2369: Cientistas podem ter encontrado o “elo perdido” da origem da vida na Terra

CIÊNCIA

Matthew priteeboy / Deviant Art

Uma equipa de cientistas da University College London (UCL) demonstrou que os peptídeos, moléculas fundamentais para a vida, podem ter-se formado na Terra primitiva sob condições diferentes das consideradas até agora.

Em comunicado, os cientistas explicam que os peptídeos, que são formados por cadeias de aminoácidos, são um elemento essencial para toda a vida na Terra uma vez que constituem o tecido das proteínas e servem como “catalisadores de processos biológicos”.

No entanto, os peptídeos exigem enzimas para controlar a sua formação a partir de aminoácidos. Assim, surge “o problema clássico do ovo e da galinha: como se formaram as primeiras enzimas?”, questiona Matthew Powner, o principal autor do estudo, cujos resultados foram esta mês publicados na revista científica Nature.

A maioria das investigações anteriores concentrou-se em descobrir como é que os peptídeos foram formados, concentrando-se no estudo de aminoácidos, em vez de estudar a reactividade dos aminonitrilos (precursores químicos de aminoácidos).

Tradicionalmente, acredita-se que os aminonitrilos requerem condições extremas  – fortemente ácidas ou alcalinas – para que possam formar aminoácidos, e que os aminoácidos precisam de ser carregados com energia para formar peptídeos.

Agora, os cientistas propõem um caminho mais directo para a formação de peptídeos, sugerindo que estes poderiam formar-se directamente a partir de aminonitrilos ricos em energia, escreveram os autores no mesmo estudo.

Para provar a teoria, os cientistas combinaram sulfureto de hidrogénio com aminonitrilos e o substrato químico ferricianeto em água, obtendo assim peptídeos. Desta forma, a equipa conseguiu demonstrar que os aminonitrilos podem formar ligações peptídicas na água por conta própria e de forma mais fácil do que os aminoácidos.

De acordo com a equipa que levou o estudo a cabo, este processo de formação pode ter ocorrido nas condições primitivas da Terra, há milhões de anos.

“Esta é a primeira vez que se demonstrou de forma convincente que os peptídeos se formam sem o uso de aminoácidos na água, usando condições relativamente suaves que provavelmente estiverem disponíveis na Terra primitiva”, explicou o co-autor do estudo, Saidul Islam, citado na mesma nota de imprensa.

Os cientistas acreditam que as descobertas serão muito úteis para o estudo da abiogénese (hipótese que admitia a formação dos seres vivos a partir de matéria não viva), para a procura de vida no Universo e também para a formação de materiais sintéticos bio-activos, uma vez que o novo método seria mais eficiente e lucrativo.

ZAP //

Por ZAP
26 Julho, 2019

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2150: Meteoritos-chave descobertos no Chile podem revelar a origem do Sistema Solar

CIÊNCIA

Universidade Católica do Chile

Um estudo geológico levado a cabo no deserto do Atacama por cientistas da Universidade Católica do Chile (UCN) encontrou vários condritos carbonáceos, meteoritos-chave para entender a origem do Sistema Solar, bem como as causas que levaram à vida no planeta Terra. 

De acordo com um comunicado da UCN, os objectos, encontrados entre as cidades de Antofagasta e Taltal, fazem parte dos primeiros minerais formados a partir da nebulosa que cercou o Sol há 4,56 mil milhões de anos.

“É o tipo mais primitivo de meteorito já encontrado, é uma das rochas que contém os primeiros materiais sólidos condensados, numa altura em que o Sistema Solar se estava a formar. Estes meteoritos carregam a mais antiga evidência dos primeiros estágios de formação dos planetas”, explicou a cientista que liderou o estudo, Millarca Valenzuela.

“Se conseguirmos medir a composição [destes condritos carbonáceos], poderemos ter informações sobre a composição da nebulosa solar onde o cristal se estava a formar”.

Além das pistas sobre a origem do Sistema Solar, a matriz destes meteoritos sugere a sua possível participação na origem de vida na Terra. Os objectos têm até 5% de carbono, possuindo também “minerais, água e aminoácidos de base pequena e material orgânico abiótico […] que poderiam ser a semente a partir da qual o material orgânico pode ter evoluído para algo mais complexo”, sustentou a especialista.

Valenzuela é geóloga e uma das cientistas responsáveis pela descoberta no Chile. Em 2017, o asteróide 11819, localizado entre Júpiter e Marte, foi baptizado em sua honra.

Uma outra investigação, conduzida por cientistas de França e de Itália detectou matéria orgânica com 3.330 mil milhões de anos preservada em sedimentos vulcânicos nas Montanhas Barberton. É provável que a matéria pertença a um condrito carbonáceo extraterrestre. Os resultados desta investigação foram publicados no fim de maio na revista científica especializada Geochimica et Cosmochimica Acta.

ZAP //

Por ZAP
10 Junho, 2019



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2034: CFC. O inimigo da camada de ozono voltou e é chinês

CIÊNCIA

No ano passado uma equipa de cientistas descobriu que a taxa de diminuição de CFC na atmosfera estava a desacelerar. Agora outra equipa detectou a origem do gás proibido.

Buraco do ozono na Antárctida em 2002.
© XSP

Uma equipa de cientistas descobriu a origem do até agora misterioso aumento do CFC-11, um químico que destrói a camada de ozono e cuja produção devia ter sido eliminada em 2010. Num estudo publicado na Nature, os seis cientistas apontam o dedo à produção daquele gás em duas províncias chinesas.

