969: Relatório do OAL sobre a Hora Legal do país e o impacto da manutenção ou supressão da Hora de Verão

Entre 4 de Julho e 16 de Agosto de 2018 decorreu uma consulta pública organizada pela Comissão Europeia sobre as disposições relativas à existência do Regime da Hora de Verão.

Qualquer cidadão interessado ou instituição pôde participar nesta consulta e teve a oportunidade de indicar a sua preferência entre duas opções: 1) continuar com a mudança da hora na altura do verão (Regime da Hora de Verão); 2) manter o mesmo regime de hora durante todo o ano.

Esta consulta surgiu na sequência de pedidos de cidadãos, do Parlamento Europeu e em particular da insistência de dois Estados Membros (Finlândia e Lituânia) para que a directiva em vigor fosse revista.

Esta consulta pública obteve 4,6 milhões de participações entre os vários Estados-Membros. A maioria das participações veio da Alemanha (68%) enquanto que, por exemplo, Portugal apenas contribuiu com 0,7% das respostas. A grande maioria das respostas desta amostra (84%) manifestou-se a favor de pôr fim à mudança da hora.

Note-se que esta amostragem é estatisticamente enviesada e, por isso, não representa com significância a opinião média dos povos na UE.

A Hora Legal em Portugal é mantida e fornecida pelo OAL e o seu director é também presidente da Comissão Permanente da Hora. Esta comissão é um órgão consultivo do Governo que inclui ainda representantes dos Ministérios e das Regiões Autónomas. Neste contexto, o OAL elaborou um parecer científico sobre este tema, no qual se mostram os factores positivos associados e se defende a manutenção do Regime da Hora de Verão na UE. Este parecer encontra-se disponível neste link:http://oal.ul.pt/documentos/2018/09/relatorio-hora-l…o-ue-agosto-2018.pdf

Em resumo, neste estudo discutem-se vários cenários possíveis da Hora Legal. Por um lado analisam-se os impactos que a cessação da Hora de Verão teria, em duas situações: a) mantendo a hora UTC todo o ano, ter-se-ia o sol a nascer perto das 5h na altura do verão, ou seja, uma madrugada de sol desaproveitada seguida dum final de tarde com menos 1 hora de sol, factores que não são positivos nas actividades da população; b) mantendo a hora UTC+1 todo o ano, o sol nasceria entre as 8h e as 9h durante 4 meses do ano, no inverno, com impactos negativos.

Por outro lado, argumenta-se em detalhe que a manutenção da mudança da hora no verão é a melhor solução para o país. Abordam-se ainda os dois factores mais debatidos na opinião pública: o impacto na poupança de energia, que é positiva mas diminuta e o impacto na saúde através da perturbação do sono, que é mínima de acordo com estudos da especialidade.

OAL – Observatório Astronómico de Lisboa
5 Set 2018

(Foram corrigidos 8 erros ortográficos ao texto original)

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952: Fim da hora de inverno “é um regresso à Idade Média” (e afecta sobretudo as crianças)

(PPD/C0) Monoar / Pixabay Mais de 4,6 milhões de pessoas participaram no inquérito

O especialista em medicina do sono Joaquim Moita avisa que o fim da hora de inverno seria preocupante sobretudo para as crianças e adolescentes, que passariam a acordar e a ir para as aulas ainda de noite.

A Comissão Europeia vai propor o fim da mudança de hora, depois de essa ter sido a vontade expressa por uma grande maioria dos europeus na consulta pública lançada este verão, acabando com a distinção entre horário de verão e horário de inverno.

Em declarações à agência Lusa, o médico Joaquim Moita, que dirige o Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e a Associação Portuguesa do Sono, lembra que o cérebro humano precisa de exposição à luz solar para acordar devidamente.

“Se acabar a hora de inverno, entre os meses de Novembro e Janeiro iremos estar às 08:15 ainda com noite escura”, avisa o especialista. Ora, às 08:15 muitas das crianças e adolescentes portugueses já estão a ter aulas ou pelo menos a caminho da escola.

