5367: Falta de oxigénio empurra tubarões para a superfície

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/OCEANOS

O aquecimento do Atlântico está a desoxigenar as águas profundas e a levar os grandes tubarões azuis para a superfície, onde ficam particularmente vulneráveis às frotas de pesca.

Os ecossistemas de profundidade estão a mudar. As alterações climáticas estão a expandir as zonas de oxigénio mínimo, que tipicamente se encontravam entre os 200 e os 800 metros nas regiões tropicais. Essa mudança diminui fortemente o habitat disponível para os grandes peixes pelágicos, como os tubarões azuis. E em busca de concentrações de oxigénio mais elevadas, essas espécies rumam à superfície, onde correm maior risco de caírem em redes de pesca industrial.

Este trabalho estudou o efeito que uma dessas zonas de oxigénio mínimo no Nordeste Atlântico, próximo de Cabo Verde, tem nos movimentos e na distribuição do tubarão azul. Para conseguirem os seus objectivos, os investigadores marcaram vários espécimes com transmissores de satélite, registando as profundidades máximas de mergulho. “Ao seguir os movimentos horizontais e o comportamento de mergulho dos tubarões marcados, conseguimos observar mudanças no seu comportamento, com períodos de maior permanência à superfície, como forma de evitar o défice de oxigénio das águas profundas”, explicou David Sims, um dos responsáveis pelo estudo.

Em simultâneo, a equipa de investigação monitorizou as deslocações dos barcos de pesca por palangre de superfície e confirmaram que a zona de oxigénio mínimo da Costa Ocidental Africana é uma área de pesca intensiva, nomeadamente de tubarões azuis. “A compressão de habitat em tubarões azuis torna

a sua captura potencialmente mais fácil e deverá continuar de futuro, se esta situação se mantiver”, alertou o biólogo Nuno Queiroz, que co-liderou este estudo.

Esta investigação foi publicada na revista científica eLife e tem como primeira autora Marisa Vedor, que foi orientada por Nuno Queiroz e David Sims. A equipa internacional de cientistas responsáveis por este artigo integra cientistas do MARE – Centro de Ciências do Ambiente e do Mar e do CIBIO-InBIO.

Para saber mais: https://elifesciences.org/articles/62508

Diário de Notícias
Paulo Caetano
21 Março 2021 — 07:00


5187: Muitos dos peixes que comemos estão a consumir grandes quantidades de plástico

CIÊNCIA/BIOLOGIA/POLUIÇÃO

Vídeo obtido por captura de écran dado não estar disponibilizado o endereço URL original

Milhões de micro-plásticos estão a flutuar nos oceanos. Essas partículas normalmente formam-se quando objectos maiores, como sacos de compras ou garrafas de refrigerante, se começam a degradar. Esta situação está a prejudicar a sustentabilidade marinha, mas não só.

Os investigadores estão cada vez mais preocupados com a presença de micro-plásticos no oceano, uma vez que estes estão a ser cada vez mais consumidos pelos animais de forma acidental ou mesmo intencionalmente.

A primeira observação científica de animais a ingerir plásticos surgiu depois de uma equipa ter analisado o estômago de uma ave marinha em 1969. Três anos depois, os cientistas mostraram que os peixes da costa do sul da Nova Inglaterra estavam a consumir minúsculas partículas de plástico.

Passadas várias décadas, uma nova pesquisa indica que o consumo de plástico por peixes está a aumentar cada vez mais, sendo que número de espécies marinhas encontrados com plástico quadruplicou.

Os especialistas acreditam que existem dois factores que reforçam ainda mais esta tendência.

Uma das razões pode ser o facto das técnicas científicas de detecção de micro-plásticos terem melhorado substancialmente nos últimos anos. Muitos dos estudos anteriores podem não ter encontrado as substâncias porque os especialistas não conseguiam vê-las.

Por outro lado, também é provável que os peixes estejam a consumir mais plástico à medida que a poluição aumenta nos oceanos. Seguindo esta tendência, os cientistas acreditam que a situação pode piorar nos próximos anos.

Tendo em conta os dados da pesquisa, os especialistas estimam que cerca de 1 em cada 4 peixes continha plásticos, ainda assim os animais que os consumiam normalmente tinham apenas um ou dois pedaços no estômago.

Peixes como tubarões, garoupa e atum, que sobrevivem a caçar outros peixes ou organismos marinhos para se alimentarem, são mais propensos a ingerir plástico. Consequentemente, as espécies mais altas na cadeia alimentar correm um maior risco, como é o caso dos seres humanos.

A quantidade de plástico que os peixes consomem também depende de quanta matéria há no seu meio ambiente. Espécies que vivem em regiões oceânicas conhecidas por terem muita poluição, como é o caso do Mar Mediterrâneo e as costas do Leste Asiático, foram encontradas com mais plástico nos seus estômagos.

Segundo o The Conversation, esta situação é preocupante porque há evidências de que os micro-plásticos, e até mesmo as partículas menores – os nano-plásticos – podem mover-se do estômago de um peixe para o seu tecido muscular, que é a parte que os humanos normalmente comem.

Por isso, os investigadores destacam a necessidade de realizar mais estudos que analisem a frequência com que os plásticos são transferidos dos peixes para os humanos e quais são os seus potenciais efeitos no corpo humano.

Por Ana Isabel Moura
23 Fevereiro, 2021


5036: O Oceano Atlântico está a ficar mais largo (e há uma explicação para o fenómeno)

CIÊNCIA/GEOFÍSICA/GEOLOGIA/OCEANOGRAFIA

O Pacífico continua a ser o maior oceano do planeta Terra, mas o Atlântico está a ganhar terreno à medida que se expande cerca de quatro centímetros por ano. Os cientistas já perceberam qual a razão para este fenómeno.

O deslocamento glaciar lento dos oceanos acontece devido aos movimentos contínuos das placas tectónicas da Terra. As forças geofísicas profundas, que sustentam este fenómeno extenso, estão longe de ser plenamente compreendidas. Contudo, agora, uma equipa de investigadores pode ter identificado um dos principais factores que contribuem para este processo.

Num estudo publicado na revista Nature em Novembro de 2020, os especialistas sugerem que as dorsais mesoatlânticas – formações montanhosas que emergem ao longo do fundo marinho entre as placas tectónicas – podem estar mais envolvidas na transferência de materiais entre os mantos superior e inferior do que seria expectável.

Esta longa cordilheira (nalguns pontos emerge à superfície em pequenas ilhas), é o limite divergente das placas que se movem em sentidos opostos. O magma do interior da Terra ascende pelo espaço que se forma: debaixo desta crosta, a matéria sobe para preencher esse espaço vazio que é criado à medida que as placas se afastam.

Para ter uma visão mais ampla dos processos complexos que ocorrem no fundo do Atlântico, a equipa instalou 39 sismómetros ao longo da dorsal mesoatlântica. Os instrumentos foram colocados no fundo do oceano em 2016 e passaram um ano a registar os terremotos antes de terem sido retirados em 2017. O resultado das pesquisas trouxe uma nova imagem sísmica da Terra.

“Ocorrem experiências semelhantes em todo o mundo, mas esta foi realizada em grande escala, com a utilização de vários instrumentos e durante muito tempo”, afirmou o sismólogo Matthew Agius da Universidade Tre, de Roma, em declarações ao Sputnik.

As conclusões do estudo, revelam várias interrupções de material do manto interior – uma camada de terra localizada a centenas de quilómetros do fundo do mar, que está a ajudar a separar os continentes do Oceano Atlântico contribuindo assim para o alargamento deste.

“Há uma distância crescente entre a América do Norte e a Europa, e não é impulsionada por diferenças políticas ou filosóficas. É causada pela convecção do manto!”, referiu Nick Harmon, um dos autores do estudo.

Estes continentes estão assentes em placas tectónicas que se movem muito lentamente. O que este estudo mostra é que a placa dos continentes americanos (Norte e Sul) e as placas da Europa e África se estão a afastar muito mais depressa do que era suposto.

Estes resultados trazem novos conhecimentos sobre como o interior da Terra, o fluxo do magma (sempre em movimento, em correntes de convecção) está afinal ligado às placas tectónicas. Estas observações nunca tinham sido vistas antes, refere o Observador.

Por Ana Moura
1 Fevereiro, 2021


4817: O que está a acontecer com o Pacífico? O maior oceano do mundo está em perigo (e nós também)

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL/BIOLOGIA

Stefanie Klenner / Pexels

O Oceano Pacífico é o maior e mais profundo da Terra, cobrindo um terço do planeta. Um oceano tão vasto pode parecer invencível, mas apesar do seu tamanho, o seu delicado equilíbrio ecológico está em perigo.

À medida que expelimos dióxido de carbono na atmosfera, o Pacífico, tal como o resto dos oceanos, está a aumentar os seus níveis de acidez, e isso pode ser muito prejudicial tanto para os ecossistemas que nele habitam como para os seres humanos.

Os oceanos produzem a maior parte do oxigénio que respiramos, pois regulam o clima, fornecem-nos alimentos, são locais de diversão e recreação, mas também de bem-estar. Contudo, se não cuidarmos dele o resultado pode ser catastrófico, e o Pacífico já está a dar sinais.

O problema do plástico do oceano

Há evidências científicas do problema da presença do plástico no Oceano Pacífico desde a década de 1960. Apenas 20 rios são responsáveis ​​pelo transporte de dois terços do plástico dos oceanos do mundo e, desses 20, 10 desaguam no Pacífico Norte.

Os resíduos de plástico dos oceanos representam um perigo para a vida marinha, pois os animais podem ficar presos em detritos, como redes de pesca descartadas, causando ferimentos ou até mesmo afogamento.

Estes plásticos podem entupir a boca dos animais ou acumular-se nos seus estômagos. Quando isso acontece, os animais normalmente morrem de forma lenta e dolorosa.

