteses procuram explicar como é que a água chegou ao nosso planeta nos primeiros dias da sua formação, incluindo a ideia de que a água molecular saiu de minerais hidratados na Terra e a possibilidade de que os asteróides e os cometas tenham libertado água para a Terra.

Novas investigações publicadas na revista Science Advances apoiam a hipótese do asteróide, sugerindo que estes visitantes rochosos poderiam ter fornecido até metade da água da Terra há milhões de anos.

Actualmente há duas missões a recolher material de asteróides, Hayabusa-2 e OSIRIS-REx. Mas antes deles, havia a Hayabusa (a original), que trouxe pequenas amostras de rochas espaciais para serem analisadas na Terra em 2010.

Investigadores da Universidade Estadual do Arizona descobriram que o asteróide Itokawa tem materiais ricos em água. A equipe encontrou o piroxénio mineral em duas das cinco amostras. Na Terra, este mineral contém moléculas de água na sua estrutura cristalina e os cientistas esperavam que esse também fosse o caso de Itokawa.

O asteróide Itokawa é um asteróide em forma de amendoim com diâmetro máximo de 535 metros e largura de 209 a 294 metros. Sofreu vários impactos, aquecimento, choques e fragmentações. Esses eventos aumentariam a temperatura do asteróide e levariam a uma perda de água.

Itokawa parece ser o produto final de um corpo parental de 19 quilómetros que atingiu temperaturas de até 800°C e foi destruído por impactos, com um final que o separou completamente. Alguns dos fragmentos fundiram-se com o que vemos hoje. “Embora as amostras tenham sido recolhidas na superfície, não sabemos onde estes grãos estavam no corpo original. Mas o melhor palpite é que tenham sido enterrados a mais de cem metros de profundidade”, explicou Jin.

O mistério da origem da água da Terra é fascinante, escreve a IFL Science. Enquanto alguma água foi libertada por processos vulcânicos, acredita-se que uma grande fracção tenha vindo do espaço. Cometas e asteróides do tipo C, que são ricos em gelo, foram considerados culpados, mas a composição isotópica da sua água não corresponde à da Terra. Já as amostras de Itokawa são indistinguíveis das amostras de água na Terra.

ZAP //

Por ZAP
4 Maio, 2019

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1854: NASA revela em detalhe superfície do “Asteróide do Apocalipse”

NASA / Goddard / Universidade do Arizona

A NASA divulgou novas imagens captadas pela sonda OSIRIS-REx a uma distância de apenas 4,8 quilómetros do “Asteróide do Apocalipse”.

A Sonda OSIRIS-REx, da agência espacial norte-americana, é responsável por estudar o asteróide Bennu, tendo sido lançada no final do ano passado com essa missão. O “asteróide do Apocalipse” tem um diâmetro de, aproximadamente, 493 metros e é considerado “potencialmente perigoso” para a Terra, de acordo com a NASA.

As fotografias capturadas pela câmara PolyCam, incorporada na sonda da NASA, mostram em detalhe a superfície do Bennu. Na primeira fotografia, é possível observar a maior rocha no hemisfério norte do asteróide, cujo ponto mais alto atinge os 23,5 metros.

NASA’s OSIRIS-REx

@OSIRISREx

Here’s one of the largest boulders in Bennu’s northern hemisphere. It’s 77 feet tall – about a fourth of the length of a football field – and it looms over the other rocks in the region. 🦎

More details: https://bit.ly/2Idgzaq 

Numa outra imagem é possível observar uma área perto do equador do Bennu. Das duas grandes formações rochosas que se conseguem ver na fotografia, aquela que está na parte superior à direita tem 21 metros de comprimento, o equivalente a quatro lugares de estacionamento.

NASA’s OSIRIS-REx

@OSIRISREx

So we’re clear, that rock was like that when I got here …

This image from DS:BBD Flyby 1 shows the rocky surface of Bennu just south of the equator. That cracked rock is 69 ft long, about the length of 4 parallel parking spots.

More detail: https://bit.ly/2IpIKSG

Um grande número de rochas de maiores dimensões foi também detectado numa região do hemisfério sul de Bennu. “Este é um bom exemplo de alguns dos ângulos de visão oblíquos em que estamos a trabalhar para obter fotografias do Bennu”, escreveu a equipa no Twitter.

“As sombras neste ângulo dão uma sensação da altitude da rocha, e podemos ver mais detalhes da superfície a partir deste ângulo“, sublinham ainda.

A sonda OSIRIS-REx entrou na órbita de Bennu em Dezembro de 2018. A sonda foi lançada em Setembro de 2016, com o objectivo de trazer à Terra uma amostra dos materiais da superfície do asteróide para obter informações adicionais sobre as origens do Universo.

Uma vez em cada seis anos, o “Asteróide do Apocalipse” aproxima-se da Terra. Devido a esta aproximação, há uma alta possibilidade de Bennu impactar com a Terra no final do século XXII. O seu tamanho, composição primitiva e órbita potencialmente perigosa tornam-no num dos asteróides mais fascinantes e acessíveis para estudar.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
17 Abril, 2019

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1754: Misteriosas ejecções no “Asteróide do Apocalipse” deixam cientistas da NASA perplexos

NASA / Goddard / University of Arizona
Asteróide Bennu

A sonda OSIRIS-REx da NASA, que se encontra em órbita do asteróide Bennu ou “Asteróide do Apocalipse”, revelou uma anomalia nunca antes vista.

