2852: Os primeiros bebés podem nascer no Espaço daqui a 12 anos

CIÊNCIA

marcosdemadariaga / Flickr

A empresa SpaceBorn United pretende realizar missões espaciais entre 24 e 36 horas para que algumas mulheres dêem à luz em órbita dentro de 12 anos.

A notícia é avançada pelo fundador e CEO da empresa, Egbert Edelbroek, durante o primeiro Congresso de Ciência e Investimento Espacial de Asgardia, realizada esta semana em Darmstadt, em Hesse, Alemanha, de acordo com o britânico Daily Mail.

Edelbroek revelou que o objectivo da sua empresa, uma empresa emergente que investiga as condições da reprodução humana no espaço focado na tecnologia de reprodução assistida, é o parto em si, não a gravidez.

“Isso só é possível, por enquanto, na órbita baixa da Terra (LEO), graças a um processo de selecção muito completo”, explicou Edelbroek. LEO é uma órbita localizada a cerca de dois mil quilómetros acima da superfície da Terra.

O cientista disse que, para participar no projecto, os investigadores considerarão apenas mulheres com “alta resistência à radiação natural” que tenham tido dois partos anteriores sem problemas.

Edelbroek também explicou que, em cada missão, participarão 30 grávidas e poderão sair a qualquer momento. “É difícil planear um processo natural como este, se houver algum problema com o clima ou um atraso no lançamento”, acrescentou Edelbroek. No entanto, o CEO disse que “é possível” fazê-lo com “um nível de risco mais baixo” do que um nascimento actual de “estilo ocidental”.

Por fim, questionado sobre a estimativa de 12 anos, o CEO garantiu que a viabilidade dessa iniciativa dependerá do financiamento e da evolução do sector de turismo espacial. “Se esse sector acelerar da forma que está acontecer agora, haverá um mercado para pessoas muito ricas que não estão preparadas para os três meses de treinamento militar”. A esse respeito, ele disse que viajariam em “naves espaciais muito confortáveis”.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

1866: A vida pode ter surgido em lagoas rasas (e não em oceanos profundos)

CIÊNCIA

(CC0/PD) David McEachan / Pexels

Um estudo recente descobriu que os lagos primitivos que existiam na Terra há 3.900 milhões de anos poderiam ter sido mais propensos ao surgimento das primeiras formas de vida no nosso planeta do que os oceanos profundos.

A evolução é a explicação geralmente aceite de como a vida na Terra se tornou tão complexa. No entanto, há uma ponta solta que ainda ninguém conseguiu explicar – de que forma a vida emergiu da matéria não-viva.

A hipótese predominante e mais aceite é a de que a vida começou no oceano, onde as fontes hidrotermais forneceram as reacções químicas necessárias ao surgimento de vida. No entanto, um recente estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) descobriu que os oceanos antigos não tinha nitrogénio suficiente – mas as lagoas rasas podiam ter.

O nitrogénio é considerado uma parte fundamental da transição da não-vida para a vida. De acordo com o New Scientist, a história afirma que o ácido ribonucléico (ARN) primitivo – uma molécula que ajuda a codificar a nossa informação genética – era, muito provavelmente, uma molécula flutuante.

Alguns cientistas acreditam que o ARN, quando entrou em contacto com óxidos de nitrogénio, poderia ter sido quimicamente induzido para formar aminoácidos, que então desenvolveram os primeiros organismos simples.

No entanto, segundo este tudo recentemente publicado na Geochemistry, Geophysics, Geosystems, os óxidos de nitrogénio não duraram o suficiente para conseguirem alcançar fontes hidrotermais do fundo do mar e, consequentemente, impulsionar a vida. Para sustentar esta teoria, os cientistas encontraram dois factores até agora negligenciados: a luz ultravioleta do Sol e o ferro dissolvido das rochas.

“Neste estudo mostramos que se introduzirmos estas duas novas variáveis, elas suprimem as concentrações de óxidos de nitrogénio no oceano”, resumiu Sukrit Ranjan, principal autor do estudo. Depois de terem chegado à conclusão de que os oceanos não tinham nitrogénio suficiente, colocaram novamente a questão: onde se formou, então, a vida?

