1423: Sonda da NASA captura a primeira fotografia da atmosfera do Sol

Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory
Parker Solar Probe

Semanas depois de a sonda solar Parker da NASA ter completado a viagem mais próxima do Sol de toda a história, os dados desse voo começam a chegar à Terra, revelando a primeira fotografia da atmosfera do Sol.

A sonda fez o seu primeiro sobrevoo ao Sol entre 31 de Outubro e 11 de Novembro, dias em que atravessou a alta velocidade a parte mais externa da atmosfera solar, conhecida como a coroa solar. Através do seu dispositivo WISPR, a sonda Parker fotografou a partir do interior essa camada gasosa carregada de partículas de vento solar.

A agência espacial norte-americana revelou a fotografia no passado dia 12.

A fotografia acima publicada foi capturada no passado dia 8 de Novembro, e mostra uma espécie de “serpentina”, uma estrutura de material solar que geral cobre as áreas de maior actividade. a sua estrutura aparece claramente, evidenciando de forma clara pelo menos dois raios visíveis. Tal como nota a NASA, estes são dados nunca antes vistos.

Quando registou esta imagem, a Parker estava a aproximadamente 27,2 milhões de quilómetros da superfície do Sol. O objecto brilhante que aparece na parte central é Júpiter – o maior planeta do Sistema Solar – já os pontos escuros são resultados de uma correcção no fundo da fotografia.

A missão desta sonda, que fará a sua segunda passagem à voltado Sol em abril do próximo ano, durará até 2025. Nos próximos anos, a sonda deve completar 24 órbitas em torno do Sol aproximando-se a cerca de 3,8 milhões de quilómetros da sua superfície.

A NASA espera ajudar a resolver alguns mistérios sobre a atmosfera da nossa estrela, como o facto da sua atmosfera externa aquecer cerca de 300 vezes mais do que a sua superfície e o vento solar atingir velocidades tão elevadas.

A sonda da missão Parker Solar Probe foi o primeiro engenho feito pelo Homem a entrar na atmosfera do Sol, atingindo o recorde da maior aproximação ao astro. A Parker foi lançada no dia 13 de Agosto a partir de Cabo Canaveral, no estado norte-americano Florida.

ZAP // RT / Sputnik News

Por ZAP
17 Dezembro, 2018

 

1417: Câmara da NASA revela tempestades gigantes em Júpiter

As imagens estão a ser captadas pela JunoCam

Foto NASA / SWRI / MSSS / GERALD EICHSTÄDT / SEÁN DORAN

Foto NASA / SWRI / MSSS / GERALD EICHSTÄDT / SEÁN DORAN

Detalhe de uma das tempestades de Júpiter
Foto Image copyrightMARSEC

A missão Juno da agência espacial norte americana NASA está a revelar novas imagens de ciclones em Júpiter, que estão a contribuir para aumentar o conhecimento cientifico sobre a composição e a formação do planeta que orbita a cada 53 dias.

As imagens estão a ser captadas pela JunoCam, câmara enviada na missão Juno com o objectivo de obter as melhores imagens das regiões polares de Júpiter.

“Quando passámos pela primeira vez para lá dos pólos, soubemos que estávamos a ver um território em Júpiter que nunca tínhamos visto antes”, explica a professora Candice Hansen, do Instituto da Ciência Planetário, no Arizona, responsável pelo projecto JunoCam, citada pela BBC. “O que não esperávamos era que pudéssemos ver ciclones em forma de polígonos, enormes tempestades – o dobro do tamanho do Texas”, acrescenta.

Diário de Notícias
13 Dezembro 2018 — 18:51

 

1414: Recém-chegada Osiris-Rex já descobriu água no asteróide Bennu

Este mosaico do asteróide Bennu é composto por 12 imagens da Polycam recolhidas no dia 2 de Dezembro pela sonda OSIRIS-REx a 24 km.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Dados recentemente analisados da missão OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) da NASA revelaram água em argilas que compõem o seu alvo científico, o asteróide Bennu.

Durante a fase de aproximação da missão, entre meados de Agosto e o início de Dezembro, a sonda viajou 2,2 milhões de quilómetros na sua jornada da Terra para alcançar uma posição a 19 km de Bennu no dia 3 de Dezembro. Durante esse tempo, a equipa de cientistas na Terra apontou três dos instrumentos da nave para Bennu e começou a fazer as primeiras observações científicas do asteróide. A OSIRIS-REx é a primeira missão da NASA de retorno de amostras de um asteróide.