Uma descoberta surpreendente está a colocar o Bennu, ou “Asteróide do Apocalipse”, novamente no centro das atenções. A sonda OSIRIS-REx da NASA observou este asteróide a lançar plumas de poeira que o envolvem numa neblina – um fenómeno nunca antes visto. Na prática, segundo os cientistas, trata-se da descoberta de inexplicáveis jactos de partículas que são ejectados a partir do próprio Bennu.

De acordo com a NASA, a impressionante nuvem de poeira foi observada pela primeira vez no dia 6 de Janeiro. Desde então, os especialistas da agência espacial norte-americana aumentaram a frequência das suas observações e detectaram pelo menos 11 dessas colunas de partículas nos últimos dois meses.

Curiosamente, embora a maior parte da poeira tenha sido expulsa da órbita de Bennu, ainda resta alguma a circular em torno do “Asteróide do Apocalipse” como se fossem pequenas luas. “A descoberta das plumas é uma das maiores surpresas da minha carreira científica”, disse o investigador Dante Lauretta, da Universidade do Arizona, nos EUA.

O objectivo da OSIRIS-REx é estudar a rocha para descobrir informações sobre o antigo Sistema Solar, uma vez que o asteróide Bennu se formou naquela época. Num passo ambicioso, a sonda vai tirar uma amostra do asteróide com a ajuda de um braço robótico, e trazê-lo de volta à Terra.

Até agora, as plumas observadas não foram oficialmente incluídas nos resultados já publicados sobre Bennu, que são detalhados numa série de artigos publicados esta semana na Nature Astronomy.

Apesar de alguns pedaços permaneceram na órbita do asteróide (talvez a caminho de se tornarem luas em miniatura), as plumas não representam um risco para a sonda da NASA. No entanto, além da suspeita de que os asteróides podem ser muito mais activos do que pensamos, isto é tudo o que se sabe sobre as misteriosas ejecções de poeira.

Os astrónomos já haviam detectado plumas no Cometa 67P. No entanto, esse fenómeno pode ter sido causado pelos gelos voláteis que sublimam em cavidades sob a superfície do cometa, fazendo com que essas cavidades se desmoronem e expilam a poeira.

Mas, ao contrário do 67P, o “Asteróide do Apocalipse” não contém gelo. Na verdade, não é impossível que o Bennu tenha gelo na sua superfície, mas a sua posição orbital é demasiado quente para que o gelo se consiga formar.

No entanto, entre outras descobertas, os cientistas do Southwest Research Institute descobriram minerais semelhantes a meteoritos, chamados condritos carbonosos, que são conhecidos por serem ricos em compostos voláteis e mostram evidências de interacções com água ou gelo.

Isto pode significar que o gelo era abundante no disco planetário durante o tempo da formação do Sistema Solar, ou seja, quando o Bennu “nasceu”.

Espera-se agora pela prenda preciosa que o braço robótico da OSIRIS-REx, que trará à Terra amostras que irão revelar muitos mais segredos sobre o asteróide. Ainda assim, as descobertas foram detalhadas recentemente numa edição especial da Nature Astronomy.

Até agora, estas descobertas levantaram mais questões do que respostas – a natureza destas colunas de partículas continua a ser um autêntico mistério.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
23 Março, 2019

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1751: OSIRIS-REx revela grandes surpresas em Bennu

Esta imagem do asteróide Bennu mostra partículas expelidas da sua superfície no dia 19 de Janeiro. Foi criada combinando duas imagens obtidas pela sonda OSIRIS-REx da NASA. Também foram aplicadas outras técnicas de processamento de imagem, como corte e ajustamento do brilho e contraste de cada imagem.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona/Lockheed Martin

A nave espacial da NASA que transportará, em 2023, uma amostra do asteróide próximo da Terra, chamado Bennu, fez as suas primeiras observações detalhadas das plumas de partículas em erupção da superfície de um asteróide. Bennu também se revelou mais robusto do que o esperado, desafiando a equipa a alterar os seus planos de voo e recolha de amostras devido ao terreno acidentado.

Bennu é o alvo da missão OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) da NASA, que começou a orbitar o asteróide no passado dia 31 de Dezembro. Bennu, que é apenas ligeiramente maior que a altura do Empire State Building, pode conter material inalterado desde o início do nosso Sistema Solar.

Esta imagem mostra a superfície do hemisfério sul de Bennu e demonstra o número e distribuição de pedregulhos. Foi obtida no dia 7 de março pela câmara PolyCam a bordo da nave OSIRIS-REx da NASA a uma distância de mais ou menos 5 km. O grande pedregulho logo abaixo do centro tem 7,4 metros, quase metade de um campo de basquetebol.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

“A descoberta de plumas é uma das maiores surpresas da minha carreira científica,” disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson, EUA. “E o terreno acidentado foi contra todas as nossas previsões. Bennu já nos está a surpreender e a nossa emocionante jornada está apenas a começar.”

Logo após a descoberta das plumas de partículas no dia 6 de Janeiro, a equipa da missão científica aumentou a frequência das observações e, posteriormente, detectou plumas adicionais de partículas durante os dois meses seguintes. Embora muitas das partículas tenham sido expelidas de Bennu, a equipa rastreou algumas partículas que orbitaram Bennu como satélites antes de regressarem à superfície do asteróide.

