5293: Neandertais desapareceram da Europa muito antes do que se pensava

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/ARQUEOLOGIA

Pascal Rey Photographies / Flickr

Um novo estudo mostra que os fósseis neandertais de uma caverna na Bélgica, que supostamente pertencem aos últimos sobreviventes da sua espécie na Europa, são milhares de anos mais antigos do que se pensava.

A última datação por radio-carbono destes fósseis, descobertos na caverna de Spy, na Bélgica, revelou que tinham cerca de 24 mil anos. Porém, segundo a agência France-Presse (AFP), citada pelo site Science Alert, a nova análise estimou que tenham, afinal, entre 44.200 e 40.600 anos.

Em declarações à agência francesa, Thibaut Deviese, um dos co-autores do estudo e investigador da Universidade de Oxford e da Universidade Aix-Marseille, em França, explicou que a equipa desenvolveu um método mais robusto para preparar amostras, que é mais eficaz a excluir contaminantes.

Ou seja, este novo método ainda depende da datação por radio-carbono, considerada há muito o padrão-ouro da datação arqueológica, mas refina a forma como os espécimes são recolhidos.

Segundo a AFP, os investigadores também dataram espécimes Neandertais de outros dois lugares na Bélgica – Fonds-de-Foret e Engis –, tendo encontrado idades comparáveis.

“Datar todos estes espécimes foi muito emocionante, uma vez que tiveram um papel crucial na compreensão e na definição dos Neandertais”, disse ainda Gregory Abrams, outro dos autores do estudo, do Centro Arqueológico da Caverna Scladina.

“Quase dois séculos depois da descoberta do filho Neandertal de Engis, fomos capazes de dar uma idade confiável”, acrescentou.

O sequenciamento genético foi, entretanto, capaz de mostrar que um osso do ombro de um Neandertal, datado de há 28 mil anos, estava fortemente contaminado com ADN bovino, sugerindo que o osso tinha sido preservado com uma cola feita de ossos de gado.

“Definir datas é crucial na arqueologia. Sem uma cronologia confiável não podemos mesmo confiar que compreendemos a relação entre os Neandertais e o Homo Sapiens”, disse também Tom Higham, investigador da Universidade de Oxford e co-autor do estudo.

O uso de algumas ferramentas de pedra foi atribuído aos Neandertais e interpretado como um sinal da sua evolução cognitiva, afirmou Deviese. Contudo, se a linha do tempo da sua existência está a ser empurrada para trás, acrescentou, então as indústrias paleolíticas deveriam ser reexaminadas para determinar se realmente foram obra destas espécies extintas de hominídeos.

O estudo foi publicado, este mês, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

ZAP ZAP //

Por ZAP
9 Março, 2021


5233: Neandertais tinham a capacidade de ouvir e reproduzir sons como nós

CIÊNCIA/PALEONTROPOLOGIA

Cientistas reconstituíram virtualmente os canais auditivos externos e médios e acreditam que estes tinham capacidade para captar as consoantes e provavelmente reproduzi-las.

Reconstrução em 3D do ouvido de um humano moderno (à esquerda) e do Amud 1 Neandertal (direita).
© DR/Mercedes Conde-Valverde

Os neandertais tinham um sistema auditivo tão agudo quanto o do Homo sapiens, o que poderia representar uma prova adicional de que possuíam uma capacidade de comunicação tão eficaz quanto os humanos modernos, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira.

Embora alguns especialistas defendam a ideia de que só o Homo sapiens desenvolveu a capacidade de conceber símbolos e de comunicá-los através da linguagem, a professora Mercedes Conde-Valverde, da Universidade espanhola de Alcalá e responsável pelo estudo, lembrou que a ciência fornece cada vez mais provas de “comportamentos complexos dos neandertais”.

Por exemplo, foi comprovado que esta espécie que desapareceu há cerca de 40 mil anos enterrava os seus mortos, sabia ornamentar os corpos e fabricar instrumentos sofisticados.

Para saber se os neandertais poderiam ter uma linguagem, foi preciso determinar se podiam simbolizar conceitos e se tinham a capacidade anatómica necessária para expressá-los, segundo o estudo publicado na revista Nature Ecology and Evolution.

Para isso, cientistas reconstituíram virtualmente os canais auditivos externos e médios de cinco espécimes que viveram entre 130 mil e 45 mil anos atrás.

Depois, mediram a sua capacidade para captar sons e a sua faixa de frequência, já que “quanto mais ampla for, mais variados são os sons e mais eficaz a comunicação”, disse à AFP Conde-Valverde, especialista em bio-acústica.

Por fim, compararam todos esses valores com dois grupos de humanos modernos e de espécimes dos primeiros antepassados dos neandertais encontrados na Sima de los Huesos, no norte da Espanha, e fechados há 430 mil anos.

Como “um idioma estrangeiro”

A conclusão é que esta espécie tem as mesmas capacidades auditivas que o Homo sapiens, especialmente a de perceber sons de frequência mais alta do que seus antepassados.

As altas frequências estão relacionadas com a produção de consoantes, uma característica importante da linguagem humana, que a diferencia do modo de comunicação dos chimpanzés e de quase todos os mamíferos.

O estudo destaca que as consoantes são “especialmente importantes para determinar o sentido das palavras”.

Deduz também que se o ouvido do neandertal se desenvolveu para captá-las, é porque sabia reproduzi-las e aponta para a existência de um “sistema de comunicação vocal tão complexo e eficaz como a linguagem humana”.

Segundo Conde-Valverde, o neandertal “era capaz de transmitir uma informação oral rapidamente e com um índice de erro muito baixo”. Ela acredita inclusive que “se escutássemos dois neandertais a conversar atrás de uma cortina sem poder vê-los, pensaríamos que seriam duas pessoas de outro país a falar num idioma estrangeiro”.

Antoine Balzeau, paleontropologista do Museu Nacional de História Natural de Paris, considerou o estudo “interessante” e, como seus próprios autores, propôs “comparar esses resultados com os de antigos Homo sapiens.”

Diário de Notícias
DN/AFP
01 Março 2021 — 20:44


5190: Afinal, ADN herdado dos neandertais também reduz risco de sintomas graves de covid-19

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/GENÉTICA/CORONAVIRUS

(dr) Joe McNally, National Geographic
Wilma, uma fêmea reconstituída a partir de ADN neandertal

A mesma equipa que, no ano passado, descobriu que um segmento de ADN herdado dos neandertais pode aumentar o risco de covid-19, descobriu agora uma outra variante genética do ancestral humano que contribui para a protecção contra o Sars-Cov-2.

Em comunicado, Hugo Zeberg resume a descoberta afirmando que a herança dos neandertais é como “uma faca de dois gumes”, pelo menos no que diz respeito à nossa resposta ao Sars-CoV-2. “Os neandertais deram-nos variantes pelas quais podemo-nos sentir, ao mesmo tempo, gratos e prejudicados.”

Segundo o Interesting Engeneering, o estudo, realizado por investigadores do Instituto Karolinska, na Suécia, e do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, explicou de que forma a mutação genética reduziu o risco de sintomas graves de covid-19 em, aproximadamente, 20%.

Gene Neandertal

Além de factores de risco, como idade e comorbidades, os genes também contribuem para tornar as pessoas mais ou menos propensas a desenvolverem formas graves da doença. O recente estudo, publicado na PNAS, mostra que certos genes neandertais também podem actuar como uma barreira protectora.

No ano passado, os cientistas descobriram uma forte ligação entre a covid-19 e o material genético neandertal do segmento do cromossoma 3, que torna as pessoas que têm duas cópias desta variante três vezes mais propensas a sofrer doenças graves.

No novo estudo, a equipa apresentou uma nova descoberta: a de que uma região do cromossoma 12 é importante no sentido contrário do desenvolvimento da infecção.

Os genes dessa região regulam a actividade de uma enzimas que desempenham um papel importante ao ajudar as células a matar genomas de vírus invasores, como o coronavírus. O estudo sugere que a enzima da variante neandertal se mostrou mais eficaz na protecção contra as formas graves de covid-19.