Dados obtidos a partir de dois espectrómetros da sonda, o OVIRS (OSIRIS-REx Visible and Infrared Spectrometer) e o OTES (OSIRIS-REx Thermal Emission Spectrometer), revelaram a presença de moléculas que contêm átomos de oxigénio e hidrogénio ligados, conhecidos como “hidroxilos”. A equipa suspeita que estes grupos hidroxilos existam globalmente no asteróide em minerais argilosos, o que significa que, em algum momento, o material rochoso de Bennu interagiu com água. Embora o próprio Bennu seja pequeno demais para abrigar água líquida, a descoberta indica que a água líquida estava presente num determinado ponto da história do corpo parente de Bennu, um asteróide muito maior.

“A presença de minerais hidratados no asteróide confirma que Bennu, um remanescente do início da formação do Sistema Solar, é um exemplo excelente para a missão OSIRIS-REx estudar a composição de voláteis e materiais orgânicos primitivos,” afirma Amy Simon, cientista do instrumento OVIRS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Quando as amostras deste material chegarem à Terra em 2023, os cientistas receberão um tesouro de novas informações sobre a história e evolução do nosso Sistema Solar.”

Além disso, os dados obtidos pela OCAMS (OSIRIS-REx Camera Suite) corroboram as observações telescópicas terrestre de Bennu e confirmam o modelo original desenvolvido em 2013 pelo chefe da equipa científica da OSIRIS-REx, Michael Nolan, e colaboradores. Esse modelo previu com bastante precisão a forma real do asteróide: o diâmetro de Bennu, a rotação, a inclinação e a forma geral são quase como modelados.

Um “outlier” do modelo previsto da forma é o tamanho da grande rocha perto do pólo sul de Bennu. O modelo, desenvolvido com base em observações terrestres, calculou que a rocha teria pelo menos 10 metros de altura. Os cálculos preliminares das observações da OCAMS mostram que o pedregulho está mais próximo dos 50 metros de altura, com uma largura de aproximadamente 55 metros.

O material à superfície de Bennu é uma mistura de regiões muito rochosas, cheias de pedregulhos e algumas regiões relativamente planas que não têm pedregulhos. No entanto, a quantidade de pedras à superfície é maior do que o esperado. A equipa fará observações adicionais a distâncias menores para avaliar com mais precisão o local onde poderá ser obtida a amostra para envio posterior para a Terra.

“Os nossos dados iniciais mostram que a equipa escolheu o asteróide correto como alvo da missão OSIRIS-REx. Ainda não descobrimos nenhum problema insuperável em Bennu,” comenta Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson. “A sonda está bem de saúde e os instrumentos científicos estão a funcionar melhor do que o necessário. Agora é hora da nossa aventura começar.”

A missão está actualmente a realizar um levantamento preliminar do asteróide, fazendo com que a sonda passe pelo pólo norte, equador e pólo sul de Bennu a distâncias de até 7 km para melhor determinar a massa do asteróide. Os cientistas e engenheiros da missão têm que conhecer a massa do asteróide a fim de projectar a inserção da nave em órbita porque a massa afecta a atracção gravitacional do objecto. A determinação da massa de Bennu também ajudará a equipa científica a compreender a estrutura e composição do asteróide.

O levantamento também fornece a primeira oportunidade para o OLA (OSIRIS-REx Laser Altimeter), um instrumento fornecido pela Agência Espacial Canadiana, fazer observações, agora que a sonda está perto de Bennu.

A primeira inserção orbital da sonda está programada para dia 31 de Dezembro e a OSIRIS-REx permanecerá em órbita até meados de Fevereiro de 2019, quando sair para dar início a outra série de “flybys” para a próxima fase do levantamento. Durante a primeira fase orbital, a nave orbitará o asteróide a uma distância de 1,4-2 km do centro de Bennu – estabelecendo novos recordes para o corpo mais pequeno já orbitado por uma nave e a órbita mais próxima de um corpo planetário por qualquer sonda.

Astronomia On-line
14 de Dezembro de 2018

 

1408: Descoberta água em asteróide Bennu, um dos mais próximos da Terra

NASA’s Goddard Space Flight Center
Sonda OSIRIS-REx

A sonda OSIRIS-REx, que se encontra a orbitar em volta do Bennu, descobriu a presença de água neste asteróide primitivo composto pelas mesmas moléculas que deram origem à vida na Terra, informou a NASA.

“A informação recentemente analisada proveniente da missão OSIRIS-REx revelou a presença de água na argila que forma o seu objectivo científico, o asteróide Bennu”, refere a NASA em comunicado.

Esta informação foi obtida através de dois espectrómetros com os quais a sonda está equipada. “Uma vez que o Bennu é demasiado pequeno para ter água, esta descoberta indica que, em algum momento, se deu a presença deste líquido em algum corpo paralelo, seguramente um asteróide muito maior“, salienta a agência espacial norte-americana.