Em 2018 outra equipa de cientistas dera conta de uma grande desaceleração na taxa de diminuição ao longo dos últimos seis anos do CFC-11. Também conhecido como triclorofluorometano, é um dos vários produtos químicos de clorofluorocarboneto (CFC) que foram inicialmente desenvolvidos como refrigerantes durante a década de 1930.

Décadas depois os cientistas descobriram que quando os CFC se decompõem na atmosfera libertam átomos de cloro que são capazes de destruir rapidamente a camada de ozono que nos protege da luz ultravioleta. Um buraco na camada de ozono sobre a Antárctida foi descoberto em meados da década de 1980.

A comunidade internacional aprovou o Protocolo de Montreal em 1987 – ratificado pela China -, que proibiu a maior parte dos produtos químicos perigosos. Investigações recentes previam que o buraco no hemisfério norte poderia ser totalmente reparado até 2030 e na Antárctida até 2060.

No entanto, a nova fonte de poluição pode pôr em causa essas metas. Desde 2013 foram emitidas anualmente pelo leste da China cerca de 7 mil toneladas métricas a mais do que entre 2008 e 2012. Esse aumento, originado principalmente das províncias chinesas de Shandong e Hebei, corresponde pelo menos por 40 a 60% do aumento global anunciado no ano passado.

Estes dados foram obtidos através de medições das estações de monitorização do ar na Coreia do Sul e no Japão.

A ONG Environmental Investigation Agency já tinha dado pistas nesse sentido. Descobriram que o químico ilegal foi usado na maioria do isolamento de poliuretano produzido pelas empresas que contrataram. Um vendedor de CFC-11 estimou que 70% das vendas na China utilizavam o gás ilegal porque o CFC-11 é de melhor qualidade e muito mais barato do que as alternativas.

Diário de Notícias
23 Maio 2019 — 00:33

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1918: Antigo oceano de magma que cobriu a Terra pode ter dado origem à Lua

Dana Berry / SwRI
A colisão planetária: impressão de artista do impacto que criou a Lua da Terra

Uma equipa de cientistas japoneses apresentou uma nova teoria para a origem da Lua, na qual sustentam que um corpo celeste sólido colidiu com a Terra quando ainda estava coberto de magma quente. Este evento catastrófico terá provocado uma ejecção de magma que deu origem à maior parte do nosso satélite.

A hipótese melhor aceite entre a comunidade cientifica – a Teoria do Grande Impacto – sustenta que o sistema Terra-Lua foi formado como resultado de um grande impacto, quando um corpo celeste do tamanho de Marte colidiu com a Terra, tendo o material resultante desta explosão dado origem à base do nosso satélite natural.

Simulações computorizadas revelaram que a maior parte da Lua terá sido formado com os restos do objecto sólido que colidiu com a Terra. Contudo, a análise das rochas recolhidas da Lua durante as missões Apolo mostram que a maior parte da Lua é composta por material terrestre. Ou seja, a Lua compartilha também do “ADN” da Terra.

Agora, o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature Geoscience, sustenta que cerca de 50 milhões de anos após a formação do Sol, a ainda jovem Terra foi coberta por um oceano magma quente, enquanto que o objecto que terá colidido com o planeta era formado por materiais sólidos. Após a colisão, explicam os cientistas japoneses, o magma expandiu-se e entrou em órbita para formar a Lua.

De acordo com a mesma publicação, e devido à grande diferença de temperatura entre magma líquido e os compostos sólidos do corpo, grande parte do material expelido expandiu-se em volume no Espaço. Inicialmente, a ejecção de magma seguiu os fragmentos do proto-planeta em torno da Terra, mas rapidamente os ultrapassou. Enquanto a maior parte do material resultante do impacto caiu de volta no oceano de magma, a vasta nuvem de material derretido permaneceu em órbita e, eventualmente, terá dado origem à Lua.

“No nosso modelo, cerca de 80% da Lua é composta de materiais proto-Terra”, explicou o co-autor da investigação Shun-ichiro Karato. “Na maioria dos modelos anteriores, cerca de 80% da Lua é composta pelo objecto que colidiu com a Terra. É uma grande diferença”.

No fundo, os cientistas japoneses pegaram na Teoria do Grande Impacto e adicionaram a variável magma para dar resposta à ainda desconhecida origem da Lua. Esta não será a resposta final, mas unifica a teoria predominante com observações mais recentes.

ZAP //

Por ZAP
3 Maio, 2019

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1791: A misteriosa origem de Júpiter pode ter sido finalmente descoberta

NASA’s Goddard Space Flight Center / Scientific Visualization Studio / Dan Gallagher

O tamanho anormal e a localização de Júpiter no Sistema Solar intrigam os cientistas há anos, uma vez que o enorme planeta gasoso não encaixa na compreensão corrente da formação planetária. Agora, uma equipa astrónomos acredita ter descoberto como Júpiter acabou na sua peculiar posição. 

De acordo com uma nova investigação, cujos resultados foram esta semana disponibilizados para pré-visualização no por científico ArXiv, o quinto e maior planeta do Sistema Solar formou-se há aproximadamente 4.500.000 anos a uma distância do Sol quatro vezes maior do que a actual, dentro da actual órbita de Úrano.