A variante foi transmitida aos humanos actuais graças ao cruzamento entre os neandertais e os humanos modernos há cerca de 60 mil anos. Acredita-se que cerca de metade da população fora da África tenha essa variante do gene.

As novas descobertas podem ajudar a explicar por que certas pessoas sofrem mais severamente com covid-19.

ADN herdado dos neandertais pode aumentar o risco de covid-19

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Liliana Malainho Liliana Malainho, ZAP //

Por Liliana Malainho
23 Fevereiro, 2021


5179: O fim dos neandertais pode estar relacionado com a inversão dos pólos magnéticos da Terra

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/ASTROFÍSICA

NASA Goddard / Flickr
Conceito de artista do Campo Magnético da Terra

A extinção dos neandertais pode estar relacionada com o colapso temporário dos pólos magnéticos da Terra há 42 mil anos, sugere um estudo da Universidade australiana de Nova Gales do Sul e do Museu da Austrália Meridional.

Em comunicado, a equipa explica que o colapso temporário do campo magnético da Terra há 42 mil anos desencadeou uma série de mudanças climáticas que, por sua vez, levaram a mudanças ambientais e extinções de massa.

Este ponto de viragem na história do nosso planeta, que produziu tempestades eléctricas, auroras generalizadas e radiação cósmica, foi desencadeado pela reversão dos pólos magnéticos da Terra e mudança nos ventos solares.

No estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na Science, os cientistas baptizam este período como “Evento Adams” e sugerem que poderá explicar mistérios evolutivos, como a extinção dos neandertais ou o repentino surgimento de arte figurativa em todo o mundo, considerando que os humanos tiveram de procurar novos refúgios.

“Pela primeira vez, fomos capazes de datar com precisão o tempo e os impactos ambientais da última chave magnética do pólo”, explicou Chris Turney, professor da Universidade de Nova Gales do Sul e co-autor do estudo, citado em comunicado.

“As descobertas foram possíveis graças às antigas árvores Kauri da Nova Zelândia, que foram preservadas em sedimentos por mais de 40.000 anos (…) Usando as árvores antigas, pudemos medir e datar o pico nos níveis de radio-carbono atmosférico causado pelo colapso do campo magnético da Terra”, acrescentou.

Os investigadores compararam essa escala do tempo com registos de lugares de todo o Pacífico e elaboraram modelos climáticos globais para descobrirem que o crescimento das camadas de gelo e dos glaciares da América do Norte e as grandes alterações nos ventos e sistemas de tempestades tropicais podem remontar ao Evento Adams.

Uma das primeiras pistas foi a que indica que a mega-fauna da Austrália continental e da Tasmânia sofreu uma extinção simultânea há 42 mil anos.

É a descoberta mais surpreendente e importante em que já estive envolvido”, remata o professor Cooper do Museu da Austrália Meridional.

O campo magnético da Terra, recorde-se, funciona como um “escudo”, protegendo o planeta dos raios solar e cósmico. Quando os pólos invertem, este “escudo protector” pode diminuir até um décimo a sua capacidade protectora.

Apesar de poder demorar séculos, as radiações acabariam por atingir a superfície Terra, tornando as regiões inabitáveis e causando extinção de espécies.

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ZAP ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Fevereiro, 2021


4687: Ferramentas sugerem que os neandertais viveram numa ilha dinamarquesa há 120.000 anos

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

Randii Oliver / NASA

Antigas ferramentas enterradas nas encostas de uma ilha dinamarquesa deram aos arqueólogos uma pista valiosa: os neandertais podem ter lá vivido há 120.000 anos.

Uma equipa de arqueólogos de dois museus dinamarqueses, o Museu Nacional e o Museu Roskilde, encontrou restos de ferramentas que terão sido confeccionadas por neandertais na ilha dinamarquesa de Ejby Klint. As pedras de sílex e as cascas de mexilhões terão sido raspadas para se tornarem lâminas afiadas, avança o Daily Mail.

A descoberta destes artefactos pode apontar para a presença do Homem nesta região muito antes do que se imaginava. Lasse Sorensen, do Museu Nacional da Dinamarca, acrescentou que pode reescrever a história do país, se se confirmar que as pedras foram mesmo trabalhadas por neandertais.

O investigador realçou que uma das implicações desta descoberta é que os neandertais teriam chegado ao país 80.000 anos antes do Homo sapiens chegar à Europa.

“Pensei que não encontraríamos nada, mas, na verdade, encontramos algumas pedras com possíveis vestígios de terem sido trabalhadas humanamente, e isso é incrível”, comentou. A ilha fica a 48 quilómetros da costa do continente, o que indica que os hominídeos teriam que ter navegado para chegar ao local.

Os artefactos serão agora estudados através de análises profundas. O solo ao redor do local da descoberta será também analisado, para que seja possível confirmar esta hipótese.

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Por ZAP
20 Novembro, 2020


4658: Neandertais deixavam de mamar na mesma altura que as crianças de hoje

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

Randii Oliver / NASA

Um novo estudo mostra que as crianças Neandertais cresceram e deixaram de mamar de forma semelhante às crianças humanas modernas.

De acordo com o site Science Alert, a nova pesquisa usou técnicas geoquímicas e histológicas para observar três dentes de leite Neandertais, originalmente encontrados no nordeste de Itália e que têm cerca de 45 mil a 70 mil anos.

Os investigadores descobriram que estas crianças começaram a comer alimentos sólidos com cerca de cinco ou seis meses de idade, tal como ainda acontece nos dias de hoje.

“Agora, sabemos que também os Neandertais começavam a deixar de amamentar os seus filhos quando os humanos modernos o fazem”, diz a antropóloga Alessia Nava, da Universidade de Kent, no Reino Unido, e uma das autoras do estudo publicado, no dia 2 de Novembro, na revista científica PNAS.

“O início do desmame está mais relacionado com a fisiologia do que com factores culturais. No ser humano moderno, de facto, a primeira introdução de alimentos sólidos ocorre por volta dos seis meses de idade, quando a criança precisa de um suprimento alimentar mais energético”.

Segundo o mesmo site, tal como acontece connosco quando somos pequenos, parece que foi o cérebro em crescimento e as necessidades por outro tipo de alimentos que promoveram o desmame dos Neandertais.

“Estes factores possivelmente sugerem que os recém-nascidos Neandertais tinham um peso parecido ao dos recém-nascidos humanos modernos, apontando para uma provável história gestacional e ontogenia de início de vida semelhantes, assim como um intervalo entre nascimentos potencialmente mais curto”, declara o antropólogo Stefano Benazzi, da Universidade de Bolonha, em Itália.

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15 Novembro, 2020


4627: Neandertais e humanos estiveram em guerra durante 100 mil anos (e isso pode ter levado à sua extinção)

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/PALEONTOLOGIA

Gleiver Prieto / University of Tübingen

A extinção dos Neandertais é um dos grandes mistérios da ciência. Agora, uma nova teoria de uma paleontólogo diz que a extinção desta espécie foi o resultado da perda de uma guerra de 100 mil anos anos com humanos anatomicamente modernos.

Os Neandertais e os ancestrais dos humanos modernos separaram-se em África há mais de 500 mil anos. A primeira espécie migrou para o Médio Oriente e espalhou-se por grande parte da Europa e da Ásia. Já os humanos anatomicamente modernos deixaram África há cerca de 200 mil anos. Por isso acredita-se que as duas espécies se cruzaram.

Isto pode indicar que as duas espécies viviam em harmonia e até cooperavam. De acordo com a BBC Future, os Neandertais não eram primitivos, pois eram relativamente avançados e tinham uma cultura.

O paleontólogo Nicholas R Longrich refere que “é tentador imagina-los a viver em paz com a natureza e uns com os outros”, mas “os Neandertais eram predadores e territoriais, por isso defendiam o seu território com violência e trabalhavam de forma cooperativa para combater os invasores. Isso significa que a extinção dos Neandertais pode não ter sido fácil.

Comportamento Territorial

Defender o próprio território e usar a violência para fazê-lo foi uma característica que todas as espécies herdaram dos seus ancestrais.

