5032: Arqueólogos revelam causas de morte comuns na Idade Média

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

Nick Saffell / Universidade de Cambridge

Arqueólogos revelam causas de morte comuns na Idade Média, no Reino Unido. A equipa de investigadores analisou ossos de 314 pessoas.

Uma equipa de arqueólogos analisou ossos de 314 pessoas com pelo menos 12 anos de idade, entre os anos de 1100 e 1530. As ossadas foram retiradas de cemitérios de uma paróquia, de um convento e de um hospital, em Cambridge, no Reino Unido.

“A vida medieval era difícil para todos”, disse Jenna Dittmar, autora principal do estudo da Universidade de Cambridge, publicado na revista científica American Journal of Physical Anthropology.

Os investigadores descobriram uma alta percentagem de mortes após fracturas ósseas pelas mais variadas razões. Num dos casos, mencionado pelo jornal britânico The Guardian, um frade foi esmagado por uma carroça após ser atacado por bandidos.

Os autores descobriram que as fracturas ósseas eram mais comuns entre os enterrados no cemitério da paróquia, com 44% dos esqueletos analisados a apresentarem sinais de tais danos, em comparação com 32% daqueles enterrados no convento. Fracturas múltiplas também eram mais comuns entre os enterrados no cemitério paroquial.

“As pessoas que foram enterradas no cemitério paroquial de Todos os Santos teriam levado vidas realmente duras”, com trabalhos manuais, desde agricultura até à construção civil, explica a cientista.

Dittmar mostrou-se também surpreendida pelo facto de o hospital ter a menor taxa de mortos com ossos partidos, com apenas 27%.

“As pessoas presumiriam que um hospital é um lugar para onde iriam os indivíduos doentes, pobres ou enfermos, e seria de se esperar que tivessem mais fracturas – o que acabou por não ser o caso”, disse ainda Dittmar. Em contrapartida, o hospital estaria mais focado no cuidado pastoral.

Outra coisa que surpreendeu a autor do estudo foi não ter encontrado evidências de ferimentos causados por armas, apesar das inúmeras guerras travadas durante a Idade Média.

Ferimentos nos ossos eram mais comuns entre os homens (40%), mas não era propriamente alheio às mulheres (26%). Aliás, uma delas partiu o seu maxilar, que se curou, mas também teve outros ferimentos como costelas e um pé partido.

Por Daniel Costa
31 Janeiro, 2021


5007: Milhões de estrelas-do-mar morreram transformadas em gosma. Cientistas já sabem porquê

CIÊNCIA/BIOLOGIA/MICROBIOLOGIA

Jerry Kirkhart / Wikimedia
Uma estrela do mar da espécie Pycnopodia helianthoides

Cientistas descobriram finalmente o culpado por trás da morte de milhões de estrelas do mar, que apareceram em várias regiões do mundo transformadas numa espécie de gosma.

Em 2013, milhões de estrelas-do-mar morreram de forma estranha, ao longo de toda a costa oeste da América do Norte, com os seus membros separados do resto do corpo e desfeitos numa espécie de gosma.

Mais de 20 espécies foram afectadas, conta o site Science Alert. Em algumas áreas, populações da estrela-do-mar do girassol (Pycnopodia helianthoides) caíram, em média, cerca de 90% em poucas semanas, uma perda que fez com que esta espécie, outrora comum e abundante, desaparecesse da maioria da região em apenas alguns anos.

Os cientistas começaram a suspeitar que o culpado desta situação fosse algum vírus ou bactéria, no entanto, os estudos realizados afastaram esse cenário. Mas agora, conta o mesmo site, uma equipa de biólogos marinhos desvendou finalmente o mistério.

Ao comparar os tipos de bactérias em estrelas-do-mar saudáveis e nas que sofrem desta doença debilitante, os investigadores descobriram que as que prosperam em ambientes com pouco oxigénio eram abundantes nos animais doentes, como os copiotróficos (organismos encontrados em ambientes ricos em nutrientes).

Experiências feitas em laboratório confirmaram que a água com escassez de oxigénio causou estas lesões em 75% das estrelas-do-mar. Adicionar muitos nutrientes ou fitoplâncton à água também fez com que a saúde destes animais diminuísse.

Ao reanalisar amostras de tecido de 2013, os cientistas detectaram excesso de azoto, um sinal de que estas estrelas-do-mar morreram sufocadas.

“As estrelas-do-mar difundem oxigénio sobre a sua superfície externa através de pequenas estruturas chamadas pápulas. Se não houver oxigénio suficiente à volta das pápulas, a estrela-do-mar não consegue respirar“, explicou, em comunicado, Ian Hewson, microbiologista marinho da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo publicado, a 6 de Janeiro, na revista científica Frontiers in Microbiology.

A equipa observou ainda que a maioria destes eventos foi relatada no final do outono ou do verão, quando o fitoplâncton que aumenta os níveis de nutrientes na água através da fotossíntese é mais abundante. Temperaturas mais altas são causas conhecidas do florescimento de fitoplâncton.

ZAP //

Por ZAP
26 Janeiro, 2021


4981: Cientistas alertam: A Terra está a morrer mais depressa do que se pensava

CIÊNCIA/AMBIENTE/CLIMA

Paulo Cunha / Lusa

A tripla ameaça das alterações climáticas, declínio da biodiversidade e superpopulação está a abater-se sobre o nosso planeta Terra, estando a morrer mais depressa do que pensávamos.

Num artigo publicado, a 13 de Janeiro, na revista científica Frontiers in Conservation Science, um grupo de cientistas alertou para o facto de a Humanidade estar a avançar em direção a um “futuro medonho”, que só pode ser evitado se os líderes mundiais começarem a levar a sério as ameaças ambientais.

Segundo o site Live Science, os 17 investigadores que assinaram o artigo – dos Estados Unidos, México e Austrália – descrevem três grandes ameaças: as alterações climáticas, o declínio da biodiversidade e a superpopulação humana (e consequente consumo excessivo).

Citando mais de 150 estudos científicos, a equipa argumenta que estas três crises – que estão prestes a escalar nas próximas décadas – colocam o planeta Terra numa posição mais precária do que a maioria das pessoas imagina e podem até mesmo colocar a própria raça humana em risco.

Segundo os autores, o objectivo deste novo artigo não é repreender os cidadãos ou alertar que tudo está perdido, mas antes descrever claramente as ameaças para que as pessoas (e esperançosamente os líderes políticos) comecem a levá-las a sério e a planear mudanças, antes que seja tarde demais.

Como será o futuro? Para começar, escreveu a equipa, a natureza será muito mais solitária. Desde o início da agricultura, há 11 mil anos, a Terra perdeu cerca de 50% das suas plantas terrestres e cerca de 20% da sua biodiversidade animal. Se as tendências actuais continuarem, cerca de um milhão das sete a 10 milhões de espécies vegetais e animais pode ficar em risco de extinção.

Essa enorme perda de biodiversidade também perturbaria os principais ecossistemas, havendo menos insectos para polinizar as plantas, menos plantas para filtrar o ar, a água e o solo e, assim sendo, menos florestas para proteger as populações de inundações e de outros desastres.

Ao mesmo tempo, tudo indica que esses mesmos fenómenos que causam desastres naturais irão tornar-se mais fortes e mais frequentes devido às alterações climáticas globais. Esses desastres, juntamente com as secas e o aumento do nível do mar, podem significar que mil milhões de pessoas se tornariam refugiadas até 2050.

A superpopulação humana também só irá dificultar as coisas. “Em 2050, a população mundial provavelmente irá crescerá para cerca de 9,9 mil milhões, com o crescimento projectado para continuar até ao próximo século”, escreveram os autores do estudo.

Este crescimento exacerbado irá agravar os problemas sociais como, por exemplo, a insegurança alimentar e habitacional, o desemprego, a superlotação e as desigualdades. Os investigadores também destacam que maiores populações também aumentam o risco de novas pandemias.

“Se a maioria da população mundial realmente entendeu a magnitude destas crises, e a inevitabilidade de virem a piorar, seria lógico esperar mudanças positivas nas políticas para corresponder à gravidade das ameaças. Mas está a acontecer o oposto”, lamentam os autores do artigo.

Guterres pede a todos os líderes mundiais que declarem estado de emergência climática

O secretário-geral das Nações Unidas pediu este fim-de-semana a todos os líderes mundiais que declarem estado de emergência nos seus…

Ler mais

ZAP //

Por ZAP
21 Janeiro, 2021


4935: O ALMA captura galáxia distante em colisão a morrer à medida que perde a capacidade de formar novas estrelas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ESO

As galáxias começam a “morrer” quando param de formar estrelas, mas até agora os astrónomos nunca tinham observado claramente o início deste processo numa galáxia distante. Com o auxílio do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), do qual o Observatório Europeu do Sul (ESO) é um parceiro, os astrónomos observaram uma galáxia a lançar para o exterior quase metade do seu gás, gás esse que deveria ser utilizado para formar estrelas. Esta ejecção de matéria está a ocorrer a uma taxa surpreendente, equivalente a 10 000 sóis por ano, o que significa que a galáxia está a perder muito rapidamente o “combustível” necessário à formação de novas estrelas. A equipa pensa que este evento terá sido despoletado pela colisão com outra galáxia, o que poderá levar os astrónomos a repensar o modo como as galáxias param de formar novas estrelas.

Esta é a primeira vez que observamos uma galáxia com formação estelar massiva típica no Universo distante prestes a ‘morrer’ devido a uma ejecção massiva de gás frio,” disse Annagrazia Puglisi, investigadora principal do novo estudo, da Universidade de Durham, Reino Unido, e do Centro de Investigação Nuclear de Saclay (CEA-Saclay), França. A galáxia, ID2299, está tão distante que a sua luz demora 9 mil milhões de anos a chegar até nós; vemo-la por isso quando o Universo tinha apenas 4,5 mil milhões de anos de idade.

A ejecção de gás está a ocorrer a uma taxa equivalente a 10 000 sóis por ano, removendo uns incríveis 46% do gás frio total existente na ID2299. A pista elusiva que alertou os cientistas para o que estava a acontecer nesta galáxia foi a associação do gás ejectado com uma “cauda de maré”. As caudas de maré são correntes alongadas de estrelas e gás que se estendem para o espaço interestelar e que são criadas quando duas galáxias se fundem, mas que são normalmente muito ténues para poderem ser observadas em galáxias distantes. No entanto, a equipa conseguiu observar esta estrutura relativamente brilhante mesmo na altura em que estava a ser lançada para o espaço, conseguindo identificá-la como uma cauda de maré.

A maioria dos astrónomos pensa que os ventos causados pela formação estelar e a actividade de buracos negros nos centros de galáxias massivas são responsáveis por lançar para o espaço material que, de outro modo, seria utilizado na formação estelar, terminando assim com a capacidade das galáxias de formar novas estrelas. Contudo, o novo estudo publicado hoje na Nature Astronomy sugere que as fusões galácticas podem também ser responsáveis por ejectar para o espaço este “combustível” de formação estelar.