No dia 3 de Dezembro a NASA anunciou que a OSIRIS-Rex tinha completado a primeira fase da sua missão, que era alcançar a órbita do asteróide e, a partir de agora, vai acompanhar o Bennu como seu satélite.

“Quando as amostras desta missão chegarem à Terra em 2023, os cientistas recebem um tesouro oculto de novas informações sobre a história e evolução do nosso sistema solar”, afirmou Amy Simon, responsável pela execução da missão e cientista da NASA.

Esta é a primeira missão da NASA que visa estudar e recolher uma amostra de um asteróide, neste caso um dos mais próximos da Terra e o corpo celeste mais pequeno alguma vez orbitado de tão perto por uma sonda.

Descoberto em 1999, Bennu é conhecido por ser rico em carbono, um composto básico da vida tal como se conhece.

Durante um ano, a OSIRIS-REx vai estudar o corpo rochoso, sem aterrar nele, com o propósito de seleccionar um local seguro e cientificamente interessante para recolher em 2020, com o auxílio de um braço robótico, um fragmento de rocha que será enviado para análise na Terra, onde a sonda deverá regressar em 2023.

ZAP // Lusa

Por ZAP
12 Dezembro, 2018

 

1407: Voyager 2 entra no espaço interestelar

Esta ilustração mostra a posição das sondas Voyager 1 e Voyager 2 da NASA, para lá da heliosfera, uma bolha protectora criada pelo Sol que se estende bem para lá da órbita de Plutão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Pela segunda vez na história, um objecto feito pelo homem alcançou o espaço entre as estrelas. A sonda Voyager 2 da NASA saiu da heliosfera – a bolha protectora de partículas e campos magnéticos criada pelo Sol.

Através da comparação de dados de diferentes instrumentos a bordo da pioneira sonda espacial, os cientistas da missão determinaram que atravessou a orla externa de heliosfera no dia 5 de Novembro. Esta fronteira, chamada heliopausa, é onde o ténue e quente vento solar encontra o frio e denso meio interestelar. A sua gémea, a Voyager 1, cruzou este limite em 2012, mas a Voyager 2 transporta um instrumento ainda em funcionamento que fornecerá as primeiras observações do seu tipo sobre a natureza dessa porta de entrada no espaço interestelar.

A Voyager 2 está agora a pouco mais de 18 mil milhões de quilómetros da Terra. Os operadores da missão ainda podem comunicar com a Voyager 2 enquanto entra nesta nova fase da sua viagem, mas a informação – que se move à velocidade da luz – leva cerca de 16,5 horas para viajar da nave até à Terra. Em comparação, a luz do Sol demora aproximadamente 8 minutos para chegar à Terra.

A evidência mais convincente da saída da heliosfera pela Voyager 2 vem do instrumento PLS (Plasma Science Experiment), que parou de funcionar na Voyager 1 em 1980, muito antes da sonda atravessar a heliopausa. Até recentemente, o espaço em redor da Voyager 2 era preenchido predominantemente com plasma que fluía do nosso Sol. Este fluxo, chamado vento solar, cria uma bolha – a heliosfera – que envolve os planetas no nosso Sistema Solar. O PLS usa a corrente eléctrica do plasma para detectar a velocidade, densidade, temperatura, pressão e fluxo do vento solar. O PLS a bordo da Voyager 2 observou um declínio acentuado na velocidade das partículas do vento solar no dia 5 de Novembro. Desde essa data, o instrumento de plasma não observou nenhum fluxo de vento solar no ambiente em redor da Voyager 2, o que dá confiança aos cientistas da missão de que a sonda deixou a heliosfera.

“Trabalhar na missão Voyager faz-me sentir como um explorador, porque tudo o que vemos é novo,” comenta John Richardson, investigador principal do instrumento PLS e cientista principal do MIT em Cambridge, no estado norte-americano de Massachusetts. “Embora a Voyager 1 tenha atravessado a heliopausa em 2012, fê-lo num local diferente e numa altura diferente, e sem dados do seu PLS. De modo que estamos a ver coisas que nunca ninguém viu antes.”

Além dos dados de plasma, os membros da equipa científica da Voyager viram evidências de outros três instrumentos a bordo – o subsistema de raios cósmicos, o instrumento de partículas carregadas de baixa energia e o magnetómetro – consistentes com a conclusão de que a Voyager 2 passou para lá da heliopausa. Os membros da equipa da Voyager estão ansiosos por continuar a estudar os dados destes instrumentos a bordo a fim de obter uma imagem mais clara do ambiente pelo qual a Voyager 2 está a viajar.