“O resultado não será benéfico e o desempenho cognitivo e físico podem ficar comprometidos. As crianças e os adolescentes já deviam ir bem acordados para a escola e, para acordar bem, o cérebro precisa de exposição ao sol, à luz solar”, explica.

O especialista frisa que uma das regras básicas da higiene do sono é precisamente levantar à mesma hora e procurar a exposição solar, o que pode ficar comprometido caso se acabe com a hora de inverno.

“Os mesmos problemas também se podem aplicar ao mundo do trabalho. É muito preocupante para as faixas etárias mais jovens, mas também para quem já trabalha”, indicou o especialista do sono.

Joaquim Moita julga que haveria vantagens em manter a hora de inverno e considera que as alterações entre hora de verão e hora de inverno não constituem qualquer problema médico, até porque o organismo se adapta facilmente a estas mudanças de hora.

O perito lembra que os portugueses “já dormem pouco”, considerando que o fim da hora de inverno pode ainda prejudicar mais o descanso, o número de horas de sono e a forma como se desperta.

Mudança leva os cidadãos para a Idade Média

Em igual sentido, o professor do Departamento de Física Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela (USC), Jorge Mira e o físico da Universidade de Sevilha, José María Martín Olalla, concordaram que a decisão de eliminar a mudança de hora semestral em toda a União Europeia “é um passo atrás” que “quebra a estabilidade horária na Europa”.

Para Mira, a decisão é um “passo atrás”, que leva os cidadão para o “tempo da Idade Média”, através da “imposição” de ideias de pessoas “que concebem que a Terra é plana”, reiterou o professor universitário.

Ambos os físicos concordam que a abolição da hora de inverno é um claro passo atrás.

“A razão para a mudança de hora é que o planeta gira o seu eixo de rotação desviado do eixo da órbita, de modo que a diferença entre o dia e a noite muda muito“, explicou Mira em declarações à Europa Press.

O cientista deu o exemplo concreto da Galiza, salientando que a diferença entre o dia e a noite no solstício de verão é de seis horas e 40 minutos e, “apenas três meses depois” essa diferença passa para zero horas.

Mira prosseguiu explicando que, três meses depois a diferença passa a ser de seis horas e 45 minutos a favor da noite. ” A cada três meses, temos seis horas e 45 minutos de variação e a mudança de tempo foi uma forma de atenuar um pouco essa variação, que é o posicionamento mais lógico”, concluiu.

Uma maioria “muito clara” de 84% dos cidadãos europeus pronunciaram-se a favor do fim da mudança de hora na consulta pública realizada este verão, de acordo com resultados preliminares divulgados nesta sexta-feira pela Comissão Europeia.

Os resultados preliminares publicados pelo executivo comunitário revelam que os portugueses que participaram no inquérito online estão em linha com a média europeia, já que 85% também defenderam que deixe de se mudar o relógio duas vezes por ano, o que Bruxelas pretende agora implementar, com a apresentação de uma proposta legislativa. Os resultados finais serão avançados nas próximas semanas.

Naquela que foi, de forma destacada, a consulta pública mais participada de sempre, com mais de 4,6 milhões de contributos oriundos de todos os Estados-membros, a maior parte das respostas veio da Alemanha, onde o assunto foi particularmente mediatizado, apontando a Comissão que a taxa de participação em percentagem da população nacional variou entre os 3,79% na Alemanha e os 0,02% no Reino Unido, tendo em Portugal participado no inquérito 0,33% da população.

Os resultados preliminares, acrescenta Bruxelas, “indicam também que mais de três quartos (76%) dos participantes consideram que mudar de hora duas vezes por ano é uma experiência «muito negativa» ou «negativa»”, e “como justificação do desejo de pôr fim a esta regras alegam o impacto negativo na saúde, o aumento de acidentes de viação ou a falta de poupanças de energia”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
1 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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951: 85% dos portugueses votaram para acabar com mudança da hora. Mas quantos foram realmente?

