2433: Descoberto buraco negro massivo com 40.000 milhões de vezes a massa do Sol

LIGO
Conceção artística da colisão de dois buracos negros

Um buraco negro massivo com 40.000 milhões de vezes a massa do Sol foi detectado no coração da galáxia elíptica Holmberg 15A, localizada a cerca de 700 milhões de anos-luz do nosso planeta.

O objecto, baptizado de Holm 15A *, é um dos maiores buracos negros até então conhecido, sendo também o maior entre os buracos negros descobertos após o rastreamento das estrelas à sua volta, escreve o portal Science Alert.

Com a descoberta, cujos resultados foram publicados em julho passado no portal arXiv.org, os autores corrigiram cálculos de outros astrofísicos que estimavam com base em observações indirectas a presença de um buraco negro com uma massa 310 maior do que a do Sol também na galáxia Holmberg 15A.

“Usamos modelos axisimétricos Schwarzschild baseados em órbitas para analisar a cinemática estelar de Holm 15A a partir de novas observações espectrais de alta resolução e campo amplo”, escreveram os cientistas no artigo, detalhando que os novos dados foram obtidos graças ao instrumento MUSE, instalado no telescópio Very Large Telescope), localizado no Chile. “Este é o buraco negro mais massivo [já descoberto] com detecção dinâmica directa no Universo local”, acrescentam.

De acordo com o mesmo modelo, o buraco negro está numa zona de fusão de galáxias do tipo primitivo. Contudo, os cientistas esperam levar a cabo novas investigações para terminar com precisão a forma com o corpo massivo se formou.

ZAP //

Por ZAP
12 Agosto, 2019

 

1911: Descobertos restos de uma explosão de uma estrela observada em 48 a.C

ESO / M. Kornmesser

Uma equipa europeia, em colaboração com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, descobriu os restos de uma explosão de hidrogénio, que ocorreu há cerca de dois mil anos, na superfície de uma estrela, foi esta semana anunciado.

Em comunicado, o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) adianta que a descoberta, aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics, ocorreu há cerca de dois mil anos “no exame globular de estrelas M22 (Messier 22)”, situado a 9.785 anos-luz da constelação de Sagitário.

A investigação, que descobriu um “remanescente de Nova” – uma explosão de hidrogénio que ocorre na superfície de uma estrela e que faz aumentar o seu brilho -, vem ao encontro dos registos “efectuadas por astrónomos chineses no ano 48 a.C.”.

“Esta descoberta (…) confirma uma das mais antigas observações que chegou aos dias de hoje, efectuada por astrónomos chineses em 48 a.C.”, assegura o instituto.

O IA refere que o enxame (aglomerados esféricos compostos por centenas de milhares de estrelas que orbitam fora da galáxia) foi observado pelo MUSE, um espectrógrafo que obtém um “espectro total de cada pixel do céu” e permite medir o brilho das estrelas em função da sua cor.

“O remanescente de Nova descoberto no enxame M22 (um dos 150 enxames globulares que orbita a Via Láctea) é uma nebulosa avermelhada de hidrogénio e outros gases, com um diâmetro de 8.000 unidades astronómicas. Mas apesar do tamanho, a nebulosa tem uma massa de apenas 30 vezes a da Terra”, aponta o instituto.

Citado no comunicado, Jarle Brinchman, investigador do IA e da Universidade do Porto, salienta que, tendo em conta que “a maioria dos eventos astronómicos têm durações demasiado longas”, é “excitante ter conseguido usar o inovador instrumento MUSE para encontrar os restos da explosão de uma estrela, da qual há registos históricos“.

Por sua vez, Fabian Göttgens, o primeiro autor do artigo, afirma que os instrumentos utilizados na investigação permitem confirmar “uma das mais antigas observações” que ocorreu fora do nosso Sistema Solar. “Esta observação permitiu-nos trazer escalas de tempo astronómicas para uma escala humana”, avança.