Segundo a equipa do MIT, as lagoas rasas são, para já, a melhor resposta a esta pergunta. Nelas, há menos volume para os compostos serem diluídos, e este tipo de condições é propício a maiores concentrações de óxidos de nitrogénio – dando-lhes uma maior probabilidade de interagir com moléculas como o ARN e, assim, surgir a vida.

Se a premissa para a origem da vida na Terra era o nitrogénio fixo, “então é difícil que a vida tenha surgido no oceano”, conclui o cientista. “É muito mais provável que isso tenha acontecido numa lagoa.”

Os cientistas admitem que este estudo recente não resolve o debate, mas fornece uma prova intrigante para fundamentar o argumento de que a vida surgiu numa tigela rasa, e não numa sopa primordial.

ZAP //

Por ZAP
19 Abril, 2019

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1749: Testemunhando o nascimento de um sistema binário massivo

Imagem ALMA da região de formação estelar IRAS07299 e do sistema binário massivo no seu centro. A imagem de fundo mostra correntes densas de gás e poeira (verde) que parecem fluir para o centro. Os movimentos do gás, traçados pela molécula metanol, na nossa direcção, estão a azul; os movimentos na direcção oposta estão a vermelho. A inserção mostra uma ampliação do massivo binário em formação, com a protoestrela primária e mais brilhante movendo-se na nossa direcção mostrada a azul e a protoestrela secundária, mais ténue, movendo-se para longe de nós, mostrada a vermelho. As linhas pontilhadas mostram um exemplo das órbitas da primária e secundária espiralando em torno do seu centro de massa (assinalado pela cruz).
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); RIKEN, Zhang et al.

Cientistas do Grupo RIKEN para Investigação Pioneira no Japão, da Universidade Chalmers de Tecnologia na Suécia, da Universidade da Virgínia nos EUA e colaboradores usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para observar uma nuvem molecular que está em colapso para formar duas protoestrelas massivas que acabarão por se tornar num sistema estelar binário.

Embora se saiba que a maioria das estrelas massivas possuem companheiras estelares em órbita, não se tem a certeza de como isso acontece – por exemplo, se as estrelas nascem juntas num disco espiral comum no centro de uma nuvem em colapso, ou se se agrupam mais tarde graças a encontros aleatórios num enxame estelar lotado.

Tem sido difícil compreender a dinâmica da formação de binários porque as protoestrelas nestes sistemas ainda estão envolvidas numa nuvem espessa de gás e poeira que impede a maior parte da luz de escapar. Felizmente, é possível vê-las usando ondas de rádio, desde que possam ser visualizadas com resolução espacial suficientemente alta.

Na investigação actual, publicada na revista Nature Astronomy, os cientistas liderados por Yichen Zhang do Grupo RIKEN para Investigação Pioneira e Jonathan C. Tan da Universidade Chalmers e da Universidade da Virgínia, usaram o ALMA para observar, em alta resolução espacial, uma região de formação estelar conhecida como IRAS07299-1651, localizada a 1,68 kiloparsecs, cerca de 5500 anos-luz.

As observações mostraram que já neste estágio inicial, a nuvem contém dois objectos, uma estrela central massiva e “primária” e outra estrela “secundária” em formação, também com massa elevada. Pela primeira vez, a equipa de investigação foi capaz de usar estas observações para deduzir a dinâmica do sistema. As observações mostraram que as duas estrelas em formação estão separadas por uma distância de aproximadamente 180 UA (1 UA, ou unidade astronómica, é a distância entre a Terra e o Sol). Portanto, estão bem distantes. Actualmente orbitam-se uma à outra com um período de no máximo de 600 anos e têm uma massa total de pelo menos 18 vezes a do Sol.

