2206: Espectacular Cratera descoberta em Marte, o que a terá provocado?

À medida que as sondas e os rovers aumentam a área vasculhada de Marte, novas descobertas vão aparecendo. Desta vez apareceu uma cratera espectacular detectada numa impressionante nova imagem tirada pelo Mars Reconnaissance Orbiter da NASA.

Marte ainda é um planeta desconhecido, dado que pouca coisa ainda se sabe dele. Muitas outras surpresas estarão por descobrir.

Sonda Mars Reconnaissance Orbiter vasculha solo marciano

Mars Reconnaissance Orbiter é uma sonda norte-americana que tem a finalidade de procurar evidências de existência de água, no passado remoto de Marte. A sonda foi lançada em 10 de Agosto de 2005, estando já há mais de 13 anos a explorar o terreno marciano.

Assim, recorrendo à sua câmara científica de imagens de alta resolução (HiRISE), a nave fotografou a nova realidade no dia 17 de Abril de 2019. Segundo um comunicado da equipa HiRise, a sonda situava-se a uma altitude de 255 quilómetros. A cratera está localizada na região de Valles Marineris, perto do equador, e formou-se nalgum momento entre Setembro de 2016 e Fevereiro de 2019.

Dado que é impossível monitorizar toda a superfície de Marte, não há dados concretos de quando se formou esta cratera.

Foto a preto e branco da nova cratera.
Imagem: NASA / JPL / Universidade do Arizona

Câmara HiRise que procura água em Marte encontrou arte?

A equipa responsável pela HiRise descreveu a nova foto como uma “obra de arte”. Além disso, dizem também que “o material mais escuro exposto sob a poeira avermelhada” é o que faz com que esta cratera em particular se destaque. Por outro lado, as áreas azuladas na imagem de cores falsas, na primeira imagem) mostram áreas em que o material da superfície vermelha foi mais afectado pelo impacto.

Os responsáveis pela HiRISE e a cientista da Universidade do Arizona, Veronica Bray, disseram à Space.com que a cratera tem cerca de 15 a 16 metros  de largura. A mancha escura criada pelo impacto tem cerca de 500 metros de largura. Assim, Bray estimou o tamanho do meteorito em 1,5 metros de largura.

Vídeo incorporado

Peter Grindrod@Peter_Grindrod

KABOOM! Before and after images of a meteorite forming a brand new impact crater on Mars. Sometime between 18 Feb 2017 and 20 March 2019.

Este pedaço de rocha espacial provavelmente não teria sobrevivido à travessia através da atmosfera mais espessa da Terra, referiu, contudo, a rocha era provavelmente sólida, já que não há evidências de que se tenha fragmentado em pedaços menores durante a entrada atmosférica. O impacto pode ter exposto rochas basálticas sob a superfície de Marte, mas não está claro se o impacto causou o gelo subterrâneo. Referiu a cientista.

Descobrir novas crateras de impacto em Marte não é novidade para a sonda Mars Reconnaissance Orbiter. Outros exemplos notáveis ​​incluem uma cratera descoberta dentro da muito maior Cratera Corinto em 2018, e uma cratera de 30 metros de largura localizada em 2014.

Logótipo da Starfleet de Star Trek?

Na semana passada a nave identificou uma estranha característica da superfície marciana. Na verdade, o desenho no solo faz lembrar o logótipo da Starfleet de Star Trek. Será que a Star Trek, num outro tempo, passou por lá?

2205: NASA descobre indícios de vida em Vénus

Segundo Brian Cox, físico e professor da Universidade de Manchester e apresentador de um programa da BBC sobre ciência, Vénus poderia muito bem ter abrigado alguma forma de vida no seu passado distante. Estas alegações partem depois de a NASA ter descoberto que o planeta é semelhante à Terra.

Embora Vénus tenha hoje condições difíceis à existência de vida, durante a sua existência nem sempre foi assim. Desta forma, poderá ter tido vida. Mas que tipo de vida?

As condições que oferece hoje Vénus

Vénus é o segundo planeta do Sistema Solar em ordem de distância do Sol, orbitando-o a cada 224,7 dias. Recebeu o seu nome em homenagem à deusa romana do amor e da beleza Vénus, equivalente à Afrodite. Assim, depois da Lua, este é o objecto mais brilhante do céu nocturno. Atingindo uma magnitude aparente de -4,6, o suficiente para produzir sombras.

A distância média da Terra a Vénus é de 0,28 AU, sendo assim a menor distância entre quaisquer dois planetas.

Por várias vezes este planeta foi apontado como o “planeta irmão” da Terra. Além do tamanho, da massa, Vénus tem também uma composição semelhantes ao do nosso planeta. Contudo, a sua pressão atmosférica é 92 vezes maior do que a da Terra. Por outras palavras, aproximadamente a pressão encontrada a 900 metros baixo da superfície do oceano.

