2622: Descobertas 257 pegadas de neandertais na costa da Normandia

CIÊNCIA

Rachel Knickmeyer / Flickr

A Normandia está talhada para viver e contar uma parte da nossa história. Uma equipa de cientistas descobriu 257 pegadas de neandertais ao longo da costa daquele território, em França, que estarão “imaculadamente preservadas” há 80 mil anos.

A investigação, partilhada segunda-feira na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, parece confirmar que aquelas espécies próximas dos humanos viviam em grupo, neste caso com entre 10 e 13 indivíduos, a maioria crianças e adolescentes. De acordo com o jornal britânico The Guardian, há vestígios que sugerem que alguns dos corpos, provavelmente de adultos, tinham mais de 1,90 metros.

Os pés dos neandertais eram mais largos que os dos humanos modernos. A partir do tamanho das pegadas em Le Rozel, os investigadores estimaram o tamanho dos indivíduos que as criaram e depois inferiram a sua idade.

O diário britânico revela ainda que a zona onde foram encontradas as pegadas, Le Rozel, foi originalmente descoberta por Yves Roupin, um arqueologista amador, nos anos 60. O Governo francês só interveio seriamente, apoiando as escavações, em 2012, quando aquela zona estava ameaçada pela erosão.

Jérémy Duveau, co-autor do estudo, disse que as impressões foram deixadas em solo lamacento e rapidamente preservadas pela areia movida pelo vento. “Foi incrível observar estes trilhos, que representam momentos da vida de indivíduos, às vezes muito jovens, que viveram há 80 mil anos”, disse Duveau, do Museu Nacional de História Natural da França.

As pegadas foram encontradas entre o que a equipa chamou “material arqueológico abundante”, revelando evidências de açougue de animais e fabricação de ferramentas. As pegadas remontam a uma época em que só os neandertais viviam na Europa Ocidental.

Uma das questões que intriga os cientistas prende-se com o facto de haverem mais crianças e adolescentes do que adultos. A questão que fica é: será que os neandertais morriam cedo ou estavam noutro lado qualquer?

Esta descoberta de pegadas de neandertais é somente a décima, depois de outras terem sido encontradas na Grécia, Roménia, Gibraltar e França.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2019

 

2605: 257 pegadas de neandertais descobertas na costa da Normandia

CIÊNCIA

A investigação parece confirmar que aquelas espécies próximas dos humanos viviam em grupo, neste caso com 10/13 indivíduos, a maioria crianças e adolescentes. Há vestígios que sugerem que alguns dos corpos, provavelmente de adultos, tinham mais de 1.90m

© NurPhoto

Se em tempos testemunhou a morte, agora fala-nos sobre vida. A Normandia está talhada para viver e contar uma parte da nossa história: uma equipa de cientistas descobriu 257 pegadas de neandertais ao longo da costa daquele território, em França, que estarão “imaculadamente preservadas” há 80 mil anos, relata o “The Guardian”.

A investigação, partilhada segunda-feira na publicação oficial da Academia Nacional de Ciências do Estados Unidos (Proceedings of the National Academy of Sciences), parece confirmar que aquelas espécies próximas dos humanos viviam em grupo, neste caso com 10/13 indivíduos, a maioria crianças e adolescentes, especifica o diário britânico. Há vestígios que sugerem que alguns dos corpos, provavelmente de adultos, tinham mais de 1.90m.

O “The Guardian” revela ainda que a zona onde foram encontradas as pegadas, Le Rozel, foi descoberta em primeiro lugar por Yves Roupin, um arqueologista amador, nos anos 60. O Governo francês só interveio seriamente, apoiando as escavações, em 2012, quando aquela zona estava ameaçada pela erosão.

Uma das questões que intriga os cientistas prende-se com o facto de haverem mais crianças e adolescentes do que adultos. Ou seja, será que os neandertais morriam cedo ou estavam noutro lado qualquer?

Esta descoberta de pegadas de neandertais é somente a décima, depois de outras na Grécia, Roménia, Gibraltar e França.

msn notícias
Expresso
10/09/2019

 

2473: Os Neandertais tinham “ouvidos de nadador”

CIÊNCIA

Erich Ferdinand / Flickr (OD)

Crescimento ósseo anormal no canal auditivo era surpreendentemente comum em neandertais, de acordo com um novo estudo da Universidade de Washington.

