2656: O novo Oumuamua pode ter sido captado numa fotografia a cores

CIÊNCIA

Gemini Observatory

Os astrónomos do Observatório Gemini no Hawai tiraram a primeira fotografia do GB00234, agora rebaptizado para C/2019 Q4 Borisov, um objecto que pode ser o segundo corpo celeste interestelar a entrar no Sistema Solar.

A imagem mostra um objecto com uma órbita hiperbólica, um núcleo brilhante, uma atmosfera difusa e uma cauda, tudo características que adensam ainda mais a possibilidade de este ser o primeiro cometa vindo de fora do Sistema Solar a visitar-nos.

De acordo com o comunicado do Observatório Gemini, “esta é a primeira vez que um visitante interestelar do nosso Sistema Solar mostra claramente uma cauda gerada por desgaseificação”, isto é, pela libertação de gases à medida que o núcleo gelado dos cometas se aproxima do Sol e aquece.

Oumuamua, o primeiro objecto a visitar o Sistema Solar e o único confirmado até agora, não tinha essa cauda, embora tenha sido confundido com um cometa por causa da velocidade a que se deslocava.

Andrew Stephens, coordenador das observações, explicou que “esta imagem foi possível por causa da capacidade dos telescópios para ajustarem rapidamente as observações e olharem para objectos como este, que têm uma janela de observação muito curta”. “Mas tivemos mesmo de lutar por esta fotografia, porque os últimos detalhes que tínhamos eram das 3h00 e estávamos a fazer as observações às 4h45”, acrescenta.

Neste momento, C/2019 Q4 Borisov está a 400 milhões de quilómetros do Sol — mais de 2,5 vezes a distância entre a Terra e a nossa estrela — e viaja a uma velocidade de 150 mil quilómetros por hora. À medida que se aproxima do Sol, o cometa torna-se cada vez mais brilhante.

“Actualmente, está próximo da posição aparente do Sol no nosso céu e, consequentemente, é difícil de observar devido ao brilho do crepúsculo. O caminho hiperbólico do cometa levá-lo-á a condições de observação mais favoráveis ​​nos próximos meses”, garante o Observatório Gemini.

C/2019 Q4 Borisov foi descoberto a 30 de Agosto deste ano por Gennady Borisov, um astrónomo amador ucraniano do Instituto Astronómico Robert Sternberg.

Na semana passada, a NASA emitiu um comunicado a confirmar que “um cometa recém descoberto está a entusiasmar a comunidade astronómica esta semana porque parece ter origens fora do Sistema Solar”. A agência espacial norte-americana avança ainda que o cometa continua mais longe do Sol do que a órbita de Marte. Só a 8 de Dezembro chegará ao ponto de maior aproximação ao Sol, em que ficará a 190 milhões de quilómetros da nossa estrela — mais 40 milhões que a distância média entre a Terra e o Sol.

A importância do primeiro Oumuamua reside no facto de ser o primeiro asteróide detectado que não vem do Sistema Solar. A natureza do “Mensageiro das Estrelas” está rodeado de mistérios desde o dia em que foi descoberto por astrónomos da Universidade do Hawai, em Outubro de 2017.

Depois de constatar mudanças na velocidade do seu movimento, o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian sugeriu que o asteróide poderia ser uma “sonda” enviada à Terra intencionalmente por uma “civilização alienígena”.

No último ano, o mundo da astronomia debruçou-se no estudo do corpo celeste e as mais várias teorias já foram apresentadas em artigos científicos: desde o seu passado violento, passando pela possibilidade de ser um sistema binário, e até o provável local de onde veio o Oumuamua.

Recentemente, investigadores da Universidade de Harvard sugeriram que milhares de objectos semelhantes ao Oumuamua podem estar presos no Sistema Solar.

ZAP //

Por ZAP
17 Setembro, 2019

 

781: ASTRÓNOMOS ENCONTRAM GÉMEO DE EXOPLANETA

Imagem directa do sistema 2MASS 0249 obtida com a WIRCam do CFHT. 2MASS 0249 c está localizado a 2000 UA da anã castanha binária, cuja imagem acima não separou em componentes individuais.
Crédito: T. Dupuy, M. Liu

No que toca a exoplanetas, as aparências enganam. Os astrónomos fotografaram um novo planeta e parece quase idêntico a um dos planetas gigantes gasosos mais bem estudados. Mas esse “gémeo” difere de uma maneira muito importante: a sua origem.

