1077: Universo paralelo com uma física diferente parece ter colidido com o nosso

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Dados do telescópio Planck podem ter revelado colisão do nosso Universo com outro universo, com leis da física diferentes.

A conclusão é de uma análise feita por Ranga-Ram Chary, pesquisador do centro de dados americano telescópio Planck, na Califórnia, que pertence à Agência Espacial Europeia, ESA.

De acordo com as teorias cosmológicas modernas, que defendem que o universo em que vivemos é só uma bolha entre muitas outras, uma colisão entre universos é possível.

Este “multiverso” pode ser uma consequência da inflação cósmica, uma ideia amplamente aceite pela comunidade científica que diz que o universo primordial se expandiu exponencialmente após o Big Bang.

Uma vez iniciada, essa expansão exponencial não cessa, tornando inevitável uma imensidão de universos onde cada universo criado tem as suas próprias leis físicas que podem ser, ou não, diferentes daquelas que conhecemos.

Alguns destes universos podem ser totalmente diferentes, enquanto outros podem estar cheios de partículas e regras semelhantes ou até iguais às nossas.

Esta teoria explica porque é que as constantes físicas do nosso universo parecem estar tão sintonizadas para permitir a existência de galáxias, estrelas, planetas e até a própria vida.

Como saber se existem universos vizinhos?

Infelizmente, caso estes universos existam, neste momento, são quase impossíveis de detectar. Com o espaço entre estes universos e o nosso em expansão, a velocidade da luz – a mais elevado que nós conhecemos – é demasiado lenta para levar qualquer informação entre estas diferentes regiões.

No entanto, caso as duas bolhas – os dois universos – estejam próximas o suficiente para se tocarem, podem deixar marcas uma na outra.

Em 2007, Matthew Johnson e os seus colegas da Universidade de York, no Canadá, propuseram que essa colisão de bolhas – ou universos – poderia aparecer na radiação de fundo das micro-ondas como “sinais circulares” – algo como um anel brilhante e quente de fotões.

Passado quatro anos desta ideia inicial, em 2011 a mesma equipa propôs-se investigar estes sinais nos dados das sondas WMAP da NASA, antecessor da sonda Planck. Contudo, a investigação revelou-se um fiasco quando a equipa não encontrou os sinais que eram esperados.

A nova proposta

Agora, Ranga-Ram Chary acredita que pode ter visto uma assinatura diferente naquilo que pode ser uma colisão com um universo paralelo.

Em vez de analisar a própria radiação, Chary subtraiu-a a um modelo do céu. Em seguida, retirou também tudo o resto: estrelas, gás, poeiras e todo o tipo de objectos.

O resultado deveria ser um vazio – ruído. Mas, para seu espanto, numa certa faixa de frequência, certos pedaços do céu apareceram muito mais brilhantes do que o previsto.

Estas anomalias detectadas por Ranga-Ram Chary podem ter como causa uma “pancada” cósmica: uma colisão do nosso universo com outra parte de um outro universo.

Os pontos brilhantes detectados parecem ser de algumas centenas de milhares de anos após o Big Bang, quando electrões e protões se juntaram para criar o hidrogénio.

Como essa luz é normalmente abafada pelo brilho de fundo das micro-ondas cósmicas, esse momento da história do universo – chamado de “recombinação” – era difícil de ser detectado. Porém, a análise da Chary revelou pontos 4.500 vezes mais brilhantes do que o previsto pela teoria.

Uma explicação já avançada, sugere que o responsável pela brilho anormal é o excesso de protões e electrões deixados no ponto de contacto com o outro universo. As manchas detectadas por Chary exigem, assim, que o universo do outro lado da colisão tenha aproximadamente mil vezes mais partículas do que o nosso.

As dúvidas

Apesar da proposta apresentada, existem ainda algumas ressalvas quanto à teoria e, por isso, ainda é cedo para afirmar o que é que estas manchas realmente significam.

Em 2014, uma equipa de astrónomos utilizou o telescópio BICEP2 no Polo Sul verificando um sinal fraco com grandes implicações cosmológicas: espirais de luz polarizada pareceram fornecer evidências para a inflação, mas acabou por se concluir que o sinal vinha de grãos de poeira dentro da nossa galáxia.

