2444: UAI aprova segundo conjunto de nomes para características à superfície de Plutão

Este mapa, compilado a partir de imagens e dados recolhidos pela sonda New Horizons da NASA durante a sua passagem pelo sistema de Plutão em 2015, contém os nomes de várias características da superfície aprovados pela União Astronómica Internacional. Os nomes desta mais recente “ronda” estão a amarelo.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Ross Beyer

Várias pessoas e missões que abriram caminho à exploração histórica de Plutão e da Cintura de Kuiper – os mais distantes mundos já explorados – são homenageados no segundo conjunto de nomes oficiais de Plutão aprovados pela União Astronómica Internacional (UAI), a autoridade internacional responsável pela nomenclatura de corpos celestes e das suas características à superfície.

Os novos nomes foram propostos pela equipa da New Horizons da NASA, que realizou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas com a sonda New Horizons em 2015. Juntamente com uma pequena lista de nomes oficiais que a UAI já havia aprovado, a equipa científica da missão tem vindo a usar estes outros nomes informais para descrever as muitas regiões, cadeias de montanhas, planícies, vales e crateras descobertas durante o primeiro olhar detalhado da superfície de Plutão.

A UAI aprovou o primeiro conjunto de 14 nomes de características à superfície de Plutão em 2017, bem como um conjunto de nomes para a maior lua de Plutão, Caronte, em 2018. A equipa reuniu muitas das ideias durante uma campanha online em 2015.

Os 14 novos nomes de características de Plutão ficam aqui listadas abaixo por ordem alfabética. Os nomes homenageiam a mitologia do submundo, missões espaciais pioneiras que levaram ao sucesso da New Horizons, pioneiros históricos que cruzaram novos horizontes na exploração da Terra e cientistas e engenheiros associados com o estudo e exploração de Plutão e da Cintura de Kuiper.

  • Alcyonia Lacus, um possível lago de azoto gelado à superfície de Plutão, recebe o nome do lago “sem fundo” em Lerna, uma região da Grécia conhecida pelas suas nascentes e pelos seus pântanos; o lago alcioniano era uma das entradas para o submundo da mitologia grega;
  • Elcano Montes é uma cordilheira que homenageia Juan Sebastián Elcano (1476-1526), o explorador espanhol que em 1522 completou a primeira circum-navegarão da Terra (uma viagem iniciada em 1519 por Fernão de Magalhães);
  • Hunahpu Valles é um sistema de desfiladeiros em honra de um dos heróis gémeos da mitologia maia, que derrotou os senhores do submundo durante um jogo de bola (meso-americano);
  • A cratera Khare homenageia o cientista planetário Bishun Khare (1933-2013), especialista em química de atmosferas planetárias que fez trabalho de laboratório levando a vários artigos seminais sobre tolinas – as moléculas orgânicas que provavelmente são responsáveis pelas regiões mais escuras e avermelhadas de Plutão;
  • A cratera Kiladze homenageia Rolan Kiladze (1931-2010), o astrónomo georgiano (do Cáucaso) que fez investigações pioneiras sobre a dinâmica, astrometria e fotometria de Plutão;
  • Lowell Regio é uma grande região em honra a Percival Lowell (1855-1916), o astrónomo americano que fundou o Observatório Lowell e organizou uma busca sistemática por um planeta para lá de Neptuno;
  • Mwindo Fossae é uma rede de depressões longas e estreitas em honra de Nyanga (República Democrática do Congo/Zaire), o herói épico que viajou até ao submundo e, após regressar a casa, tornou-se um sábio e poderoso rei;
  • Piccard Mons é uma montanha e suspeito crio-vulcão que homenageia Auguste Piccard (1884-1962), inventor e físico do século XX, mais conhecido pelos seus voos pioneiros de balão até à atmosfera superior da Terra;
  • Pigafetta Montes homenageia Antonio Pigafetta (circa 1491-1531), o erudito e explorador italiano que narrou as descobertas feitas durante a primeira circum-navegarão da Terra, a bordo dos navios de Fernão de Magalhães;
  • Piri Rupes é um longo penhasco que homenageia Ahmed Muhiddin Piri (circa 1470-1553), também conhecido como Piri Reis, navegador e cartógrafo otomano famoso pelo seu mapa-múndi. Desenhou também alguns dos primeiros mapas existentes da América do Norte e Central;
  • A cratera Simonelli homenageia o astrónomo Damon Simonelli (1959-2004), cuja ampla investigação incluiu a história da formação de Plutão;
  • Wright Mons homenageia os irmãos Wright, Orville (1871-1948) e Wilbur (1867-1912), os pioneiros da aviação norte-americana que construíram e pilotaram, com sucesso, o primeiro avião do mundo;
  • Vega Terra é uma grande massa de terra em honra das missões soviéticas Vega 1 e 2, as primeiras naves espaciais a enviar balões para outro planeta (Vénus) e a fotografar o núcleo de um cometa (1P/Halley);
  • Venera Terra tem o nome das missões Venera, enviadas a Vénus pela União Soviética entre 1961 e 1984; incluíram o primeiro objecto feito pelo Homem a entrar na atmosfera de outro planeta, a fazer uma aterragem suave noutro planeta e a transmitir imagens de outra superfície planetária.

A sonda New Horizons está quase a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra. Está de boa saúde e a transmitir dados registados durante o “flyby” de Ano Novo de 2019 pelo objecto 2014 MU69 da Cintura de Kuiper, de nome Ultima Thule, o objecto mais distante e primitivo já explorado.

Astronomia On-line
13 de Agosto de 2019

 

2103: Os vulcões do gelado Plutão podem estar a derramar água líquida

NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

Dados da sonda New Horizonts da NASA apontam que o amoníaco em Plutão poder ser evidência de uma actividade geológica recente em que água líquida derramou dos seus vulcões, tal como acontece com a lava derretida na Terra.

Na nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Science Advances, os autores sugerem que Plutão pode abrigar algumas características favoráveis à evolução de vida.

“Nos últimos anos, o amoníaco tem sido um pouco como o ‘Santo Graal’ da Ciência planetária”, disse a autoria principal do estudo, Cristina Dalle Ore, cientista planetária no Centro de Pesquisa Ames da NASA, em declarações ao portal Space.com.

O amoníaco é uma ingrediente-chave nas reacções químicas que estão na base da vida tal como a conhecemos e, por isso, quando o amoníaco é encontrado, sinaliza normalmente um ambiente que pode levar à vida. “Não significa que a vida esteja presente, e ainda não a encontramos, mas indica um local onde devemos procurar”, explicou.

Este elemento é uma “molécula frágil” que é “destruída pela radiação ultravioleta e raios cósmicos (…) Portanto, quando está numa superfície implica que foi para lá há pouco tempo, há cerca de alguns milhões de anos de ser encontrado”.

Os cientistas defendem que o amoníaco, quando depositado na superfície de Plutão, já estava misturado com a água de um oceano subterrâneo escondido dentro do planeta anão. Esta água pode ter chegado “através de rachaduras ou aberturas e jorrou para a superfície (…) A isto chamamos crio-vulcanismo”, completou a cientista.

O facto de Plutão ter água líquida pode ser realmente surpreendente, uma vez que a superfície do planeta anão tem temperaturas de -270 graus Celsius, mais do que o suficiente para congelar o ar.

No entanto, apontam os cientistas, o calor dos minerais radioactivos torna as profundezas de Plutão mais quentes do que a sua superfície e o “amoníaco, quando misturado com água, age como um anticongelante, permitindo assim que a água seja líquida”.

No fundo, simplificou Dalle Ore, a presença de amoníaco na água possibilita a existência de um oceano líquido sob a crosta gelada do planeta anão. A extensão dos oceanos é para já desconhecida, podendo ser de apenas algumas bolsas de água líquida ou então toda uma camada aquosa sob a superfície de Plutão.

