3140: Detectados pela primeira vez indícios de planeta gigante em torno de uma anã branca

CIÊNCIA

Observatório Europeu do Sul

Astrónomos encontraram pela primeira vez vestígios de um planeta gigante em torno de uma estrela anã branca, uma descoberta que poderá dar pistas sobre o futuro do Sistema Solar, anunciou o Observatório Europeu do Sul (OES).

O planeta, do tipo Neptuno e que estará a evaporar-se, revela uma órbita próxima da estrela “WDJ0914+1914”, o remanescente de uma estrela como o Sol. A maioria das estrelas, incluindo o Sol, irá acabar possivelmente como anãs brancas.

“Este sistema único dá-nos pistas de como poderá ser o nosso próprio Sistema Solar num futuro distante”, realça em comunicado o OES, que opera o telescópio VLT, com que foram feitas as observações, a partir do Chile.

Estrelas como o Sol queimam hidrogénio no seu núcleo durante a maior parte do seu ciclo de vida. Quando já não têm mais gás para queimar, crescem e transformam-se em gigantes vermelhas, “engolindo” os planetas que lhe estão mais próximos (no caso do Sistema Solar será Mercúrio, Vénus e Terra, dentro de cerca de cinco mil milhões de anos).

As gigantes vermelhas degeneram no final em anãs brancas (o que resta de uma estrela), que podem acolher planetas.

Contudo, segundo o OES, organização astronómica internacional da qual Portugal faz parte, é a primeira vez que os cientistas detectam indícios de um planeta gigante sobrevivente a orbitar uma estrela deste tipo. O planeta é gelado e é pelo menos duas vezes maior do que a anã branca “WDJ0914+1914”, localizada a cerca de 1.500 anos-luz da Terra, na constelação do Caranguejo.

A estrela, extremamente quente (cinco vezes mais quente do que o Sol), tem um disco de gás em redor, formado por hidrogénio, oxigénio e enxofre em quantidades semelhantes às detectadas “nas camadas atmosféricas profundas de planetas gigantes gelados, como Neptuno e Úrano”.

De acordo com o OES, a “localização invulgar do planeta sugere que, a determinada altura, após a estrela se ter transformado em anã branca, o planeta se deslocou para mais perto desta”. Os astrónomos sugerem que “esta nova órbita poderá ter sido o resultado de interacções gravitacionais com outros planetas no sistema, o que significa que mais do que um planeta pode ter sobrevivido à violenta transição da sua estrela hospedeira”.

Os resultados da investigação foram publicados hoje na revista científica Nature.

ZAP // Lusa

Por Lusa
5 Dezembro, 2019

spacenews

 

282: Planetas que orbitam estrela anã podem ter mais água do que a Terra

NASA / JPL-Caltech
Ilustração do possível aspecto do sistema TRAPPIST-1 a partir de um ponto de vista próximo do planeta TRAPPIST-1f (direita).

Alguns dos sete planetas extra-solares que orbitam a estrela anã vermelha TRAPPIST-1 poderão ter potencialmente mais água do que a Terra, indicou o Observatório Europeu do Sul, organização astronómica da qual Portugal faz parte.

O sistema planetário, cuja descoberta foi anunciada há cerca de um ano e para a qual contribuíram as observações registadas pela astrónoma portuguesa Catarina Fernandes, é o que tem o maior número de planetas do tamanho da Terra, sendo constituídos, de acordo com as conclusões de um novo estudo, principalmente por rochas.

Segundo um comunicado do OES, as densidades dos planetas, calculadas com maior precisão através de um modelo computacional, sugerem que “alguns destes corpos podem ter até 5% da sua massa sob a forma de água“, isto é, quase 250 vezes mais água do que os oceanos da Terra.

Por comparação, salienta o OES, o ‘planeta azul’ tem apenas cerca de 0,02% de água relativamente à sua massa. A água é um elemento fundamental para a vida tal como se conhece.

“Embora nos dêem importantes pistas sobre a composição dos planetas, as densidades não nos dizem nada sobre a sua habitabilidade. Apesar disso, o nosso estudo constitui um importante passo para determinarmos se estes planetas poderão suportar vida”, defendeu, citado pelo OES, um dos co-autores do estudo, Brice-Olivier Demory, da Universidade de Berna, na Suíça.

Dos sete planetas, o quarto a contar da estrela é o mais parecido com a Terra em termos de tamanho, densidade e radiação recebida e tem “potencial para ter água líquida à sua superfície”. De todos, é o mais rochoso, o que, para a equipa internacional de astrónomos que conduziu o estudo, continua a ser um mistério.

O Observatório Europeu do Sul, do qual dois telescópios, o TRAPPIST-South e o Telescópio Muito Grande (VLT, Very Large Telescope), permitiram detectar o sistema planetário, assinala que os cientistas “ficaram surpreendidos” por o quarto planeta ser o único “ligeiramente mais denso do que a Terra“, indiciando que “possa ter um núcleo de ferro mais denso” e não necessariamente uma atmosfera espessa, um oceano ou uma camada de gelo.

De acordo com a investigação, que descreve a natureza do sistema planetário TRAPPIST-1 e que será publicada na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics, os planetas que estão mais perto da estrela e, por isso, são mais quentes terão atmosferas densas de vapor.

Em contrapartida, os mais distantes da estrela, que é extremamente fria quando comparada com outras estrelas, terão superfícies de gelo.

Os dois planetas mais interiores, ou seja, mais próximos da estrela-hospedeira, terão núcleos rochosos e estarão rodeados por “atmosferas muito mais espessas do que a da Terra”. O terceiro planeta é o mais leve de todos, com cerca de 30 por cento da massa da Terra.

Para o novo estudo contribuíram observações feitas através de telescópios terrestres, incluindo o ‘caçador’ de exoplanetas SPECULOOS, do OES, e telescópios espaciais, como o Spitzer e o Kepler, operados pela agência espacial norte-americana NASA.

A TRAPPIST-1 é uma estrela mais pequena do que o Sol e está situada a 40 anos-luz de distância da Terra. A descoberta dos sete planetas, com os intermédios em condições mais favoráveis de ter água líquida à superfície, segundo um estudo anterior, foi anunciada a 22 de fevereiro de 2017.

Meses antes, em Agosto, uma outra equipa de astrónomos anunciara a descoberta de um planeta extra-solar a orbitar a estrela mais próxima do Sol, a Próxima de Centauro, também uma anã vermelha e relativamente fria, mas localizada mais perto da Terra, a 4,22 anos-luz.

O planeta, o Próxima b, o mais perto da Terra, tem uma temperatura adequada para ter água líquida à sua superfície, pelo menos nas regiões mais quentes. Contudo, tem uma massa 1,3 vezes maior do que o ‘planeta azul’.

ZAP // Lusa

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