Houve mais de 4,6 milhões de resposta, mas a grande maioria veio da Alemanha

© Regis Duvignau/Reuters

Houve uma maioria “muito clara” de 84% de cidadãos europeus a votar pelo fim da mudança da hora na consulta pública realizada este verão e no caso dos portugueses essa percentagem até sobe para 85%. Mas a proporção é relativa aos que votaram e que foram apenas 34 mil, segundo os dados preliminares hoje divulgados pela Comissão Europeia.

Ou seja, os dados mostram que a taxa de participação em Portugal foi de 0,33%, o que corresponde a quase 34 mil a portugueses a votar. Destes, cerca de 29 mil escolheram acabar com a mudança da hora. No total, participou menos de 1% da população europeia.

Naquela que foi a consulta pública mais participada de sempre, com mais de 4,6 milhões de contributos oriundos de todos os Estados-membros, a maior parte das respostas veio da Alemanha, onde 3,8% da população respondeu. No outro extremo está o Reino Unido, com os britânicos muito pouco informados ou interessados.

Os resultados preliminares “indicam também que mais de três quartos (76 %) dos participantes consideram que a mudança de hora duas vezes por ano é uma experiência “muito negativa” ou “negativa” – um número que sobe novamente em Portugal para 80%.

A comissária europeia Violeta Bulc reafirmou por ocasião da publicação dos resultados preliminares da consulta que a mensagem foi “muito clara”. “Vamos agora agir em conformidade com esta vontade expressa e preparar uma proposta legislativa ao Parlamento Europeu e ao Conselho, que decidiram então em conjunto”, indicou.

Hoje de manhã, antecipando-se à divulgação dos resultados, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já anunciara que Bruxelas vai propor o fim da mudança de hora, depois de essa ter sido a vontade expressa por uma grande maioria dos europeus na consulta pública lançada este verão.

Com Lusa

Diário de Notícias
Patrícia Jesus
31 Agosto 2018 — 14:00

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950: Relatório técnico recomenda ao governo que não acabe com mudança da hora

O relatório tem dois dias e foi elaborado pelo “homem que manda na hora” em Portugal. Rui Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa, defende a manutenção do actual sistema

Portugal não deve acabar com a mudança de hora. Deve manter a situação actual. Adiantar o relógio em Março. E promover a mudança do atraso dos ponteiros para o último domingo de Setembro em vez do último domingo de Outubro.

Esta é a principal conclusão de um estudo elaborado pelo director do Observatório Astronómico de Lisboa, Rui Agostinho, a pedido do governo português no âmbito da discussão europeia sobre a mudança da hora e a que o DN teve acesso. Há dois dias que o Executivo tem na sua posse este documento, que vai contra o resultado da consulta pública realizada pela Comissão Europeia. Segundo apurou o DN junto de fonte do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o governo aguardará pela apresentação formal da proposta legislativa de Bruxelas para emitir uma posição oficial.

“O actual regime da Hora Legal em Portugal com Hora de Verão é o melhor quando comparado com as possíveis alternativas. Os Estados membros da União Europeia tiram consequências positivas da existência do regime da Hora de Verão. Contudo, poderia ser melhorado. A União Europeia e o Estado português, com a sua representação nela, deveriam apoiar e aprovar a melhoria do regime actual da Hora de Verão [HdV], alterando para o último domingo de Setembro o terminus do período da HdV. Este era o regime de Hora de Verão que se fazia até 1995 nos países do continente europeu, e mostra que sempre foi a escolha, ao longo de muitas décadas, com a qual todos os povos se sentiam relativamente bem”, lê-se nas conclusões finais do relatório, que foi enviado do governo, com a data de quarta-feira, dia 29.

Nos argumentos a favor desta opção o professor doutor do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa constata que “a introdução da Hora de Verão permite tirar partido das horas finais do dia claro (mais uma hora de luz) para desenvolver actividades complementares, ou usá-las em lazer, passeio, caminhada, corrida, bicicleta, etc.., ou actividades culturais, algo que se tem tornado importante pois contribui para o bem estar geral. Além disso, as deslocações em massa (de e para o trabalho ou escola) também são realizadas com a boa luz ambiente, diminuindo as probabilidades de acidentes“.