Além disso, este é o planeta mais quente do Sistema Solar. Assim apresenta uma temperatura média de 500 °C, embora Mercúrio esteja mais próximo do Sol.

Vénus poderá albergar vida?

O físico apresentador do programa da BBC “The Planets”, afirma que:

As temperaturas da superfície em Vénus são mais quentes do que as de Mercúrio. No entanto, em alguns milhões de anos após formação, a superfície do planeta arrefeceu e o planeta encontrava-se a uma distância certa do Sol jovem para que Vénus experimentasse uma vista familiar como temos na Terra.

Segundo as suas investigações “os céus abriram-se e grandes correntes inundaram a superfície. Rios de água correram e Vénus passou a ser um mundo oceânico”. A par destes acontecimento, acrescentou o investigador, “a atmosfera do planeta permitiu que ele fosse sustentado pelos oceanos como um cobertor, mantendo a temperatura da superfície graças ao efeito estufa”.

O Sol envelheceu e tirou vitalidade a Vénus

De forma que já se conhece, à medida que o Sol envelhece, a estrela queima muito mais e torna-se mais quente. Esse impacto está a mudar não só a Terra como todos os astros ao seu redor. Assim, este comportamento, como refere o físico, significa que no passado, quando o Sol era mais jovem, deveria ter sido mais frio e isso teve um grande impacto nos planetas. Dessa forma, Vénus era mais fresco e mais húmido, propriedades certas para sustentar a vida.

Na época em que a vida estava prestes a começar na Terra, há três e meio a quatro mil milhões de anos, o Sol estava mais fraco e isso significa que Vénus estava mais fresco. Na verdade, as temperaturas em Vénus naquela época teriam sido como um agradável dia de primavera aqui na Terra.


pplware
Imagem: NASA
Fonte: Express

2195: Cassini revela nova escultura nos anéis de Saturno

Mosaico de imagens a cores falsas que mostra Dafne, uma das luas embebidas nos anéis de Saturno, e das ondas que levanta na divisão de Keeler. As imagens recolhidas durante as órbitas próximas da Cassini em 2017 estão a fornecer novas informações sobre o funcionamento complexo dos anéis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Uma nova análise mostra que à medida que a sonda Cassini da NASA mergulhava perto de Saturno durante o seu último ano, a nave fornecia detalhes intrincados sobre o funcionamento dos anéis complexos do planeta.

Embora a missão tenha terminado em 2017, continua a surgir ciência dos dados recolhidos. Um novo artigo publicado na edição de 13 de Junho da revista Science descreve resultados de quatro instrumentos da Cassini, as observações mais próximas dos anéis principais.

As descobertas incluem detalhes finos de características esculpidas por massas embutidas nos anéis. Texturas e padrões, de amontoados a parecidos com palha, sobressaem das imagens, levantando questões sobre as interacções que os moldaram. Novos mapas revelam como as cores, a química e a temperatura mudam nos anéis.

Como um planeta em construção dentro de um disco de material proto-planetário, minúsculas luas inseridas nos anéis de Saturno (chamadas de A a G, na ordem da sua descoberta) interagem com as partículas em redor. Desta forma, o artigo fornece mais evidências de que os anéis são uma janela para os processos astrofísicos de discos que moldam o nosso Sistema Solar.

As observações também aprofundam a compreensão dos cientistas do complexo sistema de Saturno. Os cientistas concluem que na orla externa dos anéis principais, uma série de estrias similares geradas por impactos no anel F têm o mesmo comprimento e orientação, mostrando que provavelmente foram provocadas por um bando de impactores que atingiram o anel ao mesmo tempo. Isto mostra que o anel é esculpido por correntes de material que orbita o próprio Saturno em vez de, por exemplo, detritos cometários (que se movem em torno do Sol) que chocam contra os anéis.

“Estes novos detalhes de como as luas estão a esculpir, de várias maneiras, os anéis, fornecem uma janela para a formação do Sistema Solar, onde também temos discos evoluindo sob a influência de massas embutidas,” disse Matt Tiscareno, autor principal e cientista da Cassini, do Instituto SETI em Mountain View, no estado norte-americano da Califórnia.

Mistérios Duradouros

Ao mesmo tempo, surgiram novos puzzles e mistérios antigos aprofundaram-se com as investigações mais recentes. As imagens detalhadas dos anéis trouxeram para o foco três texturas diferentes – amontoadas, macias e “riscadas” – e deixaram claro que estas texturas ocorrem em cinturas com limites nítidos. Mas porquê? Em muitos lugares, as cinturas não estão ligadas a quaisquer características dos anéis que os cientistas já tenham identificado.