Ainda assim, e em outros casos, o lixo de plástico pode acabar em diferentes locais do oceano. Uma parte afunda, outra acaba nas praias, e uma outra flutua na superfície carregada por correntes, ventos e ondas.

Cerca de 1% do lixo plástico acumula-se em cinco “ilhas de lixo” localizadas em mar aberto nas regiões subtropicais. Estes locais foram formados como consequência da circulação oceânica.

Existem duas ilhas de lixo subtropicais no Pacífico: uma no hemisfério norte e outra no hemisfério sul. O acúmulo de lixo no Pacífico Norte é dividido numa grande ilha oriental localizada entre a Califórnia e o Havaí, e uma ilha ocidental localizada a leste do Japão.

A ilha oriental foi descoberta no início do ano 2000 e é conhecida como A Grande Ilha do Lixo do Pacífico por representar a maior concentração de plásticos ambos por extensão (cerca de 1,6 milhão de quilómetros quadrados) conforme a quantidade de resíduos. A ilha de lixo do Pacífico Sul está localizada na costa de Valparaíso (Chile) e estende-se a oeste.

Com o tempo, os plásticos maiores tornam-se em micro-plásticos. Em altas concentrações, estes plásticos fazem com que a água adquira uma cor “turva”.

Parar melhorar esta situação, implicaria desenvolver planos de recolha e reciclagem de plásticos, ou até mesmo ceder a uma interrupção da produção.

Actividade piscatória à beira do colapso

Por ser o maior e mais profundo oceano do planeta, o Pacífico possui uma das maiores actividades piscatórias do mundo. Durante milhares de anos, a população usou esta região como zona de pesca para satisfazer as suas necessidades de alimentação e sustento.

Contudo, em todo o mundo, e não apenas no Pacífico, a pesca está a reduzir as populações de peixes a um ritmo mais acelerado do que demoram para se recuperar. Esta sobre exploração da pesca é considerada uma das maiores ameaças que os oceanos do mundo enfrentam.

Os humanos extraem cerca de 80 milhões de toneladas de vida selvagem dos oceanos a cada ano. Mas a redução das populações de peixes não é um problema apenas para os humanos, uma vez que os peixes desempenham um papel central nos ecossistemas marinhos e são um elo fundamental nas cadeias alimentares dos oceanos.

A sobre exploração da pesca ocorre quando os humanos extraem recursos acima do nível máximo, conhecido como “rendimento máximo sustentável”. A pesca acima desse nível causa o declínio afecta as cadeias alimentares, degrada os habitats e leva à escassez de alimentos para os humanos.

Existem muitas razões pelas quais ocorre a sobre exploração e pela qual esta permanece descontrolada. Os dados objectivos apontam que a pobreza dos pescadores nos países em desenvolvimento, a má gestão da pesca e comunidades piscatórias, a baixa conformidade com as restrições de pesca devido a autoridades locais fracas, são algumas das grandes razões.

Para evitar a sobre exploração, os governos devem combater o problema da pobreza e o acesso à educação nas comunidades piscatórias pobres, diz o The Conversation.

A luta contra a sobre exploração no Pacífico também deverá exigir a cooperação entre os países para controlar a actividade piscatória e garantir o cumprimento das restrições.

O colapso de áreas de pesca em todo o mundo apenas demonstra até que ponto a vida marinha é vulnerável. Milhões de pessoas dependem da produção de peixes para obter o seu sustento, mas se as coisas continuarem assim, não haverão apenas danos apenas nos aos oceanos, mas também a nós próprios.

Uma reacção química

O aumento da acidez do oceano significa um diminuição do pH da água do mar e isto é causado pela absorção de dióxido de carbono da atmosfera. Este é mais um problema para os oceanos.

Os oceanos absorvem até 30% do CO₂ da atmosfera, o que desencadeia uma reacção química que faz com que as concentrações de iões de carbono caiam e os iões de hidrogénio aumentem. Essa mudança faz com que a acidez das águas do oceano aumente.

Os iões de carbono são os blocos de construção das estruturas dos corais e dos organismos criadores de conchas. Perante esta situação, moluscos demonstraram ter mais dificuldades em criar e restaurar as suas conchas.

O aumento da acidez do oceano também é um problema para os peixes, uma vez que são muitos os estudos que indica que níveis elevados de dióxido de carbono podem alterar o seu olfacto, visão e audição.

Dos sete oceanos do mundo, os oceanos Pacífico e Índico apresentam o maior aumento nos níveis de acidez desde 1991, o que significa a sua vida marinha é provavelmente também a mais vulnerável.

No entanto, o aumento da acidez dos oceanos não afecta todas as espécies marinhas de igual forma. Além disso, esses efeitos não são os mesmos ao longo da vida de cada organismo.

Ainda não é tão tarde

O aumento da acidez dos oceanos não é apenas uma ameaça para os corais. Devido às mudanças climáticas, a taxa de aquecimento dos oceanos duplicou desde a década de 1990. A Grande Barreira de Corais, por exemplo, viu um aumento de temperatura de 0,8 graus desde a Revolução Industrial.

Neste sentido, a redução das emissões de gases de efeito estufa deve tornar-se numa preocupação global. Se o mundo atingir as metas do Acordo de Paris e impedir que as temperaturas globais aumentem acima de um grau e meio, o Pacífico pode conseguir sofrer quedas menos drásticas no pH oceânico.

No entanto, é necessário reduzir as emissões para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 graus.

As decisões que tomamos hoje irão afectar a vida dos oceanos amanhã.

ZAP //

Por ZAP
16 Dezembro, 2020


4699: Cientistas querem “hackear” recifes de coral contra o aquecimento global

CIÊNCIA/BIOLOGIA/GENÉTICA/AQUECIMENTO GLOBAL

Hostelworld.com
Grande Barreira de Coral, Austrália

O aumento da temperatura do oceano é uma séria ameaça para os recifes de coral. Os eventos de branqueamento em massa já mataram vastas faixas dos ecossistemas oceânicos.

Uma equipa de cientistas do Instituto de Ciências de Carnegie, nos Estados Unidos, identificou um gene, presente em alguns tipos específicos de recifes de coral, que lhes confere uma maior resistência ao aumento de temperaturas do oceano.

Os investigadores pretendem agora analisar o gene ao pormenor e “hackeá-lo“, ou seja, transplantá-lo para recifes de coral comuns, explica o Futurism.

Os corais reproduzem-se de duas formas: sexuada e assexuada. Na primeira, dois indivíduos cruzam-se e geram a fecundação, que leva ao nascimento de um terceiro exemplar. Na reprodução assexuada, larvas não fertilizadas do próprio indivíduo separam-se do corpo principal. Neste caso, o indivíduo resultante é um clone daquele que o originou.

Os cientistas do instituto norte-americano recolheram pólipos fertilizados deste “super coral”, libertados em massa sob condições de água específicas durante a Lua cheia. Depois, isolaram o gene HSF1, que confere aos corais que o portam a capacidade de sobreviver em águas mais quentes.

De acordo com o artigo científico, publicado no dia 9 de Novembro na PNAS, o objectivo da equipa é usar o método de edição genética CRISPR para fertilizar recifes inteiros, para que, durante os seus próximos processos de reprodução, os indivíduos resultantes possam desenvolver essa resistência por conta própria.

No entanto, a burocracia legal está,  a atrapalhar o processo. A Austrália, lar da Grande Barreira de Coral, baniu a prática do CRISPR há alguns anos, pelo que levar a cabo estas experiências no recife seria ilegal.

A Grande Barreira de Coral, o ecossistema de corais mais afectado pelo aquecimento global, seria o ponto ideal para testar a implantação genética. Ainda que o método se prove viável em testes de laboratório, a sua implementação neste ecossistema pode ainda demorar muito tempo.

ZAP //

Por ZAP
22 Novembro, 2020


4434: O oceano está a ficar mais estável. E isso traz implicações “preocupantes”

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL/OCEANOS

Jeremy Bishop / Pexels

O aquecimento global está a tornar os oceanos mais estáveis, aumentando as temperaturas da superfície e reduzindo o carbono que podem absorver. Cientistas alertam que estas descobertas têm implicações “profundas e preocupantes”.

Nos oceanos, as temperaturas mais altas desaceleram a mistura entre a superfície aquecida e as águas que se encontram mais abaixo, que são mais frias e ricas em oxigénio. Esta “estratificação”, explica o site Science Alert, significa que menos águas profundas estão a subir em direcção à superfície, carregando oxigénio e nutrientes, enquanto a água na superfície absorve menos dióxido de carbono atmosférico.

Num relatório publicado, a 28 de Setembro, na revista científica Nature Climate Change, uma equipa internacional de cientistas disse ter descoberto que a estratificação global aumentou nuns “substanciais” 5,3% de 1960 a 2018.

Os investigadores também disseram que este processo é exacerbado pelo derretimento do gelo marinho, o que significa que mais água doce, que é mais leve do que a salgada, também se acumula na superfície do oceano.

Num artigo publicado na revista Newsweek, o co-autor do estudo, Michael Mann, professor da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, disse que esta “descoberta tem implicações profundas e preocupantes”.

O investigador considera que isto pode levar, potencialmente, a mais “furacões destrutivos e intensos” à medida que a superfície do oceano aquece, e também apontou para uma redução na quantidade de CO2 absorvida, o que pode significar que a poluição de carbono se acumula mais rapidamente do que o esperado na atmosfera.