ZAP // Lusa

Por Lusa
1 Maio, 2019

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1262: ALMA E MUSE DETECTAM FONTE GALÁCTICA

Imagem composta do enxame de galáxias Abell 2597 onde podemos ver uma corrente de gás a jorrar como uma fonte, alimentada pelo buraco negro supermassivo situado na galáxia central. Os dados ALMA estão representados a amarelo e mostram gás frio. Os dados obtidos com o instrumento MUSE montado no VLT do ESO estão a vermelho e mostram gás de hidrogénio quente na mesma região. A cor azul-violeta corresponde ao gás quente ionizado extenso observado pelo Observatório de raios X Chandra.
Os dados ALMA mostram o material a cair no buraco negro e os dados MUSE mostram material a jorrar deste objeto.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Tremblay et al.; NRAO/AUI/NSF, B. Saxton; NASA/Chandra; ESO/VLT

Observações levadas a cabo pelo ALMA e dados obtidos pelo espectrógrafo MUSE montado no VLT do ESO revelaram uma enorme fonte de gás molecular alimentada por um buraco negro situado no coração da galáxia mais brilhante do enxame Abell 2597 — o ciclo galáctico completo de entrada e saída de material que alimenta esta vasta fonte cósmica nunca tinha sido antes observado num único sistema.

A uns meros mil milhões de anos-luz de distância da Terra, num enxame de galáxias próximo chamado Abell 2597, situa-se uma enorme fonte galáctica. Uma equipa de investigadores observou um buraco negro massivo localizado no coração de uma galáxia distante a lançar uma enorme quantidade de gás molecular frio para o espaço, o qual cai seguidamente no buraco negro tal qual um dilúvio intergaláctico. A entrada e saída de material de uma tal fonte cósmica tão vasta nunca tinha sido antes observada ao mesmo tempo, estando a ocorrer nos 100.000 anos-luz mais internos da galáxia mais brilhante do enxame Abell 2597.

“Este é possivelmente o primeiro sistema no qual encontramos evidências claras tanto de entrada de gás molecular no buraco negro como de saída ou lançamento através de jactos que o buraco negro possui,” explica Grant Tremblay do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e antigo bolseiro do ESO, que liderou este estudo. “O buraco negro super-massivo situado no centro desta galáxia gigante actua como uma bomba mecânica instalada na fonte.”

Tremblay e a sua equipa usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para determinar a posição e seguir o movimento de moléculas de monóxido de carbono no seio da nebulosa. Descobriu-se que estas moléculas frias, com temperaturas tão baixas como menos 250-260º C caem em direcção ao buraco negro. A equipa usou também dados do instrumento MUSE montado no VLT do ESO (Very Large Telescope) para encontrar gás mais quente — e que está a ser lançado pelo buraco negro sob a forma de jactos.

“O aspecto único deste trabalho é que se trata de uma análise muito detalhada da fonte usando dados tanto do ALMA como do MUSE,” explica Tremblay. “Estas duas infra-estruturas, quando combinadas, tornam-se incrivelmente poderosas.”

Estes dois conjuntos de dados dão-nos uma imagem completa do processo: o gás frio cai em direcção ao buraco negro, “acendendo” o buraco negro e fazendo com que este lance jactos de plasma incandescente muito rápidos para o espaço. Estes jactos saem, portanto, do buraco negro sob a forma de uma extraordinária fonte galáctica. Sem possibilidade de escapar da forma gravitacional galáctica, o plasma arrefece, abranda e eventualmente volta a cair no buraco negro, onde o ciclo recomeça.

Esta observação sem precedentes pode dar-nos muita informação sobre o ciclo de vida das galáxias. A equipa pressupõe que este processo pode ser, não apenas bastante comum, como também essencial para percebermos a formação galáctica. Apesar da entrada e saída de gás molecular frio terem sido já previamente detectadas, esta é a primeira vez que ambas são detectadas num só sistema, tratando-se por isso da primeira evidência de que ambas fazem parte do mesmo processo vasto.

Abell 2597 situa-se na constelação de Aquário e o seu nome provém da sua inclusão no catálogo de enxames de galáxias ricos de Abell. Este catálogo inclui ainda enxames como o enxame da Fornalha, o enxame de Hércules e o enxame de Pandora.

Astronomia On-line
9 de Novembro de 2018

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1093: UM UNIVERSO RESPLANDECENTE

Observações profundas levadas a cabo pelo espectrógrafo MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram enormes reservatórios cósmicos de hidrogénio atómico em torno de galáxias distantes. A extrema sensibilidade do MUSE permitiu a observação directa de nuvens ténues de hidrogénio brilhantes que emitem radiação de Lyman-alfa no Universo primordial – mostrando assim que quase todo o céu nocturno brilha de forma invisível.
Crédito: ESA/Hubble & NASA, ESO/ Lutz Wisotzki et al.

