2769: “Casa dos Mortos” encontrada na Noruega pode desvendar novos segredos da Era Viking

CIÊNCIA

Khosrork / Canva

Pouco se sabe sobre as morgues – ou “casa dos mortos” – vikings. Esta nova descoberta aponta uma diversidade nas práticas funerárias vikings até agora desconhecida, que vai muito além do uso de barcos, em simbologia da travessia para o outro lado da vida. 

Durante a construção de uma estrada na província de Trondelag, na Noruega, foi encontrado um cemitério no território da fazenda medieval de Vinjeora. Depois de várias escavações, ficou claro que não se tratava de um cemitério comum, mas sim de uma morgue da Era Viking.

Esta rara descoberta consiste numa construção de cerca de cinco metros de comprimento e meio metro de largura. De acordo com os arqueólogos que trabalharam no local, o prédio tinha colunas nos seus quatro cantos, que sustentavam um telhado de tábuas. À excepção de alguns tijolos, as paredes e o tecto do prédio já não estão preservados há muito tempo.

Vikinger i krig

Spenner funn av et dødehus fra vikingtid

FANT HUS MIDT I GRAVHAUG: Den døde ble sannsynligvis gravlagt inne i huset. Foto: Raymond Sauvage / NTNU Vitenskapsmuseet

Raymond Sauvage, arqueólogo do Museu Científico da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega, disse à NRK que “esta descoberta é muito interessante”, na medida em que o condado de Vinjeora foi um assentamento viking. Nos campos de Vinjeora foram encontrados até sete cemitérios, invisíveis aos olhos leigos por causa do impacto de vários anos de actividade agrícola.

Os arqueólogos encontraram na região tanto barcos quanto caixões, o que sugere que os vikings velavam os mortos de várias maneiras. “Já sabíamos que, naquela altura, as pessoas eram veladas em barcos. Mas agora sabemos que alguns poderiam ser velados em covas”, afirmou o arqueólogo, citado pela Sputnik News.

“Alguns eram, inclusive, cremados. Somando todas as informações, temos um quadro muito interessante. Esperamos que isto possa melhorar a nossa percepção sobre a Era Viking na Escandinávia”, acrescentou Sauvage.

Fant sjeldent dødehus

Inne i gravhaugen fant arkeologene restene av et sjeldent dødehus fra vikingtida.– Vi kjenner jo til at folk ble begravd i båter. Nå forstår vi at noen også fikk et hus med seg i graven, sier Raymond Sauvage.Les mer her: https://www.nrk.no/viten/arkeologer-ved-ntnu-vitenskapsmuseet-har-funnet-restene-fra-et-sjeldent-dodehus-fra-vikingtiden-1.14707210

Publicado por NRK Viten em Quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Até agora, foram descobertas 15 morgues na Noruega. Apesar da descoberta de construções semelhantes noutros pontos da Escandinávia, como na Suécia e na Dinamarca, este fenómeno ainda é pouco conhecido.

Há quem acredite que estas “casas” desempenharam papel simbólico, semelhante à prática de despachar cadáveres em barcos, simbolizando a travessia final.

Marianne Hem Eriksem, do Museu de História Cultural de Oslo, sugeriu que as “casas dos mortos” fossem um local ritualístico, cuja função seria acompanhar a transição entre a morte biológica e a morte social. “Talvez fossem locais para se despedirem, limpar e vestir os cadáveres, antes do momento do enterro”, explicou.

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2019

 

2580: Um enorme navio quebra-gelo vai ficar preso (de propósito) no oceano Árctico

CIÊNCIA

O navio quebra-gelo RV Polarstern vai sair da Noruega nas próximas semanas, com destino ao Árctico, para estudar nos próximos meses como as alterações climáticas estão a remodelar este oceano.

Um dos navios mais indestrutíveis do mundo — RV Polarstern — vai partir da Noruega no próximo dia 20 de Setembro, em direcção ao Oceano Árctico, onde ficará preso nos próximos 13 meses (de forma propositada). O quebra-gelo tem um objectivo ambicioso: determinar como as alterações climáticas estão a remodelar este oceano, escreve o Live Science.

A expedição, chamada de Multidisciplinary drifting Observatory for the Study of Arctic Climate (MOSAIC) — algo como Observatório Multidisciplinar de Deriva para o Estudo do Clima do Árctico —, está a ser planeada há anos. Com um investimento de mais de 118 milhões de euros, vai exigir a participação de mais de 600 pessoas, entre cientistas e equipa técnica.