“A minha próxima tarefa passa por tentar determinar a localização de todas as aberturas a partir das quais e água e o amoníaco podem ter sido pulverizadas numa tentativa de mapear o tamanho do oceano”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
3 Junho, 2019



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Primeiros resultados científicos do “flyby” da New Horizons por Ultima Thule

Esta composição do binário de contacto 2014 MU69 (com a alcunha Ultima Thule) – capa da edição de 17 de maio da revista Science – foi compilada a partir de dados obtidos pela sonda New Horizons da NASA quando passou pelo objecto no dia 1 de Janeiro de 2019. A imagem combina dados de cor melhorados (perto do que o olho humano veria) com imagens pancromáticas de alta-resolução. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Roman Tkachenko

A equipa da missão New Horizons da NASA publicou o seu perfil do mundo mais distante já explorado, um bloco de construção planetária e objecto da Cintura de Kuiper chamado 2014 MU69.

Analisando apenas os primeiros conjuntos de dados recolhidos durante o “flyby” de Ano Novo de 2019 da New Horizons por MU69 (apelidado de Ultima Thule), a equipa da missão rapidamente descobriu um objecto muito mais complexo do que o esperado. A equipa publicou os seus primeiros resultados científicos e interpretações revistas por pares – apenas quatro meses depois da passagem rasante – na edição de 17 de maio da revista Science.

Os dados iniciais resumidos na revista Science revelam muito sobre o desenvolvimento, a geologia e a composição do objecto. É um binário de contacto com dois lóbulos distintamente diferentes. Com cerca de 36 quilómetros de comprimento, Ultima Thule é composto por um lóbulo maior e estranhamente achatado (chamado “Ultima”) ligado a um lóbulo mais pequeno e mais redondo (chamado “Thule”) num ponto chamado “pescoço”. O modo como os dois lóbulos adquiriram a sua forma invulgar é um mistério imprevisto que provavelmente se relaciona com o modo como se formaram há milhares de milhões de anos.

Os lóbulos provavelmente orbitavam-se um ao outro, como muitos dos chamados mundos binários na Cintura de Kuiper, até que algum processo os reuniu no que os cientistas mostraram ser uma fusão “gentil”. Para que isso aconteça, grande parte do momento orbital do binário deve ter-se dissipado para os objectos se unirem, mas os cientistas ainda não sabem se isso ocorreu devido às forças aerodinâmicas do gás na antiga nebulosa solar, ou se Ultima e Thule expulsaram outros lóbulos, formados juntamente com eles, para dissiparem energia e encolherem a sua órbita. O alinhamento dos eixos de Ultima e Thule indica que, antes da fusão, os dois lóbulos devem ter ficado com bloqueio de marés, o que significa que os mesmos lados estavam sempre virados um para o outro enquanto orbitavam em torno do mesmo ponto.

“Estamos a estudar os remanescentes bem preservados do passado,” disse Alan Stern, investigador principal da New Horizons, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. “Não há dúvida de que as descobertas feitas sobre Ultima Thule vão avançar as teorias de formação do Sistema Solar.”

Tal como o artigo na Science divulga, os investigadores da New Horizons também estão a investigar uma série de características da superfície de Ultima Thule, como pontos brilhantes e manchas, colinas e vales, crateras e buracos. A maior depressão é uma característica com 8 km de diâmetro que a equipa apelidou de cratera Maryland – provavelmente formada a partir de um impacto. No entanto, algumas depressões mais pequenas no objecto da Cintura de Kuiper podem ter sido criadas por material caindo em espaço subterrâneo, ou devido a gelos exóticos que passam do estado sólido para o estado gasoso (processo chamado sublimação) e deixando buracos em seu lugar.

Em cor e composição, Ultima Thule assemelha-se com muitos outros objectos encontrados na sua área da Cintura de Kuiper. É muito vermelho – mais vermelho do que Plutão, muito maior, com 2400 km de diâmetro, que a New Horizons explorou na orla interna da Cintura de Kuiper em 2015 – e é, na verdade, o objecto do Sistema Solar mais vermelho já visitado por uma sonda espacial; pensa-se que o seu tom avermelhado seja provocado por modificação dos materiais orgânicos à superfície. Os cientistas da New Horizons encontraram evidências de metanol, água gelada e moléculas orgânicas à superfície de Ultima Thule – uma mistura muito diferente da maioria dos objectos gelados explorados anteriormente pela sonda.

A transmissão de dados do “flyby” continua e continuará até ao final do verão de 2020. Entretanto, a New Horizons continua a realizar novas observações de objetos adicionais da Cintura de Kuiper que passa à distância. Estes KBOs (Kuiper Belt Objects) estão demasiado distantes para revelar descobertas como aquelas em MU69, mas a equipa pode medir aspectos como o brilho do objecto. A New Horizons também continua a mapear o ambiente de radiação de partículas carregadas e da poeira na Cintura de Kuiper.

A sonda New Horizons está agora a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra, operando normalmente e avançando mais profundamente na Cintura de Kuiper a quase 53.000 quilómetros por hora.

Astronomia On-line
21 de Maio de 2019

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2021: O Ultima Thule é uma cápsula do tempo

News Horizonts / NASA

Os dados recolhidos pela missão da NASA New Horizons permitiu aos cientistas publicar os resultados iniciais da sua exploração do 2014 MU69 – conhecido como Ultima Thule.

O asteróide é um objecto que está localizado na periferia do Sistema Solar, numa região conhecida como Cinturão de Kuiper e que nunca tinha sido explorada até agora.

Num artigo publicado na revista Science, os cientistas, liderados por Alan Stern, investigador do Southweast Research Institute no Texas, EUA, confirmaram que Ultima Thule é uma relíquia que se manteve inalterada desde o nascimento do Sistema Solar, há 4.500 milhões de de anos. Além disso, publicaram numerosas informações relacionadas com a composição, forma e origem do corpo.

“Esta foi a primeira vez que a humanidade observou um objecto tão pequeno neste lugar tão distante do Sistema Solar”, disse Kelsi Singer, investigador da missão New Horizons, à ABC. “Este objecto é um sobrevivente das origens do Sistema Solar, o que não aconteceu muito desde a formação. Portanto, dá importantes revelações sobre como o Sistema Solar foi formado, que não podemos obter de nenhuma outra forma”.

O interesse fundamental deste corpo é o facto de ser um fóssil que explica o que aconteceu no Sistema Solar há 4.500 milhões de anos, quando os mundos rochosos, como a Terra, se formaram. O Ultima Thule pertence a uma categoria conhecida como o Objecto Frio Clássico do Cinturão de Kuiper, que agrupa os objectos que permaneceram inalterados desde o nascimento do Sistema Solar e que estão até a salvo do aquecimento solar.

O asteróide está localizado dentro de um vasto anel povoado por planetas anões e por um imenso enxame de pequenos corpos, incluindo cometas, cobertos por compostos voláteis congelados. Graças às baixas temperaturas, o MU69 é um fóssil real que esconde importantes pistas sobre as nossas origens.

Ultima Thule é um “binário de contacto”, um corpo com a forma de um boneco de neve, criado quando dois blocos menores colidiam a uma velocidade muito baixa. Mede cerca de 35 quilómetros e estava a uma distância aproximada de 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra quando a sonda New Horizons o visitou.

Os cientistas concluíram que o MU69 foi formado depois de os dois lóbulos, que se originaram próximos uns dos outros, orbitaram um ao redor do outro até se unirem. As análises revelaram que os lóbulos são esmagados e que cada um deles foi formado a partir da adição ou união de numerosas unidades.

Em geral, Ultima Thule é um corpo vermelho-escuro, mas foi detectado que existem superfícies mais claras no pescoço, localizadas entre os lóbulos e em vários lugares dentro de duas crateras. Essa coloração responde à presença de resíduos de gelo e moléculas orgânicas processadas pela luz ultravioleta e pelos raios cósmicos. Entre estes, poderia haver água e metanol.

A superfície do Ultima Thule está relativamente intacta. A falta de crateras levou à conclusão de que a região do cinturão de Kuiper é habitada por menos corpos pequenos, com menos de um quilómetro de comprimento, levando a mudar muitas suposições sobre esta parte do sistema solar. Não foram encontrados vestígios de satélites, anéis ou atmosfera residual.

As conclusões foram obtidas depois de analisar apenas 10% de todos os dados recolhidos pela missão. Segundo Singer, “esta é apenas a ponta do icebergue”. A sonda New Horizons tentará encontrar outro objecto do cinturão de Kuiper para estudar mais tarde, embora não se saiba se haverá possibilidade. Espera-se que os próximos telescópios terrestres gigantes possam observar mais objectos neste lugar.