Admitindo que o principal argumento para a mudança da hora, a poupança de energia, já não se coloca nos mesmos moldes, o relatório também sustenta que um dos principais argumentos contra a mudança de hora, perturbações no sono, também não se coloca com a dimensão que por vezes se lhe quer dar.

“O valor da poupança [energética] verificada é relativamente pequeno, em média inferior a 1%. Apesar de ser um aspecto positivo deixou de ser um objectivo fundamental na introdução da Hora de Verão, passando a ser uma expectativa que está em harmonia com a política de conservação de energia, dos Estados membros da União Europeia”, refere o estudo técnico, que agora terá de ser avaliado pelo Executivo de António Costa.

Sobre as perturbações do sono, o mesmo documento, que totaliza 44 páginas e tem vários apêndices a gráficos explicativos, afirma: “As alterações a que o ciclo circadiano está sujeito nas transições de e para a Hora de Verão e o seu impacto no ciclo do sono vs actividade, têm sido objecto de muitos estudos científicos mas não têm até agora demonstrado a existência de perturbações significativas na pessoa humana (em larga escala), que reduzam as suas capacidades na realização da vida quotidiana regular”.

Rui Agostinho cita resultados de estudos já conhecidos para afirmar que as “perturbações de sono mostram acontecer durante um período curto, que vai desde 2 a 3 dias até uma semana. Sabe-se que em casos de pessoas mais susceptíveis estende-se até duas semanas. É pouquíssimo tempo quando comparado com os 7 meses que dura o regime da Hora de Verão, e que na generalidade agrada à vasta maioria das pessoas”.

É ainda especificado que avançar uma hora (o que acontece em Março) tem mais efeito nas pessoas do que atrasar uma hora (o que acontece em Outubro). Ressalva-se que a intensidade desse impacto depende de cada pessoa.

Sobre o fim da mudança de hora, opção escolhida por 85% dos 4,6 milhões de cidadãos europeus que participaram numa consulta pública online promovida pela Comissão Europeia até 16 de Agosto, o director do Observatório Astronómico de Lisboa conclui que é nefasta para a população portuguesa. E explica porquê.

“As principais consequências nefastas estão na parte matinal”, diz sobre a ideia de acabar com a Hora de Inverno, constatando que levaria a que “o nascer do sol acontecesse perto ou depois das 8.00 entre meados de Outubro e meados de Março: são quase 5 meses completos. Isto implica que as grandes movimentações em massa, para os trabalhos ou escola, seriam essencialmente realizadas com pouca luz, difusa, no céu. O despertar da população aconteceria com as estrelas ainda no céu, durante 40% do ano”. O especialista recorda: “O país teve uma situação assim, de 1967 a 1975, e abandonou-a devido ao desconforto causado.

“As pessoas só estão a pensar nos dias longos e compridos. Mas não é assim. A duração do dia não é o relógio que a faz. É o sol. As pessoas esquecem-se disso. Têm que analisar como seria a situação durante todo o ano e não só face ao facto de terem dias mais compridos durante o verão”, afirmou ao DN Rui Agostinho, dizendo que “a parte técnica está feita, agora a decisão está nas mãos dos políticos”.

Naquela consulta promovida pela Comissão, cujo resultado o presidente da mesma, Jean-Claude Juncker, prometeu respeitar, dizendo que Bruxelas vai propor o fim da mudança da hora na UE, votaram 4,6 milhões de pessoas em 511 milhões cidadãos europeus. 3 milhões dos quais são provenientes da Alemanha. Qualquer decisão final terá que ser rectificada pelo Parlamento Europeu (de onde partiu aliás a ideia da consulta pública sobre a hora) e, por maioria, pelo Conselho Europeu (instituição europeia que agrupa os governos dos 28 Estados membros).

A comissária europeia dos Transportes, Violeta Buc, calcula que a abolição da mudança da hora possa entrar em vigor em 2020 ou 2021, se não houver entraves nos trâmites. E aqui entram mais uma vez em jogo o peso da burocracia e diferenças políticas entre os vários Estados membros. Sendo que, em 2019, há eleições para o Parlamento Europeu, em maio, e dois meses antes está previsto que aconteça a saída do Reino Unido da UE. O brexit deverá acontecer a 29 de Março. Dois dias depois, 31 de Março, o último domingo do mês, é suposto a hora mudar.