De acordo com Zhang, “esta é uma descoberta empolgante porque há muito que estamos perplexos com a questão de se as estrelas se transformam em binários durante o colapso inicial da nuvem de formação estelar ou se são criados durante os estágios posteriores. As nossas observações mostram claramente que a divisão em estrelas duplas ocorre no início, enquanto ainda estão na sua infância.”

Outra descoberta do estudo foi que as estrelas binárias estão sendo estimuladas a partir de um disco comum alimentado pela nuvem em colapso e isto favorece um cenário no qual a estrela secundária do binário se formou como resultado da fragmentação do disco originalmente em redor da primária. Isto permite que a protoestrela secundária, inicialmente mais pequena, “roube” matéria da sua irmã e eventualmente emergem como “gémeas” bastante semelhantes.

Tan acrescenta: “Este é um resultado importante para entender o nascimento das estrelas massivas. Estas são importantes em todo o Universo pois produzem, no final das suas vidas, os elementos pesados que compõem a nossa Terra e que estão nos nossos corpos.”

Zhang conclui: “O que é importante agora é observar outros exemplos para ver se esta é uma situação única ou algo que é comum no nascimento de todas as estrelas massivas.”

Astronomia On-line
22 de Março de 2019

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1572: Investigadores descobrem o “berço” de todos os continentes da Terra

NASA

Os continentes da Terra poderão ter nascido por baixo de uma cordilheira gigante, como a Cordilheira dos Andes.

O estudo de Ming Tang, da Universidade Rice, publicado na revista Nature Communications, sugere que a crosta terrestre do Planeta Azul se formou muito profundamente, por baixo dos grandes arcos continentais montanhosos.

“Se as nossas conclusões estiverem corretas, cada pedaço de terra em que estamos sentados teve o seu início em algum local como os Andes ou o Tibete, com superfícies muito montanhosas“, afirmou Ming Tang ao Science Daily.

Os investigadores afirmam que, para entender como exactamente se formaram os continentes e de que maneira cresceram ao ponto de cobrir 30% do planeta, há que prestar atenção a dois elementos químicos “gémeos”, que estão entre os elementos mais raros da Terra: nióbio e tântalo.

“Têm propriedades químicas muitos semelhantes e comportam-se de maneira quase idêntica na maioria dos processos geológicos”, explicou Tang.

O cientistas observou que “em média, as rochas da crosta continental têm aproximadamente 20% menos nióbio do que deviam, em comparação com o que vemos noutros lugares” e que o mistério da formação dos continentes poderia ser encontrado com a descoberta do “nióbio perdido”.

E parece que os investigadores encontraram uma explicação para este fenómeno. Tang e a sua equipa descobriram que, a temperaturas superiores a 1.000ºC, o mineral conhecido como rútilo retêm as suas proporções normais entre nióbio e tântalo. Contudo, quando as temperaturas são inferiores a esse valor, o material começa a “preferir” o nióbio.

Segundo Tang, o único local conhecido com este conjunto de condições encontra-se por baixo dos arcos continentais, como os Andes.

O autor do estudo sublinhou a importância do achado, afirmando que os ditos arcos são os “componentes básicos dos continentes” e que são “como um sistema mágico que une tudo, desde os clima e as concentrações de oxigénio na atmosfera até aos depósitos de mineral”.

ZAP // Russia Today

Por ZAP
9 Fevereiro, 2019

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1470: Cientistas podem ter visto o nascimento de um buraco negro pela primeira vez

Investigadores da Universidade de Northwestern dizem ter assistido pela primeira vez, em Junho do ano passado, a um fenómeno que pode ajudar a explicar como surgem os buracos negros.

© NASA/JPL-Caltech/Handout via REUTERS

Pela primeira vez os cientistas podem ter assistido ao nascimento de um buraco negro. De acordo com o The Independent, que cita os investigadores da Universidade Northwestern (EUA), um misterioso objecto brilhante que iluminou o céu poderá ter sido o nascimento de um buraco negro ou de uma estrela de neutrões (partícula que constitui o núcleo do átomo).

