2497: Há um misterioso reservatório de metano debaixo do oceano

CIÊNCIA

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

Cientistas descobriram evidências de um enorme reservatório distribuído de metano formado por reacções químicas no fundo do oceano.

Há séculos que se sabe que há metano abiótico – criado em reacções que não envolvem matéria orgânica ou criaturas vivas – enterrado no leito do mar, que é libertado através de aberturas nas profundezas. No entanto, as origens do gás neste ambiente subaquático ainda não foram totalmente compreendidas.

“Identificar uma fonte abiótica de metano do fundo do mar tem sido um problema com o qual estamos a lutar há muitos anos”, disse, em comunicado, o geoquímico marinho Jeffrey Seewald, do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI). “Aqui está uma fonte de energia química que está a ser criada pela geologia.”

Num novo estudo publicado este mês na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, Seewald e outros investigadores da WHOI analisaram amostras de rocha do manto superior da Terra e crosta oceânica inferior recolhidas do oceano: 160 pedaços de rocha no total, provenientes de numerosas cristas oceânicas, juntamente com zonas de sub-ducção e secções erguidas da crosta oceânica chamadas ofiolitos.

Em quase todos os locais de mar profundo amostrados, as técnicas de espectroscopia e microscopia revelaram que as rochas continham bolsões de metano, muitas vezes juntamente com hidrogénio.

Quanto ao modo como o metano é produzido, os cientistas dizem que isto acontece quando a água do mar, movendo-se lentamente através da crosta oceânica profunda, fica aprisionada dentro do mineral quente formador de rocha chamado olivina – o principal componente do manto superior da Terra.

Com o tempo, o mineral começa a arrefecer. Quando isso acontece, a água armazenada dentro das “inclusões fluidas” dentro da rocha passa por uma reacção química chamada serpentinização, que acaba por produzir metano e hidrogénio.

Uma vez formados, o metano e o hidrogénio podem permanecer selados dentro da rocha “em escalas de tempo geológicas até serem extraídos por dissolução ou fractura do hospedeiro olivina”.

Sabe-se que o metano existe noutras partes do Sistema Solar e as novas descobertas ajudam a explicar como pode persistir, mesmo na ausência de água líquida ou actividade hidrotérmica.

“Como as inclusões fluidas se podem formar em rochas ricas em olivina que interagem com a água em corpos celestes noutras partes do Sistema Solar, a sua formação pode ter implicações importantes na manutenção da vida microbiana além da Terra”, observam os autores, notando que a eventual ventilação ou fuga dessas fontes de combustível das rochas poderia potencialmente sustentar formas de vida.

Na Terra, é possível que este ciclo de produção e libertação química possa ter sido um factor importante na sobrevivência de organismos terrestres oceânicos. Segundo os cientistas, o processo deverá estar “ocorrer desde o início das placas tectónicas” e “pode ter apoiado os ecossistemas microbianos dentro de diversos ambientes geológicos”.

A equipa reconhece que a explicação de como a massiva distribuição de metano surgiu é especulativa. A origem dos fluidos aprisionados não pode ser determinada de forma inequívoca, mas notam que a detecção de outros químicos dentro das rochas é “consistente com um fluido de fonte semelhante à água do mar“.

A equipa estima que os depósitos oceânicos no total excedam a quantidade de metano na atmosfera da Terra antes da era industrial.

ZAP //

Por ZAP
23 Agosto, 2019

 

2295: O oceano interno de Encélado tem a “idade perfeita” para conter vida

CIÊNCIA

NASA / JPL-Caltech
Encélado é o sexto maior satélite natural de Saturno

O oceano interior de Encélado tem, muito provavelmente, mil milhões de anos de idade. Isto significa que pode ter a idade perfeita para abrigar vida.

Esta é a conclusão de uma investigação, levada a cabo por Marc Neveu, do Goddard Space Flight Center da NASA. A equipa de cientistas usou várias simulações para calcular a idade de Encélado, analisando dados recolhidos pela sonda Cassini, que orbitou o planeta Saturno durante 13 anos.

Um dos principais presentes que a Cassini nos deu foi a descoberta de que o sexto maior satélite natural de Saturno tinha um oceano subterrâneo cheio de fontes hidrotermais. À Live Science, Neveu confessou que é verdadeiramente “surpreendente ver um oceano hoje em dia”. “É uma lua muito pequena e, normalmente, não se espera que coisas pequenas sejam muito activas, mas sim um bloco morto de rocha e gelo.”

Além de ser provável que a lua tenha um oceano, os cientistas adiantam agora que esta lua gelada tem o habitat necessário para albergar vida, incluindo fontes de energia química e fontes de elementos essenciais como carbono, nitrogénio, hidrogénio e oxigénio. “Mas há uma outra dimensão de habitabilidade: o tempo”, alertou Neveu.

Se o oceano fosse muito jovem, não teria tido tempo suficiente para misturar todos estes ingredientes e criar vida, adianta o cientista. Além disso, se o oceano gelado tivesse apenas um milhão de anos, as pequenas faíscas de vida não teriam tido tempo para se espalhar os suficiente e serem detectados pelos seres humanos.

Por outro lado, se o oceano fosse demasiado velho, a “bateria” do planeta poderia estar a ficar sem combustível, ou seja, as reacções químicas necessárias para sustentar vida poderiam ser interrompidas, explica o Europa Press.

Mas o oceano subterrâneo de Encélado pode ter a idade perfeita. Num artigo científico publicado na revista Nature Communications, os investigadores explicam como chegaram a esta conclusão.

Neveau e a sua equipa estimaram a idade do oceano, executando mais de 50 simulações e ligando vários parâmetros com base nas medições realizadas pela Cassini, com as órbitas das luas de Saturno, a radioactividade das rochas de Encélado e os próprios palpites dos especialistas sobre a idade da lua e a sua formação.

A simulação que melhor reproduziu as condições actuais da lua gelada estimou que o oceano tinha mil milhões de anos. No entanto, Neveu adverte que esta estimativa de idade foi baseada numa única simulação em embora coincida com muitas das condições vistas em Encélado, não cabe em todas elas.

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9 Julho, 2019

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2287: O “deserto” mais remoto do mundo está no oceano

CIÊNCIA

MPI Marine Microbiology / YouTube

O corpo de água mais remoto do mundo, localizado na metade sul do oceano Pacífico, é considerado pelos cientistas como um deserto, uma vez que abriga a menor e menos variedade fauna marinha de todo o planeta.

Agora, segundo escrevem o Science Alert e o Science Daily, os cientistas acabam de descobrir o quão “morto” está este “deserto” e quem são os seus poucos habitantes.

Em causa está uma área em torno do chamado pólo oceânico de inacessibilidade – também conhecido como ponto Nemo que corresponde ao ponto mais distante de qualquer costa. Este ponto é também precisamente o centro do chamado giro do Pacífico Sul, uma corrente circular que abrange 10% da superfície oceânica total do planeta.

A zona, que “mora” entre o Chile e a Nova Zelândia, foi explorada por cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, durante seis semanas. Durante este período de tempo, a equipa viajou cerca de 7.000 quilómetros e recolheu amostras de água a profundidades compreendidas entre os 20 e os 5.00 metros. Posteriormente, estas amostras foram analisadas a bordo de um navio a fim de encontrar material orgânico.

“Para a nossa surpresa, encontramos cerca de um terço de células a menos nas águas superficiais do Pacífico Sul, em comparação com os giros oceânicos do [oceano] Atlântico”, disse Bernhard Fuchs, cientista que fez parte da expedição, citado em comunicado.

“Foi, provavelmente, o menor número de células já medido em águas superficiais do oceano”, acrescentou o especialista. A equipa concluiu que as regiões árcticas alojam mais formas de vida do que este “deserto” localizado no Pacífico.

Quanto aos habitantes destas água, os cientistas apontaram que se tratam apenas de microrganismos especialmente adaptados para sobreviver num ambiente onde escasseiam nutrientes da costa e onde existem elevados níveis de radiação ultravioleta.

