2625: Pela primeira vez, um homem alcançou o ponto mais profundo de todos os 5 oceanos

Saspotato / Flickr

Escondida sob o Estreito de Fram, uma passagem que separa a Gronelândia e Svalbard, fica o ponto mais profundo do Oceano Árctico, onde o fundo do mar chega a 5.550 metros. Agora, o explorador Victor Vescovo tornou-se na primeira pessoa a alcançá-lo.

Em 24 de Agosto, Vescovo desceu ao fundo do chamado Molloy Deep, uma vala gelada que fica a 274 quilómetros a oeste de Svalbard, na Noruega. Para chegar a Molloy, Vescovo desceu num submersível chamado DSV Limiting Factor entre 64 a 80 quilómetros da borda de um bloco de gelo, de acordo com um comunicado. Após o mergulho solo inicial de Vescovo, a equipa mergulhou mais duas vezes.

“Estava frio, claro, e tivemos apenas seis a oito semanas de bom tempo por ano para experimentar”, disse Vescovo ao Live Science. “No inverno, o local de mergulho é coberto de gelo e, quando não é, as tempestades podem ser um problema“.

A expedição inteira foi cronometrada em torno das estreitas janelas climáticas que permitiriam mergulhar nos oceanos Árctico e Meridional. “Felizmente, os deuses do tempo sorriram-nos este ano.”

Com os mergulhos mais recentes, Vescovo e a sua equipa concluíram a “Expedição Five Deeps”, uma missão para chegar ao fundo dos cinco oceanos do mundo – uma conquista filmada para Deep Planet, uma série de documentários que será exibida no Discovery Channel ainda este ano.

Vescovo já desceu até a parte mais profunda do Oceano Atlântico, o Oceano Antárctico, o Oceano Índico e do o Oceano Pacífico. Em maio, quebrou o recorde de James Cameron com o mergulho a solo mais profundo de todos os tempos no Oceano Pacífico. O explorador desceu 10.927 metros do Challenger Deep, o ponto mais profundo do planeta e parte da Fossa das Marianas.

Vescovo disse que a sua parte favorita de estar nas profundezas era o facto de estar a ir a um lugar ninguém tinha ido antes e “trazendo luz a lugares que não a veem há milhões de anos”. Explorar as profundezas era um sonho de Vescovo desde que era criança, quando lia história sobre as grandes aventuras dos exploradores do século XX.

“Com a equipa certa, talentosa e apaixonada, e a tenacidade de superar contratempos, tudo é possível”, disse. “Ainda há uma quantidade enorme de coisas para explorar pela primeira vez neste mundo”.

Este mergulho também fez de Vescovo a primeira pessoa a mergulhar na parte mais profunda de todos os oceanos do mundo.

ZAP //

Por ZAP
12 Setembro, 2019

 

2580: Um enorme navio quebra-gelo vai ficar preso (de propósito) no oceano Árctico

CIÊNCIA

O navio quebra-gelo RV Polarstern vai sair da Noruega nas próximas semanas, com destino ao Árctico, para estudar nos próximos meses como as alterações climáticas estão a remodelar este oceano.

Um dos navios mais indestrutíveis do mundo — RV Polarstern — vai partir da Noruega no próximo dia 20 de Setembro, em direcção ao Oceano Árctico, onde ficará preso nos próximos 13 meses (de forma propositada). O quebra-gelo tem um objectivo ambicioso: determinar como as alterações climáticas estão a remodelar este oceano, escreve o Live Science.

A expedição, chamada de Multidisciplinary drifting Observatory for the Study of Arctic Climate (MOSAIC) — algo como Observatório Multidisciplinar de Deriva para o Estudo do Clima do Árctico —, está a ser planeada há anos. Com um investimento de mais de 118 milhões de euros, vai exigir a participação de mais de 600 pessoas, entre cientistas e equipa técnica.

O líder da expedição, Markus Rex, do Instituto Alfred Wegener (que opera o Polarstern), afirma que o navio vai entrar provavelmente no gelo marinho flutuante em meados de Outubro e depois ficará à deriva no Árctico, cercado de gelo, até ao próximo verão, antes de voltar ao seu porto de origem em Bremerhaven, na Alemanha, no outono.

A MOSAIC vai investigar as fontes de energia ambiental envolvidas no derretimento e movimentação do gelo marinho; a formação e precipitação das nuvens do Árctico e os efeitos das transferências de calor e massa entre a atmosfera, o gelo e o oceano. Depois, as descobertas serão usadas para refinar os modelos computacionais do clima global.

Em diferentes fases da expedição, centenas de pessoas vão ser transportadas para este navio através de outros quatros quebra-gelo — a partir da Suécia, Rússia e China — e por aeronaves que vão pousar numa pista de gelo construída nas proximidades.