“Isto diz-nos que a aparência dos anéis não é apenas uma função de quanto material existe,” disse Tiscareno. “Tem que haver algo diferente sobre as características das partículas, talvez afectando o que acontece quando duas partículas dos anéis colidem e ressaltam uma da outra. E nós ainda não sabemos o que é.”

Os dados analisados foram recolhidos durante as Órbitas Rasantes pelos Anéis (entre Dezembro de 2016 e Abril de 2017) e durante o Grande Final (de Abril a Setembro de 2017), quando a Cassini voou logo acima das nuvens de Saturno. À medida que a espaço-nave ficava sem combustível, a equipa da missão fê-la mergulhar deliberadamente na atmosfera do planeta em Setembro de 2017.

O instrumento VIMS (Visible and Infrared Mapping Spectrometer) da Cassini descobriu outro mistério. O espectrómetro, que observou os anéis no visível e no infravermelho próximo, identificou bandas anormalmente fracas de água gelada na parte mais externa do anel A. Isto foi uma surpresa, porque a área é conhecida por ser altamente reflectiva, o que geralmente é um sinal de gelo menos contaminado e, portanto, de bandas de água gelada mais fortes.

O novo mapa espectral também esclarece a composição dos anéis. E apesar dos cientistas já saberem que a água gelada era o principal componente, o mapa espectral descartou gelo de amónia e gelo de metano detectáveis como ingredientes. Mas também não indica compostos orgânicos – uma surpresa, dado o material orgânico que a Cassini descobriu a fluir do anel D para a atmosfera de Saturno.

“Se existisse material orgânico em grandes quantidades – pelo menos nos anéis principais A, B e C – nós tínhamo-lo visto,” disse Phil Nicholson, cientista do VIMS da Cassini da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, EUA. “Ainda não estou convencido de que são um componente importante dos anéis principais.”

Este estudo assinala o início da próxima era de ciência da Cassini, disse Jeff Cuzzi, do Centro de Pesquisa Ames da NASA, que estuda os anéis de Saturno desde a década de 1970 e é o cientista interdisciplinar dos anéis da missão Cassini.

“Nós vemos muito mais, e mais de perto, e estamos a obter quebra-cabeças novos e mais interessantes,” acrescentou Cuzzi. “Estamos apenas a adaptar-nos à nova fase, que é a de construir novos modelos detalhados da evolução dos anéis – incluindo a nova revelação de dados da Cassini de que os anéis são muito mais jovens do que Saturno.”

As novas observações dão aos cientistas uma visão ainda mais íntima dos anéis e cada análise revela novas complexidades, disse a cientista do projecto Cassini, Linda Spilker, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

“É como aumentar a ampliação durante a observação dos anéis. Todos nós conseguimos ver em mais detalhe o que está a acontecer,” salientou Spilker. “A obtenção desta resolução extra respondeu a muitas perguntas, mas muitas outras permanecem.”

Astronomia On-line
18 de Junho de 2019

2192: Sal de mesa descoberto numa Lua de Júpiter aumenta esperanças de vida alienígena

CIÊNCIA

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, a misteriosa lua de Júpiter

A descoberta dos compostos de sal de mesa na Europa, uma das luas de Júpiter, pode abrir a possibilidade de que haja lá vida alienígena ou que este seja um lugar habitável no futuro.

Acredita-se que Europa, uma lua congelada em torno de Júpiter, seja um dos mundos mais habitáveis do sistema solar. Foi primeiro avistado em detalhe pela sonda Voyager 1 em 1979, revelando uma superfície quase desprovida de grandes crateras.

Este satélite é principalmente feito de silicato e, segundo o Tech Explorist, tem uma crosta de gelo e provavelmente um núcleo de ferro e níquel. A sua atmosfera é composta maioritariamente por oxigénio e, por debaixo do gelo, água salgada. No entanto, as observações não permitiram saber ao certo como é a água salgada desta Lua.

Agora, um novo estudo, publicado esta quarta-feira na revista Science Advances, mostra que pode ser cloreto de sódio, conhecido como sal de mesa. Isto tem implicações importantes para a potencial existência de vida nas profundezas ocultas da Europa.

Os cientistas acreditam que a circulação hidrotermal no oceano, possivelmente impulsionada por fontes hidrotermais, pode naturalmente enriquecer o oceano em cloreto de sódio, através de reacções químicas entre o oceano e a rocha. Na Terra, acredita-se que as fontes hidrotermais sejam uma fonte de vida, como as bactérias.

De acordo com o The Conversation, descobriu-se que as plumas que emanam do pólo sul da lua de Saturno Enceladus, que tem um oceano semelhante, contêm cloreto de sódio, tornando tanto Europa quanto Enceladus alvos ainda mais atraentes para exploração.

