3373: Portuguesa Zita Martins participa em missão espacial inédita que vai interceptar cometa primitivo

CIÊNCIA

Uma missão espacial europeia, com a participação da astro-bióloga portuguesa Zita Martins, vai procurar interceptar pela primeira vez um cometa primitivo, inalterado pela radiação do Sol, para obter respostas sobre a origem da vida na Terra.

© Orlando Almeida / Global Imagens

A missão da Agência Espacial Europeia (ESA) “Comet Interceptor” (Interceptor de Cometa, em tradução livre) tem lançamento previsto para 2028 e será a primeira a recolher informação sobre um cometa que nunca se aproximou do Sol e, por isso, se manteve inalterado desde a sua formação.

“Apanhar” tais cometas tem sido difícil, uma vez que só podem ser detectados quando se aproximam do Sol pela primeira vez, deixando pouco tempo para planear e enviar uma missão espacial na sua direcção.

A missão “Comet Interceptor”, que conta com a colaboração da agência espacial japonesa (JAXA), vai colocar uma sonda a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, na direcção contrária ao Sol.

Em conjunto com telescópios terrestres, um deles a ser construído no Chile, o aparelho irá permitir detectar um cometa proveniente da Nuvem de Oort, região nos confins do Sistema Solar, e eventualmente corpos interestelares que entraram no Sistema Solar pela primeira vez e estão na trajectória de aproximação ao Sol.

Assim posicionada, a sonda, a principal, será um “ponto de espera” a um desses cometas, disse à Lusa Zita Martins, especialista no estudo da origem da vida na Terra e a única cientista portuguesa que integra a equipa internacional que vai analisar os dados recolhidos na missão.

Depois de identificar o cometa até então desconhecido, a sonda viajará durante meses ou anos pelo espaço para estar no sítio e no momento certos para interceptar o cometa quando este cruzar o plano da elíptica, o plano da órbita da Terra em relação ao Sol.

Duas sondas mais pequenas serão libertadas da sonda principal antes de se aproximarem do cometa. São estes dois aparelhos que vão circundar o cometa e recolher o máximo de informação possível, incluindo sobre a composição da sua superfície, a forma e estrutura.

Todos os dados obtidos serão transmitidos para telescópios terrestres através da sonda principal com a qual comunicam.

Para Zita Martins, professora no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, interceptar um cometa primitivo é como entrar na “máquina do tempo”, uma vez que possibilitará desvendar quais “as moléculas orgânicas” disponíveis no início da formação do Sistema Solar e, assim, dar pistas mais concretas sobre a origem da vida na Terra.

Os cometas, vulgarmente descritos como “bolas de gelo sujas”, têm na sua composição, além de gelo, poeira, fragmentos rochosos, gás e compostos orgânicos (estes últimos terão chegado à Terra fruto do impacto dos cometas na superfície terrestre).

Missões espaciais anteriores estudaram cometas que entraram várias vezes no Sistema Solar e passaram perto do Sol, que produziu alterações na sua superfície, escondendo a sua aparência original.

A sonda europeia Rosetta orbitou durante dois anos, entre 2014 e 2016, o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que viaja entre as órbitas da Terra e de Júpiter. Foi a primeira vez que uma sonda orbitou um cometa e teve um módulo robótico na sua superfície.

A missão “Comet Interceptor” será lançada à boleia de uma outra, a Ariel, também da ESA, que vai estudar a composição química da atmosfera de exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar) já descobertos e que conta também com a participação de cientistas portuguesas.

Diário de Notícias

DN/Lusa

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3250: As estrelas estão a “lançar” cometas para a Terra

CIÊNCIA

ESO

Já muitos astrónomos o suspeitavam, mas nunca tinha sido confirmado. Agora, cientistas observaram, pela primeira vez, estrelas a “lançar” cometas em direcção ao nosso Sistema Solar.

Os astrónomos polacos conseguiram identificar as duas estrelas “culpadas”, depois de estudar em detalhe os movimentos de outras 600 estrelas próximas, todas a uma distância máxima de 13 anos-luz do Sol. A descoberta valida uma teoria que já tem mais de 50 anos.

Segundo a teoria, explica o Canal Tech, as estrelas e os cometas formam uma espécie de parceiros de dança no Universo. De acordo com a tese, os cometas são atirados para dentro do Sistema Solar a partir da nuvem de Oort pela acção da gravidade de alguns astros brilhantes que passam brevemente perto da nossa vizinhança.

A nuvem de Oort, proposta inicialmente em 1932 por Ernst Öpik e retomada em 1950 pelo astrónomo Jan Oort, é um aglomerado de objectos que fica a pelo menos 50 mil unidades astronómicas de distância do Sol – é cerca de 66 vezes a distância de Neptuno ao astro. Acredita-se que este seja o limite do Sistema Solar.

A tese é que os cometas são objectos que saem desta nuvem para entrar no sistema, empurrados pela acção de alguma estrela de outro sistema.

O novo artigo sugere que a teoria pode ter alguma correlação com a realidade. Aceite para ser publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o estudo, que está disponível no ArXiv, descreve o cálculo que os astrónomos fizeram para identificar que algumas estrelas mudaram significativamente a órbita de alguns cometas no Sistema Solar.

“No nosso estudo, descobrimos apenas dois casos em que isso realmente aconteceu e, ainda assim, observamos dúzias de cometas todo ano”, disse a autora principal do estudo, Rita Wysoczańska, citada pelo Live Science. Foram observadas cerca de 650 estrelas, calculando as suas trajectórias e, então, verificando se as suas órbitas têm alguma coincidência com as de 270 cometas de longo período.

Foram criados modelos para os pares possíveis de estrelas e cometas, para identificar um ponto em comum entre eles. Depois, removiam a estrela para se certificar de que o astro realmente influenciou a órbita de cada cometa.

Agora, segundo a ABC, os cientistas acreditam que a órbita dos cometas é influenciada por um conjunto forças gravitacionais de estrelas ainda mais distantes, que criam as órbitas de longo período dos cometas. Ao entrarem no Sistema Solar, os objectos passam a sofrer a influência dos planetas.

ZAP //

Por ZAP
23 Dezembro, 2019

 

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