“Ainda há muito para aprender sobre a região do espaço interestelar imediatamente para lá da heliopausa,” comenta Ed Stone, cientista do projecto Voyager do Caltech em Pasadena, Califórnia.

Juntas, as duas Voyager fornecem um vislumbre detalhado de como a nossa heliosfera interage com o constante vento interestelar que flui de fora do Sistema Solar. As suas observações complementam dados do IBEX (Interstellar Boundary Explorer) da NASA, uma missão que está a detectar remotamente essa fronteira. A NASA também está a preparar uma missão adicional – IMAP (Interstellar Mapping and Acceleration Probe), com lançamento previsto para 2024 – com o objectivo de capitalizar as observações das Voyager.

“A Voyager tem um lugar muito especial na nossa frota heliofísica,” comenta Nicola Fox, director da Divisão de Heliofísica na sede da NASA. “Os nossos estudos começam no Sol e estendem-se a tudo o que o vento solar toca. O envio de informações, pelas Voyager, sobre o limite da influência do Sol dá-nos um vislumbre sem precedentes de um território verdadeiramente inexplorado.”

Embora as sondas já tenham deixado a heliosfera, a Voyager 1 e a Voyager 2 ainda não deixaram o Sistema Solar, e não vão sair tão cedo. Pensa-se que o limite do Sistema Solar alcance para lá da orla externa da Nuvem de Oort, uma colecção de objectos pequenos ainda sob a influência da gravidade do Sol. A largura da Nuvem de Oort não é conhecida com precisão, mas estima-se que comece a mais ou menos 1000 UA (Unidades Astronómicas) do Sol e se estenda a cerca de 100.000 UA. Uma Unidade Astronómica é a distância do Sol à Terra. A Voyager 2 levará cerca de 300 anos para alcançar o limite interno da Nuvem de Oort e possivelmente 30.000 anos para a cruzar.

As sondas Voyager são alimentadas usando o calor do decaimento de material radioactivo, contido num dispositivo chamado gerador térmico de radioisótopos. A energia destes dispositivos diminui cerca de 4 watts por ano, o que significa que várias partes das Voyager, incluindo as câmaras em ambas as sondas, foram desligadas ao longo do tempo a fim de conservar energia.

“Acho que estamos todos felizes e aliviados que as Voyager operem o tempo suficiente para superar este marco,” comenta Suzanne Dodd, gerente do projecto Voyager no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. “É por isto que todos esperávamos. Estamos agora ansiosos por aprender mais com as duas sondas fora da heliopausa.”

A Voyager 2 foi lançada em 1977, 16 dias antes da Voyager 1, e ambas viajaram muito além dos seus destinos originais. As naves foram construídas para durar cinco anos e para realizar estudar detalhados de Júpiter e Saturno. No entanto, à medida que a missão progredia, tornaram-se possíveis “flybys” adicionais pelos dois gigantes gasosos mais distantes, Úrano e Neptuno. À medida que a sonda viajava através do Sistema Solar, foi usada reprogramação por controlo remoto para dotar as Voyager de maiores capacidades do que possuíam quando deixaram a Terra. A sua missão bi-planetária tornou-se uma missão tetra-planetária. Os cinco anos de esperança de vida estenderam-se a 41 anos, fazendo da Voyager 2 a missão mais longa da NASA.

A história das Voyager não só teve impacto nas gerações de cientistas e engenheiros, actuais e futuros, mas também na cultura da Terra, incluindo no cinema, na arte e na música. Cada sonda transporta um Disco Dourado de sons, imagens e mensagens da Terra. Tendo em conta que as naves podem sobreviver durante milhares de milhões de anos, estas cápsulas do tempo podem, um dia, ser os únicos vestígios da civilização humana.

Astronomia On-line
11 de Dezembro de 2018

 

1403: O maior puzzle do Mundo é uma ilha congelada na Rússia

CIÊNCIA

Lauren Dauphin/ NASA

Localizado entre o Oceano Árctico e os mares gelados do norte da Sibéria, o aglomerado de rochas, conhecidas como as Ilhas da Nova Sibéria, é frio e remoto.

As ilhas são uma tela quase desabitada coberta de neve, durante aproximadamente três quartos do ano. Mas, vistas do céu, como na imagem de satélite divulgada pela NASA a 1 de Dezembro, as ilhas parecem completamente diferentes.

Na foto captada pelo satélite Landsat 8, as Ilhas Anzhu – um subconjunto das Ilhas da Nova Sibéria – estão rodeadas por um mar, que parece um puzzle de gelo gigante. Segundo a NASA, não é incomum que o gelo se agarre a estas ilhas geladas durante todo o ano, embora “a aparência do gelo possa mudar diariamente, alterada por correntes, ventos e ciclos sazonais de congelamento e derretimento”.