Se olharmos para o espectro da luz reflectida da superfície, podemos inferir quais as substâncias que lá estão. Isto mostra evidências de gelo. A questão pertinente dos cientistas é se essas substâncias vêm do interior da Europa.

Para produzir ácido sulfúrico em água gelada, é necessário uma fonte de enxofre e energia para impulsionar a reacção química. Parte disso pode vir de dentro da lua na forma de sais de sulfato, alguns dos quais podem ser libertados por meteoritos, mas a explicação mais plausível é que vem da sua lua vulcânica, Io.

A equipa responsável por este novo estudo argumentou que o lado da Europa ao longo da sua órbita, o principal hemisfério, que é protegido do bombardeamento de enxofre, pode ser o melhor lugar para procurar evidências de quais sais realmente existem dentro da lua.

Os investigadores usaram o poderoso Telescópio Espacial Hubble e descobriram evidências de cloreto de sódio. Embora já houvessem suspeitas de sais na Europa, os dados mais recentes do Hubble permitiram que os cientistas o reduzissem a uma região chamada de terreno do caos. Isto significa que eles provavelmente virão do interior da Europa.

A vida como a conhecemos precisa de água líquida e energia. O facto da Europa ter um oceano líquido diz-nos que há água líquida e uma fonte de energia para impedir que ela congele. Mas a composição química do oceano também é crucial. Salmoura, “água salgada”, tem um ponto de congelamento menor do que a água pura, o que significa que torna a água mais habitável.

O sal, especificamente os iões de sódio no sal de mesa, é também crucial para toda uma gama de processos metabólicos na vida vegetal e animal. Em contraste, alguns outros sais, como os sulfatos, podem inibir a vida se presentes em grandes quantidades.

Os cientistas estavam ansiosos para puderem apontar que podem estar a ver apenas a ponto do icebergue de uma complicada cadeia de processos sub-superficiais. Mas, para aqueles que esperam que haja vida na Europa, a descoberta do cloreto de sódio é uma excelente notícia.

ZAP //

Por ZAP
18 Junho, 2019

 

2187: O vulcão de gelo do planeta Ceres formou-se a partir de uma bolha de lama salgada

CIÊNCIA

JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA / NASA

Quando a sonda Dawn da NASA chegou a Ceres, avistou várias características marcantes, incluindo Ahuna Mons, a maior montanha do planeta anão.

Tem uma altura máxima de cerca de 5 quilómetros. Dado que Ceres é inferior a 1.000 quilómetros de diâmetro, Ahuna Mons destaca-se um pouco – seria como ter uma montanha de 67 quilómetros de altura na Terra.

A formação peculiar emergiu do terreno liso e tem riscas brilhantes que vão do topo até o fundo das suas encostas. Não há outra montanha como esta em Ceres e os investigadores acreditam que é o produto de um fenómeno geológico curioso. De acordo com um estudo publicado na revista Nature Geoscience, os cientistas acreditam que o Ahuna Mons se formou quando uma bolha de sal, água e rocha começou a empurrar a superfície.

Usando dados de Dawn, que ajudou a desvendar o mistério das manchas de Ceres, os cientistas encontraram evidências que sugeriram que o manto sob a crosta do planeta anão não é sólido e rígido. É pelo menos parcialmente fluido e possui movimentos internos, alimentados pelo calor dos elementos radioactivos em decomposição. Uma nuvem de salmoura e lama a expelir a crosta pode explicar a forma e a composição da montanha.

“Ficamos emocionados ao descobrir que processo ocorreria no manto de Ceres, logo abaixo de Ahuna Mons, foi responsável por trazer o material para a superfície. Claro, Ahuna Mons também era um pouco duvidosa devido à sua forma como um vulcão”, disse o principal autor Ottaviano Ruesch, da Agência Espacial Europeia (ESA), em comunicado.

Ao monitorizar como a nave espacial orbitava o planeta anão, os investigadores conseguiram criar um mapa do seu campo gravitacional. Abaixo de Ahuna Mons há uma anomalia gravitacional. “Analisamos mais de perto essa anomalia e mais modelos revelaram que tinha que ser uma protuberância no manto de Ceres”, acrescentou Ruesch. “A conclusão era óbvia: a mistura de substâncias fluidas e pedras tinha chegado à superfície, acumulando-se em Ahuna Mons.”

Ceres é o maior objecto no cinturão de asteróides e o único planeta anão que está sempre dentro da órbita de Neptuno. O nome de Ahuna Mons vem do festival da colheita da etnia Sumi Naga na Índia.

ZAP //

Por ZAP
16 Junho, 2019

2186: NASA testa um novo combustível “verde” na sua nave espacial pela primeira vez

O combustível usado nas naves espaciais é altamente poluente. Contudo, as premissas de melhorar as emissões poluentes têm de ser acatadas por todos. Nesse sentido, a NASA está a testar um líquido não tóxico que poderá alimentar o futuro no espaço e impulsionar missões à Lua ou a “outros mundos”.