É precisamente com uma referência ao brexit que o professor Rui Agostinho encerra as conclusões do seu relatório sobre a mudança ou não da hora: “Devido ao brexit mas também devido a algum descontentamento da população, que tem sido mostrado nos últimos anos através de inquéritos e solicitações ao Parlamento Europeu, este é o momento adequado para compreender esta mudança. Note-se que foi por causa da tradição diferente que existia nas ilhas britânicas e devido ao espírito de compromisso, que a UE escolheu o último domingo de Outubro para terminar o período da Hora de Verão, de modo a harmonizar a hora em todo o espaço comunitário europeu”.

Diário de Notícias
Patrícia Viegas
31 Agosto 2018 — 17:33

(Foram corrigidos 27 erros ortográficos ao texto original)

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947: Amanhecer às 9.00? O que significa ficar sempre na hora de verão? E vai mesmo acontecer?

A comissão Europeia vai propor o fim da mudança da hora, mas esta abolição, a confirmar-se, só deverá entrar em vigor em 2020 ou 2021

Pôr do sol na Alemanha
© REUTERS/Michaela Rehle

Imagine um cenário em que chegamos a 28 de Outubro e não atrasamos o relógio, como está previsto e tem acontecido nas últimas décadas, ficando na hora de verão, como agora propõe a Comissão Europeia. O que vai acontecer?

Nos dias mais curtos do ano, em Dezembro e Janeiro, o nascer do sol vai acontecer apenas às 8.55, bem perto das nove da manhã. Em compensação, no inverno o sol deixará de se pôr antes das 18, já que o mais cedo que vai desaparecer do horizonte é às 18.14.

Para o especialista em medicina do sono Joaquim Moita, isto seria preocupante sobretudo para as crianças e adolescentes, que passariam a acordar e a ir para as aulas ainda de noite. “Se acabar a hora de inverno, entre os meses de Novembro e Janeiro iremos estar às 08:15 ainda com noite escura”, avisa o especialista.

Actualmente, com a mudança para o horário de inverno, os dias em que o sol nasce mais tarde é às 7.55. Por outro lado, também se põe às 17.15 no início de Dezembro – isto tendo em conta a hora de Portugal continental.

Em Portugal, segundo dados da Comissão Europeia, 85% das 34 mil pessoas que votaram escolheram parar com as mudanças. Uma vez que o inquérito era sobre o horário de verão a ideia é ficar para sempre neste horário. Mas, segundo o El País, Holanda, Dinamarca, Finlândia e República Checa, ou quem votou nesses países, demonstrou a vontade de manter o horário de inverno.

Ora isto, menos provável, significaria mudar de hora em Outubro, mas não voltar a mudar em Março. As alterações seriam mais dramáticas nos meses de verão: em Junho haveria dias com o sol a nascer às 5.11 e nunca haveria pores-do-sol depois das 21, o máximo seria às 20.04.

Os anos da experiência de 1992 a 1996

Em Portugal, a última tentativa de mexer nos horários aconteceu entre 1992 e 1996: nesses quatro anos a hora continuou a mudar, mas o País adoptou a hora da Europa Central, seguindo o meridiano de Berlim. A decisão foi do Executivo de Cavaco Silva e o objectivo era acertar relógios com os nossos parceiros europeus, favorecendo os negócios. No entanto, o desfasamento em relação ao tempo solar era tão grande – chegava a duas horas e meia – que as pessoas estranharam. O Governo de António Guterres não perdeu muito tempo antes de voltar ao Tempo Médio de Greenwich (GMT), em 1996.

Perante estas opções, o que vai acontecer realmente?

A consulta pública sobre a mudança da hora foi, em parte, uma tentativa de mudar a ideia de que a UE é uma coisa longínqua e burocrática que não se preocupa com os assuntos que realmente preocupam as pessoas no seu dia-a-dia.