Ao contrário de outras expedições científicas, os cientistas vão estudar o ambiente do Árctico durante todo o seu ciclo anual de congelamento e descongelamento, desde o crescimento do gelo marinho no outono até à sua ruptura no verão seguinte.

Quando o gelo for espesso o suficiente (cerca de 1,5 quilómetros de espessura), vão ser instalados acampamentos e instrumentos científicos a até 50 quilómetros do navio. As medições serão feitas até quatro mil metros abaixo da superfície e a altitudes superiores a 35 mil metros.

A nova expedição recorda a viagem realizada, no final do século XIX, pelo Fram, navio de Fridtjof Nansen. O cientista norueguês e a sua equipa de 12 elementos deixaram Tromsø, a mesma cidade de onde vai partir agora o RV Polarstern, em Julho de 1893, e começaram a flutuar pelo gelo marinho em Outubro, perto das Ilhas da Nova Sibéria.

Depois de andar à deriva durante quase dois anos, Nansen ficou insatisfeito com o progresso do navio, tendo decidido deixá-lo, em Março de 1895, na tentativa de alcançar o Polo Norte sobre o gelo, juntamente com Hjalmar Johansen, um dos tripulantes.

Mas menos de um mês mais tarde, o frio intenso e o agravamento do clima obrigaram os dois exploradores a suspender a expedição e a passar o inverno polar na Terra de Francisco José, um arquipélago polar russo.

Nansen e Johansen acabariam por ser resgatados por outra expedição no Árctico, e o Fram permaneceu congelado até Agosto de 1896, antes de voltar com a restante equipa para a Noruega.

ZAP //

Por ZAP
5 Setembro, 2019

 

1653: Já há data para o primeiro verão sem gelo no Árctico

NASA GODDARD/ KATY MERSMANN

O oceano Árctico pode ficar sem de gelo durante o verão nos próximos 20 anos devido a uma fase de aquecimento natural que se faz sentir já há algum tempo no Pacífico tropical, sendo depois exacerbada pela actividade do Homem.

Modelos computacionais preveem que a mudança climática tornará o Árctico quase livre de gelo marinho durante o verão em meados deste século, a menos que as emissões de gases de efeito de estufam sejam reduzidas em grande medida pelos humanos.

Contudo, uma análise mais detalhada sobre os ciclos de temperatura a longo prazo no Pacífico tropical aponta para um Árctico sem gelo em Setembro, o mês com menos gelo marinho, segundo descreve um novo estudo esta semana publicado na científica Geophysical Research Letters.

“A trajectória aponta para a ausência de gelo no verão, mas não se sabe ao certo quando acontecerá”, explicou James Screen, professor associado de ciência do clima da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e autor principal do estudo em comunicado.

Existem vários modelos climáticos utilizados pelos cientistas para prever quando ocorrerá o primeiro Setembro sem gelo. A maioria dos modelos projecta que haverá menos de 1 milhão de quilómetros quadrados de gelo marinho até meados deste século, as projecção de quando isso acontecerá variam em janelas de tempo de 20 anos devido a flutuações climáticas naturais.

O modelo climático utilizado no novo estudo prevê um verão árctico sem gelo entre 2030 e 2050, se os gases de efeito estufa continuarem a subir ao ritmo actual.

Tendo em conta a fase de aquecimento de longo prazo no Pacífico tropical, uma nova investigação aponta que é mais provável que um Árctico sem gelo ocorra mais perto de 2030 do que em 2050.

ZAP //

Por ZAP
2 Março, 2019

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1402: O maior puzzle do Mundo é uma ilha congelada na Rússia

CIÊNCIA

Lauren Dauphin/ NASA

Localizado entre o Oceano Árctico e os mares gelados do norte da Sibéria, o aglomerado de rochas, conhecidas como as Ilhas da Nova Sibéria, é frio e remoto.

As ilhas são uma tela quase desabitada coberta de neve, durante aproximadamente três quartos do ano. Mas, vistas do céu, como na imagem de satélite divulgada pela NASA a 1 de Dezembro, as ilhas parecem completamente diferentes.

Na foto captada pelo satélite Landsat 8, as Ilhas Anzhu – um subconjunto das Ilhas da Nova Sibéria – estão rodeadas por um mar, que parece um puzzle de gelo gigante. Segundo a NASA, não é incomum que o gelo se agarre a estas ilhas geladas durante todo o ano, embora “a aparência do gelo possa mudar diariamente, alterada por correntes, ventos e ciclos sazonais de congelamento e derretimento”.