Em menos de cinco anos, a missão New Horizons revolucionou a nossa compreensão do Sistema Solar, tendo feito revelações impressionantes sobre a geologia e a natureza de Plutão e Caronte.  “Ambas são peças do quebra-cabeça que nos permitirão entender todos os processos que podem ocorrer no sistema solar”, explicou Kelsi Singer. “Seria difícil seleccionar o mais importante. Todos eles são novos e fascinantes”.

ZAP //

Por ZAP
21 Maio, 2019



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2007: Primavera em Plutão: uma análise ao longo de 30 anos

New Horizons / NASA
Imagem de Plutão enviada pela New Horizons em julho de 2015

Sempre que passa em frente de uma estrela, Plutão fornece informações preciosas sobre a sua atmosfera, preciosas porque as ocultações de Plutão são raras.  A investigação realizada por investigadores do Observatório de Paris, ao longo de várias décadas, foi publicada dia 10 de maio de 2019 na revista Astronomy & Astrophysics.

Interpretada à luz dos dados recolhidos em 2015 pela sonda New Horizons, permite refinar os parâmetros físicos essenciais para uma melhor compreensão do clima de Plutão e para prever futuras ocultações do planeta anão. Tal como a Terra, a atmosfera de Plutão é essencialmente composta por azoto, mas a comparação para aí.

Situado para lá de Neptuno, Plutão leva 248 anos a completar uma órbita em torno do Sol. Durante o ano plutoniano, a sua distância ao Sol varia muito, de 30 a 50 UA, levando a ciclos sazonais extremos. Com temperaturas superficiais extremamente baixas, inferiores a -230º C, há um equilíbrio sólido-gasoso, onde uma ténue atmosfera de essencialmente azoto coexiste com depósitos de gelo à superfície.

Actualmente, estima-se que o vapor de azoto esteja estabilizado a uma pressão de mais ou menos 1,3 pascal (ao passo que na Terra a pressão é de cerca de 100.000 Pa).

Dada a obliquidade (o ângulo formado entre o eixo polar e o plano orbital) do planeta anão, 120 graus, os pólos de Plutão enfrentam sucessivamente um dia permanente durante várias décadas, e depois uma noite permanente. Isto leva a um ciclo complexo de redistribuição dos seus materiais voláteis como azoto, metano e monóxido de carbono. Assim sendo, Plutão teve o seu equinócio em 1988, antes de passar pelo periélio (a 30 UA) em 1989. Desde então, o planeta anão afastou-se continuamente do Sol até alcançar 32 UA em 2016, o que representa uma perda de 25% da sua insolação média.

Ingenuamente, era esperada uma queda acentuada na pressão atmosférica. De facto, o equilíbrio gasoso-sólido do azoto impõe que para cada grau Kelvin perdido à superfície, a pressão diminua por um factor de dois.

Mas ocorre o exacto oposto. A prova é fornecida pelo artigo publicado na Astronomy & Astrophysics de dia 10 de maio, que analisa uma dúzia de ocultações estelares observadas ao longo de quase 30 anos, durante a primavera no hemisfério norte de Plutão: a pressão atmosférica aumentou por um factor de três entre 1988 e 2016.

Este cenário paradoxal já era considerado pelos modelos climáticos globais de Plutão desde a década de 1990, mas sem certeza, apenas como um cenário entre muitos outros. Vários parâmetros importantes do modelo permaneciam por restringir pelas observações.

Estas observações das ocultações estelares a partir da Terra, juntamente com dados recolhidos durante a passagem da New Horizons da NASA por Plutão em Julho de 2015, permitem agora descrever um cenário muito mais preciso.

A New Horizons mapeou a distribuição e a topografia do gelo à superfície do planeta anão, revelando uma vasta depressão com mais de 1000 km de diâmetro e 4 km de profundidade, localizada perto do equador entre as latitudes 25º S e 50º N, de nome Sputnik Planitia. Esta depressão retém uma parte do azoto disponível na atmosfera, formando um glaciar gigantesco que é o verdadeiro “coração” do clima do planeta anão, pois regula a circulação atmosférica por meio da sublimação do azoto.

Em adição, as ocultações estelares permitem restringir a inércia térmica do subsolo no modelo, explicando a mudança de fase de trinta anos entre a transição para o periélio (1989) e o aumento da pressão ainda observado hoje em dia. O subsolo armazenou o calor e está a restaurá-lo gradualmente. As ocultações também restringem a fracção de energia solar devolvida ao espaço (albedo de Bond) do azoto gelado e a sua emissividade.

Finalmente, estas observações eliminam a possibilidade da presença de um reservatório de azoto no hemisfério sul (actualmente em noite permanente), que produziria um máximo de pressão muito mais cedo do que o observado (curva magenta na figura).

Este estudo é uma boa ilustração da complementaridade entre as observações terrestres e espaciais. Sem a passagem da New Horizons, a distribuição do gelo e a topografia permaneceriam desconhecidas, e sem a monitorização a longo prazo da atmosfera, os modelos climáticos de Plutão não poderiam ser restringidos.

Previsão de ocultações futuras

Finalmente, as ocultações também fornecem 19 posições de Plutão entre 1988 e 2016, com uma precisão inigualável de alguns milissegundos de arco no céu. Tal precisão, possível graças à segunda versão de dados da missão europeia Gaia, permite que os autores calculem efemérides de Plutão com a mesma precisão para a próxima década.

Assim, será possível observar outras ocultações por Plutão e monitorizar o seu clima… os modelos teóricos indicam que a atmosfera de Plutão está actualmente perto da sua expansão máxima. As observações futuras podem confirmar ou refutar esta previsão.

Será que vamos em breve ver o começo desse lento declínio, que deverá reduzir por um factor de 20 a pressão atmosférica de Plutão no final, e cobrir a sua superfície com uma fina camada de “geada branca”?

ZAP // CCVAlg

Por CCVAlg
18 Maio, 2019


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1756: A enigmática geologia do Ultima Thule está a fascinar os cientistas

News Horizonts / NASA

O asteróide Ultima Thule não tem paralelo. Uma análise a novos dados enviados pela New Horizons da NASA, que baptizou o objeto que se localiza para lá de Neptuno no Cinturão de Kuiper, está a fascinar a comunidade científica.  

Este estranho e misterioso corpo celeste é o primeiro sistema binário de contacto primordial já explorado. As imagens de aproximação ao Ultima Thule sugeriram uma forma estranha, semelhante a um boneco de neve, para este sistema composto por dois corpos celestes. Contudo, uma análise mais aprofundada destas imagens, captadas a 3.500 quilómetros, revelaram novos dados sobre a forma incomum deste objeto.

Com 35 quilómetros de extensão, o Ultima Thule consiste num grande e plano lóbulo (apelidado de “Ultima”) conectado com um menor e mais redondo (apelidado de “Thule”). A equipa de cientistas apresentou as novas conclusões na 50th Lunar and Planetary Science Conference, que decorreu em The Woodlands, no estado norte-americano do Texas.

Até então, esta estranha forma é a maior surpresa das imagens recolhidas durante o sobrevoo. “Nunca vimos nada assim em lado nenhum do Sistema Solar”, disse o líder da New Horizons, Alan Stern, do Southwest Research Institute, citado em comunicado.

“[Isto] envia a comunidade científica planetária à mesa [das descobertas] para perceber como são formados os planeplanetesimais, os componentes básicos dos planetas.”

Tendo em conta que se encontra em óptimas condições de preservação, o Ultima Thule oferece uma visão mais clara sobre a era de acreção planetesimal e sobre os primeiros estágios da formação planetária. Ao que parece, os dois lóbulos do corpo rochoso orbitavam-se mutuamente – tal como muitos dos chamados “mundos binários” que orbitam o Cinturão de Kuiper – até que algum fenómeno os uniu numa fusão “suave”.

“[Esta explicação] está em linha com as ideias gerais sobre o início do nosso Sistema Solar”, explicou William McKinnon, cientista da New Horizons na Universidade de Washington em St. Louis. “Grande parte do impulso orbital do binário Ultima Thule deve ter-se esgotado para unir-se desta forma. Contudo, ainda não sabemos quais fora os processos mais importantes para fazer com que a fusão acontecesse”, sustentou.