Este brilho – a 200 milhões de anos-luz de distância da Terra – pode ter sido uma estrela a girar em redor de um buraco negro. Os cientistas ficaram surpreendidos com esta descoberta que aconteceu em Junho do ano passado e apelidaram o que viram como “The Cow”.

Este tipo de evento nunca tinha sido identificado e os responsáveis por este trabalho apoiado pela NASA esperam poder agora analisar o que sucedeu para entender a forma como os buracos negros são formados.

“Achamos que ‘The Cow’ é a formação de um buraco negro ou estrela de neutrões”, adiantou ao diário inglês Raffaella Margutti, da Universidade Northwestern, que liderou a pesquisa. “Sabemos, por teoria, que buracos negros e estrelas de neutrões se formam quando uma estrela morre, mas nunca os vimos logo depois de nascerem. Nunca”, frisou.

“Inicialmente pensámos que seria uma super-nova”, acrescentou Margutti. “Mas o que observámos desafiou as nossas noções actuais de morte estelar”, acrescentou. De acordo com a equipa, o que viram foi uma situação anormal em relação ao comportamento dos outros tipos de estrelas. A explosão terá sido 100 vezes mais brilhante que uma super-nova normal e desapareceu rapidamente – ao fim de 16 dias.

“Soubemos imediatamente que essa fonte passou de inactiva para a luminosidade máxima em apenas alguns dias”, frisou a líder da investigação. “Isso foi o suficiente para nos deixar animados porque era muito pouco comum e, pelos padrões astronómicos, estava muito perto”, recordou.

Durante o período em que conseguiram analisar o que se passava os cientistas usaram raios-X, ondas de rádio e outros instrumentos, que lhes permitiu estudar o que estava a acontecer muito depois de escurecer.

Por norma, os buracos negros recém-formados estão cobertos de material, que escondem o centro. Mas “The Cow” estava relativamente nu, permitindo que se olhasse directamente para o “motor central” e se visse o buraco negro em si.

Diário de Notícias
Carlos Ferro
11 Janeiro 2019 — 10:25

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1414: ALMA fornece visão sem precedentes do nascimento de planetas

imagens de alta resolução, pelo ALMA, de discos protoplanetários próximos, resultados da campanha DSHARP.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), S. Andrews et al.; N. Lira

Os astrónomos já catalogaram quase 4000 exoplanetas em órbita de estrelas distantes. Embora já tenhamos aprendido muito sobre esses mundos recém-descobertos, ainda há muito que não sabemos sobre os passos da formação planetária e as “receitas” cósmicas precisas que produzem a ampla gama de corpos planetários já descobertos, incluindo os chamados Júpiteres quentes, os mundos rochosos massivos, os planetas anões gelados e – esperamos algum dia em breve – análogos distantes da Terra.

Para ajudar a responder a estas e a outras questões intrigantes sobre o nascimento dos planetas, uma equipa de astrónomos usou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para realizar uma das mais profundas investigações sobre discos protoplanetários, as cinturas de poeira formadoras de planetas em redor de estrelas jovens.

“Este programa em específico é importante porque debruça-se sobre um dos objectivos científicos fundamentais do ALMA, que é entender o processo de formação planetária e, de estudos anteriores com amostras demasiado pequenas ou objectos individuais, salta para um contexto completamente novo, permitindo análises estatísticas,” explica Stuartt Corder, director adjunto do ALMA; “Será que estes tipos de estruturas são comuns ou raros? Essa abordagem mais estatística permite que os investigadores respondam a questões muito mais fundamentais para o processo de formação planetária.”

Conhecido como DSHARP (Disk Substructures at High Angular Resolution Project), este grande programa do ALMA produziu imagens impressionantes e de alta resolução de 20 discos protoplanetários próximos e deu aos astrónomos novas informações sobre a variedade de características que contêm e sobre a velocidade com que os planetas podem emergir.

Os resultados deste levantamento foram apresentados numa série de dez artigos científicos aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal Letters.