A mesma investigação, que recorreu a simulações computorizadas para tentar desmitificar a génese de Júpiter, revela ainda que, posteriormente, o gigante gasoso espiralizou lentamente, traçando o seu caminho ao longo de 700.000 anos.

“Esta é a primeira vez que encontramos provas de que Júpiter se formou muito longe do Sol e depois migrou para a sua órbita actual”, disse a astrónoma Simona Pirani, da Universidade de Lund, na Suécia, citada em comunicado.

A investigação foi possível graças a dois grupos de asteróides, os chamados “asteróides Troia”, que orbitam perto de Júpiter. Estes corpos consistem em dois grupos compostos por milhares de asteróides que estão à mesma distância do Sol que Júpiter, mas que orbitam à frente e atrás de Júpiter, respectivamente. Há cerca de 50% mais de asteróide na frente do planeta do que depois da sua órbita.

“A assimetria sempre foi um mistério do Sistema Solar”, explica Anders Johansen, um dos autores do estudo, citado na mesma nota de imprensa. De acordo com as simulações levadas a cabo, a assimetria só pode ser o resultado do movimento do planeta da periferia do Sistema Solar até à sua órbita actual.

Para perceber a história deste mundo gigante, é preciso recuar cerca de 4,5 mil milhões de anos, época em que se terá começado a formar. Desde os primeiros dois ou três milhões de anos da sua existência Júpiter começou a migrar para o Sol, reduzindo a distância ao nosso astro de cerca de 18 unidades astronómicas (unidade de comprimento equivalente à distância entre a Terra e o Sol) para 5.2.

Este modelo contradiz as teorias dominantes, segundo as quais Júpiter foi formado aproximadamente à mesma distância de que se encontra do Sol agora. A nova investigação demarca-se das principais correntes, apontando que o quinto planeta do Sistema Solar se formou a uma distância quatro vezes maior do Sol do que se encontra agora.

Os cientistas acreditam que Júpiter absorveu os “asteróides troianos” durante a fase inicial da sua génese. Consequentemente, o núcleo do planeta deve ser composto pelo mesmo material destes corpos celestes. “Podemos descobrir muito sobre o núcleo e a formação de Júpiter ao estudar os [asteróide] troianos”, rematou Johansen.

A agência espacial norte-americana planeia lançar a sonda espacial Lucy para a órbita de seis dos “asteróides troianos” em 2021.

ZAP // ScienceAlert / RussiaToday

Por ZAP
1 Abril, 2019

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1746: Cientistas descobrem o que provocou três eras glaciais na Terra

Alex Bradbury

Cientistas estadunidenses calcularam que um evento geológico repetido deu origem às três últimas eras glaciais no nosso planeta, a última das quais ainda mantém o seu gelo nas regiões polares.

Segundo a revista Science, a responsável pela glaciação foi a formação de uma enorme sutura ao nível do mar nas zonas de fricção das placas tectónicas.

Nos últimos 540 milhões de anos houve três ocasiões em que estas “pregas” se formaram, mas apenas em três casos alcançaram o comprimento de mais de 10 mil quilómetros e a formação teve lugar nas regiões tropicais do nosso planeta.

A primeira destas três eras do gelo coincidiu com a colisão de dois paleocontinentes no Ordoviciano Superior (há cerca de 450 milhões de anos) e a segunda aconteceu nas mesmas circunstâncias entre o Permiano e Carbonífero (aproximadamente há 300 milhões de anos). Entre essas eras do gelo e até à terceira (há cerca de 35 milhões de anos) não houve glaciações nem apareceram novas zonas de ruptura nos trópicos.

A última glaciação – que está a chegar ao fim -, segundo esta hipótese, deve-se a uma sutura geológica ainda activa na Indonésia, medindo aproximadamente 10 mil quilómetros de comprimento. Esta região é actualmente uma das zonas mais eficazes do planeta em absorver e eliminar o dióxido de carbono da atmosfera devido à alta presença de ofiolitas, rochas formadas pelo manto superior da crosta oceânica.

“Descobrimos que, cada vez que a zona de sutura dos trópicos chegou ao ponto máximo, aconteceu um evento de glaciação”, resumiu Oliver Jagoutz.

Uma sutura é uma zona de falha ao longo da qual a placa oceânica e a continental chocam. Depois da colisão, geralmente aparece uma cadeia montanhosa de rocha recém-exposta. Várias cadeias, como os Himalaias, ainda contêm alguns troços dessas formações, que ao longo de milénios mudaram a sua posição desde os pontos de colisão originais.

Os investigadores afirmam que conhecem várias zonas que, pelo seu comprimento, poderiam provocar alterações climáticas significativas, mas não causaram porque não se encontram nos trópicos. Além disso, estes fenómenos são ainda responsáveis por pôr fim às eras de glaciação, depois da erosão das rochas chegar a um certo ponto.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
22 Março, 2019

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1656: Recriada a origem da vida no oceano profundo (para encontrá-la noutros planetas)

NASA

Cientistas da NASA reproduziram em laboratório a forma como os ingredientes para a vida se terão formado no oceano profundo há quatro mil milhões de anos.

A astro-bióloga Laurie Barge e a sua equipa no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA estão a trabalhar para reconhecer vida noutros planetas, estudando as origens da vida na Terra. A investigação concentra-se em como os blocos de construção da vida são formados em aberturas hidrotermais no fundo do oceano.

Os resultados fornecem pistas sobre como começou a vida na Terra, bem como em que outro lugar do cosmos podemos voltar a encontrá-la.