Esta fusão pode ter deixado marcas na superfície do corpo celeste. O “pescoço” do Ultima Thule, que conecta o sistema, está remodelado, segundo explicaram os cientistas, podendo indicar um cisalhamento entre os lóbulos. Vários geólogos estão agora a braços com o objeto, tentando descrever e entender as muitas características do Ultima Thule, que vão desde pontos brilhantes e manchas, até colinas e vales, passando ainda por cratera e poços – é todo um mundo novo e fascinante a nível geológico .

A complexa geologia de Ultima Thule

Mais vermelho do que Plutão

Relativamente às suas cores e composição, a nova análise revelou que o corpo se assemelha aos demais vizinhos do Cinturão de Kuiper. Em linha com as observações do pré-voo do telescópio Hubble, o Ultima Thule é muito avermelhado, sendo até mais vermelho do que Plutão.

“É a primeira vez que se explora um deste objectos ‘ultra-vermelhos’, e as nossas observações abrem [caminho para] todo o tipo de novas perguntas”, disse Carly Howett, membro da New Horizons. “A imagem colorida revela inclusivamente diferenças subtis na coloração de toda a superfície e nós queremos realmente saber o porquê”, rematou.

A equipa de cientistas encontrou ainda evidências de metanol, água gelada e moléculas orgânicas na superfície do corpo. A transmissão de dados de Ultima Thule continua e, por isso, podemos esperar novidade sobre o asteróide que está a fascinar cientistas de todos os quadrantes. Contudo, os dados do sobrevoo só chegarão à Terra no verão de 2020. Até lá, a New Horizons vai continuar a acompanhar remotamente outros objectos do cinturão e a mapear o ambiente de radiação de partículas carregadas e poeira no Cinturão de Kuiper.

A nave da NASA, projectada para estudar o anão Plutão e o Cinturão de Kuiper, encontra-se a a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra, operando normalmente e acelerando mais no região do Cinturão de Kuiper, onde atinge quase os 53.000 quilómetros por hora.

SA, ZAP //

Por SA
24 Março, 2019

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1643: NASA detecta estruturas enigmáticas no asteróide Ultima Thule

NASA

As imagens mais detalhadas do Ultima Thule, capturadas pela sonda New Horizons no momento de aproximação máxima ao corpo celeste, mostraram que há algumas estruturas enigmáticas na sua superfície.

“Estas observações da meta de trecho foram arriscadas, pois havia uma probabilidade real de capturarmos só uma parte ou até mesmo nada do Ultima no campo de visão restrita da câmara”, declarou o líder da missão New Horizons, Alan Stern, acrescentando que, mesmo assim, “as equipas científica, operacional e de navegação arrasaram, e o resultado é um dia de campo para a nossa equipa científica! Alguns dos detalhes que agora vemos na superfície do Ultima Thule não são parecidos com nenhum objeto já explorado”.

No início de Janeiro de 2019, a sonda espacial New Horizons foi a primeira desde os tempos da Voyager a visitar mundos distantes do Sistema Solar. O seu primeiro objectivo foi Plutão, cujas fotos surpreendentes foram enviadas em Julho de 2015, e o segundo objectivo corresponde ao asteróide 2014 MU69, chamado não oficialmente de Ultima Thule, sendo o corpo celeste mais distante a ser visitado por uma nave terrestre.

As primeiras imagens obtidas mostraram que Ultima Thule é um corpo celeste semelhante a um gigante “boneco de neve”, composto por dois corpos conectados, um maior (Ultima) que o outro (Thule).

No entanto, as recentes fotografias enviadas pela sonda New Horizons permitiram fazer muitas descobertas interessantes. Por exemplo, foi revelado que há numerosas manchas brancas e escuras na superfície do corpo celeste, cuja origem continua desconhecida.

“Os traços semelhantes do relevo em cada metade do Ultima Thule, bem como a ausência de crateras em istmo entre elas significa que antes se encontraram em maior proximidade. Ou seja, algo os separou e resultou na formação ou extensão dessa estrutura”, sublinhou Marco Parigi, astrofísico da Universidade James Cook em Brisbane, Austrália.

Actualmente, cientistas estão a analisar as últimas imagens e esperam que os novos dados contribuam para desvendar segredos deste enigmático corpo celeste.

ZAP // Sputnik News

Por SN
27 Fevereiro, 2019

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1638: Novas imagens de Ultima Thule

As imagens mais detalhadas de Ultima Thule – obtidas minutos antes da maior aproximação da sonda às 05:33 de dia 1 de Janeiro – têm uma resolução de aproximadamente 33 metros por pixel. A combinação de alta resolução espacial com um ângulo de visão favorável fornecem uma oportunidade sem precedentes para investigar a superfície de Ultima Thule, que se pensa ser o objeto mais primitivo já explorado por uma nave espacial. Esta composição já processada combina nove imagens individuais obtidas com o instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager), cada com um tempo de exposição de 0,025 segundos, apenas seis minutos e meio antes da maior aproximação da sonda a Ultima Thule (designação oficial 2014 MU69). A imagem foi captada às 05:26 (UT) de dia 1 de Janeiro de 2019, quando a nave estava a 6628 km de Ultima Thule e a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra. O ângulo entre a nave, Ultima Thule e o Sol – conhecida como ângulo de fase – era de 33 graus.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI, NOAO

Era uma meta opcional – pouco antes da maior aproximação, apontar com precisão as câmaras da sonda New Horizons da NASA para tirar as fotos mais nítidas possíveis do objeto da Cintura de Kuiper apelidado de Ultima Thule, o seu alvo de Ano Novo e o objeto mais distante alguma vez explorado.

Agora que a New Horizons enviou essas imagens armazenadas para a Terra, a equipa pode confirmar com entusiasmo que a sua ambiciosa meta foi alcançada.

Estas novas imagens de Ultima Thule – obtidas pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) apenas seis minutos e meio antes da maior aproximação da New Horizons ao objeto (com designação oficial 2014 MU69) às 05:33 (hora portuguesa) de dia 1 de Janeiro de 2019 – têm uma resolução de 33 metros por pixel. A sua combinação da alta resolução espacial e ângulo de visão favorável dá à equipa uma oportunidade sem precedentes para investigar a superfície, bem como a origem e evolução de Ultima Thule, que é considerado o objecto mais primitivo já estudado por uma sonda espacial.

“Na mouche!” exclamou o investigador principal da New Horizons, Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute). “A captura destas imagens exigia que soubéssemos precisamente onde estavam Ultima Thule e a New Horizons – momento a momento – enquanto passavam um pelo outro a mais de 50.000 km/h na fraca luz da Cintura de Kuiper, bem para lá de Plutão. Esta foi uma observação muito mais difícil do que as de 2015 em Plutão.

“Estas observações adicionais eram arriscadas, porque havia uma chance real de termos apenas parte ou até mesmo falharmos em colocar Ultima no campo de visão da câmara,” continuou Stern. “Mas as equipas de ciência, operações e navegação foram impecáveis e o resultado é um tesouro para a nossa equipa científica! Alguns dos detalhes que vemos agora na superfície de Ultima Thule são diferentes de qualquer objecto já explorado.”

A resolução mais alta realça muitas características de superfície que não eram aparentes nas imagens anteriores. Entre elas estão várias regiões de terreno brilhante, enigmáticas e aproximadamente circulares. Além disso, muitos pequenos buracos escuros perto do terminador (a fronteira entre o lado iluminado pelo Sol e o lado não iluminado) estão mais nítidos. “Ainda está a ser debatido se estas características são crateras produzidas por objectos, se são poços de sublimação, poços de colapso ou algo totalmente diferente,” disse John Spencer, cientista do projecto no SwRI.

O cientista do projecto, Hal Weaver, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, explicou que as imagens mais recentes devem ter a resolução espacial mais alta de todas as imagens obtidas pela New Horizons – ou que ainda poderá obter – durante toda a missão. Passando a apenas 3500 km, a sonda voou cerca de três vezes mais perto de Ultima Thule do que quando passou por Plutão em Julho de 2015.

Ultima é um objecto mais pequeno do que Plutão, mas o “flyby” foi feito com a mais alta precisão de navegação já alcançada por uma sonda espacial. Esta precisão sem precedentes foi alcançada graças às campanhas de ocultação terrestre de 2017 e 2018 realizadas na Argentina, Senegal, África do Sul e Colômbia, bem como pela missão Gaia da ESA, que forneceu os locais das estrelas usadas durante as campanhas de ocultação.