O nosso estudo sugere que as ejecções de gás podem ter origem em fusões e que ventos e caudas de maré podem parecer muito semelhantes,” explica o co-autor do estudo Emanuele Daddi do CEA-Saclay. Por causa disso, algumas das equipas que anteriormente identificaram ventos lançados por galáxias distantes poderão de facto ter observado caudas de maré a ejectar gás dessas galáxias. “Este facto pode levar-nos a rever o que sabemos sobre como ‘morrem’ as galáxias distantes,” acrescenta Daddi.

Puglisi concorda com a importância da descoberta da equipa: “Fiquei muito entusiasmada ao descobrir uma galáxia tão excepcional! Estava ansiosa para aprender mais sobre este estranho objecto, pois convenci-me de que havia aqui uma lição importante sobre a evolução de galáxias distantes.

Esta descoberta surpreendente foi feita por acaso quando a equipa estava a analisar um rastreio de galáxias obtido pelo ALMA com o objectivo de estudar as propriedades do gás frio em mais de 100 galáxias distantes. A ID2299 foi observada pelo ALMA durante apenas alguns minutos, mas o poderoso observatório, localizado no norte do Chile, permitiu à equipa colectar dados suficientes para detectar a galáxia e a sua cauda de ejecção.

O ALMA lançou uma nova luz sobre os mecanismos que podem fazer parar a formação estelar em galáxias distantes. Testemunhar um tal evento de perturbação tão massivo permite-nos acrescentar uma peça importante ao complexo puzzle da evolução galáctica,” explica Chiara Circosta, uma investigadora na University College London, Reino Unido, que também contribuiu para este trabalho.

No futuro, a equipa poderá usar o ALMA para fazer observações com maior resolução e mais profundas desta galáxia, para tentar compreender melhor a dinâmica do gás ejectado. Observações com o futuro Extremely Large Telescope do ESO permitirão à equipa explorar as ligações entre as estrelas e o gás na ID2299, o que nos poderá dar novas pistas sobre a evolução das galáxias.

Informações adicionais

Este trabalho foi descrito num artigo científico intitulado “A titanic interstellar medium ejection from a massive starburst galaxy at z=1.4” que será publicado na revista especialidade Nature Astronomy (doi: 10.1038/s41550-020-01268-x).

A equipa é composta por A. Puglisi (Centre for Extragalactic Astronomy, Durham University, RU e CEA, IRFU, DAp, AIM, Université Paris-Saclay, Université Paris Diderot, Sorbonne Paris Cité, CNRS, França [CEA]), E. Daddi (CEA), M. Brusa (Dipartimento di Fisica e Astronomia, Università di Bologna, Itália e INAF-Osservatorio Astronomico di Bologna, Itália), F. Bournaud (CEA), J. Fensch (Univ. Lyon, ENS de Lyon, Univ. Lyon 1, CNRS, Centre de Recherche Astrophysique de Lyon, França), D. Liu (Instituto Max Planck de Astronomia, Alemanha), I. Delvecchio (CEA), A. Calabrò (INAF-Osservatorio Astronomico di Roma, Itália), C. Circosta (Department of Physics & Astronomy, University College London, RU), F. Valentino (Centro Cosmic Dawn do Instituto Niels Bohr, Universidade de Copenhaga e DTU-Space, Universidade Técnica da Dinamarca, Dinamarca), M. Perna (Centro de Astrobiología (CAB, CSIC–INTA), Departamento de Astrofísica, Espanha e INAF-Osservatorio Astrofisico di Arcetri, Itália), S. Jin (Instituto de Astrofísica de Canarias e Universidad de La Laguna, Dpto. Astrofísica, Espanha), A. Enia (Dipartimento di Fisica e Astronomia, Università di Padova, Itália [Padova]), C. Mancini (Padova) e G. Rodighiero (Padova e INAF-Osservatorio Astronomico di Padova, Itália).

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO tem 16 Estados Membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, para além do país de acolhimento, o Chile, e a Austrália, um parceiro estratégico. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo, para além de dois telescópios de rastreio: o VISTA, que trabalha no infravermelho, e o VLT Survey Telescope, concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é também um parceiro principal em duas infra-estruturas situadas no Chajnantor, o APEX e o ALMA, o maior projecto astronómico que existe actualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está a construir o Extremely Large Telescope (ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma infra-estrutura astronómica internacional, surge no âmbito de uma parceria entre o ESO, a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF) e os Institutos Nacionais de Ciências da Natureza (NINS) do Japão, em cooperação com a República do Chile. O ALMA é financiado pelo ESO em prol dos seus Estados Membros, pela NSF em cooperação com o Conselho de Investigação Nacional do Canadá (NRC) e do Conselho Nacional Científico da Taiwan (NSC) e pelo NINS em cooperação com a Academia Sinica (AS) da Taiwan e o Instituto de Astronomia e Ciências do Espaço da Coreia (KASI). A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol dos seus Estados Membros; pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia dos Estados Unidos (NRAO), que é gerido pela Associação de Universidades, Inc. (AUI), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório Conjunto ALMA (JAO) fornece uma liderança e gestão unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.

eso2101pt — Nota de Imprensa Científica
11 de Janeiro de 2021
Utilização de Imagens, Vídeos e Música do ESO

 

4877: Via Láctea pode estar cheia de civilizações mortas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A Terra pode ter recebido vida muito depois de outros planetas. Além disso, a vida neste canto da galáxia pode ter sido bafejada pela sorte. Segundo um estudo agora apresentado pela NASA, a grande maioria das civilizações alienígenas que já floresceram na nossa galáxia provavelmente estão mortas.

A nossa galáxia é formada por centenas de milhares de milhões estrelas. Poderão ter alimentado vida inteligente antes da Terra ter vida.

Civilizações terão “cometido suicídio”

Este novo estudo foi realizado por investigadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia e do Jet Propulsion Laboratory da NASA.

No trabalho foi usada uma versão da famosa equação de Drake, que em 1961 tentou determinar as probabilidades de encontrar inteligências extraterrestres na nossa galáxia.

Neste trabalho agora apresentado, os investigadores tornaram-no muito mais prático do que o original. Dizem-nos, então onde e quando é mais provável que ocorra a vida na Via Láctea. Contudo, foi também considerado um cenário assustador, mas determinante que afecta a capacidade de sobrevivência: a tendência de criaturas inteligentes se auto-aniquilarem.

A vida inteligente na Galáxia poderá ter aparecido há 8 mil milhões de anos

Utilizando modelos estatísticos complexos, os investigadores descobriram que a melhor altura para a vida inteligente emergir na Via Láctea foi há cerca de 8 mil milhões de anos após a sua formação, e que muitas destas civilizações poderiam ter estado “sozinhas” a 13.000 anos-luz do centro galáctico, a apenas metade da distância da Terra, onde os seres humanos emergiram cerca de 13,5 mil milhões de anos após a formação da Via Láctea.

Tem havido muita investigação. Especialmente desde os telescópios espaciais Hubble e Kepler, temos muito conhecimento sobre as densidades de gás e estrelas na Via Láctea, bem como sobre a taxa de formação de novas estrelas e planetas… e sobre a taxa de ocorrência de explosões de super-novas. De facto, conhecemos alguns dos números que no tempo de Sagan ainda eram um mistério.”

Referiu Jonathan H. Jiang, um dos autores do estudo.

O que ajudou ao aparecimento da vida e a aniquilou

No seu trabalho, os autores do estudo analisaram uma grande variedade de factores capazes de influenciar o desenvolvimento da vida, tais como a prevalência de estrelas semelhantes ao Sol com planetas semelhantes à Terra, a frequência das super-novas que emitem radiação mortal, a probabilidade e o tempo necessário para que a vida inteligente evolua e, claro, a tendência mais do que provável das civilizações avançadas para a autodestruição.

Assim, tendo em conta todos estes factores, os investigadores descobriram que a probabilidade de vida baseada nos elementos que conhecemos emergem e consolidam picos a cerca de 13.000 anos-luz do centro galáctico cerca de 8 mil milhões de anos após a formação da galáxia.

A Terra está a cerca de 25.000 anos-luz do centro da Via Láctea e a civilização humana emergiu quase 13,5 mil milhões de anos após o seu nascimento.

Por outras palavras, em termos de geografia galáctica, é provável que os humanos sejam uma “civilização de fronteira” e relativamente tardia em comparação com o grosso das civilizações inteligentes da galáxia, que na sua maioria se aglomerariam em torno daquela faixa de 13.000 anos-luz a partir do centro, onde as estrelas semelhantes ao Sol são mais abundantes.

Mas o que terá aniquilado as civilizações mais antigas?

Segundo o que foi referido, o estudo também considerou os factores que poderiam ter acabado com estas civilizações.

Assim, em causa poderão estar factores como a exposição à radiação, a interrupção da evolução devido a um impacto de asteróides ou outra catástrofe natural e, acima de tudo, a tendência da vida inteligente para se aniquilar a si própria, seja através das alterações climáticas, dos avanços tecnológicos ou da guerra.

Nesse sentido, a haver outras civilizações na Via Láctea, estas são provavelmente jovens. O resto ter-se-ia “erradicado a si mesmo”. A maioria das civilizações que antes existiam na Via Láctea teriam desaparecido irremediavelmente por sua própria autodestruição.

O estudo pode ser consultado na publicação arXiv.

Autor: Vítor M.
28 Dez 2020


4358: Milhares de pássaros migratórios estão (misteriosamente) a morrer no Novo México

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Allison Salas / New Mexico State University

Um elevado número de pássaros migratórios está a morrer em todo o Novo México, numa misteriosa mortalidade em massa que está a preocupar os cientistas.

Estima-se que o número de pássaros mortos seja de centenas de milhares, “se não forem milhões”, explica Martha Desmond, professora da New Mexico State University, ao jornal Las Cruces Sun-News.

A investigadora americana explica que, em conjunto com biólogos da NMSU, examinou quase 300 carcaças de pássaros que foram encontradas perto do condado de Doña Ana, na semana passada. Contudo, os biólogos também viram relatórios, fotografias e vídeos do fenómeno, que está a afectar todo o estado, mas que também está a ocorrer no Colorado e no Texas.

Segundo a IFLS, embora pareça afectar apenas aves migratórias, a mortalidade afectou também uma grande variedade de espécies de aves, como é o caso de andorinhas, papa-moscas e toutinegras-de-cabeça-preta.

Os habitantes do Novo México garantem que os pássaros agiam de forma estranha, uma vez que não comiam, voavam baixo, moviam-se lentamente, e estavam tão lentos que eram frequentemente atropelados por veículos.

A causa deste mistério ainda não foi descoberta, mas os biólogos estão a investigar algumas teorias. Os incêndios florestais que estão a devastar a Califórnia, podem ser uma das principais causas deste cenário trágico.