Com as águas superiores mais quentes a receber menos oxigénio, também há implicações para a vida marinha. Ao absorver um quarto do CO2 produzido pelo Homem e a absorver mais de 90% do calor gerado pelos gases de efeito estufa, os oceanos mantêm a população viva, mas a um custo terrível, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2020

 

 

3901: Planetas com oceanos são comuns na nossa Galáxia? É provável, dizem cientistas da NASA

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta ilustração mostra a sonda Cassini da NASA a voar pelas plumas de Encélado em Outubro de 2015.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Há vários anos, a cientista planetária Lynnae Quick começou a perguntar-se se algum dos mais de 4000 exoplanetas conhecidos, ou planetas para lá do nosso Sistema Solar, podiam assemelhar-se com algumas das luas com grandes quantidades de água em torno de Júpiter e Saturno. Embora algumas destas luas não tenham atmosferas e estejam cobertas de gelo, ainda estão entre os principais alvos na busca da NASA por vida para lá da Terra. A lua de Saturno, Encélado, e a lua de Júpiter, Europa, que os cientistas classificam como “mundos oceânicos”, são bons exemplos.

“Plumas de água emergem de Europa e Encélado, de modo que sabemos que estes corpos têm oceanos subterrâneos por baixo das suas conchas de gelo, e têm energia que impulsiona as plumas, que são dois requisitos para a vida como a conhecemos,” diz Quick, cientista planetária da NASA especialista em vulcanismo e mundos oceânicos. “Assim sendo, se pensarmos nestes lugares como possivelmente habitáveis, talvez versões maiores noutros sistemas planetários também sejam habitáveis.”

Quick, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, decidiu explorar se – hipoteticamente – existem planetas semelhantes a Europa e Encélado na nossa Via Láctea. E se também podiam ser geologicamente activos o suficiente para expelir plumas através das suas superfícies, quem sabe um dia detectadas por telescópios.

Através de uma análise matemática de várias dúzias de exoplanetas, incluindo planetas no sistema vizinho TRAPPIST-1, Quick e colegas aprenderam algo significativo: mais de um-quarto dos exoplanetas que estudaram podem ser mundos oceânicos, com a maioria possivelmente abrigando oceanos sob camadas de gelo superficial, semelhantes a Europa e Encélado. Além disso, muitos destes planetas podem estar a libertar mais energia do que Europa e Encélado.

Os cientistas podem um dia ser capazes de testar as previsões de Quick medindo o calor emitido por um exoplaneta ou detectando erupções vulcânicas ou crio-vulcânicas (líquido ou vapor em vez de rocha derretida) nos comprimentos de onda da luz emitida por moléculas na atmosfera de um planeta. Por agora, os cientistas não podem ver muitos exoplanetas em detalhe. Infelizmente, estão demasiado distantes e demasiado ofuscados pelo brilho das suas estrelas. Mas, considerando a única informação disponível – os tamanhos, massas e distâncias dos exoplanetas às suas estrelas – cientistas como Quick e colegas podem explorar modelos matemáticos e a nossa compreensão do Sistema Solar para tentar imaginar as condições que podiam moldar exoplanetas em mundos habitáveis (ou não).

Apesar das suposições que entram nestes modelos matemáticos serem suposições educadas, podem ajudar os cientistas a restringir a lista de exoplanetas promissores para procurar condições favoráveis à vida, para que o Telescópio Espacial James Webb da NASA ou outras missões espaciais possam observar.

“As missões futuras com o objectivo de procurar sinais de vida para lá do Sistema Solar estarão focadas em planetas como o nosso, que possuem uma biosfera global tão abundante que mudam a química de toda a atmosfera,” diz Aki Roberge, astrofísica da NASA em Goddard que colaborou com Quick na sua análise. “Mas no Sistema Solar, luas geladas com oceanos, que estão longe do calor do Sol, ainda mostraram que possuem características que achamos necessárias para a vida.”

Para procurar possíveis mundos oceânicos, a equipa de Quick seleccionou 53 exoplanetas com tamanhos parecidos ao da Terra, embora possam ter até oito vezes mais massa. Os cientistas assumem que os planetas deste tamanho são mais sólidos do que gasosos e, portanto, mais propensos a suportar água líquida nas superfícies ou abaixo delas. Pelo menos mais 30 planetas que encaixam nestes parâmetros foram descobertos desde que Quick e colegas começaram o seu estudo em 2017, mas não foram incluídos na análise, publicada no dia 18 de Junho na revista Publications of the Astronomical Society of the Pacific.

Com os seus planetas do tamanho da Terra identificados, Quick e a sua equipa procuraram determinar quanta energia cada um podia gerar e libertar como calor. A equipa considerou duas fontes principais de calor. A primeira, calor radiogénico, é gerado ao longo de milhares de milhões de anos pelo lento decaimento de materiais radioactivos no manto e crosta de um planeta. Esta taxa de decaimento depende da idade de um planeta e da massa do seu manto. Outros cientistas já haviam determinado estas relações para planetas do tamanho da Terra. Assim, Quick e a sua equipa aplicaram a taxa de decaimento à sua lista de 53 planetas, assumindo que cada um tem a mesma idade da sua estrela e que o seu manto ocupa a mesma proporção de volume planetário do que o manto da Terra.

De seguida, os cientistas calcularam o calor produzido por outra coisa: forças de maré, que é a energia gerada a partir de atracção gravitacional quando um objecto orbita outro. Os planetas em órbitas alongadas, mais elípticas, mudam a distância à estrela enquanto a orbitam. Isto leva a mudanças na força gravitacional entre os dois objectos e faz com que o planeta “estique”, gerando calor. Eventualmente, o calor é perdido para o espaço através da superfície.

Uma rota de saída para o calor é através de vulcões ou crio-vulcões. Outra rota é através das placas tectónicas, que é um processo geológico responsável pelo movimento da camada rochosa ou gelada mais externa de um planeta ou lua. Qualquer que seja a maneira como o calor é libertado, é importante saber a quantidade, pois pode validar ou invalidar a habitabilidade.

Por exemplo, demasiada actividade vulcânica pode transformar um mundo habitável num pesadelo derretido. Mas pouca actividade pode impedir a libertação de gases que compõem uma atmosfera, deixando uma atmosfera fria e árida. A quantidade ideal suporta um planeta habitável e húmido como a Terra, ou uma lua possivelmente habitável como Europa.

Na próxima década, a sonda Europa Clipper da NASA irá explorar a superfície e a sub-superfície de Europa e fornecer informações sobre o seu ambiente. Quanto mais os cientistas puderem aprender sobre Europa e sobre outras luas potencialmente habitáveis no nosso Sistema Solar, melhor serão capazes de entender mundos semelhantes em torno de outras estrelas – que podem ser abundantes, de acordo com as descobertas publicadas.

“As próximas missões vão dar-nos a hipótese de ver se as luas oceânicas no nosso Sistema Solar podem sustentar a vida,” diz Quick, que faz parte da equipa científica tanto da missão Clipper como da missão Dragonfly, com destino à lua de Saturno, Titã. “Se encontrarmos assinaturas químicas da vida, podemos tentar procurar sinais semelhantes a distâncias interestelares”.

Quando o Webb for lançado, os cientistas vão tentar detetar assinaturas químicas nas atmosferas de alguns dos planetas no sistema TRAPPIST-1, que fica a 39 anos-luz de distância na direcção da constelação de Aquário. Em 2017, os astrónomos anunciaram que este sistema possuía sete planetas do tamanho da Terra. Há quem tenha sugerido que alguns destes planetas possam ser oceânicos, e a equipa de Quick suporta esta ideia. Segundo os cálculos da sua equipa, TRAPPIST-1 e, f, g e h podem ser mundos oceânicos, o que os colocaria entre os 14 mundos oceânicos que os cientistas identificaram neste estudo.

Os investigadores previram que estes exoplanetas tinham oceanos, tendo em conta as temperaturas da superfície de cada um. Esta informação é revelada pela quantidade de radiação estelar que cada planeta reflete para o espaço. A equipa de Quick também levou em consideração a densidade de cada planeta e a quantidade estimada de aquecimento interno que geram em comparação com a Terra.

“Se virmos que a densidade de um planeta é menor que a da Terra, isso é uma indicação de que pode haver mais água lá e não tanta rocha e ferro,” explica Quick. E se a temperatura do planeta permitir água líquida, então teremos um mundo oceânico.

“Mas se a temperatura à superfície de um planeta for inferior a 0º C, onde a água está congelada,” diz Quick, “então temos um mundo oceânico gelado e as densidades destes planetas são ainda mais baixas.”

Outros cientistas que participaram nesta análise com Quick e Roberge incluem Amy Barr Mlinar do PSI (Planetary Science Institute) em Tucson, no estado norte-americano do Arizona, e Matthew M. Hedman da Universidade de Idaho, em Moscow, EUA.

Astronomia On-line
23 de Junho de 2020

 

 

3823: Queda de asteróides em oceanos pode ter gerado vida na Terra e até Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Quedas de asteróides em oceanos podem ter gerado ingredientes para início da vida Imagem: Getty Images

A vida na Terra e, quem sabe, em Marte pode ter surgido graças ao impacto de asteróides nos oceanos no início da formação dos dois planetas. Isso é o que mostra um estudo realizado pela Universidade de Tohoku, no Japão. Os pesquisadores descobriram que a queda dos asteróides fez surgir aminoácidos que servem como blocos de construção de proteínas e que foram fundamentais para a vida de moléculas no começo do planeta Terra.

Existem duas explicações para as origens das moléculas que criaram vida na Terra: podem ter vindo de fora do nosso planeta, como o exemplo dos asteróides, ou por formação endógena. A presença de aminoácidos e outras bio-moléculas em asteróides apontam que a primeira hipótese é a mais provável. Por isso, os pesquisadores da Universidade de Tohoku, do Instituto Nacional de Ciência dos Materiais (Nims), do Centro de Pesquisa Avançada em Ciência e Tecnologia de Alta Pressão (Hpstar) e da Universidade de Osaka simularam as reacções que surgem quando um asteroide cai no oceano. Para isso, eles investigaram as reacções entre dióxido de carbono, nitrogénio, água e ferro em um laboratório.