A New Horizons continua a operar sem falhas. Está a quase 6,64 mil milhões de quilómetros da Terra; a essa distância, os sinais de rádio, viajando à velocidade da luz, alcançam as grandes antenas da DSN (Deep Space Network) da NASA seis horas e nove minutos depois da New Horizons os transmitir.

Astronomia On-line
26 de Fevereiro de 2019

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1534: Melhor imagem, até agora, de Ultima Thule

O objeto da Cintura de Kuiper, 2014 MU69, informalmente conhecido como Ultima Thule, visto pela sonda New Horizons da NASA.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

As maravilhas – e mistérios – do objeto da Cintura de Kuiper, 2014 MU69, continuam a multiplicar-se à medida que a sonda New Horizons da NASA transmite novas imagens do seu alvo do “flyby” que teve lugar no dia de Ano Novo de 2019.

Esta imagem, obtida durante o voo histórico de 1 de Janeiro, pelo objeto informalmente conhecido como Ultima Thule, é a visão mais clara até agora deste notável e antigo objeto nos confins do Sistema Solar – o primeiro “KBO” (Kuiper Belt Object, inglês para objeto da Cintura de Kuiper) pequeno já explorado por uma nave espacial.

Obtida com o componente MVIC (Multicolor Visible Imaging Camera) do instrumento Ralph da New Horizons, a imagem foi captada quando o KBO estava a 6700 km, às 05:26 (UT) de dia 1 de Janeiro – apenas sete minutos antes da maior aproximação. Com uma resolução original de 135 metros por pixel, a imagem foi armazenada na memória da sonda e transmitida para a Terra nos dias 18 e 19 de Janeiro. Os cientistas seguidamente melhoraram a imagem para realçar detalhes (este processo – com o nome deconvolução – também amplifica a granulação da imagem quando vista em alto contraste).

A iluminação oblíqua da imagem revela novos detalhes topográficos ao longo da linha que separa a noite do dia, chamada terminador, perto do topo. Estes detalhes incluem várias cavidades com até 0,7 km de diâmetro. A grande característica circular, com 7 km de diâmetro, no lóbulo mais pequeno, também parece ser uma depressão profunda. Não está claro se esses poços são crateras de impacto ou características resultantes de outros processos, como “poços de colapso” ou ventilações antigas de materiais voláteis.

Ambos os lóbulos mostram muitos padrões interessantes de luz e escuridão de origem desconhecida, que podem revelar pistas sobre como este corpo foi produzido durante a formação do Sistema Solar há 4,5 mil milhões de anos. Um dos mais notáveis é o “colarinho” brilhante que separa os dois lóbulos.

“Esta nova imagem está a começar a revelar diferenças no carácter geológico dos dois lóbulos de Ultima Thule, e também nos fornece novos mistérios,” disse o investigador principal Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. “No próximo mês teremos imagens com melhores cores e em mais alta resolução que, esperamos, ajudem a desvendar os muitos mistérios de Ultima Thule.”

A New Horizons está aproximadamente a 6,64 mil milhões de quilómetros da Terra, operando normalmente e a afastar-se do Sol (e de Ultima Thule) a mais de 50.700 quilómetros por hora. A essa distância, o seu sinal de rádio demora seis horas e nove minutos a chegar à Terra.

Astronomia On-line
29 de Janeiro de 2019

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1498: Aproximação a Ultima Thule pela New Horizons

Esta pequena animação mostra a rotação de Ultima Thule nas sete horas entre as 20:00 (UT) de dia 31 de Dezembro de 2018 e as 05:01 (UT) de dia 1 de Janeiro de 2019, pelo instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) a bordo da sonda New Horizons da NASA, enquanto esta acelerava em direcção ao seu encontro próximo com o objeto da Cintura de Kuiper às 05:33 (UT) de dia 1 de Janeiro.

O objecto da Cintura de Kuiper, conhecido como Ultima Thule, visto pela sonda New Horizons durante o seu histórico “flyby” de dia 1 de Janeiro de 2019. Estas imagens foram obtidas a distâncias entre 500.000 e 28.000 km do objeto.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI/NOAO

Durante esta sessão fotográfica de espaço profundo – parte do “flyby” mais distante da história – a distância da New Horizons a Ultime Thule diminui de 500.000 km (mais que a distância da Terra à Lua) para apenas 28.000 km, durante a qual as imagens se tornaram maiores e mais detalhadas. A equipa processou duas sequências diferentes de imagens; a primeira mostra as imagens nos seus tamanhos relativos originais, enquanto a segunda corrige a mudança de distância, de modo que Ultima Thule (oficialmente conhecido como 2014 MU69) aparece com tamanho constante, mas torna-se mais detalhado conforme a aproximação progride.

Todas as imagens foram melhoradas digitalmente usando técnicas científicas que aumentam o detalhe. A escala da imagem original é de 2,5 km por pixel na primeira “frame”, e de 0,14 km por pixel na última “frame”. O período de rotação de Ultima Thule ronda as 16 horas, de modo que o filme cobre pouco menos de meia rotação. Entre outras coisas, a equipa científica da New Horizons vai usar estas imagens para ajudar a determinar a forma tridimensional de Ultima Thule, a fim de melhor entender a sua natureza e origem.

O objeto da Cintura de Kuiper, conhecido como Ultima Thule, visto pela sonda New Horizons durante o seu histórico “flyby” de dia 1 de Janeiro de 2019. Estas imagens foram obtidas a distâncias entre 500.000 e 28.000 km do objeto.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI/NOAO

A New Horizons transmitiu as duas imagens de maior resolução, desta animação, imediatamente após a passagem rasante de 1 de Janeiro, mas as imagens mais distantes foram enviadas para a Terra nos dias 12-14 de Janeiro, depois de uma semana em que a New Horizons esteve demasiado perto do Sol (da perspectiva do céu da Terra) para uma eficaz comunicação. A New Horizons continuará a transmitir imagens – incluindo as mais próximas de Ultima Thule – e dados durante muitos meses.

Astronomia On-line
18 de Janeiro de 2019

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1453: New Horizons explora Ultima Thule

Esta imagem obtida pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) é a mais detalhada de Ultima Thule já transmitida até à data pela New Horizons. Foi obtida às 05:01 (UT) de dia 1 de Janeiro de 2019, apenas 30 minutos antes da maior aproximação, a 28.000 km, com uma escala original de 140 metros por pixel.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

A sonda New Horizons da NASA passou por Ultima Thule nas primeiras horas do dia de Ano Novo, inaugurando a era da exploração da enigmática Cintura de Kuiper, uma região de objectos primordiais que detém a chave para entender as origens do Sistema Solar.

Os sinais que confirmaram que a nave está de boa saúde e tinha ocupado o seu armazenamento digital com dados científicos de Ultima Thule chegaram ao centro de operações da missão no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, às 15:29 de dia 1 (hora portuguesa), quase 10 horas depois da maior aproximação da New Horizons pelo objecto.

“A New Horizons teve um desempenho como planeado, levando a cabo a exploração mais longínqua de um objecto na história da Humanidade- a 6,4 mil milhões de quilómetros do Sol,” disse o investigador principal Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano da Califórnia. “Os dados que temos parecem fantásticos e já estamos a aprender mais sobre Ultima Thule de perto. A partir daqui os dados vão ficar cada vez melhores!”

Os cientistas da missão New Horizons da NASA divulgaram as primeiras imagens detalhadas do objecto mais distante já explorado. A sua aparência notável, diferente de tudo o que já vimos antes, ilumina os processos que construíram os planetas há 4,5 mil milhões de anos.

“Este ‘flyby’ é uma conquista histórica,” disse Stern. “Nunca antes tinha uma nave espacial estudado um corpo tão pequeno, a uma velocidade tão elevada, tão longe nos confins do Sistema Solar. A New Horizons estabeleceu um novo marco para a navegação espacial de última geração.”

As novas imagens – obtidas a uma distância de 27.000 km – revelaram Ultima Thule como um “binário de contacto”, consistindo de duas esferas ligadas. De ponta a ponta, mede 31 km. A equipa apelidou a esfera maior de “Ultima” (19 km de comprimento) e a mais pequena de “Thule” (14 km de comprimento).

