2579: O clima de Vénus está a mudar (e a razão está escondida nas suas nuvens)

(CC0) GooKingSword / Pixabay

Vénus, há muito considerada a gémea muito mais quente da Terra, guarda muitos mistérios dentro das suas nuvens, que também podem ser responsáveis pelas dramáticas mudanças climáticas do planeta.

Um novo estudo sobre uma década de observações ultravioletas de Vénus de 2006 a 2017 mostrou que o reflexo da luz ultravioleta no planeta diminuiu para metade antes de voltar a disparar.

Essa mudança resultou em grandes variações na quantidade de energia solar absorvida pelas nuvens de Vénus e na circulação na sua atmosfera, causando as mudanças no clima do planeta.

“As mudanças climáticas actuais em Vénus não foram consideradas antes”, disse Yeon Joo Lee, investigadora do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade Técnica de Berlim e principal autora do estudo, à Space.com. “Além disso, o nível de variação de UV-albedo [reflectividade] é significativamente grande, suficiente para afectar a dinâmica atmosférica”.

Os cientistas combinaram observações da missão Venus Express da Europa, da japonesa Akatsuki Venus orbiter, da espaço-nave Messenger da NASA (que voou por Vénus a caminho de Mercúrio) e do Telescópio Espacial Hubble para o estudo.

O clima em Vénus, como o da Terra, é afectado pela radiação solar e pelas mudanças no reflexo das nuvens circundantes. Mas, ao contrário da Terra, as nuvens de Vénus são compostas de ácido sulfúrico e contêm manchas escuras que os cientistas chamam de “absorvedores desconhecidos”, uma vez que absorvem a maior parte do calor e da luz ultravioleta emitida pelo sol.

O novo estudo sugere que os absorvedores podem ser o que está a causar essas mudanças no clima de Vénus, embora a equipa de cientistas acredite que a única maneira de saber com certeza é através de observações adicionais. “Pelo menos mais uma década de observações. Isso abrangerá mais um ciclo de actividade solar e poderemos descobrir se essa mudança é cíclica”, disse Lee.

Sanjay Limaye, cientista da Universidade de Wisconsin–Madison e co-autor do novo estudo, sublinhou também que estas partículas super-absorventes se assemelham a microrganismos presentes na atmosfera da Terra.

O clima no planeta já é bastante extremo, com temperaturas a atingir 471ºC e ventos com velocidades de 724 quilómetros por hora.

Uma hipótese mais estranha faz com que os absorvedores sejam realmente de origem biológica. Enquanto a superfície de Vénus é infernal, o topo das nuvens é suficientemente suave para sustentar a vida. Essa ideia tem surgido desde o final da década de 1960.

Se mais observações provassem que a actividade solar está conectada a esta mudança no clima, poderia ser aplicada a todos os outros planetas com aerossóis, partículas sólidas ou líquidas que reflectem a luz solar, como Terra e Titã. No entanto, o grau de mudança seria diferente em cada um.

Lee disse que está a desenvolver planos para mais investigações sobre absorvedores desconhecidos nas nuvens de Vénus, acrescentando que uma missão futura em Vénus pode ajudar os cientistas a entender melhor as mudanças climáticas do planeta.

O estudo foi publicado a 26 de Agosto na revista especializada The Astronomical Journal.

ZAP //

Por ZAP
6 Setembro, 2019

 

2209: As nuvens tsunami estão a prender os olhos dos norte-americanos ao céu

Amy Christie Hunter / Facebook

Nuvens em forma de onda – um fenómeno meteorológico raro – foram captadas nos céus de Smith Mountain Lake, no estado da Virgínia, Estados Unidos. As redes sociais não deixaram passar ao lado a beleza inusitada destas nuvens.

Parece uma montagem de Photoshop, mas é real. A imagem das nuvens tsunami, que se tornou viral nas redes sociais, foi captada por Amy Christie Hunter, na passada terça-feira nos céus de Smith Mountain Lake, no estado da Virgínia, Estados Unidos. A norte-americana publicou a fotografia no Facebook e muito rapidamente chegou aos media.

“Quando vi as nuvens rolando sobre a montanha, peguei no meu telemóvel o mais rápido que consegui para capturar o momento”, disse Amy Christie Hunter ao CNET News. “Durou apenas alguns segundos, foi literalmente como uma onda na rebentação.”

