“Irmão gémeo” do Sol pode explicar Planeta 9 e outros objectos no Sistema Solar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Cientistas há tempos discutem sobre a hipótese de existir um “irmão gémeo” do Sol, geralmente apelidado de Némesis, que teria se separado da nossa estrela ainda durante a fase de formação. Ainda não existe nenhuma evidência concreta de que isso seja verdade, até porque é bem difícil encontrar pistas sobre isso, mas um novo estudo mostra que um “segundo Sol” explicaria alguns mistérios do Sistema Solar.

Um desses mistérios é a Nuvem de Oort, uma nuvem esférica gigantesca que envolve o Sistema Solar com planetesimais voláteis, a cerca de 50.000 UA (quase um ano luz de distância do Sol). Ela está tão longe que não podemos ver nada ali, nem mesmo com os mais poderosos telescópios, pois não há nenhuma fonte de luz próxima o suficiente para que possamos enxergar esses objectos.

Mesmo que não possamos vê-la, existem muitos indícios da sua presença, inclusive ela é provavelmente a origem dos cometas de longo período (que nos visitam a cada 200 anos ou mais) e do tipo Halley. Já os cometas de curto período (que levam menos tempo para se aproximar do Sol) parecem se originar do Cinturão de Kuiper, um anel de objectos que circula além da órbita de Neptuno.

Explicação para a Nuvem de Oort

Perspectiva do Cinturão de Kuiper comparado com a nuvem de Oort (Imagem: William Crochot)

Nenhum objecto na nuvem de Oort foi observado directamente até hoje – excepto os cometas de lá que se aproximam de nós, se é que eles de fato se originam nessa região. As sondas Voyager 1 e 2, a New Horizons e a Pioneer 10 e 11 estão a caminho nessa esfera misteriosa, mas todas elas estarão “mortas” quando chegarem lá. Só podemos ver como a nuvem deve ser através de modelos computacionais baseados em órbitas planetárias e simulações de trajectórias de cometas.

Mas o que a nuvem de Oort tem a ver com o irmão gémeo do Sol? É que geralmente, os cientistas presumem que ela é composta por detritos da formação do Sistema Solar e de sistemas vizinhos, ou seja, objectos que nasceram ao redor de outras estrelas e, de alguma forma, foram capturados pela força gravitacional do Sol. No entanto, de acordo com Amir Siraj, pesquisador de Harvard, os modelos “tiveram dificuldade em produzir a proporção esperada entre objectos de disco dispersos e objectos da nuvem de Oort”.

Siraj é co-autor do novo estudo, publicado no Astrophysical Journal Letters, a respeito do irmão gémeo do Sol. Para responder essa incoerência, criou um modelo em que o Sol teve ajuda para capturar esses objectos de outras estrelas – essa ajuda, como você já deve ter imaginado, é de um irmão gémeo. Ou seja, seu modelo sugere que o Sol foi formado como um sistema binário que, por algum motivo, se separou muito cedo. Pensando dessa forma, parece óbvio, já que a maioria das estrelas semelhantes ao Sol nascem como sistemas binários.

O co-autor Ari Loeb, também de Havard, explica que “os sistemas binários são muito mais eficientes na captura de objectos do que estrelas simples”. Se essa for a resposta do mistério, estaremos mais perto de entender outras coisas, como os meios que a água foi transportada para a Terra, a extinção dos dinossauros, e a possível existência do Planeta 9.

Explicação para o Planeta 9

Os planetas do Sistema em escala comparados ao suposto Planeta 9 (Imagem: James Tuttle Keane/Caltech)

Existe uma deformação dos caminhos orbitais, indicando que há algo grande o suficiente para ser considerado um planeta depois da órbita de Plutão, e os astrónomos cada vez mais encontram evidências disso. Supõe-se que seja um objecto de dimensões planetárias, algo que ficou conhecido como Planeta 9. Mas, assim como a Nuvem de Oort, ele não pode ser observado directamente.

Como ele fica muito longe do Sol, o planeta hipotético provavelmente não se formou no Sistema Solar, mas sim teria sido atraído pela força gravitacional do Sol. Mas como? Bem, com um sistema binário no centro do Sistema Solar, isso pode ser mais plausível. O mesmo vale para outros objectos transnetunianos extremos, e há um monte deles por lá. “Não está claro de onde eles vieram, e nosso novo modelo prevê que deve haver mais objectos com uma orientação orbital semelhante ao Planeta Nove”.

Tudo isso talvez possa ser confirmado com os próximo observatórios, como o Vera C. Rubin (VRO), um grande telescópio que deve realizar sua primeira observação em 2021. Espera-se que o VRO confirme definitivamente ou rejeite a existência do Planeta 9. Siraj diz que se o VRO verificar a existência do Planeta 9, e confirmar sua origem como objecto capturado, “então o modelo binário terá preferência sobre a história estelar solitária que há muito se supõe”.

Mas o que teria acontecido a estrela gémea do Sol? Para onde foi? E como? Lord e Siraj dizem que outras estrelas que passaram pelo nosso aglomerado de formação estrelar teriam puxado a companheira do Sol, roubando-a, com suas influências gravitacionais. Agora, ela pode estar em qualquer lugar da Via Láctea.

Fonte: Big Think
Canaltech
Por Daniele Cavalcante | 19 de Agosto de 2020 às 20h15

 

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3372: Portuguesa Zita Martins participa em missão espacial inédita que vai interceptar cometa primitivo

CIÊNCIA

Uma missão espacial europeia, com a participação da astro-bióloga portuguesa Zita Martins, vai procurar interceptar pela primeira vez um cometa primitivo, inalterado pela radiação do Sol, para obter respostas sobre a origem da vida na Terra.