Acredita-se que esta situação possa ter estimulado os pássaros a iniciar a migração de outono mais cedo do que o normal. Porém à medida que se deslocavam para o interior, as fontes de comida e água estavam a diminuir devido às secas trazidas pelo verão longo e quente. Alguns cientistas também consideram que as aves podem ter inalado fumo e isso lhes tenha causado danos nos pulmões.

Esta região dos EUA também foi atingida por uma frente fria local na primeira semana de Setembro, o que também pode ter prejudicado os planos de migração das aves. Os biólogos acreditam que a junção de todos estes factores criam um ambiente perfeito para estimular problemas às aves, que depois acabam por morrer.

Foto do perfil, abre a página do perfil no Twitter em uma nova aba

Simon Romero
@viaSimonRomero
NEW: What’s causing huge bird die-off in New Mexico? Biologists say wildfires, combined with drought & record heat waves, could be trigger
New Mexico Mystery: Why Are So Many Birds Dropping Dead?
Scientists say that the wildfires in the West combined with drought and record heat waves could be triggering one of the Southwest’s largest migratory bird die-offs in recent decades.
nytimes.com

Para ajudar a desvendar o mistério, o Southwest Avian Mortality Project está a pedir ajuda aos habitantes locais, para que estes registem qualquer ave morta que encontram através da aplicação, ou do site iNaturalist.

Como alternativa, os investigadores estão a pedir à população para recolher amostras em sacos plásticos, armazená-las no frigorífico e, em seguida, entrar em contacto com os a equipa para que possam analisar o estado em que os animais acabam por sucumbir.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2020

 

 

4183: Hubble revela porque é que a brilhante Betelgeuse se está a apagar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Novas observações do Telescópio Espacial Hubble sugerem que a atenuação do brilho da super-gigante Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes da Via Láctea, se deve a uma nuvem de poeira.

De acordo com as novas imagens captadas pelo telescópio, o escurecimento inesperado desta estrela terá sido causado por uma imensa quantidade de material quente que, quando ejectado para o Espaço, formou uma nuvem de poeira que, por sua vez, bloqueou a luz proveniente da superfície da própria estrela.

Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes de toda a Via Láctea, começou a perder luminosidade em Outubro do ano passado, num fenómeno que alguns cientistas entenderam como um sinal do fim de vida da estrela.

Especialista sustentaram que este corpo, quase mil vezes maior do que o Sol e a 725 anos-luz da Terra, estava a aproximar-se na sua morte, prestes a explodir numa super-nova.

Contudo, meses de observações do Hubble, entre Setembro e Novembro de 2019, sugerem outra causa para justificar o escurecimento da estrela. O telescópio capturou sinais de um material denso e aquecido a mover-se pela atmosfera da Terra.

O Hubble viu o plasma ultra-quente que foi libertado na superfície da estrela, sendo depois arrefecido nas camadas externas da atmosfera. Eventualmente, tornou-se numa nuvem de poeira, fazendo consequentemente diminuir o brilho da estrela.

“A nuvem de poeira resultante bloqueou a luz de cerca de um quarto da superfície da estrela, começando no final de 2019. Em Abril de 2020, a estrela recuperou o seu brilho normal”, explicaram os cientistas num comunicado divulgado pela NASA.

“Com o Hubble, vemos o material quando este deixou a superfície visível da estrela e se moveu através da atmosfera, antes da formação de poeira que fez com que a estrela parecesse estar a escurecer”, disse o autor principal do estudo, Andrea Dupree, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, nos Estados Unidos.

Manchas gigantes de Betelgeuse podem explicar o seu estranho escurecimento

As manchas gigantes da estrela Betelgeuse podem estar por detrás do estranho escurecimento que esta estrela tem vindo a experimentar,…

Ler mais

ZAP //

Por ZAP
18 Agosto, 2020

 

 

4123: Mudanças climáticas podem vir a causar mais mortes do que a covid-19, alerta Bill Gates

CIÊNCIA/AMBIENTE/CORONAVÍRUS

As mudanças climáticas podem custar muito mais vidas nas próximas décadas do que a pandemia do novo coronavírus (covid-19).

O alerta é do co-fundador da Microsoft, Bill Gates, que, através de uma reflexão no seu blogue pessoal, e admitindo as consequências negativas da covid-19, alerta que as alterações climáticas que ocorrem no planeta podem vir a causar mais mortes.

O filantropo compara a taxa de mortalidade do novo coronavírus, que é de aproximadamente de 14 mortes por 100.000 pessoas, com o aumento esperado na taxa de mortalidade relacionado com o aumento da temperatura global à boleia das emissões.

“Até o final do século, e se o crescimento das emissões continuar em elevados níveis, as mudanças climáticas poderão ser responsáveis ​​por 73 mortes adicionais por cada 100.000 pessoas. Num cenário de emissões mais baixas, a taxa de mortalidade cai para 10 mortes por 100.000 pessoas”, pode ler-se na sua reflexão.

Tomando qualquer um dos dois cenários, o mais optimista ou o mais pessimista, Gates alerta que qualquer projecção mostra que o índice de mortalidade associado às mudanças climáticas será semelhante ou muito superior ao do novo coronavírus.

“Em 2060, as mudanças climáticas podem ser tão mortal como a covid-19 e em 2100 podem ser cinco vezes mais mortais”, alerta o multimilionário.

Na mesma publicação, Gates alerta para os problemas económicos que serão também causados pelas alterações climáticas, à semelhança do que já acontece com a covid-19.

“Nas próximas dez décadas, os danos económicos causados ​​pelas mudanças climáticas serão, provavelmente, tão graves como os de uma pandemia numa escala semelhante ao coronavírus (…) E, até o final do século, será muito pior se o mundo permanecer na sua trajectória de emissões [de gases com efeito de estufa]”, disse.

Por tudo isto, Gates recomenda que se tomem medidas imediatas para travar o aquecimento global do planeta.

Bill Gates previu várias vezes uma pandemia. E sabia que o mundo não estava preparado

Embora para muitos a pandemia de coronavírus pareça ter surgido do nada, há anos algumas pessoas vêm a alertar sobre…

Ler mais

ZAP //

Por ZAP
7 Agosto, 2020

 

 

2943: Há 500 milhões de anos, as trilobites morreram em fila indiana (e agora sabemos porquê)

CIÊNCIA

(dr) Jean Vannier

Há 480 milhões de anos, no período Ordoviciano baixo, muitas trilobites morreram no fundo do mar em fila indiana. Agora, uma equipa de cientistas da Universidade de Lyon, em França, desvendou o mistério.

Em linhas estranhamente ordenadas, com os seus longos espinhos a tocarem uns nos outros como se estivessem em fila indiana ou a caminhar meticulosamente: foi assim que morreram várias trilobites no fundo do mar, há 480 milhões de anos.

O porquê de estes animais terem morrido em fila indiana permaneceu um mistério durante muito tempo. Agora, uma recente investigação sugere uma resposta.

A maneira como os artrópodes morreram, enterrados por sedimentos, sugere a presença de tempestades na altura, ou seja, o comportamento migratório colectivo foi desencadeado por distúrbios no ambiente.

Actualmente, muitos animais exibem comportamentos colectivos e sociais. Mas como e porque é que o comportamento colectivo evoluiu ainda permanece bastante sombrio, uma vez que exemplos deste tipo no registo fóssil são relativamente escassos.

Há cerca de 10 anos, uma equipa de paleontologistas encontrou uma espécie de artrópode anteriormente desconhecida do Baixo Cambriano (541 a 485 milhões de anos atrás) numa linha peculiar quase perfeita.

Vannier et al. / Scientific Reports, 2019

Até agora, os cientistas estavam convencidos de que esta linha era indicativa de comportamento colectivo, ou migratório ou relacionado com a reprodução. No entanto, análises até ao momento deixaram de fora informações muito importantes, como pesquisas do ambiente sedimentar em que foram enterradas.

Recentemente, o geólogo Jean Vannier, da Universidade de Lyon, e uma equipa internacional de cientistas descreveram as várias filas destas trilobites, chamadas Ampyx priscus, encontradas no Tremadocian Fezouata Shale Lagerstätte, perto de Marrocos.

“Mostramos que estes alinhamentos de trilobites não resultam de transporte e acumulação passivos por correntes, mas sim de um comportamento colectivo“, escreveram os cientistas, no artigo científico publicado na Scientific Reports. “O Ampyx priscus estava, provavelmente, a migrar em grupo e usou os seus longos espinhos projectados para manter uma formação de fileira única por contactos físicos possivelmente associados a mecano-receptores e/ou comunicação química“.

Segundo o Science Alert, esta análise constatou que os sedimentos em que as trilobites foram enterradas são consistentes com os sedimentos agitados e depositados por ondas provocadas por tempestades – em quantidades suficientes para enterrar linhas de trilobites, mas não fortes o suficiente para carregá-las.

Assim, sepultadas numa camada do fundo do mar, as trilobites morreram como estavam, envenenadas com sulfureto de hidrogénio, agitado pela tempestade, ou sufocadas.

Esta investigação torna claro o facto de haver fortes indícios de que o comportamento colectivo já prosperava há quase meio milhão de anos.

ZAP //

Por ZAP
2 Novembro, 2019

 

2906: O nosso cérebro não aceita que vamos morrer

CIÊNCIA

Os cientistas acreditam que o nosso cérebro está programado para nos impedir de pensar nas nossas próprias inevitáveis mortes.

O cérebro, de acordo com os investigadores, processa informações sobre a morte como algo mais provável de acontecer a outras pessoas do que a nós próprios.

Quando nos deparamos com a perspectiva de falecer, a nossa actividade cerebral parece mudar para nos proteger dessa ameaça existencial, explicaram os cientistas ao jornal britânico The Guardian.

Para investigar o processo que os cientistas chamam de “mecanismo protector”, os autores do estudo, que será publicado na revista especializada NeuroImage, conectaram os participantes a um monitor cerebral e pediram para olhar para uma tela onde uma série de rostos aparecia. As imagens eram acompanhadas de palavras, incluindo vocabulário relacionado com a morte, como “enterro” ou “funeral”.

Os participantes viram o seu próprio rosto e a cara de um estranho várias vezes, antes de serem confrontados com um novo rosto inesperado, na tentativa de chocar o cérebro.

Quando viram o seu próprio rosto ao lado de uma palavra relacionada com a morte, a actividade na área do cérebro associada à previsão diminuiu. Os cientistas acreditam que isto se deve ao facto de que os cérebros querem evitar ligar o seu “eu” à morte.

Yair Dor-Ziderman, da Universidade Bar Ilan, em Israel, e co-autor do estudo, disse ao mesmo jornal britânico que “o cérebro não aceita que a morte esteja relacionada connosco”. “Temos esse mecanismo primordial que significa que, quando o cérebro obtém informações que se vinculam à morte, algo nos diz que não é confiável, por isso não devemos acreditar”, explicou.

Dor-Ziderman argumentou que a compreensão de que um dia morreremos “vai ao encontro a essência de toda a nossa biologia, o que nos está a ajudar a permanecer vivos”.

