2189: A Humanidade poderia mover a órbita da Terra para escapar à morte do Sol

CIÊNCIA

(CCO/PD) Buddy_Nath / Pixabay

O Sol vai morrer e sufocar a Terra com a sua própria agonia. O engenheiro espacial Matteo Ceriotti defende que, para conseguir escapar a este terror, a Humanidade poderia empurrar a órbita da terra para uma distância segura e, assim, sair ilesa deste evento catastrófico.

No filme de ficção científica The Wandering Earth (Terra à Deriva), disponível na Netflix, a Humanidade tenta mudar a órbita da Terra para escapar do Sol em expansão e, assim, evitar uma colisão com Júpiter. Este cenário pode, um dia, tornar-se realidade, pelo menos de acordo com Matteo Ceriotti, engenheiro espacial da Universidade de Glasgow, na Escócia.

Daqui a cinco mil milhões de anos, o Sol começará a morrer, expandindo-se a uma velocidade extrema, atormentando a Terra. Se quiserem escapar a esta obliteração cósmica, os seres humanos precisam de pensar com antecedência no plano B.

A melhor aposta da Humanidade é migrar para outro planeta. No entanto, com planeamento suficiente, Ceriotti acredita que poderia ser possível empurrar a órbita da Terra em redor do Sol para uma distância segura onde a explosão não nos atingiria.

A tecnologia de viagens espaciais está em expansão e os cientistas esperam que melhore consideravelmente nos próximos anos. Ainda assim, o investigador analisou números com base no padrão actual e chegou à conclusão que para impulsionar o nosso planeta até à distância da órbita de Marte, a Humanidade precisaria de minerar 85% da massa do planeta para construir foguetes suficientes (300 mil milhões) para empurrar os 15% restantes para a órbita do Planeta Vermelho.

Na The Conversation, o cientista explicou que a Ciência tem explorado várias técnicas para mover pequenos corpos, como asteróides, da sua órbita para proteger o nosso planeta de eventuais impactos. Algumas dessas técnicas são baseadas numa acção impulsiva e, muitas vezes, destrutiva: uma explosão nuclear perto ou até mesmo na superfície do asteróide – uma solução que não funcionaria no caso da Terra.

Outras técnicas envolvem um impulso suave e contínuo durante um longo período de tempo, fornecido por uma espécie de rebocador ancorado na superfície do corpo celeste, ou por uma nave espacial a pairar perto dele. Segundo o Futurism, esta solução também não pode ser aplicada ao nosso planeta, uma vez que a sua massa é enorme, comparada com os maiores asteróides.

Na verdade, nós já estamos a mover a órbita da Terra: quando lançamos uma sonda em direcção a outro planeta, ela transmite um pequeno impulso que empurra o nosso planeta na direcção oposta. Felizmente (ou infelizmente) este efeito é muito pequeno.

Assim, Matteo Ceriotti argumenta que o Falcon Heavy, da SpaceX, é o veículo de lançamento mais capaz que temos actualmente à disposição para o efeito, mas não seria suficiente.

Ceriotti argumentou que os propulsores a laser seriam mais eficazes do que os propulsores da Falcon Heavy, mas eles nem sequer existem. Por isso, pelo menos para já, a solução mais realista é encontrar um novo planeta para viver.

ZAP //

Por ZAP
17 Junho, 2019

Astrofísica anuncia a sua descoberta de “quasares frios” que podem reescrever como as galáxias morrem

Impressão de artista que ilustra um quasar energético que limpou o centro da sua galáxia de gás e poeira, e os ventos estão agora a propagar-se para os arredores. Em pouco tempo não haverá mais gás e poeira, permanecerá apenas um quasar luminoso azul.
Crédito: Michelle Vigeant

Durante a 234.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em St. Louis, Allison Kirkpatrick, professora assistente de física e astronomia da Universidade do Kansas, anunciou a sua descoberta de “quasares frios” – galáxias com abundância de gás frio que ainda podem produzir novas estrelas apesar de terem um quasar no centro. A descoberta revolucionária subverte suposições sobre a maturação de galáxias e pode representar uma fase do ciclo de vida de todas as galáxias, desconhecida até agora.

Um quasar, ou “fonte de rádio quase estelar”, é essencialmente um buraco negro super-massivo em esteróides. O gás que cai em direcção a um quasar no centro de uma galáxia forma um “disco de acreção”, que pode lançar uma quantidade incompreensível de energia electromagnética, muitas vezes com uma luminosidade centenas de vezes maior do que uma galáxia típica. Normalmente, a formação de um quasar é semelhante à aposentação galáctica e há muito que se pensa assinalar o fim da capacidade de uma galáxia em produzir novas estrelas.