A equipa da OSIRIS-REx inicialmente avistou as plumas de partículas em imagens enquanto a sonda orbitava Bennu a uma distância de aproximadamente 1,61 km. Após uma avaliação de segurança, a equipa da missão concluiu que as partículas não representavam um risco para a espaço-nave. A equipa continua a analisar as plumas de partículas e as suas possíveis causas.

“Os primeiros três meses da investigação minuciosa da OSIRIS-REx em Bennu lembram-nos o significado da descoberta – surpresas, raciocínio rápido e flexibilidade,” disse Lori Glaze, directora interina da Divisão de Ciências Planetárias na sede da NASA em Washington. “Estudamos asteróides como Bennu para aprender mais sobre a formação do Sistema Solar. A amostra da OSIRIS-REx vai ajudar a responder a algumas das maiores questões sobre as nossas origens.”

A OSIRIS-REx foi lançada em 2016 para explorar Bennu, que é o corpo mais pequeno já orbitado por uma sonda espacial. O estudo de Bennu permitirá que os investigadores aprendam mais sobre as origens do nosso Sistema Solar, as fontes de água e moléculas orgânicas na Terra, os recursos no espaço próximo da Terra, bem como melhorar a nossa compreensão dos asteróides que podem impactar a Terra.

A equipa da OSIRIS-REx também não antecipou o número e tamanho dos pedregulhos à superfície de Bennu. A partir de observações terrestres, a equipa esperava uma superfície geralmente lisa com alguns pedregulhos grandes. Em vez disso, descobriu que toda a superfície de Bennu é acidentada e densamente povoada com pedregulhos.

A densidade de pedregulhos, mais alta do que o esperado, significa que os planos da missão para a recolha de amostras, também conhecida como TAG (Touch-and-Go), precisam de ser ajustados. O projecto original da missão foi baseado num local de amostras livre de perigos com um raio de 25 metros. No entanto, devido ao terreno inesperadamente áspero, a equipa não conseguiu identificar um local desse tamanho em Bennu. Ao invés, começou a identificar locais candidatos muito mais pequenos em raio.

A área mais pequena para recolha de amostras e o maior número de pedregulhos vão exigir um desempenho mais preciso da sonda durante a sua descida até à superfície do que o originalmente planeado. A equipa da missão está a desenvolver uma aproximação actualizada, de nome Bullseye TAG, para ter como alvo mais preciso locais mais pequenos para recolha de amostras.

“Ao longo das operações da OSIRIS-REx perto de Bennu, as nossas equipas demonstraram que podemos alcançar um desempenho de sistema que supera os requisitos do projecto,” comentou Rich Burns, gerente do projecto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Bennu lançou-nos o desafio de lidar com o seu terreno acidentado e estamos confiantes de que a OSIRIS-REx está à altura da tarefa.”

A estimativa original, com um baixo número de pedregulhos, foi derivada tanto de observações terrestres da inércia térmica de Bennu – a sua capacidade de conduzir e armazenar calor – como de medições de radar da sua rugosidade superficial. Agora que a OSIRIS-REx revelou a superfície de perto, essas expectativas de uma superfície mais lisa provaram estar erradas. Isto sugere que os modelos computacionais usados para interpretar dados anteriores não preveem adequadamente a natureza das superfícies de asteróides pequenos e rochosos. A equipa está a rever estes modelos com os dados de Bennu.

A equipa científica da OSIRIS-REx fez muitas outras descobertas sobre Bennu nos três meses desde a chegada da sonda ao asteróide, algumas das quais foram apresentadas na passada terça-feira na 50.ª Conferência Lunar e Planetária em Houston e numa colecção especial de artigos publicados na revista Nature.

A equipa observou directamente uma mudança na rotação de Bennu como resultado do que é conhecido como o efeito YORP (Yarkovsky-O’Keefe-Radzievskii-Paddack). O aquecimento e o arrefecimento irregulares de Bennu, ao girar, faz com que o asteróide aumente a sua velocidade de rotação. Como resultado, o período de rotação de Bennu diminui cerca de um segundo a cada 100 anos. Separadamente, dois dos instrumentos da sonda, a câmara a cores MapCAm e o instrumento OTES (OSIRIS-REx Thermal Emission Spectrometer), fizeram detecções de magnetita à superfície de Bennu, o que reforça descobertas anteriores indicando a interacção da rocha com água líquida no corpo original de Bennu.

Astronomia On-line
22 de Março de 2019

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1719: Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, gira mais depressa ao longo do tempo

Esta série de imagens da MapCam foi obtida durante 4 horas e 19 minutos no dia 4 de Dezembro de 2018, pela OSIRIS-REx, quando fez a sua primeira passagem pelo pólo norte do asteróide. As imagens foram captadas quando o orbitador se aproximava de Bennu, antes da maior aproximação ao pólo do asteróide. À medida que o asteróide gira e se torna maior no campo de visão, a distância ao centro de Bennu encolhe de 11,4 para 9,3 km. Esta foi a primeira de cinco passagens pelos pólos e equador de Bennu que a OSIRIS-REx realizou durante o seu estudo preliminário do asteróide.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

No final de 2018, a sonda OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) chegou a Bennu, o asteróide que vai estudar durante os próximos anos.

Agora, uma nova investigação publicada na revista Geophysical Research Letters da União Geofísica Americana mostra que Bennu está a girar mais depressa com o passar do tempo – uma observação que vai ajudar os cientistas a entender a evolução dos asteróides, a sua potencial ameaça à Terra e se os seus recursos podem ser minados.

Bennu está a 110 milhões de quilómetros da Terra. À medida que se move pelo espaço a mais ou menos 101.000 km/h, também gira, completando uma rotação completa a cada 4,3 horas.