Entretanto, a agência espacial norte-americana irá testar o combustível e o sistema de propulsão compatível no espaço pela primeira vez. Irá ser na Green Propellant Infusion Mission ou Missão de Infusão de Propulsante Verde (GPIM), marcada para ser lançada este mês num foguete SpaceX Falcon Heavy.

NASA aposta numa Missão de Infusão de Propulsante Verde (GPIM)

Segundo a NASA, esta missão demonstrará as características excepcionais de um combustível “verde” de alto desempenho. Este produto foi desenvolvido pelo Laboratório de Investigação da Força Aérea (AFRL) na Base Aérea de Edwards, na Califórnia.

O propulsante combina nitrato de Hydroxylammonium e amónio com um oxidante que permite que ele queime, criando uma alternativa à hidrazina, o combustível altamente tóxico comummente usado pelas naves espaciais actualmente.

A nave “adora” a hidrazina, mas é tóxica para os seres humanos. A utilização do líquido transparente requer precauções apertadas de segurança. Assim, é obrigatório o uso de roupas de protecção, luvas grossas de borracha e tanques de oxigénio. O GPIM promete menos restrições de manuseio que reduzirão o tempo de preparação para o lançamento.

As naves espaciais podem ser alimentadas durante o fabrico, simplificando o processamento nas instalações de lançamento, resultando em economia de custos.

Explicou Christopher McLean, investigador principal da GPIM na Ball Aerospace of Boulder, Colorado. A empresa lidera esta missão de demonstração de tecnologia da NASA.

Outra vantagem deste propulsante é o desempenho. É mais denso que a hidrazina e oferece um desempenho quase 50% melhor – o equivalente a obter 50% a mais de quilómetros por litro no seu carro. Isso significa que as naves podem viajar mais longe ou operar durante mais tempo com menos propulsante a bordo.

Para aproveitar os benefícios do combustível, os engenheiros primeiro tiveram que desenvolver novos equipamentos. Nesse sentido foram desenvolvidas novas tecnologias para propulsores, tanques, filtros e até válvulas. O GPIM usa um conjunto de propulsores que são accionados em diferentes cenários para testar o desempenho e a confiabilidade do mecanismo. Manobras planeadas incluem redução de órbita e afinações na nave espacial.

Será uma aposta para futuro?

Fred Wilson, director de desenvolvimento de negócios da Aerojet, tem décadas de experiência em sistemas de propulsão de naves. Wilson deu crédito à NASA pelo financiamento da tecnologia, através de demonstração de voo. Levar o propulsante verde do laboratório para o espaço assegura que a capacidade possa ser totalmente adoptada pelo governo e pela indústria.

Se não fosse pelo investimento inicial e pelo risco inerente de fazer algo pela primeira vez, esta tecnologia provavelmente já estaria no espaço. A NASA preparou-se para financiar isso porque vemos o valor e o potencial desta tecnologia para impulsionar o voo espacial.

Referiu Dayna Ise, executiva do programa Missões de Demonstração Tecnológica da NASA, que administra o GPIM.

Segundo as várias entidades envolvidas, o objectivo é levar este combustível a outros sistemas. Os satélites, por exemplo, são um alvo para a utilização deste combustível. Isto porque a tendência é para satélites cada vez menores, para lançar mais unidades numa única missão.

Assim, é muito natural que a tecnologia possa atrair pequenos construtores de satélites e cubos. Estes têm orçamentos pequenos e limitações sérias de espaço e peso. De pequenos satélites a grandes naves, há uma grande variedade de missões espaciais que podem beneficiar do uso de propulsantes verdes.

O que é um Propulsante?

Propulsante ou propelente  é um material que pode ser usado para mover um objecto aplicando uma força.

Pode ou não envolver uma reacção química. O material pode ser constituído de gás, líquido ou plasma e antes de uma reacção química, um sólido. Exemplos de propulsantes são a gasolina, querosene de aviação e o combustível de foguetes espaciais.

Imagem: NASA
Fonte: NASA
pplware
15 Jun 2019
Vítor M.

2185: NASA precisa de 20 mil milhões de dólares adicionais para levar humanos à Lua

Jim Bridenstine, administrador da NASA. REUTERS/Leah Millis

O orçamento actual da NASA ronda os 20 mil milhões de dólares por ano – mas esse valor pode não ser suficiente para as próximas missões. A revelação foi feita por Jim Bridenstine, administrador da NASA, que aponta a necessidade de aumentar o financiamento anual da agência.