Ainda de acordo com a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Environmental Microbiology, outra das descobertas surpreendentes foi um número inesperado de micróbios conhecidos como AEGEAN-169 na superfície do oceano. Nas palavras dos cientistas, estes organismos são especialmente resistentes, sendo, até então, encontrados apenas em águas profundas.

Tal como explicou Greta Reintjes, outra cientista que participou na expedição, este “interessante potencial adaptação” indica que a distribuição de microrganismos difere significativamente em diferentes profundidades nestas águas.

Os especialista frisaram por fim que os resultados poderiam lançar luz sobre como seria a vida noutros planetas com habitats extremos como este, que, para além de ter as águas mais claras de todos os oceanos, é também um famoso cemitério de naves espaciais.

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8 Julho, 2019

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2282: Ameaças nos oceanos são uma “emergência”

CIÊNCIA

Tiago Fioreze / wikimedia

O investigador Emanuel Gonçalves afirmou, na Global Exploration Summit, que decorreu em Lisboa, que o oceano está ameaçado e que “agir é uma emergência”.

No evento que junta grandes nomes da exploração, investigação e conservação do planeta, Emanuel Gonçalves, especialista em biodiversidade e membro do conselho da Fundação Oceano Azul, lembrou que é necessário proteger o oceano pois este está “sob ameaça”.

As alterações climáticas, a poluição e a degradação de habitats foram apontadas pelo biólogo como os grandes perigos para a biodiversidade marinha.

O investigador e professor, que perguntou ao público “se os humanos são imaturos para cuidar do planeta”, admitiu que o conhecimento que existe “é suficiente” e que é necessário “mostrar o caminho aos políticos e empresários”.

“A conservação e os humanos têm de andar de mãos dadas, temos de conseguir alterar o paradigma onde para haver desenvolvimento económico é necessário haver degradação ambiental”, afirmou. Para inverter esta realidade, Emanuel Gonçalves apontou três soluções que passam por “salvar o que sobrou, reconstruir o que foi que foi destruído e garantir que as actividades no oceano são sustentáveis”.

Estas são as bases do projecto Blue Azores, um programa de conservação marinha, que surgiu depois de uma expedição realizada em 2016 e que foi exposto hoje pelo orador.

Emanuel Gonçalves referiu que os Açores são uma zona de grande biodiversidade marinha, que conta com diferentes espécies de mamíferos marinhos, tartarugas, aves marinhas e de algas.

Segundo o investigador, “o Blue Azores é um passo na direcção certa” para a preservação do oceano. No âmbito deste projecto, o Governo Regional dos Açores implementou, no passado mês de Fevereiro, uma nova área de protecção marinha que abrange 150 mil quilómetros quadrados.

ZAP // Lusa

Por Lusa
5 Julho, 2019

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2210: Bactérias que “comem” carne humana estão a espalhar-se para praias onde antes não chegavam

CIÊNCIA

Will Kennard / unsplash

Bactérias que “comem” carne que vivem no oceano estão a espalhar-se para as águas das praias que, anteriormente, não estavam afectadas. As alterações climáticas podem ser as culpadas.

Os autores do relatório descreveram cinco casos de graves infecções bacterianas em pessoas que estiveram expostas a água ou frutos do mar de Delaware Bay, uma praia entre Delaware e New Jersey, nos Estados Unidos. Estas infecções são raras, sendo que a bactéria responsável pela doença, chamada Vibrio vulnificus, prefere águas mais quentes, como as do Golfo do México.

Mas, com o aumento das temperaturas do oceano devido às alterações climáticas, V. vulnificus pode estar a mover-se para norte, provocando estas infecções em áreas que não estavam afectadas anteriormente.

“Acreditamos que os clínicos devem estar cientes da possibilidade de que as infecções por V. vulnificus ocorram mais frequentemente fora das áreas geográficas tradicionais”, escreveram os autores, do Cooper University Hospital, no relatório publicado na revista Annals of Internal Medicine.

V. vulnificus vive em águas oceânicas com temperaturas superiores a 13ºC. As pessoas podem ficar infectar com a bactéria de duas maneiras: se consumirem frutos do mar contaminados ou se tiverem uma ferida aberta que entra em contacto directo com a água do mar que contém as bactérias.

Embora a maioria das pessoas infectadas com V. vulnificus desenvolva apenas sintomas leves, algumas pessoas desenvolvem infecções graves na pele ou na corrente sanguínea. V. vulnificus pode causar fasceíte necrotizante, uma infecção rara que causa a morte dos tecidos moles do corpo e pode resultar em amputações ou até morte.

Os autores observaram que, de 2008 a 2016, o hospital viu apenas um caso de infecção por V. vulnificus. Mas nos Verões de 2017 e 2018, esse número saltou para cinco casos. Todos esses pacientes tinham ido pescar caranguejos na Baía de Delaware ou consumido frutos do mar da área e todos os pacientes desenvolveram fasceíte necrotizante. Um paciente morreu.

Um homem de 46 anos sofreu uma pequena lesão na perna enquanto se agachava. Dois dias depois, desenvolveu dor progressiva, inchaço e bolhas na perna ferida, o que acabou por ser uma infecção causada por V. vulnificus. Noutro caso, um homem de 64 anos desenvolveu graves inchaços e bolhas cheias de líquido na mão direita após a limpeza e ingestão de caranguejos. Apesar de passar por uma cirurgia de emergência, desenvolveu um ritmo cardíaco anormal e morreu.

Um homem de 60 anos que comeu uma dúzia de caranguejos da Baía de Delaware desenvolveu inchaço progressivo na perna direita. A condição piorou e espalhou-se para os outros membros. Eventualmente, os médicos precisaram de amputar todos os quatro membros, embora o homem tenha sobrevivido.

Fasceíte necrotizante por infecção de V. vulnificus geralmente não ocorrem em pessoas com sistema imunológico saudável, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC). As pessoas correm maior risco de infecções se tiverem doença hepática crónica ou outras condições que enfraquecem o seu sistema imunológico. Dos cinco casos descritos no relatório, três indivíduos tinham hepatite B ou C e um tinha diabetes.

Para prevenir a infecção, o CDC recomenda que pessoas com feridas abertas evitem contacto com água salgada ou salobra ou cubram as feridas com uma ligadura impermeável.Também é recomendado que as pessoas evitem comer mariscos crus ou mal cozidos.

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22 Junho, 2019

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2158: O oceano está a afundar no manto da Terra (e parte da culpa é da Pangeia)

CIÊNCIA

Christopher Scotese / Ian Webster / Paleomap / University Of Sydney
Pangeia foi o último super-continente

A água da Terra está lentamente a drenar para a crosta do nosso planeta. No entanto, o fenómeno não é “rápido” o suficiente para superar o aumento do nível da água do mar.

Diariamente, centenas de milhões de galões de água fluem do fundo do oceano para o manto da Terra, como parte do ciclo da água profunda.

Neste processo, a água absorvida na crosta e os minerais do fundo do mar são empurrados para o interior da Terra nos limites submarinos onde as placas tectónicas colidem. Parte dessa água permanece presa, mas grandes quantidades de líquido são expelidas de volta à superfície por vulcões submarinos e fontes hidrotermais.

Não é um sistema perfeito: os cientistas estimam que, actualmente, há mais água a mergulhar no manto, por exemplo. No geral, este ciclo é apenas uma engrenagem que determina se os oceanos sobem ou descem.

Num estudo publicado na Geochemistry, Geophysics and Geosystems no dia 17 de maio, os cientistas demonstraram que esta engrenagem pode ser mais importante do que se pensava.

Ao modelar os fluxos no ciclo das águas profundas nos últimos 230 milhões de anos, os autores do estudo descobriram que houve momentos na história do nosso planeta em que a quantidade gigantesca de água que afundava no manto desempenhou um importante papel no nível da água do mar.

Durante estas alturas, o ciclo das águas profundas pode ter contribuído para a perda de 130 metros do nível da água do mar, graças a um evento que mudou o mundo: a ruptura do super-continente Pangeia.