O dióxido de carbono e o nitrogénio foram usados porque esses gases eram os componentes principais da atmosfera da Terra no período Hadeano, há mais de 4 bilhões de anos. A simulação revelou a formação de aminoácidos como a glicina e a alanina, que compõem as proteínas dos seres vivos e que catalisam muitas reacções biológicas. A partir desses resultados, os autores afirmam que o impacto dos asteróides pode ter resultado em uma fonte de aminoácidos no início do nosso planeta.

“Fazer moléculas orgânicas formarem compostos reduzidos como metano e amónia não é difícil, mas eles são considerados componentes menores na atmosfera da época. A descoberta da formação de aminoácidos a partir do dióxido de carbono e do nitrogénio molecular demonstra a importância de criar blocos de construção da vida a partir desses compostos omnipresentes”, afirmou o pesquisador Yoshihiro Furukawa, da Universidade Tohoku. A hipótese de que Marte já teve um oceano também traz algumas suposições interessantes, já que é provável que o dióxido de carbono e o nitrogénio também tenham sido os principais gases que constituíam a atmosfera marciana. Por isso, a formação de aminoácidos induzida pelas colisões dos asteróides também pode ter sido fonte de ingredientes para o surgimento de vida em Marte no passado.

“As pesquisas futuras vão revelar mais sobre o papel dos meteoritos em trazer bio-moléculas mais complexas para a Terra e Marte”, disse Furukawa.

Tilt
Thiago Varella
Colaboração para Tilt
08/06/2020 15h50

 

 

3617: O oceano está a passar por uma mudança como não se via há 10 mil anos

CIÊNCIA/GEOFÍSICA/CLIMA

(CC0/PD) Free-Photos / Pixabay

Mudanças na circulação oceânica podem ter causado uma mudança nos ecossistemas do Oceano Atlântico, não observada nos últimos 10.000 anos, revelou uma nova análise dos fósseis do fundo do mar.

Esta é a surpreendente conclusão de um novo estudo publicado, este mês, na revista Geophysical Research Letters.  O clima tem estado bastante estável nos últimos 12.000 anos desde o final da última Era Glacial, um período conhecido como Holoceno. Pensa-se que essa estabilidade é o que permitiu à civilização humana realmente avançar.

No oceano, as principais correntes também eram consideradas relativamente estáveis durante o Holoceno. Estas correntes possuem ciclos naturais, que afectam onde os organismos marinhos podem ser encontrados, incluindo plâncton, peixes, aves marinhas e baleias.

No entanto, as alterações climáticas no oceano estão a tornar-se aparentes. Os recifes de coral tropicais estão a ficar brancos, os oceanos a tornar-se mais ácidos à medida que absorvem carbono da atmosfera, e espécies como a cavala estão a mover-se em direcção aos pólos. Mas ainda parece haver uma visão predominante de que pouco aconteceu no oceano até agora. Nas nossas cabeças, os grandes impactos estão confinados para o futuro.

Para desafiar este ponto de vista, foi necessário procurar lugares onde os fósseis do fundo do mar não apenas cobriam a era industrial em detalhe, mas também onde se estendiam há milhares de anos. Os investigadores encontraram no fundo do mar, ao sul da Islândia, uma grande corrente marítima que faz com que os sedimentos se acumulem em grandes quantidades.

Para conseguir amostras dos fósseis, os cientistas recolheram núcleos do sedimento. O sedimento mais profundo contém os fósseis mais antigos, enquanto o sedimento de superfície contém fósseis que foram depositados nos últimos anos.

Uma das maneiras mais simples de descobrir como era o oceano no passado é contar as diferentes espécies de plâncton fóssil que podem ser encontradas em tais sedimentos. Diferentes espécies gostam de viver em diferentes condições.

Um estudo recente mostrou que as distribuições modernas de foraminíferos são diferentes do início da era industrial. As alterações climáticas já estão claramente a causar impacto.

Da mesma forma, a visão de que as correntes oceânicas modernas são como as dos últimos dois mil anos foi desafiada por um outro estudo de 2018, que mostrou que a circulação estava mais fraca nos últimos 1.500 anos.

Os efeitos da circulação incomum podem ser encontrados no Atlântico Norte. Logo ao sul da Islândia, uma redução no número de espécies de plâncton de água fria e um aumento no número de espécies de água quente mostram que as águas quentes substituíram as águas frias e ricas em nutrientes.

Mais a norte, outras evidências fósseis mostram que mais água quente está a chegar ao Árctico desde o Atlântico, provavelmente contribuindo para o derretimento do gelo do mar.

Mais a oeste, uma desaceleração na circulação significa que as águas não estão a aquecer tanto quanto seria de esperar, enquanto no extremo oeste, as quentes correntes do Golfo parecem estar deslocar-se para o norte, o que terá consequências profundas para importantes pescarias.

Ainda não sabemos o que causou estas transformações na circulação oceânica. Mas parece que o oceano é mais sensível às alterações climáticas modernas do que se pensava anteriormente, e teremos que nos adaptar.

Por ZAP
28 Abril, 2020

 

 

3415: Este é o aspecto da Terra se os oceanos fossem drenados (vídeo)

CIÊNCIA

Com a tecnologia actual, com o poder de processamento computacional, é possível elaborar cenários hipotéticos da Terra em condições nunca testemunhadas. Há, inclusive, programas de exploração oceânica dedicados a descobrir pedaços da história por baixo dos mares. É um exercício importante para perceber o planeta actual e, sobretudo, perceber um eventual futuro da Terra.

James O’Donoghue, cientista planetário da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), lançou uma nova versão de uma famosa animação feita pela NASA em 2008, com a Terra despida de oceanos.

Este cientista da JAXA tem um canal do YouTube com imagens e explicações fabulosas. Entre elas está um vídeo que mostra muito claramente como seria o nosso planeta se todos os mares e oceanos fossem drenados.

É curioso perceber a forma como certos efeitos poderiam afectar globalmente a Terra. Mas as imagens, impressionantes, podem explicar certos aspectos do nosso canto aqui neste lado do universo.

Drenar os oceanos

Três quintos da superfície da Terra estão sob o oceano. Assim, é sabido que o fundo do oceano é tão rico em detalhes quanto a superfície da Terra com a qual estamos familiarizados. Conforme podemos ver e apreciar, esta animação simula uma queda no nível do mar que revela gradualmente muitos destes detalhes. À medida que o nível do mar cai, as prateleiras continentais aparecem imediatamente.

Imagem em relevo sombreado da topografia da Terra e da batimetria. Imagem: NASA

Os níveis são visíveis principalmente a uma profundidade de 140 metros, excepto nas regiões do Árctico e Antárctico, onde as prateleiras são mais profundas. As cristas do meio do oceano começam a aparecer a uma profundidade de 2000 a 3000 metros.

Quando se atinge os 6000 metros, a maior parte do oceano é drenado, excepto pelas trincheiras profundas, a mais profunda das quais é a Fossa das Marianas, a uma profundidade de 10 911 metros.

Cientistas identificaram misterioso som da fossa das Marianas

Depois de meses de especulação, os cientistas descobriram finalmente a fonte provável do som estranho gravado nas profundezas do Oceano. De acordo com um novo estudo, os 3,5 segundos gravados por um veículo autónomo, … Continue a ler Cientistas identificaram misterioso som da fossa das Marianas

04 Fev 2020

 

3364: Aquecimento dos oceanos: é como se explodissem cinco bombas atómicas por segundo

CIÊNCIA/CLIMA

Em 2019, as temperaturas dos oceanos foram as mais elevadas de sempre, revela estudo. Esta é mais uma prova do aquecimento global, alertam os cientistas. “É fundamental entender a rapidez com que as coisas estão a mudar”, destaca um dos autores da investigação.

© Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Os oceanos do planeta registaram em 2019 novos recordes de aquecimento e foram mais quentes do que em qualquer outro momento da história da humanidade, indica um estudo divulgado esta segunda-feira.

Publicado na revista científica Advances in Atmospheric Sciences, o estudo indica que a água dos oceanos esteve mais quente especialmente entre a superfície e uma profundidade de 2.000 metros.

O estudo foi conduzido por uma equipa internacional de 14 cientistas de 11 institutos de todo o mundo e também conclui que os últimos 10 anos foram os mais quentes nos registos das temperaturas globais dos oceanos.

Os resultados da investigação foram publicados ao mesmo tempo que um apelo para que sejam tomadas medidas contra as alterações climáticas.

Segundo os cientistas, a temperatura média dos oceanos aumentou no ano passado em cerca de 0,075 graus centígrados face à média de 1981-2010. Para atingir essa temperatura o oceano terá absorvido 228 sextiliões (228 seguido de 21 zeros) de joules (unidade para medir energia térmica) de calor.

“Na verdade são muitos zeros. Para facilitar a compreensão fiz um cálculo. A bomba atómica de Hiroxima explodiu com uma energia de cerca de 63.000.000.000.000 (63 biliões) de joules. A quantidade de calor que colocámos nos oceanos do mundo nos últimos 25 anos é igual a 3,6 mil milhões de explosões de bombas atómicas em Hiroxima”, disse Lijing Cheng, principal autor do artigo que divulga o estudo e professor associado do Centro Internacional de Ciências Climáticas e Ambientais, do Instituto de Física Atmosférica, da Academia Chinesa de Ciências. Ou seja, o equivalente ao lançamento de cinco bombas atómicas por segundo.

Mas o aquecimento dos oceanos está a acelerar e, por isso, o lançamento destas bombas de calor imaginárias também, avisam os cientistas. “Estamos agora em cinco a seis bombas de Hiroxima por cada segundo”, disse John Abraham, um dos autores do estudo e professor da Universidade de St. Thomas, nos EUA, citado pela CNN.

“É fundamental entender a rapidez com que as coisas estão a mudar”, disse John Abraham. A chave para perceber o aquecimento global “está nos oceanos, é aí que a grande maioria do calor acaba. Se se quiser entender o aquecimento global tem que se medir o aquecimento dos oceanos”.