Observações profundas levadas a cabo pelo espectrógrafo MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram enormes reservatórios cósmicos de hidrogénio atómico em torno de galáxias distantes. A extrema sensibilidade do MUSE permitiu a observação directa de nuvens ténues de hidrogénio brilhantes que emitem radiação de Lyman-alfa no Universo primordial – mostrando assim que quase todo o céu nocturno brilha de forma invisível.

Com o auxílio do instrumento MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma quantidade inesperada de emissão de Lyman-alfa na região do Campo Ultra-Profundo Hubble (Hubble Ultra Deep Field – HUDF). A emissão descoberta cobre quase todo o campo, o que leva a equipa a extrapolar que quase todo o céu estará a brilhar de forma invisível devido a radiação de Lyman-alfa emitida no Universo primordial.

Os astrónomos há muito que se habituaram a que o céu seja completamente diferente consoante os diferentes comprimentos de onda em que é observado, no entanto a extensão da emissão de Lyman-alfa observada é ainda assim surpreendente. “Descobrir que todo o céu brilha em radiação de Lyman-alfa emitida por nuvens de hidrogénio distantes foi realmente uma surpresa extraordinária,” diz Kasper Borello Schmidt, um membro da equipa de astrónomos responsável pela descoberta.

“Trata-se de uma descoberta extraordinária!” acrescenta Themiya Nanayakkara, também membro da equipa. “Da próxima vez que olhar para o céu nocturno sem Lua e vir as estrelas, imagine o brilho invisível do hidrogénio, os primeiros blocos constituintes do Universo, a iluminar todo o céu nocturno.”

A região do HUDF que a equipa observou é uma área do céu bastante normal situada na constelação da Fornalha, que se tornou famosa quando foi mapeada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em 2004. O telescópio utilizou mais de 270 horas de precioso tempo de observação para explorar esta região do espaço, de modo mais profundo do que o que tinha sido feito até à data.

As observações do HUDF revelaram milhares de galáxias espalhadas por toda uma zona escura do céu, dando-nos assim uma visão bastante real da escala do Universo. Agora, as capacidades extraordinárias do MUSE permitiram observações ainda mais profundas. A detecção de emissão de Lyman-alfa no HUDF é importante pois trata-se da primeira vez que os astrónomos conseguiram ver esta radiação ténue emitida pelos envelopes gasosos das galáxias mais primordiais. Esta imagem composta mostra a radiação de Lyman-alfa a azul, sobreposta à icónica imagem do HUDF.

O instrumento MUSE, usado para fazer estas observações, é um espectrógrafo de campo integral de vanguarda instalado no Telescópio Principal n.º 4 do VLT, no Observatório do Paranal do ESO. Quando observa o céu, o MUSE vê a distribuição dos comprimentos de onda da radiação em cada pixel do seu detector. Observar o espectro total da radiação emitida por objectos astronómicos fornece-nos pistas importantes sobre os processos astrofísicos que ocorrem no Universo.

“Com estas observações MUSE, ficamos com uma ideia completamente nova dos ‘casulos’ de gás difuso que rodeiam as galáxias do Universo primordial,” comenta Philipp Richter, outro membro da equipa.

A equipa internacional de astrónomos que fez estas observações tentou identificar os processos que fazem com que estas nuvens de hidrogénio distantes emitam em Lyman-alfa, no entanto a causa precisa permanece um mistério. Apesar disso, como se pensa que este ténue brilho seja omnipresente no céu nocturno, espera-se que investigação futura possa descobrir a sua origem.

“Esperamos ter no futuro medições ainda mais sensíveis,” conclui Lutz Wisotzki, líder da equipa. “Queremos descobrir como é que estes vastos reservatórios cósmicos de hidrogénio atómico se encontram distribuídos no espaço.”

Astronomia On-line
2 de Outubro de 2018

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758: INVESTIGADORES DESCOBREM MATERIAL ORGÂNICO NAS GALÁXIAS ANTENA

Imagem obtida pelo Hubble das Galáxias Antena.
Crédito: ESA/Hubble & NASA

Após a realização de uma análise espectroscópica com o instrumento MUSE, no VLT (Very Large Telescope), no ESO (Chile), uma equipa liderada pela astrofísica Ana Monreal Ibero do IAC (Instituto de Astrofísicas das Canárias) provou a existência de bandas interestelares difusas nas Galáxias Antena, a 70 milhões de anos-luz da Terra. Desta forma, mostrou que há provavelmente material orgânico noutras galáxias para lá da nossa vizinhança galáctica.