Longrich disse à BBC Future que “a agressão cooperativa evoluiu no ancestral comum dos chimpanzés e de nós mesmos há 7 milhões de anos”. Esse impulso é a raiz da violência organizada e da guerra. O especialista refere que “a guerra não é uma invenção moderna, mas uma parte antiga e fundamental de nossa humanidade”.

Os Neandertais eram notavelmente semelhantes aos humanos modernos, pois comportavam-se de forma semelhante. “Se os Neandertais partilhavam tantos dos nossos instintos criativos, também deviam ter muitos dos nossos instintos destrutivos”, refere o especialista.

Neste sentido, quando os ancestrais dos humanos modernos deixaram África e encontraram outras espécies de humanos arcaicos, o conflito e a guerra foram inevitáveis.

Uma análise no registo paleontológico mostra que há evidências de traumas nos ossos do Homo Sapiens e dos Neandertais. De acordo com algumas pesquisas, os homens jovens Neandertais mostravam sinais de ferimentos por traumas. Esses eram provavelmente os guerreiros dos grupos e isso pode indicar que foram feridos ou mortos em confrontos violentos.

As armas primitivas encontradas por arqueólogos em sítios pré-históricos contam também uma história de violência.

Há a possibilidade de os Neandertais e os primeiros humanos se terem envolvido em conflitos, e assim, os Neandertais resistiram às incursões dos humanos modernos nos seus territórios. Longrich afirma que esta situação “levou a uma guerra de 100 mil anos”, por isso, para os investigadores, é fácil perceber que a extinção dos Neandertais não foi rápida.

Os Neandertais eram adversários formidáveis e, por isso, difíceis de combater. Eram caçadores hábeis e tinham armas para resistir aos recém-chegados. Além disso, eram mais atarracados, mais fortes do que os nossos ancestrais, e provavelmente tinham melhor visão nocturna, o que poderia tê-los ajudado em conflitos nocturnos.

Como é que o Homo Sapiens venceu?

Segundo o Ancient Origins, a guerra entre as duas espécies fluiu por milhares de anos. A BBC Future relata que “em Israel e na Grécia, o arcaico Homo Sapiens ganhou terreno para recuar contra as ofensivas Neandertais”, ainda assim a espécie demorou cerca de 75 mil anos para alcançar a extinção dos Neandertais nos locais que hoje são Israel e Grécia.

É possível que os nossos ancestrais tivessem usado melhores técnicas de caça e tivessem outras vantagens estratégicas. Também os primeiros grupos de caça desta espécie eram provavelmente maiores do que os dos Neandertais, e sobretudo com mais lutadores.

A teoria de que nossos ancestrais acabaram por vencer os Neandertais através de violência, parece apoiar a visão de que estes desapareceram porque foram exterminados pelo Homo Sapiens.

No entanto, existem outras teorias para explicar a extinção dos Neandertais, incluindo doenças, falha na adaptação a ambientes em mudança e até mesmo falta de diversidade genética.

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10 Novembro, 2020


4390: Encontrado dente de leite com 48.000 anos que pertenceu a “um dos últimos” neandertais de Itália

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/ARQUEOLOGIA

Randii Oliver / NASA

Uma equipa de cientistas da Universidade de Bolonha e Ferrara, em Itália, encontrou um dente de leite na região do Veneto, que acreditam ter pertencido a um dos últimos neandertais a habitar no país.

Análises levadas a cabo revelaram que o dente, um canino, pertenceu a um menino com 11 ou 12 anos, que terá vivido na zona há 48.000 anos, detalha o portal Phys.org.

Citado pela Russia Today, o principal autor do estudo, Matteo Romandini, frisa que a descoberta é fruto da “sinergia entre diferentes disciplinas e especializações“.

“A arqueologia de campo pré-histórico de alta resolução permitiu-nos encontrar o dente; depois, aplicamos abordagens virtuais para analisar a sua forma, genoma, tafonomia [ estudo de organismos em decomposição ao longo do tempo] e perfil radiométrico. Seguindo este processo, conseguimos identificar este dente como pertencente a uma criança que era um dos últimos neandertais de Itália”, explicou.

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newswise
@newswise
A 48,000 years old tooth that belonged to one of the last Neanderthals in Northern Italy. “Little milk-tooth is the most recent finding of the Neanderthal period in Northern Italy and one of the latest in the entire peninsula” @UniboMagazine newswise.com/articles/a-48-

Imagem

“As técnicas que utilizamos para analisar o dente levaram às seguintes descobertas: trata-se de um dente canino superior que pertenceu a um menino neandertal, de 11 ou 12 anos, que viveu entre 48.000 e 45.000 anos atrás”, detalharam, por sua vez, Gregorio Oxilia e Eugenio Bortolini, co-autores do estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Journal of Human Evolution.

“Segundo esta datação, este pequeno dente de leite é a descoberta mais recente do período neandertal no norte de Itália e uma das últimas em toda a península”.

Stefano Benazzi, professor da Universidade de Bolonha e coordenador da pesquisa, considerou a descoberta “extremamente importante”.

“Isto é ainda mais relevante se tivermos em conta que, quando esta criança que vivia no Veneto e perdeu o dente, já existiam comunidades Homo Sapiens a 1.000 quilómetros de distância, na Bulgária”, sublinhou o investigador.

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26 Setembro, 2020

 

 

4285: Inovação das ferramentas Neandertais foi impulsionada pelas alterações climáticas

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/ARQUEOLOGIA

Kojotisko / Flickr

Acredita-se que os Neandertais tenham andado pela Terra durante cerca de 360 mil anos, período durante o qual o planeta experimentou vários ciclos glaciais. Agora, um novo estudo revela que não morreram sem dar luta.

De acordo com o site IFLScience, o novo estudo apresenta uma análise detalhada das ferramentas Neandertais recuperadas de Sesselfelsgrotte, caverna na Alemanha considerada um dos mais importantes sítios Neandertais na Europa central.

Utilizando técnicas de digitalização 3D, os investigadores foram capazes de observar estes utensílios com detalhes sem precedentes, observando que tinham vários formatos e tamanhos.

Esta variação no design das ferramentas oferece novas luzes sobre a complexidade das estratégias de sobrevivência dos Neandertais já que, geralmente, se acredita que estes hominíneos dependiam sobretudo de facas de pedra de uma lâmina conhecidas como Keilmesser.

No entanto, muitas das ferramentas encontradas em Sesselfelsgrotte continham várias lâminas, com várias bordas a ser afiadas para maximizar a superfície de corte.

Ao interpretar esta descoberta, os autores do estudo, publicado, a 19 de Agosto, na revista científica PLOS One, sugerem que essas facas mais complexas tornaram-se comuns numa altura em que as temperaturas globais caíam de forma significativa há cerca de 60 mil anos.

À medida que o gelo se espalhava pela terra, os Neandertais descobriram que tinham menos acesso a recursos vitais e, portanto, foram forçados a adoptar um estilo de vida mais nómada. Isso exigiu o desenvolvimento de ferramentas mais duradouras que pudessem ser utilizadas durante viagens longas, sem terem de ser substituídas tão regularmente como as antigas facas.

Em comunicado, o autor do estudo, Thorsten Uthmeier, investigador do Instituto de Pré-história e História Antiga da Universidade de Erlangen-Nuremberga (FAU), disse que o desenvolvimento de facas de formato bifacial durante este período “não é apenas uma prova directa das habilidades de planeamento avançado dos nossos parentes extintos, mas também uma reacção estratégica às restrições impostas por condições naturais adversas.”

“Ao contrário do que algumas pessoas afirmam, o desaparecimento dos Neandertais não pode ter sido resultado de uma falta de inovação ou pensamento metódico”, concluiu.

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6 Setembro, 2020

 

 

4063: Gene Neandertal pode tornar algumas pessoas mais sensíveis à dor

CIÊNCIA/GENÉTICA

Erich Ferdinand / Flickr (OD)
O Homem do Neandertal

Um novo estudo concluiu que pessoas que herdaram determinadas mutações genéticas dos Neandertais tendem a sentir mais dor.

De acordo com a revista Nature, geneticistas descobriram que os Neandertais carregavam três mutações no gene SCN9A que alterava o formato da proteína NaV1.7, que transmite sensações dolorosas à medula espinal e ao cérebro.