O líder da expedição, Markus Rex, do Instituto Alfred Wegener (que opera o Polarstern), afirma que o navio vai entrar provavelmente no gelo marinho flutuante em meados de Outubro e depois ficará à deriva no Árctico, cercado de gelo, até ao próximo verão, antes de voltar ao seu porto de origem em Bremerhaven, na Alemanha, no outono.

A MOSAIC vai investigar as fontes de energia ambiental envolvidas no derretimento e movimentação do gelo marinho; a formação e precipitação das nuvens do Árctico e os efeitos das transferências de calor e massa entre a atmosfera, o gelo e o oceano. Depois, as descobertas serão usadas para refinar os modelos computacionais do clima global.

Em diferentes fases da expedição, centenas de pessoas vão ser transportadas para este navio através de outros quatros quebra-gelo — a partir da Suécia, Rússia e China — e por aeronaves que vão pousar numa pista de gelo construída nas proximidades.

Ao contrário de outras expedições científicas, os cientistas vão estudar o ambiente do Árctico durante todo o seu ciclo anual de congelamento e descongelamento, desde o crescimento do gelo marinho no outono até à sua ruptura no verão seguinte.

Quando o gelo for espesso o suficiente (cerca de 1,5 quilómetros de espessura), vão ser instalados acampamentos e instrumentos científicos a até 50 quilómetros do navio. As medições serão feitas até quatro mil metros abaixo da superfície e a altitudes superiores a 35 mil metros.

A nova expedição recorda a viagem realizada, no final do século XIX, pelo Fram, navio de Fridtjof Nansen. O cientista norueguês e a sua equipa de 12 elementos deixaram Tromsø, a mesma cidade de onde vai partir agora o RV Polarstern, em Julho de 1893, e começaram a flutuar pelo gelo marinho em Outubro, perto das Ilhas da Nova Sibéria.

Depois de andar à deriva durante quase dois anos, Nansen ficou insatisfeito com o progresso do navio, tendo decidido deixá-lo, em Março de 1895, na tentativa de alcançar o Polo Norte sobre o gelo, juntamente com Hjalmar Johansen, um dos tripulantes.

Mas menos de um mês mais tarde, o frio intenso e o agravamento do clima obrigaram os dois exploradores a suspender a expedição e a passar o inverno polar na Terra de Francisco José, um arquipélago polar russo.

Nansen e Johansen acabariam por ser resgatados por outra expedição no Árctico, e o Fram permaneceu congelado até Agosto de 1896, antes de voltar com a restante equipa para a Noruega.

ZAP //

Por ZAP
5 Setembro, 2019

 

2413: Renas estão a morrer à fome na Noruega. A culpa é das alterações climáticas

(dr) Elin Vinje Jenssen / Norsk Polarinstitutt

Investigadores descobriram que as mais de 200 renas encontradas mortas no arquipélago Svalbard, na Noruega, morreram à fome por causa das consequências das alterações climáticas.

Todos os anos, ecologistas do Instituto Polar Norueguês (NPI) fazem uma pesquisa sobre a população de renas em Svalbard, um arquipélago na Noruega composto por glaciares e tundra congelada (um bioma no qual a baixa temperatura e estações de crescimento curtas impedem o desenvolvimento de árvores).

Depois de dez semanas de investigação, os cientistas concluíram não só que a população de renas está a diminuir, mas também que os animais estão a perder peso. De acordo com o canal estatal NRK, citado pelo Live Science, as centenas de carcaças encontradas mostram que as renas estão a passar fome. “É assustador encontrar tantos animais mortos”, afirmou Åshild Ønvik Pedersen, um membro do NPI, à televisão.

As alterações climáticas estão a levar as temperaturas mais quentes para Svalbard, o que se traduz em maior precipitação. Segundo os investigadores do NPI, as fortes chuvas, ocorridas em Dezembro do ano passado, foram responsáveis pelo número excepcionalmente alto de mortes.

Depois de ter atingido o solo, a precipitação congelou, criando “cápsulas de gelo” na tundra, uma espessa camada que impedia as renas de alcançar a vegetação nos seus pastos de inverno habituais. Isto forçou os animais a cavarem poços na neve da orla costeira para encontrar algas, que são menos nutritivas do que a sua dieta habitual.