Krister Karlsen, investigador do Centro de Evolução da Terra e Dinâmica da Universidade de Oslo, disse à Live Science que o rompimento do super-continente foi associado a uma época de subducção muito rápida da placa tectónica. “Isto levou a um período de grande transporte de água para a Terra, causando a queda do nível da água do mar”, explicou.

Há cerca de 200 milhões de anos, a Pangeia começou a dividir-se. À medida que enormes placas continentais se afastavam umas das outras, novos oceanos surgiam, fendas enormes no fundo do mar rompiam e lajes antigas de crosta subaquática mergulhavam nos novos vazios.

Como resultado, quantidades gigantescas de água, presas dentro desses pedaços de crosta, afundaram no interior profundo do nosso planeta.

Com base em estudos anteriores, os cientistas modelaram as taxas aproximadas em que a água entrou – e deixou – o manto da Terra. Quanto mais rápido uma placa rica em água caísse na Terra, mais longe poderia submergir antes que o seu teor de água fosse evaporado pelo calor elevado do manto. De acordo com os cálculos, isso desequilibrou o ciclo da água profunda, o que resultou em milhões de anos de perdas de água.

É óbvio que este estudo não chega para explicar as mudanças no nível do mar, uma vez que há outros motivos que as explicam, como as alterações climáticas ou a cobertura de manto de gelo. Ainda assim, não deixa de ser uma descoberta que entusiasma os cientistas.

“Apesar de o ciclo das águas profundas poder mudar o nível da água do mar ao longo de centenas de milhões a milhares de milhões de anos, as alterações climáticas podem mudar o nível da água do mar em zero a 100 anos”, disse Karlsen.

“A actual elevação do nível do mar associada às mudanças climáticas é de cerca de 3,2 milímetros por ano. A queda do nível do mar associada ao ciclo da água profunda é de cerca de 1/10.000 disso”, exemplificou o especialista.

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12 Junho, 2019

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2022: A previsão piorou: os oceanos deverão subir dois metros em 80 anos

CIÊNCIA

Nova estimativa ultrapassa as piores previsões para o final do século XXI.

© Lucas Jackson Icebergue flutua num fiorde perto de Tasiilaq, Gronelândia, Junho de 2018.

A Terra é um sistema tão complexo que é difícil fazer previsões precisas sobre o aumento do nível das águas em consequência do aquecimento global até ao fim deste século. Num último estudo publicado, as estimativas ultrapassam as piores previsões.

A última previsão que servia de referência data de 2014, quando um grupo de peritos do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) estimava uma aumento do nível do mar em quase 1 metro até ao fim do século XXI, em relação ao período 1986-2005.

Um novo estudo publicado na revista da Academia Americana das Ciências (PNAS) não contradiz este cenário, mas dá conta da probabilidade de que a elevação do nível dos oceanos seja ainda mais grave: 69 centímetros numa hipótese mais optimista, 111 centímetros se a trajectória actual se mantiver, em relação ao nível em 2000.

Num cenário optimista, o aquecimento global do planeta alcança mais 2ºC em relação à época pré-industrial (fim do século XIX). Este é o objectivo mínimo do Acordo de Paris, assinado em 2015. A Terra já aqueceu cerca de 1ºC desde essa época.

O cenário mais pessimista é o de um aquecimento de 5ºC – se continuarmos na mesma trajectória de contínua emissão de gases com efeito de estufa.

A amplitude possível da subida do nível das águas é enorme: mesmo que a humanidade consiga limitar o aumento da temperatura do globo a 2ºC, a subida das águas pode variar entre 36 e 126 centímetros (intervalo de probabilidade de 5 a 95%).

No caso de um aumento da temperatura global do planeta de 5ºC, a subida do nível das águas ultrapassa 238 centímetros.

“Estamos perante uma emergência climática”, alerta Guterres

De visita à Nova Zelândia e às ilhas Fiji no início deste mês de maio, o secretário-geral da ONU lembrou que a temperatura atingiu nos últimos quatro anos o maior nível de que há registo.

António Guterres lamentou que a vontade política para alterar o rumo dos acontecimentos está a falhar.

Gronelândia e Antárctica a derreter

O estudo agora publicado reúne as estimativas de 22 peritos em calotas de gelo polares da Gronelândia e da Antárctica Leste e Oeste.

O degelo é um dos principais responsáveis pela subida do nível dos oceanos, assim como os rios de gelo e a expansão térmica – quando a água do mar aquece, também se expande.

“Concluímos que é plausível que o aumento do nível do mar ultrapasse 2 metros até 2100 neste cenário de subida da temperatura”.

 

Planeta perderá quase 2 milhões de km2, centenas de milhões de deslocados

Neste cenário, o planeta perderá 1,79 quilómetros quadrados de terras, uma área equivalente à da Líbia.

Grandes partes da terra perdida serão importantes áreas de cultivo como o delta do Nilo e em vastas áreas do Bangladesh será muito difícil as pessoas continuarem a viver.

Daqui resultará um êxodo de 187 milhões de pessoas, segundo o estudo.

Os glaciares antes e depois das alterações climáticas

“Não estamos a ganhar a batalha” das alterações climáticas

msn notícias
SIC Notícias
21/05/2019



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1920: Metade da água nos nossos oceanos pode ter vindo do Espaço (à boleia de asteróides)

CIÊNCIA

(dr) JAXA

Mais de 70% da superfície da Terra está coberta de água, quase toda ela nos oceanos. Mas de onde veio toda esta água?

Várias hipóteses procuram explicar como é que a água chegou ao nosso planeta nos primeiros dias da sua formação, incluindo a ideia de que a água molecular saiu de minerais hidratados na Terra e a possibilidade de que os asteróides e os cometas tenham libertado água para a Terra.

Novas investigações publicadas na revista Science Advances apoiam a hipótese do asteróide, sugerindo que estes visitantes rochosos poderiam ter fornecido até metade da água da Terra há milhões de anos.

Actualmente há duas missões a recolher material de asteróides, Hayabusa-2 e OSIRIS-REx. Mas antes deles, havia a Hayabusa (a original), que trouxe pequenas amostras de rochas espaciais para serem analisadas na Terra em 2010.

Investigadores da Universidade Estadual do Arizona descobriram que o asteróide Itokawa tem materiais ricos em água. A equipe encontrou o piroxénio mineral em duas das cinco amostras. Na Terra, este mineral contém moléculas de água na sua estrutura cristalina e os cientistas esperavam que esse também fosse o caso de Itokawa.

O asteróide Itokawa é um asteróide em forma de amendoim com diâmetro máximo de 535 metros e largura de 209 a 294 metros. Sofreu vários impactos, aquecimento, choques e fragmentações. Esses eventos aumentariam a temperatura do asteróide e levariam a uma perda de água.

Itokawa parece ser o produto final de um corpo parental de 19 quilómetros que atingiu temperaturas de até 800°C e foi destruído por impactos, com um final que o separou completamente. Alguns dos fragmentos fundiram-se com o que vemos hoje. “Embora as amostras tenham sido recolhidas na superfície, não sabemos onde estes grãos estavam no corpo original. Mas o melhor palpite é que tenham sido enterrados a mais de cem metros de profundidade”, explicou Jin.

O mistério da origem da água da Terra é fascinante, escreve a IFL Science. Enquanto alguma água foi libertada por processos vulcânicos, acredita-se que uma grande fracção tenha vindo do espaço. Cometas e asteróides do tipo C, que são ricos em gelo, foram considerados culpados, mas a composição isotópica da sua água não corresponde à da Terra. Já as amostras de Itokawa são indistinguíveis das amostras de água na Terra.

ZAP //

Por ZAP
4 Maio, 2019

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1711: Os nossos oceanos estão a perder peixe a um ritmo alucinante

(CC0/PD) joakant / pixabay

As populações de peixes nos nossos oceanos estão a esgotar a um ritmo alarmante, com consequências preocupantes para os que fazem parte da cadeia alimentar – incluindo os seres humanos.

