Centenas de milhares de pessoas de 112 países seleccionam nomes de exoplanetas e respectivas estrelas; Portugal escolheu “Viriato”, que orbita “Lusitânia”

CIÊNCIA

Os 112 países que participaram na campanha IAU100 NameExoWorlds.
Crédito: UAI

No dia 17 de Dezembro de 2019, numa conferência de imprensa em Paris, foram anunciados os nomes de 112 exoplanetas e das suas estrelas hospedeiras da campanha NameExoWorlds da UAI (União Astronómica Internacional). No âmbito das comemorações dos 100 anos da UAI, 112 países organizaram campanhas nacionais que estimularam a participação directa de mais de 780.000 pessoas de todo o mundo, que propuseram e seleccionaram nomes para cada exoplaneta e para a sua estrela hospedeira.

O projecto NameExoWorlds da UAI teve uma participação massiva e generalizada. O público aderiu a esta empolgante oportunidade de sugerir nomes únicos, importantes e criativos para os sistemas exoplanetários de cada dos respectivos países. Esta é apenas a segunda vez na história que uma campanha levou à nomenclatura de estrelas e exoplanetas. No total, foram recebidas mais de 360.000 propostas para nomes entre 112 países. O Comité Nacional de cada país reduziu as suas propostas a uma lista restrita de candidatos, que foram apresentados ao público para votação. Um total de 420.000 pessoas votaram nos seus candidatos favoritos. A lista completa de nomes aprovados pelo Comité Gestor da Campanha IAU100 NameExoWorlds pode ser consultada na secção de links. Este projecto terá um impacto duradouro, pois os nomes vencedores serão usados em paralelo com a nomenclatura científica existente, creditada à pessoa, grupo ou instituição que os sugeriu.

“As observações astronómicas ao longo da última geração descobriram agora mais de 4000 planetas em órbita de outras estrelas – chamados exoplanetas. O número de descoberto continua a duplicar a cada 2 anos e meio, revelando novas populações notáveis de planetas e colocando a nossa própria Terra e o Sistema Solar em perspectiva. Estatisticamente, é provável que a maioria das estrelas no céu tenha planetas em órbita – estão por toda a parte,” disse Eric Mamajek, co-presidente do Comité Gestor da Campanha NameExoWorlds. “Os astrónomos catalogam as suas novas descobertas usando designações semelhantes a números de telefone e tem havido um interesse crescente entre os astrónomos e o público em também atribuir-lhes nomes próprios, como os corpos do Sistema Solar,” continuou Mamajek.

O projecto global IAU100 NameExoWorlds foi concebido para dar a conhecer o nosso lugar no Universo e para reflectir sobre como a Terra seria potencialmente compreendida por uma civilização de outro planeta. Dado que a UAI é a autoridade responsável por atribuir designações e nomes oficiais aos corpos celestes, as celebrações da campanha IAU100 em 2019 foram usadas como uma ocasião especial para oferecer a todos os países uma oportunidade de dar nome a um sistema planetário, incluindo um exoplaneta e a sua estrela hospedeira. Eduardo Monfardini Penteado, gerente do projecto IAU100, salientou: “A campanha IAU100 NameExoWorlds proporcionou ao público a empolgante oportunidade de ajudar a dar nomes a mais de 100 novos mundos e correspondentes estrelas e a ajudar a UAI a estabelecer um tema profundo para a nomenclatura de descobertas futuras nesses sistemas.”

A estrela atribuída a cada nação é visível desse país e brilhante o suficiente para ser observada através de pequenos telescópios. Os respectivos Comités Nacionais, seguindo a metodologia e directrizes estabelecidas pelo Comité Gestor IAU100 NameExoWorlds, foram os órgãos responsáveis por estabelecer as condições para a participação do público, divulgar o projecto no país e desenvolver um sistema de votação.

Os exoplanetas recém-nomeados provavelmente são grandes gigantes de gás e todos foram descobertos através de um de dois métodos: o método de trânsito – no qual se observam planetas a passar em frente das suas estrela, bloqueando parte da luz estelar; e o método de velocidade radial – onde a medição cuidadosa do espectro estelar revela que está a oscilar para a frente e para trás sob a influência da gravidade dos seus planetas.

O sistema atribuído a Portugal é HD 45652 – uma anã laranja na direcção da constelação de Unicórnio. O seu planeta é o gigante gasoso HD 45652 b. Como resultado da votação a nível nacional, à estrela foi atribuído o nome “Lusitânia”, designação da região oeste da Península Ibérica onde o povo Lusitano viveu e que em grande parte corresponde ao Portugal dos tempos modernos. O exoplaneta recebeu o nome “Viriato”, o lendário líder dos Lusitanos, pastor e caçador que liderou a resistência contra os invasores Romanos em meados do século II a.C.