Para perceber como é que estas mutações podem ter alterado os nervos destes humanos ancestrais, a equipa de cientistas colocou a sua versão da NaV1.7 em ovos de sapos e células renais humanas.

A proteína foi mais activa nas células com todas as três mutações do que nas células sem as alterações. Nas fibras nervosas, isso reduziria o limiar para transmitir um sinal doloroso, explica Hugo Zeberg, investigador do Instituto Karolinska e um dos autores do estudo publicado, a 23 de Julho, na revista científica Current Biology.

De seguida, a equipa procurou por humanos com a versão Neandertal do NaV1.7. Cerca de 0,4% das pessoas de um banco de dados britânico, composto por meio milhão de participantes, tinham uma cópia desta versão modificada do gene. Estes participantes tiveram cerca de 7% mais probabilidade de relatar dor, acrescenta a mesma publicação.

Os investigadores alertam que estas descobertas não significam necessariamente que os Neandertais sentiriam mais dor do que os humanos modernos. As sensações transmitidas pelo NaV1.7 são processadas e modificadas na medula espinal e no cérebro, o que também contribui para a experiência subjectiva da dor.

As populações Neandertais eram pequenas e tinham baixa diversidade genética – condições que podem ajudar mutações prejudiciais a prolongar-se. Mas Svante Pääbo, investigador do Instituto Max Planck e outro dos autores do estudo, considera que a mudança seria como um produto da selecção natural.

Por isso, o cientista planeia sequenciar os genomas de cerca de uma centena de Neandertais, o que poderia ajudar a dar respostas. Em todo o caso, destaca, “a dor é algo adaptável”. “Não é especificamente mau sentir dor”, conclui.

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28 Julho, 2020

 

 

3983: ADN herdado dos neandertais pode aumentar o risco de covid-19

CIÊNCIA/GENÉTICA/NEANDERTAL

(dr) Johannes Krause / Museum of the Krapina Neanderthals
Recriação de uma cena da vida de um grupo de Neandertais

Uma nova investigação concluiu que um segmento de ADN herdado dos neandertais presente em alguns humanos pode aumentar o risco de covid-19.

De acordo com o estudo levado a cabo por cientistas da Alemanha e da Suécia, o material genético herdado desta espécie ancestral humana pode aumentar o risco de adoecer gravemente com a infecção pelo novo coronavírus.

“Os dados resultantes de uma compilação de 3.199 pacientes hospitalizados com covid-19 indicam que esse segmento de ADN significa um risco genético aumentado de contrair uma infecção severa por SARS-CoV-2, exigindo hospitalização”, escrevem os cientistas no novo estudo pré-disponibilizado no portal bioRxiv.

O artigo, importa frisar, carece ainda de revisão de pares.

Os resultados da investigação mostraram uma forte ligação entre a covid-19 e o material genético neandertal do segmento do cromossoma 3, que torna as pessoas que têm duas cópias desta variante três vezes mais propensas a sofrer doenças graves, explicam os cientistas citado pelos jornal norte-americano New York Times.

Os especialistas consideram que, no geral, este legado genético pode ter sido prejudicial para os seres humanos modernos, desaparecendo depois com a evolução, embora alguns genes possam ter oferecido algumas vantagens evolutivas.

O mesmo jornal escreve que esta sequência genética que pode agravar a covid-19 passou muito provavelmente da espécie ancestral para o Homem durante o cruzamento entre Homo sapiens e os neandertais, que terá ocorrido entre 40.000 e 60.000 anos atrás.

Muito frequente entre os cidadãos do Bangladesh

No mesmo estudo, frisa o portal Russia Today, os cientistas sublinham que esta variante genética não afecta todas as populações de igual forma. O segmento de ADN neandertal é muito mais frequente nos habitantes de Bangladesh, onde 63% da população o tem, e no sul da Ásia, onde cerca de um terço da população o herdou.

Este “pedaço” de material genético é menos comum noutras regiões, como a Europa, onde apenas 8% de toda a população carrega este gene. Nos Estados Unidos está presente em 4% da população, enquanto em África é praticamente inexistente.

Os autores do estudo, Hugo Zeberg, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, na Alemanha, Svante Paabo, do Instituto Karolinska na Suécia, acreditam que alguns genes neandertais herdados pelo Homem ainda afectam a sua saúde até aos dias de hoje.

“A variedade neandertal pode, portanto, contribuir significativamente para o risco de covid-19 em determinadas populações”, escreveram.

Um outro estudo, levado a cabo pelos mesmos cientistas e publicado em Junho passado na revista científica especializada Molecular Biology and Evolution, concluiu que um terço das mulheres europeias herdou um gene neandertal favorável à fertilidade.

Um terço das mulheres europeias herdou um gene neandertal favorável à fertilidade

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ZAP //

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11 Julho, 2020

 

 

70,000-year-old Neanderthal remains may be evidence that ‘closest human relative’ buried its dead

SCIENCE

The Neanderthal’s skull is squashed, and its worn teeth suggest the individual was middle aged.

The steep entrance to Shanidar Cave, where the newly discovered Neanderthal remains were unearthed.
(Image: © Graeme Barker)

Some Neanderthals may have buried their dead. That’s according to the discovery of a partial Neanderthal skeleton found deep in a cave in Iraqi Kurdistan alongside a possible grave marker.

Neanderthals, our closest extinct human relative, lived in Eurasia from about 250,000 to 40,000 years ago. The roughly 70,000-year-old bones of this newfound individual included a squashed skull and upper body, making it the most complete articulated Neanderthal skeleton to be found in more than 25 years, the researchers said.

If Neanderthals did indeed bury this individual, then perhaps some Neanderthals had mortuary practices, an idea that is still debated among anthropologists, said study co-lead researcher Emma Pomeroy, a human-bone specialist and a lecturer of the evolution of health, diet and disease in the Department of Archaeology at the University of Cambridge in England.

The so-called Neanderthal “burial debate” continues because the practice of mortuary activities suggests the capacity for symbolic thought, an ability that seems to be almost exclusively human, Pomeroy told Live Science.

“It’s evidence for perhaps compassion and care towards other members of your group, and mourning and feelings of loss,” she said. “It tells us something about the way Neanderthals were thinking; whether they experienced the kind of emotion that we do and had the kind of cognitive ability to think abstractly about the world.”

The excavation

Researchers discovered the Neanderthal’s remains in Shanidar Cave, an archaeological hotspot in the foothills of Iraqi Kurdistan. The site became famous in the 1950s, when American archaeologist Ralph Solecki unearthed the remains of 10 Neanderthal men, women and children there.

“Solecki argued that while some of the individuals had been killed by rocks falling from the cave roof, others had been buried with formal burial rites,” the researchers wrote in the new study. The latter group included the famous “flower burial,” named for the clumps of pollen grains found in the sediment, which Solecki saw as evidence for the intentional placement of flowers with the body.

While the interpretation of the flower burial remains controversial, it sparked the decades-long controversy about whether Neanderthals had the cultural sophistication to bury their dead.

In the years following Solecki’s excavations, goat herders intermittently used the cave for shelter, Pomeroy said. Then, in 2014, archaeologists returned at the invitation of the Kurdish Regional Government in Iraq. An ISIS threat, however, delayed the project until 2015.

Unfortunately, Solecki never made it back, despite many attempts. He died in March 2019 at age 101, the researchers reported.

The new team didn’t expect to find any more Neanderthal remains, but that’s exactly what they discovered. “It was really unexpected,” said Pomeroy, who joined the project at that point. “It was kind of mindblowing.”

The Neanderthal’s head was rested, pillowlike, on its curled left arm. The right arm was bent at the elbow. But everything below the Neanderthal’s waist was missing. It’s likely that the lower body was part of a large block removed by Solecki and colleagues in the early 1960s, Pomeroy said. That block is currently at Baghdad Museum, and the researchers hope to study it soon, she said.

The Neanderthal

The newfound Neanderthal, dubbed Shanidar Z, was likely an adult of middle age or older, based on its worn teeth, the researchers said.