De acordo com os cientistas, a interpretação mais convincente destas observações é que os planetas grandes, provavelmente parecidos em tamanho e composição com Neptuno ou Saturno, formam-se rapidamente, muito mais depressa do que a teoria actual indicaria. Também tendem a formar-se nos limites externos dos seus sistemas, a distâncias tremendas das suas estrelas hospedeiras.

Esta formação precoce também poderá ajudar a explicar como os mundos rochosos, do tamanho da Terra, são capazes de evoluir e crescer, sobrevivendo à sua suposta adolescência auto-destrutiva.

“O objectivo desta campanha de observação era encontrar semelhanças e diferenças nos discos protoplanetários. A visão extraordinariamente nítida do ALMA revelou estruturas inéditas e padrões inesperadamente complexos,” comenta Sean Andrews, astrónomo do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e líder da campanha de observação do ALMA juntamente com Andrea Isella da Universidade Rice, Laura Pérez da Universidade do Chile e Cornelis Dullemond da Universidade de Heidelberg. “Estamos a ver detalhes distintos em torno de uma grande variedade de estrelas jovens de várias massas. A interpretação mais convincente destas características altamente diversificadas e de pequena escala é que existem planetas invisíveis a interagir com o material do disco.”

Os modelos principais para a formação de planetas sustentam que estes nascem através da acumulação gradual de poeira e gás no interior de um disco protoplanetário, começando com grãos de poeira que coalescem para formar rochas cada vez maiores, até que surgem asteróides, planetesimais e planetas. Este processo hierárquico deve levar muitos milhões de anos, sugerindo que o seu impacto nos discos protoplanetários seria mais predominante em sistemas mais antigos e maduros. A evidência crescente, no entanto, indica que nem sempre é o caso.

As primeiras observações de discos protoplanetários jovens, pelo ALMA, alguns com apenas um milhão de anos, revelam estruturas surpreendentes, incluindo anéis e lacunas proeminentes, que parecem ser as marcas dos planetas. Os astrónomos inicialmente estavam cautelosos ao atribuir estas características às acções dos planetas, já que outros processos naturais podiam também estar em jogo.

“Foi surpreendente ver possíveis assinaturas de formação planetária nas primeiras imagens de alta resolução de discos jovens. Era importante descobrir se eram anomalias ou se estas assinaturas eram comuns nos discos,” acrescenta Jane Huang, estudante no Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e membro da equipa de investigação.

No entanto, dado que o conjunto de amostras era muito pequeno, era impossível tirar conclusões abrangentes. Os astrónomos podiam estar a observar sistemas atípicos. Foram necessárias mais observações de uma variedade de discos protoplanetários para determinar a causa mais provável das características que estavam a ver.

A campanha DSHARP foi projectada para fazer precisamente isso, estudando a distribuição a relativamente pequena escala das partículas de poeira em torno de 20 discos protoplanetários próximos. Estas partículas de poeira brilham naturalmente em comprimentos de onda milimétricos, permitindo que o ALMA mapeie com precisão a distribuição de densidade de partículas pequenas e sólidas em redor de estrelas jovens.

Dependendo da distância da estrela à Terra, o ALMA foi capaz de distinguir características tão pequenas quanto algumas Unidades Astronómicas (1 UA é a distância média entre a Terra e o Sol – cerca de 150 milhões de quilómetros, uma escala útil para medir distâncias à escala de sistemas estelares). Usando estas observações, os cientistas conseguiram visualizar uma população inteira de discos protoplanetários e estudar as suas características à escala de Unidades Astronómicas.

Os investigadores descobriram que muitas subestruturas – divisões concêntricas, anéis estreitos – são comuns a quase todos os discos, enquanto padrões espirais de grande escala e características semelhantes a arcos também estão presentes em alguns dos casos. Além disso, os discos e lacunas estão presentes numa ampla gama de distâncias das suas estrelas hospedeiras, desde algumas UA até mais de 100 UA, mais do que três vezes a distância de Neptuno ao Sol.