Quando as temperaturas acima do congelamento de verão libertam brevemente as ilhas da sua cobertura regular de neve, surgem mosaicos de gelo como o captado em Junho de 2016. Algumas semanas antes da imagem, a mesma paisagem teria sido completamente branca. Alguns meses depois, a neve voltaria novamente para outro longo inverno árctico.

As águas mostradas na imagem são relativamente rasas e contêm gelo durante a maior parte do ano. A separação rápida é aparente, geralmente, a partir de Junho. Em Setembro, o gelo do mar derrete a um ponto que torna o acesso humano cada vez mais viável, especialmente para a rota de navegação através do Estreito de Sannikov.

O Landsat 8 foi lançado em 2013 em uma colaboração entre a NASA e o US Geological Survey. Segundo a NASA, o satélite capta toda a Terra a cada 16 dias.

ZAP // Live Science

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

 

1397: Sonda da NASA captou o som do vento em Marte. Já ouviu?

A InSight aterrou no Planeta Vermelho a 26 de Novembro e tem como missão estudar o interior de Marte.

Um dos painéis solares da sonda
© NASA/JPL-Caltech/REUTERS

São os primeiros “sons” dos ventos de Marte ouvidos na Terra. Os sensores da sonda InSight, que aterrou no Planeta Vermelho a 26 de Novembro, registaram a 1 de Dezembro o murmúrio causado pelas vibrações do vento, que a NASA estima soprasse a 5 ou 7 metros por segundo, de noroeste para sudoeste.

“Captar este áudio foi um prazer não planeado”, disse Bruce Banert, o principal investigador da InSight no Jet Propulsion Laboratory, em Pasadena, citado no comunicado de imprensa da NASA. “Mas um dos aspectos da nossa missão é dedicado a medir o movimento em Marte e, naturalmente, isso inclui o movimento causado por ondas sonoras”, referiu.

O som original (a NASA recomenda que use um sub-woofer ou auriculares para conseguir ouvi-lo).

Nesta segunda versão, duas oitavas acima, o som torna-se mais audível.

De acordo com a NASA, dois sensores detectaram as vibrações do vento na InSight: um sensor de pressão do ar no interior da sonda e um sismómetro que está na parte de cima. Ambos gravam o som do vento de diferentes formas. O primeiro directamente, o segundo captando as vibrações causadas pelo vento a mover-se pelos painéis solares (cada um mede 2,2 metros de diâmetro).

O sismógrafo será colocado dentro de algumas semanas directamente na superfície de Marte e coberto por um escudo para o proteger do vento, deixando de “ouvir” o vento. Conseguirá detectar o movimento da sonda, através do solo do planeta, assim como outras vibrações, que permitirão perceber melhor o que se esconde debaixo da superfície.

A missão InSight, que deve durar dois anos, pretende dar respostas sobre a evolução da formação dos planetas rochosos do Sistema Solar, incluindo a Terra, ao estudar o tamanho, a espessura e a densidade do núcleo, manto e crosta de Marte e a temperatura interior do planeta.

A sonda aterrou em Marte ao fim de uma viagem de seis meses e meio, representando o regresso à superfície de Marte depois de um interregno de seis anos, desde que a sonda Curiosity chegou à superfície do planeta em 2012.

Diário de Notícias
Susana Salvador
08 Dezembro 2018 — 20:29

 

1390: Combinação de telescópios revela mais de 100 exoplanetas

Tamanhos relativos, temperaturas e órbitas dos exoplanetas.
Crédito: John H. Livingston

Uma equipa internacional, incluindo investigadores da Universidade de Tóquio e do Centro de Astrobiologia dos Instituto Nacionais de Ciências Naturais, anunciou a descoberta de 60 planetas usando dados da missão K2 da NASA e da missão Gaia da ESA.

Em combinação com o seu anterior tesouro exoplanetário, anunciado no passado mês de Agosto, descobriram um total de 104 planetas, um recorde para o Japão. Entre os achados estão duas dúzias de planetas em sistemas multi-planetários, 18 planetas com menos de 2 vezes o tamanho da Terra e vários planetas de período ultra-curto, que orbitam as suas estrelas em menos de 24 horas.

A equipa realizou uma análise detalhada de 155 candidatos a planeta encontrados em dados do segundo ano de operações da missão K2, levando a um conjunto uniforme de disposições candidatas e parâmetros de sistema. Devido ao brilho das suas estrelas hospedeiras, muitos destes planetas apresentam oportunidades para caracterização detalhada a fim de sondar as suas composições e atmosferas.

