3571: O tempo não pode (mesmo) voltar para trás

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) Tjarda Boekholt

É impossível inverter o movimento de três ou mais corpos celestes quando interagem entre si, concluiu um recente estudo.

Se três ou mais objectos se movimentarem, quer sejam átomos ou planetas, a história não poderá ser revertida. Esta é a conclusão de um recente estudo que tem por base simulações de computador de três buracos negros numa complexa órbita trinária. Esta investigação contraria a teoria de que é possível viajar no tempo.

A maioria das leis fundamentais da física não tem problemas com a direcção em que ocorrem, isto é, são simétricas no tempo. “No entanto, todos sabemos que o tempo não pode voltar para trás. Um copo que cai e se parte não pode voltar inteiro para a nossa mão”, começam por explicar os cientistas em comunicado, citado pelo Science Alert.

Até agora, os cientistas explicaram a falta de simetria do tempo em escala macro pela interacção estatística entre um grande número de partículas. Agora, três astrónomos mostraram que são apenas precisas três partículas para quebrar a simetria do tempo e estabelecer uma única via para a seta do tempo.

Tjarda Boekholt, da Universidade de Coimbra, Simon Portegies Zwart da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, e Mauri Valtonen, da Universidade de Turku, na Finlândia, calcularam as órbitas de três buracos negros que interagem entre si.

Os investigadores fizeram dois tipos de simulação. Na primeira, os buracos negros estão inicialmente em repouso. Devido à gravidade, atraem-se mutuamente e cruzam-se, percorrendo órbitas caóticas, até que um dos buracos negros escapa à atracção dos outros dois.

Na segunda simulação, o sistema inicia com a situação final da simulação anterior, e tenta reverter o tempo de volta à situação inicial.

As simulações realizadas pela equipa mostraram que o tempo não pode ser revertido em 5% dos cálculos, mesmo que o computador use mais de cem casas decimais. Segundo os investigadores, a simetria do tempo é interrompida pelo crescimento exponencial de perturbações do tamanho do comprimento de Planck, que é cerca de 10-35 metros.

O comprimento de Planck é um princípio físico que se aplica a fenómenos ao nível do átomo. “O movimento dos três buracos negros pode ser tão caótico que algo tão pequeno quanto o comprimento de Planck entra em acção. A simetria do tempo é quebrada por distúrbios do tamanho do comprimento de Planck”, explica Boekholt.

Desta forma, não poder voltar para trás no tempo deixa de ser um argumento estatístico. “Este fenómeno está oculto nas leis básicas da Natureza. Nenhum sistema de três objectos em movimento, grandes ou pequenos, planetas ou buracos negros, pode escapar à direcção do tempo”, concluíram os cientistas.

Os resultados desta investigação serão publicados na edição de Abril da The Monthly Notices da Royal Astronomical Society.

ZAP //

Por ZAP
20 Abril, 2020

 

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3226: O norte magnético da Terra move-se a uma velocidade sem precedentes em direcção à Rússia

CIÊNCIA

(CC0/PD) PIRO4D / pixabay

Novos dados de satélite indicam que o pólo norte magnético da Terra se move a uma velocidade sem precedentes e cada vez mais rápida à medida que avança para a Rússia, mais precisamente em direcção à Sibéria, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). 

Os dados foram apresentados esta semana pelo Centro Nacional de Dados Geofísicos dos Estados Unidos (NGDC), em colaboração com o British Geological Survey (BGS).

De acordo com o mais recente modelo magnético global, que vai vigorar até 2025, prevê-se que o “pólo norte magnético da Terra continuará à deriva em direcção à Rússia, embora a uma velocidade lentamente decrescente, até aproximadamente 40 quilómetros por ano”, explica a NOAA em comunicado.

Esta velocidade, apesar de decrescente, é muito maior do que a registada em décadas anteriores. “O pólo norte magnético vagou lentamente pelo norte do Canadá de 1590 até meados de 1990 e depois acelerou nos últimos 20 anos, passando de 10 quilómetros por ano para mais de 50 quilómetros por ano”, explicou o cientista Ciaran Beggan, do BGS, em declarações ao jornal britânico Daily Mail.

“Pelo contrário, o pólo sul magnético quase não se moveu nos últimos 100 anos, uma vez que o fluxo do núcleo externo é muito mais silencioso”, acrescentou.

