4366: Relógio em Nova Iorque mostra o tempo restante para reverter efeitos do aquecimento global

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL/CLIMA

The Climate Clock / Twitter
The Climate Clock no lugar do Metronome, em Nova Iorque

O Metronome, icónico relógio digital de Nova Iorque, deixou de mostrar o tempo do dia-a-dia e mostra agora o tempo restante que o nosso planeta tem para reverter os efeitos do aquecimento global.

O relógio digital com 15 dígitos e quase 19 metros de comprimento é, há mais de 20 anos, um dos projectos mais proeminentes e icónicos da cidade.

Situado na Union Square, em Manhattan, o relógio costumava mostrar o tempo de uma forma peculiar, contando as horas, os minutos, os segundos e as suas fracções, a partir de e até à meia noite.

Durante anos, algumas pessoas não entendiam como funcionava e sugeriam que o mostrador media os hectares de floresta destruída todos os anos, a população mundial, ou que estaria mesmo relacionado com o número pi.

Segundo o New York Times, o relógio adoptou, agora, uma nova missão ecológica. Em vez de medir ciclos de 24 horas, mostra o tempo restante para impedir que os efeitos do aquecimento global se tornem irreversíveis, referindo-se principalmente ao tempo restante para controlar as emissões de carbono antes de atingir o ponto crítico.

No sábado, algumas mensagens como “A Terra tem um prazo” apareceram no ecrã, seguidas de números – 7:103:15:40:07 – que mostravam os anos, dias, horas, minutos e segundos restantes até que o planeta passe esse limite irreversível.

Foto do perfil, abre a página do perfil no Twitter em uma nova aba

TheClimateClock
@theclimateclock
“The world is literally counting on us.” #ClimateClock #GreenNewDeal #ActInTime #ClimateWeekNYC
A New York Clock That Told Time Now Tells the Time Remaining
Metronome’s digital clock in Manhattan has been reprogrammed to illustrate a critical window for action to prevent the effects of global warming from becoming irreversible.
nytimes.com

De acordo com Gan Golan e Andrew Boyd, dois climate deadline artists, os números apresentados no ecrã gigante baseiam-se em estimativas feitas pela equipa do Mercator Research Institute of Global Commons and Climate Change.

“Esta é a nossa maneira de gritar aquele número”, disse Golan mesmo antes da contagem decrescente começar. “Agora o mundo está, literalmente, a contar connosco“, acrescentou o artista.

O Relógio Climático, como os criadores chamam ao projecto, será exibido até dia 27 de Setembro, o último dia da Climate Week. Golan e Boyd pretendem que o relógio esteja permanentemente naquele ou noutro local.

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ZAP //

Por ZAP
21 Setembro, 2020

 

 

2688: Jovens do mundo inteiro ocupam a ONU em inédita Cimeira do Clima

AMBIENTE

Justin Lane / EPA
O secretário geral da ONU, António Guterres, com a activista Greta Thunberg, de 16 anos

Mais de 500 jovens, representantes de mais de 140 países, ocuparam este sábado o espaço habitualmente destinado aos diplomatas da ONU.

A United Nations Youth Climate Summit, primeira cimeira da juventude sobre o clima, em Nova York, aconteceu este sábado, após as enormes manifestações contra o aquecimento global que tiveram lugar por todo o mundo na sexta-feira.

Os jovens compareceram em força à cimeira, tendo proposto soluções concretas e exigindo dos chefes de Estado medidas para travar as mudanças climáticas.

Duas gerações inauguraram o dia de debates na sede das Nações Unidas. A primeira foi representada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o grande dinamizador do encontro, que culmina na segunda-feira com a Cimeira do Clima dos líderes mundiais.

A ambientalista sueca Greta Thunberg representava a segunda geração, este sábado a maioria dos participantes.

Mostrámos que estamos unidos e que os jovens são imparáveis“, disse a activista de 16 anos, que ficou conhecida pelas suas greves às sextas-feiras em frente ao Parlamento sueco, sob o lema “Sextas pelo Futuro”, que se transformaram em um movimento mundial.

A sueca preferiu dar o seu tempo ao representante de outros continentes, e foi o discurso do argentino Bruno Rodríguez, de 19 anos, que expressou melhor a indignação da juventude mundial.

“Dizem que a nossa geração deve resolver os problemas criados pelos actuais governantes, mas não vamos esperar passivamente. Chegou a hora de sermos os líderes“, disse o fundador da organização Jovens pelo Clima Argentina. “Basta! Não queremos mais combustíveis fósseis!”, afirmou o activista.

Energia rara

Segundo a correspondente da RFI em Nova York, Carrie Nooten, raramente se viu nos corredores da ONU tanta energia e tantas soluções concretas. Os participantes puderam apresentar quer projectos tecnológicos quer naturais, criados nos seus países de origem, para combater as mudanças climáticas.

Há muito tempo que pedimos um lugar à mesa dos que tomam as decisões”, disse aos jovens líderes Jayathma Wickramanayake, mandatária para a juventude do secretário-geral da ONU. “Hoje, são os líderes mundiais que estão a pedir para negociar connosco”, completou.

A jovem Kamal Karishma Kumar, das Ilhas Fiji, realçou que para as ilhas do Pacífico combater as mudanças climáticas é uma questão de sobrevivência. “Não queremos que as gerações futuras afundem com nossas ilhas“, afirmou.

Em nome dos 625 milhões de jovens africanos, o queniano Wanjuhi Njoroge recordou que os países de África são os que emitem menos gases de efeito estufa, mas os que mais sofrem com as consequências do aquecimento global, e pediu acima de tudo apoio financeiro “para trabalhar na mitigação e adaptação às mudanças climáticas”.

Sentado entre os jovens, Guterres pediu-lhes que continuem a lutar e exigir que os líderes prestem contas sobre os seus planos para o clima”.

Ainda estamos a perder a corrida contra o aquecimento global. Ainda há quem atribua subsídios às energias fósseis e centrais de carvão. Mas nota-se uma mudança nesta dinâmica, devido em parte às vossas iniciativas e à coragem com que vocês começaram este movimento”, afirmou.

Na sexta-feira, cerca de 4 milhões de jovens saíra às ruas de mais de 5 mil cidades em 163 países do planeta, para participar do maior protesto da história na luta contra as mudanças climáticas.

Cimeira dos líderes mundiais

A cimeira da juventude abriu a Cimeira do Clima da ONU, que termina esta segunda-feira com uma reunião de chefes de Estado. Representantes de mais de 60 países participam do encontro e novos anúncios para conter o aquecimento global são esperados.

Os líderes mundiais começam a chegar este domingo a Nova York para participar no evento, ao qual se segue a Assembleia Geral da ONU da próxima terça-feira. O presidente dos EUA, Donald Trump, tal como o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, vão estar presentes na Assembleia Geral da ONU, mas não participarão na Cimeira do Clima.

O motivo, António Guterres, é não terem mostrado interesse.

ZAP // RFI

Por RFI
22 Setembro, 2019