O também co-autor do estudo Avi Goldstein disse ao The Guardian que estes resultados sugerem que “nos protegemos das ameaças existenciais ou de pensar conscientemente sobre a ideia de que vamos morrer, fechando as previsões sobre o eu ou categorizando as informações como sendo sobre outras pessoas e não sobre nós“.

Arnaud Wisman, psicólogo na Universidade de Kent, disse que as pessoas usam inúmeras defesas para afastar os pensamentos de morte. Os jovens em particular podem vê-lo como um problema para outras pessoas.

O seu próprio trabalho descobriu que, nas sociedades modernas, as pessoas adoptavam o que ele chama de “passadeira de fuga”, onde trabalhar, ir a bares, passar tempo a olhar para o telemóvel e comprar cada vez mais coisas significavam que as pessoas estavam demasiado ocupadas para se preocupar com a morte.

ZAP //

Por ZAP
26 Outubro, 2019

 

2784: Terramoto de 1964 libertou um fungo mortal no Pacífico

CIÊNCIA

Yakuzakorat / Wikimedia

Há duas décadas, uma infecção fúngica rara, mas mortal, começou a matar animais e pessoas nos EUA e no Canadá. Até hoje, ninguém sabia como chegou lá.

Agora, um par de cientistas apresentou a sua própria teoria: os tsunamis, provocados por um forte terremoto em 1964, encharcaram as florestas do noroeste do Pacífico com água que continha o fungo.

O fungo chama-se Cryptococcus gattii. Como muitas espécies de fungos, tende a preferir viver no solo, principalmente perto de árvores. Mas também podem invadir os pulmões dos animais vivos, onde começam a crescer novamente. A partir daí, podem infectar o sistema nervoso.

A maioria das pessoas expostas a C. gattii não fica doente e a doença não é contagiosa entre as pessoas. Mas é uma das infecções fúngicas mais mortais do mundo, capaz de adoecer pessoas perfeitamente saudáveis. A sua taxa de mortalidade pode chegar a 33%.

C. gattii tem vivido em ambientes tropicais e subtropicais, principalmente na Austrália e na Papua Nova Guiné. Porém, em 1999, estes surtos do mesmo tipo único de C. gattii começaram a aparecer ao longo do Noroeste do Pacífico Norte-Americano, sem uma explicação clara de como o fungo lá chegou. Desde então, os subtipos estabeleceram-se firmemente em toda a costa oeste, adoecendo centenas de animais e pessoas.

Tem havido várias teorias sobre como o C. gattii chegou ao Noroeste do Pacífico. Alguns cientistas argumentaram que surgiu pela primeira vez das florestas tropicais da América do Sul; outros especularam que veio da Austrália.

Os autores do novo estudo, publicado este mês na revista especializada mBio, teorizaram anteriormente que navios da América do Sul levaram o fungo para as águas costeiras do noroeste do Pacífico, logo após a abertura do Canal do Panamá em 1914, que estabeleceu um transporte relativamente fácil entre o Atlântico e Oceanos do Pacífico. O momento faria sentido, com evidências genéticas a sugerir que todas as populações de C. gattii nos EUA e no Canadá têm entre 66 e 88 anos.

Agora, os cientistas argumentam que o fungo conseguiu sustentar-se durante décadas nas águas do Noroeste do Pacífico antes que outro grande evento o espalhasse pelo continente: o Grande Terremoto do Alasca de 1964.

Ainda registado como o maior terremoto já detectado no Hemisfério Norte e o segundo maior do mundo – registando um 9,2 na escala Richter – o desastre natural matou mais de 100 pessoas, destruiu edifícios e desencadeou uma cadeia de tsunamis que chegaram até ao Japão, de acordo com o Gizmodo.

“Esse evento, como nenhum outro na história recente, causou um empurrão maciço de água do oceano nas florestas costeiras do [noroeste do Pacífico]”, escreveram os autores. “Esse evento pode ter causado uma exposição de C. gattii às costas regionais, incluindo as da ilha de Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá, Washington e Oregon”.

O caso dos autores é quase inteiramente circunstancial. Mas trazem algumas evidências convincentes. Por um lado, com base na análise genética, todas as cepas de C. gattii atualmente presentes no noroeste do Pacífico parecem ter chegado lá num grande evento décadas antes de 1999. As primeiras investigações de surtos também encontraram níveis mais altos de fungos nas árvores e nos solos mais perto do nível do mar. Além disso, pelo menos um paciente de Seattle adoeceu com C. gattii em 1971, quase três décadas antes dos surtos de 1999, mas após o tsunami.

Os autores observam que existem outros casos de desastres naturais que desencadearam surtos de doenças infecciosas raras. Por exemplo, um tornado de 2011 em Joplin, Missouri, pode ter espalhado uma onda de infeções devoradoras de carne causadas pelo fungo Apophysomyces.

Mesmo que a teoria seja verdadeira, ainda há a questão de por que passaram décadas até casos começarem a aparecer regularmente. Se é verdade que C. gattii pode sobreviver nas águas costeiras durante longos períodos de tempo, também precisamos de descobrir se há outras áreas do mundo que podem estar em risco.

Para esse fim, os autores estão a analisar amostras de água em todo o mundo para procurar vestígios do fungo que podem ter passado despercebidos.

ZAP //

Por ZAP
6 Outubro, 2019

 

2574: Cientistas vão levar células cancerígenas ao Espaço para que a baixa gravidade as mate

CIÊNCIA

Annie Cavanagh / Wellcome Images
Células cancerígenas

Através de estudos de simulação, um cientista australiano tem vindo a investigar de que forma o ambiente de baixa gravidade pode afectar a nossa fisiologia e, até mesmo, matar células cancerígenas.

Após ter recolhido dados de testes prévios, segundo os quais a ausência de gravidade no Espaço pode matar a maioria das células cancerígenas sem a necessidade de recorrer a medicamentos, um investigador australiano está agora a preparar-se para testar as suas experiências na Estação Espacial Internacional (EEI) no próximo ano.

O engenheiro biomédico Joshua Chou tem conduzido experiências num laboratório da Universidade de tecnologia de Sidney, usando um simulador de micro-gravidade para observar como as células cancerígenas respondem e, as suas possíveis razões.

Chou explicou à New Atlas que, antes da investigação, o foco estava na expressão genética do cancro sob micro-gravidade. “Mas ninguém analisou os mecanismos, e a estratégia que estamos a abordar é identificar os receptores sensoriais no cancro, na esperança de os enganar”, revelou o cientista.

Chou e Anthony Kirolos expuseram as células do cancro do ovário, mama, nariz e pulmão no simulador de micro-gravidade por 24 horas. 80% a 90% destas células morreram.

Os investigadores acreditam que isto ocorre porque a falta de força gravitacional nas células influencia a forma como estas comunicam entre si, tornando-as incapazes de sentir o ambiente — algo a que chamam descarga mecânica.

“Tenho de esclarecer que a micro-gravidade afecta outras células, como as células ósseas”, disse Chou. Desta forma, os investigadores conseguiram concluir que as células ósseas e do cancro são “super sensíveis aos efeitos da micro-gravidade.

Porque razão este efeito de descarga atinge mais as células cancerígenas do que as outras é uma das questões que Chou espera responder quando a sua experiência for realizada na EEI, no próximo ano.

Na primeira missão à EEI, as células vão ser compactadas num dispositivo mais pequeno do que o tamanho de uma caixa de lenços de papel e estudadas no ambiente de micro-gravidade durante uma semana.

A esperança é que a experiência possa elucidar os receptores e sensores específicos por detrás do efeito de descarga mecânica nas células cancerígenas, para que os cientistas possam projectar fármacos que repliquem os mesmo efeitos na Terra.

DR, ZAP //

Por DR
5 Setembro, 2019

 

2461: Morreu Marium, o mais famoso dugongo da Tailândia. Comeu plástico

CIÊNCIA

(dr)

Quando foi resgatado, em Abril, tornou-se uma estrela na Tailândia. O dugongo órfão, chamado Marium, acabou por morrer este sábado, devido a uma infecção causada pela ingestão de plástico, de acordo com os veterinários que cuidaram do mamífero na ilha de Koh Libong, na província de Trang, no sul da Tailândia.

Uma equipa de cerca de 10 veterinários e 40 voluntários cuidou de Marium nas águas pouco profundas de Koh Libong, depois de descobrir o animal sozinho e desnutrido. A equipa disse que a morte do dugongo deveria servir como um alerta sobre os efeitos dos resíduos de plástico na vida selvagem.

Cerca de quatro meses depois de ser encontrado, Marium tornou-se famoso após circularem na Internet imagens tiradas pelos veterinários que cuidaram da cria. Na semana passada, o dugongo começou a mostrar sinais de stress e a recusar alimentar-se.

Na quarta-feira, Marium foi transferido para um tanque para ser seguido mais de perto pela equipa de veterinários, conta o jornal britânico The Guardian, mas acabou por morrer nesta manhã de sábado.

Segundo os veterinários, a autópsia revelou que pequenos pedaços de plástico tinham entupido e inflamado os intestinos do mamífero, causando uma infeção que levou à sua morte. Foram ainda encontrados hematomas no corpo de Marium, que podem ter sido causados pelo ataque de outro dugongo.

“Estamos todos tristes com esta perda “, disse Nantarika Chansue, directora da unidade de medicina animal da Universidade Chulalongkorn, em Banguecoque.

No mês passado, em Koh Libong, quando Marium estava ainda de boa saúde, Chansue expressou preocupação com a possibilidade de algo acontecer aos dugongos. “Uma coisa para a qual não estamos preparados é se houver uma emergência”, disse. “No caso de algo acontecer… estamos bem longe da terra [principal]. Preparámos equipamentos de emergência… [mas] tudo é possível “, vaticinou.

Um segundo dugongo órfão, que é mais novo que Marium e foi encontrado em Junho perto do local de onde foi resgatado o irmão, está a ser vigiado no Centro de Biologia Marinha de Phuket. Jamil e Marium deveriam ser lançados ao mar quando atingissem os 18 meses, a idade em que os dugongos deixam as mães.

Os dugongos apresentam comportamentos e aparências semelhantes aos manatins, mas a cauda de um dugongo é muito semelhante à de uma baleia. São uma espécie solitária e as fêmeas dão à luz a apenas uma cria, após uma gestação de um ano, ajudando-as a alcançar a superfície da água para respirarem pela primeira vez.

As progenitoras e crias têm um laço muito próximo, nunca as abandonando e mantendo sempre contacto com a cria. Os historiadores acreditam que os dugongos e os manatins serviram de inspiração para os contos sobre criaturas marinhas sobrenaturais.

ZAP //

Por ZAP
17 Agosto, 2019

Por Julien Willem – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4447582

 

2413: Renas estão a morrer à fome na Noruega. A culpa é das alterações climáticas

(dr) Elin Vinje Jenssen / Norsk Polarinstitutt

Investigadores descobriram que as mais de 200 renas encontradas mortas no arquipélago Svalbard, na Noruega, morreram à fome por causa das consequências das alterações climáticas.

