4476: Uma dança de gás e poeira. Nova imagem da Nebulosa Carina mostra formação de estrelas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Patrick Hartigan/Rice University
Nebulosa Carina

Uma equipa de astrónomos obteve a imagem mais detalhada de sempre da Nebulosa Carina, uma espessa e brilhante nuvem de gás e poeira na qual as estrelas se formam activamente.

Com a ajuda do Observatório Internacional Gemini-Sul, no Chile, uma equipa de cientistas conseguiu obter imagens detalhadas do nascimento de estrelas na Nebulosa Carina. As imagens foram divulgadas na segunda-feira e mostram uma “dança” de gás brilhante e poeira ao longo da borda da nebulosa.

Segundo o Sci-News, a equipa, liderada por Patrick Hartigan, da Rice University no Texas, utilizou uma câmara com óptica adaptativa, que corrige a distorção causada pela atmosfera da Terra.

Com esta técnica, os cientistas conseguiram obter imagens com uma resolução dez vezes maior e cerca de duas vezes mais nítidas do que as imagens do Telescópio Hubble no mesmo comprimento de onda. A equipa publicou um artigo científico onde detalha o processo no The Astrophysical Journal Letters.

Patrick Hartigan/Rice University
Nebulosa Carina

As nebulosas são as melhores regiões do Universo para investigar o nascimento de estrelas. Nestas regiões de gás e poeira, as estrelas aglutinam-se, aquecem e começam a brilha.

O mesmo se verifica na Nebulosa Carina, localizada no hemisfério celestial sul. Contudo, as regiões formadoras de estrelas estão “escondidas” por poeira, sendo apenas possível observá-las através de observações de luz quase infravermelha.

A imagem representa a observação mais nítida já feita de como as estrelas jovens e massivas podem afetar a região onde estão e a influência que têm na formação de estrelas e planetas. “É possível que o Sol se tenha formado em tal ambiente. Nesse caso, a radiação e os ventos de qualquer estrela massiva próxima teriam afectado as massas e as atmosferas dos planetas externos do Sistema Solar”, explicou Hartigan.

Esta nebulosa é 500 vezes maior em área real do que a mais conhecida Nebulosa de Órion, o que a torna uma candidata ideal para investigar a formação de estrelas.

ZAP //

Por ZAP
12 Outubro, 2020

 

 

963: ESTRELAS VERSUS POEIRA NA NEBULOSA CARINA

Esta imagem da Nebulosa Carina revela esta nuvem dinâmica de matéria interstelar e gás e poeira dispersos como nunca tinha sido observada antes. As estrelas massivas no interior desta bolha cósmica emitem radiação intensa que faz brilhar o gás circundante. Em contraste, outras regiões da nebulosa contêm pilares escuros de poeira que escondem estrelas recém nascidas.
Crédito: ESO/J. Emerson/M. Irwin/J. Lewis

A Nebulosa Carina, uma das maiores e mais brilhantes nebulosas do céu nocturno, foi observada pelo telescópio VISTA do ESO, que obteve belas imagens deste objecto a partir do Observatório do Paranal, no Chile. Ao observar no infravermelho, o VISTA conseguiu ver para além do gás quente e poeira escura que rodeiam a nebulosa, mostrando-nos uma miríade de estrelas, tanto recém-nascidas como nos estertores da morte.

Na constelação da Quilha, a cerca de 7500 anos-luz de distância, localiza-se uma nebulosa no seio da qual as estrelas nascem e morrem lado a lado. Moldada por estes eventos dramáticos, a Nebulosa Carina é uma nuvem dinâmica e em evolução, de gás e poeira bastante dispersos.

As estrelas massivas no interior desta bolha cósmica emitem radiação intensa que faz brilhar o gás circundante. Em contraste, outras regiões da nebulosa contêm pilares escuros de poeira que escondem estrelas recém-nascidas. Existe como que uma batalha entre as estrelas e a poeira na Nebulosa Carina, sendo que as estrelas recém-formadas estão a ganhar — produzem radiação altamente energética e ventos estelares que fazem evaporar e dispersar as maternidades estelares poeirentas nas quais se formaram.

Com uma dimensão de 300 anos-luz, a Nebulosa Carina é uma das maiores regiões de formação estelar da Via Láctea, podendo ser facilmente observada a olho nu num céu escuro. Infelizmente, para as pessoas que vivem no hemisfério norte, este objecto situa-se 60º abaixo do equador celeste e por isso é apenas visível a partir do hemisfério sul.

No seio desta intrigante nebulosa, Eta Carinae ocupa um lugar de destaque como um sistema estelar muito peculiar. Este monstro estelar — uma forma interessante de binário estelar — é o sistema estelar mais energético da região e era um dos objectos mais brilhantes do céu na década de 1830. Desde essa altura desvaneceu dramaticamente, aproximando-se agora do final da sua vida, mas permanecendo um dos sistemas estelares mais massivos e luminosos da Via Láctea.

Eta Carinae pode ser vista nesta imagem no meio da área de luz brilhante circundada por uma forma em “V”, formada por nuvens de poeira. Logo à direita de Eta Carinae encontra-se a relativamente pequena Nebulosa do Buraco de Fechadura — uma pequena nuvem densa de moléculas e gás frio situada no seio da Nebulosa Carina — que alberga várias estrelas massivas e cuja aparência mudou também drasticamente ao longo dos últimos séculos.

A Nebulosa Carina foi descoberta a partir do Cabo da Boa Esperança por Nicolas Louis de La Caille na década de 1750 e desde essa altura foi observada inúmeras vezes. O VISTA — Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy — acrescenta, no entanto, um detalhe sem precedentes à imagem de grande área; a sua visão infravermelha é perfeita no que diz respeito a revelar aglomerados de estrelas jovens escondidos no material poeirento que serpenteia ao longo da Nebulosa Carina. Em 2014, o VISTA foi utilizado para localizar quase cinco milhões de fontes individuais infravermelhas no seio desta nebulosa, revelando assim a vasta extensão deste campo de criação de estrelas. O VISTA é o maior telescópio infravermelho do mundo dedicado a rastreios e o seu grande espelho, enorme campo de visão e detectores extremamente sensíveis permitem aos astrónomos observar o céu austral de uma maneira completamente nova.

Astronomia On-line
4 de Setembro de 2018

(Foram corrigidos 6 erros ortográficos ao texto original)

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