© Orlando Almeida / Global Imagens

A missão da Agência Espacial Europeia (ESA) “Comet Interceptor” (Interceptor de Cometa, em tradução livre) tem lançamento previsto para 2028 e será a primeira a recolher informação sobre um cometa que nunca se aproximou do Sol e, por isso, se manteve inalterado desde a sua formação.

“Apanhar” tais cometas tem sido difícil, uma vez que só podem ser detectados quando se aproximam do Sol pela primeira vez, deixando pouco tempo para planear e enviar uma missão espacial na sua direcção.

A missão “Comet Interceptor”, que conta com a colaboração da agência espacial japonesa (JAXA), vai colocar uma sonda a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, na direcção contrária ao Sol.

Em conjunto com telescópios terrestres, um deles a ser construído no Chile, o aparelho irá permitir detectar um cometa proveniente da Nuvem de Oort, região nos confins do Sistema Solar, e eventualmente corpos interestelares que entraram no Sistema Solar pela primeira vez e estão na trajectória de aproximação ao Sol.

Assim posicionada, a sonda, a principal, será um “ponto de espera” a um desses cometas, disse à Lusa Zita Martins, especialista no estudo da origem da vida na Terra e a única cientista portuguesa que integra a equipa internacional que vai analisar os dados recolhidos na missão.

Depois de identificar o cometa até então desconhecido, a sonda viajará durante meses ou anos pelo espaço para estar no sítio e no momento certos para interceptar o cometa quando este cruzar o plano da elíptica, o plano da órbita da Terra em relação ao Sol.

Duas sondas mais pequenas serão libertadas da sonda principal antes de se aproximarem do cometa. São estes dois aparelhos que vão circundar o cometa e recolher o máximo de informação possível, incluindo sobre a composição da sua superfície, a forma e estrutura.

Todos os dados obtidos serão transmitidos para telescópios terrestres através da sonda principal com a qual comunicam.

Para Zita Martins, professora no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, interceptar um cometa primitivo é como entrar na “máquina do tempo”, uma vez que possibilitará desvendar quais “as moléculas orgânicas” disponíveis no início da formação do Sistema Solar e, assim, dar pistas mais concretas sobre a origem da vida na Terra.

Os cometas, vulgarmente descritos como “bolas de gelo sujas”, têm na sua composição, além de gelo, poeira, fragmentos rochosos, gás e compostos orgânicos (estes últimos terão chegado à Terra fruto do impacto dos cometas na superfície terrestre).

Missões espaciais anteriores estudaram cometas que entraram várias vezes no Sistema Solar e passaram perto do Sol, que produziu alterações na sua superfície, escondendo a sua aparência original.

A sonda europeia Rosetta orbitou durante dois anos, entre 2014 e 2016, o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que viaja entre as órbitas da Terra e de Júpiter. Foi a primeira vez que uma sonda orbitou um cometa e teve um módulo robótico na sua superfície.

A missão “Comet Interceptor” será lançada à boleia de uma outra, a Ariel, também da ESA, que vai estudar a composição química da atmosfera de exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar) já descobertos e que conta também com a participação de cientistas portuguesas.

Diário de Notícias

DN/Lusa

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3249: As estrelas estão a “lançar” cometas para a Terra

CIÊNCIA

ESO

Já muitos astrónomos o suspeitavam, mas nunca tinha sido confirmado. Agora, cientistas observaram, pela primeira vez, estrelas a “lançar” cometas em direcção ao nosso Sistema Solar.

Os astrónomos polacos conseguiram identificar as duas estrelas “culpadas”, depois de estudar em detalhe os movimentos de outras 600 estrelas próximas, todas a uma distância máxima de 13 anos-luz do Sol. A descoberta valida uma teoria que já tem mais de 50 anos.

Segundo a teoria, explica o Canal Tech, as estrelas e os cometas formam uma espécie de parceiros de dança no Universo. De acordo com a tese, os cometas são atirados para dentro do Sistema Solar a partir da nuvem de Oort pela acção da gravidade de alguns astros brilhantes que passam brevemente perto da nossa vizinhança.

A nuvem de Oort, proposta inicialmente em 1932 por Ernst Öpik e retomada em 1950 pelo astrónomo Jan Oort, é um aglomerado de objectos que fica a pelo menos 50 mil unidades astronómicas de distância do Sol – é cerca de 66 vezes a distância de Neptuno ao astro. Acredita-se que este seja o limite do Sistema Solar.

A tese é que os cometas são objectos que saem desta nuvem para entrar no sistema, empurrados pela acção de alguma estrela de outro sistema.

O novo artigo sugere que a teoria pode ter alguma correlação com a realidade. Aceite para ser publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o estudo, que está disponível no ArXiv, descreve o cálculo que os astrónomos fizeram para identificar que algumas estrelas mudaram significativamente a órbita de alguns cometas no Sistema Solar.

“No nosso estudo, descobrimos apenas dois casos em que isso realmente aconteceu e, ainda assim, observamos dúzias de cometas todo ano”, disse a autora principal do estudo, Rita Wysoczańska, citada pelo Live Science. Foram observadas cerca de 650 estrelas, calculando as suas trajectórias e, então, verificando se as suas órbitas têm alguma coincidência com as de 270 cometas de longo período.

Foram criados modelos para os pares possíveis de estrelas e cometas, para identificar um ponto em comum entre eles. Depois, removiam a estrela para se certificar de que o astro realmente influenciou a órbita de cada cometa.

Agora, segundo a ABC, os cientistas acreditam que a órbita dos cometas é influenciada por um conjunto forças gravitacionais de estrelas ainda mais distantes, que criam as órbitas de longo período dos cometas. Ao entrarem no Sistema Solar, os objectos passam a sofrer a influência dos planetas.

ZAP //

Por ZAP
23 Dezembro, 2019

 

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