Para mudar isso, o Parlamento Europeu, que vai a eleições em maio de 2019, decidiu a 8 de Fevereiro deste ano pedir a realização e uma consulta pública. A Comissão Europeia, como já fez no passado para outros temas, lançou a consulta online. A votação esteve aberta aos 511 milhões de habitantes dos 28 países da UE até 16 de Agosto.

Os resultados parciais foram agora conhecidos e os finais são esperados nas próximas semanas. O resultado da votação não era vinculativo e a Comissão Europeia não tinha a obrigação de pegar nele para propor uma alteração das regras comunitárias que regulam os fusos horários. Mas decidiu fazê-lo. Quem o confirmou foi o presidente da instituição comunitária Jean-Claude Juncker.

A proposta legislativa que vier a ser apresentada pela Comissão terá que ser analisada pelo Parlamento e pelo Conselho Europeu por maioria. Esta instituição é, na verdade, a mais poderosa, pois é composta pelos governos dos 28 Estados membros.

Escolha de fuso horário depende do país

Em entrevista à ZDF, Juncker indicou que irá propor optar-se pela hora de verão, mas fontes da Comissão, citadas pelo jornal espanhol El País, precisaram que a decisão caberá a cada país: a fixação da hora é uma competência nacional e não comunitária.

Apesar de se ir procurar sempre uma posição comum, para não perturbar até o funcionamento do mercado interno europeu, o certo é que os países se comprometeriam a não mudar a hora, mas a escolha do fuso horário cabe a cada um.

A comissária europeia dos Transportes, Violeta Buc, calcula que a abolição da mudança da hora possa entrar em vigor em 2020 ou 2021, se não houver entraves nos trâmites. E aqui entram mais uma vez em jogo o peso da burocracia e diferenças políticas entre os vários Estados membros.

Assim não será ainda possível acabar com a mudança da hora já a 28 de Outubro: nesse dia o relógio atrasa 60 minutos e às três da manhã serão, afinal, duas da manhã.

Diário de Notícias
Patrícia Jesus e Patrícia Viegas
31 Agosto 2018 — 15:08

(Foram corrigidos 15 erros ortográficos ao texto original)

Nota do Administrador deste Blogue: que os cronistas e responsáveis por este jornal online pretendam continuar a escrever em brasuquês, é lá com eles (e com a sua consciência de portugueses). Que coloquem um por-do-Sol na Alemanha nesta notícia é que não dá mesmo para entender. Será que Portugal não possui melhores paisagens de por-do-Sol e referindo-se esta notícia também ao nosso País, porque razão uma imagem da Alemanha? Fica então duas imagens de por-do-Sol made in Lisboa – Portugal, captadas por mim, da janela do prédio onde resido. Ah! e para esclarecimento, as imagens dos logos deste Blogue e do Blogue Eclypse, não são de nenhum por-do-Sol mas de um por-da Lua.

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946: Fim da mudança de hora. No inverno, o Sol vai nascer às 9h

European Parliament / Flickr
Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia

A Comissão Europeia vai propor o fim da mudança de hora, depois de essa ter sido a vontade expressa por uma grande maioria dos europeus na consulta pública lançada este verão, anunciou o presidente do executivo comunitário.

“Milhões de cidadãos disseram que não querem continuar a alterar o relógio. A Comissão Europeia vai fazer o que eles dizem. Seguir-se-á proposta legislativa”, anunciou Jean Claude Juncker, através da conta de uma das suas porta-vozes no Twitter.

Em declarações à estação televisiva alemã ZDF, Juncker acrescentou que “quando se consulta os cidadãos sobre algo, convém de seguida fazer aquilo que eles desejam“.

A consulta pública online sobre a mudança de hora, lançada pela Comissão Europeia em Julho e concluída em 16 de Agosto, teve uma participação recorde na União Europeia, com mais de 4,6 milhões de contributos.

Uma maioria “muito clara” de 84% dos cidadãos europeus pronunciaram-se a favor do fim da mudança de hora, de acordo com resultados preliminares hoje divulgados pela CE.