Após ter publicado a fotografia na rede social, a norte-americana foi contactada por um meteorologista que lhe pediu autorização para partilhar a imagem nas notícias.

“Quando dei por isso, todos os principais canais televisivos estavam a pedir-me permissão para usar a foto”, disse. Hunter adiantou ainda estar “muito satisfeita” por ter partilhado com o mundo uma imagem de um fenómeno tão raro.

Segundo o Observador, as nuvens tsunami são assim conhecidas popularmente, mas o  nome correto do fenómeno é instabilidade de Kelvin-Helmholtz. Um dos exemplos mais famosos é a mancha vermelha de Júpiter e este fenómeno acontece quando há velocidade de atrito num fluido contínuo ou quando há diferença de velocidade entre dois fluidos, como quando o vento sopra sobre a água, por exemplo.

Ainda assim, este fenómeno que pintou os céus de Smith Mountain Lake não deve ser confundido com as nuvens-prateleira ou as nuvens-rolo, que acontecem antes e durante as tempestades.

Ainda assim, os três acontecimentos têm algo em comum: por serem tão bonitos e tão assustadores ao mesmo tempo, tornam-se virais nas redes sociais assim que são captados quer em vídeos, quer em imagens. As nuvens tsunami da passada terça-feira não foram excepção.

ZAP //

Por ZAP
21 Junho, 2019

Eu também tenho captado nuvens com desenhos fantásticos e fora do que habitual e convencionalmente são as chamadas nuvens. Eis algumas delas:

… mas como não sou americano… ninguém liga…

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2147: As cidades estão a criar as suas próprias nuvens

CIÊNCIA

lorytravelforever༽♥ॐ / Flickr

As cidades estão cobertas de nuvens de forma mais persistente do que as áreas rurais graças às condições atmosféricas únicas que produzem, revelou um estudo.

Sabe-se que as cidades criam “ilhas de calor urbano” devido à energia libertada pela actividade humana, mas uma nova investigação, conduzida pela Universidade de Reading, no Reino Unido, mostrou pela primeira vez que o fenómeno cria também uma maior cobertura de nuvens durante os meses mais quentes.

A análise das cidades de Londres e Paris, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Climate and Atmospheric Science, revelou que o calor libertado gradualmente pelos edifícios causa correntes ascendentes que levam a humidade para cima, aumentando assim a cobertura de nuvens dos aglomerados.

Os cientistas descobriram que a nebulosidade nestas metrópoles à tarde durante a Primavera e o Verão é cerca de 5 a 10% maior do que na paisagem circundante.

“Esperávamos que houvesse menos nuvens sobre as cidades, tendo em conta a relativa falta de vegetação tende a secar a atmosfera”, explicou Natalie Theeuwes, do Departamento de Meteorologia de la Universidade de Reading, em comunicado.

“Contudo, uma análise detalhada a Londres demonstrou-nos que o calor libertado pelos edifícios ao longo da tarde empurra a pouca humidade que está no ar para cima, onde se formam as nuvens. (…) As descobertas revelam o crescente impacto das cidades nos seus mini-ambientes”, concluiu a cientista.

ZAP //

Por ZAP
10 Junho, 2019



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1664: Há milhões de buracos negros mortais em torno do Universo

(dr) The SXS (Simulating eXtreme Spacetimes) Project

O Universo possui mais de 100 milhões de buracos negros “silenciosos”. Recentemente, uma equipa de astrónomos alertou para a descoberta de um gigante negro “escondido” atrás de uma nuvem de gás.

Buracos negros são objectos muito densos com atracção gravitacional tão forte que nem mesmo a luz consegue escapar. Como não emitem luz, os astrónomos inferem a existência de buracos negros a partir dos efeitos que a sua gravidade produz em outros objectos.

Os astrónomos suspeitam que pequenos buracos negros se fundem e vão crescendo gradualmente, mas nunca nenhum cientista encontrou um buraco negro de massa intermediária. Recentemente, uma equipa de japoneses encontrou um desses “monstros” escondido tranquilamente próximo de um buraco negro super-massivo no centro da nossa galáxia.

Esse buraco negro, encontrado pela equipa do Observatório Astronómico Nacional do Japão, possui uma “massa intermediária“, apesar de furtivo, e foi descoberto ao analisar o comportamento de uma nuvem de gás que está, actualmente, a ser “comida”. Segundo os cientistas, o “monstro” terá um fim parecido, uma vez que será engolido por um buraco negro super-massivo no centro da Via Láctea.