O espectro electromagnético de um objecto celeste (galáxia, estrela, etc.) resulta da quebra da luz emitida nas suas cores constituintes. As características desse espectro – por exemplo, as cores dominantes ou ausentes – dizem-nos mais sobre as propriedades do objecto, como a sua velocidade em relação a nós e a sua composição química. “Além disso, e pelo mesmo preço – explica Ana Monreal – esta análise dá-nos informações sobre o material que a luz atravessa no caminho até nós e, em particular, sobre o meio interestelar. As bandas interestelares difusas são bandas escuras que aparecem nos espectros de objectos astronómicos associados com este meio e cuja origem é ainda hoje um mistério. Não podem ser explicadas pela presença de moléculas simples conhecidas e suspeita-se que sejam provocadas por material provavelmente orgânico.

A maioria dos estudos relacionados com as bandas interestelares difusas tem sido confinada a objectos na Via Láctea, uma vez que são características espectrais relativamente fracas. Existem algumas detecções de bandas interestelares difusas fora da nossa Galáxia, principalmente nas Nuvens de Magalhães, que são membros do Grupo Local de Galáxias, mas muito raramente têm sido detectadas bem para lá dos limites do Grupo Local. No entanto, quando olhamos para longe da Via Láctea, é de interesse observar como se comportam em condições interestelares altamente energéticas, como aquelas encontradas numa galáxia “starburst” (com formação estelar explosiva), onde as estrelas se formam a um ritmo muito maior do que na Via Láctea.

Estas observações para lá das galáxias que nos rodeiam podem fornecer pistas adicionais sobre a possível natureza das moléculas que provocam bandas interestelares difusas, mas também podem fornecer ferramentas para os astrónomos caracterizarem o meio interestelar ao qual pertencem.

“No nosso trabalho, explorámos o potencial da utilização de espectrógrafos de campo integral, como o HARMONI (um instrumento desenhado para o futuro telescópio de 39 metros, o E-ELT), em cuja construção o IAC participa,” esclarece Ana Monreal. E acrescenta: “Para isso, usámos o que constitui, hoje, o ‘crème de la crème’ deste tipo de instrumento, o MUSE no VLT, para obter dados do mais próximo sistema de galáxias espirais em fusão: as Galáxias Antena.”

O MUSE obtém um grande número de espectros de uma área relativamente grande do céu a partir de uma única exposição. “Com base na adição do sinal de espectros vizinhos e cuidadosamente modelando e separando a emissão devida às estrelas e ao gás ionizado no sistema, conseguimos detectar o sinal de duas das mais bem conhecidas bandas interestelares difusas e, de facto, as duas primeiras a serem identificadas, ao longo de mais de 200 e 100 linhas de visão independentes, respectivamente,” explica Monreal.

Este estudo também compara as detecções obtidas pelo grupo com outras propriedades e componentes do meio interestelar neste sistema, em particular: a atenuação (directamente relacionada com a quantidade de poeira) e a distribuição do hidrogénio atómico, do gás molecular e de algumas bandas na emissão infravermelha que também parecem estar associadas com compostos orgânicos.

Astronomia On-line
13 de Julho de 2018

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681: VLT TESTA TEORIA DA RELATIVIDADE GERAL DE EINSTEIN FORA DA VIA LÁCTEA

Imagem da galáxia próxima ESO 325-G004 criada a partir de dados recolhidos pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e pelo instrumento MUSE montado no VLT do ESO. O MUSE mediu a velocidade das estrelas em ESO 325-G004, o que resultou no mapa de dispersão de velocidades que está sobreposto à imagem do Telescópio Espacial Hubble. O conhecimento da velocidade das estrelas permitiu aos astrónomos inferir a massa de ESO 325-G004. A imagem inserida mostra o anel de Einstein que resulta da distorção da luz emitida por uma fonte mais distante devido à intervenção da lente ESO 325-G004, o qual se torna visível após subtracção da luz emitida pela galáxia lente.
Crédito: ESO, ESA/Hubble, NASA

Com o auxílio do instrumento MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos fizeram o teste mais preciso, executado até à data, da teoria da relatividade geral de Einstein fora da Via Láctea. A galáxia próxima ESO 325-G004 actua como uma forte lente gravitacional, distorcendo a radiação emitida por uma galáxia distante situada por trás dela e dando origem a um anel de Einstein em torno do seu centro. Ao comparar a massa de ESO 325-G004 com a curvatura do espaço em sua volta, os astrónomos descobriram que a gravidade a estas escalas astronómicas se comporta como previsto pela relatividade geral, eliminando assim algumas teorias de gravidade alternativas.

