2553: O Homem já muda o ambiente há 10 mil anos (e o primeiro impacto global deu-se há 3 mil anos)

CIÊNCIA

andreas160578 / Pixabay

Um novo estudo garante que, antes da agricultura intensiva e da domesticação de plantas e animais, o Homem já tinha começado a modificar o meio ambiente há dez mil anos e o primeiro impacto global deu-se sete mil anos depois.

O estudo publicado esta quinta-feira na revista científica Science provou que a actividade humana na pré-história não era tão inofensiva quanto se achava, através de uma avaliação arqueológica global do uso antigo da terra.

Assim, os primeiros caçadores-recolectores, agricultores e pastores tiveram um efeito muito maior na paisagem da Terra, muito mais cedo e amplo do que o que se pensava. Segundo autores do trabalho, os seres humanos começaram a desflorestar terras para fazer agricultura e criação intensiva de animais.

A investigação contraria a ideia de que as mudanças ambientais em larga escala causadas pelo Homem são um fenómeno recente  ideia assumida por causa do foco actual que se dá às alterações climáticas, ao aquecimento global e às energias renováveis.

Segundo Gary Feinman, curador do Museu de História Nacional de Chicago, nos EUA e, um dos 250 autores do estudo, o Homem começou a modificar o meio ambiente há dez mil anos e, o primeiro impacto global tem pelo menos três mil anos.

De acordo com o investigador, para se entender a actual crise climática é necessário primeiro entender a história dos humanos que têm vindo a alterar o meio ambiente.

O estudo, liderado por Lucas Stephens, da Universidade da Pensilvânia, faz parte do projecto ArchaeoGLOBE, que reúne informações online de especialistas regionais sobre como o uso da terra mudou ao longo do tempo, em 146 diferentes áreas do mundo.

Essas informações mostram que a pegada ecológica não era tão pequena quanto se imaginava, disse Feinman. O autor afirma que há três mil anos o Homem fazia agricultura bastante invasiva em diversas partes do mundo.

“Embora a taxa em que o ambiente está a mudar seja muito mais drástica, vemos os efeitos que o impacto humano teve na Terra há milhares de anos”, revelou Ryan Williams, um dos autores do estudo.

O estudo permite conhecer o início dos impactos ambientais, o que pode ajudar a perceber que soluções as civilizações antigas usaram para mitigar os efeitos negativos da mudança do ambiente provocada pelo Homem.

DR, ZAP //

Por DR
30 Agosto, 2019

 

2057: O campo magnético de Júpiter está a mudar (e a culpa é de ventos escondidos)

CIÊNCIA

O campo magnético de Júpiter tem mudado deste os anos 1970 e os físicos provaram-no. Estas mudanças revelam detalhes escondidos sobre o dínamo interno do planeta.

Num estudo publicado na revista Nature Astronomy, uma equipa de investigadores analisou dados de campo magnético de quatro missões passadas a Júpiter (Pioneer 10, que alcançou Júpiter em 1973; Pioneer 11, que alcançou Júpiter em 1974; Voyager 1, que alcançou Júpiter em 1979; e Ulysses, que alcançou Júpiter em 1992).

Os cientistas compararam esses dados a um mapa do campo magnético do planeta produzido pela nave espacial Juno, que conduziu a sonda mais recente e mais completa do planeta gigante. Em 2016, a Juno orbitou muito perto de Júpiter, passando de pólo a pólo, reunindo dados gravitacionais e de campo magnético detalhados.

Isso permitiu aos investigadores desenvolver um modelo completo do campo magnético do planeta e algumas teorias detalhadas sobre como é produzido. Os cientistas por trás deste artigo mostraram que os dados das quatro sondas mais antigas, embora mais limitadas, não se encaixam no modelo de 2016 do campo magnético de Júpiter.

“Encontrar algo tão minucioso como estas mudanças em algo tão imenso como o campo magnético de Júpiter foi um desafio”, disse em comunicado Kimee Moore, cientista de Harvard e principal autora do artigo. “Ter uma linha de base de observações durante quatro décadas forneceu dados suficientes para confirmar que o campo magnético de Júpiter realmente muda com o tempo.”

Os investigadores estavam interessados apenas nas mudanças no campo magnético interno de Júpiter, mas o planeta também tem magnetismo vindo da sua atmosfera superior. Partículas carregadas com origem em erupções vulcânicas em Io, a lua mais volátil de Júpiter, acabam na magnetosfera e na ionosfera e podem alterar o campo magnético.

Mas os cientistas desenvolveram métodos para subtrair os efeitos do seu conjunto de dados, deixando-os com dados quase inteiramente baseados no dínamo interno do planeta.

Os investigadores analisaram várias causas para as mudanças no campo magnético. Os dados aproximaram-se mais das previsões de um modelo em que os ventos no interior do planeta mudam o campo magnético. “Esses ventos estendem-se da superfície do planeta até mais de três mil quilómetros de profundidade, onde o interior do planeta começa a mudar de gás para metal líquido altamente condutor”.

Na verdade, os cientistas não conseguem ver isso tão profundamente em Júpiter, por isso as medidas de profundidade são as melhores estimativas, com várias incertezas. Ainda assim, os cientistas têm teorias para explicar como os ventos se comportam. “Acredita-se que cortam os campos magnéticos, esticando-os e transportando-os pelo planeta”

A maioria das mudanças provocadas pelo vento parece estar concentrada na Grande Mancha Azul de Júpiter, uma região de intensa energia magnética perto do equador de Júpiter. As partes norte e sul da mancha azul estão a deslocar-se para leste de Júpiter e a terça central está a mudar para o oeste, causando alterações no campo magnético.

ZAP //

Por ZAP
27 Maio, 2019

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