Os cientistas utilizaram o ALMA (Atacama Large Millimeter / submillimeter Array) para realizar observações de alta resolução da nuvem de gás, e descobriram que a nuvem HCN-0.009-0.044 gira em torno de um objeto massivo e invisível.

“Detalhes das análises revelaram que uma grande massa, 30 mil vezes maior do que a do Sol, se concentrou numa região menor do que a do Sistema Solar”, afirmou Shunya Takekawa, do Observatório Nacional Astronómico do Japão.

Isto e o facto de nenhum objeto ter sido observado naquele local sugere a existência de um buraco negro de massa intermediária. Analisando outras nuvens anómalas, os cientistas esperam expor outros buracos negros “calmos” ou silenciosos.

Já o professor da Universidade de Keio, Tomoharu Oka, acrescentou que é “significante que este buraco negro de massa intermediária tenha sido encontrado a apenas 20 anos-luz do buraco negro super-massivo no centro da galáxia”.

No futuro, este buraco irá cair dentro do buraco negro super-massivo, assim como o gás que está a cair agora, suportando o modelo de fusão do crescimento dos buracos negros, concluiu o professor.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
5 Março, 2019

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1661: O céu pode ficar sem nuvens e deixar a Terra a “arder”

Jonas Witt / Flickr

Uma nova investigação científica adverte que uma alta concentração de dióxido de carbono na atmosfera da Terra pode fazer com que as nuvens desaparecerem do céu. Como resultado, o oceano ficará mais vulnerável à luz do Sol.

De acordo com uma nova investigação, levada a cabo por uma equipa de cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, os estrato-cúmulos — nuvens baixas com massas arredondadas e cilíndricas com o topo e a base relativamente planos — servem para proteger a Terra do calor excessivo.

Ou seja, se estas nuvens desaparecerem, a temperatura no planeta subiria oito graus Celsius. Além disso, importa frisar, há ainda o aumento estimado entre 2 a 4 graus Celsius causado pelo efeito de estufa. Esta mudança, por sua vez, levaria a sérios cataclismos e causaria a extinção em massa de animais e plantas.

Segundo a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista especializada Nature Geoscience, a Terra sofreu já um fenómeno similar há 55 milhões de anos: o planeta aqueceu a tal ponto que os crocodilos passaram a nadar nas águas do Árctico, tendo várias espécies de mamíferos sido extintas.

Esta drástica mudança climática ficou conhecida como o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno. Foi um dos cataclismos climáticos mais significativos da era Cenozoica, que alterou a circulação oceânica e atmosférica, causando uma grande mudança na fauna terrestre.

Para os cientistas, o aquecimento poderia ter sido desencadeado por variadas causa, mas os principais factores foram a intensa actividade vulcânica e a libertação do metano armazenado nos sedimentos oceânicos.

Neste sentido, Kerry Emanuel, especialista em meteorologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, afirma que o alarmante prognóstico dos cientistas da Califórnia parece ser bastante plausível.

Quanto ao desaparecimento das nuvens, os cientistas também asseguram tratar-se de um processo que se deve a vários factores. No entanto, as estatísticas sobre a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera são realmente alarmantes. Desde 1955, a concentração deste gás cresceu cerca de um terço. Se o processo continuar com ao mesmo ritmo, a humanidade pode chegar a um ponto sem retorno antes do fim do século.

Contudo, e segundo advertem os cientistas, a humanidade é capaz de evitar a repetição do cataclismo devastador do Paleoceno-Eoceno se cumprir os termos do Acordo de Paris.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
5 Março, 2019

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1034: Misteriosos organismos marinhos podem estar a encher o céu de nuvens

CIÊNCIA

(CC0/PD) waqutiar / pixabay

Segundo um novo estudo, algumas algas marinhas microscópicas poderão estar a ter um papel importante e activo na formação de nuvens sobre os oceanos.

Numa investigação publicada na revista iScience a 15 de agosto, investigadores acreditam que uma espécie unicelular de alga – Emiliana Huxleyi – pode ser responsável pela criação dessas partículas que “semeiam” as nuvens.

