2096: Um “caixão” nuclear pode estar a verter partículas radioactivas no Oceano Pacífico

No início deste mês, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, disse estar preocupado que uma espécie de caixão com décadas de idade possa estar a verter partículas radioactivas no Oceano Pacífico.

Entre 1946 e 1958, o governo dos Estados Unidos testou 67 armas nucleares nas Ilhas Marshall, incluindo a bomba de hidrogénio Bravo de 1954, mil vezes maior que a bomba atómica de Hiroshima – a maior e mais poderosa arma nuclear já detonada pelos EUA.

Os testes ocorreram na superfície de lagoas de atol, muitas das ilhas e debaixo de água. Este sedimento contaminado de ilhas locais poderá ter eventualmente fluído para o Oceano Pacífico Norte.

No final dos anos 1970, o governo dos EUA recolheu solo radioactivo de ilhas vizinhas contaminadas e enterrou cerca de 84 mil metros cúbicos numa cratera criada por uma bomba no Atol de Enewetak. As autoridades cobriram a precipitação com uma cúpula de betão de 45 centímetros de espessura que se tornou conhecida como Cactus Dome, ou Runit Dome – mas era supostamente uma solução temporária.

O fundo do poço não foi revestido e, como a exposição causou a formação de rachaduras na cúpula, as autoridades estão preocupadas com a possibilidade de estarem a libertar material radioactivo no oceano, uma ameaça que só deve piorar com o aumento do nível do mar e aumento da frequência de tempestades intensificadas pela mudança climática.

“Está cheia de contaminantes radioactivos que incluem o plutónio-239, uma das substâncias mais tóxicas conhecidas pelo homem”, disse o senador Jack Ading, da Marshall Islands, à Agência France-Presse. “O caixão está a verter veneno no meio ambiente.”

Depois de os militares dos EUA se retiraram da região em 1986, pagou-se um “acordo completo de todas as reivindicações, passadas, presentes e futuras” relacionadas com o programa de testes nucleares. No entanto, muitos argumentam que as retribuições não foram suficientes.

“Acabo de estar com o presidente das Ilhas Marshall, que está muito preocupado porque há um risco de derrame de materiais radioactivos que estão contidos numa espécie de caixão na área”, disse Guterres em Fiji.

Uma inspecção dos EUA em 2013 descobriu que a precipitação radioactiva nos sedimentos da lagoa já é tão alta que até mesmo uma “falha catastrófica” não resultaria num aumento na exposição à radiação para cerca de 800 residentes. As descobertas confirmaram uma “rápida resposta da maré” ao aumento da água subterrânea sob a estrutura.

Sob um cenário de libertação mais plausível, existe o potencial de contaminação das águas subterrâneas do domo para o ambiente marinho.

Um estudo de 2018 que calculou os fluxos de radioactividade nas águas da lagoa descobriu que os Atóis Bikini e Enewetak ainda são uma fonte de longo prazo de Plutónio e Césio para o Pacífico Norte. Além disso, níveis mais altos de precipitação radioactiva na água do mar e nos sedimentos são encontrados mais nesta região do que nos oceanos do resto do mundo. Em particular, o Runit contribui para cerca de metade do plutónio na coluna de água da lagoa Enewetak.

No entanto, os investigadores concluíram que as águas subterrâneas debaixo da cúpula não são uma fonte significativa. O governo acrescenta que a água subterrânea que flui para o recife oceânico será “muito rapidamente diluída” e resultaria em pouco ou nenhum aumento mensurável na radiação para populações marinhas ou humanas.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2019



1874: Só as mulheres podem parar o Apocalipse nuclear

CIÊNCIA

Pierre J. / Flickr

O aumento da participação feminina no sector nuclear ajudaria a reduzir a ameaça de um Apocalipse, afirmou recentemente a analista Xanthe Scharf.

O conflito nuclear continua a ser a maior ameaça imediata à segurança global. Os Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Israel, Paquistão e Coreia do Norte são actualmente os Estados com armas nucleares e possuem, aproximadamente, 15 mil ogivas nucleares.

Esta semana, foi levantada a ponta do véu sobre um possível conflito armado, após o abrandamento frio das conversações entre os EUA e a Rússia. No entanto, apesar de ser importante ter uma política nuclear sólida e estável para a segurança dos EUA e do mundo, no caminho para a melhoria um factor claro foi negligenciado: ter mais mulheres no campo.

Pesquisas mostram que, sem a participação das mulheres na gestão nuclear, o potencial comportamento de risco nesta área é muito maior, os acordos negociados são menos propensos a manterem-se activos e as ideias inovadoras são postas de lado.

