1588: Três objectos misteriosos caíram do céu em localidade espanhola (e ninguém sabe o que são)

(CC0/PD) pxhere

O responsável de de Cogollos de Guadix, na fronteira com o Parque Natural da Serra Navada, relatou a queda de um objeto “não identificado” num telhado da vila. Eduardo Martos entrou em contacto com a Universidade de Granada para identificar o objeto.

Segundo o jornal local Ideal, o diâmetro do impacto na casa é de dois metros, embora as autoridades ainda não tenham conseguido aceder ao interior porque os seus donos não estão em casa.

Não sabemos se é um meteorito ou um deslizamento de terra”, disse Martos, acrescentando que a descoberta nas proximidades da Rua Granada deixa todas as pessoas intrigadas. Na madrugada de segunda-feira, os vizinhos da cidade garantem vislumbrar várias luzes, semelhantes, como apontam, a estrelas cadentes.

O presidente da câmara local pediu ajuda à Universidade de Granada para investigar o caso. Em Guadix há quem fale de “uma espécie de chuva de meteoritos”, mas a verdade é que a natureza destes objectos ainda não é clara.

Contudo, para o jornal ABC, um fenómeno meteorológico é, de facto, a explicação mais plausível. Apesar de os cientistas não terem especificado uma causa, já descartam a possibilidade de ser um meteorito, dado que nenhum observatório de astrofísica observou este evento.

“Foi algo muito local”, referiu o astrónomo José María Madiedo, da Universidade de Huelva, onde não houve incidentes notáveis. Na sua opinião, seria um fenómeno “eléctrico”, conhecido como a queda de um raio globular ou em bola.

Este fenómeno, ao contrário dos raios convencionais, é caracterizado pela descida da electricidade até a superfície da Terra na forma de uma bola. A velocidade de deslocamento pode variar ostensivamente em cada caso, portanto a sua queda pode ser passageira ou lenta.

“Quando este raio de bola toca alguma coisa, coloca a sua energia e parte, neste caso, o telhado da casa”, relatou Madiedo o vereador de Cogollos de Guadix, que conclui: “As luzes que os moradores avistaram a cair do céu podem ter sido um raio globular”.

ZAP //

Por ZAP
13 Fevereiro, 2019

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1552: Há um “saco de plástico vazio” a orbitar a Terra de forma estranha

NASA
Muitos detritos espaciais orbitam a Terra, incluindo satélites não funcionais

Há um objeto estranho a orbitar a Terra e os astrónomos chamaram-lhe A10bMLz – ou então um “saco de plástico vazio”.  É suficientemente grande para ser visto, mas muito leve.

O satélite incomum está a viajar em redor do planeta numa elipse quase absurda, mergulhando a uma distância de 600 quilómetros da superfície e depois balançando a uma distância de 538.261 quilómetros – ou 1,4 vezes a distância média da Terra à Lua.

De acordo com os Observatórios Northolt Branch, em Londres, o objeto é um pedaço de material leve que sobrou de um lançamento de foguete. O que vai fazer a seguir é apenas um palpite.

Segundo os observatórios, o Observatório Haleakala (ATLAS-HKO), no Hawai, foi o primeiro a detectar o objeto. O observatório tem como responsabilidade detectar Near Earth Objects – objectos próximos da Terra – para avisar sobre pedaços que podem vir a impactar o planeta. Este objeto em particular não é perigoso, mas é estranho.

Os cientistas apelidaram-no de A10bMLz. De acordo com os Observatórios do Northolt Branch, é o que é conhecido como um “saco de lixo vazio”. Isso significa que é grande o suficiente para ser visto, mas muito leve. Cientistas do observatório de Londres calcularam que o A10bMLz tem vários metros de largura, mas pesa menos de um quilograma.

Earth Satellite A10bMLz.