A nova investigação descobriu que a rotação do asteróide está a acelerar cerca de 1 segundo por século. Por outras palavras, o período de rotação de Bennu está a diminuir cerca de 1 segundo a cada 100 anos.

Embora o aumento na aceleração possa não parecer um valor elevado, ao longo do tempo pode traduzir-se em mudanças dramáticas na rocha espacial. Segundo os autores do estudo, à medida que gira cada vez mais depressa, com o passar de milhões de anos, pode perder fragmentos ou até desfazer-se.

A detecção da subida na rotação ajuda os cientistas a compreender os tipos de mudanças que podem ter ocorrido em Bennu, como deslizamentos ou outras mudanças a longo prazo, que a missão OSIRIS-REx vai analisar.

“À medida que o período de rotação diminui, as coisas devem mudar, por isso vamos procurar essas coisas e a detecção desta aceleração dá-nos algumas pistas sobre os tipos de coisas que devemos procurar,” comenta Mike Nolan, investigador do LPL (Lunar and Planetary Laboratory) da Universidade do Arizona em Tucson, EUA, autor principal do novo artigo e líder da equipa científica da missão OSIRIS-REx. “Temos que procurar evidências de algo diferente no passado recente e é possível que as coisas ainda estejam a mudar.”

A missão OSIRIS-REx está programada para trazer uma amostra de Bennu para a Terra em 2023. A compreensão das alterações rotacionais de Bennu pode ajudar os cientistas a descobrir o que os asteróides nos podem dizer sobre a origem do Sistema Solar, quão provável é o seu papel como ameaça para os seres humanos e se os seus recursos podem ser extraídos.

“Se quisermos fazer estas coisas, temos que saber o que está a afectá-lo,” acrescenta Nolan.

Detectando uma mudança

A fim de entender a rotação de Bennu, os cientistas estudaram dados do asteróide, obtidos a partir da Terra em 1999 e 2005, juntamente com dados recolhidos pelo Telescópio Espacial Hubble em 2012. Quando examinaram os dados do Hubble é que notaram que a velocidade de rotação do asteróide em 2012 não correspondia às suas previsões com base nos dados anteriores.

“Os três conjuntos de dados não encaixavam correctamente,” explicou Nolan. “E foi aí que surgiu a ideia de que tinha que estar a acelerar.”

Segundo Nolan, a ideia de que a rotação dos asteróides pode acelerar com o tempo foi prevista inicialmente em meados de 2000 e detectada pela primeira vez em 2007. Até à data, esta aceleração só foi detectada num punhado de asteróides.

A mudança na rotação de Bennu pode ser devida a uma alteração na sua forma. Tal como os patinadores de gelo aceleram ao colocar os braços junto ao corpo, um asteróide pode acelerar à medida que perde material.

Nolan e co-autores sugerem que a razão para a diminuição do período de rotação de Bennu é mais provavelmente devida a um fenómeno conhecido como efeito YORP. A luz solar que atinge o asteróide é reflectida para o espaço. A mudança na direcção da luz que entra e sai empurra o asteróide e pode fazê-lo girar mais depressa, dependendo da sua forma e rotação.

A missão OSIRIS-REx vai determinar, este ano e de forma independente, a rotação de Bennu, o que vai ajudar os cientistas a descobrir o motivo da aceleração. Tendo em conta que as naves espaciais nunca irão visitar a grande maioria dos asteróides, as medições também vão ajudar os cientistas a aprender quão bem as medições obtidas no solo são capazes de analisar estes objectos distantes.

“Ao testarmos estas previsões, com alguns casos, vamos melhorar significativamente a nossa confiança nas previsões feitas para outros objectos,” escrevem os autores do estudo.

A medição da aceleração de Bennu, combinada com a chegada da OSIRIS-REx ao asteróide, dá aos cientistas uma grande oportunidade para validar os resultados do novo estudo e testar teorias sobre o efeito YORP, disse Desiree Cotto-Figueroa, professora assistente de física e electrónica na Universidade de Porto Rio em Humacao, que não esteve envolvida no novo estudo.

“Esta é, no geral, uma grande oportunidade, tendo esta medição e tendo a sonda OSIRIS-REx a observar o asteróide ‘in situ’, para nos ajudar a entender melhor este efeito, que é um mecanismo dominante na evolução dos asteróides,” conclui.

Astronomia On-line
15 de Março de 2019

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1413: Recém-chegada Osiris-Rex já descobriu água no asteróide Bennu

Este mosaico do asteróide Bennu é composto por 12 imagens da Polycam recolhidas no dia 2 de Dezembro pela sonda OSIRIS-REx a 24 km.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Dados recentemente analisados da missão OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) da NASA revelaram água em argilas que compõem o seu alvo científico, o asteróide Bennu.

Durante a fase de aproximação da missão, entre meados de Agosto e o início de Dezembro, a sonda viajou 2,2 milhões de quilómetros na sua jornada da Terra para alcançar uma posição a 19 km de Bennu no dia 3 de Dezembro. Durante esse tempo, a equipa de cientistas na Terra apontou três dos instrumentos da nave para Bennu e começou a fazer as primeiras observações científicas do asteróide. A OSIRIS-REx é a primeira missão da NASA de retorno de amostras de um asteróide.