David Spergel, da Universidade de Princeton nos Estados Unidos, considerou que essa poeira poderia estar, novamente, a “nublar” as conclusões.

“Eu suspeito que valeria a pena olhar para as possibilidades alternativas. As propriedades da poeira cósmica são mais complicadas do que imaginávamos, e acho que essa é a explicação mais plausível”, afirmou.

Joseph Silk, da Universidade Johns Hopkins, também nos Estados Unidos, é ainda mais pessimista e considera o artigo de Chray uma boa análise às anomalias nos dados do Planck e diz que as reivindicações de um universo alternativo são “completamente implausíveis”.

Por ZAP
27 Setembro, 2018

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647: A vida pode ser milhares de milhões de vezes mais comum no Multiverso

Chingster23 / Flickr

A vida parece ser o resultado de um conjunto de constantes físicas fundamentais e perfeitamente ajustadas. Se as lei da física fossem diferentes, não estaríamos aqui para debater essa questão. Então, será tudo uma questão de coincidência ou sorte?

A teoria do Multiverso sugere que o nosso Universo é apenas um no meio de tantos outros num Multiverso infinito no qual novos universos nascem constantemente. No entanto, apesar desta multiplicidade, faria sentido que houvesse um universo com estranhas configurações, perfeitamente ajustadas, que permitissem vida.

Agora, uma nova descoberta, publicada recentemente na Monthly Notices da Royal Astronomical Society, sugere que, afinal, não é bem assim: a vida pode ser muito mais comum em universos paralelos do que pensávamos.

Embora (ainda) não existam provas físicas da existência de universos paralelos, as teorias que explicam como surgiu o nosso Universo parecem ser inevitáveis. O nosso Universo começou com o Big Bang, que foi seguido de um período de expansão muito rápido, conhecido como inflação

No entanto, de acordo com a física moderna, é improvável que a inflação tenha sido um evento único. Em vez disso, muitas áreas diferentes do cosmos poderiam ter-se expandido subitamente, isto é, cada “bolha” criaria, por si só, um único universo.

Enquanto que uns acreditam que no futuro poderemos testemunhar impressões de colisões com universos paralelos, outros, pelo contrário, consideram que o Multiverso não passa de uma peculiaridade matemática.

Energia escura

Cerca de 70% do Universo é representado por uma misteriosa e desconhecida força, apelidada de energia escura. Segundo o SingularityHub, em vez de o nosso Universo desacelerar à medida que se expande, a energia escura faz com que a sua expansão acelere.

Muitas das teorias actuais sugerem que a energia escura deveria ser muito (mas muito) mais abundante, graças ao Multiverso. A maioria dos universos deve ter uma abundância gigantesca em relação ao nosso, mas se a energia escura fosse assim tão abundante, o universo separar-se-ia antes que a gravidade conseguisse reunir matéria para formar galáxias, estrelas, planetas e até pessoas.

O nosso Universo tem um valor estranhamente baixo de energia escura, e é esse valor que torna o nosso Universo hospitaleiro de vida.

Todavia, a teoria exige que o valor do nosso Universo para a abundância de energia escura esteja próximo do máximo permitido para que a vida inteligente exista, dado que valores maiores de energia escura devem ser mais comuns no Multiverso do que valores menores.

Em simultâneo, esperamos que a vida exista apenas num grupo muito pequeno de universos com um valor abaixo do máximo – aquele que permite que a matéria se agrupe para formar estrelas e galáxias.

Isto significa que universos com um valor comparativamente alto de energia escura (próximo do máximo) hospitaleiros de vida devem ser mais numerosos do que universos com valores baixos (próximos do mínimo).

Mal qual é esse nível máximo?

O modelo computacional do Universo – o projecto EAGLE – desenvolvido pelos investigadores envolvidos no estudo, fez uso de simulações de computador para explicar as propriedades das galáxias do nosso Universo – e fê-lo com sucesso.