“Nós encontrámos um gigante gasoso que é um gémeo virtual de um planeta conhecido anteriormente, mas parece que os dois objectos se formaram de maneiras diferentes,” afirma Trent Dupuy, astrónomo do Observatório Gemini e líder do estudo.

Emergindo de berçários estelares de gás e poeira, as estrelas nascem como gatinhos numa ninhada, em grupos, e inevitavelmente afastam-se desse local. Estas ninhadas compreendem estrelas que variam muito, desde minúsculas incapazes de gerar a sua própria energia (chamadas anãs castanhas) a estrelas massivas que terminam as suas vidas em explosões de super-nova. No meio deste turbilhão, formam-se planetas em redor destas jovens estrelas. E assim que o berçário estelar esgota o seu gás, as estrelas (com os seus planetas) deixam o local onde nasceram e vagueiam livremente pela Galáxia. Devido a este êxodo, os astrónomos pensam que podem existir planetas nascidos ao mesmo tempo, no mesmo berçário estelar, mas em órbita de estrelas que se afastaram umas das outras ao longo das eras, como irmãs há muito perdidas.

“Até à data, os exoplanetas descobertos através de observação directa são basicamente singulares, cada um distinto do outro no que toca a aparência e idade. Encontrar dois exoplanetas com aparências quase idênticas e ainda assim com formações tão diferentes abre uma nova janela para a compreensão destes objectos,” afirma Michael Liu, astrónomo do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii, colaborador deste trabalho.

Dupuy, Liu e outros cientistas identificaram o primeiro caso de um gémeo planetário. Um gémeo é já conhecido há muito tempo: beta Pictoris b, com 13 vezes a massa de Júpiter, foi um dos primeiros planetas descobertos directamente em 2009. O novo objecto, de nome 2MASS 0249 c, tem a mesma massa, brilho e espectro que beta Pictoris b. Depois de descobrirem este objecto com o CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope), Dupuy e colaboradores determinaram que 2MASS 0249 c e beta Pictoris b nasceram no mesmo berçário estelar. À superfície, isso faz com que os dois objectos não sejam apenas semelhantes, mas sim verdadeiros irmãos.

No entanto, os planetas têm situações de vida muito diferentes, nomeadamente os tipos de estrelas que orbitam. A estrela-mãe de beta Pictoris b é 10 vezes mais luminosa que o Sol, enquanto 2MASS 0249 c orbita um par de anãs castanhas 2000 vezes mais ténues do que o Sol. Além disso, beta Pictoris b está relativamente próximo da hospedeira estelar, cerca de 9 UA (1 UA, ou unidade astronómica, é a distância entre a Terra e o Sol), enquanto 2MASS 0249 c está a 2000 UA do binário.

Estes arranjos drasticamente diferentes sugerem que as formações dos planetas não foram, de todo, semelhantes. A imagem tradicional da formação dos gigantes gasosos, onde os planetas começam como pequenos núcleos rochosos em redor da estrela-mãe e crescem acumulando gás do disco estelar, provavelmente deu origem a beta Pictoris b. Em contraste, as hospedeiras de 2MASS 0249 c não tinham um disco suficiente para fabricar um gigante gasoso, de modo que o planeta provavelmente foi formado através da acumulação directa de gás do berçário estelar original.

“2MASS 0249 c e beta Pictoris b mostram-nos que a Natureza dispõe de mais do que uma maneira para fazer exoplanetas de aparência muito semelhante,” comenta Kaitlin Kratter, astrónoma da Universidade do Arizona e colaboradora desta investigação. “beta Pictoris b foi provavelmente formado como a maioria dos gigantes gasosos, começando com minúsculos grãos de poeira. Em contraste, 2MASS 0249 c parece-se com uma anã castanha falhada formada a partir do colapso de uma nuvem de gás. Ambos os objectos são considerados exoplanetas, mas 2MASS 0249 c ilustra que uma classificação tão simples pode esconder uma realidade complicada.”

