1380: Primeira luz do SPECULOOS

eso1839pt — Nota de Imprensa Institucional

Quatro telescópios dedicados à procura de planetas habitáveis situados em órbita de estrelas próximas ultra-frias começam a operar de forma bem sucedida no Observatório do Paranal do ESO

O projecto SPECULOOS fez as suas primeiras observações no Observatório do Paranal do ESO, no norte do Chile. O SPECULOOS focar-se-á na detecção de planetas do tamanho da Terra que orbitam estrelas ultra-frias e anãs castanhas próximas.

O SPECULOOS Southern Observatory (SSO, Observatório do Sul SPECULOOS) foi instalado com sucesso no Observatório do Paranal e obteve as suas primeiras imagens de engenharia e calibração — um processo conhecido por primeira luz. Quando terminar esta fase de comissionamento, esta nova rede de telescópios caçadores de planetas irá começar as operações científicas, o que se prevê que aconteça a partir de Janeiro de 2019.

O SSO é a infra-estrutura principal de um novo projecto de procura de exoplanetas chamado SPECULOOS (Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars) [1] e é constituído por quatro telescópios equipados com espelhos primários de 1 metro. Os telescópios — chamados Io, Europa, Ganímedes e Calisto, como os quatro satélites galileanos de Júpiter — tirarão o máximo partido das excelentes condições de observação do Paranal, local que acolhe igualmente a infra-estrutura emblemática do ESO, o Very Large Telescope (VLT). O Paranal é um local quase perfeito para a astronomia, apresentando céus escuros e um clima árido e estável.

Estes telescópios têm uma enorme tarefa pela frente — a procura de planetas do tamanho da Terra potencialmente habitáveis, situados em órbita de estrelas ultra-frias ou anãs castanhas, cujas populações planetárias estão ainda praticamente inexploradas. Apenas se encontraram alguns exoplanetas em torno de tais estrelas e menos ainda situados na zona de habitabilidade da respectiva estrela progenitora. Apesar de serem difíceis de observar, estas estrelas ténues são bastante abundantes — cerca de 15% das estrelas do Universo próximo. O SPECULOOS foi concebido para explorar 1000 destas estrelas, incluindo as mais próximas, mais brilhantes e mais pequenas, na busca de planetas habitáveis do tamanho da Terra.

O SPECULOOS dar-nos-á uma capacidade sem precedentes de detectar planetas do tipo terrestre a eclipsar algumas das nossas vizinhas estelares mais pequenas e frias,” explica Michaël Gillon da Universidade de Liège, Bélgica, investigador principal do projecto SPECULOOS. “Trata-se de uma oportunidade única para descobrir todos os pormenores destes mundos próximos.

O SPECULOOS irá procurar exoplanetas pelo método dos trânsitos [2], seguindo o exemplo do seu telescópio protótipo TRAPPIST-South instalado no Observatório de La Silla do ESO. Este telescópio encontra-se em operação desde 2011 e detectou o famoso sistema planetário TRAPPIST-1. Quando um planeta passa pela frente da sua estrela, bloqueia uma pequena parte da emissão estelar — dando essencialmente origem a um pequeno eclipse parcial — o que resulta numa diminuição, subtil mas detectável, da luz da estrela. Os exoplanetas com estrelas hospedeiras mais pequenas bloqueiam mais quantidade de emissão estelar durante o trânsito, fazendo com que estes eclipses periódicos sejam mais fáceis de detectar do que os associados a estrelas maiores.

Até agora, apenas uma pequena fração dos exoplanetas detectados por este método possuem um tamanho semelhante ou inferior ao da Terra. No entanto, o pequeno tamanho das estrelas alvo do SPECULOOS combinado com a elevada sensibilidade dos telescópios permitirá detectar planetas em trânsito de tamanho terrestre situados nas zonas de habitabilidade das estrelas. Estes planetas serão os candidatos ideais para observações de seguimento a serem executadas por grandes telescópios, situados tanto no solo como no espaço.

Os telescópios estão equipados com câmaras extremamente sensíveis no infravermelho próximo,” explica Laetitia Delrez do Cavendish Laboratory, Cambridge, Reino Unido, co-investigadora da equipa SPECULOOS. “Esta radiação situa-se um pouco para além do que o olho humano consegue detectar e é a radiação principal emitida pelas estrelas ténues que o SPECULOOS irá observar.

Os telescópios e as seus suportes coloridos foram construídos pela companhia alemã ASTELCO, encontrando-se protegidos por cúpulas fabricados pela empresa italiana Gambato. O projecto terá o apoio dos dois telescópios TRAPPIST de 60 cm, um instalado no Observatório de La Silla do ESO e o outro em Marrocos [3]. O projecto irá também incluir o SPECULOOS Northern Observatory e o SAINT-Ex, os quais estão actualmente a ser construídos em Tenerife, Espanha, e em San Pedro Mártir, México, respectivamente.