Para recriar as fontes hidrotermais no laboratório, a equipa fez o seu próprio leito marinho em miniatura enchendo os vasos com misturas que imitam o oceano primordial da Terra. Estes oceanos em laboratório funcionam como berçários de aminoácidos, compostos orgânicos que são essenciais para a vida como a conhecemos. Os aminoácidos são construídos uns sobre os outros para formar proteínas, que formam todos os seres vivos.

“Entender o quão longe se pode chegar com apenas compostos orgânicos e minerais antes de ter uma célula real é realmente importante para compreender em que tipo de ambientes poderia surgir vida”, disse Barge. “Além disso, investigar como coisas a atmosfera, o oceano e os minerais afectam tudo e pode ajudar a entender a probabilidade de isto também ter ocorrido noutros planetas.

Encontrados em torno de fendas no fundo do mar, as fontes hidrotermais são locais onde se formam chaminés naturais, libertando fluido aquecido sob a crosta terrestre. Quando as chaminés interagem com a água do mar que as rodeia, criam um ambiente em constante mudança, que é necessário para que a vida evolua e mude.

Este ambiente escuro e quente alimentado pela energia química da Terra pode ser a chave para como a vida se poderia formar nos mundos mais distantes do nosso sistema solar, longe do calor do sol.

“Se tivermos estas fontes hidrotermais aqui na Terra, reacções semelhantes podem ocorrer noutros planetas”, disse Erika Flores em comunicado.

Barge e Flores usaram ingredientes encontrados no oceano da Terra nas experiências. Eles combinaram a água, os minerais e as moléculas “precursoras” piruvato e amónia, que são necessárias para iniciar a formação de aminoácidos.

Eles testaram a hipótese aquecendo a solução a 70ºC, a mesma temperatura encontrada perto de uma fonte hidrotermal, e ajustando o pH para imitar o ambiente alcalino. Eles eliminaram o oxigénio da mistura porque, ao contrário de hoje, a Terra primitiva tinha muito pouco oxigénio no oceano. A equipa usou hidróxido de ferro mineral que era abundante na Terra primitiva.

O hidróxido de ferro mineral reagiu com pequenas quantidades de oxigénio que a equipa injectou na solução, produzindo o aminoácido alanina e o alfa-hidroxiácido láctico. Os alfa-hidroxiácidos são subprodutos de reacções de aminoácidos, mas alguns cientistas teorizam que também poderiam combinar-se para formar moléculas orgânicas mais complexas que poderiam levar à vida.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
3 Março, 2019

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1603: NASA vai lançar telescópio espacial para explorar origens do Universo

NASA

A agência espacial norte-americana NASA vai enviar para o espaço um telescópio para explorar as origens do Universo, com data de lançamento prevista para 2023, que irá estudar mais de 300 milhões de galáxias, incluindo a Via Láctea.

A missão SPHEREx, confirmada pela NASA em comunicado divulgado na quarta-feira à noite, vai estudar centenas de milhões de galáxias, algumas tão distantes que a sua luz demorou dez mil milhões de anos a chegar à Terra.

Na Via Láctea, o telescópio, equipado com um espectrómetro, vai procurar bioassinaturas de água e moléculas orgânicas – essenciais para a vida tal como se conhece – nas regiões onde milhões de estrelas se formam a partir de gás e poeira.

Segundo a NASA, a missão, que tem uma duração de dois anos, vai permitir aos astrónomos terem acesso a informação sobre mais de 300 milhões de galáxias e mais de 100 milhões de estrelas da Via Láctea e compreenderem como o Universo evoluiu, e porque se expandiu tão rápido, e até que ponto os ingredientes da vida na Terra são comuns nos sistemas planetários da Via Láctea.

De seis em seis meses, o telescópio irá observar todo o céu com tecnologias adaptadas de satélites de observação da Terra e de sondas enviadas para Marte. Dessa maneira, a NASA conseguirá criar um mapa celeste extremamente detalhado, com uma resolução muito mais alta do que os mapas já elaborados até agora.

Para Thomas Zurbuchen, administrador associado da directoria de missões científicas da NASA, “esta incrível missão será um tesouro de dados únicos para os astrónomos, e fornecerá um mapa galáctico sem precedentes contendo impressões digitais desde os primeiros momentos da história do universo“.

Sendo assim, ele conta que “teremos novas pistas para um dos maiores mistérios da ciência: o que fez o universo expandir tão rapidamente menos do que um nanossegundo depois do Big Bang?”.

Ao explorar novas áreas do céu, o SPHEREx poderá indicar objectos especialmente interessantes para que, por exemplo, o telescópio James Webb (sucessor do Hubble) os estude com ainda mais riqueza de detalhes no futuro próximo.

ZAP // Lusa

Por ZAP
15 Fevereiro, 2019

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1567: Nem asteróide, nem nave alienígena. Cientista da NASA tem uma explicação para o misterioso Oumuamua

ESA / M. Kornmesser / European Southern Observatory

Desde que foi descoberto, em meados de 2017, muito se tem dito e escrito sobre misterioso Oumuamua. Um cientista da NASA propõe agora uma nova explicação para o “Primeiro Mensageiro Estelar”, refutando não se tratar nem de um asteróide nem de uma nave extraterrestre.

A origem do Oumuamua tem dividido a comunidade científica. Parte dos cientistas acredita que se trata de um asteróide de origem natural, enquanto outros há que acreditam que a sua realidade pode ser artificial ou até mesmo alienígena.