“Este aquecimento medido dos oceanos é irrefutável e é mais uma prova do aquecimento global. Não há alternativas razoáveis além das emissões humanas de gases com efeito de estuda para explicar este aquecimento”, disse Lijing Cheng.

Os investigadores usaram um novo método de análise, que lhes permitiu concluir que os últimos cinco anos foram os mais quentes já registados nos oceanos e descobrir que nas últimas seis décadas o aquecimento mais recente foi aproximadamente 450% do aquecimento anterior, o que reflete um grande aumento na taxa de mudanças climáticas globais.

Os cientistas alertaram que o aquecimento global está a aumentar, mas que felizmente se pode inverter a situação, usando-se a energia de forma mais sábia e proveniente de fontes diversas. Mas dizem também que o oceano levará mais tempo a responder a essa mudança do que o ambiente atmosférico e terrestre.

Desde 1970 que mais de 90% do calor do aquecimento global foi absorvido pelos oceanos, com menos de 4% desse calor a ir para a atmosfera ou para a terra.

“Mesmo com essa pequena fracção afectando a atmosfera e a terra o aquecimento global levou a um aumento de incêndios catastróficos na Amazónia, na Califórnia e na Austrália em 2019, e estamos a ver isso a continuar em 2020”, disse Cheng.

Diário de Notícias

DN/Lusa

 

3286: Oceanos cada vez mais ácidos podem corroer a pele e os dentes dos tubarões

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Wikimedia

As alterações climáticas estão a tornar os oceanos cada vez mais ácidos, o que pode danificar a pele dos tubarões. O aumento da acidez corrói os dentículos dos tubarões – escamas microscópicas semelhantes a dentes que cobrem a pele – o que pode prejudicar a natação.

À medida que os níveis de dióxido de carbono na atmosfera aumentam, os oceanos vão ficar mais ácidos, causando um problema maior para os tubarões no futuro.

Lutz Auerswald, do Departamento de Agricultura, Florestas e Pescas do governo sul-africano, e os seus colegas decidiram testar os efeitos de diferentes níveis de CO2 aquático nos 80 shysharks de papagaio-do-mar (Haploblepharus edwardsii), um tipo de tubarão-gato pequeno que vive em águas rasas, capturado num porto local.

Esta espécie já está bem adaptada às águas ácidas, que geralmente são ambientes arriscados para animais aquáticos, porque uma quantidade maior de CO2 pode entrar no sangue, impedindo que o oxigénio atinja os tecidos. Este tubarão contorna o problema, tornando o seu sangue mais alcalino, o que pode impedir os tubarões de terem complicações de saúde.

A equipa colocou os tubarões em tanques com um pH 8 – o actual nível global de oceanos e mares – ou um pH mais ácido 7,3 porque contem mais CO2. Após nove semanas nas condições mais ácidas, os tubarões ainda conseguiam usar as mesmas tácticas para manter o sangue mais alcalino, mas isso acontecia à custa dos dentículos. Esse nível de pH foi suficiente para dissolver parte do mineral. É isso que torna as descobertas, publicadas este mês na revista científica Scientific Reports, tão surpreendentes, segundo Auerswald.

Os dentes de tubarão são feitos do mesmo material que os seus dentículos, por isso essa corrosão também pode prejudicar a alimentação do tubarão. Como os dentículos são encontrados em todos os tubarões, também outras espécies provavelmente serão afectadas. O grande tubarão branco, por exemplo, depende dos seus dentículos até 12% da sua velocidade de natação. Se estiverem desgastados, os tubarões podem não conseguir caçar com a mesma eficácia e ficar mais susceptíveis a lesões.

Embora não esteja previsto que os oceanos caiam para pH 7,3 até o ano 2300, morar perto das costas oeste e sul da África do Sul torna o tubarão mais susceptível a águas ácidas. A mudança climática provavelmente aumentará a ressurgência, um evento natural que aproxima a água ácida da superfície do oceano onde os tubarões são encontrados.

ZAP //

Por ZAP
30 Dezembro, 2019

 

 

2935: Descoberto o “antepassado perdido” do primeiro animal que caminhou na Terra

CIÊNCIA

(dr) Mikhail Shekhanov / Ukhta Local Museum

Investigadores identificaram uma nova espécie, chamada Parmastega aelidae, que é o tetrápode mais antigo encontrado.

O estudo, publicado este mês na revista especializada Nature, revela que esta descoberta é essencial para reconstruir a passagem da vida nos oceanos para a vida na Terra.

Os tetrápodes são criaturas, de quatro membros, que viviam no oceano e que se aventuraram a andar e rastejar na superfície da Terra há pelo menos 390 milhões de anos, quando a Terra estava a passar pelo período devoniano. Além disso, são ancestrais de anfíbios, répteis, pássaros e mamíferos.

Parmastega permite ver um tetrápode muito antigo”, disse à ABC Per Erik Ahlberg, primeiro autor do estudo e investigador da Universidade de Uppsala, na Suécia. “Até agora, os únicos tetrápodes dos devonianos – os géneros Ichthyostega, Acanthostega e Ventastega – são do fim devoniano”, continuou.

Os fósseis de Parmastega permitem “reconstruir toda a cabeça e a cintura escapular – a parte do membro superior mais próxima do corpo”, disse o autor. Portanto, a espécie “ilumina uma fase na evolução dos tetrápodes sobre a qual sabíamos muito pouco até agora”.

Os vestígios mais antigos de um tetrápode na Terra têm 390 milhões de anos. Os tetrápodes mais conhecidos têm cerca de 360 milhões de anos e os mais fragmentados têm até 373 milhões de anos. O novo tetrápode tem 372 milhões de anos e está muito completo.

Os fósseis desta espécie foram encontrados na formação de Sosnogorsk, algumas pedras calcárias originárias de uma antiga lagoa costeira tropical e que hoje fazem parte da margem do rio Izhma, perto da cidade de Ukhta, no noroeste da Rússia. Naquela época, os Urais ainda não se tinham formado e o oeste da Rússia e da Sibéria eram continentes separados por um oceano.

Parmastega aelidae vivia numa lagoa salobra, separada do mar por uma barreira de corais antigos. Acredita-se que este lago fosse habitado por uma rica fauna de peixes com lobos e placodermas (peixes primitivos blindados).

As características do Parmastega são muito semelhantes às dos peixes, o que indica que são animais muito primitivos, ou seja, mais adaptados para viver no oceano do que se aventurar em terra.

O formato da cabeça do Parmastega era semelhante à de um jacaré, “indicando que passava muito tempo a flutuar na superfície com os olhos na água”. A sua dentadura, equipada com fortes presas superiores e dentes finos, mostram que era um predador.

Porém, ao contrário dos répteis, o esqueleto era composto quase inteiramente de cartilagem, um tecido de suporte muito mais elástico e macio do que o osso. “Isso significa que não poderia ser um animal terrestre”, segundo Ahlberg.

Além disso, os cientistas descobriram traços de canais que formam a linha lateral, um órgão que, no peixe, capta vibrações e movimentos na água para detectar correntes ou presas.

De facto, a criatura não morava no continente: é um tetrápode primitivo que passou a maior parte da sua vida na água – foram os seus parentes mais recentes, que se aventuraram a deixá-la para trás. Naquela época, havia grandes artrópodes na superfície da Terra, como centopeias ou escorpiões marinhos.

ZAP //

Por ZAP
31 Outubro, 2019

 

2933: Em 31 anos, a subida do nível dos oceanos porá em risco 300 milhões de pessoas

CIÊNCIA

Um estudo divulgado esta terça-feira prevê que mesmo com cortes drásticos das emissões poluentes a subida do nível das águas a partir de 2050 ponha em risco 300 milhões de pessoas A Ásia será a zona mais afectada; em Portugal, estuário do Tejo e do Sado, Ria Formosa, Aveiro e Figueira da Foz são as zonas mais “vermelhas”.

A ideia é de que as estimativas até agora avançadas pecavam por defeito por não terem em conta realmente quantas pessoas vivem nas zonas inundáveis. É essa a explicação de um dos autores do estudo publicado esta terça-feira na revista científica Nature Communications, Benjamin Strauss: “As comunidades humanas concentram-se de forma desproporcionada nas zonas muito baixas da costa”. Até agora, acreditava-se que só 65 milhões viviam nessas zonas; com base em dados mais precisos, o estudo aponta para 250 milhões, ou seja, quase o quádruplo.

A Ásia é indicada como o continente mais afectado, com primazia para seis países: China, Bangladesh, Índia, Vietname, Indonésia e Tailândia. É aí que reside a maioria dos que ficarão em risco com a subida do nível das águas causado pelo aquecimento global. Dos 300 milhões que se estima estarem em zona de risco de inundação em 2050, aproximadamente 237 milhões vivem nesses seis países. A China, com 93 milhões em perigo, é o país recordista.

Portugal, graças à sua longa costa, tem várias zonas de risco. No mapa interactivo disponibilizado pelos autores do estudo em colaboração com a organização Climate Central, são várias as zonas “vermelhas” assinaladas: a de Aveiro, do estuário do Tejo (as Lezírias são uma vasta mancha rubra), do Sado, e a Ria Formosa. Aparentemente, nem a Madeira nem os Açores apresentam zonas de risco para 2050. Mas Benjamin Strauss chama a atenção para a necessidade de que governos e empresas aeroespaciais apresentem dados mais precisos sobre a elevação geográfica.

Um dos aspectos mais impressionantes do estudo é que, apesar de mostrar vários cenários, dependendo das medidas que sejam tomadas agora e da rapidez do degelo, e, em função dessas variáveis, um maior ou menor aumento do nível do mar e do número de pessoas afectadas, as previsões para 2050 pouco mudam: parece ser já tarde para que o que fazemos hoje mude alguma coisa daqui a 31 anos.