Dados recolhidos entre 1930 e 2010 revelaram que as populações de peixes caiu, em média, 4,1%. Em algumas regiões, como o Mar da China Oriental ou o Mar do Norte, a queda foi mais abrupta: de 15 a 35%. As alterações climáticas e a sobre-pesca são as principais culpadas.

No entanto, os investigadores observaram que um pequeno número de populações de peixes, em vez de diminuir, aumentava – beneficiando do aquecimento das águas que as tornava mais habitáveis (pelo menos para estes peixes).

“Muitas das espécies que beneficiaram do aquecimento vão, provavelmente, começar a diminuir, à medida que as temperaturas começarem a subir”, explicou o cientista Olaf Jensen, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, Estados Unidos.

A equipa investigou de que forma o aquecimento do oceano afectou 235 populações de peixes em todo o mundo, analisando 124 espécies em 38 regiões ecológicas. Além de peixes, incluíram também no estudo alguns crustáceos e moluscos. O artigo científico foi publicado no dia 1 deste mês, na Science.

Normalmente, a água quente é uma má notícia para os peixes: não só contém menos oxigénio, como também prejudica as funções corporais, que em muitos peixes ocorrem à mesma temperatura da água.

“O declínio de 4,1% parece muito pequeno e inofensivo, mas é de 1,4 milhões de toneladas métricas entre 1930 e 2010”, disse Chris Free, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, ao The New York Times.

Segundo o Science Alert, os 4,1% são referentes especificamente ao rendimento máximo sustentável – a quantidade de peixes que podemos capturar sem esgotar o número da população a longo prazo.

Este número torna-se verdadeiramente preocupante se tivermos em conta que estes animais são uma parte significativa da proteína animal na dieta mundial – especialmente nos países costeiros em desenvolvimento. Acresce ainda o facto de 56 milhões de pessoas em todo o mundo trabalharem na indústria pesqueira – ou confiarem nela.

Reduzir a sobre-pesca é, de facto, essencial para minimizar os impactos do aquecimento dos oceanos, caso contrário a situação irá piorar.

ZAP //

Por ZAP
14 Março, 2019

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1656: Recriada a origem da vida no oceano profundo (para encontrá-la noutros planetas)

NASA

Cientistas da NASA reproduziram em laboratório a forma como os ingredientes para a vida se terão formado no oceano profundo há quatro mil milhões de anos.

A astro-bióloga Laurie Barge e a sua equipa no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA estão a trabalhar para reconhecer vida noutros planetas, estudando as origens da vida na Terra. A investigação concentra-se em como os blocos de construção da vida são formados em aberturas hidrotermais no fundo do oceano.

Os resultados fornecem pistas sobre como começou a vida na Terra, bem como em que outro lugar do cosmos podemos voltar a encontrá-la.

Para recriar as fontes hidrotermais no laboratório, a equipa fez o seu próprio leito marinho em miniatura enchendo os vasos com misturas que imitam o oceano primordial da Terra. Estes oceanos em laboratório funcionam como berçários de aminoácidos, compostos orgânicos que são essenciais para a vida como a conhecemos. Os aminoácidos são construídos uns sobre os outros para formar proteínas, que formam todos os seres vivos.

“Entender o quão longe se pode chegar com apenas compostos orgânicos e minerais antes de ter uma célula real é realmente importante para compreender em que tipo de ambientes poderia surgir vida”, disse Barge. “Além disso, investigar como coisas a atmosfera, o oceano e os minerais afectam tudo e pode ajudar a entender a probabilidade de isto também ter ocorrido noutros planetas.

Encontrados em torno de fendas no fundo do mar, as fontes hidrotermais são locais onde se formam chaminés naturais, libertando fluido aquecido sob a crosta terrestre. Quando as chaminés interagem com a água do mar que as rodeia, criam um ambiente em constante mudança, que é necessário para que a vida evolua e mude.

Este ambiente escuro e quente alimentado pela energia química da Terra pode ser a chave para como a vida se poderia formar nos mundos mais distantes do nosso sistema solar, longe do calor do sol.

“Se tivermos estas fontes hidrotermais aqui na Terra, reacções semelhantes podem ocorrer noutros planetas”, disse Erika Flores em comunicado.

Barge e Flores usaram ingredientes encontrados no oceano da Terra nas experiências. Eles combinaram a água, os minerais e as moléculas “precursoras” piruvato e amónia, que são necessárias para iniciar a formação de aminoácidos.

Eles testaram a hipótese aquecendo a solução a 70ºC, a mesma temperatura encontrada perto de uma fonte hidrotermal, e ajustando o pH para imitar o ambiente alcalino. Eles eliminaram o oxigénio da mistura porque, ao contrário de hoje, a Terra primitiva tinha muito pouco oxigénio no oceano. A equipa usou hidróxido de ferro mineral que era abundante na Terra primitiva.

O hidróxido de ferro mineral reagiu com pequenas quantidades de oxigénio que a equipa injectou na solução, produzindo o aminoácido alanina e o alfa-hidroxiácido láctico. Os alfa-hidroxiácidos são subprodutos de reacções de aminoácidos, mas alguns cientistas teorizam que também poderiam combinar-se para formar moléculas orgânicas mais complexas que poderiam levar à vida.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
3 Março, 2019

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1605: Há uma ameaça para a Humanidade “adormecida” no fundo do mar

Bob Embley / NOAA Office of Ocean Exploration

As alterações climáticas ameaçam causar uma enorme libertação de carbono que se encontra “adormecido” no fundo do mar, processo que já ocorreu no passado, tendo resultado num aumento da temperatura atmosférica de tal magnitude que acabou com a Era do Gelo, sugere um novo estudo.

O investigação, cujos resultados foram publicados em Janeiro passado na revista especializada Environmental Research Letters, aponta que no final do período Pleistoceno – há aproximadamente 17000 anos – uma grande quantidade de gases de efeito de estufa escapou do leito oceânico para a atmosfera devido à actividade hidrotermal.

Tal como explicam os cientistas, estes reservatórios subaquáticos de dióxido de carbono e metano são produzidos quando a actividade vulcânica liberta gás, que é então congelado até que seja encapsulado como uma massa de hidratos num estado líquido ou sólido.

Estes depósitos estão espalhados pelo leito marinho de todo o planeta e permanecem intactos, a menos que sejam perturbados por factores externos, como o aquecimento dos oceanos. Se o carbono geológico preso no interior destes reservatórios for libertado, o nível de gases de efeito estufa na atmosfera irá sofrer um enorme aumento, agravando, consequentemente, ainda mais as alterações climáticas.

Tendo isto em conta, os cientistas alertam que com a actual taxa de aquecimento global, em grande parte causada pela actividade humana, os oceanos atingirão a temperatura considerada mais crítica até o final deste século.

A título de exemplo, os especialistas mencionam um reservatório de carvão de importantes dimensões localizado na parte ocidental do Oceano Pacífico, ao largo da costa de Taiwan, que precisa apenas de um pequeno aumento, ou seja, alguns graus Celsius para perder sua estabilidade.

National Academy of Sciences
Reservatório em Taiwan

“A última vez que aconteceu, a mudança climática foi tão drástica que causou o fim da Idade do Gelo”, frisou Lowell Stott, investigador da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e principal autor do trabalho. E concluiu: “Assim que o processo geológico começar, não podemos desactivá-lo”.

ZAP //

Por ZAP
18 Fevereiro, 2019

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1602: O planeta Ceres tem um oceano “quase eterno” no seu interior (e pode ter vida)

NASA

As marcas da erupção de crio-vulcões no planeta anão Ceres ajudaram os cientistas a provar que, debaixo da superfície gelada do planeta, existe um oceano “quase eterno”.

“Os crio-vulcões [vulcões que expelem substâncias como água, amoníaco ou metano em vez de lava] podem ser um dos refúgios principais da vida no Universo. Por esta razão, nós tentamos entender como funcionam as fontes de água que os alimentam e se escondem debaixo da superfície gelada de planetas e como se comportam”, declarou Marc Hesse da Universidade do Texas, EUA.