Agora, um novo estudo, levado a cabo pelo astrónomo Zdenek Sekanina, do Laboratório de Propulsão a Jacto da agência espacial norte-americana oferece uma síntese dos dados até agora obtidos e que entram em “conflito”, apontado uma nova explicação. A publicação foi recentemente disponibilizada para pré-visualização no Archiv.org.

De acordo com o trabalho de Sekanina, o Oumuamua é, na verdade, apenas um fragmento do objeto interestelar que entrou no nosso Sistema Solar em 2017 e que se desintegrou pouco antes de alcançar o periélio – o ponto mais próximo da órbita do Sol.

Como resultado da desintegração, explica, foram criados fragmentos de alta porosidade sem materiais voláteis (como o amoníaco, o dióxido de carbono, a água, entre outros). Estes fragmentos são grãos de pó soltos que lhe dão uma forma exótica.

Na verdade, importa salientar, a primeira coisa que se soube e que saltou desde logo à vista no Oumuamua foi precisamente a sua forma incomum, muitas vezes comparada a um charuto ou até a uma agulha. A forma do objeto foi considerada uma raridade, uma vez que os asteróides são, por norma, arredondados.

Além disso, e ao contrário dos asteróides comuns, que giram periodicamente, o Oumuamua fá-lo de forma caótica. Inicialmente, os especialistas acreditavam que a sua rotação incomum era fruto de colisões com outros objectos espaciais. Segundo Sekanina, esta anomalia também pode ser explicada pela desintegração do objeto original, enquanto a sua aceleração se deve à pressão da radiação solar.

Em tom de conclusão, o especialista enfatiza a necessidade de a comunidade científica prestar mais atenção aos corpos de natureza interestelar e, acima de tudo, focar esforços para encontrar o possível “pai” do misterioso Oumuamua.

Tudo o que já sabemos sobre o Oumuamua

  • É o primeiro asteróide já conhecido vindo de fora do Sistema Solar. Foi descoberto no Havai a 18 de Outubro de 2017;
  • O corpo celeste move-se a 64.000 quilómetros por hora, ou seja, avança a duas unidades astronómicas da Terra, o dobro da distância entre a Terra e o Sol;
  • O seu movimento pelo Sistema Solar não representar qualquer perigo;
  • De acordo com as primeiras estimativas da NASA, o Oumuamua tem uma tonalidade vermelha escura, medindo 400 metros de comprimento e 30 de diâmetro.

ZAP // RT

Por ZAP
8 Fevereiro, 2019

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1464: Somos feitos de estrelas, e o cadáver de uma delas revela pistas sobre a nossa origem

NASA / ESA

Cientistas norte-americanos descobriram novas evidências sobre a criação da poeira estelar, através da observação de uma nebulosa misteriosa localizada a 15 mil anos-luz da Terra, que permitem contestar a teoria de que este material apenas seria formado na ocorrência de potentes explosões nucleares.

No início dos anos 80, o astrónomo Carl Sagan disse, durante um dos episódios da série Cosmos, que o ser humano é um “meio para o Universo se conhecer a si próprio, feito de matéria estelar”. No entanto, a formação do pó das estrelas tem sido um mistério ao longo do tempo. A investigação recentemente divulgada pode ajudar a entender melhor a sua (e a nossa) criação.

“Quando as estrelas morrem, estas projectam para o Universo ao seu redor elementos que formam novas estrelas, planetas, asteróides e cometas. Quase tudo o que compõe a Terra, até mesmo a própria vida, é composto por elementos de estrelas anteriores, como o silício, o carbono, o nitrogénio e o oxigénio”, lê-se num artigo divulgado pela Universidade do Arizona (Estados Unidos), em Dezembro de 2018.

Mas essa não é toda a história. Segundo os responsáveis pelo estudo, publicado na Nature perto da mesma data, “os meteoritos contêm vestígios de um tipo de poeira estelar que, até agora, acreditava-se que se formasse apenas em eventos excecionalmente violentos e explosivos de morte estelar, conhecidos como nova e supernova“.

Contudo, na opinião da equipa, esses fenómenos são muito raros para explicar a quantidade de matéria estelar encontrada nos meteoritos, sugerindo que a mesma pode ter sido produzida pela instabilidade sofrida por uma estrela de tamanho médio no final de vida, como é o caso da nebulosa planetária K4-47.

Acredita-se que a K4-47 tenha sido criada no momento em que uma estrela semelhante ao Sol verteu parte do seu material numa concha de gás, antes de entrar no fim de vida e se transformar numa anã-branca.

De forma a observar as nuvens de gás presentes nesse objecto astronómico, os investigadores recorreram a radiotelescópios do Arizona Radio Observatory e do Instituto de Radioastronomia Millimetria (IRAM).

A equipa descobriu que alguns dos elementos que compõem a nebulosa – carbono, nitrogénio e oxigénio – são “altamente enriquecidos” com as suas variantes pesadas – carbono 13, nitrogénio 15 e oxigénio 17 -, raros no Sistema Solar e que diferem da sua forma convencional por conterem um neutrão extra no núcleo.

A fusão de um neutrão adicional num núcleo atómico requer temperaturas extremas, acima de 200 milhões de graus Fahrenheit (cerca de 111 milhões de graus Celsius), o que levou muitos cientistas a acreditar, até à data, que esses isótopos apenas poderiam ser formados em novas ou super-novas.