As exostoses auditivas externas são densos crescimentos ósseos que se projectam para dentro do canal auditivo. Nos humanos modernos, essa condição é geralmente chamada de “ouvido do nadador” e sabe-se que está correlacionada à exposição habitual à água fria ou ao ar frio, embora haja também uma predisposição genética potencial para a doença.

Estas exostoses foram observadas em humanos antigos, mas poucas investigações examinaram a forma como a condição pode aumentar a nossa compreensão sobre os estilos de vida dos humanos passados.

Neste estudo, publicado em Agosto na revista especializada Plos One, Erik Trinkau e os seus colegas examinaram os canais auditivos bem preservados nos restos mortais de 77 humanos antigos, incluindo os neandertais e os primeiros humanos modernos, da Época do Pleistoceno do Meio ao Pós-École do Oeste da Eurásia.

Enquanto as primeiras amostras humanas modernas exibiam frequências semelhantes de exostoses para amostras humanas modernas, a condição era excepcionalmente comum em neandertais. Aproximadamente metade dos 23 restos de Neandertal examinados exibiram exostoses leves a severas, pelo menos duas vezes a frequência observada em quase qualquer outra população estudada.

Os autores sugerem que a explicação mais provável para este padrão é que estes neandertais gastaram uma quantidade significativa de tempo a recolher recursos em ambientes aquáticos.

No entanto, a distribuição geográfica das exostoses observadas nos neandertais não apresenta uma correlação definitiva com a proximidade de antigas fontes de água nem com climas mais frios como seria de se esperar. Os autores propõem que múltiplos factores provavelmente estariam envolvidos nesta alta abundância de exostoses, provavelmente incluindo factores ambientais, bem como predisposições genéticas.

“Uma frequência excepcionalmente alta de exostoses auditivas externas entre os neandertais e um nível mais modesto entre os humanos modernos do Paleolítico Superior anteriores indica uma maior frequência de recursos aquáticos. Em particular, reforça as habilidades de busca e a exploração e a diversidade de recursos dos Neandertais”, rematou o investigador.

ZAP //

Por ZAP
19 Agosto, 2019

 

2341: Afinal, Gibraltar não foi o último refúgio dos neandertais

CIÊNCIA

Kojotisko / Flickr

A primeira extracção de ADN antigo dos célebres restos mortais neandertais de Gibraltar revelou que este local não se trata do último refúgio desta espécie humana antes da sua extinção.

O novo estudo, liderado pelo Museu de História Natural e pelo Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, confirmou o sexo dos crânios e, no caso do fóssil descoberto na pedreira de Forbes, ligou-o aos neandertais além de Gibraltar.

Os fósseis de Neandertal de Gibraltar estão entre os achados mais destacados da paleontologia. Os fósseis são alguns dos mais históricos do seu tipo, uma vez que foram descobertos na pedreira de Forbes em 1848 e na Torre do Diabo em 1926.

Os autores do novo estudo, publicado a 15 de Julho na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, usaram um método de preparação de ADN que reduz a poluição moderna antes de sequenciamento para isolar o componente neandertal do ADN.

Chris Stringer, do Museu de História Natural, disse, em comunicado, que “as análises confirmaram que o menino da Torre do Diabo era um homem e o adulto da pedreira de Forbes era uma fêmea e geneticamente mais semelhante aos neandertais anteriores (60 mil a 120 mil anos) na Europa e na Ásia Ocidental do que aos neandertais mais jovens da Espanha”.

Embora Gibraltar seja considerado um dos últimos refúgios para os neandertais antes de sua extinção, de acordo com a Europa Press, parece que os restos encontrados na pedreira de Forbes não seriam de um Neandertal jovem.

Para investigar a conservação do ADN nos restos neandertais, Lukas Bokelmann e os seus colegas analisaram 20 miligramas de pó de osso de pedra da amostra da pedreira de Forbes e 36 miligramas da amostra da Torre do Diabo.