Quando as temperaturas acima do congelamento de verão libertam brevemente as ilhas da sua cobertura regular de neve, surgem mosaicos de gelo como o captado em Junho de 2016. Algumas semanas antes da imagem, a mesma paisagem teria sido completamente branca. Alguns meses depois, a neve voltaria novamente para outro longo inverno árctico.

As águas mostradas na imagem são relativamente rasas e contêm gelo durante a maior parte do ano. A separação rápida é aparente, geralmente, a partir de Junho. Em Setembro, o gelo do mar derrete a um ponto que torna o acesso humano cada vez mais viável, especialmente para a rota de navegação através do Estreito de Sannikov.

O Landsat 8 foi lançado em 2013 em uma colaboração entre a NASA e o US Geological Survey. Segundo a NASA, o satélite capta toda a Terra a cada 16 dias.

ZAP // Live Science

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

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957: Cientistas descobriram uma “bomba relógio” debaixo do oceano Árctico

usgeologicalsurvey / Flickr

O Árctico não está apenas ameaçado pelo derretimento do gelo na sua superfície. Um novo estudo mostra que há também um reservatório de água aquecida que se está a acumular debaixo do oceano.

Segundo o Science Alert, uma nova pesquisa descobriu evidências de um vasto reservatório de água aquecida que se está a acumular debaixo do Oceano Árctico e a penetrar de forma profunda no coração da região polar, ameaçando derreter o gelo que se encontra no topo.

“Documentámos um aquecimento oceânico impressionante numa das principais bacias do interior do Oceano Árctico, a Bacia do Canadá”, explica a oceanógrafa da Universidade de Yale Mary-Louise Timmermans.

A investigadora e o resto da equipa analisaram as temperaturas registadas nessa bacia nos últimos 30 anos e descobriram que a quantidade de calor na parte mais quente da água efectivamente duplicou no período entre 1987 e 2017.

Esta bacia, situada a norte do Alasca, nos Estados Unidos, é composta por camadas mistas de água oceânica, com água fria na superfície e água mais quente e salgada por baixo.

São as condições de aquecimento rápido do reservatório mais quente que deixam os cientistas a reflectir. “Actualmente, este calor está preso abaixo da camada superficial“, explica Timmermans. “Devia misturar-se até à superfície, existe calor suficiente para derreter por completo o gelo que cobre esta região durante a maior parte do ano”.

De acordo com os investigadores, cujo estudo foi publicado esta semana na revista científica Science Advances, as águas submersas mais quentes têm “arquivado” o calor devido ao “aquecimento solar anómalo” das águas superficiais no norte do Mar de Tchuktchi, que alimenta a Bacia do Canadá.

Basicamente, à medida que o gelo do mar derrete sazonalmente e cada vez mais no Mar de Tchuktchi, a água aberta é exposta ao calor da luz solar, aquece e é levada para o norte pelos ventos do Árctico – um fenómeno actual chamado de Beaufort Gyre.

(dr) Yale University

Enquanto esta água aquecida viaja para o Árctico, as águas mais quentes descem abaixo da camada mais fria da Bacia do Canadá – mas a quantidade que aqueceu nas últimas três décadas pode representar “uma bomba-relógio“, alertam os cientistas.

“Este calor não vai desaparecer”, disse à CBC John Toole, um dos investigadores desta equipa e oceanógrafo do Instituto Oceanográfico Woods Hole. “Eventualmente… vai ter que subir à superfície e vai embater contra o gelo”.

Os cientistas pensam que esta ainda não é uma ameaça imediata, no entanto, ventos fortes misturados com camadas de água mais frias e mais quentes – ou um aumento da salinidade, movendo a água mais quente para cima – podem afectar severamente o gelo do Árctico.

E mesmo que esses resultados não aconteçam, a trajectória de temperatura já vista poderia estar a afectar a cobertura de gelo de forma mais subtil, embora ainda ninguém saiba as ramificações exactas.

“Resta ver como as perdas contínuas de gelo irão mudar fundamentalmente a estrutura e a dinâmica da coluna de água”, explicam os autores no estudo, embora notem que nos próximos anos o excesso de calor “vai dar origem a fluxos de calor ascendentes, criando efeitos compostos no sistema ao diminuir o crescimento do gelo marinho no inverno”.

É preciso mais pesquisa para calcular quão séria é esta situação, porém, não há forma de negar que estes mecanismos fazem todos parte de um problema muito maior – e um que não vai desaparecer.

“Estamos a ver cada vez mais águas abertas quando o gelo marinho recua no verão”, diz Timmermans à Canadian Press. “O Sol está a aquecer o oceano directamente, porque este não está mais coberto pelo gelo do mar”.

ZAP //

Por ZAP
3 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 16 erros ortográficos ao texto original)

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