Os cientistas também observaram renas a pastar nas falésias, algo que estes animais raramente fazem durante o inverno, quando a comida é mais abundante. As regiões montanhosas e rochosas de Svalbard não têm muita vida vegetal, sendo esta “estratégia de cabras da montanha” arriscada para as renas, porque as falésias são muito íngremes.

Sem conseguir chegar às pastagens, as renas também se deslocam até mais longe para encontrar comida. E, quando há pouco para comer, os animais mais jovens e mais velhos são geralmente os primeiros a morrer, disse Pedersen à NRK.

Em 2016, um estudo da Sociedade Ecológica Britânica feito na Noruega também concluiu que as renas estão a encolher e o seu peso diminuiu 12% em 16 anos por causa do aumento das temperaturas.

ZAP //

Por ZAP
7 Agosto, 2019

 

1831: Luzes “alienígenas” nos céus da Noruega eram afinal um teste da NASA

NASA

Vários noruegueses ficaram perplexos no passado sábado com um fenómeno nos céus. Luzes brilhantes e misteriosas surgiram no ar, levando a especulações sobre uma possível actividade alienígena.

De acordo com os relatos, surgiram no céu vários pontos coloridos, seguidos depois de grandes nuvens igualmente brilhantes com luzes roxas e verdes.

Apesar da especulação, o espectáculo de luzes fazia parte de uma experiência da agência espacial norte-americana, a AZURE, que testa o lançamento de foguetes.

Financiada pela NASA, a missão visa melhor compreender o fluxo de partículas na ionosfera – camada da atmosfera terrestre ionizada por radiação solar e cósmica – e descobrir mais sobre a contribuição de uma aurora para a quantidade de energia que entra e sai no sistema geo-espacial da Terra.

Foram lançados dois foguetes, que mediram a temperatura e a densidade atmosférica e implantaram também marcadores que ionizam quando expostos à luz solar.

“Parecia um ataque alienígena”, disse Michael Theusner, um habitante que gravou o fenómeno em vídeo.

“Essas misturas criam nuvens coloridas que permitem aos cientistas rastrear o fluxo de partículas neutras e carregadas, respectivamente”, explicou a NASA, acrescentando que os seus marcadores “não representam perigo para os moradores da região”.

As nuvens foram depois rastreadas para medir os ventos e o fluxo de partículas à medida que os pontos brilhantes se dispersavam.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
11 Abril, 2019

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1213: Submarino nazi com toneladas de mercúrio ameaça o mar na Noruega

DESTAQUES

A 9 de Fevereiro de 1945, nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, o submarino alemão U-864 navegava pela costa oeste da Noruega carregado de matérias-primas para fabricar equipamento bélico – incluindo chumbo, aço e 65 toneladas de mercúrio.

A missão do U-864, chamada Operação César, era chegar até ao Japão, país aliado da Alemanha, com o objectivo de fortalecer o arsenal japonês na 2ª Guerra Mundial. A tripulação do submarino era de 73 pessoas, incluindo cientistas que trabalhavam para o regime nazi, e que iriam passar o seu conhecimento aos japoneses.

Mas a operação fracassou.

Um submarino britânico, o HMS Venturer, conseguiu interceptar o U-864 e torpedeou-o. Todos os ocupantes morreram.  O ataque entrou para a história como o único episódio da guerra em que um submarino submerso conseguiu destruir outro que também estava no fundo do mar.

Em 2003, passados 58 anos, a Marinha norueguesa encontrou os destroços do U-864, a duas milhas náuticas de distância da ilha Fedje. E a descoberta trouxe preocupações para as autoridades do país.

O submarino, cujos destroços estão a 150 metros de profundidade, está fendido em duas partes, na proa e na popa, e diversos fragmentos da embarcação repousam à volta. Agora, as autoridades norueguesas discutem qual é a melhor forma de lidar com o risco de contaminação trazido pela carga de mercúrio que ainda está no interior do U-864.

Kystverket / Norwegian Coastal Administration
Imagens captadas por sondas mostram que o U-864 está a 150 metros de profundidade

Nos anos após a descoberta dos destroços, estudos indicaram que a concentração de mercúrio nas proximidades do submarino estava acima de limites aceitáveis. Em 2005, a Autoridade de Segurança Alimentar norueguesa recomendou que crianças e mulheres grávidas não comessem alimentos que tivessem sido pescados naquela região.

Um estudo do Instituto Nacional de Investigação sobre Nutrição e Alimentos Marinhos concluiu que os peixes que tinham sido expostos a sedimentos da zona em que o submarino se encontra tinham níveis de mercúrio quatro vezes mais altos que os peixes de outras áreas da costa norueguesa.