“Todo o gás que está a ser acretado pelo buraco negro é aquecido e emite raios-X,” disse Kirkpatrick. “O comprimento de onda da luz que é libertada corresponde ao quão quente algo é. Por exemplo, nós humanos emitimos radiação infravermelha. Mas algo que emite raios-X é das coisas mais quentes do Universo. Este gás começa a acumular-se no buraco negro e começa a mover-se a velocidades relativistas; também temos um campo magnético em torno deste gás, que pode ficar torcido. Da mesma forma que temos proeminências solares, também temos jactos de material que passam por estas linhas do campo magnético e são atirados para longe do buraco negro. Estes jactos essencialmente sufocam o reservatório de gás da galáxia, de modo que mais nenhum gás pode cair sobre a galáxia e formar novas estrelas. Quando uma galáxia deixa de produzir estrelas, dizemos que é uma galáxia morta e passiva.”

Mas, no levantamento de Kirkpatrick, cerca de 10% das galáxias que hospedam buracos negros super-massivos em acreção tinham um reservatório de gás frio remanescente depois de entrar nesta fase e ainda criavam novas estrelas.

“Isto, por si só, é surpreendente,” comentou. “Toda esta população é um monte de objectos diferentes. Algumas das galáxias têm assinaturas óbvias de fusões; algumas parecem-se muito com a Via Láctea e têm braços espirais bastante discerníveis. Algumas são muito compactas. Desta população diversa, temos mais 10% realmente únicas e inesperadas. São fontes muito luminosas, compactas e azuis. Parecem-se com buracos negros super-massivos nos estágios finais, depois de terem “desligado” toda a formação estelar de uma galáxia. Estão a evoluir para uma galáxia elíptica passiva, no entanto também encontrámos nelas muito gás frio. Esta é a população que estou a chamar de “quasares frios”.

A astrofísica da Universidade do Kansas suspeitou que os “quasares frios” da sua investigação representavam um breve período ainda por reconhecer das fases finais da vida de uma galáxia – em termos da vida humana, a fugaz fase do “quasar frio” pode ser algo parecido a uma festa de aposentação de uma galáxia.

“Estas galáxias são raras porque estão em fase de transição – observámo-las logo antes da formação estelar ficar extinta e este período de transição deve ser muito curto,” disse.

Kirkpatrick identificou pela primeira vez os objectos de interesse numa área do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), o mapa digital mais detalhado do Universo actualmente disponível. Numa área denominada “Stripe 82,” Kirkpatrick e colegas conseguiram identificar visualmente os quasares.

“Então estudámos esta área em raios-X com o telescópio XMM-Newton,” acrescentou. “Os raios-X são a principal assinatura dos buracos negros em crescimento. Seguidamente, recorremos ao Telescópio Espacial Herschel, um telescópio infravermelho que pode detectar gás e poeira na galáxia hospedeira. Nós seleccionámos as galáxias que conseguimos encontrar tanto em raios-X quanto no infravermelho.”

A investigadora disse que as suas descobertas dão aos cientistas uma nova compreensão e detalhes de como a extinção de formação estelar nas galáxias ocorre e que anulam vários pressupostos sobre os quasares.

“Já sabíamos que os quasares passam por uma fase de poeira obscurante,” disse Kirkpatrick. “Nós sabíamos que passam por uma fase muito encoberta onde a poeira cerca o buraco negro super-massivo. Nós chamamos a isto de fase de quasar vermelho. Mas agora encontrámos este regime único de transição que não conhecíamos. Antes, se disséssemos a alguém que tínhamos encontrado um quasar luminoso com um tom óptico azulado – mas que ainda tinha muita poeira, muito gás e muita formação estelar – esse alguém diria: ‘Não, não é esse o aspecto destas coisas.'”

Kirkpatrick espera, no futuro, determinar se a fase de “quasar frio” ocorre com uma classe específica de galáxia ou com todas as galáxias.

“Nós pensámos que estas coisas acontecem quando temos um buraco negro em crescimento, coberto por poeira e gás, e começa a soprar este material,” disse. “Torna-se então um objecto azul luminoso. Assumimos que, quando expele o seu próprio gás, expele também o gás hospedeiro. Mas parece que com estes objectos, não é este o caso. Estes expelem a sua própria poeira – de modo que os vemos como um objecto azul – mas ainda não dissiparam toda a poeira e gás das galáxias hospedeiras. Esta é uma fase de transição, digamos de 10 milhões de anos. Em escalas de tempo universais, isto é realmente curto – e é difícil observar. Estamos a fazer o que chamamos de pesquisa cega para encontrar objectos que não estávamos à procura. E, ao encontrarmos estes objectos, sim, isso poderá implicar que acontece com todas as galáxias.”

