1564: China desvenda mais um mistério do lado oculto da Lua

Stuart Rankin / Flickr

O lado oculto da Lua está a ser explorado pela agência espacial chinesa com a missão Chang’e 4 desde Janeiro deste ano, composta por uma sonda estacionária e um rover exploratório.

Depois de cultivar brotos de algodão por lá, que morreram pouco depois, a missão agora descobriu que as noites lunares naquele hemisfério são ainda mais frias do que se imaginava.

Uma noite lunar dura cerca de duas semanas terrestres, e dados das missões Apollo, da NASA, apontavam que a temperatura da superfície iluminada da Lua poderia atingir os 127ºC durante o dia, caindo para -173ºC à noite.

A Chang’e 4 registou temperaturas de -190ºC na longa noite do lado oculto da Lua. Foi por causa dessas temperaturas tão extremas que os brotos de algodão que a China cultivou no lado afastado da Lua, mesmo estando num recipiente fechado e em ambiente controlado, acabaram morrendo na sua primeira noite lunar.

O director executivo da missão, Zhang He, acredita que a diferença nas temperaturas nocturnas entre o lado que vemos da Lua e o seu lado mais afastado pode estar relacionada a “provavelmente uma diferença na composição do solo lunar entre seus dois lados”.

Contudo, “ainda precisamos de uma análise mais cuidadosa” antes de fazer tal afirmação. Caso essa suposição se prove correta, é possível que algo na “sujidade” lunar esteja a fazer com que o solo retenha menos calor durante a noite do que os locais de pouso das naves do programa Apollo.

Essa é a primeira vez na história da exploração espacial em que a humanidade pousa uma nave no lado oculto da Lua, que até então somente havia sido estudado com voos orbitais e sondas que ficam na órbita da Lua. Todo e qualquer dado científico obtido pela missão chinesa é singular e valioso para entender ainda melhor o satélite natural que brilha no céu nocturno da Terra.

ZAP // Canal Tech

Por CT
7 Fevereiro, 2019