Em reconhecimento do Ano Internacional das Línguas Indígenas da ONU, os falantes de línguas indígenas foram incentivados a propor nomes dessas línguas, e algumas dúzias dos nomes seleccionados são de etimologia indígena. Na Argentina, a proposta vencedora foi submetida por um professor e líder da comunidade indígena Moqoit. Os novos nomes para o planeta HD 48265 b (Naqaya) e para a estrela HD 48265 (Nosaxa) significam irmão-família-parente (referindo-se a todos os seres humanos como irmãos) e primavera (literalmente, ano novo), respectivamente, na língua Moqoit.

“A UAI está encantada por ver o amplo interesse internacional que esta campanha NameExoWorlds gerou,” observou Debra Elmegreen. “É gratificante que tantas pessoas em todo o mundo tenham ajudado a criar um nome para um sistema planetário que seja significativo para a sua cultura e herança. Este esforço ajuda à nossa união na exploração do Universo.”

O projecto NameExoWorlds foi organizado no âmbito do 100.º aniversário da União Astronómica Internacional em 2019. Com mais de 5000 actividades em 140 países, milhões de pessoas em todo o mundo comemoram os avanços astronómicos que moldaram a ciência, a tecnologia e a cultura ao longo do século passado, bem como destacam a importância da astronomia como ferramenta para a educação, desenvolvimento e diplomacia.

“Ao longo do ano, envolvemo-nos com o público em várias actividades astronómicas para o 100.º aniversário da UAI. O Projecto Global NameExoWorlds foi a iniciativa perfeita para fechar um ano cheio de projectos que colaboram com a sociedade. Certamente terá um impacto duradouro durante anos,” conclui Ewine van Dishoeck, presidente da UAI.

Astronomia On-line
20 de Dezembro de 2019

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spacenews

 

636: 10 Junho 2018

 

Mais um dia sem asteróides a referir. Bom, então podemos falar um pouco das regras a que obedece o seu “baptismo”. É bem sabido que o descobridor tem o direito de atribuir o nome; mas não é assim tão simples… Em primeiro lugar, ser o primeiro a observar um dado objecto não torna essa pessoa a descobridor; a observação tem que ser confirmada, e existem regras sobre essas confirmações que determinam quem acaba por ser considerado o descobridor. Depois de facto, o que essa pessoa pode fazer é sugerir (e justificar) um nome – também sujeito a várias regras: máximo de 16 caracteres, preferencialmente uma única palavra, sem nada de ofensivo, diferentes de nomes já existentes, nada de nomes comerciais, e se foram personagens ligados à política ou à vida militar, devem ter passado pelo menos 100 anos sobre o seu desaparecimento. Há poucos nomes de ressonância portuguesa na (longa) lista de nomes aprovados. Dada a produtiva participação de escolas portuguesas num programa de procura de asteróides, esperemos que isso possa mudar. E fica aqui o aviso de que não há nada que impeça um asteróide (descoberto por portugueses ou não) de se chamar Vascodagama, ou Bartolomeudias, Fernandopessoa, ou até Afonsohenriques, por exemplo. Pois, não nos esquecemos que hoje é dia de Portugal. Mas já há um asteróide que leva o nome de um português ilustre… foi descoberto em 1979 – não por portugueses – a sua designação oficial é 5160 Camoes, e está hoje a 2.036 UA da Terra.

Há quinze anos atrás, em 2003, foi lançado o primeiro Mars Exploration Rover, baptizado como Spirit. Chegou a Marte no princípio de 2004, e esteve seis anos a passear na superfície do planeta, na cratera Gusev, até ficar atascado e acabar por ficar sem energia e sem capacidade de comunicar com a Terra em 2010.

Em 1969, a cerca de um mês e pouco da chegada dos americanos à superfície lunar, a URSS revê os seus planos, e é determinado que se vão realizar missões automáticas de recolha de amostras e de veículos lunares também automáticos. Nada de missões tripuladas. Nos EUA, ao mesmo tempo, é anunciado o cancelamento dos planos da Força Aérea para criar uma estação orbital tripulada, dados os gastos que ela exigia.

Em 1970, a tripulação da Soyuz 9, a executar uma missão de longa duração, tem um dia de folga – nada de experiências, e poucos contactos com a Terra.

Voltando à actualidade, foi anunciado há poucos dias que a sonda Juno, em órbita de Júpiter, cuja missão tinha um fim anunciado para Julho, com um mergulho na atmosfera do gigante gasoso, vai afinal ser prolongada pelo menos até 2021. Previa-se que a sonda fosse fortemente afectada pela intensa radiação do maior dos planetas, mas dado que o perfil da missão foi alterado e na maior parte do tempo a sonda está longe das cinturas de radiação, os instrumentos ainda estão em boas condições e permitem esse alargamento temporal. Vamos portanto ter mais imagens extraordinárias das nuvens jovianas.

Portal do Astrónomo

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