1515: Raro buraco negro com o tamanho de Júpiter pode estar a vaguear a Via Láctea

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Uma equipa de astrónomos do Observatório Astronómico Nacional do Japão (OANJ) descobriu evidências de um buraco negro do tamanho de Júpiter à deriva a cerca de 20 anos-luz do centro da Via Láctea.

Recorrendo ao radiotelescópio ALMA (Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array), os investigadores encontraram correntes de gás molecular a orbitar o que parece ser um objeto massivo invisível. Esse movimento peculiar de gás no centro galáctico poderá ser um sinal do tipo mais elusivo de buraco negro – o de tamanho intermediário.

Uma vez que não emitem nenhuma radiação electromagnética, os buracos negros são muito difíceis de encontrar, a menos que estejam a alimentar-se activamente ou a colidir. Ou seja, isto significa que os buracos negros são invisíveis aos nosso métodos de detecção a menos que estejam a fazer algo monstruosamente perceptível.

Ainda assim, sabemos que existem buracos negros de massa estelar, formados a partir do colapso do núcleo de uma estrela massiva, com até cerca de 100 vezes a massa do Sol, bem como buracos negros supermassivos, que possuem tamanhos a partir de 100.000 vezes a massa do nosso Sol.

Entre estes dois extremos, resta uma dúvida. Embora existam boas evidências indirectas da existência de buracos negros entre 100 e 100.000 massas solares, os buracos negros de massa intermédia, ainda é necessário confirmar a existência destes objectos.

O buraco negro candidato

“Quando verifiquei os dados do ALMA pela primeira vez, fiquei muito animada porque o gás observado mostrou movimentos orbitais óbvios, que sugerem fortemente um objeto massivo invisível à espreita”, disse a astrofísica Shunya Takekawa, do OANJ, em declarações ao portal New Scientist.

Dados similares foram observados como resultado de colisões entre nuvens de super-novas, mas o objeto – chamado HCN – 0,009–0,044 – não mostra nem a forma nem o padrão de expansão associado a uma colisão desse tipo. Além disso, pesquisas anteriores, também levadas a cabo pelo OANJ, identificaram o HCN como um possível buraco negro.

Com base na forma e no movimento dos fluxos de gás, a equipa de investigação foi capaz de inferir que o objeto tem uma massa equivalente a cerca de 32.000 sóis. Esta massa torna-o um forte candidato para o tal elo perdido no rol dos buracos negros, reunindo toda esta massa num objeto do tamanho de Júpiter.

Procura buraco negros inactivos

Além de potencialmente apontar para a descoberta de um buraco negro intermediário, a investigação revela para aquele que poderia ser um novo método de descoberta de buracos negros inactivos.

Assim como o movimento do gás, a sua ionização na parte interna da órbita sugere que, em algum momento, ocorreu fotoionização, choque dissociativo ou ambos no objeto. Estes processos são normalmente observados em buracos negros activos. Portanto, se um buraco negro estiver intermitentemente activo, pode produzir ionização capaz de ser detectada depois de já ter diminuído a sua actividade novamente.

“Os resultados fornecem evidências circunstanciais de um buraco negro de massa intermediária no centro galáctico, sugerindo também que as nuvens compactas de alta velocidade podem ser sinais de buracos negros adormecidos em abundância na nossa galáxia”, escreveram os investigadores no artigo esta semana disponibilizado para pré-visualização no arXiv.org.

De acordo com o estudo, as observações têm o potencial de aumentar o número de candidatos a buracos negros não luminosos, fornecendo uma nova perspectiva para a pesquisa destes objectos massivos.

ZAP // HypeScience

Por HS
24 Janeiro, 2019

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