Através deste projecto, os cientistas tornaram possível (e de maneira convincente) estudar como é que a formação de estrelas e galáxias continuaria em outras partes do Multiverso.

Os investigadores criaram um conjunto de universos, gerados por computador, muito idênticos, mas com diferentes quantidades de energia escura. Inicialmente, os universos expandiram-se em proporções semelhantes, mas, à medida que a energia que sobrou do Big Bang se dissipou, o poder da energia escura tornou-se importante. Os universos com muita energia escura aceleraram bastante a sua expansão.

No entanto, e para surpresa dos investigadores, os universos bebés com 100 vezes mais energia escura produzem quase tantas estrelas e planetas quanto o nosso próprio Universo. Isto significa que o nosso Universo não tem um valor de energia escura próximo do máximo.

Segundo esta investigação, a vida seria bastante comum em todo o Multiverso, talvez milhares de milhões de vezes mais comum do que pensávamos até agora.

Assim, os cientistas são forçados a concluir que o valor da energia escura não explica o motivo pelo qual estamos aqui.

ZAP // SingularityHub

Por ZAP
13 Junho, 2018

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559: Cientistas defendem: se existirem mundos paralelos, há vida inteligente lá

(dr) Universal Studios
Imagem retirada do filme E.T., de 1982, do realizador Steven Spielberg

Se há uma grande probabilidade de existir vida inteligente, porque é que ainda não encontramos nenhum extraterrestre? Talvez possam estar num universo paralelo, defende uma equipa internacional de investigadores.

Uma equipa internacional, composta por investigadores da Inglaterra, Austrália e Holanda, realizou um estudo no qual defende que há probabilidade de existir vida alienígena caso exista uma universo paralelo (mesmo que esse universo seja recheado de energia escura).

Esta teoria – a de que o nosso universo é apenas um de muitos – é conhecida como a “teoria do multiverso“.

Esta teoria poderá ser uma boa explicação para o “paradoxo de Fermi”. Na década de 1950, o italiano Enrico Fermi argumentou que há uma contradição entre a alta probabilidade de existir vida alienígena e a total falta de provas concretas de que a vida inteligente já evoluiu fora do nosso planeta.

Se há uma elevada probabilidade de existir vida inteligente, porque é que ainda não encontramos nenhum extraterrestre até hoje? Talvez possam estar num universo paralelo.

O grupo de cientistas defende que, se tais universos paralelos existirem, não precisam de ser necessariamente iguais ao nosso, até porque teriam que atender a um conjunto rigoroso de critérios para permitir a formação de estrelas, galáxias e planetas que promovem a vida.

No mais recente estudo, publicado na Monthly Notices da Royal Astronomical Society, os cientistas realização simulações de computador para construir novos universos sob várias condições.

Com esta experiências, descobriram que as condições para existir vida podem ser mais amplas do que pensávamos, especialmente quando se trata da atracção misteriosa da energia escura.

Em várias experiências, a equipa usou uma programa para simular o nascimento, a evolução e a eventual morte de vários universos hipotéticos. Em cada simulação, os cientistas ajustaram a quantidade de energia escura.

A equipa concluiu que, mesmo em universos com 300 vezes mais energia escura do que o nosso, a vida evoluiu. Esta é uma boa notícia para os fãs da vida extraterrestre e para os admiradores da teoria do multiverso.

Energia escura: um problema?

A energia escura é uma força invisível do nosso universo. Enquanto a gravidade puxa a matéria para mais perto, a energia escura empurra-a para longe. Graças ao impulso constante da energia escura, o nosso universo está a expandir-se e essa expansão está a tornar-se cada vez mais rápida.

Os cientistas não sabem exactamente o que é a energia escura ou como funciona, sabem apenas que é muito abundante. Quase 70% da energia em massa do nosso universo pode ser feita de energia escura.

Alguns cientistas defendem que é uma propriedade intrínseca do espaço – o que Einstein chamou de constante cosmológica -, mas outros consideram que é uma força fundamental com regras dinâmicas próprias, chamada quinta-essência. Ainda assim, há quem ache que a energia escura não é real.