Com o auxílio do instrumento MUSE montado no VLT do ESO, uma equipa liderada por Thomas Collett, da Universidade de Portsmouth no Reino Unido, calculou a massa de ESO 325-G004 ao medir o movimento das estrelas no seio desta galáxia elíptica próxima.

Collett explica: “Usámos dados obtidos pelo VLT do ESO, no Chile, para medir quão rapidamente as estrelas se estavam a mover em ESO 325-G004, o que nos permitiu inferir a quantidade de massa que deve existir na galáxia para manter estas estrelas em órbita.”

Por outro lado, a equipa conseguiu também medir outro aspecto da gravidade. Com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, observou-se um anel de Einstein, um fenómeno que resulta da luz de uma galáxia distante estar a ser distorcida por ESO 325-G004. A observação deste anel permitiu aos astrónomos medir como é que a luz, e consequentemente o espaço-tempo, está a ser distorcida pela enorme massa de ESO 325-G004.

A teoria da relatividade geral de Einstein prevê que os objectos deformem o espaço-tempo à sua volta, fazendo com que a luz que passa por ele seja desviada e dando origem a um fenómeno conhecido por lente gravitacional. Este efeito apenas se torna evidente para objectos muito massivos. São conhecidas algumas centenas de lentes gravitacionais fortes, mas muitas estão demasiado distantes para se medir com precisão as suas massas. No entanto, a galáxia ESO 325-G004 constitui uma das lentes mais próximas de nós, situada a apenas 450 milhões de anos-luz de distância da Terra.

Collett continua: “Com dados obtidos pelo MUSE determinámos a massa da galáxia situada em primeiro plano e com o Hubble medimos a quantidade de efeito de lente gravitacional observado. Seguidamente comparámos estas duas maneiras de medir a força da gravidade — e o resultado foi exactamente o previsto pela relatividade geral, com uma incerteza de apenas 9%. Trata-se do teste mais preciso feito à relatividade geral, fora da Via Láctea, realizado até à data. E usámos apenas uma galáxia!”

A relatividade geral foi testada com muita precisão às escalas do Sistema Solar e alguns trabalhos observaram estrelas no centro da Via Láctea, mas até à data não tinha havido testes precisos para escalas astronómicas maiores. Testar o longo alcance das propriedades da gravidade é vital para validar o atual modelo cosmológico.

Esta descoberta pode ter implicações importantes para os modelos de gravidade alternativos à relatividade geral. Estas teorias alternativas prevêem que os efeitos da gravidade na curvatura do espaço-tempo são “dependentes da escala”, o que significa que a gravidade se deveria comportar de maneira diferente a escalas astronómicas do que se comporta às escalas mais pequenas do Sistema Solar. Collett e a sua equipa descobriram que este não é muito provavelmente o caso, a menos que estas diferenças ocorram apenas a escalas maiores que 6000 anos-luz.

“O Universo é um lugar espantoso, dando-nos acesso a estas lentes gravitacionais que podemos usar como laboratórios,” acrescenta o membro da equipa Bob Nichol da Universidade de Portsmouth. “É extremamente satisfatório usar os melhores telescópios do mundo para desafiar Einstein e descobrir que afinal ele tinha razão.”

Astronomia On-line
22 de Junho de 2018

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585: E0102-72.3: ASTRÓNOMOS AVISTAM UMA ESTRELA DE NEUTRÕES DISTANTE E SOLITÁRIA

A composite image of the supernova 1E0102.2-7219 contains X-rays from Chandra (blue and purple), visible light data from VLT’s MUSE instrument (bright red), and additional data from Hubble (dark red and green). A neutron star, the ultra dense core of a massive star that collapses and undergoes a supernova explosion, is found at its center.

Os astrónomos descobriram um tipo especial de estrela de neutrões pela primeira vez fora da Via Láctea, usando dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA e do VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile.

