1546: Levantando o véu da formação estelar na Nebulosa de Orionte

O poderoso vento da estrela recém-formada no coração da Nebulosa de Orionte está a criar a bolha (preto) e a impedir a formação de novas estrelas na vizinhança. Ao mesmo tempo, o vento está a empurrar o gás molecular (cor) para as orlas, criando uma concha densa em redor da bolha onde se podem formar futuras gerações de estrelas.
Crédito: NASA/SOFIA/Pabst et. al

De acordo com uma nova investigação que usa o SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA, o vento estelar de uma estrela recém-nascida na Nebulosa de Orionte está a impedir a formação de novas estrelas nas proximidades.

Isto é surpreendente porque, até agora, os cientistas pensavam que outros processos, como estrelas explosivas chamadas super-novas, eram os principais responsáveis pela regulação da formação estelar. Mas as observações do SOFIA sugerem que as estrelas jovens produzem ventos estelares que podem “soprar” para longe a matéria-prima necessária para formar novas estrelas, um processo chamado “feedback”.

A Nebulosa de Orionte está entre os objectos mais observados e mais fotografados do céu nocturno. É o berçário estelar mais próximo da Terra e ajuda os cientistas a explorar como as estrelas se formam. Um véu de gás e poeira torna esta nebulosa extremamente bonita, mas também esconde todo o processo de formação estelar. Felizmente, a luz infravermelha pode atravessar esse véu nebuloso, permitindo que observatórios especializados como o SOFIA revelem muitos dos segredos da formação estelar que, de outra forma, permaneceriam ocultos.

No coração da nebulosa está um pequeno grupo de estrelas jovens, massivas e luminosas. As observações com o instrumento GREAT (German Receiver for Astronomy at Terahertz Frequencies) do SOFIA revelaram, pela primeira vez, que o forte vento estelar da mais brilhante destas estrelas bebés, chamada Theta1 Orionis C (θ1 Ori C), varreu uma grande concha de material da nuvem onde esta estrela se formou, como um limpa-neves que limpa uma rua e empurra neve para os lados da estrada.

“O vento é responsável por soprar uma bolha enorme em torno das estrelas centrais,” explicou Cornelia Pabst, estudante de doutoramento na Universidade de Leiden, Holanda, autora principal do artigo científico. “Isso perturba a nuvem natal e impede o nascimento de novas estrelas.”

Estes resultados foram divulgados na edição de 7 de Janeiro da revista Nature.

Os cientistas usaram o instrumento GREAT acoplado ao SOFIA para medir a linha espectral – que é como uma impressão digital química – do carbono ionizado. Dada a localização aérea do SOFIA, voando acima de 99% do vapor de água na atmosfera da Terra que bloqueia a radiação infravermelha, os investigadores foram capazes de estudar as propriedades físicas do vento estelar.

“Os astrónomos usam o GREAT como um agente da polícia usa um radar de controlo de velocidade,” explicou Alexander Tielens, astrónomo do Observatório Leiden e cientista sénior do artigo. “O radar é reflectido do carro e o sinal diz ao agente se está acima da velocidade permitida.”

Da mesma forma, os astrónomos usam a assinatura espectral do carbono ionizado para determinar a velocidade do gás em todas as posições através da nebulosa e para estudar as interacções entre as estrelas massivas e as nuvens onde nasceram. O sinal é tão forte que revela detalhes críticos e nuances dos berçários estelares que de outra forma permanecem escondidos. Mas este sinal só pode ser detectado com instrumentos especializados – como o GREAT – que podem estudar a radiação infravermelha.

No centro da Nebulosa de Orionte, o vento estelar de θ1 Ori C forma uma bolha e interrompe o nascimento de estrelas na sua vizinhança. Ao mesmo tempo, empurra o gás molecular para as orlas da bolha, criando novas regiões de material denso onde futuras estrelas se podem formar.