A10bMLz: An “empty trash bag object”A10bMLz is an Earth satellite, first observed at ATLAS-HKO, Haleakala on January 25th. It is orbiting the Earth in an unusual, retrograde orbit (i=121°), at an average distance of 262,000 km (0.68 lunar distances). The orbit is highly elliptical, with a perigee just 600 km above the Earth’s surface, and an apogee 1.4 times as far out as the Moon. At the time of our observations, A10bMLz was 293,000 km from Earth.The available data shows that this object has an extremely high area-to-mass ratio of 35 m²/kg, indicating that it is extremely light-weight (with a mass of less than 1 kg), but several metres across. This suggests that it is what is known as an “empty trash bag object”: A piece of light material (probably metallic foil), left over from a rocket launch. It is not clear yet when A10bMLz has been launched.The small mass makes A10bMLz susceptible to solar radiation pressure, changing its orbit chaotically on time scales of days to weeks. As a result, it is currently impossible to reliably predict its future trajectory. It is possible that A10bMLz will reenter Earth’s atmosphere within a few months.”Empty trash bags” have been found previously, but this is the first one in such a distant orbit.Northolt Branch ObservatoriesQhyccd

Publicado por Northolt Branch Observatories em Sábado, 26 de Janeiro de 2019

É provável que o objeto seja um resto de uma folha metálica atirada para o Espaço depois de um lançamento de um foguete. Não se sabe, contudo, quando entrou em órbita ou a que foguete pode pertencer.

Este não é o primeiro “saco de lixo vazio” encontrado em órbita, mas é possivelmente o mais estranho. Nenhum outro objeto deste tipo foi visto a orbitar tão longe. A sua actual órbita estranha, provavelmente, não será permanente.

O objeto tem uma massa tão pequena que os fotões que emanam do Sol podem facilmente empurrá-lo. Por essa razão, a sua órbita provavelmente mudará com frequência, de formas imprevisíveis. O objeto pode até reentrar na atmosfera da Terra e queimar nos próximos meses.

A órbita da Terra está cheia de lixo espacial. Cerca de 500 mil peças individuais de detritos circulam pelo planeta, de acordo com a NASA, e cerca de 50 mil das maiores delas são monitorizadas pela agência espacial e pelo Departamento de Defesa dos EUA. Entre 200 e 400 fragmentos de espaço reentram na atmosfera a cada ano, de acordo com o Serviço Nacional de Satélites, Dados e Informação da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. A maior parte do lixo queima antes de atingir a superfície do planeta.

ZAP // Live Science

Por ZAP
4 Fevereiro, 2019

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912: Estudantes italianos podem ter descoberto nova classe de objecto astronómico

ESA / XMM-Newton, A. De Carlo / INAF

Alunos do Ensino Secundário em Itália descobriram um estranho objecto durante o projecto EXTraS, dedicado a uma busca sistemática por variabilidade nos dados de arquivo do satélite XMM-Newton.

As estrelas podem emitir chamas de intensa radiação de raios-X. Em particular, uma estrela sob a influência de um buraco negro próximo ou uma estrela de neutrões vizinha pode produzir chamas extremamente brilhantes e breves.

Segundo a revista Nature, em busca de tais objectos, a equipa de estudantes no seu último ano do Ensino Secundário em Saronno, Itália, analisou dados do satélite XMM-Newton, identificando um objecto no centro do aglomerado globular NGC 6540 que sofreu um surto curioso em 2005.

Depois de os estudantes terem apresentado as suas descobertas aos cientistas, uma análise feita por Sandro Mereghetti, do Instituto Nacional de Astrofísica de Milão, e dos seus colegas mostrou que a luminosidade do estranho objecto é significativamente maior do que é normalmente observado em erupções estelares de tão curta duração, deixando em aberto a possibilidade de outras interpretações.

De acordo com Mereghetti, a fonte de raios-X brilhou durante cinco minutos. No seu auge, tinha mais de 40 vezes o seu brilho normal. A explosão foi breve demais para ter sido de uma única estrela, mas muito fraca para ter sido produzida por um objecto nas proximidades de um “companheiro”, como um buraco negro ou uma estrela de neutrões.

Isto pode significar que tal objecto não é uma estrela regular, mas sim uma nova classe astronómica. Há provavelmente mais objectos como este escondidos nos arquivos do XMM-Newton, por isso, os cientistas terão de encontrá-los para desvendar este mistério.