Há também potencial para uma futura colaboração com o Extremely Large Telescope (ELT), o futuro telescópio emblemático do ESO, actualmente em construção no Cerro Armazones, no Chile. O ELT será capaz de observar planetas detectados pelo SPECULOOS com um detalhe sem precedentes — e talvez até analisar as suas atmosferas.

Estes novos telescópios permitir-nos-ão investigar mundos do tipo da Terra no Universo próximo com mais detalhe do que o que poderíamos imaginar há apenas dez anos atrás,” conclui Gillon. “Estamos a entrar numa época fantástica para a ciência dos exoplanetas.

Notas

[1] Speculoos, ou speculaas, é um biscoito de especiarias (como a canela, noz moscada, cravinho, gengibre, entre outros) tradicionalmente confeccionado na Bélgica e noutros países para o dia de São Nicolau, celebrado a 6 de Dezembro. O nome, com a sua doce conotação, reflete a origem belga do projecto SPECULOOS. O projecto TRAPPIST tem também o mesmo tipo de nome belga — refere as cervejas Trappist, a maioria das quais são produzidas na Bélgica.

[2] O método dos trânsitos é um dos vários métodos utilizados para descobrir exoplanetas. Uma variedade de instrumentos, incluindo o espectrógrafo HARPS do ESO, instalado no Observatório de La Silla, usa o método das velocidades radiais para detectar exoplanetas, medindo as variações na velocidade de uma estrela devido à existência de um planeta na sua órbita.

[3] O projecto recebeu também financiamento do Conselho de Investigação Europeu no âmbito do 7º Programa Quadro da União Europeia, bolsa (FP7/2007-2013)/ERC nº 336480.

Informações adicionais

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO tem 16 Estados Membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, para além do país de acolhimento, o Chile, e a Austrália, um parceiro estratégico. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo, para além de dois telescópios de rastreio: o VISTA, que trabalha no infravermelho, e o VLT Survey Telescope, concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é também um parceiro principal em duas infra-estrutura situadas no Chajnantor, o APEX e o ALMA, o maior projecto astronómico que existe actualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está a construir o Extremely Large Telescope (ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

O SPECULOOS Southern Observatory (SSO) é um projecto levado a cabo pela Universidade de Liège (Bélgica), o Laboratório Cavendish, Cambridge (RU) e a Universidade Rei Abdulaziz (Arábia Saudita), sob a liderança de Michaël Gillon, investigador e chefe do grupo EXOTIC (EXOplanets in Transit: Identification and Characterization) do Departamento de Astrofísica, Geofísica e Oceanografia (AGO) da Universidade de Liège. O SSO envolve ainda cientistas das  Universidades de Berna, Birmingham e Warwick. O ESO apoia o SSO, acolhendo-o no Observatório do Paranal, no deserto chileno do Atacama.

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Margarida Serote
Representante da Rede de Divulgação Científica do ESO em Portugal
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Michaël Gillon
SPECULOOS Principal Investigator
University of Liège, Belgium
Tel.: +32 4366 9743
Telm.: +32 473 346 402
Email: michael.gillon@uliege.be

Didier Queloz
SPECULOOS co-Principal Investigator, University of Cambridge
UK
Tel.: +44 7746 010890
Email: dq212@cam.ac.uk

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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1839, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contacto local com os meios de comunicação social, em ligação com os desenvolvimentos do ESO. A representante do nodo português é Margarida Serote.

ESO
5 de Dezembro de 2018

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926: Verão atípico põe a descoberto (estranhas) “Pedras da Fome” na Europa

NOTÍCIAS

A Europa enfrenta um verão atípico e, com isso, têm surgido mensagens “escondidas” um pouco por todo o território europeu. Desta vez, foram encontrados marcas misteriosas gravadas em pedras, que não são apenas vestígios das sociedades antigas, mas também alertas para os tempo difíceis que se aproximam.

A seca severa que atinge a Europa Central pôs a descoberto pedras antigas, que têm (estranhas) mensagens gravadas na sua superfície. Uma das pedras foi encontrada na República Checa e são vulgarmente conhecidas como “Pedras da Fome“, relevou a AP.

Normalmente, estas pedras não são visíveis pois ficam abaixo da linha de água do rio Elba, que flui através da cidade de Děčín, no norte do país. No entanto, com os níveis de água a atingir os recordes mais baixos na Europa, as rochas e as mensagens nelas gravadas ficaram novamente expostas.

