2340: Erupção do super-vulcão de Nápoles pode criar um tsunami com 30 metros de altura

CIÊNCIA

Marta Isabella Reina / Flickr

Uma erupção subaquática do super-vulcão de Nápoles, Campi Flegrei, pode produzir um tsunami de 30 metros de altura que poderia ter um impacto muito severo nas áreas costeiras populosas como Pozzuoli e Sorrento.

Ao modelar as erupções no alto mar no vulcão activo, que fica a oeste de Nápoles, os investigadores conseguiram mostrar que os tsunamis podem representar um risco para a região. Os geólogos acreditam que o Plano Nacional de Emergência para o Campi Flegrei deve ser actualizado.

Campi Flegrei é um complexo vulcânico composto por 24 crateras. Muitos deles estão debaixo de água, na baía de Pozzuoli. O vulcão entrou em erupção pela última vez em 1538 durante uma semana e levou à formação de um novo vulcão, o Monte Nuovo. Campi Flegrei está activo há 60 mil anos, tendo a caldeira formado-se durante duas grandes erupções explosivas.

Vários estudos recentes indicaram que estão a ocorrer mudanças no sistema. Num deles, os investigadores descobriram que o magma parece estar a construir-se sob o sistema vulcânico, sugerindo que Campi Flegrei está a entrar num novo ciclo de caldeira. Esta nova fase poderia “em algum ponto indeterminado no futuro” culminar numa “grande erupção de volume”.

Noutro relatório, os cientistas analisaram a deformação do solo ocorrida na região desde a década de 1950, descobrindo que o vulcão tem construído energia ao longo desse período, indicando que está “a evoluir para condições mais favoráveis ​​à erupção“.

Por causa do risco que o Campi Flegrei representa – cerca de 500 mil pessoas vivem na “zona vermelha” do vulcão – o governo italiano tem um Plano Nacional de Emergência para o caso de uma erupção. Este plano, no entanto, não inclui o evento de uma erupção subaquática.

“Há vários altos riscos associados a esta actividade vulcânica, incluindo grandes explosões que destruiriam a paisagem e emitiriam cinzas na atmosfera, um denso fluxo piroclástico de gás quente, cinza e outros materiais vulcânicos que são ejectados na atmosfera durante uma erupção”, disse Martina Ulvrova, do Instituto de Geofísica da ETH de Zurique à Newsweek.

Ulvrova acrescentou que, embora o plano de evacuação para uma erupção mais provável esteja bem estabelecido, um tsunami também pode representar um risco: “Não podemos negligenciá-lo e deve ser incluído nos mapas de perigo para a região”, disse.

Num estudo publicado no PLOS One, Ulvrova e os colegas produziram modelos que mostram os potenciais tsunamis produzidos por erupções de diferentes tamanhos em vários locais da Baía de Pozzuoli. De acordo com os testes, uma explosão formaria uma “cavidade semelhante à cratera na superfície da água”, com uma coluna de água a aparecer no centro. Quando a coluna entra em colapso, produziria uma segunda onda.

As descobertas sugerem que “existe um perigo significativo de tsunami em muitas áreas da Baía de Nápoles”, com o risco mais proeminente na baía de Pozzuoli.

Sob a maioria dos cenários de erupção, foram produzidos tsunamis que se espalharam e atingiram áreas povoadas. A maioria das regiões só seria afectada por ondas relativamente pequenas – com menos de nove metros de altura. As ondas demorariam cerca de 15 minutos para atravessar a baía de Nápoles.

No entanto, no pior cenário, as ondas com 30 metros podem atingir a costa. “”Isso impactaria em grande parte as áreas costeiras densamente povoadas da baía de Pozzuoli com uma infraestrutura densa, incluindo casas, rede ferroviária, restaurantes, edifícios históricos”, rematou Ulvrova.

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20 Julho, 2019

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1954: O super-vulcão de Nápoles espalhou cinza por todo o Mediterrâneo

CIÊNCIA

Marta Isabella Reina / Flickr

Uma erupção na super-caldeira dos Campos Flégreos, em Nápoles, originou, há 29.000 anos, uma camada de cinzas vulcânicas tão intensa que os sedimentos espalharam-se por todo o Mar Mediterrâneo, revelou um novo estudo.