Dados obtidos a partir de dois espectrómetros da sonda, o OVIRS (OSIRIS-REx Visible and Infrared Spectrometer) e o OTES (OSIRIS-REx Thermal Emission Spectrometer), revelaram a presença de moléculas que contêm átomos de oxigénio e hidrogénio ligados, conhecidos como “hidroxilos”. A equipa suspeita que estes grupos hidroxilos existam globalmente no asteróide em minerais argilosos, o que significa que, em algum momento, o material rochoso de Bennu interagiu com água. Embora o próprio Bennu seja pequeno demais para abrigar água líquida, a descoberta indica que a água líquida estava presente num determinado ponto da história do corpo parente de Bennu, um asteróide muito maior.

“A presença de minerais hidratados no asteróide confirma que Bennu, um remanescente do início da formação do Sistema Solar, é um exemplo excelente para a missão OSIRIS-REx estudar a composição de voláteis e materiais orgânicos primitivos,” afirma Amy Simon, cientista do instrumento OVIRS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Quando as amostras deste material chegarem à Terra em 2023, os cientistas receberão um tesouro de novas informações sobre a história e evolução do nosso Sistema Solar.”

Além disso, os dados obtidos pela OCAMS (OSIRIS-REx Camera Suite) corroboram as observações telescópicas terrestre de Bennu e confirmam o modelo original desenvolvido em 2013 pelo chefe da equipa científica da OSIRIS-REx, Michael Nolan, e colaboradores. Esse modelo previu com bastante precisão a forma real do asteróide: o diâmetro de Bennu, a rotação, a inclinação e a forma geral são quase como modelados.

Um “outlier” do modelo previsto da forma é o tamanho da grande rocha perto do pólo sul de Bennu. O modelo, desenvolvido com base em observações terrestres, calculou que a rocha teria pelo menos 10 metros de altura. Os cálculos preliminares das observações da OCAMS mostram que o pedregulho está mais próximo dos 50 metros de altura, com uma largura de aproximadamente 55 metros.

O material à superfície de Bennu é uma mistura de regiões muito rochosas, cheias de pedregulhos e algumas regiões relativamente planas que não têm pedregulhos. No entanto, a quantidade de pedras à superfície é maior do que o esperado. A equipa fará observações adicionais a distâncias menores para avaliar com mais precisão o local onde poderá ser obtida a amostra para envio posterior para a Terra.

“Os nossos dados iniciais mostram que a equipa escolheu o asteróide correto como alvo da missão OSIRIS-REx. Ainda não descobrimos nenhum problema insuperável em Bennu,” comenta Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson. “A sonda está bem de saúde e os instrumentos científicos estão a funcionar melhor do que o necessário. Agora é hora da nossa aventura começar.”

A missão está actualmente a realizar um levantamento preliminar do asteróide, fazendo com que a sonda passe pelo pólo norte, equador e pólo sul de Bennu a distâncias de até 7 km para melhor determinar a massa do asteróide. Os cientistas e engenheiros da missão têm que conhecer a massa do asteróide a fim de projectar a inserção da nave em órbita porque a massa afecta a atracção gravitacional do objecto. A determinação da massa de Bennu também ajudará a equipa científica a compreender a estrutura e composição do asteróide.

O levantamento também fornece a primeira oportunidade para o OLA (OSIRIS-REx Laser Altimeter), um instrumento fornecido pela Agência Espacial Canadiana, fazer observações, agora que a sonda está perto de Bennu.

A primeira inserção orbital da sonda está programada para dia 31 de Dezembro e a OSIRIS-REx permanecerá em órbita até meados de Fevereiro de 2019, quando sair para dar início a outra série de “flybys” para a próxima fase do levantamento. Durante a primeira fase orbital, a nave orbitará o asteróide a uma distância de 1,4-2 km do centro de Bennu – estabelecendo novos recordes para o corpo mais pequeno já orbitado por uma nave e a órbita mais próxima de um corpo planetário por qualquer sonda.

Astronomia On-line
14 de Dezembro de 2018

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1407: Descoberta água em asteróide Bennu, um dos mais próximos da Terra

NASA’s Goddard Space Flight Center
Sonda OSIRIS-REx

A sonda OSIRIS-REx, que se encontra a orbitar em volta do Bennu, descobriu a presença de água neste asteróide primitivo composto pelas mesmas moléculas que deram origem à vida na Terra, informou a NASA.

“A informação recentemente analisada proveniente da missão OSIRIS-REx revelou a presença de água na argila que forma o seu objectivo científico, o asteróide Bennu”, refere a NASA em comunicado.

Esta informação foi obtida através de dois espectrómetros com os quais a sonda está equipada. “Uma vez que o Bennu é demasiado pequeno para ter água, esta descoberta indica que, em algum momento, se deu a presença deste líquido em algum corpo paralelo, seguramente um asteróide muito maior“, salienta a agência espacial norte-americana.

No dia 3 de Dezembro a NASA anunciou que a OSIRIS-Rex tinha completado a primeira fase da sua missão, que era alcançar a órbita do asteróide e, a partir de agora, vai acompanhar o Bennu como seu satélite.

“Quando as amostras desta missão chegarem à Terra em 2023, os cientistas recebem um tesouro oculto de novas informações sobre a história e evolução do nosso sistema solar”, afirmou Amy Simon, responsável pela execução da missão e cientista da NASA.

Esta é a primeira missão da NASA que visa estudar e recolher uma amostra de um asteróide, neste caso um dos mais próximos da Terra e o corpo celeste mais pequeno alguma vez orbitado de tão perto por uma sonda.