De qualquer forma, os investigadores acreditam que, se vivêssemos num universo com muita energia escura, o espaço poderia expandir-se muito mais rápido do que a própria formação de galáxias.

Já num universo com pouca energia escura, a gravidade descontrolada poderia provocar o colapso de todas as galáxias antes sequer de existir vida.

ZAP // LiveScience / HypeScience

Por ZAP
19 Maio, 2018

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507: O multiverso. A última publicação de Stephen Hawking

REUTERS/Lucas Jackson

Publicado o derradeiro artigo do físico, no qual prevê a existência de universos paralelos

O último artigo científico publicado pelo físico Stephen Hawking, submetido dias antes da sua morte, aponta para a existência de múltiplos universos semelhantes ao nosso.

O artigo publicado na última edição do Journal of High Energy Physics é fruto de 20 anos de trabalho conjunto com Thomas Hertog e tenta resolver um “problema” criado pelo próprio cientista anos ano 80 do século passado: o dos multiversos.

A conclusão é de que “com base nesta conjectura”, apresentada no artigo, a “saída da inflação eterna” não produz um multiverso inifinito, mas sim “finito e razoavelmente polido”.

No documento, Hawking apresenta ainda os cálculos matemáticos que poderão levar à construção de uma sonda espacial que poderá descobrir indícios da existência desse multiverso.

No artigo científico, realizado durante as suas duas últimas semanas de vida, descreve-se ainda como o nosso universo vai acabar por se transformar em nada à medida que as estrelas forem gastando a sua energia.

Parte desse trabalho tinha já sido publicado, numa versão prévia, e noticiado por vários media:

Stephen Hawking previu o fim do mundo duas semanas antes de morrer

Diário de Notícias
02 DE MAIO DE 2018 20:30

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386: Duas semanas antes de morrer, Hawking previu o fim do Universo

lwpkommunikacio / Flickr
O astro-britânico Stephen Hawking

O físico britânico Stephen Hawking, falecido no passado dia 14 de Março, apresentou duas semanas antes da sua morte um estudo no qual estabelece as bases teóricas para a existência de universos paralelos e prevê o fim da existência de nosso universo.

Segundo o The Times, Stephen Hawking é co-autor de um novo estudo científico, cujas últimas revisões foram aprovadas a 4 de Março, que será brevemente publicado numa revista científica após revisão por pares e aprovação final.

O novo trabalho matemático de Hawking revela de que forma a humanidade poderia detectar provas experimentais do chamado multiverso, a existência de múltiplos universos, e aponta as ferramentas matemáticas necessárias para que uma sonda espacial seja capaz de descobrir sua existência.

Além disso, o astrofísico prevê no novo estudo que o destino final do nosso Universo será o de desaparecer inevitavelmente na escuridão, à medida que todas as estrelas forem esgotando a sua energia.

O físico Thomas Hertog, co-autor do estudo, assegura que esta nova teoria irá “colocar a ideia de multiverso num quadro científico comprovado“. Hertog, professor de física teórica da Universidade de Leuven, na Bélgica, adianta que se reuniu pessoalmente com Hawking para obter a aprovação final antes de enviar o documento para revisão.

Se a ideia de multiverso tivesse sido cientificamente provada quando Stephen Hawking ainda era vivo, o mítico astrofísico teria sido seguramente distinguido com o Prémio Nobel, “que há muito desejava”, revela o The Times.

Stephen Hawking, considerado por muitos como um génio único e o físico mais brilhante desde Albert Einstein, postulou algumas das mais importantes descobertas científicas no campo da cosmologia teórica, especialmente no estudo dos buracos negros – cuja validação por dados experimentais é normalmente muito difícil ou impossível.

Os prémios Nobel atribuídos por estudos científicos requerem validação experimental dos dados em que se baseiam – algo que Hawking, que morreu a semana passada, nunca pode fazer. E infelizmente, o prémio não é atribuído postumamente.

Stephen Hawking, o maior físico do nosso tempo, estará assim condenado a nunca receber o prémio Nobel pelas suas descobertas. Pelo menos, nesta instância do Multiverso.

ZAP // Sputnik News / The Times

Por SN
19 Março, 2018

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