A equipa diz que as duas esferas provavelmente uniram-se logo no início da formação do Sistema Solar, colidindo a uma velocidade não superior à de um pequeno acidente entre dois automóveis.

Os dados recebidos já resolveram um dos mistérios de Ultima Thule, mostrando que o objecto da Cintura de Kuiper gira como uma hélice, com o eixo apontando aproximadamente na direcção da New Horizons. Isso explica porque, em imagens obtidas anteriormente, o seu brilho não parecia variar à medida que girava. A equipa ainda não determinou o período de rotação.

Além disso, dos dados mais recentes recebidos ficámos a saber:

  • Não existem evidências de anéis ou satélites com mais de 1,6 km em órbita de Ultima Thule;
  • Não existem evidências de uma atmosfera;
  • A cor de Ultima Thule coincide com a cor de mundos parecidos na Cintura de Kuiper, como determinado por medições telescópicas;
  • Os dois lóbulos de Ultima Thule – o primeiro binário de contacto visitado na Cintura de Kuiper – são quase idênticos em termos de cor. Isto coincide com o que sabemos sobre sistemas binários que ainda não entraram em contacto um com o outro, mas que orbitam, ao invés, um ponto gravitacional comum.

“A New Horizons é como uma máquina do tempo, levando-nos de volta ao nascimento do Sistema Solar. Estamos a ver uma representação física do início da formação planetária, congelada no tempo,” comenta Jeff Moore, líder da equipa de Geologia e Geofísica da New Horizons. “O estudo de Ultima Thule está a ajudar-nos a entender como os planetas se formam – tanto aqueles no nosso Sistema Solar como aqueles em órbita de outras estrelas da Via Láctea.”

A sonda New Horizons continuará a transmitir imagens e outros dados nos próximos dias e meses, completando o envio de todos os dados científicos em 20 meses, com imagens de muito maior resolução ainda por vir. Em 2015, a sonda começou a sua exploração da Cintura de Kuiper com uma passagem por Plutão e pelas suas luas. Quase 13 anos após o lançamento, a sonda vai continuar a explorar a Cintura de Kuiper até pelo menos 2021. Os membros da equipa planeiam propor a exploração de ainda outro objecto da Cintura de Kuiper além de Ultima Thule.

Astronomia On-line
4 de Janeiro de 2019

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1442: Primeiras imagens. Ultima Thule, na fronteira do sistema solar, é assim

NASA mostra as primeiras imagens obtidas pela sua sonda New Horizons esta terça-feira de Ultima Thule, o astro mais distante de sempre visitado por uma nave terrestre. E ainda só chegou um por cento dos dados recolhidos

A cor real é da imagem da direita
Foto NASA

Foto NASA

Aí estão elas, as primeiras imagens captadas de perto de Ultima Thule. Foram feitas pela sonda New Horizons durante o sobrevoo que a sonda da NASA realizou há apenas um dia. Ultima Thule é constituída por dois corpos agregados, contém materiais de gelos exóticos cuja natureza ainda precisa de ser estudada e a sua cor global é vermelha. Mas a causa dessa coloração ainda não é conhecida: materiais orgânicos, ou outros, não se sabe ainda.

As fotos e os novos detalhes foram divulgados esta quarta-feira pela NASA, que espera ter muito mais novidades amanhã, à medida que os dados recolhidos pela sonda forem chegando ao centro de controlo, em terra.

Para já, ainda só chegou um por cento de todos os dados recolhidos pela New Horizons ao centro de controlo da missão, que está instalado no Laboratório de Física Aplicada da Universidade de Johns Hopkins, nos Estados Unidos. A totalidade dos dados levará ainda quase um ano a chegar à Terra.

As imagens mostradas esta quarta-feira pela NASA foram tiradas das ainda durante a aproximação da nave, a uma distância de 50 mil quilómetros de distância, pelo que os cientistas da missão esperam ter imagens ainda mais espectaculares durante os próximos dias. “Estamos já a observar pormenores da topografia e vamos ter grandes novidades e imagens espectaculares”, explicou Alan Stern, o responsável da missão.

Diário de Notícias
Filomena Naves
02 Janeiro 2019 — 19:48

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1438: Sonda da NASA sobrevoa objecto mais distante de sempre

A sonda espacial New Horizons da NASA sobrevoou hoje o objecto mais distante alguma vez visto, informou o director científico da missão.

© EPA/NASA/JHUAPL/SwRI

“Nunca antes uma nave espacial explorou um objecto tão distante”, afirmou Alan Stern, referindo-se ao ‘Ultima Thule’, um vestígio congelado da formação do sistema solar.

“Vai New Horizons!”, exclamou Stern enquanto a sua equipa lançava exclamações de felicidade no laboratório de Física Aplicada da universidade Johns Hopkins, no estado americano do Maryland.

Era 5.33 quando as câmaras da nave apontaram para Ultima Thule.

Ultima Thule fica a cerca de 6,4 bilhões de quilómetros da Terra. Os cientistas esperam que sua observação ajude a entender melhor como o sistema solar foi formado.

A Sonda espacial terá tirado cerca de 900 imagens durante os poucos segundos em que sobrevoava o Ultima Thule a uma distância de cerca de 3.500 quilómetros.

A confirmação das imagens só será dada hoje por volta das 15:00.

Para já, imagens só as do vídeo da NASA acompanhado pela música de Brian May. O guitarrista dos Queen, formado em astrofísica, criou uma música especialmente para a missão e deverá trabalhar em algumas das imagens.

Diário de Notícias
DN/Lusa
01 Janeiro 2019 — 09:14

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935: Sonda New Horizons tira primeiro retrato na fronteira do sistema solar

A imagem, tirada à maior distância de sempre do Sol, mostra Ultima Thule, o misterioso objecto que a sonda da NASA visita a 1 de Janeiro de 2019. Será o primeiro rendez-vous de sempre naquela região dos sistema solar

A primeira foto “de perto” de Ultima Thule
© NASA/JHUAPL/SwRI

A sonda New Horizons, da NASA, que já se encontra muito para lá de Plutão, depois da bombástica visita que ali fez em 2015, acaba de obter a primeira imagem do seu próximo alvo: o Ultima Thule, um misterioso objecto no coração da cintura de Kuyper, na fronteira do sistema solar, com o qual a nave tem o seu próximo encontro marcado, a 1 de Janeiro de 2019.

A quatro meses desse pioneiro rendez-vous – será o primeiro de sempre para uma sonda terrestre naquela região externa, e gelada, do sistema solar – a equipa da missão apontou a câmara telescópica da nave ao alvo e conseguiu obter essa primeira imagem, que passa deter o recorde da foto tirada à maior distância de sempre do Sol.

Fotografado à distância de 160 milhões de quilómetros de distância – aquela a que a sonda ainda se encontra do seu objectivo -, Ultima Thule não passa ainda de um pequeno ponto num mar de estrelas brilhantes em fundo. Mas para os cientistas da New Horizons é um marco.

“Num campo de visão recheado de estrelas brilhantes, o que torna muito difícil encontrar objectos esbatidos, foi como encontrar agulha em palheiro”, explica, satisfeito, Hal Weaver, o investigador principal do instrumento que obteve estas primeiras imagens, onde Ultima Thule surge como um pequeno ponto sombreado.
À medida que a nave se for aproximando, no entanto, esse ponto “vai tornar-se cada vez mais brilhante e fácil de observar”, sublinha o investigador.

Ultima Thule, localizado a mais de 1,6 mil milhões de quilómetros para lá da órbita de Plutão, é um dos milhares de corpos que orbitam o interior da cintura de Kuyper, e será o primeiro de sempre a receber a atenção de uma nave terrestre.

A New Horizons vai sobrevoá-lo daqui a quatro meses e recolher dados sobre ele, tal como fez com Plutão em Julho de 2015, revelando novos e surpreendentes detalhes sobre o planeta-anão.

Com o Ultima Thule será mais ainda a exploração de uma “Terra Incógnita”, e o seu seu nome acaba por reflectir bem a aura de mistério que envolve estes objectos na cintura de Kuyper. A expressão era usada na Idade Média para designar tudo o que estava para lá do mundo conhecido, e acaba por assentar na perfeição a este objecto, sobre o qual os astrónomos desconhecem quase tudo – por enquanto. Se tudo correr bem, isso está prestes a mudar.