As estrelas de neutrões são os núcleos ultra-densos de estrelas massivas que colapsam e explodem como supernovas. Esta estrela de neutrões recém-identificada é de uma variedade rara pois tem um campo magnético fraco e não tem uma companheira estelar.

A estrela de neutrões está localizada no remanescente de uma supernova – conhecida como 1E 0102.2-7219 (abreviada E0102) – na Pequena Nuvem de Magalhães, a 200.000 anos-luz da Terra.

A nova composição de E0102 permite que os astrónomos aprendam novos detalhes sobre este objecto que foi descoberto há mais de três décadas atrás. Nesta imagem, os raios-X do Chandra têm tons azuis e roxos, enquanto os dados ópticos do instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) do VLT têm um tom vermelho brilhante. Os dados adicionais do Telescópio Espacial Hubble têm tons vermelhos escuros e verdes.

Remanescentes de supernova ricos em oxigénio, como E0102, são importantes para compreender como as estrelas massivas fundem os elementos mais leves nos mais pesados antes de explodirem. Vistos até alguns milhares de anos após a explosão original, os remanescentes ricos em oxigénio contêm os detritos expelidos do interior da estrela moribunda. Estes detritos (visíveis como a estrutura filamentar verde na imagem combinada) são observados hoje a passar pelo espaço depois de expulsos a milhões de quilómetros por hora.

As observações de E0102 pelo Chandra mostram que o remanescente de supernova é dominado por uma grande estrutura em forma de anel em raios-X, associada à onda de choque da supernova. Os novos dados MUSE revelaram um anel mais pequeno de gás (em vermelho brilhante) que está a expandir-se mais lentamente do que a onda de choque. No centro deste anel está uma fonte de raios-X semelhante a um ponto azul. Juntos, o pequeno anel e a fonte pontual agem como um alvo celeste.

Os dados combinados do Chandra e do MUSE sugerem que esta fonte é uma estrela de neutrões isolada, criada na explosão de supernova há cerca de dois milénios. A assinatura de energia de raios-X desta fonte, ou “espectro”, é muito semelhante à das estrelas de neutrões localizadas no centro de outros dois famosos remanescentes de supernova: Cassiopeia A (Cas A) e Puppis A. Estas duas estrelas de neutrões também não têm estrelas companheiras.

A ausência de evidências de emissão de rádio estendida ou de radiação de raios-X pulsada, tipicamente associadas com estrelas de neutrões altamente magnetizadas e de rotação veloz, indica que os astrónomos detectaram os raios-X da superfície quente de uma estrela de neutrões isolada com campos magnéticos fracos. Foram detectados, na Via Láctea, cerca de 10 objectos deste tipo, mas este é o primeiro detectado fora da nossa Galáxia.

Mas como é que esta estrela de neutrões acabou na sua posição actual, aparentemente deslocada do centro da chamada concha circular de emissão de raios-X produzida pela onda de choque da supernova? Uma possibilidade é que a explosão de supernova ocorreu perto do meio do remanescente, mas a estrela de neutrões foi expulsa do local por uma explosão assimétrica, a uma velocidade alta de aproximadamente 3,2 milhões de quilómetros por hora. No entanto, neste cenário, é difícil explicar por que a estrela de neutrões está hoje tão bem cercada pelo recém-descoberto anel de gás visto nos comprimentos de onda visíveis.

Outra explicação possível é que a estrela de neutrões está a mover-se lentamente e a sua posição actual é aproximadamente onde a explosão de supernova teve lugar. Neste caso, o material no anel óptico pode ter sido expelido ou durante a explosão de supernova, ou pela progenitora condenada até alguns milhares de anos antes.

Um desafio deste segundo cenário é que o local da explosão estaria localizado bem longe do centro do remanescente, conforme determinado pela emissão prolongada de raios-X. Isto implicaria um conjunto especial de circunstâncias para os arredores de E0102: por exemplo, uma cavidade esculpida pelos ventos da estrela progenitora antes da explosão de supernova e variações na densidade do gás e poeira interestelar em torno do remanescente.

As futuras observações de E0102 em comprimentos de onda de raios-X, ópticos e de rádio devem ajudar os astrónomos a resolver este novo e empolgante mistério apresentado pela solitária estrela de neutrões.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição de Abril da Nature Astronomy e está disponível online.

Astronomia On-line
25 de Maio de 2018

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