Kirkpatrick recolheu dados até 2015 com o Telescópio XMM-Newton, um telescópio de raios-X altamente produtivo operado pela ESA. O seu trabalho faz parte de uma colaboração chamada História de Acreção dos AGN (Active Galactic Nuclei) liderada pela astrofísica Meg Urry da Universidade de Yale, que reúne dados de arquivo e realiza uma análise em vários comprimentos de onda.

Astronomia On-line
14 de Junho de 2019

2024: Cachalote encontrada morta em praia italiana. Tinha quilos de plástico no estômago

DESTAQUE

(dr) Greenpeace Italia

Uma cachalote com cerca de sete anos foi encontrada morta com o estômago cheio de plástico numa praia em Cefalù, destino turístico na Sicília, em Itália.

O anúncio foi feito pela Greenpeace italiana, na sexta-feira, na sua página de Facebook. A organização colocou várias fotos da carcaça do animal na praia e mostrou o plástico que foi recolhido do seu estômago. “Como podem ver pelas fotos que estamos a partilhar, encontrámos muito plástico no estômago do cachalote”, disse Giorgia Monti, da Greenpeace, em comunicado. “Não sabemos se o animal morreu por causa do plástico, mas também não podemos simplesmente fingir que nada aconteceu”, continuou.

No sábado, dez peritos fizeram a autópsia da jovem fêmea de cachalote “que ainda nem tinha dentes” directamente na praia. Carmelo Isgro, da Universidade de Messina, partilhou várias imagens no Facebook, que mostram o procedimento. “São imagens fortes, mas quero que todos vejam e percebam o que estamos a fazer ao nosso mar e aos seus animais”, explicou.

Isgro publicou um vídeo onde é possível ver o momento em que os peritos abrem o estômago da fêmea e retiram do seu interior vários sacos de plástico. Num outro vídeo, Isgro retira um dos sacos e coloca-o num caixote do lixo. “Impressionante, isto é inacreditável”, disse, afirmando que foram retirados do interior do animal “vários quilogramas de plástico”.

“Muito provavelmente, o plástico criou um bloqueio que impediu a passagem de comida. Esta é muito provavelmente a causa de morte. Não encontrámos sinais que nos dessem qualquer outra razão para a morte”, explicou o perito da Universidade de Messina.

Giorgia Monti revelou ainda que, nos últimos cinco meses, cinco cachalotes deram à costa mortos em praias italianas. Em Abril, uma fêmea de cachalote grávida foi encontrada em Sardinia com 22 quilos de plástico no estômago. “O mar está a enviar-nos um alarme, um SOS de desespero. Temos de intervir imediatamente para salvar as fantásticas criaturas que vivem no mar”, apelou Monti.

A Greenpeace de Itália está a cooperar com o Blue Dream Project para investigar, controlar e alertar para a poluição de plástico no oceano. Durante as próximas três semanas, as duas organizações vão controlar o nível de plástico na costa italiana. A expedição termina na Toscânia a 8 de Junho, Dia Mundial dos Oceanos.

Já esta terça-feira, investigadores da Universidade de Pádua vão apresentar em conferência de imprensa um relatório sobre as dificuldades dos cetáceos nas águas de Itália. O principal destaque do documento irá para cachalotes e poluição de plástico.

Os cachalotes vivem habitualmente 70 a 80 anos. Pesam entre 35 a 45 toneladas e podem chegar aos 18 metros de comprimento. Segundo a National Geographic, comem uma tonelada de peixe e lulas por dia e têm um cérebro maior do que qualquer criatura que já viveu na Terra.

ZAP //

Por ZAP
21 Maio, 2019


2015: Conseguirá a Terra sair ilesa se o Sol ficar sem combustível?

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

Planetas rochosos formados por elementos densos serão, muito provavelmente, os únicos sobreviventes da morte explosiva de uma estrela. Esta descoberta dá-nos pistas preciosas sobre o futuro da Terra.

Quando uma estrela morre destrói tudo o que a rodeia, excepto os pequenos e densos planetas rochosos. Estes são os objectos com maior probabilidade de sobreviverem, ao contrário dos planetas pesados e gasosos, que se desmoronam e perecem.