As primeiras imagens de Ceres obtidas pela sonda Dawn em 2015 mostraram duas estruturas extraordinárias inesperadas: misteriosas manchas brancas na cratera Occator, que serão vestígios salinos desse oceano, e um monte piramidal, Akhun, de quatro quilómetros de altitude.

Posteriormente, os investigadores descobriram que o Akhun é um antigo crio-vulcão extinto, e que as manchas brancas são vestígios da erupção de vulcões semelhantes. Além disso, noutras regiões, os cientistas encontraram depósitos de gelo “limpo”, que indicam que a superfície de Ceres se renova constantemente, já que este gelo devia ter-se evaporado há muito tempo.

Tais descobertas, publicadas na revista Geophysical Research Letters, fazem com que os cientistas suponham que, no subsolo do planeta anão, pode haver um oceanocongelado ou não -, constituído por uma espécie de salmoura ou por água, aquecida por uma fonte ainda desconhecida.

Segundo Hesse, os planetólogos têm discutido sobre a existência de água líquida em Ceres, se acreditarmos nos cálculos, esta água duraria apenas algumas centenas de milhares de anos antes de congelar completamente. Tal não corresponde aos dados segundo os quais as manchas brancas surgiram na cratera Occator há relativamente pouco tempo, ao passo que ela própria apareceu há 30 milhões de anos.

Hesse e os seus colegas desvendaram o enigma, examinando a composição química das erupções de “magma de água” e as suas características físicas e das rochas de Ceres.

Os cientistas criaram um modelo do subsolo do planeta e avaliaram o seu comportamento sob a influência do Sol e do metano no suposto oceano e nas rochas de Ceres.

Foi descoberto que o “magma de água” dos crio-vulcões solidificava mais lentamente do que se pensava: permanecia líquido durante entre seis a dez milhões de anos depois da formação. A velocidade do seu arrefecimento dependia da concentração da salmoura — quanto mais água tivesse, mais lentamente perdia o calor.

Segundo Hesse, isso significa que, a grande profundidade debaixo da cratera Occator, existe um depósito de água, que não podia surgir em resultado do impacto de um asteróide, por isso a sua formação não pode ser explicada sem a presença de um grande oceano no manto do planeta.

Esse oceano, por sua vez, caso a sua água tenha a mesma composição, existirá quase eternamente graças às altas temperaturas e pressão nas profundidades de Ceres. Os cientistas esperam que as imagens obtidas pela sonda Dawn nos últimos meses da sua vida ajudem a verificar essa hipótese.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
16 Fevereiro, 2019

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1561: O oceano vai mudar de cor até ao fim deste século

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

O aquecimento global está a alterar significativamente o fitoplâncton dos oceanos do mundo, o que afectará a sua cor no final deste século. As regiões azuis e verdes vão ficar intensificadas.

Os satélites devem detectar essas mudanças de tom, fornecendo alertas antecipados de mudanças em larga escala nos ecossistemas marinhos, de acordo com um novo estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), publicado na revista Nature.

Os investigadores desenvolveram um modelo global que simula o crescimento e a interacção de diferentes espécies de fitoplâncton ou algas, e a forma como a mistura de espécies em vários locais mudará à medida que as temperaturas aumentam em todo o mundo.

Os cientistas também simularam a maneira como o fitoplâncton absorve e reflete a luz e como o oceano muda de cor à medida que o aquecimento global afecta a composição das comunidades fitoplanctónicas.

Os investigadores conduziram o modelo até o final do século XXI e descobriram que, no ano 2100, mais de 50% dos oceanos do mundo mudariam de cor.

O estudo sugere que as regiões azuis, como as regiões subtropicais: tonar-se-ão ainda mais azuis, reflectindo ainda menos fitoplâncton – e a vida em geral – nessas águas. Algumas regiões que são mais verdes hoje, como as próximas dos pólos, podem ficar ainda mais verdes, já que as temperaturas mais quentes aumentam as florações de um fitoplâncton mais diversificado.

“O modelo sugere que as alterações não parecerão muito grandes a olho nu e o oceano ainda vai parecer que tem regiões azuis em regiões subtropicais e regiões verdes perto do equador e os pólos”, disse Stephanie Dutkiewicz, do Departamento de Ciências Terrestres, Atmosféricas e Planetárias do MIT e no Programa Conjunto sobre Ciência e Política de Mudança Global. “O padrão básico ainda estará lá. Mas será suficientemente diferente para afectar o resto da cadeia alimentar que o fitoplâncton sustenta”.

A cor do oceano depende de como a luz solar interage com o que está na água. Apenas as moléculas de água absorvem quase toda a luz do sol, excepto a parte azul do espectro, que é reflectida. Assim, regiões de oceano aberto relativamente áridas aparecem como azul profundos. Se houver organismos no oceano, podem absorver e reflectir diferentes comprimentos de onda da luz, dependendo das suas propriedades individuais.

O fitoplâncton, por exemplo, contém clorofila, um pigmento que absorve principalmente nas porções azuis da luz solar para produzir carbono para a fotossíntese e menos nas porções verdes. Como resultado, mais luz verde é reflectida para fora do oceano, dando às regiões ricas em algas um tom esverdeado.

Desde o final dos anos 90, os satélites têm medições contínuas da cor do oceano. Os cientistas usaram essas medidas para obter a quantidade de clorofila e, por extensão, fitoplâncton, numa determinada região oceânica. Mas Dutkiewicz diz que a clorofila não necessariamente reflete o sensível sinal da mudança climática.

Qualquer variação significativa na clorofila poderiam ser devido ao aquecimento global, mas também poderiam ser devido à “variabilidade natural” – aumentos regulares e periódicos da clorofila devido a fenómenos naturais relacionados ao clima.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
6 Fevereiro, 2019

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1417: Catástrofe cósmica pode ter aniquilado tubarões pré-históricos gigantes

Mary Parrish / Wikimedia

A explosão de estrelas há 2,6 milhões de anos pode ter contribuído para a extinção em massa que varreu os oceanos pré-históricos da Terra, eliminando criaturas como o tubarão gigante conhecido como Megalodon.

Partículas cósmicas destas super-novas cobriram a superfície do planeta Terra de tal forma que podem ter causado cancro em grandes criaturas marinhas. Entre as fatalidades aparentes, encontrava-se o Megalodon – um tubarão do tamanho de um autocarro dos dias de hoje.

A teoria foi apresentada por Adrian Melott, um físico da Universidade do Kansas, nos EUA. “Não há nenhuma boa explicação para a extinção da megafauna marinha”, disse, citado pelo The Independent. “Esta pode ser uma. É essa mudança de paradigma – sabemos que algo aconteceu e, quando aconteceu, podemos pela primeira vez aprofundar e procurar as coisas de uma maneira definitiva”.

Para chegar a esta hipótese, Melott baseou-se no seu conhecimento sobre super-novas históricas e evidências do impacto que tiveram na Terra. Os antigos depósitos no leito do mar de isótopos de ferro – formas radioactivas de ferro – forneceram uma pista crucial.

As conclusões foram publicadas na revista Astrobiology a 12 de Dezembro. Melott afirmou que não havia outra forma de estes materiais chegarem à Terra, excepto devido a explosões de super-nova.

Mais apoio veio da estrutura do universo circundante. A Terra fica perto de algo chamado “Bolha Local” – uma enorme região de gás quente e denso que os astrónomos pensam que resultou de uma série de explosões de super-novas – a explosão de estrelas que atingiram o fim da sua vida. Devido à estrutura desta bolha, é possível que a Terra tenha sido banhada por raios cósmicos.

Durante este tempo, partículas chamadas “múons” teriam caído em grande número na superfície do planeta. Muóns – partículas elementares semelhantes a electrões muito pesados – penetram profundamente as criaturas vivas, incluindo humanos, e são responsáveis por cerca de um quinto da dose de radiação que recebemos.