A equipa identificou 2MASS 0249 c pela primeira vez em imagens do CFHT, e as suas observações subsequentes revelaram que o objecto orbita a uma grande distância das suas hospedeiras. O sistema pertence ao Grupo Móvel de Beta Pictoris, um conjunto amplamente disperso de estrelas cujo nome honra a famosa estrela hospedeira do planeta. As observações da equipa com o Telescópio W. M. Keck determinaram que a hospedeira é na verdade um par de anãs castanhas bem separadas. Assim sendo, o sistema 2MASS 0249 é composto por duas anãs castanhas e por um planeta gigante gasoso. A espectroscopia de acompanhamento de 2MASS 0249 c com o IRTF (Infrared Telescope Facility) da NASA e com o telescópio de 3,5 metros em Apache Point demonstrou que partilha a notável semelhança com beta Pictoris b.

O sistema 2MASS 0249 é um alvo atraente para estudos futuros. A maioria dos planetas com imagem directa estão muito próximos das suas estrelas, inibindo estudos detalhados devido à brilhante luz estelar. Em contraste, a grande separação entre 2MASS 0249 c e o seu binário hospedeiro tornará as medições de propriedades como o seu clima e composição muito mais fáceis, levando a uma melhor compreensão das características e origens dos planetas gigantes gasosos.

O trabalho foi aceite para publicação na revista The Astronomial Journal.

Astronomia On-line
20 de Julho de 2018

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490: Os cientistas confirmam: Úrano cheira mesmo a ovos podres

(dr) NASA / JPL-Caltech
Imagem de Úrano captada pela Voyager 2 da NASA em Janeiro de 1986

Uma equipa de astrónomos finalmente conseguiu provar que a atmosfera de Úrano têm um cheiro terrível. A culpa é do sulfeto de hidrogénio, o gás que faz com que os ovos podres (ou a flatulência) tenham um cheiro tão desagradável.

De acordo com o Science Alert, uma equipa internacional de astrónomos, liderada pelo investigador da Universidade de Oxford, Patrick Irwin, conseguiu dar uso ao Observatório Gemini para explorar Úrano mais a fundo.

Os investigadores conseguiram finalmente mostrar a presença de sulfeto de hidrogénio nas nuvens no topo da atmosfera do planeta e assim comprovar a teoria lançada há vários anos e que já era tida como a mais provável entre a comunidade científica.

Conclusão: Úrano emana um cheiro muito semelhante ao dos ovos podres (ou da flatulência) devido à presença deste gás na parte superior da sua atmosfera.

O estudo, publicado na revista científica Nature Astronomy, relançou o debate: qual é afinal o composto químico que domina a atmosfera deste planeta? O sulfeto de hidrogénio ou o amoníaco?

Segundo o Science Alert, esta investigação diferencia Úrano dos outros planetas gasosos do nosso Sistema Solar, como Júpiter e Saturno, que têm uma grande quantidade de amoníaco nas suas atmosferas, mas nenhum sulfeto de hidrogénio acima das nuvens.

Além disso, o estudo também pode fornecer novas pistas sobre Neptuno, que é um planeta composicionalmente parecido com Úrano, mas ainda mais distante e, por isso, mais difícil de conhecer.

“Durante a formação do nosso Sistema Solar, o equilíbrio entre nitrogénio e enxofre (e, portanto, o amoníaco e o sulfeto de hidrogénio recentemente detectado em Úrano) foi determinado pela formação do planeta“, explicou Leigh Fletcher, cientista da Universidade de Leicester, citado pelo mesmo site.

Isto significa que Saturno e Júpiter provavelmente se formaram à parte de Úrano e de Neptuno, assim como todos estes planetas se teriam formado à parte dos planetas rochosos tais como Mercúrio, Vénus, Terra e Marte.

Agora, os cientistas esperam que a próxima geração de telescópios terrestres e espaciais, como o Telescópio Gigante de Magalhães e o Telescópio Espacial James Webb, sejam capazes de fornecer mais detalhes sobre esta descoberta.

Uma coisa é certa: “Se um humano azarado tivesse de descer as nuvens de Úrano, seria confrontado com condições muito desagradáveis“, afirma Irwin num comunicado, citado pelo site Space.

No entanto, acrescenta o investigador, o cheiro desagradável seria o menor dos problemas porque esta pessoa estaria sujeita a “asfixia e exposição a uma temperatura de -200ºC, numa atmosfera composta sobretudo por hidrogénio, hélio e metano”.

ZAP //

Por ZAP
26 Abril, 2018

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