“É um momento emocionante para trabalhar no campo do ADN antigo. As melhorias metodológicas, como mostrado neste estudo, permitem trabalhar com um material realmente desafiador. O ADN antigo é sempre complicado, mas como estas amostras eram antigas e estavam num clima quente, foram especialmente difíceis de trabalhar, contou Selina Brace, co-autora do artigo do Museu de História Natural.

Os resultados mostram que agora é possível analisar o ADN em fósseis altamente contaminados por climas relativamente quentes, prometendo a recuperação de ADN comparativamente antigo de regiões como o norte da África, o Médio Oriente e a China.

ZAP //

Por ZAP
20 Julho, 2019

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2124: Há uma nova hipótese para a misteriosa extinção dos neandertais

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas liderados por Anna Degioanni, da Universidade de Aix-Marseille, na França, criou um modelo populacional que lhes permitiu traçar uma nova hipótese sobre a misteriosa extinção dos neandertais.

Os neandertais desapareceram há cerca de 40 mil anos, por razões ainda desconhecidas. Os cientistas têm apontado várias hipóteses para tentar explicar o fenómeno como a expansão do Homo Sapiens na Eurásia, a existência de eventos catastróficos, epidemias massivas e até mudanças climáticas.

A equipa de Degioanni debruçou-se sobre cenários alternativos para explicar a extinção, criando para isso um modelo para simular a população neandertal.

O modelo matemático simulou cenários em que os neandertais foram extintos ao longo de um período de 10 mil anos ou menos, tendo por base a linha de tempo sobre estes ancestrais humanos. A equipa incluiu parâmetros demográficos de referência – como taxas de sobrevivência, migração e fertilidade -, traçados com base em grupo de caçadores-colectores modernos e grandes primatadas da actualidade. Além disso, foram também analisados dados paleogenéticos e empíricos de estudos anteriores.

O modelo mostrou que a extinção dos neandertais poderá ter ocorrido durante este período de 10.000 anos e estar relacionada com a uma diminuição na taxa de fertilidade entre as mulheres jovens, com menos de 20 anos de idade, em 2,7%.

Factores como o aumento da mortalidade entre crianças ou até mesmo entre os adultos – devido a epidemias ou guerras – não parecem tão prováveis, já que teriam causado um “desaparecimento demasiado rápido”, explicou a investigadora à agência AFP.

“Por outro lado, uma ligeira diminuição na taxa de fertilidade de mulheres jovens é compatível com o cronograma conhecido da sua extinção”, acrescentou. A cientista explicou que, apesar de pequena, esta redução terá sido suficiente, tendo em conta o período em análise, para ditar o fim dos neandertais.

Os cientistas frisam que o estudo “não tenta explicar porque é que os neandertais desapareceram, mas tenta identificar como é que [o fenómeno] pode ter acontecido”.

O resultado da investigação foi esta semana publicado na revista PLOS ONE.

ZAP //

Por ZAP
6 Junho, 2019



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1803: As alterações climáticas transformaram os Neandertais em canibais

CIÊNCIA

Stanley Zimny / Flickr

Ossos foram descobertos numa caverna no sudeste da França nos anos 90. No total, seis neandertais: dois adultos, dois adolescentes e dois filhos.

Em toda a Europa, existem mais de 200 locais que apresentam restos antigos de Neandertais como estes, mas poucos deles contam a mesma história terrível que esta caverna contém, de acordo com uma nova análise arqueológica.

Quem quer que fossem, o modo como estes humanos antigos deixaram o mundo de 120 mil a 130 mil anos atrás poderia ter sido marcado por desespero, fome e brutalidade selvagem. Estes neandertais viveram durante o último período interglaciar – época em que o mundo estava rapidamente a transitar de uma era glacial para um clima mais quente.

“A mudança do clima do período glacial para o último interglaciar foi muito abrupta“, disse o paleontólogo Emmanuel Desclaux, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), ao Cosmos. “Não estamos a falar de escala geológica, mas em escala humana. Dentro de algumas gerações, a paisagem pode ter mudado totalmente.”

Quando o mundo ficou mais quente, os mares ergueram-se contra as costas. Plantas transformaram-se e animais mudaram. As comunidades, adaptadas com sucesso por dezenas de milhares de anos ao frio extremo, estavam a enfrentar o desconhecido.