A erupção da formação desta caldeira, há 40.000 anos, é considerada a maior erupção conhecida na Europa nos últimos 200 anos, recordam os autores na nova publicação, cujos resultados foram no fim de abril publicados na revista Geological Society of America.

Pouco ou nada se sabe das outras grandes erupções deste super-vulcão italiano antes da formação da sua caldeira mais recente, registada há 15.000 anos.

Na nova investigação, liderada por Paul Albert, da Universidade de Oxford, nos Estados Unidos, os cientistas estudaram uma erupção que data de há 29.000 anos. Os especialistas confirmaram que a erupção oriunda dos Campos Flégreos espalhou uma camada de cinzas vulcânicas por todo o Mediterrâneo, noticia a agência Europa Press.

A informação sobre as grandes erupções explosivas é estabelecida principalmente a partir de investigações geológicas dos depósitos expostos que são encontrados em torno do vulcão fonte, neste caso, no super-vulcão napolitano.

Desde o fim da década de 1970, uma camada de cinzas vulcânicas dispersa, com cerca de 29.000 anos, foi várias vezes identificada em sedimentos marinhos e lacustres em todo o Mediterrâneo, dando conta da ocorrência de uma erupção de grande magnitude.

Apesar da sua distribuição generalizada e a idade relativamente jovem, não se encontrou nenhuma evidência clara de que esta dispersão de cinzas estivesse associada a um dos grandes vulcões desta região de Itália – até então.

As análises químicas detalhadas levadas a cabo pela equipa de cientistas num depósito de erupção encontrado a cinco quilómetros a nordeste da caldeira dos Campos Flégreos revelou que o depósito é totalmente consistentes com a composição distintiva da camada de cinzas espessa.

Estes dados, comparados com a nova datação do depósito da erupção perto da fonte, confirmam que os Campos Flégreos são os responsáveis pela enorme camada de cinzas.

As restrições sobre o tamanho da erupção foram determinadas pela equipa a partir de modelos computorizados de dispersão de cinzas que integrava as espessuras dos depósitos de erupção de fonte próximos, neste estudo denominados de Masseria del Monte Tuff, bem como as cinzas encontradas em todo o Mediterrâneo.

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10 Maio, 2019

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1297: O super-vulcão de Nápoles pode ter iniciado o seu ciclo mortal de magma

CIÊNCIA

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Os cientistas dizem que o super-vulcão dos Campos Flégreos entrou numa nova fase

O super-vulcão dos Campos Flégreos, próximo da cidade italiana de Nápoles, tem dado indícios de que uma grande erupção pode ocorrer brevemente. De acordo com um novo estudo, o vulcão entrou num novo ciclo de magma, conhecido por preceder as mais devastadores erupções desta zona vulcânica.

Segundo alertaram em 2016 especialistas italianos e franceses, a caldeira vulcânica dos Campos Flégreos, em Nápoles, que poderá ter causado a extinção dos Neandertal, é uma bomba-relógio à espera de explodir na Europa, e pode acordar a qualquer momento.

Num novo estudo agora apresentado, uma equipa de cientistas italianos concluiu que na realidade o mortífero super-vulcão de Nápoles pode já ter iniciado o seu ciclo mortal de magma, que precede potenciais erupções.

“Pensamos que o sistema de encanamentos sub-vulcânicos dos Campos Flégreos está, actualmente, a entrar numa nova fase de construção, podendo potencialmente culminar, num indeterminado ponto no futuro, numa erupção de grande volume”, escreveram os autores no artigo esta semana publicado na Science Advances. 

As descobertas agora publicadas sugerem que super-vulcão dos Campos Flégreos, que se encontra adormecido há quase 500 anos, embarcou num novo ciclo de magma, podendo trazer consequências devastadoras no futuro. No entanto, importa frisar, no plano imediato não há qualquer perigo para os 1,5 milhões de pessoas que vivem na região.

Para chegar a esta conclusão, a equipa de cientistas, liderada pela vulcanologista italiana Francesca Forni, da Universidade Tecnológica de Nanyan, em Singapura, examinou as 23 erupções registadas na história deste super-vulcão.

