2361: Ninhos descobertos na Mongólia mostram que os dinossauros protegiam os seus ovos

CIÊNCIA

(dr) Masato Hattori

Ninhos de dinossauro descobertos no Deserto de Gobi, na Mongólia, mostram que estes animais pré-históricos faziam ninhos em grupo e, tal como os pássaros, protegiam os seus ovos.

De acordo com a revista Nature, uma equipa de investigadores descobriu fósseis de um grupo de 15 ninhos com mais de 50 ovos, com cerca de 80 milhões de anos, no Deserto de Gobi, na Mongólia.

“Os dinossauros costumam ser retratados como criaturas solitárias que faziam os seus ninhos sozinhas, enterrando os ovos e depois indo embora. Agora conseguimos mostrar que alguns dinossauros eram muito mais gregários. Uniam-se e estabeleciam uma colónia que provavelmente os protegia”, explica François Therrien, paleontólogo do Museu Real Tyrrell de Paleontologia, no Canadá.

A descoberta, publicada no início deste mês na revista científica Geology, fornece a mais clara evidência até ao momento que os complexos comportamentos reprodutivos dos dinossauros, como os ninhos em grupo, evoluíram antes das aves modernas se terem separado deles há 66 milhões de anos.

Desde os anos 80 que os paleontólogos desenterram ovos fossilizados ou ninhos que estão agrupados. Mas a rocha circundante geralmente representa vários milhares de anos ou mais, tornando difícil para os investigadores saber se os ovos foram colocados ao mesmo tempo, ou apenas no mesmo lugar, explica Darla Zelenitsky, paleontóloga da Universidade de Calgary, no Canadá, e co-autora do estudo.

Mas este grupo de ninhos agora descoberto é diferente. A formação de 286 metros quadrados contém camadas vivas de cor laranja e cinzenta. Entre estas, encontra-se uma risca fina de rocha vermelha brilhante que conecta todos os 15 ninhos relativamente intactos. Alguns dos ovos esféricos, com cerca de dez a 15 centímetros de diâmetro, haviam eclodido e estavam parcialmente preenchidos com a rocha vermelha.

Uma vez que a tal risca vermelha liga todos os ovos, a descoberta sugere que os dinossauros os tenham colocado juntos, durante a mesma época de reprodução, provavelmente com o objectivo de os proteger de predadores e outras ameaças. “Geologicamente, acho que não poderíamos ter pedido um sítio melhor”, diz Zelenitsky.

A paleontóloga e os colegas também foram capazes de identificar o tipo de dinossauro que colocou lá os ovos. Graças às suas texturas exteriores e interiores, bem como a espessura da casca, os investigadores sugerem que se trata de um terópode não aviário, grupo que inclui o velociraptor e o tiranossauro.

Os investigadores ainda conseguiram estimar que pouco mais mais de metade dos ninhos teve pelo menos um ovo chocado. Essa taxa de sucesso relativamente alta é parecida com a de aves e crocodilos modernos que protegem os seus ninhos, comparativamente com as espécies que os abandonam.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
23 Julho, 2019

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2099: As abelhas já fazem ninhos com o lixo plástico humano

CIÊNCIA

Jeffrey W. Lotz / Wikimedia
Abelha africanizada, também conhecida como “abelha assassina”

Na Argentina, as abelhas têm construído ninhos para as crias com materiais estranhos. Pela primeira vez, foi encontrado um ninho feito de lixo plástico.

Um monte de plástico em forma de embalagens chega às quintas e, muitas vezes, entra na paisagem. O mundo está a mudar e a vida selvagem está a ter de se adaptar.

Investigadores do Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola da Argentina descobriram os ninhos de plástico como parte das suas investigações sobre polinizadores de chicória. A equipa montou 63 “armadilhas” em volta dos campos, com longos tubos ocos, semelhantes aos buracos de favo de mel onde as larvas de abelhas crescem.

As abelhas podem revestir as cavidades com materiais, como lama, folhas, pedras, pétalas e resina. O objectivo é criar um ninho aconchegante na cavidade, separados em células ao longo do comprimento, cada qual contendo uma larva de abelha em crescimento.

Durante a primavera e o verão de 2017 e 2018, a equipa verificou mensalmente os ninhos para procurar sinais de actividade das abelhas. Só encontraram três ninhos que as abelhas usavam. Dois foram construídos com lama e pétalas e cinco abelhas adultas saudáveis ​​emergiram delas.

O terceiro tinha três células inteiramente feitas de plástico, cuidadosamente cortadas em formas longas e ovais pela abelha e dispostas de maneira sobreposta. As primeiras duas células foram construídas de plástico fino, azul claro, semelhante a um saco plástico. A terceira célula foi feita de plástico branco mais espesso.

“Entre as três células, uma continha uma larva morta; a outra, o adulto parecia ter emergido do ninho; e a terceira célula não estava terminada”, escreveram os cientistas no estudo publicado na revista Apidologie. Assim, das duas células ocupadas, uma larva morreu e a outra cresceu até a idade adulta – indicando que o plástico pode não ser a melhor escolha de material de construção, mas também pode não ser o pior.

A equipa não conseguiu identificar positivamente a abelha que tinha construído o ninho, mas acredita que pode ter sido uma abelha de alfafa (Megachile rotundata). Esta é uma espécie europeia introduzida que a equipe já tinha visto no local do estudo.

É uma abelha solitária que, fiel ao seu nome, corta folhas para forrar os seus ninhos, semelhante à maneira como os fragmentos de plástico foram aparados. Na América do Norte, cientistas documentaram essa abelha em particular a usar plástico para construir células de crias individuais dentro de um ninho maior.

Isto pode significar que as abelhas têm uma flexibilidade adaptativa que lhes permitirá acompanhar as rápidas mudanças ambientais. Ou pode significar que os herbicidas usados ​​nos campos estão a reduzir o número de plantas que as abelhas preferem usar nos seus ninhos. A abelha, neste caso, pode também esse material por outro motivo.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2019



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