A agência espacial norte-americana quer colocar humanos na lua em 2024. Para concluir o projecto da Lua, o administrador da NASA estima que sejam “precisos entre 20 a 30 mil milhões de dólares”, nos próximos cinco anos.

Em entrevista à CNN, o administrador da NASA refere que este aumento de orçamento, que rondará os 4 a 6 mil milhões de dólares adicionais, permitirá criar um “programa sustentável”. “Pensemos na questão como um investimento a curto prazo para chegar a um programa sustentável na lua, onde estaremos também a manter um olho em Marte”.

A próxima missão de aterragem na Lua recebeu o nome de Artemis – o nome da deusa grega irmã de Apolo, a designação dada à missão que colocou o homem na Lua, há cinquenta anos. Entretanto, esta nova missão já foi criticada por Donald Trump, num tweet que aponta que a NASA deveria estar preocupada com Marte e não com a Lua.

À CNN, Jim Bridenstine esclareceu que está amedrontado pelas declarações de Trump – especialmente quando qualquer aumento de orçamento da NASA precisa de ser aprovado pelo Congresso.

O governo de Donald Trump já submeteu um pedido de aumento de 1,6 mil milhões de dólares ao orçamento da NASA, para o próximo ano fiscal. Caso seja aprovado, o orçamento da NASA passaria para os 21,6 mil milhões de dólares – ainda longe das ambições indicadas pelo administrador da agência.

dn-insider
Sexta-feira, 14 Junho 2019
Cátia Rocha

2171: Campo magnético pode manter o buraco negro da Via Láctea relativamente calmo

Linhas de fluxo que mostram os campos magnéticos sobrepostos a uma imagem a cores do anel de poeira que rodeia o buraco negro super-massivo da Via Láctea. A estrutura azul em forma de Y é material quente que cai em direcção ao buraco negro, localizado próximo do ponto onde os dois braços da figura em forma de Y se intersectam. As linhas revelam que o campo magnético segue a forma da estrutura empoeirada. Cada dos braços azuis tem o seu próprio campo que é totalmente distinto do resto do anel, visto em rosa.
Crédito: poeira e campos magnéticos – NASA/SOFIA; imagem do campo estelar – NASA/Telescópio Espacial Hubble

Existem buracos negros super-massivos no centro da maioria das galáxias, e a nossa Via Láctea não é excepção. Mas muitas outras galáxias têm buracos negros altamente activos, o que significa que está a cair neles muito material, emitindo radiação altamente energética neste processo de “alimentação”. O buraco negro central da Via Láctea, por outro lado, está relativamente calmo. Novas observações do SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA estão a ajudar os cientistas a compreender as diferenças entre buracos negros activos e silenciosos.

Estes resultados fornecem informações sem precedentes sobre o forte campo magnético no centro da Via Láctea. Os cientistas usaram o mais novo instrumento do SOFIA, o HAWC+, para realizar estas medições.

Os campos magnéticos são forças invisíveis que influenciam os percursos de partículas carregadas e têm efeitos significativos sobre os movimentos e a evolução da matéria em todo o Universo. Mas os campos magnéticos não podem ser visualizados directamente, portanto o seu papel não é bem compreendido. O instrumento HAWC+ detecta luz infravermelha distante e polarizada, invisível aos olhos humanos, emitida por grãos de poeira. Estes grãos alinham-se perpendicularmente aos campos magnéticos. A partir dos resultados do SOFIA, os astrónomos podem mapear a forma e inferir a força do campo magnético, de outra forma invisível, ajudando a visualizar esta força fundamental da natureza.

“Este é um dos primeiros exemplos em que podemos realmente ver como os campos magnéticos e a matéria interestelar interagem uns com os outros,” observou Joan Schmelz, astrofísica do Centro de Pesquisas Espaciais Universitárias do Centro Ames da NASA em Silicon Valley, Califórnia, EUA, co-autora do artigo que descreve as observações. “O HAWC+ muda o jogo.”

Observações anteriores do SOFIA tinham mostrado o anel inclinado de gás e poeira em órbita do buraco negro da Via Láctea, de nome Sagitário A* (Sgr A*). Mas os novos dados do HAWC+ fornecem uma visão única do campo magnético nesta área, que parece traçar a história da região ao longo dos últimos 100.000 anos.

Os detalhes destas observações do campo magnético, pelo SOFIA, foram apresentados na reunião de Junho de 2019 da Sociedade Astronómica Americana e serão submetidos à revista The Astrophysical Journal.

A gravidade do buraco negro domina a dinâmica do centro da Via Láctea, mas o papel do campo magnético tem sido um mistério. As novas observações com o HAWC+ revelam que o campo magnético é forte o suficiente para restringir os movimentos turbulentos do gás. Se o campo magnético canalizar o gás para que entre no próprio buraco negro, o buraco negro torna-se activo porque consome muito gás. No entanto, se o campo magnético canalizar o gás para que entre em órbita em redor do buraco negro, então o buraco negro ficará quieto porque não está a ingerir nenhum gás que, de outra forma, acabaria por formar novas estrelas.