Isto sucede porque o aumento do nível do mar é já uma das consequências irreversíveis das alterações climáticas. Isso deve-se sobretudo ao degelo dos pólos, como assegura um relatório recente do painel internacional de cientistas que assessora a ONU nas questões do clima.

É nas projecções para cinquenta anos depois, ou seja, para o final do século, em 2100, que se nota uma grande diferença consoante haja medidas agora ou não. No cenário mais optimista (uma rápida redução dos gases de efeito ide estufa e um degelo menos acentuado), estima-se que na zona vermelha de inundações haverá 340 milhões de pessoas. Na pior das previsões, com incremento das emissões e portanto um nível de degelo alto, o número de pessoas em risco aumenta para 480 milhões.

Estas projecções baseiam-se no entanto na população actual. Ou seja, não têm em conta as possíveis variações no número de pessoas a viver nas zonas em causa.

Os autores do estudo deixam um aviso: se se quer limitar este impacto é preciso fazer alguma coisa. Para começar, cumprir o Acordo de Paris, que estabelece como objectivo que o aumento da temperatura média do planeta não ultrapasse um aumento de dois graus em relação ao nível pré-industrial e, idealmente, abaixo dos 1,5 graus de diferença.

Diário de Notícias

DN

 

2921: Florestas ancestrais dos Himalaias encontradas nas profundezas do oceano (e já se sabe como foram lá parar)

CIÊNCIA

blueorange / Canva

Os restos de florestas ancestrais foram encontradas nas profundezas do oceano, a milhares de quilómetros de distância das suas origens montanhosas. Os cientistas encontraram madeira com 19 milhões de anos nas camadas de sedimentos do fundo do Golfo de Bengala.

Investigadores liderados por Sarah Feakins, da Universidade da Califórnia do Sul, em Los Angeles, mergulharam mais de três metros, recuperando sedimentos a 800 metros abaixo do fundo do mar. Ao analisar a amostra principal, a equipa conseguiu ver que as árvores foram levadas para o oceano há milhões de anos antes de ficarem presas no chão.

Observando as lascas de madeira no núcleo, a equipa conseguiu determinar de onde as árvores tinham vindo. Na maioria dos casos, a madeira era de árvores que cresciam em planícies, perto do oceano.

No entanto, uma camada foi encontrada com madeira de árvores que teriam crescido nas montanhas dos Himalaias, cerca de três quilómetros acima do nível do mar.

No estudo, publicado em Setembro na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, a equipa defende que as árvores de uma floresta ancestral foram arrancadas por uma enorme libertação de água – potencialmente por um barragem natural criada por um glaciar ou um deslizamento de terra.

As árvores terão sido transportadas por milhares de quilómetros ao longo de uma enorme onda de água – de ciclones, monções ou inundações, por exemplo – antes de serem libertadas no chamado “ventilador de Bengala”, o maior ventilador submarino da Terra.

A equipa sugere que esta é a primeira evidência que mostra que as árvores podem ser transportadas por milhares de quilómetros, desde as montanhas até às profundezas do mar. As descoberta demonstram também o papel da madeira do ciclo de carbono da Terra – a forma como o carbono viaja da atmosfera até ao planeta e aos seus organismos e vice-versa.

O carbono armazenado nas plantas é libertado quando é consumido, deteriorado ou queimado. Como as árvores foram transportadas logo após serem arrancadas, não se decompuseram. Em vez disso, a madeira fresca foi trancada nos sedimentos do fundo do mar – potencialmente representando um meio pelo qual o carbono pode ser armazenado durante milhões de anos.

Compreender quanto carbono pode ser trancado como consequência do transporte de florestas para o oceano é importante para entender as mudanças climáticas futuras, segundo Fearkins. “Não sabíamos da existência desta floresta de árvores fragmentadas enterradas no fundo do oceano”, disse em comunicado, divulgado pelo EurekAlert. “Agora precisamos de adicionar isto à equação.”

Agora, os cientistas estão a trabalhar para entender o ciclo de carbono. Um relatório divulgado recentemente mostrou que menos de 1% do carbono total da Terra está acima da superfície – nos oceanos, na terra e na atmosfera. O resto está trancado na crosta, manto e núcleo do planeta.

ZAP //

Por ZAP
29 Outubro, 2019

 

2889: União Europeia anuncia 540 milhões para investir no “Nosso Oceano”

MAR

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

A União Europeia vai anunciar esta quarta-feira compromissos no valor de 540 milhões de euros para manter os oceanos limpos, assim como um mapa para acompanhar o que se faz nesse sentido, na abertura da conferência “Our Ocean”, em Oslo.

A capital norueguesa recebe hoje e na quinta-feira ministros, presidentes e activistas para a sexta conferência “O Nosso Oceano”, centrada no impacto das alterações climáticas e outras agressões nos oceanos de que dependem centenas de milhões de pessoas.

O ministro indigitado de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, representa Portugal no painel de abertura, juntamente com o comissário europeu do Ambiente, Karmenu Vella, o enviado especial das Nações Unidas para os oceanos, Peter Thomson, a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, e o ministro chileno da Ciência, Andrés Couve, para debater a “resposta global às ameaças ao oceano”.

A União Europeia apresenta 22 compromissos concretos em áreas como o apoio à investigação sobre os oceanos, a luta contra a poluição marinha e ainda a promoção da economia azul e inovação, às quais serão dedicados 100 milhões de euros.

Será ainda apresentado um mapa interactivo chamado “Ocean Tracker” para seguir os compromissos assumidos pelos governos, empresas e organizações em prol dos oceanos, no valor de 10 mil milhões de euros.

Uma das acções concretas será recompensar os navios que reduzam a quantidade de resíduos que produzem a bordo, baixando-lhes a taxa de resíduos.

Na área da investigação, estão comprometidos para promover novas tecnologias de pesca e de descarbonização do transporte marítimo.

ZAP // Lusa

Por Lusa
23 Outubro, 2019

 

2856: Dez anos depois de uma reunião do governo no fundo do mar, as Maldivas continuam a afundar-se

AMBIENTE

sackerman519 / Flickr

A 17 de Outubro de 2009, o Governo das Maldivas, um dos países mais ameaçados pela subida da água dos oceanos, reuniu-se no fundo do mar para alertar para os efeitos das alterações climáticas.

Dez anos depois, o Presidente que promoveu o encontro está frustrado com a falta de acção e cansado da “linguagem jurássica” usada para defender o planeta

Há exactamente dez anos, o então Presidente das Maldivas, Mohamed Nasheed, promoveu um conselho de ministros original. A cinco metros de profundidade, de máscara posta e comunicando por gestos, o Presidente, 14 ministros e o Procurador-Geral do país assinaram um “SOS desde a linha da frente” para enviar às Nações Unidas.

“As alterações climáticas estão a acontecer e ameaçam os direitos e a segurança de toda a gente na Terra”, defenderam, de acordo com o Expresso. “Temos de nos unir num esforço mundial para parar mais aumentos de temperatura.”

A iniciativa foi um alerta para o mundo e um pedido de ajuda: a manter-se o aquecimento global e o consequente degelo dos glaciares, as Maldivas — cujo ponto mais alto é inferior a dois metros — vão afundar-se no meio do oceano.

Em 2008, quando se tornou o primeiro Presidente democraticamente eleito — derrotando Maumoon Abdul Gayoom, que levava 30 anos na liderança do país —, Mohamed Nasheed comprometeu-se a tornar as Maldivas num exemplo a seguir em matéria de preservação ambiental.

Em 2012, foi afastado do poder. Acusado de traição, foi preso e julgado sem direito a testemunhas de defesa. Condenado a 13 anos de prisão, ficou impossibilitado de se recandidatar à presidência durante 16. Autorizado a sair do país para ser submetido a uma cirurgia, obteve asilo no Reino Unido, em 2016.

Em Dezembro do ano passado, o ex-Presidente retomou o combate pelo futuro das Maldivas convidado pelo actual chefe de Estado, Ibrahim Mohamed Solih, para liderar a delegação nacional à Conferência de Katowice sobre as alterações climáticas. Para Nasheed, foi frustrante.

“Quase dez anos passaram desde que eu estive pela última vez nestas negociações climáticas, e devo dizer que nada parece ter mudado muito. Continuamos a usar a mesma linguagem jurássica de sempre”, denunciou. “As emissões de dióxido de carbono aumentam, aumentam, aumentam e tudo o que parece que fazemos é falar, falar, falar. E continuamos a fazer as mesmas observações entediantes.”

ZAP //

Por ZAP
18 Outubro, 2019

 

Efeitos das alterações climáticas nos gelos e oceanos já são irreversíveis – IPCC

CIÊNCIA

© Fornecido por LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A. The new Antarctic explorers

Mónaco, 25 Set 2019 (Lusa) – Os efeitos das alterações climáticas nos oceanos são já irreversíveis, consideraram hoje peritos do Painel Inter-governamental das Nações Unidas, alertando que adiar a redução de emissões só tornará pior um cenário de degelo e subida do nível do oceano global.

Mesmo contendo o aquecimento global em dois graus centígrados acima dos valores médios da era pré-industrial, um quarto do gelo permanente acumulado em regiões como Árctico vai derreter até 2100, percentagem que poderá aumentar para 70% se o mundo aquecer ainda mais, adverte o Painel Inter-governamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) num relatório especial apresentado hoje no Mónaco.

Na apresentação do primeiro relatório especial do IPCC sobre o oceano e a criosfera, a sua vice-presidente Ko Barrett assegurou que “as consequências para a natureza e para a humanidade são vastas e severas”.

Durante o século XX, o oceano “tem sido uma esponja a absorver o dióxido de carbono e o calor em excesso” produzidos pela actividade humana, com consequências para os gelos permanentes, que estão a derreter a um ritmo que acelera a cada ano.

Mesmo os glaciares mais pequenos na Europa, na África oriental, nos Andes ou na Indonésia perderão “80% da sua massa em 2100” se as emissões de gases com efeito de estufa continuarem, salientou.

