3158: Nobel da Física diz que o ser humano não está concebido para viver fora da Terra

CIÊNCIA

L. Weinstein / Ciel et Espace Photos / Wikimedia
Didier Queloz

Didier Queloz disse, este sábado, estar convencido de que o ser humano não está concebido para viver fora da Terra, razão pela qual está “zangado” com alguns argumentos do co-fundador da Tesla, Elon Musk.

Os suíços Michel Mayor e Didier Queloz receberam, este ano, o prémio Nobel da Física pela descoberta do primeiro grande exoplaneta (a que chamaram 51 Pegasi B) em órbita de uma estrela como o Sol, galardão que partilham com James Peebles, premiado pelas teorias que hoje são o eixo para reconstruir a história do Universo.

Apesar de o astrónomo ter ajudado a descobrir tantos planetas distantes — dos quais se duvidada da sua existência — Queloz considera “totalmente irracional” a ideia de os humanos serem “uma espécie que viajará entre as estrelas”, explicando que se podem enviar robôs e máquinas, mas não seres humanos, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

No ciclo de conferências de imprensa e palestras, no âmbito da Semana Nobel 2019, Queloz referiu: em termos de biologia, “não somos feitos para deixar a Terra”.

O cientista acrescentou que, do ponto de vista biológico, o ser humano evolui “desde há mais de três mil milhões de anos para nascer na Terra e nela permanecer”.

Nesse sentido, mostrou-se “um pouco zangado” com Elon Musk, presidente executivo da empresa de veículos eléctricos Tesla Motors e também director executivo e chefe tecnológico da empresa aeroespacial SpaceX, que tem como um dos planos estabelecer uma presença permanente no planeta Marte.

Queloz acusou Musk de “ter um discurso um pouco perigoso”, ao afirmar que o ser humano pode continuar a ter o mesmo comportamento na Terra que tem vindo a ter, pois um dia irá para Marte, o planeta vermelho.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Dezembro, 2019

spacenews

 

3090: Último Nobel da Física rejeita teoria do Big Bang. “Não temos provas sólidas”

CIÊNCIA

James Peebles, vencedor do Prémio Nobel da Física em 2019, rejeita a teoria do Big Bang, considerando que não há provas sólidas que sustentem que foi uma grande explosão que levou à criação do Universo. 

O cientista de 84 anos, reconhecido pelo seu trabalho no campo da Cosmologia e pelas investigações que levou a cabo sobre a radiação cósmica de fundo, rejeita o termo “Big Bang”, considerando “bastante inapropriado”.

“A primeira coisa que é preciso entender sobre o meu campo é que o seu nome – a teoria do Big Bang – é bastante inadequado“, disse James Peebles, que falava num evento de homenagem aos vencedores do Prémio Nobel, que decorreu a semana passa na embaixada sueca de Washington, nos Estados Unidos.

“Tem um significado sobre a noção de um evento e uma teoria que está completamente errada”, continuou, citado pelo jornal ABC, dando ainda conta que, na verdade, não existem provas de quem uma explosão gigante realmente aconteceu.

O Nobel da Física frisou, em entrevista à agência noticiosa AFP, que não se sabe ainda de forma concreta o que aconteceu no início do Universo. “É uma pena que se pense na origem [do Universo], quando, na verdade, não temos uma boa teoria de algo assim”.

“O que temos é uma teoria comprovada da evolução de um estado inicial para o actual, começando desde os primeiros segundos de expansão”, sustentou Peebles.

Estes primeiros momentos, continuou, são testados graças a assinaturas cosmológicas chamadas “fósseis”, baseadas em hélio e outras partículas resultantes do momento em que o Universo era ainda muito quente e denso. Estes momentos foram bem discutidos e avaliados por diferente testes, mas a fase inicial, reiterou, continua a ser um mistério.

Não temos provas sólidas do que aconteceu antes disso. Temos teorias, mas nenhuma delas está comprovada”, disse o professor emérito da Universidade de Princetown.

“Simplesmente não temos evidências experimentais do que realmente aconteceu”, insistiu o Nobel da Física, dando conta que a Humanidade encontra várias teorias ao compará-las com procedimentos experimentais.

Questionado sobre que nome deveria ser utilizado para descrever o momento de origem, Peebles revelou que acabou por se render ao termo comummente aceite.

Rendi-me, uso [o termo] Big Bang. Mas não gosto (…) Durante anos, alguns de nós tentamos, sem sucesso, convencer a comunidade científica a encontrar um termo melhor. Por isso, Big Bang é o melhor que temos. É lamentável, mas toda a gente conhece esse nome. Assim me rendo”, rematou o cientista canadiano.

Em Outubro passado, James Peebles recebeu o Prémio Nobel da Física por descobertas no campo da Cosmologia, que vem a desenvolver desde da década de 1960, especialmente o o arcabouço teórico para explicar o jovem Universo.

ZAP //

Por ZAP
24 Novembro, 2019