Diário de Notícias
Filomena Naves
29 Agosto 2018 — 16:58

(Foram corrigidos 8 erros ortográficos ao texto original)

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879: NASA deteta vasto e brilhante “muro de hidrogénio” no fim do Sistema Solar

Alder Planetarium / NASA
O Sol move-se na Via Láctea encapsulado numa bolha formada pelo seu próprio vento solar

Cientistas da NASA acreditam que há um vasto “muro de hidrogénio” no fim do nosso Sistema Solar, e a sonda New Horizons consegue vê-lo.

Segundo um estudo publicado no início deste mês na revista Geophysical Research Letters, há um vasto “muro de hidrogénio” no fim do nosso Sistema Solar, e a sonda New Horizons consegue vê-lo.

A parede de hidrogénio é o limite externo do nosso Sistema Solar, um local onde a “bolha solar” da nossa estrela termina. Ali, formam-se massas de matéria interestelar, que, sendo pequenas demais para estourar a bolha, pressionam para dentro.

Poderosos jactos de matéria e energia fluem durante um longo período de tempo depois de deixar o Sol – muito além da órbita de Plutão. Mas, a certo ponto, esgotam-se, e a sua capacidade de empurrar poeira e outros pedaços de matéria – o material fino e misterioso que vagueia nas fronteiras da nossa galáxia – diminui.

Forma-se, então, um limite visível. De um lado, estão os últimos vestígios do vento solar. Do outro, há uma acumulação de matéria interestelar, incluindo hidrogénio.

A New Horizons, que passou por Plutão em 2015, consegue ver esse limite: uma espécie de luz ultravioleta extra, o tipo de luz que os cientistas esperariam que o muro de hidrogénio produzisse. Isto vai ao encontro do sinal ultravioleta que as duas sondas Voyager, as mais longínquas já lançadas pela NASA, capturaram em 1992.

No entanto, tais registos não são indicações claras da existência de um muro de hidrogénio. As três sondas poderiam ter na verdade detectado luz ultravioleta de alguma outra fonte.

Alice, o instrumento a bordo da New Horizons responsável pela descoberta, é muito mais sensível do que qualquer outro instrumento que as Voyagers tinham a bordo antes de iniciar a sua jornada para fora do Sistema Solar.

O dispositivo deve funcionar durante mais 15 a 20 anos. A New Horizons continuará a analisar o céu em busca de luz ultravioleta duas vezes por ano, e isso permitirá aos investigadores ter a certeza que estão a observar dentro de apenas alguns meses.

“Se a determinado momento a luz ultravioleta cair, a New Horizons pode ter deixado o muro no seu espelho retrovisor”, explicaram os cientistas em comunicado. “Se a luz nunca diminuir, então a fonte pode mesmo ser algum lugar mais profundo no espaço”.

Por HS
15 Agosto, 2018

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639: A New Horizons está a chegar ao objecto mais distante que já visitámos

JHUAPL / NASA
A New Horizons a meio caminho entre Úrano e Neptuno

A sonda New Horizons, da NASA, começou a preparar-se para um sobrevoo histórico: a 31 de Dezembro, irá estudar e fotografar o misterioso Ultima Thule – o objecto mais distante que alguma vez tentámos visitar.

Depois de 9 anos de viagem, a New Horizons passou por Plutão em Julho de 2015 e entrou em modo de hibernação a 21 de Dezembro do ano passado, para preservar recursos. A semana passada, a sonda foi acordada pela equipa de operações da missão, do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins (EUA), conforme o programado.

Agora, a New Horizons está a aproximar-se de Ultima Thule, a uma velocidade de mais de 1,2 milhões de quilómetros por dia. Quando ultrapassar este misterioso objecto, por volta do Ano Novo, a New Horizons deverá ter-nos fornecido informações vitais sobre como o nosso sistema solar se formou.

A sonda está a mais de 6 mil milhões de quilómetros de distância da Terra, viajando através da faixa gelada de detritos do sistema solar – a Cintura de Kuiper.

“A nossa equipa já está envolvida no planeamento e nas simulações do nosso próximo voo em Ultima Thule, e está muito empolgada com o facto de a New Horizons estar de novo activa”, explicou o líder da missão, Alan Stern, investigador do Southwest Research Institute em Boulder, nos EUA, em comunicado.

Nos próximos dois meses, a equipa irá testar os comandos da sonda, actualizar a sua memória, recuperar dados científicos sobre a Cintura de Kuiper e completar uma série de verificações de sistemas.

Após essas etapas iniciais, as operações de sobrevoo e observações distantes de Ultima Thule devem iniciar-se no final de Agosto.

Ultima Thule

Oficialmente chamado 2014 MU69, Ultima Thule é um objecto transneptuniano localizado na Cintura de Kuiper. O seu nome, segundo Stern, vem de uma frase nórdica que significa “além das fronteiras mais distantes”.

De fato, se a missão for bem-sucedida, será um recorde: Ultima Thule tornar-se-á o objecto mais longínquo alguma vez visitado pela humanidade, embora a New Horizons não seja a sonda espacial a viajar até mais longe. O título é detido pelas sondas Voyager 1 e 2.

Os cientistas não têm a certeza das dimensões exactas de Ultima Thule. No entanto, a NASA afirmou que parece ser uma rocha em forma de amendoim, e os cientistas suspeitam que tenha até 32 quilómetros de comprimento e 20 de largura.

A New Horizons poderá vir a manter o seu recorde durante décadas, já que nenhuma outra investigação está preparada para fazer uma jornada tão impressionante.

A sonda levou cerca de nove anos, a mais de 56.000 km/h, a chegar Plutão e à Cintura de Kuiper, uma região colossal para lá Neptuno com restos congelados e dispersos da formação do sistema solar. A zona também pode abrigar um planeta do tipo super-terra ainda não descoberto.

“A Cintura de Kuiper é realmente o equivalente a uma escavação arqueológica da história do nosso sistema solar”, disse Stern à rádio WBUR. “Como é muito distante e a luz do sol é muito fraca lá fora, as temperaturas são muito baixas – quase zero absoluto. Isso permite a preservação de vestígios de material, intocado até hoje”.

Mal podemos esperar pelas revelações que a New Horizons nos vai trazer.

ZAP // HypeScience / Space.com / Business Insider

Por HS
12 Junho, 2018

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604: Desvendado o mistério: Plutão tem mesmo dunas (mas não são de areia)

NASA/JHUAPL/SwRI
Imagem de Plutão captada a partir da sonda New Horizons

Uma equipa internacional de cientistas descobriu que Plutão tem dunas, que se formaram a partir de grãos de metano congelado libertados na sua atmosfera pouco densa.

Quando a sonda New Horizons passou muito perto da superfície de Plutão, em 2015, tivemos oportunidade de ver que Plutão tinha estruturas na sua superfície, sem saber, porém, o que eram.

Agora, uma equipa de cientistas do Reino Unido, França, Alemanha e dos Estados Unidos confirma que entre essas estruturas estão dunas e explica como estas se formaram.

A possibilidade de existência de dunas em Plutão era um mistério, dado que as dunas apareceram num planeta com muita pouca atmosfera e onde a temperatura à superfície ronda os -230ºC.

“Ver dunas em Plutão – se realmente forem dunas – será completamente alucinante, porque actualmente a atmosfera de Plutão é muito fina”, considerava William B. McKinnon, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, em Setembro de 2015.

Os cientistas voltaram a analisar as imagens recolhidas pela New Horizons e afirmaram que Plutão tem mesmo dunas. Num artigo científico, publicado esta sexta-feira na Science, os cientistas detalham que as dunas estão distribuídas ao longo de menos de uma área de 75 quilómetros e que ficam numa região montanhosa, mesmo no limite da planície gelada de Sputnik.

SwRI / JHUAPL / NASA
As dunas de metano detectadas em Plutão

Análises espaciais feitas às duna e a rastos deixados pelo vento no solo e através do uso de um modelo espectral e numérico, os astrónomos descobriram que as dunas terão surgido a partir de grãos de gelo de metano libertados na atmosfera rarefeita de Plutão.