Durante o século passado, o nível médio das águas oceânicas subiu 15 centímetros, podendo chegar a “1,10 metros em 2100 se as emissões não forem fortemente reduzidas”.

A mensagem dos cientistas que integram o IPCC é que “é urgente uma acção coordenada e verdadeiramente ambiciosa” para conter as mudanças nos oceanos, nas zonas costeiras e montanhosas” que ameaçam a capacidade de centenas de milhões de pessoas de viverem nas suas comunidades, de se alimentarem e de manterem os seus modos de vida.

Da pesca ao turismo, a acidificação e o aquecimento dos oceanos trazem consequências ecológicas – espécies de águas mais frias enfrentam riscos maiores de extinção e outras como os corais são afectadas pelo aumento da acidez das águas – e económicas que ainda é difícil quantificar.

A necessidade de deslocar centenas de milhões de pessoas das zonas costeiras por causa da subida do nível das águas vai depender “das soluções de adaptação” encontradas, sendo certo que “os que dependem da pesca artesanal em latitudes baixas são os mais vulneráveis”, afirmou a investigadora Valérie Masson- Delmotte.

O aumento da temperatura e do nível das águas alterou já as características dos ciclones e outros fenómenos naturais, com ondas mais altas e chuva e vento mais intensos.

Além de protecções físicas para preservar as comunidades costeiras, são necessárias verdadeiras “redes de segurança social”, destacou.

O relatório sobre os oceanos e a criosfera foi feito ao longo de dois anos, reunindo informação de quase sete mil estudos, feitos por 104 cientistas de 36 países.

As conclusões serão levadas à conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas de 2019, a COP25, que se realiza no Chile no próximo mês de Dezembro.

+++ A Lusa viajou a convite da Fundação Oceano Azul +++

APN // JMR

msn notícias
António Pereira Neves
25/09/2019

 

2497: Há um misterioso reservatório de metano debaixo do oceano

CIÊNCIA

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

Cientistas descobriram evidências de um enorme reservatório distribuído de metano formado por reacções químicas no fundo do oceano.

Há séculos que se sabe que há metano abiótico – criado em reacções que não envolvem matéria orgânica ou criaturas vivas – enterrado no leito do mar, que é libertado através de aberturas nas profundezas. No entanto, as origens do gás neste ambiente subaquático ainda não foram totalmente compreendidas.

“Identificar uma fonte abiótica de metano do fundo do mar tem sido um problema com o qual estamos a lutar há muitos anos”, disse, em comunicado, o geoquímico marinho Jeffrey Seewald, do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI). “Aqui está uma fonte de energia química que está a ser criada pela geologia.”

Num novo estudo publicado este mês na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, Seewald e outros investigadores da WHOI analisaram amostras de rocha do manto superior da Terra e crosta oceânica inferior recolhidas do oceano: 160 pedaços de rocha no total, provenientes de numerosas cristas oceânicas, juntamente com zonas de sub-ducção e secções erguidas da crosta oceânica chamadas ofiolitos.

Em quase todos os locais de mar profundo amostrados, as técnicas de espectroscopia e microscopia revelaram que as rochas continham bolsões de metano, muitas vezes juntamente com hidrogénio.

Quanto ao modo como o metano é produzido, os cientistas dizem que isto acontece quando a água do mar, movendo-se lentamente através da crosta oceânica profunda, fica aprisionada dentro do mineral quente formador de rocha chamado olivina – o principal componente do manto superior da Terra.

Com o tempo, o mineral começa a arrefecer. Quando isso acontece, a água armazenada dentro das “inclusões fluidas” dentro da rocha passa por uma reacção química chamada serpentinização, que acaba por produzir metano e hidrogénio.

Uma vez formados, o metano e o hidrogénio podem permanecer selados dentro da rocha “em escalas de tempo geológicas até serem extraídos por dissolução ou fractura do hospedeiro olivina”.

Sabe-se que o metano existe noutras partes do Sistema Solar e as novas descobertas ajudam a explicar como pode persistir, mesmo na ausência de água líquida ou actividade hidrotérmica.

“Como as inclusões fluidas se podem formar em rochas ricas em olivina que interagem com a água em corpos celestes noutras partes do Sistema Solar, a sua formação pode ter implicações importantes na manutenção da vida microbiana além da Terra”, observam os autores, notando que a eventual ventilação ou fuga dessas fontes de combustível das rochas poderia potencialmente sustentar formas de vida.

Na Terra, é possível que este ciclo de produção e libertação química possa ter sido um factor importante na sobrevivência de organismos terrestres oceânicos. Segundo os cientistas, o processo deverá estar “ocorrer desde o início das placas tectónicas” e “pode ter apoiado os ecossistemas microbianos dentro de diversos ambientes geológicos”.

A equipa reconhece que a explicação de como a massiva distribuição de metano surgiu é especulativa. A origem dos fluidos aprisionados não pode ser determinada de forma inequívoca, mas notam que a detecção de outros químicos dentro das rochas é “consistente com um fluido de fonte semelhante à água do mar“.

A equipa estima que os depósitos oceânicos no total excedam a quantidade de metano na atmosfera da Terra antes da era industrial.

ZAP //

Por ZAP
23 Agosto, 2019

 

2295: O oceano interno de Encélado tem a “idade perfeita” para conter vida

CIÊNCIA

NASA / JPL-Caltech
Encélado é o sexto maior satélite natural de Saturno

O oceano interior de Encélado tem, muito provavelmente, mil milhões de anos de idade. Isto significa que pode ter a idade perfeita para abrigar vida.

Esta é a conclusão de uma investigação, levada a cabo por Marc Neveu, do Goddard Space Flight Center da NASA. A equipa de cientistas usou várias simulações para calcular a idade de Encélado, analisando dados recolhidos pela sonda Cassini, que orbitou o planeta Saturno durante 13 anos.

Um dos principais presentes que a Cassini nos deu foi a descoberta de que o sexto maior satélite natural de Saturno tinha um oceano subterrâneo cheio de fontes hidrotermais. À Live Science, Neveu confessou que é verdadeiramente “surpreendente ver um oceano hoje em dia”. “É uma lua muito pequena e, normalmente, não se espera que coisas pequenas sejam muito activas, mas sim um bloco morto de rocha e gelo.”

Além de ser provável que a lua tenha um oceano, os cientistas adiantam agora que esta lua gelada tem o habitat necessário para albergar vida, incluindo fontes de energia química e fontes de elementos essenciais como carbono, nitrogénio, hidrogénio e oxigénio. “Mas há uma outra dimensão de habitabilidade: o tempo”, alertou Neveu.

Se o oceano fosse muito jovem, não teria tido tempo suficiente para misturar todos estes ingredientes e criar vida, adianta o cientista. Além disso, se o oceano gelado tivesse apenas um milhão de anos, as pequenas faíscas de vida não teriam tido tempo para se espalhar os suficiente e serem detectados pelos seres humanos.

Por outro lado, se o oceano fosse demasiado velho, a “bateria” do planeta poderia estar a ficar sem combustível, ou seja, as reacções químicas necessárias para sustentar vida poderiam ser interrompidas, explica o Europa Press.

Mas o oceano subterrâneo de Encélado pode ter a idade perfeita. Num artigo científico publicado na revista Nature Communications, os investigadores explicam como chegaram a esta conclusão.

Neveau e a sua equipa estimaram a idade do oceano, executando mais de 50 simulações e ligando vários parâmetros com base nas medições realizadas pela Cassini, com as órbitas das luas de Saturno, a radioactividade das rochas de Encélado e os próprios palpites dos especialistas sobre a idade da lua e a sua formação.

A simulação que melhor reproduziu as condições actuais da lua gelada estimou que o oceano tinha mil milhões de anos. No entanto, Neveu adverte que esta estimativa de idade foi baseada numa única simulação em embora coincida com muitas das condições vistas em Encélado, não cabe em todas elas.

ZAP //

Por ZAP
9 Julho, 2019

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2287: O “deserto” mais remoto do mundo está no oceano

CIÊNCIA

MPI Marine Microbiology / YouTube

O corpo de água mais remoto do mundo, localizado na metade sul do oceano Pacífico, é considerado pelos cientistas como um deserto, uma vez que abriga a menor e menos variedade fauna marinha de todo o planeta.

Agora, segundo escrevem o Science Alert e o Science Daily, os cientistas acabam de descobrir o quão “morto” está este “deserto” e quem são os seus poucos habitantes.

Em causa está uma área em torno do chamado pólo oceânico de inacessibilidade – também conhecido como ponto Nemo que corresponde ao ponto mais distante de qualquer costa. Este ponto é também precisamente o centro do chamado giro do Pacífico Sul, uma corrente circular que abrange 10% da superfície oceânica total do planeta.

A zona, que “mora” entre o Chile e a Nova Zelândia, foi explorada por cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, durante seis semanas. Durante este período de tempo, a equipa viajou cerca de 7.000 quilómetros e recolheu amostras de água a profundidades compreendidas entre os 20 e os 5.00 metros. Posteriormente, estas amostras foram analisadas a bordo de um navio a fim de encontrar material orgânico.

“Para a nossa surpresa, encontramos cerca de um terço de células a menos nas águas superficiais do Pacífico Sul, em comparação com os giros oceânicos do [oceano] Atlântico”, disse Bernhard Fuchs, cientista que fez parte da expedição, citado em comunicado.

“Foi, provavelmente, o menor número de células já medido em águas superficiais do oceano”, acrescentou o especialista. A equipa concluiu que as regiões árcticas alojam mais formas de vida do que este “deserto” localizado no Pacífico.

Quanto aos habitantes destas água, os cientistas apontaram que se tratam apenas de microrganismos especialmente adaptados para sobreviver num ambiente onde escasseiam nutrientes da costa e onde existem elevados níveis de radiação ultravioleta.