Um estudo de 2016, publicado na Royal Society, provou que os homens, em cenários de guerra simulados, são mais propensos a demonstrar excesso de confiança do que as mulheres. O estudo mostra assim os benefícios em garantir que as mulheres são totalmente representadas neste tipo de funções políticas de alto nível.

A pesquisa mostra também que os acordos nucleares bilaterais e os compromissos globais, como o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, seriam mais fortes com a participação das mulheres.

Num artigo publicado na revista Foreign Policy, a analista Xanthe Scharf sublinha que os estudos realizados no campo da manutenção da paz revelaram os benefícios associados ao aumento da participação feminina. Actualmente, as mulheres representam apenas 25% das delegações nas negociações sobre a não proliferação de armas nucleares.

A colunista lembrou que as mulheres desempenharam um papel importante na área de segurança nuclear e no desenvolvimento da política nuclear nos anos 1950, período em que constituíam 20% dos funcionários da CIA, a agência de inteligência civil do Governo norte-americano.

Contudo, entre 1970 e 2019, apenas 11 dos 68 de altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos eram mulheres, apenas cinco de 63 no Pentágono e apenas dois dos 21 conselheiros de Segurança Nacional do país pertenciam ao género feminino.

Xanthe concluiu que o aumento do papel das mulheres no mundo não é apenas um problema de justiça social. O mais importante é que as questões de segurança nuclear são de enorme risco e “o mundo não se pode dar ao luxo de excluir e ignorar inovações e talentos”.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
21 Abril, 2019

 

223: Cenários das séries sobre o Apocalipse nuclear são muito optimistas

(dr) The CW
“The 100”, poster da 4ª época

Uma explosão simultânea de todas as centrais nucleares do mundo, em resultado de um ataque nuclear ou uma calamidade natural, tornaria o nosso planeta completamente inabitável ao longo dos 156 anos seguintes, devido à contaminação do solo e da atmosfera, descobriram os cientistas.

No final da 4ª temporada da série The 100, os seus heróis voam para o espaço para tentarem salvar-se do Apocalipse nuclear provocado por uma explosão quase simultânea de todas as centrais nucleares do mundo. A protagonista principal, Clarke, garante que o planeta voltaria a ser seguro para viver ao fim de 2.199 dias.

“Tentámos verificar se esse seria realmente o caso“, explicam os autores de um novo estudo, apresentada num artigo publicado no Journal of Physics Special Topics.

Segundo as actuais avaliações da ONU e da Agência Internacional de Energia Atómica, as centrais nucleares produzem cerca de 11% de toda a energia eléctrica na Terra. Hoje em dia, o nosso planeta tem cerca de 430 centrais nucleares e quase 200 reactores flutuantes instalados em submarinos, quebra-gelos e centrais de energia flutuantes.

Em meados deste século, acreditam os especialistas das Nações Unidas, o número de reactores duplicará, e atingirá cerca de 900.

Na série The 100, estes reactores ficam fora de serviço quase ao mesmo tempo porque a protagonista destrói o sistema de inteligência artificial ALIA, que tinha provocado uma guerra nuclear no 1º episódio da série, e que geria o funcionamento de todas as instalações atómicas do planeta.

Usando dados das explosões nas centrais nucleares de Chernobyl e Fukushima, os cientistas britânicos tentaram calcular quantos radio-isótopos seriam lançados para a atmosfera após um cataclismo e por quanto tempo o planeta ficaria inabitável para o ser humano.

De acordo com os resultados destes cálculos, a protagonista de The 100 terá sido muito optimista ao estimar a “quarentena” em 2.199 dias, uma vez que a dispersão dos grandes volumes de césio-137 e outros isótopos de vida longa libertados para a atmosfera tornaria a Terra inabitável para as pessoas ao longo de 150 anos, e não apenas 5.

Nos primeiros anos após a explosão, o nível de radiação, caso os resíduos tivessem sido distribuídos de forma regular, seria 35 vezes superior ao normal, e diminuiria até índices mais ou menos seguros apenas após cerca de 50 anos.

Claro que, realçam os cientistas, nada disso pode acontecer na realidade, uma vez que a maioria dos reactores modernos é equipado com vários sistemas de segurança que interromperiam as reacções químicas e desligariam o reactor caso o seu sistema de arrefecimento tivesse ficado enfraquecido.

Excepto, claro, num outro cenário de Apocalipse: o de uma Guerra Termonuclear Global.

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