Por HS
24 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 9 erros ortográficos ao texto original)

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639: A New Horizons está a chegar ao objecto mais distante que já visitámos

JHUAPL / NASA
A New Horizons a meio caminho entre Úrano e Neptuno

A sonda New Horizons, da NASA, começou a preparar-se para um sobrevoo histórico: a 31 de Dezembro, irá estudar e fotografar o misterioso Ultima Thule – o objecto mais distante que alguma vez tentámos visitar.

Depois de 9 anos de viagem, a New Horizons passou por Plutão em Julho de 2015 e entrou em modo de hibernação a 21 de Dezembro do ano passado, para preservar recursos. A semana passada, a sonda foi acordada pela equipa de operações da missão, do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins (EUA), conforme o programado.

Agora, a New Horizons está a aproximar-se de Ultima Thule, a uma velocidade de mais de 1,2 milhões de quilómetros por dia. Quando ultrapassar este misterioso objecto, por volta do Ano Novo, a New Horizons deverá ter-nos fornecido informações vitais sobre como o nosso sistema solar se formou.

A sonda está a mais de 6 mil milhões de quilómetros de distância da Terra, viajando através da faixa gelada de detritos do sistema solar – a Cintura de Kuiper.

“A nossa equipa já está envolvida no planeamento e nas simulações do nosso próximo voo em Ultima Thule, e está muito empolgada com o facto de a New Horizons estar de novo activa”, explicou o líder da missão, Alan Stern, investigador do Southwest Research Institute em Boulder, nos EUA, em comunicado.

Nos próximos dois meses, a equipa irá testar os comandos da sonda, actualizar a sua memória, recuperar dados científicos sobre a Cintura de Kuiper e completar uma série de verificações de sistemas.

Após essas etapas iniciais, as operações de sobrevoo e observações distantes de Ultima Thule devem iniciar-se no final de Agosto.

Ultima Thule

Oficialmente chamado 2014 MU69, Ultima Thule é um objecto transneptuniano localizado na Cintura de Kuiper. O seu nome, segundo Stern, vem de uma frase nórdica que significa “além das fronteiras mais distantes”.

De fato, se a missão for bem-sucedida, será um recorde: Ultima Thule tornar-se-á o objecto mais longínquo alguma vez visitado pela humanidade, embora a New Horizons não seja a sonda espacial a viajar até mais longe. O título é detido pelas sondas Voyager 1 e 2.

Os cientistas não têm a certeza das dimensões exactas de Ultima Thule. No entanto, a NASA afirmou que parece ser uma rocha em forma de amendoim, e os cientistas suspeitam que tenha até 32 quilómetros de comprimento e 20 de largura.

A New Horizons poderá vir a manter o seu recorde durante décadas, já que nenhuma outra investigação está preparada para fazer uma jornada tão impressionante.

A sonda levou cerca de nove anos, a mais de 56.000 km/h, a chegar Plutão e à Cintura de Kuiper, uma região colossal para lá Neptuno com restos congelados e dispersos da formação do sistema solar. A zona também pode abrigar um planeta do tipo super-terra ainda não descoberto.

“A Cintura de Kuiper é realmente o equivalente a uma escavação arqueológica da história do nosso sistema solar”, disse Stern à rádio WBUR. “Como é muito distante e a luz do sol é muito fraca lá fora, as temperaturas são muito baixas – quase zero absoluto. Isso permite a preservação de vestígios de material, intocado até hoje”.

Mal podemos esperar pelas revelações que a New Horizons nos vai trazer.

ZAP // HypeScience / Space.com / Business Insider

Por HS
12 Junho, 2018

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638: Foram encontrados misteriosos objetos-G no centro da Via Láctea

(dr) STScI / NASA / ESA

Astrónomos descobriram vários objectos bizarros que escondem a sua verdadeira identidade por trás de uma cortina de poeira no centro da nossa galáxia. Parecem-se com nuvens de gás, mas comportam-se como estrelas.