Ainda de acordo com a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Environmental Microbiology, outra das descobertas surpreendentes foi um número inesperado de micróbios conhecidos como AEGEAN-169 na superfície do oceano. Nas palavras dos cientistas, estes organismos são especialmente resistentes, sendo, até então, encontrados apenas em águas profundas.

Tal como explicou Greta Reintjes, outra cientista que participou na expedição, este “interessante potencial adaptação” indica que a distribuição de microrganismos difere significativamente em diferentes profundidades nestas águas.

Os especialista frisaram por fim que os resultados poderiam lançar luz sobre como seria a vida noutros planetas com habitats extremos como este, que, para além de ter as águas mais claras de todos os oceanos, é também um famoso cemitério de naves espaciais.

ZAP //

Por ZAP
8 Julho, 2019

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2282: Ameaças nos oceanos são uma “emergência”

CIÊNCIA

Tiago Fioreze / wikimedia

O investigador Emanuel Gonçalves afirmou, na Global Exploration Summit, que decorreu em Lisboa, que o oceano está ameaçado e que “agir é uma emergência”.

No evento que junta grandes nomes da exploração, investigação e conservação do planeta, Emanuel Gonçalves, especialista em biodiversidade e membro do conselho da Fundação Oceano Azul, lembrou que é necessário proteger o oceano pois este está “sob ameaça”.

As alterações climáticas, a poluição e a degradação de habitats foram apontadas pelo biólogo como os grandes perigos para a biodiversidade marinha.

O investigador e professor, que perguntou ao público “se os humanos são imaturos para cuidar do planeta”, admitiu que o conhecimento que existe “é suficiente” e que é necessário “mostrar o caminho aos políticos e empresários”.

“A conservação e os humanos têm de andar de mãos dadas, temos de conseguir alterar o paradigma onde para haver desenvolvimento económico é necessário haver degradação ambiental”, afirmou. Para inverter esta realidade, Emanuel Gonçalves apontou três soluções que passam por “salvar o que sobrou, reconstruir o que foi que foi destruído e garantir que as actividades no oceano são sustentáveis”.

Estas são as bases do projecto Blue Azores, um programa de conservação marinha, que surgiu depois de uma expedição realizada em 2016 e que foi exposto hoje pelo orador.

Emanuel Gonçalves referiu que os Açores são uma zona de grande biodiversidade marinha, que conta com diferentes espécies de mamíferos marinhos, tartarugas, aves marinhas e de algas.

Segundo o investigador, “o Blue Azores é um passo na direcção certa” para a preservação do oceano. No âmbito deste projecto, o Governo Regional dos Açores implementou, no passado mês de Fevereiro, uma nova área de protecção marinha que abrange 150 mil quilómetros quadrados.

ZAP // Lusa

Por Lusa
5 Julho, 2019

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2210: Bactérias que “comem” carne humana estão a espalhar-se para praias onde antes não chegavam

CIÊNCIA

Will Kennard / unsplash

Bactérias que “comem” carne que vivem no oceano estão a espalhar-se para as águas das praias que, anteriormente, não estavam afectadas. As alterações climáticas podem ser as culpadas.

Os autores do relatório descreveram cinco casos de graves infecções bacterianas em pessoas que estiveram expostas a água ou frutos do mar de Delaware Bay, uma praia entre Delaware e New Jersey, nos Estados Unidos. Estas infecções são raras, sendo que a bactéria responsável pela doença, chamada Vibrio vulnificus, prefere águas mais quentes, como as do Golfo do México.

Mas, com o aumento das temperaturas do oceano devido às alterações climáticas, V. vulnificus pode estar a mover-se para norte, provocando estas infecções em áreas que não estavam afectadas anteriormente.

“Acreditamos que os clínicos devem estar cientes da possibilidade de que as infecções por V. vulnificus ocorram mais frequentemente fora das áreas geográficas tradicionais”, escreveram os autores, do Cooper University Hospital, no relatório publicado na revista Annals of Internal Medicine.

V. vulnificus vive em águas oceânicas com temperaturas superiores a 13ºC. As pessoas podem ficar infectar com a bactéria de duas maneiras: se consumirem frutos do mar contaminados ou se tiverem uma ferida aberta que entra em contacto directo com a água do mar que contém as bactérias.

Embora a maioria das pessoas infectadas com V. vulnificus desenvolva apenas sintomas leves, algumas pessoas desenvolvem infecções graves na pele ou na corrente sanguínea. V. vulnificus pode causar fasceíte necrotizante, uma infecção rara que causa a morte dos tecidos moles do corpo e pode resultar em amputações ou até morte.

Os autores observaram que, de 2008 a 2016, o hospital viu apenas um caso de infecção por V. vulnificus. Mas nos Verões de 2017 e 2018, esse número saltou para cinco casos. Todos esses pacientes tinham ido pescar caranguejos na Baía de Delaware ou consumido frutos do mar da área e todos os pacientes desenvolveram fasceíte necrotizante. Um paciente morreu.

Um homem de 46 anos sofreu uma pequena lesão na perna enquanto se agachava. Dois dias depois, desenvolveu dor progressiva, inchaço e bolhas na perna ferida, o que acabou por ser uma infecção causada por V. vulnificus. Noutro caso, um homem de 64 anos desenvolveu graves inchaços e bolhas cheias de líquido na mão direita após a limpeza e ingestão de caranguejos. Apesar de passar por uma cirurgia de emergência, desenvolveu um ritmo cardíaco anormal e morreu.

Um homem de 60 anos que comeu uma dúzia de caranguejos da Baía de Delaware desenvolveu inchaço progressivo na perna direita. A condição piorou e espalhou-se para os outros membros. Eventualmente, os médicos precisaram de amputar todos os quatro membros, embora o homem tenha sobrevivido.

Fasceíte necrotizante por infecção de V. vulnificus geralmente não ocorrem em pessoas com sistema imunológico saudável, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC). As pessoas correm maior risco de infecções se tiverem doença hepática crónica ou outras condições que enfraquecem o seu sistema imunológico. Dos cinco casos descritos no relatório, três indivíduos tinham hepatite B ou C e um tinha diabetes.

Para prevenir a infecção, o CDC recomenda que pessoas com feridas abertas evitem contacto com água salgada ou salobra ou cubram as feridas com uma ligadura impermeável.Também é recomendado que as pessoas evitem comer mariscos crus ou mal cozidos.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2019

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2158: O oceano está a afundar no manto da Terra (e parte da culpa é da Pangeia)

CIÊNCIA

Christopher Scotese / Ian Webster / Paleomap / University Of Sydney
Pangeia foi o último super-continente

A água da Terra está lentamente a drenar para a crosta do nosso planeta. No entanto, o fenómeno não é “rápido” o suficiente para superar o aumento do nível da água do mar.

Diariamente, centenas de milhões de galões de água fluem do fundo do oceano para o manto da Terra, como parte do ciclo da água profunda.

Neste processo, a água absorvida na crosta e os minerais do fundo do mar são empurrados para o interior da Terra nos limites submarinos onde as placas tectónicas colidem. Parte dessa água permanece presa, mas grandes quantidades de líquido são expelidas de volta à superfície por vulcões submarinos e fontes hidrotermais.

Não é um sistema perfeito: os cientistas estimam que, actualmente, há mais água a mergulhar no manto, por exemplo. No geral, este ciclo é apenas uma engrenagem que determina se os oceanos sobem ou descem.

Num estudo publicado na Geochemistry, Geophysics and Geosystems no dia 17 de maio, os cientistas demonstraram que esta engrenagem pode ser mais importante do que se pensava.

Ao modelar os fluxos no ciclo das águas profundas nos últimos 230 milhões de anos, os autores do estudo descobriram que houve momentos na história do nosso planeta em que a quantidade gigantesca de água que afundava no manto desempenhou um importante papel no nível da água do mar.

Durante estas alturas, o ciclo das águas profundas pode ter contribuído para a perda de 130 metros do nível da água do mar, graças a um evento que mudou o mundo: a ruptura do super-continente Pangeia.

Krister Karlsen, investigador do Centro de Evolução da Terra e Dinâmica da Universidade de Oslo, disse à Live Science que o rompimento do super-continente foi associado a uma época de subducção muito rápida da placa tectónica. “Isto levou a um período de grande transporte de água para a Terra, causando a queda do nível da água do mar”, explicou.

Há cerca de 200 milhões de anos, a Pangeia começou a dividir-se. À medida que enormes placas continentais se afastavam umas das outras, novos oceanos surgiam, fendas enormes no fundo do mar rompiam e lajes antigas de crosta subaquática mergulhavam nos novos vazios.

Como resultado, quantidades gigantescas de água, presas dentro desses pedaços de crosta, afundaram no interior profundo do nosso planeta.

Com base em estudos anteriores, os cientistas modelaram as taxas aproximadas em que a água entrou – e deixou – o manto da Terra. Quanto mais rápido uma placa rica em água caísse na Terra, mais longe poderia submergir antes que o seu teor de água fosse evaporado pelo calor elevado do manto. De acordo com os cálculos, isso desequilibrou o ciclo da água profunda, o que resultou em milhões de anos de perdas de água.

É óbvio que este estudo não chega para explicar as mudanças no nível do mar, uma vez que há outros motivos que as explicam, como as alterações climáticas ou a cobertura de manto de gelo. Ainda assim, não deixa de ser uma descoberta que entusiasma os cientistas.

“Apesar de o ciclo das águas profundas poder mudar o nível da água do mar ao longo de centenas de milhões a milhares de milhões de anos, as alterações climáticas podem mudar o nível da água do mar em zero a 100 anos”, disse Karlsen.

“A actual elevação do nível do mar associada às mudanças climáticas é de cerca de 3,2 milímetros por ano. A queda do nível do mar associada ao ciclo da água profunda é de cerca de 1/10.000 disso”, exemplificou o especialista.

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Por ZAP
12 Junho, 2019

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