No entanto, disse Lucy Ziurys, principal autora do artigo, “os modelos que invocam apenas as novas e super-novas nunca poderiam explicar as quantidades de nitrogénio 15 e de oxigénio 17 que observamos em algumas amostras de meteoritos”.

De acordo com a cientista, o facto de terem sido encontradas quantidades semelhantes desses isótopos na nebulosa K4-47 mostra que “não são necessárias estrelas exóticas para explicar a origem da poeira estelar”.

No lugar de eventos explosivos cataclísmicos, a equipa sugere então que os isótopos pesados possam ter sido produzidos durante um fenómeno denominado flash de hélio, que pode ocorrer no fim de vida das estrelas.

“Esse processo, durante o qual o material é expelido e arrefecido rapidamente, produz carbono 13, nitrogénio 15 e oxigénio 17”, explicou Lucy Ziurys. “Um flash de hélio não rasga a estrela como uma super-nova. É mais como uma erupção estelar”, acrescentou.

NASA
A Nebulosa da Borboleta, também conhecida como a Nebulosa Twin Jet, é um exemplo da chamada nebulosa planetária bipolar. O objecto deste estudo, K4-47, é muito menos conhecido, mas pode ser similar na aparência.

Podemos pensar nos grãos encontrados nos meteoritos como cinzas estelares, deixados para trás por estrelas que morreram há muito tempo, quando o nosso Sistema Solar se formou”, disse Tom Zega, professor no Lunar and Planetary Laboratory, da Universidade do Arizona.

Para Neville Woolf, professor no Steward Observatory e um dos autores do artigo, o “estudo do hélio explosivo que queima dentro de estrelas levará a um novo capítulo na História da origem dos elementos químicos”.

Agora podemos rastrear de onde vieram essas cinzas. É como uma arqueologia da poeira estelar”, acrescentou a investigadora Lucy Ziurys.

Além de ajudar a identificar e caracterizar a poeira estelar, os resultados obtidos pela equipa podem ser utilizados para compreender a criação de elementos como oxigénio, nitrogénio e carbono por parte das estrelas comuns.

Apesar das descobertas, desde as mais antigas às mais recentes, e quatro décadas após as declarações de Sagan, continua a ser incrível pensar que os materiais que compõem as nossas células vieram de algum lugar do céu.

Taísa Pagno , ZAP //

Por TP
11 Janeiro, 2019

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1271: ADN da múmia mais antiga das Américas revela a origem dos índios

CIÊNCIA

(dr) Friends of America’s Past
O Homem da Gruta de Spirit estava envolto num manto com duas camadas de tecido

Cientistas dinamarqueses decifraram o ADN da mais velha múmia das Américas, encontrada há meio século no sul dos EUA.

Durante muito tempo, especialistas acreditaram que os antepassados dos índios modernos se tinham deslocado para as Américas vindos do sul da Sibéria e da cordilheira de Altai, numa única onda de migração que ocorreu há cerca de 14 ou 15 mil anos.

Porém, a descoberta em 2012 do homem de Kennewick, mais parecido com os povos indígenas da Austrália e Oceânia do que com os povos asiáticos, fizeram com que muitos cientistas pensassem que teria havido três ondas de migração de antepassados dos índios e que todas ocorreram em períodos diferentes e com origens diferentes.

Os seguidores desta teoria acreditam que os representantes de algumas destas ondas migratórias se teriam extinguido completamente no passado remoto e não sobreviveram até os nossos dias. Devido à forma bastante estranha do crânio, estes povos poderiam ter pertencido aos chamados “paleoamericanos“, que nada têm relacionado com os índios modernos e os seus antepassados.

No entanto, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhaga, e a sua equipa provaram que esta teoria estava parcialmente errada após terem decifrado o ADN da múmia mais velha da América do Norte, que se formou de modo natural numa caverna no actual do estado norte-americano do Nevada.

Os resultados do estudo, publicado na Science Advances, revelaram a origem dos índios modernos e a história da sua distribuição pelo continente.

Disputas pelos restos mortais da múmia

Os restos mortais deste homem antigo, que têm aproximadamente 10,6 mil anos, foram encontrados em 1940 na caverna de Spirit pelos arqueólogos Sydney e Georgia Wheeler. A idade da múmia foi identificada nos anos 90.

Esta múmia atraiu muita atenção por ser a mais antiga múmia “natural” das Américas. Porém, ao saber da descoberta, os índios que habitavam no Nevada exigiram que lhes devolvessem os restos dos “seus antepassados” para serem sepultados.

Depois de 18 anos de disputas, os especialistas prometeram aos índios que a múmia seria sepultada se fosse provado o seu parentesco com os povos modernos e não tivesse relação com os paleoamericanos.

Os paleontólogos dinamarqueses recolheram amostras de tecidos e ossos da múmia e extraíram o seu ADN. Willerslev e a sua equipa compararam a amostra com o ADN de outros povos antigos dos Estados Unidos, Brasil e da América Central, descobrindo muitos detalhes interessantes sobre a vida e migração dos antigos habitantes do continente.

Os laços de parentesco da múmia de 10 mil anos

Os resultados mostraram que os povos antigos que habitavam o Novo Mundo há cerca de 10 mil anos tinham laços de parentesco entre si e eram parentes próximos dos índios modernos.

Por um lado, a descoberta desmente parte da teoria sobre as várias ondas de migração – a diferente origem dos povos.