Todos os anos, ecologistas do Instituto Polar Norueguês (NPI) fazem uma pesquisa sobre a população de renas em Svalbard, um arquipélago na Noruega composto por glaciares e tundra congelada (um bioma no qual a baixa temperatura e estações de crescimento curtas impedem o desenvolvimento de árvores).

Depois de dez semanas de investigação, os cientistas concluíram não só que a população de renas está a diminuir, mas também que os animais estão a perder peso. De acordo com o canal estatal NRK, citado pelo Live Science, as centenas de carcaças encontradas mostram que as renas estão a passar fome. “É assustador encontrar tantos animais mortos”, afirmou Åshild Ønvik Pedersen, um membro do NPI, à televisão.

As alterações climáticas estão a levar as temperaturas mais quentes para Svalbard, o que se traduz em maior precipitação. Segundo os investigadores do NPI, as fortes chuvas, ocorridas em Dezembro do ano passado, foram responsáveis pelo número excepcionalmente alto de mortes.

Depois de ter atingido o solo, a precipitação congelou, criando “cápsulas de gelo” na tundra, uma espessa camada que impedia as renas de alcançar a vegetação nos seus pastos de inverno habituais. Isto forçou os animais a cavarem poços na neve da orla costeira para encontrar algas, que são menos nutritivas do que a sua dieta habitual.

Os cientistas também observaram renas a pastar nas falésias, algo que estes animais raramente fazem durante o inverno, quando a comida é mais abundante. As regiões montanhosas e rochosas de Svalbard não têm muita vida vegetal, sendo esta “estratégia de cabras da montanha” arriscada para as renas, porque as falésias são muito íngremes.

Sem conseguir chegar às pastagens, as renas também se deslocam até mais longe para encontrar comida. E, quando há pouco para comer, os animais mais jovens e mais velhos são geralmente os primeiros a morrer, disse Pedersen à NRK.

Em 2016, um estudo da Sociedade Ecológica Britânica feito na Noruega também concluiu que as renas estão a encolher e o seu peso diminuiu 12% em 16 anos por causa do aumento das temperaturas.

ZAP //

Por ZAP
7 Agosto, 2019

 

2405: Há uma placa tectónica a “morrer” sob Oregon, nos Estados Unidos

CIÊNCIA

Ali McLure / Flickr

Uma equipa de cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, está a investigar a “morte” de uma placa tectónica sob Oregon.

Tal como noticia o portal Science Alert, em causa está a placa tectónica Juan de Fuca, que surgiu de uma placa muito maior, a placa Farallón, que desliza sob a placa da América do Norte há dezenas de milhões de anos.

Os especialistas William Hawley e Richard Allen debruçam-se especialmente sobre um área sob o estado de Oregon, onde uma parte da placa parece estar a faltar.

Na verdade, e segundo explicou a equipa, a área em “falta” pode ser, na verdade, um “rasgo” que divide a placa a pelo menos 150 quilómetros de profundidade. Esta característica, sustentaram, “não apenas causa o vulcanismo na América do Norte, como também causa a deformação das secções ainda não-deduzidas da placa oceânica no mar”.

“Esta falha pode eventualmente fazer com que a placa se fragmente e o que restar dos pequenos pedaços vai juntar-se a outras placas próximas”, completaram.

Para chegar a esta conclusão, a equipa estou informações de 217 terramotos e mais de 30 mil ondas sísmicas, criando depois uma imagem detalhada da zona de subdução de Cascadia, uma falha na costa do Pacífico. A partir destes dados, os cientistas conseguiram identificar quais as partes das rochas é que pertenceram à placa de Juan de Fuca.

Graças a este procedimento, os cientistas sugeriram que o movimento da placa ao afundar, através do qual se pode deformar e dobrar, provoca o descolamento e separação das suas partes, resultando depois no rasgo acima mencionado.

A equipa nota que é necessário levar a cabo mais investigações para confirmar o funcionamento e desaparecimento da placa. Ainda assim, defendem os especialistas, o seu comportamento está relacionado com a actividade sísmicas a sul de Oregon e no norte da Califórnia, bem como com os padrões incomuns de vulcanismo verificados nas High Lava Plains, a sul de Oregon.

“O que estamos a ver é a morte de uma placa oceânica“, concluiu Hawley.

“De várias formas, quando estamos a olhar para estas coisas, estamos a olhar para trás no tempo”, disse a sismóloga Lara Wagner, do Carnegie Institution for Science, que não esteve envolvida no estudo, em declarações à National Geographic.

“Se não entendermos como é que estes processos funcionaram [no passado], onde podemos ver toda a história e estudá-la, então as nossas possibilidades de ver o que está a acontecer hoje e entender como é que isto pode evoluir no futuro são zero”.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Geophysical Research Letters.

ZAP //

Por ZAP
5 Agosto, 2019

 

2382: Super-fungo mortal pode ser a primeira infecção espalhada pelas alterações climáticas

CIÊNCIA

(dr) Legionella Control International

Há três anos, autoridades de saúde dos EUA alertaram centenas de milhares de médicos em hospitais de todo o país para estarem atentos para um novo tipo de fungo resistente a medicamentos que se espalhava rapidamente e causava infecções potencialmente fatais em pacientes hospitalizados em todo o mundo.

Candida auris tornou-se uma séria ameaça à saúde global desde que foi identificada há uma década, especialmente para pacientes com sistemas imunológicos comprometidos. Foi relatado em mais de 30 países e é provavelmente ainda mais difundido porque o organismo é difícil de identificar sem métodos laboratoriais especializados.

É resistente a vários anti-fúngicos e pode disseminar-se entre pacientes em hospitais e outras unidades de saúde e causar surtos. O fungo pode levar a infecções na corrente sanguínea, no coração ou no cérebro, e estudos iniciais estimam que seja fatal em 30 a 60% dos pacientes.

Os investigadores nunca conseguiram isolar o fungo do ambiente natural ou descobrir como versões geneticamente distintas surgiram independentemente, aproximadamente ao mesmo tempo na Índia, na África do Sul e na América do Sul.

Agora, cientistas nos EUA e na Holanda têm uma nova teoria: o aquecimento global pode ter desempenhado um papel fundamental e sugerem que este pode ser o primeiro exemplo de uma nova doença fúngica que surge da mudança climática, segundo um estudo publicado na revista da Sociedade Americana de Microbiologia.

As infecções fúngicas em humanos são raras. Mamíferos têm sistemas imunológicos mais avançados do que outros organismos em risco de infecções fúngicas, e a maioria dos fungos no ambiente não consegue crescer nas temperaturas do corpo humano, segundo Arturo Casadevall, um dos autores do novo estudo, que é microbiologista e imunologista na Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg.

Mas como o clima ficou mais quente, os investigadores dizem que C. auris conseguiu adaptar-se, o que ajudou a replicar na temperatura do corpo humano de 37ºC. Casadevall e colegas do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas e do Westerdijk Fungal Biodiversity Institute em Utrecht, na Holanda, compararam C. auris com as suas espécies mais próximas e descobriram que o fungo mortal conseguia crescer em temperaturas mais altas.

“A coisa mais misteriosa é que Candida auris apareceu simultaneamente em três continentes diferentes e isso é muito difícil explicar”, disse Casadevall. Algo aconteceu para permitir que o organismo “borbulhe e cause doenças”, disse. “Temos de tentar pensar, qual poderia ser a causa unificadora aqui? Estas são sociedades diferentes, populações diferentes”, explicou. “Mas a única coisa que têm em comum é que o mundo está a ficar mais quente”.

Casadevall disse que o estudo fornece uma direcção para futuras investigações. “Estamos a reunir uma série de factos para explicar algo que é mistificador”, disse.

Se os cientistas pudessem encontrar o pântano ou o lago de onde veio o fungo e analisar os outros parentes próximos, os investigadores poderiam comparar como C. auris se adaptou para crescer em temperaturas mais quentes. Os cientistas alertaram que as mudanças relacionadas ao aquecimento global apenas no ambiente não explicam a emergência do fungo.

O uso generalizado de drogas antifúngicas e o uso pesado de fungicidas nas plantações são outras teorias para o surgimento do fungo.

Nos EUA, autoridades de saúde pública dizem que o fungo é um exemplo de um organismo resistente a ser importado para o país inadvertidamente por uma pessoa doente e a espalhar-se. Em Junho de 2016, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças emitiram um alerta clínico sobre o patógeno.

Dois meses depois, os sete primeiros casos nos EUA foram notificados ao CDC. Em maio de 2017, esse número aumentou para 77 e, a partir de 12 de Julho de 2019, houve 715 casos. A maioria dos casos foi detectada na área da cidade de Nova Iorque, Nova Jérsia e Chicago. Os pacientes podem ter o organismo na sua pele durante meses ou mais e o fungo resistente pode viver em superfícies durante um mês ou mais.

ZAP //

Por ZAP
29 Julho, 2019

[vasaioqrcode]

 

2188: A Humanidade poderia mover a órbita da Terra para escapar à morte do Sol

CIÊNCIA

(CCO/PD) Buddy_Nath / Pixabay

O Sol vai morrer e sufocar a Terra com a sua própria agonia. O engenheiro espacial Matteo Ceriotti defende que, para conseguir escapar a este terror, a Humanidade poderia empurrar a órbita da terra para uma distância segura e, assim, sair ilesa deste evento catastrófico.

No filme de ficção científica The Wandering Earth (Terra à Deriva), disponível na Netflix, a Humanidade tenta mudar a órbita da Terra para escapar do Sol em expansão e, assim, evitar uma colisão com Júpiter. Este cenário pode, um dia, tornar-se realidade, pelo menos de acordo com Matteo Ceriotti, engenheiro espacial da Universidade de Glasgow, na Escócia.

Daqui a cinco mil milhões de anos, o Sol começará a morrer, expandindo-se a uma velocidade extrema, atormentando a Terra. Se quiserem escapar a esta obliteração cósmica, os seres humanos precisam de pensar com antecedência no plano B.

A melhor aposta da Humanidade é migrar para outro planeta. No entanto, com planeamento suficiente, Ceriotti acredita que poderia ser possível empurrar a órbita da Terra em redor do Sol para uma distância segura onde a explosão não nos atingiria.

A tecnologia de viagens espaciais está em expansão e os cientistas esperam que melhore consideravelmente nos próximos anos. Ainda assim, o investigador analisou números com base no padrão actual e chegou à conclusão que para impulsionar o nosso planeta até à distância da órbita de Marte, a Humanidade precisaria de minerar 85% da massa do planeta para construir foguetes suficientes (300 mil milhões) para empurrar os 15% restantes para a órbita do Planeta Vermelho.