Este novo trabalho combina o grande poder da fotometria de séries temporais com a astrometria precisa do Gaia, que é a medição das posições das estrelas no céu. Esta combinação de dados restringe fortemente as propriedades das estrelas hospedeiras e dos seus planetas, e só se tornou possível este ano com a segunda versão de dados da missão Gaia.

O anúncio deste novo lote de planetas segue as pisadas de outro estudo pelo mesmo autor principal, John Livingston, estudante da Universidade de Tóquio. O estudo anterior incluiu 44 planetas descobertos pelo K2, à época o maior tesouro exoplanetário já encontrado por investigadores no Japão.

“Nós quebrámos o nosso antigo recorde com este novo artigo científico,” afirma Livingston, “de modo que perfaz um total de 104 planetas com estes dois estudos.” A missão original do Kepler terminou em 2013, quando a segunda roda de reacção sofreu uma falha mecânica. Isto levou ao início de uma missão estendida, conhecida como K2, na qual o mesmo telescópio espacial podia continuar a encontrar planetas executando uma estratégia de observação diferente. A missão K2 chegou recentemente ao fim depois de ficar sem combustível, mas não sem antes de descobrir mais de 360 planetas.

“Ao extrapolar a nossa análise destes 155 candidatos, estimamos que, nos dados da missão K2, fiquem por confirmar centenas de planetas,” realça Livingston. No entanto, a maioria destes exigirá mais observações para determinar a sua verdadeira natureza.

O conjunto recém-anunciado de planetas contém duas dúzias de planetas em sistemas multi-planetários, bem como vários planetas de período ultra-curto, que estão muito próximos das suas estrelas; um ano nesses planetas é equivalente a menos de um dia aqui na Terra. Os planetas de período ultra-curto têm atraído atenção porque a sua formação é actualmente um mistério, já que a teoria prevê que os planetas deveriam formar-se longe das suas estrelas hospedeiras.

Um destes sistemas, conhecido como K2-187, contém um total de quatro planetas, um dos quais tem período ultra-curto. “Este sistema junta-se a uma lista crescente de planetas de período ultra-curto em sistemas multi-planetários, o que pode fornecer pistas importantes sobre a formação deste tipo de exoplaneta,” explica Livingston. Os interessados na busca por planetas pequenos não ficarão desapontados: “18 dos 60 planetas têm menos de 2 vezes o tamanho da Terra e têm provavelmente composições rochosas com pouca ou nenhuma atmosfera,” acrescenta Livingston.

A equipa também descobriu que 18 dos 155 candidatos a planeta são na realidade falsos positivos, onde estrelas binárias eclipsantes produzem sinais parecidos aos produzidos por planetas em trânsito.

Além dos dados do K2 e do Gaia, a equipa caracterizou as estrelas hospedeiras recolhendo imagens através de ópticas adaptativas de alta resolução e interferometria, bem como espectros de alta resolução. A óptica adaptativa é uma técnica usada para corrigir distorções provocadas pela atmosfera, usando um espelho deformável que ajusta rapidamente a sua forma para produzir uma imagem muito nítida. A interferometria é uma técnica usada para superar as mesmas distorções, mas sem a utilização de um espelho deformável; ao invés, é captada uma sequência de imagens de exposição muito curta, efectivamente congelando o padrão de distorção atmosférica. Posteriormente, sofisticados algoritmos de processamento de imagem transformam a sequência numa única imagem com uma resolução tão alta como se não existisse atmosfera. “Com as nossas imagens de alta resolução podemos procurar outras estrelas muito próximas das estrelas hospedeiras e, com os nossos espectros, podemos até olhar para mais longe,” realça Livingston. Tais métodos observacionais desempenham um papel importante na validação de novos planetas, e os esforços contínuos vão levar ao anúncio de mais planetas no futuro.

Embora a NASA já tenha retirado oficialmente a nave Kepler, terminando assim a missão K2, a tarefa passou para uma nova missão chamada TESS, que já produziu as suas primeiras descobertas planetárias. “O futuro parece promissor para os planetas em trânsito,” diz Livingston. “Com o TESS já em funcionamento e o Telescópio Espacial James Webb ao virar da esquina, podemos esperar muitas novas e emocionantes descobertas nos próximos anos.”

O novo estudo foi publicado na revista The Astronomical Journal no dia 26 de Novembro de 2018.

Astronomia On-line
7 de Dezembro de 2018

 

1379: Cientista da NASA defende que a Terra já pode ter sido visitada por extraterrestres

CIÊNCIA

Wendy Stenzel. Daniel Rutter / NASA
O telescópio espacial Kepler, da NASA

Um cientista da NASA defende que a vida inteligente alienígena pode não ter nada a ver com aquilo que conhecemos e que, portanto, os extraterrestres já podem ter visitado a Terra.