A equipa de investigadores, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriu estes misteriosos objectos a partir de 12 anos de dados extraídos do Observatório W. M. Keck em Maunakea, no Havai.

“Estes objectos estelares empoeirados compactos movem-se extremamente depressa e estão próximos do buraco negro super-massivo da nossa galáxia. É fascinante vê-los movimentar-se de ano para ano. Como chegaram lá? E o que se vão tornar? Devem ter uma história interessante para contar”, disse Anna Ciurlo, uma das principais investigadoras do estudo, no encontro da American Astronomical Society, em Denver.

Os investigadores fizeram esta descoberta ao obter medidas espectroscópicas da dinâmica do gás no centro da Via Láctea através do Keck Observatory’s OH-Suppressing Infrared Imaging Spectrograph (OSIRIS).

“Começámos este projecto a pensar que, se observássemos cuidadosamente a complicada estrutura de gás e poeira perto do buraco negro super-massivo, poderíamos detectar algumas mudanças subtis na sua forma e velocidade”, disse Randy Campbell, chefe de operações científicas do Observatório Keck.

“Foi bastante surpreendente detectar vários objectos que possuem movimentos e características muito distintos que os colocam na classe de objectos-G ou objectos estelares empoeirados”, acrescenta.

Os astrónomos identificaram objectos-G pela primeira vez na Via Láctea em 2004. Inicialmente, pensaram que se tratavam de nuvens de gás, até notarem que os objectos se aproximavam bastante do nosso buraco negro super-massivo, mas sobreviviam à sua atracção gravitacional. Se fossem apenas nuvens de gás, teriam sido destruídas por essa mesma gravidade.

A actual visão que os cientistas têm dos objectos-G é que são estrelas “inchadas”, ou seja, estrelas que se tornaram tão grandes que as forças de maré exercidas pelo buraco negro podem puxar a matéria das suas atmosferas quando se aproximam o bastante dele, mas os seus núcleos possuem massa suficiente para que permaneçam intactas.

Estrelas “inchadas”

Mas, afinal, porque é que estas estrelas são tão grandes? Parece que muita energia foi despejada nos objectos-G, fazendo-os inchar e crescer mais do que as típicas estrelas.

Estes objectos podem ser o resultado de fusões estelares: duas estrelas que orbitam uma na outra, conhecidas como binárias, que colidem devido à influência gravitacional do buraco negro gigante nas proximidades. O objecto combinado que resulta dessa fusão poderia explicar de onde vem o excesso de energia.

“No rescaldo de tal fusão, o único objecto resultante seria ‘inchado’, ou distendido, por um longo período de tempo, talvez um milhão de anos, antes de se estabelecer e parecer uma estrela de tamanho normal”, sugere Mark Morris, outro investigador da Universidade da Califórnia.

Se estes objectos são, de facto, sistemas estelares binários que foram levados a fundir-se através da sua interacção com o buraco negro super-massivo central, isso pode fornecer detalhes interessantes aos cientistas sobre um processo que pode ser responsável pelas recentes fusões de buracos negros estelares detectadas através de ondas gravitacionais.

O que torna os objectos-G incomuns é justamente o “inchaço”. É raro uma estrela ser encoberta por uma camada de poeira e gás tão espessa que os astrónomos não conseguem ver directamente.

Para detectá-los, precisaram de uma ferramenta desenvolvida por Campbell, chamada de OSIRIS-Volume Display (OsrsVol), que permitiu isolar esses objectos da emissão de fundo e analisarem os dados espectrais em três dimensões: duas espaciais e uma de comprimento de onda que forneceu informações de velocidade.

Depois da descoberta do primeiro objecto-G, baptizado de G1, em 2004, os astrónomos encontraram o G2 em 2012. Agora, as novas análises sugerem aqueles que podem ser os objectos G3, G4 e G5, porque partilham das mesmas características físicas que os dois primeiros observados anteriormente.

A equipa vai continuar a seguir o tamanho e a forma das órbitas desses objectos-G, o que poderá fornecer pistas importantes sobre como se formaram.