Sabe-se pouco sobre como se saíram neste período difícil, mas as camadas arqueológicas preservadas em cerca de 220 sites europeus oferecem algumas pistas, baseadas em raros vestígios de restos humanos isolados, incluindo dentes, fragmentos de crânios e outros ossos. Mas na caverna Baume Moula-Guercy, em França, são diferentes.

O sítio apresenta um nível inigualável de preservação de ossos e carvão. Isso permitiu aos arqueólogos reconstruir o ambiente natural e as paisagens que os neandertais experimentaram durante o período Eemiano, observam os investigadores no artigo publicado na revista Journal of Archaeological Science.

Mas também revela outra coisa: a evidência do canibalismo neandertal que os autores propõem ter surgido em resposta à “profunda reviravolta” provocada pela mudança climática. Na caverna, foram encontrados 120 ossos dos seis indivíduos. Eles estavam misturados com ossos de animais e a análise revela que algo grave aconteceu com os antigos restos humanos.

“As marcas de corte estão espalhadas por 50% dos restos humanos e distribuídas por todo o esqueleto, desde o crânio e a mandíbula até as metáforas e falanges”, escreve a equipa. “As marcas de percussão são visíveis em todos os crânios, todos os ossos longos e outros ossos de adultos e crianças.”

Com base nas evidências, que também revelam possíveis sinais de esmagamento e mastigação, os cientistas sugerem que a condição dos ossos são consistentes com um único episódio de canibalismo.

“Elementos esqueléticos de todas as regiões do corpo sugerem que estavam intactos antes do evento”, afirma o artigo. “Além disso, nenhum dos restos está em relação anatómica um ao outro, indicando que os corpos foram completamente desmembrados.”

É claro que a proposta do canibalismo permanece hipotética, mas baseada nas evidências, alinha-se com outras coisas que se sabe sobre os neandertais. Eles geralmente enterravam os mortos, e provavelmente foram forçados a abandonar partes da Europa durante o período, devido a casos de fome trazidos pelo mundo em mudança, e a falta de presas ricas em proteínas.

Para aqueles que ficaram para trás, as condições eram difíceis. Alguns podem ter matado para sobreviver. Outros tornaram-se comida.

“O canibalismo destacado em Baume Moula-Guercy não é uma marca de bestialidade ou sub-humanidade”, explicam os investigadores. “A síntese dos dados torna possível interpretar a ocorrência como um episódio curto e único de endo-canibalismo em resposta ao stress nutricional induzido por mudanças ambientais rápidas e radicais”.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Abril, 2019

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1344: Neandertais e humanos modernos acasalaram em vários momentos

CIÊNCIA

Erich Ferdinand / Flickr (OD)

Os neandertais e os antepassados dos humanos modernos acasalaram em diversos momentos durante um período de 30 mil anos, revela um novo estudo.

O estudo, publicado a 26 de Novembro na revista Nature, aborda a relação entre os neandertais do oeste da Eurásia e os “humanos anatomicamente modernos” que deixaram África.

Nos últimos anos, os cientistas descobriram que os primeiros seres humanos que saíram da África encontraram neandertais a viver no é que hoje a Europa e a Ásia Oriental.

De facto, ao fazer análises genéticas em grande escala de fragmentos de ADN de neandertais presentes em humanos actuais do leste da Ásia e da Europa, dois especialistas da Universidade de Temple, nos EUA, constataram que os acasalamentos entre as duas espécies durante aquele período de 30 mil anos deixaram marcas nos genomas das populações não africanas contemporâneas.

“Quando os humanos anatomicamente modernos se dispersaram para fora de África, acasalaram com neandertais. O componente neandertal no genoma de humanos modernos é omnipresente em populações não africanas e, no entanto, é quantitativamente pequeno, representando uma média de apenas 2%”, explicam os autores do estudo.

Este padrão de ascendência neandertal em humanos modernos foi interpretado até agora como uma evidência que houve apenas um período de cruzamentos, que ocorreu pouco depois da saída dos nossos antepassados de África.

“Ainda assim, estudos demonstraram que a ascendência neandertal é entre 12% e 20% mais alta em indivíduos modernos do leste da Ásia em comparação com os da Europa”, escrevem os investigadores Fernando Villanea e Joshua Schraiber.