Em 2014, a Administração Costeira da Noruega levantou outra preocupação: remover os destroços do submarino faria com que o material tóxico se espalhasse. Para evitar que o submarino se movesse durante eventuais tremores no leito marinho, foram lançados sobre os destroços 100.000 m3 de areia e rochas, para estabilizar a área.

As autoridades norueguesas decidiram agora que cobrir o submarino é a solução mais segura e ambientalmente correcta. Segundo comunicado recente do Ministério dos Transportes do país, será lançado sobre os destroços uma espécie de “cobertor” com uma área de 47.000 m2.

Se tudo correr bem, a cobertura estará concluída até 2020, “para proteger os destroços, os sedimentos contaminados e uma zona de transição de 17.000 m2“. O objectivo é conter o mortífero legado – que poderia desencadear um dos piores desastres ecológicos de sempre no Mar do Norte.

ZAP // BBC

Por CC
29 Outubro, 2018

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1160: Arqueólogos descobrem raro navio ritual viking na Noruega

CIÊNCIA

NIKU
A embarcação foi descoberta com a ajuda de imagens de radar

Um grupo de arqueólogos descobriu um navio viking enterrado na Noruega. A enorme embarcação foi utilizada há mais de mil anos numa cerimónia fúnebre, tendo servido como o local de descanso final para rei ou rainha viking.

A descoberta foi anunciada nesta segunda-feira pelo Instituto Norueguês para a Pesquisa do Património Cultural (NIKU), que confirmou que o túmulo viking foi encontrado na cidade de Halden, a sudeste de Oslo.

“No meio da sepultura descobrimos uma coisa a que chamamos anomalia, que se destinge dos demais vestígios e tem, claramente, a forma de um barco viking“, explicou o arqueólogo Knut Paasche do NIKU em declarações à AFP.

Paasche esclareceu que estes barcos funcionavam como caixões para os vikings, servindo como lugar de descanso eterno para alguém poderoso dentro da comunidade. “Havia um rei, uma rainha ou um chefe local a bordo”, acrescentou.

De acordo com os especialistas, a descoberta recorreu a imagens de radar que revelaram que a embarcação tem cerca de 20 metros de comprimento, tendo sido encontrada a 50 centímetros abaixo do solo.

As quilhas do navio, bem como o seu assoalho, estão completamente intacto, não sendo ainda, contudo, possível precisar quão bem preservado está toda a embarcação. Em igual sentido, os arqueólogos não sabem exactamente de quando é que é datado, mas acreditam que tenha sido usado há mais de mil anos, de acordo com a National Geographic.

O navio encontrado faz parte de um cemitério que contém, pelo menos, oito pilhas funerárias (mound) – colinas de terra em forma de cúpula com pedras empilhadas sobre os túmulos -, segundo as imagens recolhidas. Perto do cemitério, foram ainda detectadas cinco longhouses (casas onde vivem várias famílias) viking.

“O enterro de navios não existe de forma isolada, este faz antes parte de um cemitério projectado claramente para mostrar poder e influência”, acrescentou Lars Gustavsen, arqueólogo do Instituto.

O recém-descoberto cemitério, bem como os lugares onde viviam, foram encontrados perto de um outro túmulo já escavado que data de há 1500 anos, o Jell Mound. De acordo com relatos locais, o túmulo terá sido construído para o rei Jell.

Rara descoberta

Os vikings foram exploradores, guerreiros e navegadores nórdicos que conquistaram  novos territórios durante a época medieval. Entre os séculos VIII e XI, navegaram por vários mares, somando inúmeras invasões principalmente nas grandes áreas da Europa.

Este povo tinha por hábito enterrar os seus reis e chefes num navio, que era usado como caixão. No entanto, e até ao momento, apenas foram encontrados três barcos vikings em boas condições de conservação na Noruega. O último, o navio Oseberg, foi encontrado em 1903. Todos as embarcações estão expostas num museu perto de Oslo.

“Precisamos de outras descobertas para poder dizer como é que estes navios eram e para determinar como é que os vikings navegavam”, concluiu Paasche.

De acordo com o Niku, e tendo em conta o tamanho da embarcação, além de rara, este pode ser o maior navio viking já encontrado no país. Pelo menos para já, os arqueólogos não tencionam escavar o local.

ZAP // Live Science / National Geographic

Por ZAP
18 Outubro, 2018

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