Os investigadores combinaram imagens no infravermelho médio e longínquo das câmaras do SOFIA com novas linhas de fluxo que visualizam a direcção do campo magnético. A estrutura azul em forma de Y (ver figura) é material quente que cai em direcção ao buraco negro, localizado próximo do ponto onde os dois braços da figura em forma de Y se intersectam. Colocando a estrutura do campo magnético sobre a imagem revela que o campo magnético segue a forma da estrutura empoeirada. Cada dos braços azuis tem o seu próprio componente de campo que é totalmente distinto do resto do anel, visto em rosa. Mas também existem lugares onde o campo se distancia das principais estruturas de poeira, como nas extremidades superior e inferior do anel.

“A forma espiral do campo magnético canaliza o gás para uma órbita em torno do buraco negro,” comentou Darren Dowll, cientista do JPL da NASA e investigador principal do instrumento HAWC+, autor principal do estudo. “Isto pode explicar porque é que o nosso buraco negro está calmo enquanto outros estão activos.”

As novas observações do SOFIA com o HAWC+ ajudam a determinar como o material no ambiente extremo de um buraco negro super-massivo interage com ele, abordando uma antiga questão de porque é que o buraco negro central da Via Láctea é relativamente ténue, enquanto os de outras galáxias são tão brilhantes.

Astronomia On-line
14 de Junho de 2019

2169: Super-erupções do Sol podem “fritar” satélites e redes eléctricas nos próximos cem anos

CIÊNCIA

NASA

Na fronteira da Via Láctea, produz-se um dos espectáculos pirotécnicos mais brilhantes da galáxia. Algumas estrelas jovens e activas, por razões que os cientistas ainda desconhecem, lançam explosões de energia que podem ser vistas a centenas de anos-luz de distância.

Estas super-erupções têm uma potência arrebatadora, na ordem de centenas a milhares de vezes maior do que a maior já registada com instrumentos modernos na Terra. Até recentemente, de acordo com um comunicado, os investigadores supunham que estas explosões não poderiam acontecer no nosso antigo e tranquilo Sol.

Porém, um novo estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal a partir de dados de diferentes telescópios, afirma que o sol também tem a capacidade de causar grandes erupções, ainda que apenas uma vez em cada poucos milhares de anos.

Se algo semelhante tivesse acontecido há mil anos, as consequências teriam sido reduzidas a uma aurora resplandecente no céu. Mas, agora, alertam os cientistas, isso causaria estragos nas comunicações via satélite e redes de energia do nosso planeta – uma catástrofe em escala global.

Yuta Notsu, investigador da Universidade da Califórnia em Boulder, é o principal autor do estudo, revelado na reunião anual da American Astronomical Society em St. Louis, EUA. Na sua opinião, os resultados devem ser um alerta para a vida no nosso planeta.

“O nosso estudo mostra que as super-erupções são eventos raros”, disse Notsu, de acordo com a ABC. “Mas há uma possibilidade de que possamos experimentá-lo nos próximos 100 anos”.

Se uma super-chama viesse do Sol, a Terra provavelmente estaria no caminho de uma onda de radiação de alta energia. Tal explosão poderia interromper a electrónica mundial, causando apagões e curtos-circuitos nos satélites de comunicação em órbita.

Os cientistas descobriram este fenómeno pela primeira vez graças ao Telescópio Espacial Kepler. A nave da NASA, lançada em 2009, procura planetas que giram em torno de estrelas distantes da Terra. Mas também encontrou algo estranho: às vezes, a luz das estrelas distantes parecia subitamente e momentaneamente mais brilhante.

As explosões de tamanho normal são comuns no Sol. “Quando o nosso Sol era jovem, era muito activo porque girava muito rápido e provavelmente gerava chamas mais poderosas”, explicou o investigadores. “Mas não sabíamos se existem grandes labaredas no Sol moderno com uma frequência muito baixa”.

Para descobrir, Notsu e uma equipa internacional de cientistas voltaram-se para dados da sonda Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) e do Observatório Apache Point, no Novo México. Durante uma série de estudos, o grupo usou os instrumentos para delinear uma lista de super-chamas provenientes de 43 estrelas que se assemelhavam ao nosso Sol. Depois, submeteram esses eventos raros a uma análise estatística rigorosa.

A conclusão: a idade é importante. De acordo com os cálculos da equipa, as estrelas mais jovens tendem a produzir o maior número de super-erupções. Mas as estrelas mais antigas, como o nosso Sol, agora com ​​4,6 mil milhões de anos, também as produzem. “Estrelas jovens têm super-chamas uma vez por semana”, afirmou Notsu. “O Sol faz isso uma vez a cada poucos milhares de anos em média.”