Os dois estudiosos afirmam que os padrões de ADN de origem neandertal presentes em humanos modernos se explicam melhor através da existência de vários episódios de acasalamento ocorridos entre os neandertais e as populações europeias e do leste da Ásia.

Os especialistas concluem que a recorrência dos encontros entre os humanos e os neandertais se encaixa na visão emergente que indica que as internações entre diferentes grupos de hominídeos foram frequentes e mais complexas do que se acreditava até agora.

ZAP // EFE / Phys

Por ZAP
28 Novembro, 2018

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1307: Talvez os neandertais não fossem tão brutos como se pensava

CIÊNCIA

Gleiver Prieto / University of Tübingen

Apesar de vários esqueletos de neandertais terem sido encontrados com ferimentos graves na cabeça e no pescoço, um novo estudo sugerem que não fossem tão violentos como se pensava.

Na verdade, os níveis de lesões cranianas dos neandertais são muito semelhantes aos dos primeiros humanos modernos, de acordo com o estudo publicado a 14 de Novembro na revista Nature.

“Não há diferença estatística entre os dois, o que significa que não podem ser diferenciados”, disse a co-autora do estudo, Katerina Harvati, paleoantropóloga da Universidade de Tübingen, na Alemanha.

“Acho que é uma evidência que eles não andavam a bater uns nos outros“, pelo menos não mais do que os humanos modernos, referiu Fred Smith, professor da Universidade do Estado de Illinois, especializado em Neandertais, que não estava envolvido na investigação.

Smith não ficou surpreendido com os resultados, e que, por muitos anos, “houve muito foco em enfatizar as diferenças entre os neandertais e nós”. Isso mudou em 2010, quando os cientistas descobriram que os neandertais contribuíam com material genético para os humanos modernos, tornando-os um parente precoce.

Desde então, uma enxurrada de estudos desafiou a imagem dos neandertais como selvagens. Investigadores sugeriram que podem ter feito arte, tiveram longas infâncias, por vezes comiam dietas vegetarianas e até usavam jóias e maquilhagem.

Os investigadores reuniram um banco de dados de artigos publicados que descreviam os ossos de 204 indivíduos neandertais e do homem moderno do Paleolítico Superior, incluindo lesões cranianas. Os espécimes vieram do que hoje é a Europa e a Ásia e datam de aproximadamente 20 a 80 mil anos atrás.

Em ambos os grupos, os homens eram mais propensos a sofrer lesões cranianas do que as mulheres – o que, de acordo com a Universidade de Tübingen, é “explicado pela divisão do trabalho entre homens e mulheres ou por comportamentos e actividades específicos do sexo determinados culturalmente”.

Embora o nível de traumatismo craniano entre os neandertais e os primeiros humanos modernos fosse estatisticamente o mesmo, os neandertais que sofreram traumatismo craniano antes dos 30 anos tinham maior probabilidade de morrerem mais jovens.

“Essa descoberta poderia indicar que os neandertais tinham um risco maior de mortalidade após sobreviverem a lesões cranianas em comparação com os humanos modernos do Paleolítico Superior”, de acordo com os investigadores. Isso também poderia significar que os primeiros humanos modernos eram melhores em cuidar dos feridos.

Harvati disse que, provavelmente, houve muitas causas para esses ferimentos na cabeça. Além da caça e da violência interpessoal, lesões cranianas em ambos os grupos foram provavelmente causadas por “acidentes de um estilo de vida altamente móvel de caçadores-colectores em ambientes glaciais, bem como ataques de carnívoros”.

ZAP // NPR

Por ZAP
19 Novembro, 2018

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1225: Os neandertais respiravam de forma diferente do Homo Sapiens

CIÊNCIA

Kojotisko / Flickr

A primeira reconstrução virtual em 3D da caixa torácica do mais completo esqueleto de neandertal até agora encontrado – o Kebara 2 – revelou uma mecânica respiratória diferente da utilizada pelo Homo Sapiens.

Levada a cabo por uma equipa internacional de cientistas, a investigação revelou informação bastante distinta da imagem estereotipada que temos do homem das cavernas.

