1160: Arqueólogos descobrem raro navio ritual viking na Noruega

CIÊNCIA

NIKU
A embarcação foi descoberta com a ajuda de imagens de radar

Um grupo de arqueólogos descobriu um navio viking enterrado na Noruega. A enorme embarcação foi utilizada há mais de mil anos numa cerimónia fúnebre, tendo servido como o local de descanso final para rei ou rainha viking.

A descoberta foi anunciada nesta segunda-feira pelo Instituto Norueguês para a Pesquisa do Património Cultural (NIKU), que confirmou que o túmulo viking foi encontrado na cidade de Halden, a sudeste de Oslo.

“No meio da sepultura descobrimos uma coisa a que chamamos anomalia, que se destinge dos demais vestígios e tem, claramente, a forma de um barco viking“, explicou o arqueólogo Knut Paasche do NIKU em declarações à AFP.

Paasche esclareceu que estes barcos funcionavam como caixões para os vikings, servindo como lugar de descanso eterno para alguém poderoso dentro da comunidade. “Havia um rei, uma rainha ou um chefe local a bordo”, acrescentou.

De acordo com os especialistas, a descoberta recorreu a imagens de radar que revelaram que a embarcação tem cerca de 20 metros de comprimento, tendo sido encontrada a 50 centímetros abaixo do solo.

As quilhas do navio, bem como o seu assoalho, estão completamente intacto, não sendo ainda, contudo, possível precisar quão bem preservado está toda a embarcação. Em igual sentido, os arqueólogos não sabem exactamente de quando é que é datado, mas acreditam que tenha sido usado há mais de mil anos, de acordo com a National Geographic.

O navio encontrado faz parte de um cemitério que contém, pelo menos, oito pilhas funerárias (mound) – colinas de terra em forma de cúpula com pedras empilhadas sobre os túmulos -, segundo as imagens recolhidas. Perto do cemitério, foram ainda detectadas cinco longhouses (casas onde vivem várias famílias) viking.

“O enterro de navios não existe de forma isolada, este faz antes parte de um cemitério projectado claramente para mostrar poder e influência”, acrescentou Lars Gustavsen, arqueólogo do Instituto.

O recém-descoberto cemitério, bem como os lugares onde viviam, foram encontrados perto de um outro túmulo já escavado que data de há 1500 anos, o Jell Mound. De acordo com relatos locais, o túmulo terá sido construído para o rei Jell.

Rara descoberta

Os vikings foram exploradores, guerreiros e navegadores nórdicos que conquistaram  novos territórios durante a época medieval. Entre os séculos VIII e XI, navegaram por vários mares, somando inúmeras invasões principalmente nas grandes áreas da Europa.

Este povo tinha por hábito enterrar os seus reis e chefes num navio, que era usado como caixão. No entanto, e até ao momento, apenas foram encontrados três barcos vikings em boas condições de conservação na Noruega. O último, o navio Oseberg, foi encontrado em 1903. Todos as embarcações estão expostas num museu perto de Oslo.

“Precisamos de outras descobertas para poder dizer como é que estes navios eram e para determinar como é que os vikings navegavam”, concluiu Paasche.

De acordo com o Niku, e tendo em conta o tamanho da embarcação, além de rara, este pode ser o maior navio viking já encontrado no país. Pelo menos para já, os arqueólogos não tencionam escavar o local.

ZAP // Live Science / National Geographic

Por ZAP
18 Outubro, 2018

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990: O mistério dos navios de carga que afundam pode ter uma solução à vista

CIÊNCIA

(PPD/C0) Free-Photos / Pixabay

As cargas a granel são responsáveis pela perda de vários navios todos os anos, isto porque podem passar repentinamente de um estado sólido para um estado líquido. Esse processo de liquefacção pode ser verdadeiramente desastroso para qualquer navio que as transporta – e para a sua tripulação.

A física de liquefacção de materiais granulares é muito conhecida. A agitação vigorosa da Terra faz com que a pressão na água subterrânea aumento até um nível que faz com que o solo se liquefaça. No entanto, apesar da compreensão deste fenómeno, a verdade é que continua a ser o responsável por afundar vários navios de carga todos os anos.

As cargas sólidas a granel são tipicamente materiais bifásicos, pois contêm água entre as partículas sólidas. Quando as partículas se tocam, o atrito entre elas faz com que o material aja como um sólido, mesmo que exista líquido presente. Contudo, quando a pressão da água sobe, essas forças entre partículas reduzem e a resistência do material diminui drasticamente.

Assim, quando a fricção é reduzida a zero, o material age como um líquido, mesmo que as partículas sólidas ainda estejam presentes.

Em suma, uma carga sólida a granel, aparentemente estável no cais, pode liquefazer-se porque as pressões na água entre as partículas acumulam-se quando são carregadas no navio. Isto torna-se extremamente provável quando a carga é carregada com uma correia transportadora do cais para o porão, podendo envolver uma queda significativa.

Além disso, a vibração e o movimento do navio durante a viagem podem aumentar a pressão da água e levar à liquefacção da carga.

Quando uma carga se liquefaz, pode deslocar-se ou escorregar dentro do porão, fazendo com que a embarcação se torne pouco estável. Aliás, uma carga liquefeita pode mudar-se completamente para um dos lados do porão. Se, entretanto, recuperar a sua força e voltar ao estado sólido, a carga permanecerá na posição deslocada e fará com que o navio permaneça inclinado.

A certo momento, a embarcação torna-se muito pouco estável para ser capaz de recuperar do movimento instável causado pelas ondas. Para que isso não aconteça, a Organização Marítima Internacional possui códigos que determinam a quantidade de humidade permitida em graneis sólidos.

No entanto, é preciso ter em conta que o potencial de liquefacção depende não apenas da quantidade de humidade presente numa carga a granel, mas também de outras características do material, como a distribuição do tamanho das partículas, a relação entre o volume de partículas sólidas e a densidade relativa da carga, para além do método de carregamento e dos movimentos do navio durante a viagem.

Qual é, então, a solução? A Ars Technica refere que, para resolver estes problemas, a indústria naval precisa de entender o comportamento material das cargas sólidas a granel que estão a ser transportadas.

Ainda assim, a tecnologia poderia ser uma mais valia, nomeadamente sensores no porão de um navio capazes de monitorizar a pressão da água da carga. Ou, então, a superfície da carga poderia passar a ser controlada por lasers que identificariam as alterações na sua posição.

O desafio passa por desenvolver uma tecnologia barata, rápida de instalar e robusta o suficiente para sobreviver. A combinação de dados sobre a pressão da água e o movimento da carga, com informações adicionais sobre o clima e os movimentos do navio poderiam ajudar a produzir um aviso atempado sobre se a carga está preste a liquefazer-se ou não.

Assim, a tripulação teria tempo suficiente para evitar que a pressão da água na carga subisse demasiado, drenando a água dos porões ou mudando o curso da embarcação, por exemplo. Se estes desafios forem superados, as tripulações poderão respirar de alívio.

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2018

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