The skeleton is currently on loan in Cambridge, where it is being conserved and digitally scanned with CT (computed tomography). Analyses of Shanidar Z’s bones and teeth will also be a gold mine for researchers; they plan to look for ancient DNA, study the Neanderthal’s dental plaque to see what it ate, and examine the chemical signatures in its teeth to see where it lived as a youth. Moreover, traces of pollen and charcoal in the sediment around the bones could provide clues about Neanderthal cooking and burial practices, Pomeroy said.

During the dig, the researchers found the tooth of another Neanderthal, as well as bones of other Neanderthal individuals beneath Shanidar Z. This raises the question of whether Neanderthals used this cave as a burial ground over the years, the researchers said, especially because Shanidar Z had a prominent rock at its head that may have served as a grave marker.

Other clues also hint that Shanidar Z was  intentionally buried. For instance, if the body had been abandoned in the cave, scavengers would have likely chomped down and left bite marks on the bones, Pomeroy said.

Moreover, “the new excavation suggests that some of these bodies were laid in a channel in the cave floor created by water, which had then been intentionally dug to make it deeper,” study senior author Graeme Barker, director of the Shanidar Cave project and professor in the Department of Archaeology at the University of Cambridge, said in a statement. “There is strong early evidence that Shanidar Z was deliberately buried.”

So far, the evidence for burial looks convincing, said João Zilhão, a professor at the Catalan Institution for Research and Advanced Studies (ICREA) at the University of Barcelona, who was not involved in the study.

“Of course it was [buried],” Zilhão told Live Science in an email. “There can be no question about that.” He noted that while some scientists question whether Neanderthals buried their dead, this line of thought is “based on captious arguments that essentially boiled down to ‘all those instances of burial are from old excavations that were not up to standards and so do not represent valid evidence.'”

But new analyses of previously studied Neanderthal sites support the idea that these beings buried their dead, including at La Chapelle-aux-Saints in southwestern France, Zilhão said.

The new study was published online Tuesday (Feb. 18) in the journal Antiquity

Originally published on Live Science.

By Laura Geggel – Associate Editor
19/02/2020

 

 

3121: Um golpe de má sorte pode ter ditado a extinção dos Neandertais

CIÊNCIA

Afinal, pode não ter sido culpa nossa. Uma investigação recente sobre o desaparecimentos dos neandertais sugere que, em vez de terem sido superados pelo Homo sapiens, os nossos ancestrais podem ter sido extintos por azar.

A população neandertal era tão pequena na altura em que os humanos modernos chegaram à Europa e ao Oriente Próximo que a endogamia e as flutuações naturais nas taxas de natalidade, nas taxas de mortalidade e nas relações sexuais poderiam ter resultado na sua extinção.

Os paleoantropólogos sugerem que os neandertais desapareceram há 40.000 anos, quase ao mesmo tempo em que humanos anatomicamente modernos começaram a migrar para o Oriente Próximo e para a Europa. No entanto, o papel que os humanos modernos tiveram na extinção dos neandertais é discutido.

Neste estudo, os cientistas da Universidade Tecnológica de Eindhoven, na Holanda, liderados pela líder da investigação Krist Vaesen, usaram modelos populacionais para explorar se as populações neandertais poderiam ter desaparecido sem factores externos, como a competição dos seres humanos modernos.

Os autores utilizaram dados de populações existentes de caçadores-colectores como parâmetros e desenvolveram modelos populacionais para populações neandertais simuladas de vários tamanhos iniciais (50, 100, 500, 1.000 ou 5.000 indivíduos).

De seguida, relata o Europa Press, os investigadores simularam para cada uma das suas populações modelo os efeitos da consanguinidade, os efeitos de Allee (onde o tamanho reduzido da população afecta negativamente a aptidão física dos indivíduos) e as flutuações demográficas aleatórias anuais em nascimentos, mortes e proporção de sexos, para ver se estes factores poderiam ter causado um evento de extinção.

Os resultados mostraram que é improvável que a consanguinidade, por si só, tenha levado à extinção.

Já os efeitos de Allee relacionados à reprodução, nos quais 25% ou menos das fêmeas neandertais deram à luz num determinado ano (como é comum em caçadores-colectores existentes), poderiam ter causado a extinção em populações de até 1.000 indivíduos.

Juntamente com as flutuações demográficas, os efeitos Allee e a consanguinidade poderiam ter causado a extinção em todos os tamanhos populacionais modelados nos 10.000 anos atribuídos aos investigadores.

É necessário salvaguardar que estes modelos populacionais são limitados devido aos seus parâmetros, baseados em caçadores-colectores humanos modernos, além de excluírem  o impacto do efeito Allee nas taxas de sobrevivência.

Os cientistas admitem que também pode ter sido possível que os humanos modernos tenham impactado as populações neandertais de maneira a reforçar os efeitos da consanguinidade e do Allee. No entanto, essa sugestão não é reflectida nos resultados desta investigação.

Os autores acrescentam que o estudo sugere que os neandertais não desapareceram por culpa dos seres humanos modernos. “O desaparecimento das espécies pode ser simplesmente devido a um golpe de má sorte demográfica“, rematam.

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30 Novembro, 2019

 

3007: Sapiens com herança neandertal migraram da Europa para o Médio Oriente

CIÊNCIA

Gleiver Prieto / University of Tübingen

Uma equipa de cientistas israelitas examinou restos de dentes que provam que os aurignacianos, uma civilização pré-histórica do Paleolítico Superior, migraram da Europa para o Médio Oriente há 40 mil anos atrás.

Acredita-se que este povo tenha aparecido pela primeira vez no Velho Continente 3 mil anos antes disso. De acordo com a Europa Press, os aurignacianos são conhecidos por produzirem ferramentas ósseas, artefactos, jóias, instrumentos musicais e pinturas rupestres.

A descoberta dos arqueólogos israelitas corrobora a teoria que, em vez de desaparecerem, os neandertais foram assimilados a populações modernas de imigrantes humanos na Europa.

Os seis dentes encontrados mostram que os aurignacianos chegaram a Israel, vindos da Europa, há cerca de 40 mil anos atrás, e que eram neandertais e homo sapiens. O estudo com os resultados foi publicado no mês passado na revista Journal of Human Evolution.

“Ao contrário dos ossos, os dentes ficam bem preservados porque são feitos de esmalte — a substância no corpo humano mais resistente aos efeitos do tempo”, explicou a líder da investigação, Rachel Sarig.

“A estrutura, forma e topografia na superfície dos dentes forneceram informações genéticas importantes. Conseguimos usar a forma externa e interna dos dentes encontrados na caverna para associá-los aos grupos hominídeos típicos: neandertal e homo sapiens”, acrescentou.

Rachel Sarig

Os resultados da análise aos dentes surpreenderam os investigadores, mostrando traços tanto de neandertais como de homo sapiens.

“Após a migração das populações europeias para essa região, houve uma nova cultura no Médio Oriente por um curto período, aproximadamente de 2 mil a 3 mil anos. Depois desapareceu sem motivo aparente. Agora sabemos algo sobre a sua ‘maquilhagem’“, disse Sarig.

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Por ZAP
10 Novembro, 2019

 

2976: Encontrado em Espanha “o último colar” feito por neandertais

CIÊNCIA

Um osso de águia imperial com 40.000 anos, descoberto numa caverna em Espanha, é, muito provavelmente, parte do “último colar” feito pelos neandertais

De acordo com uma nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Science Advances, a descoberta deixa claro que estes hominídeos antigos faziam objectos para fins ornamentais e simbólicos, escreve a agência Europa Press.

A peça, encontrada na Cova Foradada, em Tarragona, seria “o último colar” feito por neandertais, sendo também a primeira peça deste tipo a ser encontrada na península Ibérica, segundo adiantou Antonio Rodríguez-Hidalgo, autor principal da investigação.

“Os neandertais usavam garras de águia como elementos simbólicos, provavelmente como colares, desde o início do Paleolítico Médio”, explicou o cientista, citado em comunicado.