Mais de uma dúzia de “Pedras da Fome” podem ser vistas na cidade, que acabam por registar os níveis mais baixos de água em séculos. Em 2013, um grupo de investigadores levou a cabo um estudo sobre as secas históricas na República Checa e descreveram estas rochas como pedras “esculpidas por anos de dificuldade e com as iniciais dos autores perdidos para a história”.

No passado, estas pedras serviam para medir os níveis das águas e, baixos níveis de água eram sinal de que tem difíceis se estavam a aproximar.

A mais antiga e famosa destas marcas, conhecida simplesmente por Hunger Rock, de acordo com o guia turístico da cidade, contém uma inscrição que data de 1616, onde se lê: “Se me vires, chora” (Wenn du mich siehst, dann weine).

Embora as inscrições legíveis mais antigas desta pedra em particular datem de 1616, existem outras rochas que já vivenciaram numerosas secas desde 1417.

Uma outra “Pedra da Fome” da Alemanha regista as condições climatéricas daquele ano de forma mais feliz: “Se voltares a ver esta pedra novamente, irás chorar, de tão superficial que as águas estavam em 1417”.

Outras há que dizem: “Nós choramos. Nós choramos. E tu vais chorar” e também “Quem me viu uma vez, chorou; Quem me vir agora vai chorar”.

As razões para estes alertas sinistros – como se soubessem o que está para vir – podem ser várias. Quando a seca e o calor chegam, significa não apenas que a colheita será má, mas também que haverá falta de comida e os preços irão subir, consequentemente.

Além disso, quando o nível das águas baixa drasticamente, o transporte fluvial torna-se mais difícil, ameaçando o sustento das famílias que vivem junto da costa.

Com o rio Elba no seu nível mais baixo em mais de meio século, a seca tem recordado também outro tipo de miséria: nesse mesmo canal têm sido encontradas bombas não detonadas da Segunda Guerra Mundial e granadas de mão, que estiveram submersas por mais de 70 anos.

Enquanto os cientistas ainda indagam com estes presságios para o futuro, a mais recente inscrição na “Pedra da Fome” encontrada na República Checa tenta, pelo menos, aliviar um pouco o clima – “Não chores, menina, não te preocupes. Quanto estiver seco, apenas pulveriza o teu campo” (Neplac holka, nenarikej, kdyz je sucho, pole strikej).

Fenómenos semelhantes têm sido relatados um pouco por toda a Europa, onde as condições atípicas e secas têm desvendado monumentos pré-históricos ou mensagens da Segunda Guerra Mundial.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
27 Agosto, 2018

(Foi corrigido 1 erro ortográfico ao texto original)

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384: Elon Musk anuncia criação de “império mediático intergaláctico”

Thomas Hawk / Flickr
Elon Musk: Sonhador, bilionário, fundador do PayPal, SpaceX, Tesla, Boring Company, HyperLoop, Solar Cities…

O fundador das empresas SpaceX e Tesla anunciou a sua intenção de iniciar um novo negócio na área dos media.

Elon Musk publicou um tweet, na passada quarta-feira, com uma única palavra – “Thud!” – que deixou muitos fãs curiosos. Posteriormente, o empresário multimilionário explicou que se trata do nome do seu “novo império mediático intergaláctico”.

Em declarações à Variety, um dos representantes do fundador de empresas como a SpaceX e Tesla confirmou à revista que o empresário não estava a brincar e que “Thud” é, de facto, o nome da nova empresa, não tendo, contudo, revelado mais detalhes.

Entretanto, vários jornalistas já confirmaram que na base de dados do GoDabby, um site de registo de domínios, o endereço thud.com já foi reservado. Porém, as informações sobre os seus proprietários não estão disponíveis.

Anteriormente, o The Daily Beast já tinha avançado que Musk tentou comprar o The Onion e que até já contratou vários dos colaboradores deste site de notícias falsas para os envolver no seu novo projecto secreto.

Em particular, na equipa de Musk estão neste momento a trabalhar o ex-editor-chefe do The Onion, Cole Bolton, e o editor executivo, Ben Berkle. Os próprios confirmaram que se vão envolver num novo “projecto de comédia”.

“É óbvio que a comédia é a próxima fronteira depois dos veículos eléctricos, da exploração espacial e dos interfaces cérebro-computadores. Não entendo como alguém pode ignorá-la”, destacou o bilionário.

Anteriormente, Musk anunciou o projecto do seu novo autocarro eléctrico subterrâneo, capaz de atingir uma velocidade de até 200 quilómetros por hora. O projecto será desenvolvido por uma das suas empresas, The Boring Company.

ZAP // Sputnik News

Por SN
16 Março, 2018

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