4638: Meteorito sugere que Marte tinha água antes de haver vida na Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

(dr) Luc Labenne
O meteorito NWA 7533

Um novo estudo sugere que a água estava presente no Planeta Vermelho há cerca de 4,4 mil milhões de anos, muito antes do que se pensava.

De acordo com o site Science Alert, os cientistas chegaram a esta conclusão com base numa análise do meteorito NWA 7533, encontrado no Deserto do Saara, em África, e que se acredita ter sido originado em Marte.

A oxidação de certos minerais no seu interior sugere a presença de água. Com certos fragmentos dentro deste meteorito – apelidado de “Beleza Negra” devido à sua cor – que datam de há 4,4 mil milhões de anos, este é o registo mais antigo do Planeta Vermelho.

“As rochas fragmentadas no meteorito são formadas a partir do magma e são comummente causadas por impactos e oxidação. Esta oxidação poderia ter ocorrido se houvesse água sobre ou dentro da crosta marciana, há 4,4 mil milhões de anos, durante um impacto que derreteu parte da crosta”, explica Takashi Mikouchi, cientista planetário da Universidade de Tóquio, no Japão, e um dos autores do estudo publicado, a 30 de Outubro, na revista científica Science Advances.

Estas descobertas podem atrasar a data estimada da formação de água em Marte em cerca de 700 milhões de anos, pois pensava-se que esta tinha ocorrido há 3,7 mil milhões de anos.

As descobertas desta equipa também sugerem que a composição química da atmosfera marciana nesta altura – incluindo altos níveis de hidrogénio – poderia ter tornado Marte quente o suficiente para que a água derretesse e existisse vida, mesmo sabendo que o Sol era mais jovem e mais fraco durante este período.

“A nossa análise sugere que tal impacto teria libertado muito hidrogénio, o que teria contribuído para o aquecimento planetário numa época em que Marte já tinha uma espessa atmosfera isolante de dióxido de carbono”, acrescenta Mikouchi.

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Por ZAP
12 Novembro, 2020


4626: Análise de meteorito marciano revela evidências de água há 4,4 mil milhões de anos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagem de Marte, a cores reais, usando exposições obtidas no dia 24 de Fevereiro de 2007 durante a passagem da sonda Rosetta pelo planeta. A Rosetta estava a 240.000 km.
Crédito: ESA/MPS para a Equipa OSIRIS, MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA

Um meteorito que teve origem em Marte há milhares de milhões de anos revela detalhes de antigos eventos de impacto no Planeta Vermelho. Certos minerais da crosta marciana no meteorito são oxidados, sugerindo a presença de água durante o impacto que criou o meteorito. A descoberta ajuda a preencher algumas lacunas no conhecimento sobre o papel da água na formação do planeta.

Na ciência planetária, há muito que se discute a origem da água na Terra, em Marte e noutros corpos grandes como a Lua. Uma hipótese diz que veio de asteróides e cometas, pós-formação. Mas alguns investigadores planetários dizem que a água pode ser apenas uma das muitas substâncias que ocorrem naturalmente durante a formação dos planetas. Uma nova análise de um antigo meteorito marciano acrescenta suporte a esta segunda hipótese.

Há alguns anos atrás, um par de meteoritos escuros foi descoberto no Deserto do Saara. Foram apelidados de NWA 7034 e NWA 7533, onde NWA significa “North West Africa” e o número é a ordem em que os meteoritos são oficialmente aprovados pela Sociedade Meteorítica, uma organização internacional de ciência planetária. As análises mostraram que estes meteoritos são novos tipos de meteoritos marcianos e misturas de diferentes fragmentos rochosos.

Os fragmentos formaram-se em Marte há 4,4 mil milhões de anos, tornando-os os meteoritos marcianos mais antigos conhecidos. Rochas como estas são raras e podem custar até 10.000 dólares por grama. Mas, recentemente, 50 gramas do meteorito NWA 7533 foram obtidas para análise por uma equipa internacional da qual o professor Takashi Mikouchi da Universidade de Tóquio participava. O projecto foi liderado pelo então estudante Zhengbin Deng da Universidade de Paris e actualmente professor assistente da Universidade de Copenhaga. Esta investigação foi uma colaboração da Universidade de Paris, da Universidade Lorraine, da Universidade de Copenhaga, da Universidade da Bretanha Ocidental e da Universidade de Tóquio.

“Eu estudo minerais em meteoritos marcianos para entender como Marte se formou e como a sua crosta e manto evoluíram. Esta é a primeira vez que investiguei este meteorito em particular, apelidado ‘Black Beauty’ devido à sua cor escura,” disse Mikouchi. “As nossas amostras de NWA 7533 foram submetidas a quatro tipos diferentes de análises espectroscópicas, formas de detectar impressões digitais químicas. Os resultados levaram a nossa equipa a tirar algumas conclusões excitantes.”

É bem conhecido dos cientistas planetários que existe água em Marte há pelo menos 3,7 mil milhões de anos. Mas, a partir da sua composição mineral do meteorito, Mikouchi e a sua equipa deduziram que provavelmente a água já estava presente muito antes, há mais ou menos 4,4 mil milhões de anos.

“Os clastos ígneos, ou rocha fragmentada, no meteorito são formados por magma e são regularmente provocados por impactos e oxidação,” disse Mikouchi. “Esta oxidação pode ter ocorrido na presença de água acima ou na crosta marciana, há 4,4 mil milhões de anos, durante um impacto que derreteu parte da crosta. A nossa análise também sugere que um tal impacto teria libertado muito hidrogénio, o que teria contribuído para o aquecimento planetário numa época em que Marte já tinha uma isolante e espessa atmosfera de dióxido de carbono.”

Se a água realmente já estava presente em Marte antes do que se pensava, isso sugere que a água é possivelmente um subproduto natural de algum processo no início da formação planetária. Esta descoberta pode ajudar os investigadores a responder à questão de onde vem a água, o que por sua vez pode impactar as teorias sobre as origens da vida e a exploração da vida para lá da Terra.

Astronomia On-line
10 de Novembro de 2020