Estes efeitos de feedback regulam as condições físicas da nebulosa, influenciam a actividade de formação estelar e, em última análise, impulsionam a evolução do meio interestelar, o espaço entre as estrelas repleto de gás e poeira. A compreensão de como a formação estelar interage com o meio interestelar é a chave para entender as origens das estrelas que vemos hoje e das que se podem formar no futuro.

O SOFIA é um jacto Boeing 747SP modificado para transportar um telescópio de 106 polegadas. É um projecto conjunto da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão, DLR.

Astronomia On-line
1 de Fevereiro de 2019

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1459: As estrelas recém-nascidas impedem o nascimento de outros astros vizinhos

Sofia / NASA

O vento estelar das estrelas recém-nascidas na Nebulosa de Órion está a impedir a formação de novas estrelas nas proximidades, de acordo com a NASA.

Segundo um novo estudo, com recurso ao Observatório Estratosférico da NASA para a Astronomia Infravermelha (SOFIA), cujas operações científicas são geridas pela Associação Universitária de Pesquisa Espacial, as estrelas recém-nascidas geram ventos estelares que podem soprar o material necessário para formar novas estrelas.

Isso é surpreendente porque, até agora, os cientistas pensavam que outros processos, como a explosão de estrelas chamadas super-novas, eram responsáveis ​​pela regulação da formação de estrelas.

A Nebulosa de Órion está entre os melhores objectos observados e mais fotografados no céu nocturno. É o berçário estelar mais próximo da Terra e ajuda os cientistas a explorar a forma como as estrelas se formam.

Um véu de gás e poeira envolve todo o processo de nascimento da estrela. A luz infravermelha pode atravessar o véu nebuloso, permitindo que observatórios especializados, como o SOFIA, revelem muitos dos segredos da formação de estrelas que, de outra forma, permaneceriam ocultos.

No coração da nebulosa encontra-se um pequeno agrupamento de estrelas jovens, massivas e luminosas. Observações do instrumento da SOFIA revelaram, pela primeira vez, que o forte vento estelar da mais brilhante dessas estrelas bebés, chamado Theta1 Orionis C, varreu uma grande quantidade de material da nuvem onde esta estrela se formou.

“O vento é responsável por soprar uma bolha enorme em redor das estrelas centrais”, explicou Cornelia Pabst, da Universidade de Leiden, na Holanda, e principal autora do artigo. “Isto perturba a nuvem natal e impede o nascimento de novas estrelas.”

ESO/J. Emerson/M. Irwin/J. Lewis

Há uma batalha de estrelas bebé que brilham na poeira de uma nebulosa

A Nebulosa Carina, uma das maiores e mais brilhantes nebulosas do céu nocturno, foi observada pelo telescópio VISTA do ESO,…
ZAP

Os investigadores usaram o instrumento GREAT para medir a linha espectral – que é como uma impressão digital química – do carbono ionizado. Devido à localização aérea da SOFIA, acima de 99% do vapor de água na atmosfera da Terra que bloqueia a luz infravermelha, os cientistas puderam estudar as propriedades físicas do vento estelar.

Os astrónomos usam a marca espectral para determinar a velocidade do gás em todas as posições através da nebulosa e estudar as interacções entre as estrelas massivas e as nuvens onde nasceram. O sinal é tão forte que revela detalhes críticos dos berçários estelares escondidos. Mas esse sinal só pode ser detectado com instrumentos especializados que conseguem estudar luz infravermelha.

No centro da Nebulosa de Órion, o vento estelar forma uma bolha e interrompe o nascimento de estrelas na sua vizinhança. Ao mesmo tempo, empurra gás molecular para as bordas da bolha, criando novas regiões de material denso onde futuras estrelas podem vir a formar-se.

Estes efeitos de feedback regulam as condições físicas da nebulosa, influenciam a actividade de formação de estrelas e, em última instância, impulsionam a evolução do meio interestelar, o espaço entre estrelas cheias de gás e poeira.

Entender como a formação de estrelas interage com o meio interestelar é a chave para entender as origens das estrelas que vemos hoje e aquelas que podem vir a formar-se no futuro.

MC, ZAP //

Por MC
9 Janeiro, 2019

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