Geralmente, isto não seria um grande problema. Porém, ao aumentar a exposição aos múons, os investigadores consideram que a radiação poderia ter levado a um aumento das taxas de mutação e cancro. Os maiores animais podem ter sido especialmente susceptíveis, uma vez que seriam atingidos por uma maior dose de radiação.

“Estimamos que a taxa de cancro aumentaria em cerca de 50% para algo do tamanho de um ser humano – e quanto maior, pior seria”, disse Melott. Isto poderia explicar porque é que o Megalodon, bem como um terço de outras grandes criaturas do mar, não conseguiu sobreviver na época seguinte da história do planeta, o Plistoceno.

Os eventos de extinção em massa estão ligados a mudanças climáticas drásticas. Embora raios cósmicos que bombardeiam a atmosfera também possam estar ligados a um clima em mudança, os autores admitem que esta é “uma afirmação controversa”.

ZAP // Phys

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

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1299: A Terra está a comer os seus próprios oceanos

CIÊNCIA

(CC0/PD) Samir Belhamra / pexels
A quantidade de água puxada por zonas de subducção “é incompreensível”, dizem os cientistas

À medida que as placas tectónicas da Terra mergulham umas nas outras, arrastam 3 vezes mais água para o interior do planeta do que se pensava.

Estes são os resultados de um novo artigo publicado a 14 de Novembro na revista Nature. Usando os sismos naturais da zona de subducção propensa a terremotos na fossa das Marianas, onde a placa do Pacífico está a deslizar sob a placa das Filipinas, os investigadores da Universidade de Washington estimaram a quantidade de água que é incorporada nas rochas que mergulham profundamente por baixo da superfície.

A descoberta tem grandes ramificações para o entendimento do ciclo das águas profundas da Terra, segundo explica a especialista em geologia marinha e geofísica norte-americana Donna Shillington.

A água por baixo da superfície da Terra pode contribuir para o desenvolvimento do magma e pode lubrificar as falhas, tornando os terremotos mais prováveis, disse Shillington, que não esteve envolvida no estudo.

A água é armazenada na estrutura cristalina dos minerais. O líquido é incorporado na crosta terrestre tanto quando as placas oceânicas se formam como quando as mesmas partem. O processo de subducção é a única forma pela qual a água penetra profundamente na crosta e no manto, mas pouco se sabe sobre a quantidade de água que se move durante o processo, de acordo com Chen Cai, líder do estudo.

Os investigadores usaram dados recolhidos por uma rede de sensores sísmicos posicionados em redor da fossa central das Marianas no oeste do Oceano Pacífico. A parte mais profunda da vala fica a quase 11 quilómetros abaixo do nível do mar. Os sensores detectam terremotos e réplicas que soam na crosta terrestre.

Cai e sua equipa analisaram a rapidez com que esses tremores viajavam: uma desaceleração na velocidade indicaria fracturas cheias de água em rochas e minerais “hidratados” que prendem a água dentro dos seus cristais.

Falta de água

Os investigadores observaram essa desaceleração profunda na crosta, a cerca de 30 quilómetros abaixo da superfície. Usando as velocidades medidas, a equipa calculou que as zonas de subducção puxam 3 mil milhões de teragramas de água para a crosta a cada milhão de anos.

“A quantidade puxada por zonas de subducção é incompreensível“, disse Cai. “É três vezes mais água do que se estimava que as zonas de subducção recebessem”.

Isto levanta algumas questões: a água que desce surge, geralmente, no conteúdo de erupções vulcânicas. A nova estimativa sobre a quantidade de água está a ir para baixo é maior do que as estimativas do quanto está a ser emitido por vulcões, o que significa que falta algo nas estimativas dos cientistas.

“Não há falta de água nos oceanos”, segundo o investigador. “Isso significa que a quantidade de água arrastada para dentro da crosta e a quantidade de água expelida deveriam ser aproximadamente iguais. O facto de não serem sugere que há algo sobre a forma como a água se move através do interior da Terra que os cientistas ainda não entendem.

ZAP // Live Science

Por ZAP
17 Novembro, 2018

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1183: Há um icebergue perfeito à deriva na Antárctida

O fenómeno é comum, mas o que fascinou os cientistas da NASA foi a forma rectangular quase perfeita deste icebergue

© Twitter NASA

Este não é um icebergue como os outros. Tem quatro arestas, quatro vértices, parece um rectângulo quase perfeito e está à deriva no oceano Antárctico. A imagem deste fenómeno foi partilhada através da conta oficial de Twitter da NASA, que lhe dá até um nome e uma explicação.

É difícil de imaginar que este icebergue não tem mão humana, mas de acordo com a cientista da NASA e da Universidade de Maryland, Kelly Brunt, este fenómeno é mais comum do que imaginamos. “Há dois tipos de icebergues”, começa por explicar a especialista, em declarações à revista científica Live Science: “os que imaginamos na nossa cabeça, como o que afundou o Titanic, que parecem prismas ou triângulos na superfície, e depois os icebergues tabulares”.

Estes últimos são planos, largos e geométricos. Quando uma plataforma de gelo cresce demasiado, quebra-se em baixo, separando-se em formas quase sempre geométricas. Kelly Brunt compara o processo a uma unha, que quando já muito longa começa a quebrar-se na ponta. Contudo, o que torna este icebergue fora do normal é o facto de parecer um rectângulo perfeito.

Kelly Brunt acredita que terá mais de uma milha de comprimento e que será apenas 10% da massa total da plataforma do qual se separou, uma vez que a massa de maior comprimento se encontra debaixo de água.

Nada que seja novidade para os especialistas. O maior icebergue alguma vez registado foi também um icebergue tabular antárctico, com mais de 31 mil quilómetros quadrados. O seu tamanho permitia que pudesse até ser visto a 240 quilómetros a oeste da Ilha Scott, no oceano Pacífico.

Diário de Notícias
Catarina Reis
22 Outubro 2018 — 17:43

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1034: Misteriosos organismos marinhos podem estar a encher o céu de nuvens

CIÊNCIA

(CC0/PD) waqutiar / pixabay

Segundo um novo estudo, algumas algas marinhas microscópicas poderão estar a ter um papel importante e activo na formação de nuvens sobre os oceanos.

Numa investigação publicada na revista iScience a 15 de agosto, investigadores acreditam que uma espécie unicelular de alga – Emiliana Huxleyi – pode ser responsável pela criação dessas partículas que “semeiam” as nuvens.

As nuvens são criadas quando gotas de água microscópicas condensam na superfície de outras partículas microscópicas. Estas partículas podem ser solúveis como os cristais de sal ou insolúveis como partículas de poeiras.

Este fitoplâncton, omnipresente em todos os oceanos, é destruído a partir do interior através de um vírus comum e as suas remanescências formam partículas insolúveis nas quais as gotículas de água se condensam na atmosfera.

As remanescências deste fitoplâncton são uma espécie de “carapaça” dura que é constituída por cerca de 30 escamas de calcite que se designam por cocólitos (cuja dimensão é da ordem dos três micrómetros).

Quando as condições são as mais adequadas, esta alga floresce e multiplica-se e, mesmo sendo de tamanho microscópico, consegue colorir os mares com um tom turquesa brilhante.

Quando esta alga morre, a maioria dos cocólitos acaba como parte do sedimento do fundo do oceano, e estima-se que estes organismos sejam responsáveis pela deposição de cerca de 1,5 milhões de toneladas de calcite nos oceanos por ano.

Contudo, nem todos os cocólitos vão para ao fundo dos oceanos. Existem vestígios de cocólitos em pulverizadores marítimos, levados pela rebentação marítima ou pelas bolhas na água.

Os aerossóis de pulverização marítima desempenham um importante papel na regulação do clima terrestre, e a presença deste fitoplâncton aumenta o número de gotas de nuvens sobre o oceano.

