5344: Cientistas encontraram pólen no estômago de uma mosca com 47 milhões de anos

CIÊNCIA/BIOLOGIA/PALEOBIOLOGIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Senckenberg
O fóssil da mosca Hirmoneura messelense encontrado em Messel, na Alemanha

Cientistas encontraram o fóssil de uma mosca, com 47 milhões de anos, com o estômago cheio de vestígios de pólen.

“O pólen que descobrimos no seu estômago sugere que as moscas já se alimentavam e transportavam pólen há 47 milhões de anos e mostra que desempenharam um papel importante na dispersão de pólen de várias plantas”, disse o botânico Fridgeir Grímsson, da Universidade de Viena, na Áustria, citado pelo site Science Alert.

O novo fóssil foi encontrado no sítio fossilífero de Messel, na Alemanha, e representa uma nova espécie de mosca – Hirmoneura messelense –, que tinha uma probóscide muito curta (órgão nasal dos insectos dípteros).

A análise feita por esta equipa mostra que o seu intestino e o seu estômago têm traços de pólen de pelo menos quatro famílias de plantas, sendo que algumas provavelmente cresceram em torno das margens da floresta de um antigo lago.

Os investigadores também encontraram longos cabelos, conhecidos como cerdas, no seu tórax ou abdómen. Embora aqui não tenha sido encontrado nenhum pólen, o facto de estas cerdas existirem sugere que também poderiam ter transportado pólen quando a mosca saltou de flor em flor.

Ao contrário de outras moscas com probóscides longas, que geralmente pairam sobre as plantas para se alimentarem, esta em particular provavelmente pousou no topo das flores, “antes de engolfar o pólen das anteras”, escreveram os autores do estudo publicado, a 10 de Março, na revista científica Current Biology.

De facto, a probóscide da mosca é tão curta que nem chega a ser visível. Os investigadores pensam que poderá estar escondida dentro da cabeça da mosca. Além disso, as flores de que se parece ter alimentado geralmente estão muito juntas, o que lhe teria permitido andar facilmente entre elas, comendo uma refeição após a outra.

“É provável que a mosca evitasse voos de longa distância entre as fontes de alimentos e procurasse pólen de plantas intimamente associadas”, explicou ainda Grímsson, um dos autores do estudo.

Segundo o mesmo site, esta descoberta apoia uma antiga teoria que defende que, em alguns ambientes tropicais dos dias de hoje, as moscas que visitam flores podem ser tão importantes como algumas abelhas polinizadoras (talvez até mais).

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Por ZAP
17 Março, 2021


4236: Como é que as ilusões de óptica nos enganam? As moscas têm a resposta

CIÊNCIA/BIOLOGIA

zcreem / Flickr

Uma equipa de neuro-cientistas tentou explicar o fenómeno das ilusões de óptica e encontrou algumas respostas nos olhos das moscas.

Uma equipa de neuro-cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, publicou recentemente um artigo científico na Proceedings of the National Academy of Sciences no qual explicam que as moscas são enganadas por ilusões de óptica tão facilmente quanto os seres humanos.

“Foi emocionante perceber que as moscas percebem movimento em imagens estáticas da mesma forma que nós”, disse Damon Clark, professor da universidade norte-americana, citado pelo EurekAlert. Os minúsculos cérebros destes insectos facilitam o rastreamento da actividade dos neurónios no sistema visual.

Depois de apresentarem ilusões de óptica a moscas, os cientistas mediram o comportamento dos animais para ver se os insectos percebiam o movimento da ilusão da mesma forma que os humanos.

Os resultados mostraram que as moscas giram instintivamente os corpos em direcção a qualquer movimento percebido e, quando diante da ilusão de óptica, estes animais giram na mesma direcção do movimento que os humanos percebem no padrão.

A equipa analisou ainda tipos específicos de neurónios responsáveis pela detecção de movimento em moscas e encontraram um padrão de respostas criado pelo padrão estático. Ao ligar e desligar estes neurónios, os cientistas foram capazes de mudar a percepção das moscas sobre o movimento ilusório. Ao desligar os dois tipos de neurónios, eliminaram completamente a ilusão.

Por outro lado, ao desligar apenas um dos dois tipos de neurónios, as moscas percebiam um movimento ilusório na direcção oposta. Com base nestes dados, a equipa concluiu que a ilusão de óptica é o resultado de pequenos desequilíbrios na maneira como os diferentes tipos de detectores de movimento contribuem para a forma como as moscas respondem, ou não, às ilusões.

Para extrapolar o resultado para os seres humanos, a equipa de Yale pediu a 11 voluntários que observassem uma ilusão de óptica e contassem a sua experiência. Os resultados sugerem que os sistemas visuais humanos são mais complicados do que os das moscas, mas os resultados indicam que, por trás desta ilusão, está um mecanismo muito semelhante.

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Por ZAP
28 Agosto, 2020