Por outro lado, diferenças significativas no ADN indicam que, logo após terem migrado para as Américas, os antepassados dos índios dividiram-se em três grupos. Um destes grupos, incluindo os parentes da múmia de Spirit, ficou na América do Norte e os outros dois dirigiram-se para sul, colonizando o continente inteiro.

Um processo semelhante poderá ter ocorrido há cerca de oito mil anos, quando habitantes da América Central começaram a penetrar no sul e no norte, dando origem aos antepassados dos índios de hoje.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
11 Novembro, 2018

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597: Cientistas a um passo de descobrir a misteriosa origem dos Incas

Hostelworld.com
Caminho Inca – Machu Picchu (Peru)

Um grupo de pesquisadores do Peru acredita ter conseguido traçar as origens dos Incas através do DNA dos descendentes modernos dos seus imperadores.

Há centenas de anos que a civilização Inca fascina historiadores por todo o mundo, mas ainda muito pouco se sabe sobre a origem da maior civilização Pré-Hispânica das Américas. Um grupo de pesquisadores do Peru acredita agora ter conseguido traçar as origens dos Incas através do DNA dos descendentes modernos dos seus imperadores.

Todos os humanos carregam parte da codificação genética dos seus ancestrais e, frequentemente, os cientistas usam técnicas de genotipagem de DNA semelhantes às usadas neste estudo para determinar quais os genes herdados dos progenitores.

No caso da civilização Inca, esta análise foi estendida durante vários séculos. “É como um teste de paternidade, não entre pai e filho, mas entre os povos”, disse um dos pesquisadores, Ricardo Fujita, da Universidade de San Martin de Porres, no Peru, à AFP.

Existem duas lendas tradicionais comummente aceites sobre a origem desta civilização. A primeira acredita que os Incas são originários perto do Lago Titicaca, Puno, no sudeste do Peru; já a segunda, defende que a civilização descende de irmãos da região de Cusco, no centro do Peru.

Estes dois lugares, onde se acredita que possam ter surgido os primeiros Incas, foram fundamentais para a pesquisa. Os investigadores recolheram amostras de DNA dos habitantes de ambos os locais e, posteriormente, compararam a sua codificação genética com cerca de 3000 amostras de famílias actuais conhecidas como descentes de Incas.

De acordo com os investigadores, estes descendentes utilizados como amostra, também conhecidos como famílias “Panakas”, são a melhor ligação com o DNA da antiga nobreza Inca, pois a maioria dos cemitérios incas históricos e restos mumificados foram destruídos pelos conquistadores espanhóis que chegaram no século XVI.

Os resultados revelaram semelhanças genéticas entre as famílias Panakas e as que vivem em Puno e Cusco, mostrando que há alguma verdade nas lendas tradicionais. Mais do que isso: ambas as histórias podem até estar interligadas.

“Após três anos de rastreamento das impressões digitais genéticas dos descendentes, confirmamos que as duas lendas que explicam a origem da civilização Inca podem estar relacionadas”, explicou Fujita à AFP.

“Provavelmente a primeira migração veio da região de Puno e foi estabelecida em Pacaritambo por algumas décadas antes de ir para Cusco e fundar Tahuantinsuyo”, adiantou.

Tahuantinsuyo é o vasto império que os Incas governaram, estendendo-se desde o oeste da actual Argentina até ao norte da actual Colômbia – uma região com enormes dimensões para um povo que começou com pouco.

Algumas das conclusões preliminares foram publicadas em Abril, na Molecular Genetics and Genomics, mas os investigadores anseiam em voltar atrás  no tempo. Mesmo que as antigas múmias Incas tenham desaparecido para sempre, pode haver cemitérios onde restem ainda vestígios de DNA.

As novas técnicas de ponta hoje aplicadas no estudo do DNA – que pode ter até milhares de anos – estão a trazer uma nova visão do passado, permitindo melhor compreender a maneira como as civilizações se espalharam e migraram ao longos dos séculos.

Quanto mais dados os cientistas conseguirem recolher, quer em tamanho da amostra, quer em períodos de tempo cobertos, mais clara se tornará a janela do passado. Podemos ainda aprender muito mais sobre origem do grande império inca.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
1 Junho, 2018

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555: O segredo da origem da vida na Terra pode estar nos micróbios de Yellowstone

Brocken Inaglory/ Wikimedia
Géiser no Parque Nacional de Yellowstone

Como começou a vida na Terra? A resposta a esta pergunta pode estar nos micróbios descobertos nas águas do Parque Nacional de Yellowstone.

Após uma década de investigação, cientistas que estudam características geotérmicas no Parque Nacional de Yellowstone encontraram uma nova linhagem da antiga forma de vida arquea.

Os arqueas, provavelmente as formas mais antigas de vida na Terra, são organismos parecidos com as bactérias, mas com um metabolismo diferente. Os especialistas acreditam que este organismo unicelular pode revelar os segredos de como a vida na Terra começou e como é que poderia ser em outros planetas.

“A descoberta de linhagens de arqueia é fundamental para nossa compreensão da árvore universal da vida e da história evolutiva da Terra“, escreveram os autores no artigo científico publicado recentemente na Nature Microbiology.

Em homenagem ao Planeta Vermelho, os organismos foram batizados de Marsarqueotas. Os cientistas descobriram que estes organismos são ricos em óxido de ferro e são tão ácidos quanto toranjas.