Na The Conversation, o cientista explicou que a Ciência tem explorado várias técnicas para mover pequenos corpos, como asteróides, da sua órbita para proteger o nosso planeta de eventuais impactos. Algumas dessas técnicas são baseadas numa acção impulsiva e, muitas vezes, destrutiva: uma explosão nuclear perto ou até mesmo na superfície do asteróide – uma solução que não funcionaria no caso da Terra.

Outras técnicas envolvem um impulso suave e contínuo durante um longo período de tempo, fornecido por uma espécie de rebocador ancorado na superfície do corpo celeste, ou por uma nave espacial a pairar perto dele. Segundo o Futurism, esta solução também não pode ser aplicada ao nosso planeta, uma vez que a sua massa é enorme, comparada com os maiores asteróides.

Na verdade, nós já estamos a mover a órbita da Terra: quando lançamos uma sonda em direcção a outro planeta, ela transmite um pequeno impulso que empurra o nosso planeta na direcção oposta. Felizmente (ou infelizmente) este efeito é muito pequeno.

Assim, Matteo Ceriotti argumenta que o Falcon Heavy, da SpaceX, é o veículo de lançamento mais capaz que temos actualmente à disposição para o efeito, mas não seria suficiente.

Ceriotti argumentou que os propulsores a laser seriam mais eficazes do que os propulsores da Falcon Heavy, mas eles nem sequer existem. Por isso, pelo menos para já, a solução mais realista é encontrar um novo planeta para viver.

ZAP //

Por ZAP
17 Junho, 2019

[vasaioqrcode]

Astrofísica anuncia a sua descoberta de “quasares frios” que podem reescrever como as galáxias morrem

Impressão de artista que ilustra um quasar energético que limpou o centro da sua galáxia de gás e poeira, e os ventos estão agora a propagar-se para os arredores. Em pouco tempo não haverá mais gás e poeira, permanecerá apenas um quasar luminoso azul.
Crédito: Michelle Vigeant

Durante a 234.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em St. Louis, Allison Kirkpatrick, professora assistente de física e astronomia da Universidade do Kansas, anunciou a sua descoberta de “quasares frios” – galáxias com abundância de gás frio que ainda podem produzir novas estrelas apesar de terem um quasar no centro. A descoberta revolucionária subverte suposições sobre a maturação de galáxias e pode representar uma fase do ciclo de vida de todas as galáxias, desconhecida até agora.

Um quasar, ou “fonte de rádio quase estelar”, é essencialmente um buraco negro super-massivo em esteróides. O gás que cai em direcção a um quasar no centro de uma galáxia forma um “disco de acreção”, que pode lançar uma quantidade incompreensível de energia electromagnética, muitas vezes com uma luminosidade centenas de vezes maior do que uma galáxia típica. Normalmente, a formação de um quasar é semelhante à aposentação galáctica e há muito que se pensa assinalar o fim da capacidade de uma galáxia em produzir novas estrelas.

“Todo o gás que está a ser acretado pelo buraco negro é aquecido e emite raios-X,” disse Kirkpatrick. “O comprimento de onda da luz que é libertada corresponde ao quão quente algo é. Por exemplo, nós humanos emitimos radiação infravermelha. Mas algo que emite raios-X é das coisas mais quentes do Universo. Este gás começa a acumular-se no buraco negro e começa a mover-se a velocidades relativistas; também temos um campo magnético em torno deste gás, que pode ficar torcido. Da mesma forma que temos proeminências solares, também temos jactos de material que passam por estas linhas do campo magnético e são atirados para longe do buraco negro. Estes jactos essencialmente sufocam o reservatório de gás da galáxia, de modo que mais nenhum gás pode cair sobre a galáxia e formar novas estrelas. Quando uma galáxia deixa de produzir estrelas, dizemos que é uma galáxia morta e passiva.”

Mas, no levantamento de Kirkpatrick, cerca de 10% das galáxias que hospedam buracos negros super-massivos em acreção tinham um reservatório de gás frio remanescente depois de entrar nesta fase e ainda criavam novas estrelas.

“Isto, por si só, é surpreendente,” comentou. “Toda esta população é um monte de objectos diferentes. Algumas das galáxias têm assinaturas óbvias de fusões; algumas parecem-se muito com a Via Láctea e têm braços espirais bastante discerníveis. Algumas são muito compactas. Desta população diversa, temos mais 10% realmente únicas e inesperadas. São fontes muito luminosas, compactas e azuis. Parecem-se com buracos negros super-massivos nos estágios finais, depois de terem “desligado” toda a formação estelar de uma galáxia. Estão a evoluir para uma galáxia elíptica passiva, no entanto também encontrámos nelas muito gás frio. Esta é a população que estou a chamar de “quasares frios”.

A astrofísica da Universidade do Kansas suspeitou que os “quasares frios” da sua investigação representavam um breve período ainda por reconhecer das fases finais da vida de uma galáxia – em termos da vida humana, a fugaz fase do “quasar frio” pode ser algo parecido a uma festa de aposentação de uma galáxia.

“Estas galáxias são raras porque estão em fase de transição – observámo-las logo antes da formação estelar ficar extinta e este período de transição deve ser muito curto,” disse.

Kirkpatrick identificou pela primeira vez os objectos de interesse numa área do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), o mapa digital mais detalhado do Universo actualmente disponível. Numa área denominada “Stripe 82,” Kirkpatrick e colegas conseguiram identificar visualmente os quasares.

“Então estudámos esta área em raios-X com o telescópio XMM-Newton,” acrescentou. “Os raios-X são a principal assinatura dos buracos negros em crescimento. Seguidamente, recorremos ao Telescópio Espacial Herschel, um telescópio infravermelho que pode detectar gás e poeira na galáxia hospedeira. Nós seleccionámos as galáxias que conseguimos encontrar tanto em raios-X quanto no infravermelho.”

A investigadora disse que as suas descobertas dão aos cientistas uma nova compreensão e detalhes de como a extinção de formação estelar nas galáxias ocorre e que anulam vários pressupostos sobre os quasares.

“Já sabíamos que os quasares passam por uma fase de poeira obscurante,” disse Kirkpatrick. “Nós sabíamos que passam por uma fase muito encoberta onde a poeira cerca o buraco negro super-massivo. Nós chamamos a isto de fase de quasar vermelho. Mas agora encontrámos este regime único de transição que não conhecíamos. Antes, se disséssemos a alguém que tínhamos encontrado um quasar luminoso com um tom óptico azulado – mas que ainda tinha muita poeira, muito gás e muita formação estelar – esse alguém diria: ‘Não, não é esse o aspecto destas coisas.'”

Kirkpatrick espera, no futuro, determinar se a fase de “quasar frio” ocorre com uma classe específica de galáxia ou com todas as galáxias.

“Nós pensámos que estas coisas acontecem quando temos um buraco negro em crescimento, coberto por poeira e gás, e começa a soprar este material,” disse. “Torna-se então um objecto azul luminoso. Assumimos que, quando expele o seu próprio gás, expele também o gás hospedeiro. Mas parece que com estes objectos, não é este o caso. Estes expelem a sua própria poeira – de modo que os vemos como um objecto azul – mas ainda não dissiparam toda a poeira e gás das galáxias hospedeiras. Esta é uma fase de transição, digamos de 10 milhões de anos. Em escalas de tempo universais, isto é realmente curto – e é difícil observar. Estamos a fazer o que chamamos de pesquisa cega para encontrar objectos que não estávamos à procura. E, ao encontrarmos estes objectos, sim, isso poderá implicar que acontece com todas as galáxias.”

Kirkpatrick recolheu dados até 2015 com o Telescópio XMM-Newton, um telescópio de raios-X altamente produtivo operado pela ESA. O seu trabalho faz parte de uma colaboração chamada História de Acreção dos AGN (Active Galactic Nuclei) liderada pela astrofísica Meg Urry da Universidade de Yale, que reúne dados de arquivo e realiza uma análise em vários comprimentos de onda.

Astronomia On-line
14 de Junho de 2019

[vasaioqrcode]

2023: Cachalote encontrada morta em praia italiana. Tinha quilos de plástico no estômago

DESTAQUE

(dr) Greenpeace Italia

Uma cachalote com cerca de sete anos foi encontrada morta com o estômago cheio de plástico numa praia em Cefalù, destino turístico na Sicília, em Itália.

O anúncio foi feito pela Greenpeace italiana, na sexta-feira, na sua página de Facebook. A organização colocou várias fotos da carcaça do animal na praia e mostrou o plástico que foi recolhido do seu estômago. “Como podem ver pelas fotos que estamos a partilhar, encontrámos muito plástico no estômago do cachalote”, disse Giorgia Monti, da Greenpeace, em comunicado. “Não sabemos se o animal morreu por causa do plástico, mas também não podemos simplesmente fingir que nada aconteceu”, continuou.

No sábado, dez peritos fizeram a autópsia da jovem fêmea de cachalote “que ainda nem tinha dentes” directamente na praia. Carmelo Isgro, da Universidade de Messina, partilhou várias imagens no Facebook, que mostram o procedimento. “São imagens fortes, mas quero que todos vejam e percebam o que estamos a fazer ao nosso mar e aos seus animais”, explicou.

Isgro publicou um vídeo onde é possível ver o momento em que os peritos abrem o estômago da fêmea e retiram do seu interior vários sacos de plástico. Num outro vídeo, Isgro retira um dos sacos e coloca-o num caixote do lixo. “Impressionante, isto é inacreditável”, disse, afirmando que foram retirados do interior do animal “vários quilogramas de plástico”.

“Muito provavelmente, o plástico criou um bloqueio que impediu a passagem de comida. Esta é muito provavelmente a causa de morte. Não encontrámos sinais que nos dessem qualquer outra razão para a morte”, explicou o perito da Universidade de Messina.

Giorgia Monti revelou ainda que, nos últimos cinco meses, cinco cachalotes deram à costa mortos em praias italianas. Em Abril, uma fêmea de cachalote grávida foi encontrada em Sardinia com 22 quilos de plástico no estômago. “O mar está a enviar-nos um alarme, um SOS de desespero. Temos de intervir imediatamente para salvar as fantásticas criaturas que vivem no mar”, apelou Monti.

A Greenpeace de Itália está a cooperar com o Blue Dream Project para investigar, controlar e alertar para a poluição de plástico no oceano. Durante as próximas três semanas, as duas organizações vão controlar o nível de plástico na costa italiana. A expedição termina na Toscânia a 8 de Junho, Dia Mundial dos Oceanos.

Já esta terça-feira, investigadores da Universidade de Pádua vão apresentar em conferência de imprensa um relatório sobre as dificuldades dos cetáceos nas águas de Itália. O principal destaque do documento irá para cachalotes e poluição de plástico.

Os cachalotes vivem habitualmente 70 a 80 anos. Pesam entre 35 a 45 toneladas e podem chegar aos 18 metros de comprimento. Segundo a National Geographic, comem uma tonelada de peixe e lulas por dia e têm um cérebro maior do que qualquer criatura que já viveu na Terra.