As garras de águia são um dos símbolos ornamentais mais antigos da Europa, sendo ainda mais antigos do que as conchas utilizadas pelo Homo sapiens no norte da África. Neste sentido, a descoberta evidencia também que os neandertais podem ter sido mais complexos do que se pensava anteriormente.

As marcas encontradas na garra da ave revelam que o animal era utilizado exclusivamente para fins decorativos, não sendo parte da dieta alimentar destes hominídeos.

Os cientistas determinaram que o achado pertence à cultura chatelperroniana, típica dos últimos neandertais que habitaram a Europa, correspondendo também ao período de tempo em que a espécie entrou em contacto com o Homo sapiens.

Rodríguez-Hidalgo sugere mesmo que pode ter havido transmissão cultural dos neandertais para os humanos modernos, que adoptaram esta prática quando chegaram a África. “Se aceitarmos esta interpretação, os neandertais teriam então estruturas sociais e culturais complexas o suficiente para transmitir o uso e o significado destes códigos quer no tempo, de geração em geração, como no espaço”, rematou.

Os neandertais inventaram a cola

Novos achados descobertos em duas cavernas italiana revelam que os neandertais inventaram a “cola”. Estes humanos antigos usaram adesivos e

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7 Novembro, 2019

 

2934: Os neandertais também sabiam fazer fogo

CIÊNCIA

(dr) Johannes Krause / Museum of the Krapina Neanderthals
Recriação de uma cena da vida de um grupo de Neandertais

Novas evidências encontradas na Arménia sugerem que os neandertais não só controlavam o fogo, como também dominavam a capacidade de o produzir.

Daniel Adler, professor de Antropologia na Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, escreveu num comunicado que o “fogo deveria ser o domínio do Homo sapiens”. No entanto, os cientistas sabem agora que “outros humanos antigos, como os neandertais”, também o conseguiam criar. “Talvez não sejamos assim tão especiais.”

O novo artigo científico, publicado recentemente na Scientific Reports, combina evidências arqueológicas de hidrocarbonetos e isótopos das interacções humanas com o fogo, com o que o clima de há dezenas de milhares de anos.

Utilizando moléculas específicas relacionadas com o fogo, depositadas no registo arqueológico, e uma análise de pistas climáticas, os cientistas analisaram a Caverna 1 de Lusakert, nas Terras Altas da Arménia.

“A iluminação através do fogo é uma habilidade que deve ser aprendida. Nunca vi alguém que conseguiu produzir fogo sem ter sido ensinado. Assim sendo, a suposição de que alguém tem a capacidade de incendiar é uma fonte de debate”, disse Gideon Hartman, professor de Antropologia e co-autor do estudo, citado pelo Europa Press.

A equipa de investigadores analisou amostras de sedimentos para determinar a abundância de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP), uma substância que é libertada quando o material orgânico é queimado. Enquanto que o HAP leve é amplamente disperso e indicativo de incêndios florestais, os HAP pesados dispersam-se muito e permanecem muito mais próximos da fonte de incêndio.

“Ao observar os marcadores de incêndios produzidos localmente, começamos a ver outras actividades humanas que se correlacionam com mais evidências de incêndios produzidos localmente”, explica o autor principal do estudo, Alex Brittingham, estudante de doutoramento em Antropologia na Universidade de Connecticut.

As evidências de aumento da ocupação humana no local, como concentrações ósseas de animais nas refeições e provas de fabricação de ferramentas, foram correlacionadas com maior frequência de incêndios e maior frequência de HAP pesados.

Mas os investigadores também precisavam de descartar a possibilidade de o responsável pelos incêndios ter sido o clima instável, que dá origem a raios. Para tirar essas dúvidas, a equipa analisou a composição dos isótopos de hidrogénio e carbono das cutículas de tecidos vegetais antigos preservados em sedimentos. A distribuição dessas cutículas indica em que tipo de clima cresceram as plantas.

O resultado foi esclarecedor: os cientistas não conseguiram encontrar nenhuma evidência de uma ligação entre as condições paleoclimáticas e o registo geoquímico do fogo, segundo Michael Hren, autor do estudo e professor de Geociências na mesma Universidade.

Ao combinar os dados climáticos com as evidências encontradas no registo arqueológico, os cientistas determinaram que os habitantes da caverna não viviam em condições mais secas e propensas a incêndios florestais. Em vez disso, os neandertais faziam fogo dentro da caverna.

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31 Outubro, 2019

 

2893: Os Neandertais fabricavam cola para reparar as suas ferramentas (mas não se sabe como)

CIÊNCIA

(h) Rijksmuseum van Oudheden

Uma ferramenta de pedra revestida de alcatrão de bétula encontrada no fundo do Mar do Norte mostra que os Neandertais conseguiram desenvolver tecnologias mais avançadas do que alguns antropólogos acreditavam.

Há 50 mil anos, o Mar do Norte era uma vasta planície, mas com glaciares que cobriam a maior parte da Grã-Bretanha. A maior parte dos fósseis deixados para trás permaneceu sob as ondas e não podemos aceder-lhes.

No entanto, como parte de uma tentativa de escoar a praia de Zandmotor, na Holanda, em 2011, foi encontrada uma ferramenta de pedra entre a areia despejada. A pedra em si não é incomum, mas é o alcatrão que a cobre que é revelador, de acordo com Marcel Niekus, da Fundação para a Pesquisa da Idade da Pedra.

A datação por carbono revela que o alcatrão deve ter pelo menos 47 mil anos. Pensa-se que o alcatrão terá sido usado como adesivo, anexando ferramentas de pedra a hastes de madeira de lanças ou machados para torná-los mais fortes. Também pode ter sido usado para ser mais fácil para o utilizador segurar na ferramenta.

Fazer alcatrão, no geral, não foi fácil. Não se sabe exactamente como é que os neandertais o fabricaram, mas três métodos considerados possibilidades requerem a recolha de enormes quantidades de casca para produzir quantidades muito pequenas de cola. Um quarto método é muito mais eficiente, mas também mais complexo e sofisticado.

Mesmo o método mais simples de produção de alcatrão requer uma “instalação hierarquicamente organizada em três níveis, com componentes diferentes criados para funcionar juntos”, de acordo com o artigo publicado em Setembro na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences.

A dureza das condições na área significava que os fabricantes de alcatrão deveriam ter-se mudado com frequência para evitar o uso excessivo dos recursos locais. Pela mesma razão, a área terá sido escassamente povoada.

Como os neandertais não podiam andar longas distâncias tão facilmente como os humanos modernos, as oportunidades de partilhar ideias e desenvolver o tipo de tecnologias que exigem muitos avanços, em vez de serem o produto de um único génio, seriam limitadas.

Tanto a alta densidade populacional como a ocupação de longo prazo foram propostas como recursos necessários para tecnologias complexas, mas esse achado refuta os dois, além de aumentar a evidência de que os neandertais eram semelhantes aos humanos em criatividade e inteligência.

Recentemente, foi divulgado que os neandertais usavam resina para colar ferramentas de pedra a cabos feito de madeira ou osso. Essa descoberta teve como base cavernas em Itália. Os testes mostraram que as ferramentas encontradas foram revestidas com resina de pinheiros, tendo algumas sido misturadas com cera produzida por abelhas.

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24 Outubro, 2019

 

2844: Neandertais ocuparam ilhas do Mediterrâneo dezenas de milhares de anos antes do que se pensava

CIÊNCIA

Cientistas descobriram provas de que a ilha de Naxos, na Grécia, já era habitada por neandertais há 200.000 anos, dezenas de milhares de anos antes do que se pensava até agora.

AFP / PIERRE ANDRIEU

Um estudo publicado hoje na revista Science Advances, apresenta conclusões de vários anos de escavações e põem em causa o que se pensava sobre as movimentações humanas na região, que era considerada inacessível para os homens de Neandertal (Homo neanderthalensis), espécie que coexistiu com os humanos modernos (Homo sapiens).

As novas descobertas levaram a que os investigadores reconsiderassem as rotas que a antiga espécie humana seguiu na disseminação da espécie de África para a Europa e demonstram a capacidade de adaptação dos neandertais a desafios ambientais.