Alison R. Taylor, USCWM / Wikimedia
Emiliana Huxleyi, organismo marinho unicelular que produz escaras de carbonato de cálcio (cocólitos)

Na análise, os investigadores do Instituto Weizmann de Ciência da Universidade de Rehovot, em Israel, infectaram metade de uma população de Emiliana Huxleyi com um vírus que frequentemente as infecta na natureza. A outra metade da população foi utilizada como controlo, sendo mantida livre deste vírus.

Inicialmente, cada milímetro da água continha 20 milhões de cocólitos. Passados apenas cinco dias, este número mais que triplicou nas algas infectadas em comparação com a população que serviu de controlo.

O passo seguinte na investigação foi utilizar bolhas para imitar a agitação natural dos oceanos, que cria o pulverizador marítimo. Nesta fase, havia dez vezes mais cocólitos no ar das algas infetadas do que nas algas que serviram para controlo.

Segundo os investigadores, a diminuta dimensão e peso dos cocólitos faz com que estes se mantenham no ar durante muito mais tempo, caindo “25 vezes mais devagar do que as partículas de sal marinho com a mesma dimensão”.

Isto significa que, em condições onde partículas mais pesadas podem cair, os fragmentos dos cocólitos não o fazem, concentrando-se no ar e influenciando a formação de nuvens.

Por ZAP
18 Setembro, 2018

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964: Nível dos oceanos desceu bruscamente 40 metros há 30 mil anos

Foram analisados os valores de variação do nível global dos oceanos durante o último glaciar máximo, graças a dados geomorfológicos e de sedimentação do fundo marinho

© Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Uma equipa internacional de cientistas comprovou que o nível dos oceanos registou uma descida brusca de 40 metros há 30 mil anos e voltou a cair outros 20 metros há aproximadamente 22 mil anos.

A investigação, em que participa a Universidade de Granada e cujos resultados são publicados na revista Nature, analisou as mudanças do nível do mar durante o último glaciar máximo utilizando dados geomorfológicos, sedimentológicos e paleontológicos do fundo marinho.

O último glaciar máximo foi o período mais frio da história geológica recente da Terra, que provocou uma enorme acumulação de gelo nas regiões polares, fazendo descer consideravelmente o nível dos oceanos, o que provocou uma mudança na configuração das terras imersas.

Os investigadores afirmaram que, após a brusca descida de 40 metros há 30 mil anos, o nível do mar global se manteve bastante estável até voltar a cair 20 metros há cerca de 22 mil anos.

A partir desse momento, produziu-se uma subida lenta do nível do oceano que se acelerou há uns 17 mil anos para desacelerar há 7.000 anos e chegar lentamente aos últimos metros de subida até aos níveis actuais.

A mudança do nível do mar devido a mudanças do clima é um fenómeno conhecido desde o século XIX e os valores aproximados da descida foram estimadas nas últimas décadas”, explicou o catedrático de Paleontologia da Universidade de Granada Juan Carlos Braga, um dos autores do trabalho.

Os investigadores precisaram quer a cronologia quer os valores de variação do nível global dos oceanos durante o último glaciar máximo, graças a dados geomorfológicos e de sedimentação do fundo marinho.

Analisaram também os testemunhos obtidos na perfuração com 34 sondas no subsolo da margem da plataforma no nordeste da Austrália, comparando com dados da Grande Barreira de Coral australiana.

“As descidas bruscas do nível do mar detectadas durante o último glaciar máximo são facilmente explicadas pela mudança climática”, destacou o catedrático, que explicou que os dados parecem indicar que houve períodos extremos de calor e frio que são pouco conhecidos dos cientistas.

“Identificar com precisão a magnitude e cronologia das mudanças do nível do mar e do solo são importantes para entender a dinâmica do clima global e também fundamental para entender as conexões das ilhas entre si com os continentes e poder decifrar migrações de espécies, incluindo a humana”, concluiu Juan Carlos Braga.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Setembro 2018 — 20:40

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original)

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957: Cientistas descobriram uma “bomba relógio” debaixo do oceano Árctico

usgeologicalsurvey / Flickr

O Árctico não está apenas ameaçado pelo derretimento do gelo na sua superfície. Um novo estudo mostra que há também um reservatório de água aquecida que se está a acumular debaixo do oceano.

Segundo o Science Alert, uma nova pesquisa descobriu evidências de um vasto reservatório de água aquecida que se está a acumular debaixo do Oceano Árctico e a penetrar de forma profunda no coração da região polar, ameaçando derreter o gelo que se encontra no topo.

“Documentámos um aquecimento oceânico impressionante numa das principais bacias do interior do Oceano Árctico, a Bacia do Canadá”, explica a oceanógrafa da Universidade de Yale Mary-Louise Timmermans.

A investigadora e o resto da equipa analisaram as temperaturas registadas nessa bacia nos últimos 30 anos e descobriram que a quantidade de calor na parte mais quente da água efectivamente duplicou no período entre 1987 e 2017.

Esta bacia, situada a norte do Alasca, nos Estados Unidos, é composta por camadas mistas de água oceânica, com água fria na superfície e água mais quente e salgada por baixo.

São as condições de aquecimento rápido do reservatório mais quente que deixam os cientistas a reflectir. “Actualmente, este calor está preso abaixo da camada superficial“, explica Timmermans. “Devia misturar-se até à superfície, existe calor suficiente para derreter por completo o gelo que cobre esta região durante a maior parte do ano”.

De acordo com os investigadores, cujo estudo foi publicado esta semana na revista científica Science Advances, as águas submersas mais quentes têm “arquivado” o calor devido ao “aquecimento solar anómalo” das águas superficiais no norte do Mar de Tchuktchi, que alimenta a Bacia do Canadá.

Basicamente, à medida que o gelo do mar derrete sazonalmente e cada vez mais no Mar de Tchuktchi, a água aberta é exposta ao calor da luz solar, aquece e é levada para o norte pelos ventos do Árctico – um fenómeno actual chamado de Beaufort Gyre.

(dr) Yale University

Enquanto esta água aquecida viaja para o Árctico, as águas mais quentes descem abaixo da camada mais fria da Bacia do Canadá – mas a quantidade que aqueceu nas últimas três décadas pode representar “uma bomba-relógio“, alertam os cientistas.

“Este calor não vai desaparecer”, disse à CBC John Toole, um dos investigadores desta equipa e oceanógrafo do Instituto Oceanográfico Woods Hole. “Eventualmente… vai ter que subir à superfície e vai embater contra o gelo”.

Os cientistas pensam que esta ainda não é uma ameaça imediata, no entanto, ventos fortes misturados com camadas de água mais frias e mais quentes – ou um aumento da salinidade, movendo a água mais quente para cima – podem afectar severamente o gelo do Árctico.

E mesmo que esses resultados não aconteçam, a trajectória de temperatura já vista poderia estar a afectar a cobertura de gelo de forma mais subtil, embora ainda ninguém saiba as ramificações exactas.

“Resta ver como as perdas contínuas de gelo irão mudar fundamentalmente a estrutura e a dinâmica da coluna de água”, explicam os autores no estudo, embora notem que nos próximos anos o excesso de calor “vai dar origem a fluxos de calor ascendentes, criando efeitos compostos no sistema ao diminuir o crescimento do gelo marinho no inverno”.

É preciso mais pesquisa para calcular quão séria é esta situação, porém, não há forma de negar que estes mecanismos fazem todos parte de um problema muito maior – e um que não vai desaparecer.

“Estamos a ver cada vez mais águas abertas quando o gelo marinho recua no verão”, diz Timmermans à Canadian Press. “O Sol está a aquecer o oceano directamente, porque este não está mais coberto pelo gelo do mar”.

ZAP //

Por ZAP
3 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 16 erros ortográficos ao texto original)

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931: Estamos a viver um momento de crise oceânica global, alerta investigador

CIÊNCIA

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

Mais de 90% do calor resultante do aumento de gases do efeito de estufa foi armazenado nos oceanos, segundo as conclusões que serão debatidas numa cimeira sobre as alterações climáticas em de Katowice, na Polónia.