As disposições actuais relativas à hora de verão na UE exigem que os relógios sejam alterados duas vezes por ano, para ter em conta a evolução dos padrões de luz do dia e tirar partido da luz do dia disponível num dado período.

Actualmente, todos os países-membros mudam para a hora de Verão no último domingo de Março e mudam para a hora de Inverno no último domingo de Outubro, de modo a manter uma harmonização do horário em todo o espaço da União Europeia.

Em declarações à TSF, Rui Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa, considera que acabar com a mudança de hora vai tornar o inverno mais difícil para os portugueses.

“O sol vai nascer por volta das 09h00. Esse é o preço que vamos pagar”, afirma. “Toda a movimentação de massa que existe de deslocação para os empregos e para as escolas é feita ainda com estrelas no céu. Ou seja, às 07h00/07h30, o corpo não está naturalmente a querer acordar. As pessoas irão conduzir para o trânsito ainda meio adormecidas, as crianças entram na escola e não dá para começar a fazer aprendizagem porque o corpo ainda quer repouso”, destaca.

Embora seja “tradição” na Europa e nos EUA, esta prática não é feita na Ásia ou em África. Aliás, esta nem sequer é a primeira vez que a UE faz inquéritos sobre o tema. Em 2014, a maioria dos países dizia estar satisfeita com o sistema actual.

A ideia de adiantar os relógios para aproveitar melhor as horas de sol foi lançada em 1784 pelo político e inventor norte-americano Benjamin Franklin, numa época em que ainda não existia luz eléctrica. A sua ideia não foi bem recebida nem pelo Governo do seu país, nem pelo da França, onde Franklin publicou um artigo sobre a possível economia em cera de vela gerada pelo adiantamento do relógio em uma hora no verão.

O que é certo é que os supostos benefícios frequentemente apontados para a mudança de hora, como a poupança energética, benefícios de saúde, ou até mesmo segurança de circulação nas estradas, são dados como inconclusivos pela própria Comissão, havendo até quem diga que a mudança de hora está literalmente a matar-nos.

ZAP // Lusa

Por ZAP
31 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 9 erros ortográficos ao texto original)

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30: Datas de Mudança da Hora

HORA DE INVERNO E VERÃO PARA 2017

Portugal continental

Em conformidade com a legislação, a hora legal em Portugal continental:

  • será adiantada  60 minutos à 1 hora de tempo legal (1 hora UTC) do dia 26 de Março e atrasada  60 minutos às 2 horas de tempo legal (1 hora UTC) do dia 29 de Outubro.

Região Autónoma da Madeira

Em conformidade com a legislação, a hora legal na Região Autónoma da Madeira:

  • será adiantada  60 minutos à 1 hora de tempo legal (1 hora UTC) do dia 26 de Março e atrasada  60 minutos às 2 horas de tempo legal (1 hora UTC) do dia 29 de Outubro.

Região Autónoma dos Açores

Em conformidade com a legislação, a hora legal na Região Autónoma dos Açores:

  • será adiantada  60 minutos às 0 horas de tempo legal (1 hora UTC) do dia 26 de Março e atrasada  60 minutos à 1 hora de tempo legal (1 hora UTC) do dia 29 de Outubro.

____________________________________

DATAS DE MUDANÇA DA HORA ATÉ 2021

Comunicação da Comissão Europeia respeitante às disposições relativas à hora de Verão

Jornal Oficial nº C 061 de 17/02/2016 p. 0001 – 0001

Nos anos de 2017 a 2021, inclusive, o início e o termo do período da hora de Verão são fixados, respectivamente, nas datas seguintes, à 1 hora da manhã, tempo universal:

  • 2017: domingo 26 de Março e domingo 29 de Outubro,
  • 2018: domingo 25 de Março e domingo 28 de Outubro,
  • 2019: domingo 31 de Março e domingo 27 de Outubro,
  • 2020: domingo 29 de Março e domingo 25 de Outubro,
  • 2021: domingo 28 de Março e domingo 31 de Outubro.

 

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