ZAP //

Por ZAP
21 Maio, 2019


[vasaioqrcode]

2014: Conseguirá a Terra sair ilesa se o Sol ficar sem combustível?

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

Planetas rochosos formados por elementos densos serão, muito provavelmente, os únicos sobreviventes da morte explosiva de uma estrela. Esta descoberta dá-nos pistas preciosas sobre o futuro da Terra.

Quando uma estrela morre destrói tudo o que a rodeia, excepto os pequenos e densos planetas rochosos. Estes são os objectos com maior probabilidade de sobreviverem, ao contrário dos planetas pesados e gasosos, que se desmoronam e perecem.

Esta é a descoberta mais recente de uma equipa de astrofísicos da Universidade de Warwick, no Reino Unido. Os cientistas chegaram a esta conclusão após várias simulações que analisaram a interacção de uma estrela anã branca e um planeta próximo. O objectivo era determinar se os objectos espaciais conseguiam suportar a aniquilação da estrela.

Esta experiência foi muito interessante na medida em que se espera que o nosso próprio Sol se torne uma estrela anã branca no futuro. Assim sendo, somos os primeiros a interessar-nos pelo possível destino da Terra.

Quando uma estrela com pouca massa, como o Sol, queima todo o seu combustível, expande as suas camadas externas até se transformar numa gigante vermelha. Por sua vez, essas camadas externas espalham-se nas proximidades da estrela, ameaçando causar a completa destruição de qualquer planeta que esteja ao seu redor.

Depois, a gigante vermelha encolhe-se e transforma-se numa estrela altamente densa, chamada anã branca, que irá, a pouco e pouco, perdendo o calor durante bilhões de anos. Qualquer planeta que se arrisque a ficar no seu caminho durante este cataclismo, seria extremamente afortunado se conseguisse sobreviver. Contudo, existem vários planetas que não estão preparados para resistir a esta tempestade.

O que os cientistas descobriram foi que os pequenos planetas rochosos são os que têm maior probabilidade de sobreviver à morte explosiva de uma estrela. O artigo científico com os resultados desta investigações foi recentemente publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os astrónomos investigaram os efeitos da morte estelar em planetas de vários tamanhos, desde as super-terras até aos pequenos exoplanetas. Dimitri Veras, do Departamento de Física do Instituto de Warwick, adiantou que este estudo é o primeiro dedicado à investigação dos efeitos dos fluxos entre as anãs brancas e os planetas.

Mas o que é que estes resultados podem significar para o futuro do nosso planeta? Os astrónomos prevêem que o nosso Sol, que tem cerca de 4,6 mil milhões de anos, continuará a queimar as suas reservas de combustível durante mais 5 mil milhões de anos, até se transformar numa gigante vermelha.

No entanto, quando esse momento chegar, os cientistas não têm a certeza do que irá acontecer com um planeta de “multi-camadas” como a Terra. Ainda assim, na sua essência, os planetas uniformes constituídos maioritariamente de elementos mais densos e mais pesados, tais como metais pesados, têm boas possibilidades de sobrevivência.

Outro factor que é preciso ter em conta é a distância a que o planeta está localizado da estrela moribunda. A equipa afirma que a distância segura até à estrela é de um terço da distância entre o Sol e Mercúrio. Mercúrio localiza-se a uma distância de 57,9 milhões de quilómetros do Sol.

A Terra está a 149,6 milhões de quilómetros do Sol, uma distância que é conhecida como unidade astronómica. Sim, há esperança de estarmos a salvo.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
20 Maio, 2019


[vasaioqrcode]

1884: Milhares de pinguins bebés morrem afogados na Antárctida

Colónia de pinguins imperador de Halley Bay desapareceu quase de um dia para o outro depois de a plataforma de gelo se partir. As consequências do degelo já estão a afectar uma espécie ameaçada de extinção.

Cientistas estimam que até ao final do século a população de pinguins imperador reduza drasticamente.
© REUTERS/Martin Passingham

Milhares de filhotes de pinguins imperador morreram afogados quando a plataforma de gelo onde estavam a ser criados, na Antárctida, se partiu. A catástrofe, que afecta uma espécie em vias de extinção, aconteceu em 2016 e foi agora revelada na revista Antarctic Science por uma equipa da British Antarctic Survey (BAS).

Os investigadores Peter Fretwell e Phil Trathan dizem que, para agravar a situação, as aves adultas não dão sinais de se reproduzirem e repor a população.

Foi através de imagens de satélite que a equipa de investigadores deu pelo desaparecimento dramático dos pinguins bebés – é possível ver os excrementos dos animais no branco do gelo a mais de 800 quilómetros.

O resultado desta catástrofe que atingiu a colónia de Halley Bay é que a população de pinguins imperador, que durante décadas esteve estabilizada numa média entre 14 mil e 25 mil casais (cerca de 5-9% da população global), desapareceu de um dia para o outro.

Os pinguins imperador pertencem a uma espécie de pinguins mais alta e pesada. Estes animais precisam de blocos de gelo seguros para se reproduzir – a plataforma gelada deve persistir, pelo menos, a partir de Abril (quando as aves chegam) até Dezembro (quando os seus filhotes deixam o ninho).

Se o gelo se quebrar mais cedo, os pinguins bebés não terão tempo para lhes crescerem as penas e começarem a nadar, logo acabam por morrer afogados – o que terá acontecido em 2016.

“O gelo marinho formado desde 2016 não tem sido tão forte. Os eventos de tempestade que ocorrerem em Outubro e Novembro agora vão acabar cedo. Portanto, houve algum tipo de mudança no sistema que anteriormente era estável e confiável e agora é apenas insustentável.”, disse Fretwell à BBC.

A equipa British Antarctic Survey acredita que muitos pinguins adultos evitaram reproduzir-se nestes últimos três anos ou então mudaram-se para novas zonas de criação no Mar de Wenddell. Uma convicção que ganha mais força quando uma das colónias a cerca de 50 Km de distância, próximo do Glaciar Dawson-Lambton, aumentou.

Os cientistas não conseguiram chegar às razões pelas quais a borda da Plataforma de Brunt não se regenerou, sobretudo porque, dizem, não houve alterações significativas em termos oceânicos e atmosféricos. Mas alertam que ao registarem-se alterações na regeneração do gelo marinho, isso é um sinal do impacto que o aquecimento da Antárctida poderá ter nos pinguins imperadores.

Um cenário assustador

Vários estudos alertam para os riscos de extinção da espécie: se o gelo derreter conforme está previsto, 50 a 70 por cento da população global de pinguins imperador podem desaparecer até 2100; há investigações que referem que até ao final deste século, 45 colónias poderão extinguir-se; outros estudos estimam uma redução de seis mil para 400 casais.

As alterações climáticas e o degelo daí decorrente são a grande ameaça à continuidade da espécie e não a cadeia alimentar.

Cientistas sugerem que uma forma de tornar o cenário menos assustador passaria por medidas provisórias como a criação de novas áreas de protecção onde os animais pudessem permanecer para capturar alimentos. Mas a solução seria mesmo diminuir a emissão de gases com efeito de estufa.

Diário de Notícias
DN
25 Abril 2019 — 13:39

[vasaioqrcode]

 

1859: As morsas estão a atirar-se de penhascos por causa das alterações climáticas

CIÊNCIA

Gary Bembridge / Wikimedia

A nova série da Netflix “Our Planet” mostra explicitamente como cada ecossistema está a mudar ou está ameaçado pelas alterações climáticas. As morsas russas, por exemplo, estão a atirar-se de penhascos.

David Attenborough, o narrador da série, culpa o incidente pelas mudanças no ecossistema do Árctico que as morsas habitam. Com o gelo do mar a recuar ano após ano, as morsas são forçadas a descansar em praias minúsculas e cheias de gente.

Estas praias estão tão superlotadas, que algumas morsas escalam as falésias para ter um pouco de paz. Mas quando os animais, desacostumados a escalar ou a alturas, decidem voltar à água, caem dos penhascos até às suas horríveis mortes.

Este incidente não é a primeira vez que as pessoas documentam as mortes em massa de morsas. Em 1996, as autoridades da vida selvagem do Alasca relataram um incidente quase sem precedentes no qual quase 60 morsas machos caíram de um penhasco de 60 metros para a sua morte.

Na época, quando o gelo ainda era mais extenso e o clima menos compreendido, os investigadores não culparam as mortes pelas mudanças climáticas. Em vez disso, ficaram perplexos, sem uma resposta para explicar o comportamento, relatou o The New York Times na altura.

Com os anos seguintes, apareceram novos relatos sobre estes tipos de eventos de morsa. Mas estudos mais recentes indicaram que as mudanças climáticas poderiam estar a causar “distúrbios” mortais como o documentário indica. As morsas costumam passar a maior parte do tempo no gelo marinho, com algum tempo intermitente passado em terra em grandes grupos chamados de “haul-outs”.

Um relatório de maio de 2017 do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA (USFWS) constatou que o recuo do gelo marinho do Árctico levava as morsas a fazerem viagens colectivas para praias lotadas com mais frequência. Nessas saídas, as morsas são facilmente assustadas, com um aumento de eventos “perturbadores” mortais.

Os especialistas sugeriram ao Live Science que os eventos de quedas normalmente não envolvem morsas a escalar penhascos – como o documentário mostrou. Pelo contrário, os eventos acontecem quando as morsas sobem encostas rasas nos lados mais distantes das falésias. Lá em cima, as criaturas podem, às vezes, sair a correr se um avião, um urso polar, um barco ou outra coisa estranha os assustar.

A mudança climática parece ter tornado este tipos de eventos mais comuns. No entanto, no Alasca, as quedas em massa parecem ter diminuído nos últimos anos, graças aos esforços humanos para gerir os ambientes dos haul-outs. Reduções nos planos aéreos e outros distúrbios humanos parecem ter evitado algumas das mortes.

ZAP //

Por ZAP
18 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1815: Planeta morto mostra-nos o que vai acontecer à Terra quando o Sol desaparecer

Os cientistas fizeram as contas e concluíram que o Sol terá cerca de 10 mil milhões de anos de vida. Então o que acontecerá ao nosso planeta Terra com o Sol morto?

Uma equipa internacional de astrónomos liderada pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, anunciou uma descoberta. Assim, perante as informações, temos algumas pistas sobre o futuro do nosso planeta.

O Sol irá morrer daqui a quantos milhões de anos?

Bom, esta não é uma conta fácil de fazer. Tanto é que há cientistas que afirmam que o Sol “nasceu” há cerca de 4,6 mil milhões de anos. Contudo, quanto ao seu fim, uns astrónomos apontam para daqui a 6 mil milhões e outros a cerca de 10 mil milhões de anos.

O que acontecerá então com a Terra e com o restante do nosso Sistema Solar?

Os cientistas descobriram uma estrela semelhante ao Sol que está a 410 anos-luz da Terra. É uma anã branca, ou seja, uma estrela que, depois de consumir todo o seu combustível nuclear, desapareceu há milhões de anos.