Será dada atenção especial a estes objectos quando se aproximarem ainda mais do buraco negro super-massivo. Isso permitirá que os cientistas observem melhor os seus comportamentos para ver se permanecem intactos, tal como o G1 e G2. Só então poderão revelar a sua verdadeira natureza.

“Teremos que esperar algumas décadas para que isso aconteça; cerca de 20 anos para o G3 e ainda mais décadas para o G4 e o G5″, explicou Morris.

“Compreender objectos-G pode ensinar-nos muito sobre o fascinante e ainda misterioso ambiente do centro galáctico. Há tantas coisas a acontecer que cada processo localizado pode ajudar a explicar como esse ambiente extremo e exótico funciona”, completou Ciurlo.

ZAP // HypeScience

Por HS
11 Junho, 2018

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93: Cientistas detectam cometas fora do nosso sistema solar

(dr) Danielle Futselaar
Impressão de artista de um exocometa no sistema KIC 3542116.

Cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e outras instituições, em estreita colaboração com astrónomos amadores, avistaram as caudas poeirentas de seis exocometas – cometas para lá do nosso Sistema Solar – em órbita de uma ténue estrela a 800 anos-luz da Terra.

Estas bolas cósmicas de gelo e poeira, que eram do tamanho do Cometa Halley e viajavam a cerca de 160 mil quilómetros por hora antes de se vaporizarem, são alguns dos objectos mais pequenos já encontrados fora do nosso Sistema Solar.

A descoberta marca a primeira vez que um objecto tão pequeno quanto um cometa foi detectado usando fotometria de trânsito, uma técnica na qual os astrónomos observam a luz de uma estrela à procura de quedas de intensidade.

Estas diminuições assinalam trânsitos potenciais, como a passagem de planetas ou outros objectos à frente de uma estrela que fazem com que, momentaneamente, seja bloqueada uma pequena fracção da sua luz.

Nesta nova detecção, os investigadores foram capazes de discernir a cauda do cometa, ou cauda de gás e poeira, que bloqueou cerca de 0,1% da luz enquanto este transitava a sua estrela hospedeira.

“É incrível que algo muito mais pequeno que a Terra possa ser detectado apenas pelo facto de estar a emitir muitos destroços,” comenta Saul Rappaport, professor emérito de física no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT. “É bastante impressionante poder ver algo tão pequeno e tão distante.”

Rappaport e a sua equipa publicaram os seus resultados a semana passada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Os co-autores são Andrew Vanderburg do Centro Harvard-Smithosnian para Astrofísica, além de vários astrónomos amadores, entre eles Thomas Jacobs de Bellevue, Washington, e investigadores da Universidade do Texas em Austin, do Centro de Pesquisa Ames da NASA e da Universidade de Northeastern.

A detecção foi feita usando dados do Telescópio Espacial Kepler da NASA, que durante quatro anos, monitorizou cerca de 200000 estrelas à procura de diminuições na luz estelar provocadas pelo trânsito de exoplanetas. Até à data, a missão identificou e confirmou mais de 2400 exoplanetas.

Os exoplanetas mais pequenos detectados até agora medem cerca de um-terço do tamanho da Terra, já os cometas têm apenas o tamanho de uma pequena cidade, tornando-os incrivelmente difíceis de avistar.

No entanto, no dia 18 de Março, Thomas Jacobs de Bellevue, um astrónomo amador, conseguiu discernir curiosos padrões de luz entre o ruído. Jacobs analisou os quatro anos inteiros dos dados do Kepler com o objectivo de procurar algo fora do comum que os algoritmos do computador pudessem não ter notado.

“A procura de objectos de interesse nos dados do Kepler requer paciência, persistência e perseverança,” diz Jacobs. “Para mim, é uma forma de caça ao tesouro, sabendo que há um evento interessante à espera de ser descoberto. É tudo sobre exploração e estar à caça, onde poucos viajaram antes.”

Na sua pesquisa, Jacobs avistou três trânsitos únicos em redor de KIC 3542116, uma estrela fraca localizada a 800 anos-luz da Terra. Ele marcou os eventos e alertou Rappaport e Vanderburg, com quem colaborou no passado para interpretar as suas descobertas.