Descoberto em 1999, Bennu é conhecido por ser rico em carbono, um composto básico da vida tal como se conhece.

Durante um ano, a OSIRIS-REx vai estudar o corpo rochoso, sem aterrar nele, com o propósito de seleccionar um local seguro e cientificamente interessante para recolher em 2020, com o auxílio de um braço robótico, um fragmento de rocha que será enviado para análise na Terra, onde a sonda deverá regressar em 2023.

ZAP // Lusa

Por ZAP
12 Dezembro, 2018

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1364: A OSIRIS-Rex chega esta segunda ao asteróide Bennu para recolher uma amostra

NASA’s Goddard Space Flight Center
Sonda OSIRIS-Rex

Depois de vários meses a viajar pelo espaço, a sonda espacial da NASA está quase a chegar ao asteróide Bennu. A derradeira missão da sonda vai começar na próxima segunda-feira, dia 3 de Dezembro.

A agência espacial norte-americana NASA prepara a chegada na segunda-feira de uma sonda ao asteróide Bennu, do qual será enviada uma amostra para Terra na expectativa de dar novas pistas sobre a origem do Sistema Solar.

Esta é a primeira missão da NASA que visa estudar e recolher uma amostra de um asteróide, neste caso um dos mais próximos da Terra e o corpo celeste mais pequeno alguma vez orbitado de tão perto por uma sonda, de acordo com a agência espacial.

A sonda OSIRIS-REx foi lançada em Setembro de 2016 e tem-se aproximado lentamente do asteróide, do qual estava a 49 quilómetros de distância esta sexta-feira. Na próxima segunda-feira, dia 3 de Dezembro, a sonda vai começar a operar em torno de Bennu, conhecido por ser rico em carbono, um composto básico da vida tal como se conhece.

Durante um ano, o aparelho vai estudar o corpo rochoso, sem aterrar nele, com o propósito de seleccionar um local seguro e cientificamente interessante para recolher em 2020, com o auxílio de um braço robótico, um fragmento de rocha que será enviado para análise na Terra, onde a sonda deverá regressar em 2023.

O braço robótico, que tem pouco mais de três metros de comprimento, irá tocar a superfície do asteróide durante cerca de cinco segundos.

Nesse tempo, será provocada uma explosão de gás nitrogénio (azoto) que causará oscilações na superfície, permitindo a recolha de fragmentos de rocha. Ao todo, só poderão ser feitas três tentativas de recolha de amostras.

O pedaço de asteróide aterrará na Terra numa cápsula que irá separar-se da sonda e está equipada com um escudo térmico e um para-quedas.

A missão irá ajudar os cientistas a compreenderem melhor como os planetas do Sistema Solar se formaram e como a vida começou na Terra. Asteróides como o Bennu contêm recursos naturais como água, compostos orgânicos e metais.

O encontro da OSIRIS-REx com Bennu será transmitido em directo pelo canal televisivo da NASA.

ZAP // Lusa

Por Lusa
2 Dezembro, 2018

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928: OSIRIX-REX DA NASA COMEÇA CAMPANHA DE OPERAÇÕES DO ASTERÓIDE

No dia 17 de Agosto, a sonda OSIRIS-REx obteve as primeiras imagens do seu alvo, o asteróide Bennu, a uma distância de 2,2 milhões de quilómetros, ou quase seis vezes a distância entre a Terra e a Lua. Este conjunto de cinco imagens foi obtido pela câmara PolyCam ao longo de uma hora para propósitos de calibração e a fim de assistir a equipa de navegação da missão com os esforços de navegação óptica. Bennu é visível como um objecto em movimento contra o fundo das estrelas na direcção da constelação de Serpente.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Depois de uma viagem de quase dois anos, a nave de recolha de amostras OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) da NASA teve o seu primeiro vislumbre do asteróide Bennu há duas semanas e deu início à aproximação final em direcção ao alvo. A campanha de operações do asteróide começou no dia 17 de Agosto com a câmara PolyCam da sonda a obter esta imagem a uma distância de 2,2 milhões de quilómetros.

OSIRIS-REx é a primeira missão da NASA a visitar um asteróide próximo da Terra, a inspeccionar a superfície, a recolher amostras e a trazê-las em segurança para a Terra. A nave já percorreu aproximadamente 1,8 mil milhões de quilómetros desde o seu lançamento de 8 de Setembro de 2016 e tem chegada prevista a Bennu no dia 3 de Dezembro.

“Agora que a OSIRIS-REx está próxima o suficiente para observar Bennu, a equipa da missão passará os próximos meses a aprender o máximo possível sobre o tamanho, forma, características da superfície e arredores antes de alcançar o asteróide,” afirma Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA. “Depois de passar tanto tempo a planear este momento, mal posso esperar para ver o que Bennu nos vai revelar.”

À medida que a OSIRIS-REx se aproxima do asteróide, a sonda usará os seus instrumentos científicos para recolher informações sobre Bennu e para se preparar para a chegada. A carga científica da sonda compreende o conjunto de câmaras OCAMS (PolyCam, MapCam, and SamCam), o espectrómetro termal OTES, o espectrómetro visível e infravermelho OVIRS, o altímetro a laser OLA e o espectrómetro de raios-X REXIS.