Financial Times @FinancialTimes

Navigators have relied upon it for centuries. It is essential to everything from smartphone apps to aviation and shipping. But the latest calculations reveal that Earth’s magnetic north pole is shifting. And it’s showing little sign of slowing down https://on.ft.com/2PhAnvu 

Depois de estar perto do Canadá durante centenas de anos, recorde-se, o norte magnético começou a mover-se rapidamente em direcção à Sibéria desde o início do ano.

“Acreditamos que o pólo norte magnético foi absorvido por uma corrente de jacto em movimento rápido perto do topo do planeta e que esta está a fazer com que [o norte magnético] seja arrastado do Canadá para a Sibéria”, acrescentou.

Campo magnético enfraquece 5% a cada ano

O modelo agora apresentando frisa ainda que o campo magnético enfraquece cerca de 5% a cada século. Se esta tendência se mantiver, poderá ser revertido.

Como o modelo do campo magnético mundial é amplamente utilizado em sistemas de navegação, civis e militares, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos actualiza periodicamente as suas informações.

Os pólos norte e sul magnéticos deslocam-se e não coincidem com os pólos norte e sul geográficos, apesar de serem próximos geograficamente. Na longa história do planeta, o pólo norte magnético nem sempre esteve no norte geográfico e até já chegou a estar a sul – a inversão dos pólos ocorreu já várias vezes, não tendo sido registada nos últimos 780 mil anos. A inversão é um fenómeno gradual, durando cerca de cem mil anos ou até mais.

Afinal, o que nos irá acontecer quando os pólos magnéticos inverterem?

A reversão dos pólos magnéticos da Terra pode parecer algo verdadeiramente assustador, mas será um evento perigoso? A resposta é…

ZAP //

Por ZAP
19 Dezembro, 2019

artigos relacionados: Earth’s Magnetic North Pole Continues Drifting, Crosses Prime Meridian

 

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1563: O pólo norte magnético da Terra está a “cair” para a Rússia a grande velocidade

(CC0/PD) PIRO4D / pixabay

O pólo magnético norte da Terra está a mover-se a grande velocidade do Canadá para a Rússia, mais precisamente em direcção à Sibéria, revelaram os especialistas do Centro Nacional de Informações Ambientais dos Estados Unidos.

Em comunicado, os especialistas explicam que este rápido movimento de deslocação está relacionado com mudanças imprevistas na região do Árctico. “O movimento do pólo norte magnético é muito rápido”, afirma à Associated Press o geofísico Arnaud Chulliat, que liderou a actualização do Modelo Magnético Mundial (WMM).

Em causa está a turbulência do núcleo externo líquido da Terra, o ferro líquido no núcleo do planeta, explicam os especialistas. Essa movimentação coloca obstáculos às bússolas, artigos electrónicos, nomeadamente smartphones, e navios, uma vez que o modelo do campo magnético suporta os seus sistemas de navegação.

“A localização do pólo norte magnético parece ser regulada por duas grandes zonas do campo magnético, uma sob o Canadá e outra sob a Sibéria, sendo que a área da Sibéria está a ganhar a competição”, disse o investigador Phil Livermore, da universidade britânica de Leeds, citado pela revista especializada Nature.

No momento, e de acordo com os cientistas, o pólo norte magnético da Terra move-se de norte para noroeste a uma velocidade de 55 quilómetros por ano. Dois anos antes, e depois de o WMM ter sido actualizado, parte do campo magnético, mais a sul, desviou-se temporariamente para o norte da América do Sul e o leste do Oceano Pacífico.

O movimento rápido obrigou os cientistas actualizar o WMM um ano antes do que estava previsto. Por norma, os especialistas actualizam o modelo a cada cinco anos, sendo que a última actualização foi feita em 2015. Contudo, e visando evitar erros de navegação, os cientistas adiantaram a actualização. No ano passado, peritos em geomagnetismo aperceberam-se que a margem de erro do modelo estava perto de ultrapassar o limite do aceitável para os erros de navegação.

Os pólos norte e sul magnéticos deslocam-se e não coincidem com os pólos norte e sul geográficos, apesar de serem próximos geograficamente. Na longa história do planeta, o pólo norte magnético nem sempre esteve no norte geográfico e até já chegou a estar a sul – a inversão dos pólos ocorreu já várias vezes, não tendo sido registada nos últimos 780 mil anos. A inversão é um fenómeno gradual, durando cerca de cem mil anos ou até mais.

ZAP // Lusa

Por ZAP
7 Fevereiro, 2019

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