Carlos García Soto, investigador do Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO) que participou na reunião da ONU para o Relatório Mundial sobre o Estado do Meio Ambiente Marinho realizada em Nova York, nos dias 23 e 24 de Agosto, confirmou que os oceanos são a casa de mais de 90% do calor gerado pelos gases com efeito de estufa.

Entre as consequências já conhecidas, estão os efeitos na distribuição e sobrevivência da biota – nomeadamente os corais – a elevação do nível médio da água do mar com efeito nas populações e o desaparecimento progressivo do gelo do Árctico.

Além disso, esta percentagem elevada de calor afecta a salinidade, resultando numa maior estratificação da coluna de água, e, associada a esta última, a desoxigenação de grandes zonas profundas, assim como uma maior acidez provocada pelo dióxido de carbono (CO2).

Soto sublinha que estamos actualmente a viver um momento “de crise oceânica global em múltiplas frentes cuja solução requer o esforço de todos”.

Por este motivo, segundo o investigador do IEO, foi designada na reunião da ONU uma comissão de especialistas para a elaboração do novo relatório periódico do estado do meio ambiente dos oceanos, que deverá estar pronto em Julho de 2019.

O relatório periódico representa o mecanismo global da ONU para a vigilância do estado dos oceanos, “incluindo aspectos socioeconómicos de uma maneira sistemática”, refere Soto.

“Os oceanos não são uma fonte inesgotável de recursos e serviços, e também não têm uma capacidade de carga ilimitada”, explicou o cientista.

Uma gestão sustentada é a chave para a atingir o Objectivo de Desenvolvimento Sustentado número 14 da ONU, que aborda a conservação e o uso sustentável dos oceanos.

ZAP // EFE

Por ZAP
29 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 7 erros ortográficos ao texto original)

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807: Apenas 13% dos oceanos não foram alterados pelo ser humano

worldworldworld / Flickr

Os oceanos cobrem aproximadamente 70% de toda a superfície da Terra e parece que nada desta expansão marinha está fora do alcance do ser humano – apenas 13% dos mares permanecem inalterados. 

Em todo o mundo, só 13,2% dos mares – cerca de 54 milhões de quilómetros quadrados – estão num estado verdadeiramente selvagem, não tendo sido alterados pelo Humano, aponta um novo estudo publicado esta quinta-feira na Current Biology.

Em termos de comparação, a Ásia cobre uma área total de 44,5 milhões de quilómetros

“Quase toda a área ainda selvagem está localizada no Árctico, na Antárctida ou nas ilhas remotas do Pacífico”, disse Kendall Jones, co-autor do estudo e especialista em planeamento da Wildlife Conservation Society à Live Science.

Acrescentando que “nas regiões costeiras, onde a actividade humana é mais intensa, quase não há mais nenhuma área selvagem”.

“Descobrimos também que quase toda a natureza selvagem está desprotegida, deixando-a assim vulnerável para a ser perdida na totalidade a qualquer momento, já que as melhorias nas tecnologias de pesca e navegação nos permitem chegar e pescar mais fundo nos oceanos”, explicou.

Talvez tão perturbador quanto estes dados, adiantou Jones, é que: apenas 4,9% da natureza marinha selvagem está localizada em áreas protegidas, nas quais a lei restringe as actividades humanas.

Para o estudo, os investigadores consideraram como natureza selvagem as áreas “livres da intensa actividade humana”. Foram compilados dados sobre os níveis de várias actividades humanas nos mares e, em seguida, os cientistas identificaram as áreas de menor actividade humana.

Os investigadores atribuíram a cada quilómetro quadrado do oceano um valor que avalia o quão afectado o espaço foi por um dos 15 factores causados pelo Homem, tais como pesca, transporte comercial, escoamento de nutrientes e pesticidas e ainda factores relacionados com as alterações climáticas – acidificarão dos oceanos e aumento do nível das águas do mar.

“Os nossos resultados demonstram que não há quase nenhum lugar no oceano onde as pessoas não estejam interessadas em usar para algum propósito”, acrescentou Jones.

Então, o que nos reserva o futuro? Isso depende de como agirmos, explicou o especialista.  “É crucial proteger as áreas selvagens marinhas se quisermos proteger toda a biodiversidade marinha para o futuro”, concluiu.

Por ZAP
29 Julho, 2018

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790: A circulação dos oceanos diminuiu drasticamente (e a culpa não é do aquecimento global)

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

O aquecimento global não é a causa da desaceleração do Oceano Atlântico. Este declínio é, na verdade, parte de um ciclo regular que irá afectar as temperaturas nas próximas décadas.

Os oceanógrafos estão preocupados com a estabilidade a longo prazo da circulação do Oceano Atlântico, dado que diminuiu drasticamente na última década. “O declínio medido desde Abril de 2004 é 10 vezes maior do que o esperado”, diz Kit Tung, professor de matemática aplicada na Universidade de Washington.

“Muitos concentram-se no declínio drástico e na possibilidade de uma era do gelo se esta tendência continuar”, mas nada disso acontecerá no próximo ano. O cientista refere que, em vez disso, este comportamento pode ser parte de um ciclo natural, havendo inclusivamente sinais de que este declínio está já a terminar.

A velocidade da corrente marítima determina a quantidade de calor superficial que é transferido para o oceano mais profundo, sendo que uma circulação mais rápida enviaria mais calor. Se a corrente desacelera, será menos o calor armazenado e a Terra verá a temperatura do ar subir mais rapidamente.

“Os modelos climáticos globais podem projetar o que irá acontecer a longo prazo se o dióxido de carbono aumentar, mas actualmente não têm capacidade de prever o aquecimento da superfície nas próximas décadas”, diz Tung.

A Atlantic Meridional Overturning Circulation, ou circulação termoalina meridional do Atlântico (AMOC), transporta a água da superfície para o norte do Atlântico. Lá, a água salgada mais pesada afunda e retorna em profundidade dos mares de Labrador e Nordic, perto do Pólo Norte, para o sul do oceano Antárctico.

A maioria das pessoas está interessada no que acontece na superfície – a Corrente do Golfo e as correntes atlânticas associadas levam a água mais quente para o norte, trazendo temperaturas amenas para a Europa Ocidental. No entanto,o novo artigo, publicado recentemente na Nature, argumenta que o passo mais importante surge a seguir.

No Atlântico Norte, a água mais salgada dos trópicos afunda quase um quilómetro e, ao fazê-lo, afasta o calor para longe da superfície.

Tung explica que mudanças na força da AMOC afectam a quantidade de calor que sai da nossa atmosfera. O novo estudo usa uma combinação de dados (medições de temperatura baseadas em navios e imagens de satélite) que podem sugerir que a força flutua como parte de um ciclo de 60 a 70 anos.

Quando a corrente é mais rápida, mais água tropical, quente e salgada, viaja para o Atlântico Norte. Com o passar dos anos, os glaciares derretem e a água doce torna a água da superfície mais leve e menos propensa a afundar, diminuindo a corrente.

Quando a AMOC está numa fase particularmente lenta, o Atlântico Norte torna-se mais frio, o derretimento do gelo desacelera e, eventualmente, acelera a circulação.

Assim, esta “nova corrente” não está em colapso, mas sim a transitar da sua fase mais rápida para a fase mais lenta – e isso tem impactos no aquecimento da superfície.

Olhar o passado para prever o futuro

De 1975 a 1998, a AMOC estava numa fase lenta. À medida que os gases com efeito de estufa se acumulavam na atmosfera, a superfície da Terra aquecia. De 2000 até agora, a AMOC está na sua fase mais rápida, na qual o aumento do calor no Atlântico Norte removeu o excesso de calor na superfície da Terra, assim como o que estava armazenado no oceano.

“Como só temos cerca de um ciclo de observações em profundidade, não sabemos se se trata de um ciclo periódico, mas desconfiamos disso”, refere Tung.

Aliás, medições recentes no Mar de Labrador apoiam esta teoria, sugerindo que o ciclo está a começar a mudar. Isto significa que, nos próximos anos, “a temperatura da superfície deverá começar a aumentar“.

Por ZAP
24 Julho, 2018

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