2094: Fungo geneticamente modificado mata 99% do mosquito que transmite a malária

CIÊNCIA

Centers for Disease Control and Prevention / Wikimedia
Anopheles, mosquito da Malária

Um fungo geneticamente modificado pode matar rapidamente 99% do mosquito causador da malária, segundo um estudo feito no Burkina Faso por investigadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos da América (EUA).

O fungo foi geneticamente modificado para produzir a toxina de uma espécie de aranha, anunciaram os autores da investigação. Os testes que se realizaram no Burkina Faso mostraram que 99% dos mosquitos morreram em 45 dias.

Segundo os investigadores, o objectivo do estudo não é causar a extinção do mosquito da malária, mas sim ajudar a controlar a propagação da doença.

A malária é uma doença infecciosa causada pelo parasita do género “Plasmodium”, que se transmite às pessoas pela picada do mosquito do género “Anopheles”. Os sintomas mais comuns são febre, fadiga, vómitos e dores de cabeça.

A transmissão da malária provoca anualmente mais de 400 mil mortes em todo o mundo, entre cerca de 219 milhões de infectados.

Os investigadores da Universidade de Maryland, em conjunto com especialistas do Instituto de Investigação em Ciências da Saúde, no Burkina Faso, identificaram pela primeira vez o fungo, denominado Metarhizium Pingshaense, que infecta o mosquito Anopheles, principal transmissor da malária em África.

Posteriormente, o fungo foi modificado: “São muito maleáveis, é possível manipulá-los geneticamente com muita facilidade”, disse o investigador Raymond Leger, da Universidade de Maryland, citado pela BBC News.

Os investigadores focaram-se numa toxina encontrada no veneno de uma espécie de aranha-funil da Austrália. As instruções genéticas para fabricar a toxina foram adicionadas ao código genético do fungo, de modo a produzir a toxina para o mosquito.

“Uma aranha usa as suas presas para perfurar a pele e injectar as toxinas, substituímos as presas de aranha pelo [fungo] Metarhizium”, explicou ainda o investigador.

Os resultados da investigação e dos testes laboratoriais, publicados esta semana na revista Science, mostraram que o número de mosquitos aumentou quando não foi usado o fungo modificado. Contudo, recorrendo ao fungo da toxina de aranha, dos iniciais 1.500 mosquitos, no final dos testes, após 45 dias, existiam apenas 13.

A Organização Mundial da Saúde alertou que os casos de malária estão a aumentar nos dez países africanos mais afectados, porque os mosquitos estão a tornar-se resistentes a insecticidas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
1 Junho, 2019



[vasaioqrcode]

1696: Doença transmitida por mosquitos pode ameaçar metade do planeta até 2050

Jim Gathany / Wikimedia

Até 2050, metade da população mundial pode estar em risco devido a doenças transmitidas por mosquitos como dengue ou o vírus do Zika.

Uma combinação de mudanças ambientais, urbanização e movimentos humanos em todo o mundo estão a ajudar os mosquitos a espalharem-se para novas áreas, de acordo com os resultados do estudo publicado na revista Nature Microbiology.

“Encontramos evidências de que, se nenhuma acção for tomada para reduzir a actual taxa de aquecimento, haverá habitats em muitas áreas urbanas com grandes quantidades de indivíduos susceptíveis a infecções”, disse Moritz Kraemer, do Hospital Infantil de Boston e a Universidade de Oxford.

A investigação concentra-se nas espécies de mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, ambas conhecidas pela sua capacidade de transportar e transmitir doenças.

O novo estudo analisou dados de rastreamento de mosquitos dos Estados Unidos e da Europa, incorporando uma variedade de factores num modelo para prever a disseminação da espécie nas próximas décadas.

Os investigadores conduziram as simulações em três diferentes cenários climáticos potenciais, assumindo níveis moderados, altos e severos de futuras mudanças climáticas.

Actualmente, os dados sugerem que o Aedes aegypti está a espalhar-se pelos Estados Unidos – a partir dos estados do sul – a uma taxa de cerca de 59 quilómetros por ano, embora se tenha espalhado em taxas mais rápidas no passado. Por outro lado, o Aedes albopictus parece estar a espalhar-se a taxas cada vez mais rápidas em toda a Europa, actualmente a uma taxa de cerca de 63 quilómetros por ano.

O estudo sugere que as duas espécies vão continuar a espalhar-se pelo mundo nas próximas décadas, embora os factores que as impulsionem possam mudar com o passar do tempo.

A curto prazo, o estudo constata que as mudanças ambientais provavelmente não farão muita diferença na taxa de disseminação, pois os mosquitos expandem-se naturalmente. Mesmo sob as condições climáticas actuais, espera-se que ambas as espécies continuem a mover-se para novas áreas.

No longo prazo, porém, espera-se que as mudanças climáticas e outros factores, como o aumento da densidade populacional e a urbanização, se tornem grandes influências no número de pessoas expostas a doenças transmitidas por mosquitos.

Entre 2030 e 2050, a mudança climática – que pode tornar as áreas anteriormente impróprias habitáveis ​​para os mosquitos através do aumento das temperaturas e condições mais húmidas – provavelmente tornar-se-á um factor primordial. Quanto mais severo for o cenário futuro das mudanças climáticas, maior a população em risco.

No geral, a investigação constata que pelo menos 49% da população mundial estará em risco de doenças transmitidas por mosquitos até 2050. Este percentual continuará a crescer, mesmo sob cenários climáticos moderados.

Como resultado, os cientistas observam que “reduzir as emissões de gases do efeito estufa seria desejável para limitar o aumento de habitats adequados“.

ZAP // Scientific American

Por ZAP
11 Março, 2019

[vasaioqrcode]