O professor Silvano P. Colombano, cientista computacional no Centro de Investigação Ames da NASA, destaca num relatório publicado pela Agência Espacial Norte-americana, que a vida extraterrestre pode não precisar dos mesmos elementos que os humanos para sobreviver.

“A inteligência que poderemos encontrar e que pode escolher encontrar-nos (se já não o fez) pode não ser de todo produzida por organismos baseados em carbono como nós”, sublinha Colombano.

Assim, “as nossas típicas durações de vida não seriam uma limitação” e “o tamanho do ‘explorador’ pode ser o de uma entidade super-inteligente extremamente minúscula”, acrescenta.

Colombano refere ainda que os extraterrestres podem usar tecnologia que é incompreensível para os humanos e que poderão eventualmente realizar viagens interestelares facilmente, pelo que podem já ter aterrado na Terra.

O cientista da NASA propõe, assim, uma abordagem mais “agressiva” em futuras missões de exploração espacial, salientando que é preciso envolver os físicos no que se pode chamar de “física especulativa” que tem por base as “mais sólidas teorias” que conhecemos, mas que admite “alguma vontade de esticar possibilidades quanto à natureza do espaço-tempo e da energia”.

Colombano também recomenda à NASA que envolva especialistas em “explorações futuristas sobre como a tecnologia pode evoluir, especialmente com Inteligência Artificial, Sistemas de Robótica Evolutiva e simbiose de biologia com máquinas”.

Além disso, aconselha a “envolver sociólogos na especulação sobre que tipos de sociedades poderemos esperar dos desenvolvimentos referidos, e se e como poderão escolher comunicar”.

Ideias que o professor defende como forma de nos levar a adoptar “um novo conjunto de suposições sobre que formas de inteligência e tecnologia maiores poderemos encontrar”, o ponto de partida que ele considera essencial para “começar alguma investigação séria” sobre a procura de vida extraterrestre.

Colombano também nota que nem todos os visionamentos de OVNIs podem ser “explicados ou negados” e apela a que se considerem estes fenómenos como dignos de estudo, de modo a “desafiar algumas das nossas suposições” e apontando para “novas possibilidades para comunicação e descoberta”.

SV, ZAP //

Por SV
5 Dezembro, 2018

 

1373: Hubble encontra milhares de enxames globulares espalhados entre galáxias

Mosaico do gigantesco enxame de Coma, que tem mais de 1000 galáxias, localizado a 300 milhões de anos-luz da Terra. A incrível nitidez do Hubble foi usada para fazer um censo compreensivo dos mais pequenos membros do enxame: 22.426 enxames globulares.
Crédito: NASA, ESA, J. Mack (STScI) e J. Madrid (ATNF)

Olhando através de 300 milhões de anos-luz para uma cidade monstruosa de galáxias, os astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA para fazer um censo abrangente de alguns dos seus membros mais pequenos: 22.426 enxames globulares encontrados até à data.

O levantamento, publicado na edição de 9 de Novembro da revista The Astrophysical Journal, permitirá aos astrónomos usar o campo de enxames globulares para mapear a distribuição de matéria e matéria escura no enxame galáctico de Coma, que contém mais de 1000 galáxias.

Dado que os enxames globulares são muito mais pequenos que galáxias inteiras – e muito mais abundantes – são um muito melhor indício de como a estrutura do espaço é distorcida pela gravidade do enxame de Coma. De facto, o enxame de Coma é um dos primeiros lugares onde as anomalias gravitacionais observadas foram consideradas indicativas de uma grande quantidade de massa invisível no Universo – que depois seria chamada de “matéria escura”.

Entre os primeiros “lares” do Universo, os enxames globulares são “ilhas” em forma de globo de neve com várias centenas de milhares de estrelas antigas. São parte integrante do nascimento e crescimento de uma galáxia. Existem cerca de 150 na nossa Galáxia e, dado que contêm as estrelas mais antigas conhecidas do Universo, estavam presentes nos primeiros anos de formação da Via Láctea.

Alguns dos enxames globulares da Via Láctea são visíveis a olho nu como “estrelas” de aparência difusa. Mas, à distância do enxame de Coma, os seus enxames globulares aparecem como pontos de luz até mesmo para a visão super-nítida do Hubble. O levantamento encontrou os enxames globulares espalhados no espaço entre as galáxias. Ficaram órfãos das suas galáxias hospedeiras devido a colisões galácticas no interior deste denso aglomerado de galáxias. O Hubble revelou que alguns dos enxames globulares alinham-se como padrões semelhantes a pontes. Esta é uma evidência reveladora de interacções entre as galáxias, onde se puxam gravitacionalmente umas às outras.