“Até recentemente, essa parte do mundo era vista como irrelevante para os estudos com seres humanos, mas estes resultados obrigam-nos a repensar a história das ilhas do Mediterrâneo”, disse Tristan Carter, professor associado de Antropologia da Universidade McMaster, no Canadá, e principal autor do estudo, que contou com a participação de Dimitris Athanasoulis, chefe de Arqueologia do Cycladic Ephorate of Antiquities, do Ministério da Cultura da Grécia.

Embora se soubesse que os caçadores da Idade da Pedra viviam na Europa continental há mais de um milhão de anos, acreditava-se que as ilhas do Mediterrâneo só tinham sido colonizadas há 9.000 anos, por agricultores.

Os estudiosos acreditavam que o mar Egeu, que separava a Anatólia ocidental [Ásia menor] da Grécia continental, era intransponível para os neandertais, sendo a ponte terrestre da Trácia, no sudoeste da Europa, a única passagem.

As novas investigações sugerem agora que o mar Egeu era acessível muito antes do que se pensava. Em certos momentos da Idade do Gelo o mar era mais baixo, expondo uma rota terrestre entre os continentes, permitindo que as populações pré-históricas passassem a pé até Stelida, perto da ilha de Naxos, uma rota de migração alternativa que liga África à Europa.

Os investigadores consideram que a área teria sido atraente devido à abundância de matérias-primas para a construção de ferramentas e de água doce.

No entanto, “ao entrar nesta região, as novas populações teriam enfrentado um ambiente novo e desafiador, com diferentes animais, plantas e doenças, exigindo novas estratégias adaptativas”, disse Tristan Carter.

A equipa encontrou vestígios de actividade humana de 200.000 anos em Stelida, onde desenterrou várias ferramentas e armas de caça.

Os dados científicos recolhidos no local contribuem para o debate acerca da importância das rotas costeiras e marinhas para a disseminação das espécies humanas. Embora os dados sugiram que o mar Egeu tenha sido atravessado a pé, os autores também não descuram a hipótese de que os neandertais possam ter construído embarcações.

A investigação agora publicada faz parte do Projecto Arqueológico Stelida Naxos, colaboração que envolve vários investigadores que trabalham no local desde 2013.

sapo24
16 out 2019 19:16
MadreMedia / Lusa

 

2699: Uma doença muito comum nos dias de hoje pode ter aniquilado os Neandertais

CIÊNCIA

Randii Oliver / NASA

A causa da extinção dos Neandertais continua a ser um dos maiores mistérios da Antropologia. Mas, agora, uma equipa de investigadores dos Estados Unidos parece ter encontrado uma resposta.

Segundo os cientistas, em vez de um evento cataclísmico, os Neandertais podem ter sido aniquilados por algo tão simples como uma doença infantil que é hoje muito comum. O seu estudo, publicado no final de Agosto na revista especializada The Anatomical Record, sugere que as infecções do ouvido podem ter sido responsáveis pela extinção dos Neandertais.

Hoje em dia, essas infecções são comuns e podem tratar-se com medicamentos como antibióticos. Porém, para os Neandertais, esta condição significava muitas complicações, incluindo infecções respiratórias, perda de audição e pneumonia.

Os antropólogos norte-americanos aperceberam-se que os ouvidos dos Neandertais se assemelhava aos ouvidos das crianças humanas, mas não alteravam conforme a sua idade. “Pode soar exagerado mas, quando pela primeira vez reconstruimos as trompas de Eustáquio dos Neandertais, descobrimos que eram notavelmente semelhantes às dos bebés humanos”, assinalou um dos autores do estudo, Samuel Márquez, da Universidade de Ciências da Saúde de Nova Iorque, em comunicado divulgado pelo EurekAlert.

As infecções do ouvido médio “são quase omnipresentes nos bebés”, uma vez que o ângulo plano da trompa de Eustáquio de uma criança é mais propenso a reter bactérias que causam otite. É esse mesmo ângulo plano que foi encontrado nos Neandertais, segundo explicou o investigador.

Aos cinco anos de idade, as trompas de Eustáquio nas crianças humanas alargam-se e o ângulo torna-se mais agudo, o que permite que o ouvido drene e elimine as infecções recorrentes.

Nos Neandertais, essa estrutura não mudava com a idade, o que significa que essas infecções do ouvido e as suas complicações tornavam-se crónicas e podiam durar toda a vida, ameaçando a saúde geral e a sobrevivência.

“Se estavam constantemente doente, não seriam tão apto e efectivo para competir com os primos do Homo sapiens por comida e outros recursos”, explicou Márquez. “Num mundo da sobrevivência do mais apto, não é de estranhar que tenha prevalecido o homem moderno, e não o Neandertal”.

Os autores observam que entender a forma como o ouvido médio funcionava nestas espécies primitivas de hominídeos pode ajudar a entender como a nossa própria espécie evoluiu.

“Os Neandertais são os nossos primos mais próximos e, portanto, qualquer coisa que os afecte teria-nos afectado de alguma forma“, disse Anthony Pagano, autor do estudo, ao IFLScience. “Saber por que sobrevivemos e os Neandertais não pode aumentar a nossa compreensão sobre a nossa própria adaptabilidade como espécie. Como superamos um membro altamente inteligente e altamente resiliente da nossa família”.

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24 Setembro, 2019

 

2622: Descobertas 257 pegadas de neandertais na costa da Normandia

CIÊNCIA

Rachel Knickmeyer / Flickr

A Normandia está talhada para viver e contar uma parte da nossa história. Uma equipa de cientistas descobriu 257 pegadas de neandertais ao longo da costa daquele território, em França, que estarão “imaculadamente preservadas” há 80 mil anos.

A investigação, partilhada segunda-feira na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, parece confirmar que aquelas espécies próximas dos humanos viviam em grupo, neste caso com entre 10 e 13 indivíduos, a maioria crianças e adolescentes. De acordo com o jornal britânico The Guardian, há vestígios que sugerem que alguns dos corpos, provavelmente de adultos, tinham mais de 1,90 metros.

Os pés dos neandertais eram mais largos que os dos humanos modernos. A partir do tamanho das pegadas em Le Rozel, os investigadores estimaram o tamanho dos indivíduos que as criaram e depois inferiram a sua idade.

O diário britânico revela ainda que a zona onde foram encontradas as pegadas, Le Rozel, foi originalmente descoberta por Yves Roupin, um arqueologista amador, nos anos 60. O Governo francês só interveio seriamente, apoiando as escavações, em 2012, quando aquela zona estava ameaçada pela erosão.

Jérémy Duveau, co-autor do estudo, disse que as impressões foram deixadas em solo lamacento e rapidamente preservadas pela areia movida pelo vento. “Foi incrível observar estes trilhos, que representam momentos da vida de indivíduos, às vezes muito jovens, que viveram há 80 mil anos”, disse Duveau, do Museu Nacional de História Natural da França.

As pegadas foram encontradas entre o que a equipa chamou “material arqueológico abundante”, revelando evidências de açougue de animais e fabricação de ferramentas. As pegadas remontam a uma época em que só os neandertais viviam na Europa Ocidental.

Uma das questões que intriga os cientistas prende-se com o facto de haverem mais crianças e adolescentes do que adultos. A questão que fica é: será que os neandertais morriam cedo ou estavam noutro lado qualquer?

Esta descoberta de pegadas de neandertais é somente a décima, depois de outras terem sido encontradas na Grécia, Roménia, Gibraltar e França.

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11 Setembro, 2019

 

2605: 257 pegadas de neandertais descobertas na costa da Normandia

CIÊNCIA

A investigação parece confirmar que aquelas espécies próximas dos humanos viviam em grupo, neste caso com 10/13 indivíduos, a maioria crianças e adolescentes. Há vestígios que sugerem que alguns dos corpos, provavelmente de adultos, tinham mais de 1.90m

© NurPhoto

Se em tempos testemunhou a morte, agora fala-nos sobre vida. A Normandia está talhada para viver e contar uma parte da nossa história: uma equipa de cientistas descobriu 257 pegadas de neandertais ao longo da costa daquele território, em França, que estarão “imaculadamente preservadas” há 80 mil anos, relata o “The Guardian”.

