4637: Afinal, o pinguim-gentoo pode ser dividido em quatro espécies distintas

CIÊNCIA/EVOLUÇÃO

Liam Quinn / Flickr

Apesar de partilharem praticamente a mesma aparência, em habitats não tão distantes, o pinguim-gentoo parece ter-se dividido em quatro populações que têm pouco a ver umas com as outras.

O pinguim-gentoo (Pygoscelis papua) foi descoberto, pela primeira vez, no Oceano Antárctico, em 1781. Desde então, os cientistas dividiram as suas populações em duas subespécies: uma que vive nas Ilhas Falkland (P. p. papua) e outra que vive nas Ilhas Shetland do Sul e na Península Antárctica Ocidental (P. p. ellsworthi). Mas, agora, conta o site Science Alert, parece que a espécie foi dividida em quatro.

“Pela primeira vez, mostrámos que estes pinguins não são apenas geneticamente distintos, mas também fisicamente diferentes”, disse Jane Younger, que estuda genómica populacional na Universidade de Bath, em Inglaterra.

“Os pinguins-gentoo tendem a ficar perto das suas colónias de origem e, ao longo de centenas de milhares de anos, ficaram geograficamente isolados uns dos outros ao ponto de não se cruzarem entre si, embora pudessem facilmente nadar a distância que os separa”, acrescenta.

Ao usar dados do genoma e medições de amostras de museus, os investigadores encontraram diferenças claras nos genes e na morfologia dos pinguins-gentoo. E estas são grandes o suficiente para que os investigadores pensem que as duas subespécies já reconhecidas devem ser elevadas à categoria de espécie, assim como duas outras novas.

“À primeira vista, parecem muito parecidos, mas quando medimos os seus esqueletos, encontrámos diferenças estatísticas no comprimento dos ossos e no tamanho e na forma dos bicos”, explica Josh Tyler, biólogo evolucionista da mesma universidade britânica e autor principal do estudo publicado, a 5 de Novembro, na revista científica Ecology and Evolution.

Segundo o mesmo site, o seu ADN por si só é uma indicação inabalável, confirmando que estes grupos não estão a reproduzir-se. Ou seja, esta diferença básica sugere que as quatro espécies estão a evoluir independentemente umas das outras.

Uma das novas espécies foi identificada nas Ilhas Kerguelen e, em 1927, foi brevemente classificada como uma subespécie (P. p. Taeniata). A quarta espécie vive na Ilha Geórgia do Sul e nunca tinha sido descrita. A equipa chamou-a de Pygoscelis poncetii, em homenagem à cientista e exploradora australiana Sally Poncet, que passou muito tempo nesta ilha a investigar a vida selvagem e a escrever relatórios de conservação.

ZAP //

Por ZAP
12 Novembro, 2020


3783: Cientistas identificam a região com o ar mais limpo à face da Terra

CIÊNCIA/AMBIENTE/ANTÁRCTIDA

GRID Arendal / Flickr

Uma equipa de cientistas da Universidade Estadual do Colorado (EUA) identificou a região atmosférica que possui o ar mais limpo à face da Terra.

Os especialistas, liderados pela professora Sonia Kreidenweis, descobriram que a camada limite do ar que alimenta as nuvens mais baixas sobre o Oceano Antárctico permanece quase totalmente inalterado pela actividade Humana, conta o portal Tech Explorist.

O ar desta região é prístino, quase totalmente livre de partículas poluentes resultantes de actividades antropogénicas ou transportadas de outras regiões distantes, detalharam os cientistas na nova investigação, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Proceedings of the National Academy of Sciences.

Partindo do pressuposto que o ar que está sobre o remoto Oceano Antárctico seria um dos menos afectados pela actividade humanos, os cientistas levaram a cabo esta investigação para descobrir os compostos que estavam no ar e qual a sua origem.

“Conseguimos utilizar as bactérias existentes no ar sobre o Oceano Antárctico como uma ferramenta de diagnóstico para inferir as principais propriedades da atmosfera mais baixa”, começou por explicar Thomas Hill, co-autor do estudo, citado em comunicado.

Através deste método, continuou, “[descobrimos], por exemplo, que os aerossóis que controlam as propriedades das nuvens do Oceano Antárctico estão fortemente ligados aos processos biológicos oceânicos e que a Antárctida parece estar isolada da dispersão de micro-organismos para sul (…).

“Globalmente, [a nossa investigação] sugere que o Oceano Antárctico é um dos poucos lugares à face da Terra que foi minimamente afectado por actividade antropogénicas”.

O facto de o ar encontrado ser tão limpo acabou por “prejudicar” os objectivos desta investigação – afinal, havia muito pouco para analisar. “O ar sobre o Oceano Antárctico estava tão limpo que havia muito pouco ADN para trabalhar”, escreveram os cientistas.

ZAP //

Por ZAP
4 Junho, 2020

 

 

1199: “Monstro-Galinha sem cabeça” filmado pela primeira vez no Oceano Antárctico

CIÊNCIA

Sem cabeça, com aparência de galinha, tentáculos para se mover e corpo transparente, esta criatura estranha foi filmada no fundo do mar do Oceano Antárctico, pela primeira vez. Um momento raro que ajuda a dar ainda mais fama ao “Monstro-Galinha sem cabeça”, como é conhecido este pepino do mar.

Cientificamente baptizado como Enypniastes eximia, este pepino do mar peculiar é mais familiarmente apelidado de “Monstro-Galinha sem cabeça”, dada a sua estranha aparência.

A criatura, que só tinha sido filmada antes no Golfo do México, em 2017, foi agora descoberta numa zona do Oceano Antárctico, graças a uma câmara subaquática desenvolvida pela Divisão Antárctica Australiana que faz parte do Departamento de Ambiente e Energia deste país.

Esta câmara foi criada para monitorizar a pesca comercial de linha longa e permitiu captar o estranho animal que tem de comprimento entre 6 a 25 centímetros, segundo um estudo divulgado em 1990.

Estas câmaras subaquáticas são lançadas à água anexadas a equipamentos de pesca, podendo alcançar profundidades de até três quilómetros abaixo do nível do mar, segundo refere o Mashable.com.

“Precisávamos de alvo que pudesse ser atirado do lado de um barco e continuar a operar de forma confiável sob pressão extrema, na completa escuridão, durante longos períodos de tempo”, explica Dirk Welsford, da Divisão Antárctica Australiana, num comunicado.

“Algumas das filmagens que estamos a receber das câmaras são de tirar o fôlego, incluindo espécies que nunca vimos nesta parte do mundo”, destaca Welsford.

Este elemento frisa que as câmaras estão a facultar “informação importante” sobre o fundo do mar, que pode contribuir para “melhorar práticas sustentáveis de pesca”.

As autoridades australianas esperam, agora, criar uma nova área protegida do Oceano Antárctico Oriental para proteger o “Monstro-Galinha sem cabeça”, bem como “a incrível abundância e variedade de vida marinha”, como aponta a responsável da Comissão para a Conservação dos Recursos da Vida Marinha Antárctida, Gillian Slocum.

ZAP //

Por ZAP
26 Outubro, 2018

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