Durante a fase de aproximação da missão, a OSIRIS-REx vai:

  • observar regularmente a área em redor do asteróide a fim de procurar plumas de poeira e satélites naturais e estudar as propriedades espectrais de Bennu;
  • executar uma série de quatro manobras de aproximação ao asteróide, começando no dia 1 de Outubro, diminuindo a velocidade da sonda para coincidir com a órbita de Bennu em redor do Sol;
  • soltar a cobertura protectora do braço de amostragem da sonda em meados de Outubro e subsequentemente estender e fotografar o braço pela primeira vez durante o voo;
  • usar a OCAMS para revelar a forma geral do asteróide no final de Outubro e começar a detectar características da superfície de Bennu em meados de Novembro.

Após a chegada a Bennu, a nave passará o primeiro mês a realizar “flybys” do pólo norte, equador e pólo sul de Bennu, a distâncias que variam entre os 19 e 7 km do asteróide. Estas manobras permitirão a primeira medição directa da massa de Bennu, bem como observações detalhadas da superfície. Estas trajectórias também proporcionarão à equipa de navegação a experiência de navegar perto do asteróide.

“A baixa gravidade de Bennu oferece um desafio único para a missão,” comenta Rich Burns, gerente do projecto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Com aproximadamente 500 metros em diâmetro, Bennu será o objecto mais pequeno alguma vez orbitado por uma nave espacial.”

A sonda também examinará extensivamente o asteróide antes da equipa da missão identificar dois possíveis locais de amostragem. Um exame minucioso destes locais permitirá à equipa escolher um para a recolha de amostras, prevista para o início de Julho de 2020. Após a recolha de amostras, a sonda voltará para a Terra antes de ejectar a Cápsula de Retorno de Amostras com aterragem programada para o deserto do Utah em Setembro de 2023.

Astronomia On-line
28 de Agosto de 2018

(Foram corrigidos 38 erros ortográficos ao texto original)

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656: MATÉRIA ORGÂNICA EM CERES PODE SER MAIS ABUNDANTE DO QUE SE PENSAVA INICIALMENTE

No ano passado, a sonda Dawn espiou matéria orgânica no planeta anão Ceres, o maior objecto da cintura de asteróides. Uma nova análise sugere que essa matéria orgânica pode ser mais abundante do que se pensava.
Crédito: NASA/renderização por Hannah Kaplan

No ano passado, cientistas da missão Dawn da NASA anunciaram a detecção de materiais orgânicos – compostos à base de carbono que são componentes necessários à vida – expostos em zonas da superfície do planeta anão Ceres. Agora, uma nova análise dos dados da Dawn, por investigadores da Universidade Brown, sugerem que essas áreas podem conter uma abundância muito maior de compostos orgânicos do que se pensava inicialmente.

As descobertas, publicadas recentemente na revista científica Geophysical Research Letters, levantam questões intrigantes sobre como esses materiais orgânicos chegaram à superfície de Ceres, e os cientistas dizem que os métodos usados no novo estudo também podem fornecer um modelo para interpretar dados para missões futuras.

“O que este artigo mostra é que podemos obter resultados realmente diferentes dependendo do tipo de material orgânico usado para comparar e para interpretar os dados de Ceres,” afirma Hannah Kaplan, investigadora de pós-doutoramento do SwRI (Southwest Research Institute) que liderou a pesquisa enquanto completava o seu doutoramento em Brown. “Isto é importante não apenas para Ceres, mas também para missões que em breve explorarão asteróides que também podem conter material orgânico.”

As moléculas orgânicas são os blocos de construção química da vida. A sua detecção em Ceres não significa que a vida lá existe ou já existiu; os processos não-biológicos também podem dar origem a moléculas orgânicas. Mas dado que a vida como a conhecemos não pode existir sem material orgânico, os cientistas estão interessados em saber como está distribuído pelo Sistema Solar. A presença de material orgânico em Ceres levanta possibilidades intrigantes, particularmente porque o planeta anão também é rico em água gelada, e a água é outro componente necessário para a vida.

A descoberta original de compostos orgânicos em Ceres foi feita usando o espectrómetro VIR (Visible and Infrafred) da sonda Dawn, que entrou em órbita do planeta anão em 2015. Analisando os padrões no qual a luz solar interage com a superfície – observando cuidadosamente os comprimentos de onda reflectidos e absorvidos – os cientistas podem ter uma ideia de quais os compostos presentes em Ceres. O instrumento VIR captou um sinal consistente com moléculas orgânicas na região da Cratera Ernutet no hemisfério norte de Ceres.

Para se ter uma ideia inicial da abundância destes compostos, a equipa de investigação original comparou os dados VIR de Ceres com os espectros de reflectância de laboratório de material orgânico formado na Terra. Com base nesse padrão, os cientistas concluíram que entre 6 e 10% da assinatura espectral detectada em Ceres podia ser explicada por materiais orgânicos.

Mas para esta nova investigação, Kaplan e colegas quiseram reexaminar esses dados usando um padrão diferente. Em vez de se basearem nas rochas da Terra para interpretar os dados, a equipa voltou-se para uma fonte extraterrestre: meteoritos. Alguns meteoritos – pedaços de condritos carbonáceos que caíram na Terra depois de expulsos de asteróides primitivos – mostraram conter material orgânico ligeiramente diferente do que é frequentemente encontrado no nosso planeta. E o trabalho de Kaplan mostra que a reflectância espectral dos compostos orgânicos é distinta daquela dos seus homólogos terrestres.