Os dois recém-subgrupos descobertos da Marsarqueotas prosperam nas águas quentes no Parque Nacional de Yellowstone: um vive em águas acima de 50º C e o outro em águas entre os 60º e os 80°C.

Os Marsarqueotas vivem dentro de tapetes microbianos – comunidades microscópicas em ambientes aquáticos – e conseguem a sua coloração vermelho escuro graças aos altos níveis de óxido de ferro, o principal componente da ferrugem.

Os especialistas acreditam que tipos de habitats semelhantes a estes “tapetes” desempenharam um papel importante na evolução dos arqueas, tanto no planeta Terra como (provavelmente) noutro planeta qualquer.

O óxido de ferro que estes organismos produzem cria uma espécie de terraço que bloqueia o fluxo de água. A água, a poucos milímetros de profundidade, escorre pelos terraços onde o oxigénio é capturado e fornecido à Marsarqueota.

Ao contrário de outros organismos que produzem óxido de ferro, os cientistas acreditam que a Marsarqueota pode estar envolvida na redução do ferro para uma forma mais simples, importante desde o princípio da Terra. De acordo com os investigadores, “o ciclo do ferro é extremamente importante no que diz respeito às primeiras condições de vida”.

Tal como o que acontece com estes organismos, a cor vermelho, característica do planeta Marte, surge da oxidação do ferro na sua superfície. “O habitat destes organismos contém minerais de ferro semelhantes aos encontrados na superfície de Marte”, comentou o professor William Inskeep, da Montana State University.

“Estudar os arqueas fornece pistas extra deste quebra-cabeça, importante para entender a biologia de alta temperatura – que poderia ser relevante na indústria e biologia molecular.”

ZAP // IFLScience

Por ZAP
18 Maio, 2018

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333: Cientistas têm nova (e louca) teoria sobre a origem da Lua

Drriss & Marrionn / Flickr

Apesar de todas as certezas que a ciência nos dá, os cientistas ainda não conseguiram descobrir com certezas a forma como a nossa Lua se formou. Várias teorias foram apresentadas ao longo dos anos, mas permanecem algumas pontas soltas.

Uma nova teoria apresentada por cientistas – e publicada esta quarta-feira na revista Journal of Geophysical Research – parece amarrar todas as pontas soltas  à volta da formação lunar.

De acordo com o novo estudo, a Lua formou-se dentro da Terra, quando o nosso planeta ainda não se tinha formado completamente e não passava de uma nuvem fervente e giratória de rocha vaporizada, chamada sinestia.

O novo modelo, liderado por cientistas da Universidade da Califórnia e da Universidade de Harvard, resolve vários problemas das teorias actuais sobre a formação lunar.

“O novo trabalho explica os recursos da Lua que são difíceis de resolver com as ideias actuais”, explica Sarah Stewart, professora de Ciências Planetárias e Terra da Universidade da Califórnia. “A Lua é quimicamente quase a mesma coisa que a Terra, mas com algumas diferenças. Este é o primeiro modelo que pode combinar o padrão da composição da Lua”.

Os modelos actuais de formação lunar sugerem que a Lua se formou como resultado de uma colisão entre a Terra primitiva e um corpo de tamanho de Marte, comummente chamado de Theia. De acordo com estes modelos, a colisão entre Terra e Theia atirou para a órbita rocha fundida e metal, que acabaram por se juntar e formar a Lua.

A nova teoria depende, em vez disso, de um novo tipo de objecto planetário proposto por Stewart e Simon Lock, estudante de pós-graduação em Harvard, chamado sinestia. Uma sinestia forma-se quando uma colisão entre objectos de tamanho planetário resulta numa massa giratória rápida de rocha fundida e vaporizada com parte do corpo em órbita em torno de si.

Os cientistas teorizam que as sinestias provavelmente não duram muito tempo – talvez apenas centenas de anos. Elas encolheriam rapidamente enquanto irradiam calor, fazendo com que o vapor de rocha se condense em líquido, finalmente entrando em colapso e formando por fim um planeta.

“O nosso modelo começa com uma colisão que forma uma sinestia. A Lua forma-se então dentro da Terra vaporizada a temperaturas de quatro a seis mil graus Fahrenheit e pressões de dezenas de atmosferas”, explica Lock.

Segundo os dois investigadores, uma vantagem do novo modelo é que existem múltiplas maneiras de uma sinestia adequada se formar – não seria preciso confiar numa colisão com o objecto de tamanho certo que estivesse exactamente da maneira correta.

Uma vez formada a sinestia da Terra, os pedaços de rocha fundida colocados em órbita durante o impacto teriam formado a semente para o nosso satélite. Então, rocha de silicato vaporizado teria se condensado na superfície da sinestia e depois caído sobre a proto-Lua, enquanto a própria sinestia da Terra diminuía gradualmente.

Eventualmente, a Lua surgiu das nuvens da sinestia que arrastava a sua própria atmosfera de vapor de rocha.

A nova teoria explica tanto as semelhanças como as diferenças entre a Lua e a Terra: a Lua herdou a composição da Terra ao formar-se dentro dela, mas, devido à formação a altas temperaturas, teria perdido os elementos que seriam facilmente vaporizados, o que explica a sua composição distinta.

ZAP // HypeScience / Science Alert

Por ZAP
1 Março, 2018

[N.W.]- Também tenho uma foto da Lua de minha autoria parecida com a deste artigo:

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