Estas características, que podem ser indícios de planetas grandes, podem explicar como os planetas rochosos semelhantes à Terra são capazes de se formar e crescer. Durante décadas, os astrónomos depararam-se com um grande obstáculo na teoria da formação planetária: assim que os planetesimais crescem até um certo tamanho – cerca de um quilómetro em diâmetro – a dinâmica de um disco protoplanetário regular os induziria a cair para a sua estrela hospedeira, nunca obtendo a massa necessária para formar planetas como Marte, Vénus e a Terra.

Os anéis densos de poeira que vemos agora com o ALMA produziriam um refúgio seguro para os mundos rochosos amadurecerem completamente. As suas densidades mais altas e a concentração de partículas de poeira criariam perturbações no disco, formando zonas onde os planetesimais teriam mais tempo para se tornarem em planetas plenamente desenvolvidos.

“Quando o ALMA realmente revelou as suas capacidades com a sua icónica imagem de HL Tau, tivemos que nos perguntar se era um ‘outlier’, já que o disco era comparativamente massivo e jovem,” realça Laura Perez da Universidade do Chile e membro da equipa de pesquisa. “Estas últimas observações mostram que, embora impressionante, HL Tau está longe de ser invulgar e pode até representar a evolução normal de planetas em redor de estrelas jovens.”

Astronomia On-line
14 de Dezembro de 2018

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1028: Descoberto o local de nascimento do Sol na Via Láctea

Uma equipa internacional de cientistas desenvolveu um método para descobrir o local onde o Sol nasceu na nossa galáxia.

Segundo o Público, uma equipa internacional de cientistas, que inclui Vardan Adibekyan, que trabalha no Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), no Porto, encontrou uma forma de estimar os locais de nascimento das estrelas na Via Láctea.

Nos discos galácticos, as estrelas costumam afastar-se do seu local de nascimento, um fenómeno conhecido por “migração radial”. “Este movimento ao longo do diâmetro da galáxia dificulta o estudo da história de formação da Via Láctea, pois a migração radial é afectada por diversos parâmetros, dos quais se tem pouca informação”, explicam os investigadores do IA num comunicado.

No entanto, tal como explica o jornal, os cientistas conseguiram ultrapassar este obstáculo desenvolvendo um método para recuperar a história da migração das estrelas, usando as suas idades e composição química “como artefactos galácticos”.

Para este trabalho, cujos resultados foram publicados, no início de Agosto, na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, a equipa utilizou uma amostra de cerca de 600 estrelas vizinhas do Sol observadas pelo espectrógrafo HARPS, instalado no telescópio de 3,6 metros do Observatório Europeu do Sul (ESO), no observatório de La Silla, no Chile.

(dr) IA
Simulação da Via Láctea vista de cima, com indicação dos locais de nascimento das estrelas deste estudo

“A equipa descobriu que as estrelas nasceram espalhadas por todo o disco galáctico, com as mais antigas a migrarem das zonas mais interiores do disco”, lê-se na mesma nota, adiantando que os resultados também foram obtidos graças à caracterização muito precisa da massa e metalicidade destas estrelas.

Esta interessante técnica é única, porque nos permitiu determinar o local de nascimento do nosso Sol”, considera Adibekyan, citado pelo jornal. “Descobrimos que a nossa estrela pode não ter vagueado pela galáxia tanto quanto pensávamos até agora e que a distância ao centro da galáxia ao local onde nasceu pode ser semelhante à distância que tem actualmente”.

Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam, na Alemanha, que também esteve envolvido no estudo, dá mesmo o exemplo do Sol no seu comunicado. Tendo em conta a sua idade (4.600 milhões de anos) e a sua metalicidade, pode-se estimar que o Sol nasceu cerca de dois mil anos-luz mais perto do centro da Via Láctea do que actualmente está.

“No futuro, este método pode ser aplicado a medições de alta qualidade da missão da Agência Espacial Europeia Gaia, que em conjunto com investigações espectroscópicas levadas a cabo em telescópios à superfície da Terra, permitirão um cálculo muito detalhado da história migratória das estrelas e do passado da Via Láctea”, explica Friedrich Anders, autor do mesmo artigo e investigador do instituto alemão, citado pelo Público.