O astrónomo Juan Madrid do ATNF (Australian Telescope National Facility) em Sydney, Austrália, pensou sobre a distribuição dos enxames globulares em Coma quando examinava imagens do Hubble que mostravam enxames globulares que se estendiam até à orla de qualquer fotografia de galáxias no aglomerado galáctico de Coma.

Ele estava ansioso por obter mais dados de um dos levantamentos do legado Hubble que foi projectado para recolher dados de todo o enxame de Coma, de nome “Coma Cluster Treasury Survey”. No entanto, a meio do programa, em 2006, o poderoso instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble teve uma falha electrónica (O ACS foi posteriormente reparado por astronautas durante uma missão de manutenção do Hubble em 2009).

Para preencher as lacunas do levantamento, Madrid e a sua equipa obtiveram arduamente várias imagens do enxame galáctico, pelo Hubble, a partir de diferentes programas de observação do telescópio espacial. Estas são armazenadas no Arquivo Mikulski do STScI (Space Telescope Science Institute) para Telescópios Espaciais em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. Ele compôs um mosaico da região central do enxame, trabalhando com alunos do programa estudantil do NSF (National Science Foundation). “Este programa dá uma oportunidade aos alunos universitários, com pouca ou nenhuma experiência em astronomia, de ganhar experiência no campo,” comenta Madrid.

A equipa desenvolveu algoritmos para filtrar as imagens do mosaico Coma que tivessem pelo menos 100.000 fontes potenciais. O programa usou a cor dos enxames globulares (dominados pelo brilho das estrelas vermelhas envelhecidas) e a forma esférica para eliminar objectos estranhos – principalmente galáxias de fundo não associadas com o enxame de Coma.

Embora o Hubble tenha excelentes detectores com sensibilidade e resolução inigualáveis, a sua principal desvantagem é que têm campos de visão minúsculos. “Um dos aspectos mais interessante da nossa investigação é que mostra a incrível ciência que será possível com o planeado WFIRST (Wide Field Infrared Survey Telescope) da NASA, que terá um campo de visão muito maior que o Hubble,” comenta Madrid. “Seremos capazes de visualizar enxames galácticos inteiros de uma só vez.”

Astronomia On-line
4 de Dezembro de 2018

 

1365: A OSIRIS-Rex chega esta segunda ao asteróide Bennu para recolher uma amostra

NASA’s Goddard Space Flight Center
Sonda OSIRIS-Rex

Depois de vários meses a viajar pelo espaço, a sonda espacial da NASA está quase a chegar ao asteróide Bennu. A derradeira missão da sonda vai começar na próxima segunda-feira, dia 3 de Dezembro.

A agência espacial norte-americana NASA prepara a chegada na segunda-feira de uma sonda ao asteróide Bennu, do qual será enviada uma amostra para Terra na expectativa de dar novas pistas sobre a origem do Sistema Solar.

Esta é a primeira missão da NASA que visa estudar e recolher uma amostra de um asteróide, neste caso um dos mais próximos da Terra e o corpo celeste mais pequeno alguma vez orbitado de tão perto por uma sonda, de acordo com a agência espacial.

A sonda OSIRIS-REx foi lançada em Setembro de 2016 e tem-se aproximado lentamente do asteróide, do qual estava a 49 quilómetros de distância esta sexta-feira. Na próxima segunda-feira, dia 3 de Dezembro, a sonda vai começar a operar em torno de Bennu, conhecido por ser rico em carbono, um composto básico da vida tal como se conhece.

Durante um ano, o aparelho vai estudar o corpo rochoso, sem aterrar nele, com o propósito de seleccionar um local seguro e cientificamente interessante para recolher em 2020, com o auxílio de um braço robótico, um fragmento de rocha que será enviado para análise na Terra, onde a sonda deverá regressar em 2023.

O braço robótico, que tem pouco mais de três metros de comprimento, irá tocar a superfície do asteróide durante cerca de cinco segundos.

Nesse tempo, será provocada uma explosão de gás nitrogénio (azoto) que causará oscilações na superfície, permitindo a recolha de fragmentos de rocha. Ao todo, só poderão ser feitas três tentativas de recolha de amostras.

O pedaço de asteróide aterrará na Terra numa cápsula que irá separar-se da sonda e está equipada com um escudo térmico e um para-quedas.

A missão irá ajudar os cientistas a compreenderem melhor como os planetas do Sistema Solar se formaram e como a vida começou na Terra. Asteróides como o Bennu contêm recursos naturais como água, compostos orgânicos e metais.

O encontro da OSIRIS-REx com Bennu será transmitido em directo pelo canal televisivo da NASA.

ZAP // Lusa

Por Lusa
2 Dezembro, 2018