Notsu está convencido de que este grande evento acontecerá, embora não saiba dizer quando. No entanto, isso poderia dar tempo para nos prepararmos, protegendo a electrónica no solo e em órbita da radiação no espaço.

ZAP //

Por ZAP
14 Junho, 2019

2168: NASA encontra em Marte o “logótipo” da Frota Estelar de Star Trek

Leonard Nimoy como Spock, na saga Star Trek

A equipa Mars Reconnaissance Orbiter da NASA destacou na sua conta de Twitter uma formação incomum de dunas em Marte que parecem recriar o clássico logótipo da Frota Estelar de Star Trek.

A fotografia foi capturada pelo HiRise, um missão científico de alta resolução que orbita o Planeta Vermelho desde 2006. No Twitter da NASA, a agência espacial convida os fãs a reconhecer o famoso logótipo.

HiRISE (NASA)

@HiRISE

Caption Spotlight (12 Jun 2019): Dune Footprints in Hellas
Enterprising viewers will make the discovery that these features look conspicuously like a famous logo.
More: https://www.uahirise.org/ESP_059708_1305 
NASA/JPL/University of Arizona #science

A reacção dos internautas foi imediata nas redes sociais: “A explicação é simples: William Shatner já estava lá e os marcianos construíram uma grande duna em sua homenagem”, escreveu um utilizador.

A HiRise, no entanto, esclareceu a situação, observando que a semelhança encontrada é uma mera coincidência. De acordo com uma nota publicada na sua página oficial, houve durante muito tempo dunas em forma de meia lua e Marte. Depois, uma erupção fez com que a lava fluísse pela planície, acabado por cercar estas formações.

Mais tarde, a lava solidificou mas o vento continuou a soprar e os aglomerados de areia, que costumavam ser dunas, afastaram-se e deixaram este tipo de pegadas.

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Por ZAP
13 Junho, 2019

2166: Asteróide do tamanho de um campo de futebol pode atingir a Terra em Setembro

CIÊNCIA

(dr) Detlev van Ravenswaay

Em Setembro, a Terra tem uma probabilidade de 1 em 7.000 de ser visitada pelo asteróide 2006 QV89. Aliás, há menos probabilidade de ganhar a lotaria do que sermos atingidos pelo objecto celeste – 1 em 100.000.

De acordo com a lista de objectos espaciais da Agência Espacial Europeia (ESA) que poderia colidir com a Terra, a rocha espacial deve visitar-nos em 9 de Setembro de 2019. A lista actualizada em 6 de Junho e, entre os 10 objectos incluídos, o asteróide 2006 QV89 ficou em quarto lugar.

Comparado com o asteróide de dez quilómetros que aniquilou os dinossauros há cerca de 66 milhões de anos, o 2006 QV89 é muito menor, medindo apenas 40 metros de diâmetro. Apesar disso, este asteróide tem o tamanho de um campo de futebol.

A ESA está actualmente a monitorizar o caminho do asteróide, embora ainda seja improvável que a rocha vá realmente atingir a Terra. De acordo com o modelo da agência, o 2006 QV89 está provavelmente a 6,7 ​​milhões de quilómetros do planeta – a Lua está a 384.400 quilómetros de distância.

Este asteróide foi descoberto em 29 de Agosto de 2006 através do Catalina Sky Survey, uma organização sediada num observatório perto de Tucson, no Arizona, quando estava a três mil milhões de quilómetros do nosso planeta. Na realidade, este asteróide até é um visitante frequente da Terra. Após o seu sobrevoo previsto para 2019, espera-se que o objecto volte a passar pelo Planeta Azul em 2032, 2045 e 2062.

A NASA, que rastreia objectos próximos da Terra, emparelhou-se com a ESA no mês passado para publicar informações sobre como o governo e os cientistas deveriam lidar com um ataque real de asteróides.

Um estudo publicado em Março na revista Icarus descobriu que quanto maior o asteróide, mais difícil será explodi-lo. De acordo com um relatório de 2018, há mais de 18 mil objectos próximos da Terra – ou Near Earth Objects (NEO).

Casos de colisão de asteróides com a Terra são raros, mas é conhecido o incidente do ano 1908, o Evento de Tunguska, quando a queda de um meteorito na Rússia provocou uma grande explosão e destruiu 2.000 quilómetros quadrados de floresta.

No ano de 2013, um asteróide destruiu-se, entrando na atmosfera da Terra e os estilhaços do meteorito que caíram provocaram cerca de 2.000 feridos e causaram vários danos na região russa de Chelyabinsk.

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13 Junho, 2019