“O que descobrimos é que se modelarmos os dados de Ceres usando materiais orgânicos extraterrestres, que podem ser análogos mais apropriados do que os encontrados na Terra, então precisamos de bastante mais matéria orgânica em Ceres para explicar a força da absorção espectral que vemos lá,” explica Kaplan. “Nós estimamos que quase 40 a 50% do sinal espectral que vemos em Ceres é explicado por matéria orgânica. Essa é uma diferença enorme em comparação com os 6-10% relatados anteriormente com base em compostos orgânicos terrestres.”

Se a concentração de compostos orgânicos em Ceres for, de facto, tão alta, levanta uma série de novas questões sobre a origem desse material. Existem duas possibilidades concorrentes para a origem da matéria orgânica em Ceres. Pode ter sido produzida internamente em Ceres e depois exposta à superfície, ou pode ter sido entregue até à superfície por um impacto de um cometa ou um asteróide rico em compostos orgânicos.

Este novo estudo sugere que se os compostos orgânicos foram entregues, então as potenciais altas concentrações seriam mais consistentes com o impacto de um cometa em vez de um asteróide. Sabemos que os cometas têm abundâncias internas significativamente mais altas de materiais orgânicos em comparação com asteróides primitivos, potencialmente semelhantes aos 40-50% que este estudo sugere para os locais em Ceres. No entanto, o calor de um impacto provavelmente destruiria uma quantidade substancial da matéria orgânica de um cometa, de modo que os investigadores dizem que ainda não está claro se essas abundâncias podem ser explicadas por um impacto cometário.

A explicação alternativa, a de que os compostos orgânicos se formaram directamente em Ceres, também levanta questões. A detecção de compostos orgânicos foi limitada, até agora, a pequenas áreas no hemisfério norte de Ceres. Essas altas concentrações em áreas tão pequenas requerem uma explicação.

“Se os materiais orgânicos são produzidos em Ceres, então provavelmente ainda precisamos de um mecanismo para concentrá-los nestes locais específicos ou pelo menos para os preservar aí,” comenta Ralph Milliken, professor associado do Departamento da Terra, do Meio Ambiente e de Ciências Planetárias de Brown e co-autor do estudo. “Não está claro qual seria esse mecanismo. Ceres é claramente um objecto fascinante, e a compreensão da história e da origem dos produtos orgânicos nesses locais e em outras zonas de Ceres provavelmente vai exigir missões futuras que possam analisar ou enviar amostras.”

Por enquanto, os investigadores esperam que este estudo seja útil para informar as próximas missões de envio de amostras a asteróides próximos da Terra, que também se pensa albergarem água e compostos orgânicos. Espera-se que a sonda japonesa Hayabusa2 chegue ao asteróide Ryugu daqui a várias semanas, e a missão OSIRIS-REx da NASA tem chegada prevista ao asteróide Bennu em Agosto. Kaplan é actualmente membro da equipa científica da missão OSIRIS-REx.

“Eu penso que o trabalho empregue neste estudo, que incluiu novas medições em laboratório de componentes importantes de meteoritos primitivos, pode fornecer uma estrutura de como melhor interpretar dados de asteróides e de estabelecer ligações entre observações com sondas e amostras na nossa colecção de meteoritos,” afirma Kaplan. “Como novo membro da equipa OSIRIS-REx, estou particularmente interessado em saber como isto pode ser aplicado à nossa missão.”

Astronomia On-line
15 de Junho de 2018

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224: Fotografia da NASA mostra a verdadeira distância entre a Terra e a Lua

NASA / Goddard / University of Arizona
Foto captada pela sonda OSIRIS-REx mostra a distância de 384.400 quilómetros entre a Terra e a Lua

A sonda OSIRIS-REx da NASA, parte da missão de ciência planetária que partiu da Terra em Setembro de 2016 para recolher informações sobre o asteróide 101955 Bennu, registou uma bela imagem da Terra e da Lua no dia 2 de Outubro de 2017.

A imagem mostra a distância de 384.400 quilómetros entre o planeta e o satélite. A sonda deve regressar à Terra em 2023 e vai trazer amostras que permitirão aos cientistas entender o que aconteceu antes da formação e evolução do Sistema Solar.

“No mais alto nível filosófico, a missão do OSIRIS-REx é entender de onde viemos, já que os asteróides são remanescentes da formação do nosso Sistema Solar”, pode ler-se no site do NASA Earth Observatory. “Mas enquanto a sonda pode contar-nos algumas coisas sobre onde nós estivemos e para onde estamos a ir, também pode lembrar-nos de onde estamos neste momento”.

A fotografia foi feita com o instrumento MapCam quando a sonda estava a cerca de 5,12 milhões de quilómetros da Terra e a 5,42 milhões de quilómetros da Lua. O nosso satélite parece estar mais perto da Terra do que realmente está porque os três corpos não formam um triângulo isósceles. Foram feitas três imagens diferentes para formar esta e foi necessário tornar a Lua mais brilhante para que ficasse visível perto da Terra.

Para quem achou o fundo da imagem extremamente escuro, há uma explicação para a ausência de estrelas. Apesar de parecerem brilhantes numa noite sem nuvens, a verdade é que emitem uma luz fraca. Basta lembrar que não conseguimos vê-las durante o dia quando estamos na Terra.

A foto foi tirada pelo lado da Terra em que a luz do Sol batia, por isso, os dois corpos da imagem estão muito claros em comparação com a luz das estrelas.

Actualmente, a sonda OSIRIS-REx está muito longe e chega no mês de Agosto ao asteróide 101955 Bennu, que orbita o Sol num caminho que cruza com a órbita da Terra.

ZAP // HypeScience

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