3025: NASA rebaptiza Ultima Thule. Antigo nome foi associado ao nazismo

CIÊNCIA

News Horizonts / NASA

O nome do Ultima Thule deu polémica e a NASA decidiu mudá-lo. A controvérsia surgiu pelo nome dado inicialmente ao mundo gelado do Cinturão de Kuiper estar vinculado à ideologia nazi.

O anúncio foi feito esta terça-feira em Washington, nos Estados Unidos. Agora, o objecto mais distante alguma vez estudado chama-se Arrokoth, um termo das tribos nativas norte-americanas que significa “céu” na língua Powhatan-Algonquiana.

O nome “Ultima Thule” foi questionado por poder ser associado ao nome da Sociedade Thule, a organização que patrocinou o partido de Adolf Hitler e que, além disso, exigia que os seus membros jurassem que não tinham sangue judeu nem negro.

Por outro lado, Ultima Thule foi um termo usado na Idade Média e Romana para designar qualquer lugar que fosse muito distante e além das fronteiras do mundo conhecido. Nesse caso, o corpo celeste, também identificado como MU69 em 2014, está a quase seis mil milhões de quilómetros de distância do nosso planeta.

“O nome Arrokoth reflete a inspiração de olhar para o céu e reflectir sobre as estrelas e os mundos além dos nossos”, disse Alan Stern, investigador principal da New Horizons no Southwest Research Institute, em Boulder, Colorado, nos Estados Unidos.

“Os dados do novo Arrokoth deram-nos pistas sobre a formação de planetas e as nossas origens cósmicas”, disse Marc Buie, um dos investigadores que descobriu o mundo gelado. “Acreditamos que este corpo antigo, composto por dois lobos distintos que se fundiram numa única entidade, pode abrigar respostas que contribuem para a nossa compreensão da origem da vida na Terra”.

Em Maio, os dados da sonda mostraram que o objecto é um sistema binário de 36 quilómetros de comprimento, constituído por dois lobos de formas diferentes e incomuns. As primeiras imagens obtidas mostraram que Ultima Thule é um corpo celeste semelhante a um gigante “boneco de neve”, composto por dois corpos conectados, um maior (Ultima) que o outro (Thule).

No entanto, as recentes fotografias enviadas pela sonda New Horizons permitiram fazer muitas descobertas interessantes. Por exemplo, foi revelado que há numerosas manchas brancas e escuras na superfície do corpo celeste, cuja origem continua desconhecida.

ZAP //

Por ZAP
13 Novembro, 2019

 

2958: A cidade utópica da Google é um pesadelo para a privacidade dos cidadãos

DIREITOS CIVIS

Os piores receios sobre a “cidade do futuro” planeada pelo Sidewalk Labs da Google parecem confirmar-se, demonstrando que há mesmo motivo de preocupação com o caminho que está a ser seguido em Toronto, no projecto-piloto da empresa.

A Sidewalk Labs, divisão da Google/Alphabet, dedicada às cidades do futuro, promete uma gestão mais eficiente dos municípios, usando todo o tipo de recolha de dados para optimizar esse funcionamento: saber por onde andam as pessoas, optimizar rotas de transportes públicos, detectar potenciais problemas antes de se tornarem problemas, etc.

Mas entretanto foram levantadas uma série de preocupações, aparentemente com razão de ser, depois de em 2018 a CNBC ter revelado um documento secreto da Sidewalk Labs com detalhes sobre os planos da empresa – que incluem o que se poderá considerar uma cidade sob total controlo de empresas privadas.

O documento de 437 páginas, conhecido internamente como o “Livro Amarelo“, detalha os planos da Sidewalks para a Waterfront Toronto, agência governamental de revitalização da cidade canadiana, que vai testar num projecto-piloto a visão utópica da Google para as cidades do futuro.