A revelação foi feita a partir de observações com o Gran Telescopio Canarias (GRANTECAN), instalado no Observatório del Roque de los Muchachos, na ilha de La Palma (Espanha). Esta informação foi divulgada em comunicado do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias (IAC), que também participou do estudo, publicado na revista científica Science.

Os astrónomos estudaram a nuvem que envolve a estrela, chamada SDSS J122859.93+104032.9, e o anel de escombros que orbita em torno dela.

Este anel é formado por corpos rochosos compostos de ferro, magnésio, silício e oxigénio, elementos-chave na composição da Terra.

E entre eles descobriram os restos de um planeta que sobreviveu à morte da estrela e que, além disso, orbita muito perto dela, algo que surpreendeu os cientistas.

Os autores do estudo consideram que os fragmentos eram parte de um corpo maior do seu sistema solar, por exemplo, de um planeta cujas camadas externas foram removidas.

Uma das razões pelas quais se suspeita que ele sobreviveu à destruição do seu sistema planetário é a sua composição, rica em metais pesados, como ferro e níquel.

Indícios do que acontecerá com a Terra

As dúvidas são legítimas. Assim, a pergunta que se impõe é se isto será o futuro da Terra quando o Sol se apagar?

No nosso sistema solar, o Sol vai-se expandir para a órbita da Terra e devastar o nosso planeta, Mercúrio e Vénus.

Marte e o restante dos planetas que estão mais distantes sobreviverão e se deslocarão para fora.

Referiu Christopher Manser, investigador no Departamento de Física da Universidade de Warwick e principal autor do estudo.

Os cientistas acreditam que a anã branca na qual o Sol terá se tornado continuará a reinar no Sistema Solar orbitado por Marte, Júpiter e Saturno, entre outros corpos.

Imagem: Science
Fonte: Science
Neste artigo: , ,

pplware
07 Abr 2019

[vasaioqrcode]

 

1740: Poluição do ar estará a causar o dobro das mortes estimadas em Portugal

UNIÃO EUROPEIA

Friends of the Earth Scotland / Flickr

Investigadores estimam que, em Portugal e durante 2015, a poluição do ar tenha causado 15 mil mortes, ou seja, 138 mortes por cada 100 mil habitantes. Problemas cardiovasculares provocam quase um terço dos óbitos, mas os cardiologistas alertam que as pessoas não estão conscientes do problema.

De acordo com um artigo do Público, divulgado esta terça-feira, a poluição do ar pode ser responsável por mais mortes do que aquelas que a Agência Europeia do Ambiente (EEA, na sigla inglesa) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimavam.

Em Portugal, as estimativas dos cientistas apontam para cerca de 15 mil mortes provocadas pela inalação de partículas finas e outros poluentes, em 2015. As estimativas anteriores da EEA, divulgadas nesse ano, indicavam que seriam 6690.

A conclusão é de uma investigação, publicada a 12 de Março no European Heart Journal, e desenvolvida pelo Instituto Max Plank de Química e a Universidade Médica de Mainz (ambos na Alemanha). O trabalho, noticiava o Público na semana passada, mostrou que a mortalidade relacionada com a contaminação do ar na União Europeia (UE) — 659 mil pessoas — também corresponde ao dobro da estimada em estudos anteriores.

Tendo por base os resultados obtidos na investigação, o Público foi tentar esclarecer o que se terá passado em Portugal.

O número agora calculado para Portugal equivale a 138 mortes por cada 100 mil habitantes. Entre os países europeus, está no meio da tabela. É na Bulgária que o número de mortes é maior (210 por cada 100 mil habitantes). Na Islândia, o impacto da poluição do ar é menor: 43 mortes em cada 100 mil habitantes.

Clean Air @cleanairforall2

Death by #airPollution ; Cardiovascular disease burden from ambient air pollution in Europe reassessed using novel hazard ratio function; European Heart Journal, ehz135, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehz135  ;Published:12 March 2019

Para chegar a estas estimativas, os investigadores utilizaram um modelo de dados que simula a forma como certos processos químicos atmosféricos interagem com a terra, os oceanos e a biosfera, bem como o impacto dos compostos químicos gerados por actividades humanas, como a indústria ou a agricultura.

Os números sobre o impacto da poluição na mortalidade são tão elevados que os investigadores estimam que a contaminação do ar cause mais mortes adicionais por ano do que o tabaco.

Ao Público, Thomas Munzel, da Universidade de Mainz, co-autor do estudo, explicou que a utilização de “uma base de dados mais sólida” e mais informação sobre as “doenças não-comunicáveis, como a diabetes ou a hipertensão”, são os factores responsáveis “pelas estimativas terem subido tanto”.

Na Europa, as mortes provocadas por doenças cardiovasculares associadas à poluição do ar representam uma proporção significativa do total (são cerca de 40%) – as restantes estão relacionadas com problemas respiratórios como doença pulmonar obstrutiva crónica, pneumonia ou cancro do pulmão e outras doenças não-comunicáveis.

Em Portugal, os problemas cardiovasculares, como ataques ou paragens cardíacas, representam 30% do total de mortes causadas pela poluição do ar. Já na Estónia, por exemplo, são 64%.

Partículas finas são o problema

Os peritos focaram-se sobretudo nos danos causados pelas chamadas partículas finas – que têm um diâmetro inferior a 2,5 micrómetros (mais de 20 vezes inferior à espessura de um cabelo) -, mas também incluem o dióxido de azoto e o ozono nas suas contas.

O responsável pela associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira, descreve estas partículas como “um conjunto de substâncias muito diversificado”. São “nitratos, sulfatos, compostos orgânicos”.

Segundo o estudo, foi demonstrado que as partículas finas “levam ao aumento do stress oxidativo por meios surpreendentemente semelhantes” aos que resultam em disfunção vascular associada à diabetes e à hipertensão.

“Portanto, parece que a poluição do ar desencadeia ou agrava outras doenças não-comunicáveis que podem contribuir significativamente para as mortes relacionadas com doenças cardiovasculares”, argumentam os autores.

O cardiologista e secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), José Ferreira Santos​ explicou que existem “alguns estudos que mostram que as pessoas que são sujeitas a mais poluição, a uma maior concentração de partículas nocivas, têm maior risco de diabetes e hipertensão”.

Darren Flinders / Flickr

Por isso, admitiu, “talvez o gatilho que leve a um aumento da mortalidade seja um aumento também dos próprios factores de risco”. “Alguns estudos também mostram que há um aumento da disfunção do endotélio, há mais constrição das artérias, mais inflamação… Há aqui uma base de fisiopatologia que justifica o aumento desta mortalidade”.

É por tudo isto que, neste estudo, os próprios investigadores chamam a atenção para a necessidade de reduzir a concentração destas partículas no ar, indica o artigo do Público. Um primeiro passo será baixar o limite máximo permitido na UE, de 25 microgramas por metro cúbico (o actual) para 10 microgramas, o valor recomendado pela OMS.

Em 2017, Steven J. Davis, um investigador da Universidade da Califórnia, que também tem trabalhado na relação entre a inalação de partículas finas e a mortalidade, explicou ao Público que “há tecnologias avançadas para controlar a poluição do material particulado de 2,5 micrómetros vindo de centrais eléctricas, fábricas, camiões e carros”.

O problema, apontava na altura, é que “os custos disto tornam os bens mais caros e enfraquecem o crescimento económico nos países em desenvolvimento, o que leva à transferência da produção para outros países que têm menos restrições ambientais”.

Pelo menos em Portugal, a “tendência é para melhorar esse limite”, disse Francisco Ferreira. Mas nem tudo é controlável. “Além da poluição associada à actividade humana, estamos a ser influenciados por partículas que vêm do Sara“, indicou o especialista. Até agora, “pensava-se que a fracção de areia que vinha do deserto era mais grosseira (entre 2,5 e 10 micrómetros)”, mas as análises recentes têm mostrado uma quantidade “expressiva” destas partículas.

“Mas nem tudo é catastrófico”, indica o artigo do Público. Os autores do estudo também calcularam qual seria o impacto da redução das partículas finas no ar na redução da mortalidade associada a problemas cardiovasculares, respiratórios e outras doenças não-comunicáveis.

Caso sejam tomadas as medidas necessárias para que a temperatura da Terra não aumente mais do que dois graus Celsius (compromisso estabelecido no Acordo de Paris), o excesso de mortalidade causado pela poluição diminui 55%. Em Portugal, isso equivale a menos 3470 mortes.

A esperança média de vida na Europa também aumenta 1,2 anos. “A transição de combustíveis fósseis para fontes de energia limpa e renovável é uma intervenção altamente eficaz na promoção da saúde”, referem os autores.

A Alemanha, a Ucrânia, a Polónia e a Itália são os países onde mais vidas seriam poupadas caso esse tipo de medidas fossem adoptadas.

No entanto, se é óbvio para a maioria das pessoas que a inalação destes poluentes pode causar problemas respiratórios, não pode dizer-se o mesmo sobre o seu impacto a nível cardiovascular. É algo que “ainda não está na cabeça das pessoas nem dos médicos”, frisou o cardiologista José Ferreira Santos.

Omar Ramírez @xojrhx

Cardiovascular disease burden from ambient air pollution in Europe reassessed using novel hazard ratio functions: “the attributable excess mortality rate is about 8.79 million per year with an overall uncertainty of about ±50%… in Europe is 790.000” https://academic.oup.com/eurheartj/advance-article/doi/10.1093/eurheartj/ehz135/5372326?searchresult=1 

O presidente do Colégio de Cardiologia da Ordem dos Médicos, Miguel Mendes, é da opinião de que “as pessoas não estão alerta”. Também “não se pode ser alarmista, tem de se ser sensato”. Mas deve haver “consciência de que isto é um problema e que se as sociedades não se precaverem vai aumentar”.

Mesmo assim, lembra que “a mortalidade por doença cardiovascular tem vindo a diminuir” em Portugal.

O conselho deixado pelos dois médicos é o de evitar, tanto quanto possível, a exposição ao ar poluído. “Quem já​ tiver uma doença cardiovascular deve evitar andar exposto, ou fazer exercício físico vigoroso nos locais onde os níveis de poluição sejam mais elevados”, avisou José Ferreira Santos.

“Andar no meio de uma cidade, à hora de ponta, quando o trânsito é intenso, pode ser uma forma de precipitar um evento cardiovascular em alguém que tenha um coração fragilizado”, acrescentou.

O médico Miguel Mendes também lembrou que “há estudos que dizem que se anula completamente o benefício do exercício físico se o praticarmos no meio do trânsito”. “Temos de ter medidas nas cidades para medir e depois controlar a poluição”, defendeu.

TP, ZAP //

Por TP
19 Março, 2019

– E que tal referirem os chemtrails, a sua origem e a sua finalidade? Não interessa que os Povos saibam? Será que este vídeo que insiro de seguida é fake news? É uma teoria de conspiração? ABRAM OS OLHOS…!!!

[vasaioqrcode]