A investigação, partilhada segunda-feira na publicação oficial da Academia Nacional de Ciências do Estados Unidos (Proceedings of the National Academy of Sciences), parece confirmar que aquelas espécies próximas dos humanos viviam em grupo, neste caso com 10/13 indivíduos, a maioria crianças e adolescentes, especifica o diário britânico. Há vestígios que sugerem que alguns dos corpos, provavelmente de adultos, tinham mais de 1.90m.

O “The Guardian” revela ainda que a zona onde foram encontradas as pegadas, Le Rozel, foi descoberta em primeiro lugar por Yves Roupin, um arqueologista amador, nos anos 60. O Governo francês só interveio seriamente, apoiando as escavações, em 2012, quando aquela zona estava ameaçada pela erosão.

Uma das questões que intriga os cientistas prende-se com o facto de haverem mais crianças e adolescentes do que adultos. Ou seja, será que os neandertais morriam cedo ou estavam noutro lado qualquer?

Esta descoberta de pegadas de neandertais é somente a décima, depois de outras na Grécia, Roménia, Gibraltar e França.

msn notícias
Expresso
10/09/2019

 

2473: Os Neandertais tinham “ouvidos de nadador”

CIÊNCIA

Erich Ferdinand / Flickr (OD)

Crescimento ósseo anormal no canal auditivo era surpreendentemente comum em neandertais, de acordo com um novo estudo da Universidade de Washington.

As exostoses auditivas externas são densos crescimentos ósseos que se projectam para dentro do canal auditivo. Nos humanos modernos, essa condição é geralmente chamada de “ouvido do nadador” e sabe-se que está correlacionada à exposição habitual à água fria ou ao ar frio, embora haja também uma predisposição genética potencial para a doença.

Estas exostoses foram observadas em humanos antigos, mas poucas investigações examinaram a forma como a condição pode aumentar a nossa compreensão sobre os estilos de vida dos humanos passados.

Neste estudo, publicado em Agosto na revista especializada Plos One, Erik Trinkau e os seus colegas examinaram os canais auditivos bem preservados nos restos mortais de 77 humanos antigos, incluindo os neandertais e os primeiros humanos modernos, da Época do Pleistoceno do Meio ao Pós-École do Oeste da Eurásia.

Enquanto as primeiras amostras humanas modernas exibiam frequências semelhantes de exostoses para amostras humanas modernas, a condição era excepcionalmente comum em neandertais. Aproximadamente metade dos 23 restos de Neandertal examinados exibiram exostoses leves a severas, pelo menos duas vezes a frequência observada em quase qualquer outra população estudada.

Os autores sugerem que a explicação mais provável para este padrão é que estes neandertais gastaram uma quantidade significativa de tempo a recolher recursos em ambientes aquáticos.

No entanto, a distribuição geográfica das exostoses observadas nos neandertais não apresenta uma correlação definitiva com a proximidade de antigas fontes de água nem com climas mais frios como seria de se esperar. Os autores propõem que múltiplos factores provavelmente estariam envolvidos nesta alta abundância de exostoses, provavelmente incluindo factores ambientais, bem como predisposições genéticas.

“Uma frequência excepcionalmente alta de exostoses auditivas externas entre os neandertais e um nível mais modesto entre os humanos modernos do Paleolítico Superior anteriores indica uma maior frequência de recursos aquáticos. Em particular, reforça as habilidades de busca e a exploração e a diversidade de recursos dos Neandertais”, rematou o investigador.

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Por ZAP
19 Agosto, 2019

 

2341: Afinal, Gibraltar não foi o último refúgio dos neandertais

CIÊNCIA

Kojotisko / Flickr

A primeira extracção de ADN antigo dos célebres restos mortais neandertais de Gibraltar revelou que este local não se trata do último refúgio desta espécie humana antes da sua extinção.

O novo estudo, liderado pelo Museu de História Natural e pelo Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, confirmou o sexo dos crânios e, no caso do fóssil descoberto na pedreira de Forbes, ligou-o aos neandertais além de Gibraltar.

Os fósseis de Neandertal de Gibraltar estão entre os achados mais destacados da paleontologia. Os fósseis são alguns dos mais históricos do seu tipo, uma vez que foram descobertos na pedreira de Forbes em 1848 e na Torre do Diabo em 1926.

Os autores do novo estudo, publicado a 15 de Julho na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, usaram um método de preparação de ADN que reduz a poluição moderna antes de sequenciamento para isolar o componente neandertal do ADN.

Chris Stringer, do Museu de História Natural, disse, em comunicado, que “as análises confirmaram que o menino da Torre do Diabo era um homem e o adulto da pedreira de Forbes era uma fêmea e geneticamente mais semelhante aos neandertais anteriores (60 mil a 120 mil anos) na Europa e na Ásia Ocidental do que aos neandertais mais jovens da Espanha”.

Embora Gibraltar seja considerado um dos últimos refúgios para os neandertais antes de sua extinção, de acordo com a Europa Press, parece que os restos encontrados na pedreira de Forbes não seriam de um Neandertal jovem.

Para investigar a conservação do ADN nos restos neandertais, Lukas Bokelmann e os seus colegas analisaram 20 miligramas de pó de osso de pedra da amostra da pedreira de Forbes e 36 miligramas da amostra da Torre do Diabo.

“É um momento emocionante para trabalhar no campo do ADN antigo. As melhorias metodológicas, como mostrado neste estudo, permitem trabalhar com um material realmente desafiador. O ADN antigo é sempre complicado, mas como estas amostras eram antigas e estavam num clima quente, foram especialmente difíceis de trabalhar, contou Selina Brace, co-autora do artigo do Museu de História Natural.

Os resultados mostram que agora é possível analisar o ADN em fósseis altamente contaminados por climas relativamente quentes, prometendo a recuperação de ADN comparativamente antigo de regiões como o norte da África, o Médio Oriente e a China.

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Por ZAP
20 Julho, 2019

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2124: Há uma nova hipótese para a misteriosa extinção dos neandertais

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas liderados por Anna Degioanni, da Universidade de Aix-Marseille, na França, criou um modelo populacional que lhes permitiu traçar uma nova hipótese sobre a misteriosa extinção dos neandertais.

Os neandertais desapareceram há cerca de 40 mil anos, por razões ainda desconhecidas. Os cientistas têm apontado várias hipóteses para tentar explicar o fenómeno como a expansão do Homo Sapiens na Eurásia, a existência de eventos catastróficos, epidemias massivas e até mudanças climáticas.

A equipa de Degioanni debruçou-se sobre cenários alternativos para explicar a extinção, criando para isso um modelo para simular a população neandertal.

O modelo matemático simulou cenários em que os neandertais foram extintos ao longo de um período de 10 mil anos ou menos, tendo por base a linha de tempo sobre estes ancestrais humanos. A equipa incluiu parâmetros demográficos de referência – como taxas de sobrevivência, migração e fertilidade -, traçados com base em grupo de caçadores-colectores modernos e grandes primatadas da actualidade. Além disso, foram também analisados dados paleogenéticos e empíricos de estudos anteriores.

O modelo mostrou que a extinção dos neandertais poderá ter ocorrido durante este período de 10.000 anos e estar relacionada com a uma diminuição na taxa de fertilidade entre as mulheres jovens, com menos de 20 anos de idade, em 2,7%.

Factores como o aumento da mortalidade entre crianças ou até mesmo entre os adultos – devido a epidemias ou guerras – não parecem tão prováveis, já que teriam causado um “desaparecimento demasiado rápido”, explicou a investigadora à agência AFP.

“Por outro lado, uma ligeira diminuição na taxa de fertilidade de mulheres jovens é compatível com o cronograma conhecido da sua extinção”, acrescentou. A cientista explicou que, apesar de pequena, esta redução terá sido suficiente, tendo em conta o período em análise, para ditar o fim dos neandertais.

Os cientistas frisam que o estudo “não tenta explicar porque é que os neandertais desapareceram, mas tenta identificar como é que [o fenómeno] pode ter acontecido”.

O resultado da investigação foi esta semana publicado na revista PLOS ONE.

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Por ZAP
6 Junho, 2019



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