“Nós deliberámos durante um mês, porque não sabíamos o que era” lembra Rappaport. “Foi então que chegamos à conclusão que, analisando os trânsitos planetários, o único tipo de objecto que se adapta e tem uma massa suficientemente pequena para ser destruído, é um cometa“, salienta Saul Rappaport.

Os investigadores calcularam que cada cometa bloqueou cerca de um-décimo de 1% da luz estelar. Para fazer isto vários meses antes de desaparecer, o cometa provavelmente desintegrou-se completamente, criando um rasto de poeira espesso o suficiente para bloquear essa quantidade de luz estelar.

“Esta foi uma parte importante da formação do nosso Sistema Solar que poderá ter trazido água à Terra. O estudo dos exocometas e a descoberta da razão porque podem ser encontrados em redor deste tipo de estrelas pode dar informações sobre como os bombardeamentos ocorrem nos outros sistemas solares”, explica Andrew Vanderburg, coautor do estudo.

Os investigadores dizem que, no futuro, a missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) vai continuar o tipo de pesquisa feita pelo Kepler. Além de contribuir para os campos da astrofísica e da astronomia, a nova detecção mostra a perseverança e discernimento dos cientistas-cidadãos.

“Eu podia dizer 10 tipos de coisas que eles descobriram nos dados do Kepler que os algoritmos não conseguiram encontrar, devido à capacidade de reconhecimento de padrões no olho humano,” comenta Rappaport. “Eu acho justo dizer que nunca teriam sido encontrados por qualquer algoritmo.”

ZAP // CCVAlg

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91: Poderemos ter recebido a primeira visita de sempre de um objecto interestelar

NASA/JPL-California Institute of Tecnology, lunexit / Flickr
Sem gases ou poeira escapando, o A/2017 U1 deve ser rochoso ou metálico

Um objecto recém-descoberto que está a sair do nosso sistema solar é muito provavelmente um asteróide vindo de outra estrela – e pode, portanto, ter sido o primeiro visitante interestelar do Sistema Solar.

Chamado A/2017 U1 e provavelmente com menos de 400 metros de diâmetro, o objecto foi descoberto apenas a semana passada, no dia 19 de Outubro, em observações feitas pelo Telescópio Panorâmico de Pesquisa e Sistema de Resposta Rápida, Pan-STARRS.

Este telescópio varre os céus, procurando objectos em movimento. Ficou de imediato claro que este era um objecto incomum: estava a mover-se muito rapidamente.

Se um objecto no sistema solar estiver numa órbita estável em volta do Sol, a sua velocidade depende basicamente de duas coisas: a distância ao Sol e a forma dessa órbita.

À distância da Terra ao Sol, por exemplo, um objecto pode mover-se a até uma velocidade um pouco superior a 40 quilómetros por segundo. A Terra, por exemplo, tem uma orbita quase circular e move-se a pouco menos de 30 quilómetros por segundo.

Mas se um objecto que esteja à mesma distância que a Terra do Sol, se se estiver a mover  a uma velocidade superior a 42 km/s, já não está em órbita do Sol: está a mover-se a uma velocidade superior à velocidade de escape do Sistema Solar, do qual sairá para nunca mais voltar.

O A/2017 U1 passou junto ao Sol, por dentro da órbita de Mercúrio, no início de Setembro, e a sua rota fez uma curva brusca devido à gravidade da nossa estrela. Está agora a sair do sistema solar, já mais distante do Sol do que a Terra, movendo-se a 44 km/s – ou seja, muito rapidamente. Está basicamente a caminho do espaço interestelar.

Às vezes, objectos como cometas podem obter um impulso extra quando passam por um grande planeta, como Júpiter. Mas a órbita do A/1207 U1 não o aproxima de planetas grandes. Na verdade, a órbita é inclinada 122° em relação o plano do sistema solar, quase perpendicular – o que significa que já trazia essa enorme velocidade.