As nuvens são criadas quando gotas de água microscópicas condensam na superfície de outras partículas microscópicas. Estas partículas podem ser solúveis como os cristais de sal ou insolúveis como partículas de poeiras.

Este fitoplâncton, omnipresente em todos os oceanos, é destruído a partir do interior através de um vírus comum e as suas remanescências formam partículas insolúveis nas quais as gotículas de água se condensam na atmosfera.

As remanescências deste fitoplâncton são uma espécie de “carapaça” dura que é constituída por cerca de 30 escamas de calcite que se designam por cocólitos (cuja dimensão é da ordem dos três micrómetros).

Quando as condições são as mais adequadas, esta alga floresce e multiplica-se e, mesmo sendo de tamanho microscópico, consegue colorir os mares com um tom turquesa brilhante.

Quando esta alga morre, a maioria dos cocólitos acaba como parte do sedimento do fundo do oceano, e estima-se que estes organismos sejam responsáveis pela deposição de cerca de 1,5 milhões de toneladas de calcite nos oceanos por ano.

Contudo, nem todos os cocólitos vão para ao fundo dos oceanos. Existem vestígios de cocólitos em pulverizadores marítimos, levados pela rebentação marítima ou pelas bolhas na água.

Os aerossóis de pulverização marítima desempenham um importante papel na regulação do clima terrestre, e a presença deste fitoplâncton aumenta o número de gotas de nuvens sobre o oceano.

Alison R. Taylor, USCWM / Wikimedia
Emiliana Huxleyi, organismo marinho unicelular que produz escaras de carbonato de cálcio (cocólitos)

Na análise, os investigadores do Instituto Weizmann de Ciência da Universidade de Rehovot, em Israel, infectaram metade de uma população de Emiliana Huxleyi com um vírus que frequentemente as infecta na natureza. A outra metade da população foi utilizada como controlo, sendo mantida livre deste vírus.

Inicialmente, cada milímetro da água continha 20 milhões de cocólitos. Passados apenas cinco dias, este número mais que triplicou nas algas infectadas em comparação com a população que serviu de controlo.

O passo seguinte na investigação foi utilizar bolhas para imitar a agitação natural dos oceanos, que cria o pulverizador marítimo. Nesta fase, havia dez vezes mais cocólitos no ar das algas infetadas do que nas algas que serviram para controlo.

Segundo os investigadores, a diminuta dimensão e peso dos cocólitos faz com que estes se mantenham no ar durante muito mais tempo, caindo “25 vezes mais devagar do que as partículas de sal marinho com a mesma dimensão”.

Isto significa que, em condições onde partículas mais pesadas podem cair, os fragmentos dos cocólitos não o fazem, concentrando-se no ar e influenciando a formação de nuvens.

Por ZAP
18 Setembro, 2018

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795: NASA apresenta as “encantadoras” nuvens de Júpiter

NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Jason Major

A agência espacial norte-americana publicou as últimas imagens de inéditas nuvens “de grande altitude”, detectadas na zona temperada do norte de Júpiter.

A fotografia foi tirada pela sonda Juno que se encontrava à distância de 6200 quilómetros das camadas superiores das nuvens. Durante um longo período de tempo os cientistas tentaram descobrir a profundidade deste turbilhões que fazem parte do cinturão e formam um desenho tão complexo.

Os dados, recolhidos por Juno, mostram que as estruturas nubladas penetram profundamente na atmosfera do planeta.

A sonda Juno foi lançada em Agosto de 2011. Cinco anos depois, a sonda posicionou-se numa órbita estável em torno de Júpiter. O aparelho aproxima-se do planeta gasoso a cada 53 dias.

As missões da sonda são muito variadas, mas o seu objectivo principal passa por recolher mais informação sobre a atmosfera, o núcleo e os campos magnéticos e gravitacionais de Júpiter.

Até agora, a sonda Juno tem tirado fotografias dos pólos de Júpiter, registando fenómenos estranhos, tais como a formação de nuvens e auroras polares no planeta.

Recentemente, um grupo de cientistas dos Estados Unidos descobriu mais 12 luas em torno de Júpiter, conjecturando que as suas órbitas opostas resultam de colisões entre outros corpos celestes maiores.

Com a descoberta destas novas luas – observadas pela primeira vez em 2017 – sobe para 79 o número de satélites que orbitam o maior planeta do Sistema Solar.

Por ZAP
25 Julho, 2018

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