Esses planos de controlo privado da vida das cidades incluem a educação, o fisco, a rede de transportes, forças de segurança e até autoridades judiciais privatizadas, num eco-sistema onde seria mantida uma monitorização constante de todos os cidadãos.

Nesta cidade utópico, quem não aceitar partilhar a sua informação privada será penalizado, ficando sem acesso aos serviços de transportes, e classificado no fundo da escala de um sistema de “pontuação social” atribuída a cada cidadão, revela o The Globe, que teve acesso ao documento.

Considerando que há algum tempo que a Google removeu das suas regras a célebre frase que durante anos a norteou, don’t be evil, os planos da Sidewalk Labs não inspiram grande confiança no futuro — em particular aos cidadãos que leram Orwell e se lembram de que Big Brother não é um programa de televisão.

ZAP // AadM

Por ZAP
4 Novembro, 2019

 

1213: Submarino nazi com toneladas de mercúrio ameaça o mar na Noruega

DESTAQUES

A 9 de Fevereiro de 1945, nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, o submarino alemão U-864 navegava pela costa oeste da Noruega carregado de matérias-primas para fabricar equipamento bélico – incluindo chumbo, aço e 65 toneladas de mercúrio.

A missão do U-864, chamada Operação César, era chegar até ao Japão, país aliado da Alemanha, com o objectivo de fortalecer o arsenal japonês na 2ª Guerra Mundial. A tripulação do submarino era de 73 pessoas, incluindo cientistas que trabalhavam para o regime nazi, e que iriam passar o seu conhecimento aos japoneses.

Mas a operação fracassou.

Um submarino britânico, o HMS Venturer, conseguiu interceptar o U-864 e torpedeou-o. Todos os ocupantes morreram.  O ataque entrou para a história como o único episódio da guerra em que um submarino submerso conseguiu destruir outro que também estava no fundo do mar.

Em 2003, passados 58 anos, a Marinha norueguesa encontrou os destroços do U-864, a duas milhas náuticas de distância da ilha Fedje. E a descoberta trouxe preocupações para as autoridades do país.

O submarino, cujos destroços estão a 150 metros de profundidade, está fendido em duas partes, na proa e na popa, e diversos fragmentos da embarcação repousam à volta. Agora, as autoridades norueguesas discutem qual é a melhor forma de lidar com o risco de contaminação trazido pela carga de mercúrio que ainda está no interior do U-864.

Kystverket / Norwegian Coastal Administration
Imagens captadas por sondas mostram que o U-864 está a 150 metros de profundidade

Nos anos após a descoberta dos destroços, estudos indicaram que a concentração de mercúrio nas proximidades do submarino estava acima de limites aceitáveis. Em 2005, a Autoridade de Segurança Alimentar norueguesa recomendou que crianças e mulheres grávidas não comessem alimentos que tivessem sido pescados naquela região.

Um estudo do Instituto Nacional de Investigação sobre Nutrição e Alimentos Marinhos concluiu que os peixes que tinham sido expostos a sedimentos da zona em que o submarino se encontra tinham níveis de mercúrio quatro vezes mais altos que os peixes de outras áreas da costa norueguesa.

Em 2014, a Administração Costeira da Noruega levantou outra preocupação: remover os destroços do submarino faria com que o material tóxico se espalhasse. Para evitar que o submarino se movesse durante eventuais tremores no leito marinho, foram lançados sobre os destroços 100.000 m3 de areia e rochas, para estabilizar a área.

As autoridades norueguesas decidiram agora que cobrir o submarino é a solução mais segura e ambientalmente correcta. Segundo comunicado recente do Ministério dos Transportes do país, será lançado sobre os destroços uma espécie de “cobertor” com uma área de 47.000 m2.

Se tudo correr bem, a cobertura estará concluída até 2020, “para proteger os destroços, os sedimentos contaminados e uma zona de transição de 17.000 m2“. O objectivo é conter o mortífero legado – que poderia desencadear um dos piores desastres ecológicos de sempre no Mar do Norte.