De acordo com a investigação, publicada esta semana na revista científica Nature, a capacidade pulmonar dos neandertais era maior do que imaginávamos, e a sua coluna era também mais estável – mas há mais novidades.

“Determinar a forma do tórax é fundamental para compreender como é que os neandertais se movem no seu ambiente porque nos dá informações sobre sua respiração e equilíbrio”, explicou Gómez-Olivencia, da Universidade do País Basco, citado pela EFE.

A análise ao Kebara 2 revelou que as costelas inferiores dos neandertais são orientadas de forma mais horizontal, levando os cientistas a acreditar que a sua respiração era mais dependente do diafragma, em comparação ao Homo Sapiens, onde quer o diafragma como a caixa torácica interferem.

Para criar este modelo virtual do tórax, os cientistas realizaram basearam-se tanto nas observações directas do esqueleto do Kebara 2, actualmente na Universidade de Tel Aviv, em Israel, bem como em tomografias das vértebras, costelas e ossos pélvicos. Reunidos todos os elementos anatómicos, a reconstrução virtual foi feita através de um software especialmente desenhado para este fim.

Diferenças são impressionantes

De acordo com Daniel García Martínez e Markus Bastir, investigadores do Museu Nacional de Ciências Naturais e co-autores da investigação, as diferenças entre um tórax de neandertal e de um ser humano moderno são “impressionantes”.

“Nos neandertais, a posição da coluna em relação às costelas sugere uma coluna mais estável, sendo também o tórax é mais largo na parte inferior”, explicaram.

“Um tórax mais alargado na sua parte inferior e as costelas orientadas mais horizontalmente, como pode ser visto na reconstrução, sugerem que a respiração dos neandertais dependia mais do diafragma”, explicou Ella Been do Ono Academic College, em Tel Aviv, Israel.

Been acrescentou ainda que, em sentido oposto, a respiração da nossa espécie depende do diafragma, mas também da caixa torácica.

“Neste estudo, podemos ver como é que o uso de novas tecnologias e metodologias no estudo de restos fósseis fornecem novas pistas para entender espécies extintas“, acrescentou Mikel Arlegi da Universidade de Bordéus, em França.

Em comunicado, e em tom de conclusão, Patricia Kramer, da Universidade norte-americana de Washington, afirma: “Este é o culminar de 15 anos de pesquisa sobre o tórax de neandertal e esperamos que futuras análises genéticas nos deem pistas adicionais sobre a sua fisiologia respiratória.

Os neandertais eram caçadores-colectores que habitavam a Eurásia Ocidental durante mais de 200 mil anos, durante períodos glaciais e interglaciais, até se extinguirem há cerca de 40 mil anos.

ZAP // EFE / EuropaPress

Por ZAP
1 Novembro, 2018

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1117: Os neandertais sobreviveram à Idade do Gelo graças ao seu sistema de saúde

CIÊNCIA

kkttkk / Deviant Art

Os neandertais cuidavam dos seus doentes e feridos, tendo desenvolvido cuidados médicos muito eficientes. Um estudo recente sugere agora que este comportamento era muito mais do que um fenómeno cultural: estas práticas ajudaram os neandertais a sobreviver.

Para suportar as duras condições da Idade do Gelo na Europa, os neandertais adoptaram várias estratégias de sobrevivência, entre as quais a caça em grupo, a paternidade colaborativa e a partilha de alimentos. Um estudo recente, publicado na Quaternary Science Reviews, acrescenta ainda outro truque de sobrevivência: a saúde.

“Em vez de ser encarada apenas como um traço cultural, a saúde pode também ser vista como parte de várias adaptações que permitiram aos neandertais sobreviver em ambientes únicos onde viviam ao lado de grandes carnívoros predadores”, escreveu a equipa, liderada por Penny Spikins, da Universidade de York.

“Além disso, a saúde pode ter sido um factor significativo para permitir que os neandertais ocupassem um nicho predatório que, de outra forma, não estaria disponível para eles”, acrescentam.

É fácil prender-nos à sua extinção, mas a verdade é que a essência dos neandertais é muito mais do que isso. Eles fizeram da Idade do Gelo a sua casa durante centenas de milhares de anos… e não foi por terem feito algo de errado. Pelo contrário.