A mais recente destas erupções, que se estendeu durante oito dias em meados de 1538, pode ter sido grande o suficiente para dar origem a uma nova montanha – apelidada de Monte Nuovo – mas, ainda assim, foi um fenómeno relativamente fraco no rol de todas as erupções nos Campos Flégreos.

Os dois eventos mais notáveis foram a erupção de Campanian Ignimbrite, há cerca de 39 mil anos, e a posterior Neapolitan Yellow Tuff, erupção ocorrida há cerca de 15 mil anos.

Ambas as erupções foram massivas, e prova disso mesmo são as enormes caldeiras que acabaram por formar. Campanian Ignimbrite, por exemplo, dispersou-se por 3,7 milhões de quilómetros quadrados.

Web Gallery of Art / Wikimedia
Os Campos Flégreos, na região de Nápoles, pintura de Michael Wutky, 1780

Novo ciclo de magma no Campi Flegrei

Os cientistas conduziram análises químicas a rochas, minerais e amostras de vidro oriundas das duas grandes erupções acima citadas e, partiram desses dois exemplos para perceber este novo ciclo super-vulcão dos Campos Flégreos. De acordo com o artigo, as condições do magma do vulcão podem estar a entrar novamente na fase de aumento de pressão, que precede potenciais erupções.

“Os nossos dados revelam que a erupção mais recente de Monte Nuovo é caracterizada por magmas altamente diferenciados semelhantes aos que alimentaram a actividade pré-caldeira e as fases iniciais das erupções que a formaram [Campanim Ignimbrite e NYT]”, explicaram os especialistas.

Tendo isto em conta, a equipa sugere que a erupção de Monte Nuovo “é a expressão de uma mudança de estado nas condições de armazenamento do magma através da qual quantidades substanciais de voláteis começam a dissolver-se no reservatório raso”.

Simplificando: o tipo de magma que o Monte Nuovo expeliu – saturado em água e gasoso, sendo também rico em CO2 –, já foi anteriormente visto no desenvolvimento vulcânico de Campi Flegrei, nas suas duas maiores erupções de Campanim Ignimbrite e NYT.

E, por isso, os cientistas acreditam que a mais recente erupção pode ser “sintoma” de que uma maior pode estar a chegar. Contudo, e mesmo uma enorme e destrutiva erupção venha acontecer, seria apenas daqui a muitas centenas (ou até) milhares de anos.

“O super-vulcão dos Campos Flégreos pode manter estas mesmas condições físicas e químicas durante muito tempo”, explicou o co-autor Gianfilippo De Astis, do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália, em declarações ao New York Times.

Por mais assustador que possa parecer, é importante realizar este tipo de estudos para perceber o comportamento e a evolução do magma, realinhando assim novas técnicas e ferramentas de compreensão.

“Entender o que está a derreter abaixo da superfície é muito importante para nos ajudar a prever os que os vulcões podem fazer no futuro”, explicou à The Verge a vulcanologista Janine Krippner, da Universidade de Concord, que não esteve envolvida na pesquisa.

“Estas erupções realmente massivas têm probabilidade extremamente baixas de ocorrer mas, se acontecer, precisamos de saber o máximo que conseguirmos”, rematou.

Uma ameaça muito maior que os asteróides

Cientistas da agência espacial norte-americana NASA afirmam que a ameaça da possível erupção de um super-vulcão é “substancialmente maior” do que a dos asteróides ou cometas, cuja probabilidade de colidir com o nosso planeta é bastante baixa.

Os 20 super vulcões conhecidos na Terra, entre os quais a caldeira do Parque Yellowstone, nos EUA, e a caldeira vulcânica dos Campos Flégreos, em Itália, explodem em gigantescas erupções de consequências catastróficas, em média, uma vez em cada 100.000 anos.

Estas erupções causam normalmente extinções em massa e lançam o planeta em Invernos vulcânicos que se prolongam por centenas ou milhares de anos – o que se torna um problema para as poucas criaturas que sobrevivem à erupção original.

Mas nem tudo está perdido, porque a NASA tem um plano para salvar a Terra – pelo menos, de uma eventual erupção do super-vulcão de Yellowstone.

ZAP // Live Science / National Geographic

Por ZAP
17 Novembro, 2018

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