ZAP // BBC

Por CC
29 Outubro, 2018

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840: O Chile quis vender a ilha de Páscoa aos nazis, mas o negócio falhou

MastaBaba / Flickr

Um livro recente revela que o Governo chileno quis vender a ilha de Páscoa à Alemanha de Hitler, de modo a reforçar a sua frota naval. O Presidente Alessandri pedia 860 mil euros pelo mítico território insular.

Mario Amorós é o autor do livro “Rapa Nui. Una herida en el océano” no qual revela que, em 1937, decorreram negociações para vender a ilha de Páscoa, território isolado no Oceano Pacífico a 3700 quilómetros da costa chilena, à Alemanha nazi.

Até hoje, sabia-se apenas que o país, governado por Arturo Alessandri entre 1920 a 1925 e entre 1932 a 1938, tentou que os americanos, japoneses e britânicos se interessassem pela ilha, mostrando-se disponível a aliená-la a quem apresentasse a melhor oferta.

Ao El País, o historiador Amorós contou que Alessandri estava apostado em reforçar a sua frota naval porque a Argentina, país que formara com o Peru e a Bolívia uma aliança que ameaçava os interesses chilenos, encomendara oito vasos de guerra aos estaleiros britânicos.

Para o Chile, a ilha de Páscoa era, sobretudo, um lugar marcado pelo estigma da lepra. Para o poder político, era um território distante cedido à Marinha e arrendado a uma empresa privada, ou seja, “tinha muito pouco valor“, conta Mario Amorós.

Esta percepção do território, aliada às consequências da grave crise económica internacional desencadeada com o crash da bolsa americana de 1929, fez com que o Chile quisesse vender a ilha, pedindo cerca de um milhão de dólares pelo território (860 mil euros).

Amorós decidiu estudar os negócios secretos que envolveram a ilha de Páscoa e o Governo de Hitler, depois de ter tomado conhecimento da investigação levada a cabo por um especialista nas Forças Armadas chilenas, o historiador húngaro Ferenc Fischer.

Segundo o Público, Fischer tinha encontrado provas de que o Governo do Chile mantivera conversações com os nazis, entre elas um documento, datado de 1937, que resumia uma conversa entre o embaixador do führer em Santiago e o ministro dos Negócios Estrangeiros chileno, destinada a averiguar se a proposta de venda era séria.

Desta forma, o livro de Amorós é o resultado de um rigoroso trabalho de pesquisa, e nele o historiador explica que só os britânicos explicaram por que razão as negociações mantidas secretas durante décadas não chegaram a avançar.

“Descartaram a compra da ilha porque consideraram que, do ponto de vista militar, o seu valor era escasso”, afirma o historiador espanhol. Além disso, acrescenta, tanto Londres como Washington fizeram questão de frisar que não era conveniente que a ilha fosse parar às mãos de nenhuma das potências que viriam a encabeçar o Eixo, ou seja, Alemanha, Itália e Japão.

Com base em muita documentação, a obra de Amorós conta também a história de um povo e de um território desde os primeiros vestígios de ocupação humana ali encontrados.

Aliás, “Rapa Nui“, é o que os seus habitantes chamam à Ilha de Páscoa, designação que decorre do facto de a sua descoberta pelos europeus (atribuída ao explorador holandês Jacob Roggeveen) ter ocorrido precisamente no domingo de Páscoa de 1722.

O Governo do Chile está, actualmente, a trabalhar numa lei que vai permitir à ilha readquirir a título oficial o seu nome local. Além disso, esta quarta-feira, entrou em vigor uma norma, proposta pelo Governo de Sebastián Piñera, que limita o acesso de turistas à ilha como medida de protecção da sua fauna e flora.

“Esta ilha é mágica, todo o mundo a quer visitar, mas também é uma ilha delicada que temos de proteger. A nova lei tem como objectivo regular o turismo”, disse o Presidente.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2018

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