ZAP //

Por ZAP
17 Setembro, 2018

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1016: ASTRÓNOMOS TESTEMUNHAM NASCIMENTO DE NOVA ESTRELA A PARTIR DE EXPLOSÃO ESTELAR

Ao contrário da maioria das explosões estelares que desvanecem, a super-nova SN 2012au continua a brilhar ainda hoje graças a um novo e poderoso pulsar.
Crédito: NASA, ESA e J. DePasquale (STScI)

As explosões de estrelas, conhecidas como super-novas, podem ser tão brilhantes que ofuscam as suas galáxias hospedeiras. Elas demoram meses ou anos para desaparecer e, às vezes, os remanescentes gasosos da explosão colidem com gás rico em hidrogénio e tornam-se temporariamente brilhantes novamente – mas será que podem permanecer luminosas sem qualquer interferência externa?

É o que Dan Milisavljevic, professor assistente de física e astronomia da Universidade de Purdue, acredita ter visto seis anos depois da explosão “SN 2012au”.

“Nunca tínhamos visto uma explosão deste tipo, numa escala tão tardia de tempo, permanecer visível a não ser que tivesse algum tipo de interacção com o hidrogénio gasoso deixado para trás pela estrela antes da explosão,” comenta. “Mas não há um pico espectral de hidrogénio nos dados – outra coisa estava a energizar o objecto.”

À medida que as estrelas grandes explodem, os seus interiores colapsam até um ponto no qual todas as suas partículas se tornam neutrões. Se a estrela recém-nascida tiver um campo magnético e girar rápido o suficiente, pode acelerar partículas carregadas próximas e tornar-se o que os astrónomos chamam de nebulosa de vento pulsar.

É o que mais provavelmente aconteceu com SN 2012au, de acordo com os resultados publicados na The Astrophysical Journal Letters.

“Sabemos que as explosões de super-nova produzem esses tipos de estrelas de neutrões que giram rapidamente, mas nunca tínhamos visto evidências directas nesta escala de tempo única,” realça Milisavljevic. “Este é um momento chave em que a nebulosa de vento pulsar é brilhante o suficiente para agir como uma lâmpada que ilumina o material expulso e exterior da explosão.”

Já se sabia que SN 2012au era extraordinária – e estranha – de muitas maneiras. Embora a explosão não fosse brilhante o suficiente para ser apelidada de super-nova “super-luminosa”, era extremamente energética, de longa duração e tinha uma curva de luz similarmente lenta.

Milisavljevic prevê que se os investigadores continuarem a monitorizar os locais de super-novas extremamente brilhantes, podem ver transformações semelhantes.

“Se realmente existe um pulsar ou nebulosa de vento magnetar no centro da estrela que explodiu, pode empurrar de dentro para fora e até acelerar o gás,” explica. “Se voltarmos a alguns destes eventos alguns anos depois e fizermos medições cuidadosas, podemos observar o gás rico em oxigénio a sair da explosão ainda mais depressa.”

As super-novas super-luminosas são um tema quente da astronomia transiente. São fontes potenciais de ondas gravitacionais e buracos negros, e os astrónomos pensam que podem estar relacionadas com outros tipos de explosões, como explosões de raios-gama e FRBs (fast radio bursts). Os cientistas querem compreender a física fundamental por detrás, mas são difíceis de observar porque são relativamente raras e ocorrem muito longe da Terra.

Somente a próxima geração de telescópios, que os astrónomos apelidaram de “Telescópio Extremamente Grandes”, terão a capacidade de observar estes eventos em detalhe.

“Este é um processo fundamental no Universo. Nós não estaríamos aqui a menos que isto acontecesse,” comenta Milisavljevic. “Muitos dos elementos essenciais à vida vêm de explosões de super-novas – o cálcio nos nossos ossos, o oxigénio que respiramos, o ferro no nosso sangue – acho que é crucial para nós, cidadãos do Universo, entender este processo.”

Astronomia On-line
14 de Setembro de 2018

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