Os grãos terão sido transportados por ventos moderados para o limite da planície gelada e da região montanhosa. Esses ventos podem alcanças entre 30 a 40 quilómetros por hora, explica o Público.

“Segundo os nossos cálculos, seriam necessários ventos de 800 quilómetros por hora para iniciar o transporte. No entanto, não há em Plutão ventos muito mais fortes do que estes ”, indica Eric Parteli,  físico e geo-cientista brasileiro da Universidade de Colónia e um dos autores do estudo.

Mas como foi então possível o transportes dos grãos? “A ejecção de partículas do solo para a atmosfera como resultado de processos de sublimação, os quais são causados por irradiação solar”, responde Parteli.

As dunas formam-se quando o vento não muda de direcção e orientam-se perpendicularmente à direcção do vento. Os cientistas sugerem que as dunas se tenham formado nos últimos 500 mil anos ou mais cedo, pelo que são estruturas “formadas num passado geológico muito recente”.

Embora ainda haja muitas perguntas por responder, como se há mais dunas noutras partes de Plutão, o cientista refere que “este estudo é o primeiro a mostrar que o vento é, de facto, um agente geológico fundamental para se entender a superfície de Plutão”.

Plutão junta-se assim a outros corpos celestes do Sistema Solar que também têm dunas: os planetas Terra, Marte e Vénus, a lua Titã e, talvez, o cometa 67P/Churiumov-Gerasimenko.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2018

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NEW HORIZONS ESCOLHE ALCUNHA PARA ALVO DO “FLYBY”

Impressão de artista do encontro da New Horizons d com 2014 MU69, um objecto da Cintura de Kuiper que orbita 1,6 mil milhões de quilómetros para lá de Plutão, no dia 1 Janeiro de 2019. Com input do público, a equipa seleccionou a alcunha “Ultima Thule”, o mundo mais primitivo e mais distante já explorado por uma nave espacial.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Steve Gribben

À medida que a New Horizons da NASA continua a explorar o desconhecido, a equipa da missão seleccionou uma alcunha altamente apropriada para o seu próximo alvo de voo rasante nos confins do Sistema Solar.

Com input substancial do público, a equipa escolheu “Ultima Thule” para o objecto da Cintura de Kuiper que a sonda New Horizons vai explorar no dia 1 de Janeiro de 2019. Oficialmente conhecido como 2014 MU69, o objecto que orbita a mais de mil milhões de quilómetros para lá de Plutão, será o mundo mais primitivo já observado por qualquer nave espacial – no encontro planetário mais distante da História.

Thule era uma distante ilha mítica a norte na literatura medieval e da cartografia. Ultima Thule significa “para lá de Thule” – para lá das fronteiras do mundo conhecido – simbolizando a exploração da distante Cintura de Kuiper e dos objectos da Cintura de Kuiper pela New Horizons, algo nunca antes feito.

“MU69 é a próxima Ultima Thule da Humanidade,” comenta Alan Stern, investigador principal da New Horizons do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano da Califórnia. “A nossa nave está a dirigir-se para lá dos limites dos mundos conhecidos, será essa a próxima conquista da missão. Uma vez que esta será a exploração mais distante de qualquer objecto espacial da História, gosto de chamar ao nosso objecto de ‘flyby’ o diminutivo Ultima, simbolizando esta exploração sem paralelo da NASA e da nossa equipa.”

À procura de uma alcunha mais inspiradora do que o designador 2014 MU69, pese embora temporária, a NASA e a equipa da New Horizons lançaram a campanha no início de Novembro. Hospedado pelo SETI em Mountain View, Califórnia, EUA, e liderada por Mark Showalter, colega do instituto e membro da equipa científica da New Horizons, o concurso online procurou nomeações do público e estipulou que a alcunha seria escolhida entre os principais candidatos a voto.

A campanha popular terminou no dia 6 de Dezembro, após uma extensão de cinco dias para acomodar mais votações. A campanha envolveu 115.000 participantes de todo o mundo, que nomearam cerca de 34.000 nomes. Desses, 37 nomes foram a votos e avaliados quanto à popularidade – a lista era constituída por oito nomes sugeridos pela equipa da New Horizons e 29 nomeados pelo público.

A equipa reduziu então a sua selecção aos 29 nomeados publicamente e deu preferência às alcunhas perto do topo das votações. Ultima Thule foi nomeado por cerca de 40 membros do público e um dos mais votados da lista. “Estamos gratos aos que propuseram uma alcunha tão interessante e inspiradora,” comenta Showalter. “Merecem crédito por capturar o verdadeiro espírito de exploração que a New Horizons encarna.”

O nome foi sugerido para pensar em MU69 como um acompanhamento distante de Plutão, que a New Horizons historicamente e famosamente encontrou em Julho de 2015. Outros nomes considerados incluíam Abeona, Pharos, Pangu, Rubicon, Olympus, Pinnacle e Tiramisu. Os números finais estão publicados em: http://frontierworlds.seti.org/.

Depois do voo rasante, a NASA e a equipa da New Horizons vão escolher um nome formal a submeter à União Astronómica Internacional, com base em parte quando se descobrir se MU69 é um único corpo, um binário ou talvez um sistema de objectos múltiplos.

Astronomia On-line
16 de Março de 2018

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297: Sonda Espacial New Horizons tira a foto mais distante da Terra

O Espaço está repleto de mistérios e de lugares que somos incapazes de imaginar, mas graças à tecnologia que temos actualmente à nossa disposição, somos capazes de ir mais longe e ver, através de equipamentos criados por nós, como são esses lugares que se encontram tão distantes de nós.

A sonda Espacial da NASA, New Horizons, acabou de fazer história capturando uma fotografia muito especial. Não é especial por aquilo que nos mostra, muito pelo contrário. É especial, porque nunca foi tirada uma fotografia num lugar tão longe da Terra.

Um recorde quebrado…

A sonda New Horizons foi a primeira sonda da NASA a passar por Plutão e continua a viajar em direcção aos limites do nosso Sistema Solar. No final do ano passado esta sonda Espacial quebrou um recorde com cerca de 28 anos.

O último recorde pertencia à sonda Espacial Voyager 1 que, a 14 de fevereiro de 1990, conseguiu capturar uma fotografia do nosso planeta num lugar a cerca de 6035040000 km de distância. A imagem conhecida por “Pale Blue Dot” foi a última imagem alguma vez capturada pela sonda Voyager 1 antes de as suas câmaras terem sido desligadas.

Este feito permaneceu sem ser quebrado durante quase 3 décadas até que no dia 5 de Dezembro do ano passado, a sonda New Horizons capturou uma fotografia de uma nuvem de estrelas quando se encontrava a cerca de 6099413760 km da Terra.

No entanto, este recorde não ficaria sem ser quebrado durante muito tempo quando, passadas duas horas, recebemos fotos de dois corpos celestes localizados na cintura de Kuiper, que é uma zona onde se encontram objectos gelados no limiar do nosso Sistema Solar, e onde a sonda New Horizons está agora a passar.

Mas vamos receber mais fotos…

A sonda New Horizons está agora a dirigir-se em direcção a uma rocha gelada para lá de Plutão chamada 2014 MU69. No início do próximo ano, provavelmente até no dia 1 de Janeiro, estará próxima deste objecto e deverá ser capaz de, mais uma vez, quebrar a sua própria barreira.

Dados recolhidos mostram que podemos ser surpreendidos pelas novidades que nos poderão ser transmitidas. Cientistas pensam que podemos estar perto de descobrir uma nova rocha Espacial.

Observando a imagem anterior, identificamos um anel branco que é a cintura de Kuiper que orbita à volta do Sol para lá da órbita de Neptuno. Até à data é um lugar do nosso Sistema Solar que ainda se encontra por explorar. A linha vermelha mostra o trajecto da sonda desde que foi colocada no Espaço até chegar lá.

Na verdade, ambas as sondas Voyager passaram pela cintura de Kuiper numa altura em que ainda não tínhamos conhecimento que tal existia, portanto, nada sabíamos acerca deste local. Ainda assim, já no próximo ano teremos uma oportunidade para explorar e compreender mais alguns mistérios que se encontram por desvendar no Universo.

Pplware
Tomás Santiago
12 Fev 2018

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