E isso significa que deve ter vindo do espaço interestelar. De outra estrela! Na verdade, rastreando a sua órbita, parece ter vindo de algum sítio na constelação de Lira, e já viajava no espaço interestelar a uma velocidade de mais de 25 km/seg.

A essa velocidade, o invulgar objecto não pode ter origem no nosso sistema solar. É, verdadeiramente, um objecto alienígena.

Pensou-se inicialmente que o objecto poderia ser um cometa, mas imagens mais detalhadas não mostram nenhuma actividade, sem gases ou poeira a escapar, o que torna muito improvável que haja gelo na sua superfície, dióxido de carbono ou monóxido de carbono, que são geralmente encontrados nos cometas.

Gianluca Masi (Virtual Telescope Project), Michael Schwartz (Tenagra Observatory)
O asteróide interestelar A/2017 U1, a 60 milhões de km da Terra, numa imagem captada com um telescópio de 40cm

Em vez disso, o objecto deve ser rochoso ou metálico, como um asteróide. Não é ainda claro de que é feito, mas há já muitos telescópios apontados na sua direcção, à procura de todos os detalhes da sua composição. Brevemente, saberemos mais.

Descoberta sem precedentes e especulações

As outras estrelas da nossa galáxia estão muito longe de nós. A mais próxima fica a mais de 40 biliões de quilómetros – à velocidade a que o A/2017 U1 se move, uma viagem de 50 mil anos – mas o nosso visitante veio provavelmente de muito mais longe: pode ter viajado durante milhões ou milhares de milhões de anos antes de se aproximar do Sol.

Segundo Bill Gray, responsável pelo projecto de astronomia Pluto, que tem acompanhado o caminho orbital do asteróide, o objecto move-se na direcção da constelação de Pegasus. Não há nenhuma estrela no aparente local de destino, excepto a HD 223531, que se encontra a 400 anos-luz de distância.

O A/2017 U1 não vai conseguir chegar tão longe – nem sequer vai existir por mais um milhão de anos ou mais, de qualquer forma. Além disso, ao fim desse tempo, a própria estrela também se terá movido substancialmente.

Um objecto tão estranho no nosso sistema solar não poderia deixar de gerar especulações. Será que esta visita foi de alguma forma programada? Será que este não é um asteróide, mas uma nave a visitar o nosso quintal? Não, muito provavelmente não.

Mas não é possível negar que o sistema solar interno é um alvo ridiculamente pequeno. A órbita de Mercúrio tem apenas cerca de 115 milhões de km de extensão. Para algo que vem do espaço interestelar, aproximar-se do Sol é como encontrar uma agulha muito, muito pequena num palheiro muito muito grande.

No entanto, isso foi exactamente o que o A/2017 U1 fez. Passou pelo Sol a uma distância de cerca de 45 milhões de quilómetros, e isso é um pouco estranho.

Parte do fenómeno é explicado pelo chamado efeito de selecção: um objecto como este a passar pela órbita de Júpiter seria muito difícil de descobrir. Nós só vemos os que passam perto da Terra. Então, era provável que o primeiro destes visitantes que viéssemos a descobrir tivesse passado pelo sistema solar interno, como aconteceu.

Mas ainda assim, chegar tão perto do Sol parece incomum.

Se uma raça extraterrestre estivesse interessada em explorar outros sistemas, esse parece o caminho mais lógico para a viagem. A nave seria programada para passar no interior profundo do sistema solar alienígena, passaria pelos planetas habitáveis​​, e usaria a gravidade da estrela para ajustar a órbita e orientá-la para o próximo alvo.

Mas este é certamente um objecto natural e não uma nave espacial alienígena. Mesmo assim, não é de forma alguma uma coisa comum: é um asteróide ejectado de outra estrela, que vagueou pela nossa galáxia durante milénios, que passou a alguns milhões de quilómetros do Sol e da Terra – e que está agora está de volta ao vazio.

Resta-nos de qualquer forma desejar uma boa viagem ao primeiro visitante interestelar de que tivemos até agora conhecimento.

ZAP // HypeScience / SyFy / Virtual Telescope Project

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