2673: Cientistas reconstruiram pela primeira vez o rosto de uma Denisovana

CIÊNCIA

(dr) Maayan Harel

Feito o mapa metílico do genoma dos Denisovanos, os cientistas tentaram reconstruir pela primeira vez o rosto de uma mulher deste grupo de hominídeos. Mas nem todos os cientistas concordam com o resultado final.

Há 15 mil anos, os Homo sapiens partilharam as suas cavernas (e acasalaram) com os chamados hominídeos de Denisova ou Denisovanos, deixando uma escassa linha genética que ainda hoje é detectável em alguns povos dos dias de hoje.

Mas como é que eram estes hominídeos fisicamente? De acordo com o Live Science, foi a esta mesma pergunta que uma equipa internacional de investigadores tentou responder através de uma análise genética sem precedentes.

Ao fazer um mapa metílico do genoma dos Denisovanos, ou seja, um mapa que mostra como as alterações químicas na expressão genética podem influenciar características físicas, os cientistas reconstruiram pela primeira vez o rosto de uma Denisovana.

A mulher agora representada tem uma testa baixa, uns maxilares protuberantes e um queixo quase inexistente — uma anatomia não muito diferente dos Neandertais, outro grupo de humanos extintos que ocuparam a Terra na mesma época.

“Estava à espera que as características dos Denisovanos fossem semelhantes aos Neandertais, uma vez que estes são os seus parentes mais próximos. Porém, nos poucos traços em que diferem, as diferenças são extremas”, explica ao site David Gokhman, geneticista da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e o autor principal do estudo agora publicado na revista científica Cell.

No total, os investigadores encontraram 56 traços nos Denisovanos que previam ser diferentes dos Neandertais e dos humanos modernos, sendo que 32 deles resultaram em claras diferenças anatómicas.

A equipa descobriu, por exemplo, que estes hominídeos tinham arcadas dentárias significativamente mais longas, assim como o topo do crânio era também visivelmente mais largo, quando comparados com os Neandertais e com os humanos modernos.

De forma mais específica, também perceberam que a pélvis e a caixa torácica eram mais largas do que as dos humanos modernos e tinham também rostos mais finos e planos quando comparados com os dos Neandertais.

Estes resultados dão aos cientistas alguma esperança de que os dois crânios parciais recentemente encontrados na China possam pertencer a antigos Denisovanos e, assim, acrescentar mais uma descoberta à pequena lista que existe actualmente (composta por um maxilar, alguns dentes e um mindinho).

No entanto, nem todos os cientistas estão convencidos com este novo trabalho. Em declarações ao New Scientist, Sheela Athreya, professora associada da Texas A&M University foi bastante clara na sua opinião.

“Não, isto não nos dá uma ideia de como eram os indivíduos de Altai [região na Sibéria onde foi encontrada a caverna com ossos dos Denisovanos]. É baseado em tantas suposições que a minha cabeça anda às voltas com isto”.

“Embora este resultado pareça muito persuasivo, na verdade não é. Estudar as diferenças de metilação do ADN é uma avenida promissora de pesquisa, mas ainda estamos longe de entender como as suas diferenças podem estar relacionadas com as diferenças no esqueleto”, conclui também John Hawks, da Universidade de Wisconsin-Madison.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

2237: Cientistas sugerem colonização em Marte através de banco de espermatozóides

CIÊNCIA

Equipa de investigadores considera que se os espermatozóides congelados poderiam permitir uma colonização mais rápida deste planeta… em missões com astronautas mulheres.

Uma imagem do planeta vermelho captada em 2014 no âmbito da missão Mars Exploration Rover
© NASA/JPL-Caltech/Cornell/ASU

Já há muito que se discute a possibilidade de haver vida em Marte. Mas e que tal colonizar o planeta a partir de um pequeno grupo de mulheres? Uma investigação levada a cabo pela NASA vem mostrar que a ideia é teoricamente exequível. De acordo com o The Guardian, este trabalho sugere que se poderia levar para o Planeta Vermelho um banco de espermatozóides, congelados, que segundo os últimos estudos não se danificam mesmo quando expostos a ambientes de “gravidade zero”. O banco de esperma seria levado por equipas de astronautas mulheres, que assim poderiam gerar “marcianos” sem precisar de parceiros masculinos.

Já em 2017 aquela que foi a primeira astronauta britânica, Helen Sharman (visitou a estação espacial Mir em 1991), falava da existência deste estudo, não aprofundando as conclusões. Mas este relatório só viria a ser conhecido este domingo, durante o encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Viena, Áustria.

O investigador Montserrat Boada, do Instituto de Saúde Feminina de Barcelona, quem apresentou o estudo, explicou que o trabalho envolveu dez dadores de esperma saudáveis, colocados em contacto com a micro-gravidade, com a ajuda de uma pequena aeronave. Os resultados foram claros: “Nada foi relatado sobre os possíveis efeitos das diferenças gravitacionais sobre os gâmetas humanos congelados, que poderiam ser transportados da Terra para o espaço”, explicou. Por isso, pode concluir-se que existe mesmo “a possibilidade de criar um banco de esperma humano fora da Terra”.

Contudo, os cientistas alertam que é preciso dar continuidade à investigação, para melhor entender o impacto das características espaciais na criação de vida humana. Além disso, é preciso testar os espermatozóides em Marte por um maior período de tempo.

Diário de Notícias
26 Junho 2019 — 19:18

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1684: Astronautas da NASA vão realizar a primeira caminhada espacial 100% feminina

Elizabeth Weissinger / NASA

Pela primeira vez na história da exploração espacial, uma dupla de mulheres astronautas da NASA vai realizar uma caminhada espacial a partir da Estação Espacial Internacional.

O feito acontece 35 anos depois de uma mulher ter feito uma caminhada no espaço pela primeira vez — a cosmonauta soviética Svetlana Savitskaya, em Julho de 1984.

No âmbito da Expedição 59, as astronautas da NASA Anne McClain e Christina Koch vão realizar a caminhada a 29 de Março. A partir do solo, a acompanhar a expedição, estará Kristen Facciol, controladora de voos da Agência Espacial Canadiana – que coopera com a NASA -, que estará aos comandos a partir do Centro Espacial Johnson em Houston, estado norte-americano do Texas.

A própria controladora de voos anunciou, através do Twitter, que integraria a missão. “Acabei de descobrir que estarei aos comandos a acompanhar a primeira caminhada espacial 100% feminina e não consigo conter o meu entusiasmo“, disse a controladora de voos.

Kristen Facciol @kfacciol

I just found out that I’ll be on console providing support for the FIRST ALL FEMALE SPACEWALK with @AstroAnnimal and @Astro_Christina and I can not contain my excitement!!!! #WomenInSTEM #WomenInEngineering #WomenInSpace