Que os neandertais tinham um sistema de saúde muito próprio não é segredo. Devido à sua vida arriscada, as lesões faziam parte do seu dia-a-dia. Mas, em vez de negligenciar os feridos, os neandertais partiram dos doentes para melhorar a sua assistência médica.

“Temos evidências de cuidados de saúde que datam de há 1,6 milhões de anos, mas achamos que vai muito além disso”, disse Spikins em comunicado. “Queríamos investigar se os cuidados de saúde nos Neandertais eram mais do que uma prática cultural: foi algo que fizeram por acaso ou foi fundamental para as suas estratégias de sobrevivência?”

Provas recolhidas pela equipa de Spikins sugerem que estas práticas foram benéficas para o grupo e, consequentemente, uma grande adaptação evolutiva.

No estudo, os cientistas analisaram restos de esqueletos de 30 indivíduos neandertais que exibiam feridas, que variavam de leves a graves. Apesar dos seus ferimentos, cada um desses indivíduos conseguiu sobreviver. Os investigadores referem que é altamente improvável que tenham conseguido sobreviver sem ajuda, desconfiando, assim, da implementação de um sistema de saúde cuidado e bem desenvolvido.

“O alto nível de lesões e recuperação de doenças graves sugere que outras pessoas devem ter colaborado nos cuidados de saúde, assim como ajudado a aliviar a dor e a lutar pela sua sobrevivência do indivíduo, encorajando-o a participar activamente nas actividades do grupo novamente”, disse Spikins.

Para tratar os seus feridos, os neandertais empregaram várias estratégias, dependendo sempre da gravidade e natureza da lesão. Segundo o Gizmodo, lesões graves, como uma perna partida, exigiram controlo da febre e reposicionamento de ossos partidos. Em alguns casos, implicou ainda limitar a perda de sangue: por isso, sim, os tratamentos eram bastante sofisticados.

“Os neandertais parecem ter sido prestadores de cuidados de saúde especializados em colaboração”, escrevem os autores. Tratar de doentes feridos e ajudar as mães durante o parto requeria muito tempo e energia, mas para os neandertais era uma necessidade: como viviam em pequenos grupos, a perda de um indivíduo poderia ser catastrófica.

Cuidar dos membros gravemente feridos era uma questão de sobrevivência global. Isto não quer dizer que os neandertais não agissem por compaixão, até porque é bem provável que sim.No entanto, os cientistas afirmam que os cuidados de saúde serviram um propósito pragmático que ajudou o grupo a sobreviver como um todo. E, por consequência, toda a espécie.

Assim, o cuidado com a saúde “não foi apenas uma adaptação evolucionária”. Pode ter sido também um factor essencial para a sobrevivência da espécie. Sem os benefícios da assistência médica, argumentam os investigadores, a Era do Gelo da Europa seria, muito provavelmente, intolerável.

ZAP //

Por ZAP
9 Outubro, 2018

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1107: Genes de Neandertais ajudaram Homo Sapiens a combater vírus

CIÊNCIA

Durante o tempo em que conviveram as duas espécies partilharam patógenos e defesas para combater alguns vírus.

Recriação de uma família Neandertal
© REUTERS/Nikola Solic

As relações sexuais que os Neandertais mantiveram com os Homo Sapiens permitiram a estes últimos gerar defesas para combater alguns vírus, mostra um estudo publicado esta quinta-feira na revista científica Cell .

Através do estudo do ADN dos Neandertais, cujos vestígios ainda estão presentes na população europeia e asiática, calculando-se que 1 a 4% do seu ADN seja ainda Neandertal.

Quando os Neandertais se cruzaram com o Homo Sapiens herdaram destes as defesas para alguns vírus que os primeiros já tinham. Um dos autores do estudo, Dmitri Petrov, explicou ao El Mundo que uma boa parte da troca nos genes dos Neandertais tiveram como objectivo a adaptação ao frio. Isto porque o cruzamento entre as duas espécies aconteceu quando o Homo Sapiens saiu de África para conquistar o mundo.

A interacção entre os Neandertais e os Homo Sapiens
© Cell

Quando chegaram à Europa, os Homo Sapiens encontraram uma espécie que tinha milhares de anos de evolução neste ambiente, o que leva os cientistas a acreditar que estes adquiriam essa resistência dos próprios Neandertais, em vez de esperarem pelas suas próprias mutações.

Diário de Notícias
Ana Bela Ferreira
04 Outubro 2018 — 23:37

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954: O frio pode ter contribuído para a extinção dos neandertais

CIÊNCIA

Michael Brace / Flickr

Uma equipa internacional de investigadores concluiu que as mudanças climáticas e o frio podem ter desempenhado um papel mais importante na extinção dos neandertais do que se pensava até então. 

Os investigadores chegaram a estas conclusões, publicadas nesta segunda-feira na revista Proceedings of the Natural Academy of Sciences, graças a novos registos naturais de estalagmites, que destacam as mudanças no clima europeu há mais de 40 mil anos.

A cada ano, as estalagmites crescem em camadas finas e, qualquer mudança na temperatura ambiente, muda automaticamente a sua composição química. Por isso, as camadas destas formações vão preservando um arquivo natural de mudanças climáticas ao longo de milhares de anos.

Tendo em conta este registo natural, os investigadores analisaram estalagmites de duas cavernas romenas, que revelaram registos mais detalhados sobre as mudanças climáticas sentidas na Europa comparativamente aos dados que havia até então.

A análise das estalagmites revelou uma série de condições prolongas de frio extremo e seca, sentidas na Europa entre 44 mil e 40 mil anos atrás. As camadas destas formações evidenciaram um ciclo de temperaturas que foram baixando gradualmente, permanecendo assim durante séculos – ou até milénios -, voltando depois ao calor de forma abrupta.

Depois, os investigadores compararam estes registos paleoclimáticos com dados arqueológicos neandertais e encontraram uma correcção entre os período frios e a ausência de ferramentas utilizadas pelos neandertais, revela a Europa Press.

Os investigadores apontam que a população neandertal diminuiu consideravelmente durante os período de frio extremo, sugerindo assim que as mudanças climáticas desempenharam uma papel importante no declínio desta população.

Vasile Ersek, co-autor do estudo e professor no Departamento de Geografia e Ciências Ambientais da Universidade de Northumbria, em Inglaterra, recorda que os neandertais viveram na Eurásia durante cerca de 350 mil anos. Mas, há 40 mil anos, durante a última era do gelo e logo após a chegada dos humanos mais “modernos” à Europa, foram extintos. Há anos que o desaparecimento desta população inquieta os investigadores.

“Durante muitos anos questionamos o que poderia ter levado ao fim dos neandertais, se teriam sido levados ao limite pela chegada dos humanos modernos ou se teria havido outros factores envolvidos”, explica Ersek, acrescentando que o novo estudo “sugere que a mudança climática pode ter desempenhado um papel importante na extinção da população.

Importância da dieta alimentar

Os investigadores acreditam também que os humanos modernos (Homo sapiens) conseguiram sobreviver a estes período de frio porque estavam melhor adaptados a este ambiente do que os neandertais.

Na Idade Paleolítica, os Homo neanderthalensis foram o auge da sofisticação: dominaram a Europa e parte da Ásia durante 300 mil anos, produziram ferramentas e jóias, construíram cavernas e cuidaram dos seus doentes e idosos. Pensa-se até que tenham criado um tipo primitivo de medicina dentária.

Eram ainda caçadores habilidosos e tinham aprendido a controlar o fogo contudo, tinha uma dieta menos diversa do que os humanos modernos, vivendo principalmente à base da carne que caçavam – fonte de alimento que se tornava mais escassa com o frio, deixando a população mais vulnerável.

Em comparação, os homens modernos já incorporavam, juntamente com a carne, peixe e plantas na sua dieta alimentar, tornando a sua alimentação mais rica e potenciado a sua taxa de sobrevivência às adversidades climatéricas.

Ersek explica ainda que este ciclo de “intervalos climáticos hostis”, nos quais o clima variava abruptamente e as temperaturas eram extremamente baixas – foi responsável pela natureza demográfica da Europa.

ZAP //

Por ZAP
1 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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