Esta é a descoberta mais recente de uma equipa de astrofísicos da Universidade de Warwick, no Reino Unido. Os cientistas chegaram a esta conclusão após várias simulações que analisaram a interacção de uma estrela anã branca e um planeta próximo. O objectivo era determinar se os objectos espaciais conseguiam suportar a aniquilação da estrela.

Esta experiência foi muito interessante na medida em que se espera que o nosso próprio Sol se torne uma estrela anã branca no futuro. Assim sendo, somos os primeiros a interessar-nos pelo possível destino da Terra.

Quando uma estrela com pouca massa, como o Sol, queima todo o seu combustível, expande as suas camadas externas até se transformar numa gigante vermelha. Por sua vez, essas camadas externas espalham-se nas proximidades da estrela, ameaçando causar a completa destruição de qualquer planeta que esteja ao seu redor.

Depois, a gigante vermelha encolhe-se e transforma-se numa estrela altamente densa, chamada anã branca, que irá, a pouco e pouco, perdendo o calor durante bilhões de anos. Qualquer planeta que se arrisque a ficar no seu caminho durante este cataclismo, seria extremamente afortunado se conseguisse sobreviver. Contudo, existem vários planetas que não estão preparados para resistir a esta tempestade.

O que os cientistas descobriram foi que os pequenos planetas rochosos são os que têm maior probabilidade de sobreviver à morte explosiva de uma estrela. O artigo científico com os resultados desta investigações foi recentemente publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os astrónomos investigaram os efeitos da morte estelar em planetas de vários tamanhos, desde as super-terras até aos pequenos exoplanetas. Dimitri Veras, do Departamento de Física do Instituto de Warwick, adiantou que este estudo é o primeiro dedicado à investigação dos efeitos dos fluxos entre as anãs brancas e os planetas.

Mas o que é que estes resultados podem significar para o futuro do nosso planeta? Os astrónomos prevêem que o nosso Sol, que tem cerca de 4,6 mil milhões de anos, continuará a queimar as suas reservas de combustível durante mais 5 mil milhões de anos, até se transformar numa gigante vermelha.

No entanto, quando esse momento chegar, os cientistas não têm a certeza do que irá acontecer com um planeta de “multi-camadas” como a Terra. Ainda assim, na sua essência, os planetas uniformes constituídos maioritariamente de elementos mais densos e mais pesados, tais como metais pesados, têm boas possibilidades de sobrevivência.

Outro factor que é preciso ter em conta é a distância a que o planeta está localizado da estrela moribunda. A equipa afirma que a distância segura até à estrela é de um terço da distância entre o Sol e Mercúrio. Mercúrio localiza-se a uma distância de 57,9 milhões de quilómetros do Sol.

A Terra está a 149,6 milhões de quilómetros do Sol, uma distância que é conhecida como unidade astronómica. Sim, há esperança de estarmos a salvo.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
20 Maio, 2019


1885: Milhares de pinguins bebés morrem afogados na Antárctida

Colónia de pinguins imperador de Halley Bay desapareceu quase de um dia para o outro depois de a plataforma de gelo se partir. As consequências do degelo já estão a afectar uma espécie ameaçada de extinção.

Cientistas estimam que até ao final do século a população de pinguins imperador reduza drasticamente.
© REUTERS/Martin Passingham

Milhares de filhotes de pinguins imperador morreram afogados quando a plataforma de gelo onde estavam a ser criados, na Antárctida, se partiu. A catástrofe, que afecta uma espécie em vias de extinção, aconteceu em 2016 e foi agora revelada na revista Antarctic Science por uma equipa da British Antarctic Survey (BAS).

Os investigadores Peter Fretwell e Phil Trathan dizem que, para agravar a situação, as aves adultas não dão sinais de se reproduzirem e repor a população.

Foi através de imagens de satélite que a equipa de investigadores deu pelo desaparecimento dramático dos pinguins bebés – é possível ver os excrementos dos animais no branco do gelo a mais de 800 quilómetros.

O resultado desta catástrofe que atingiu a colónia de Halley Bay é que a população de pinguins imperador, que durante décadas esteve estabilizada numa média entre 14 mil e 25 mil casais (cerca de 5-9% da população global), desapareceu de um dia para o outro.

Os pinguins imperador pertencem a uma espécie de pinguins mais alta e pesada. Estes animais precisam de blocos de gelo seguros para se reproduzir – a plataforma gelada deve persistir, pelo menos, a partir de Abril (quando as aves chegam) até Dezembro (quando os seus filhotes deixam o ninho).

Se o gelo se quebrar mais cedo, os pinguins bebés não terão tempo para lhes crescerem as penas e começarem a nadar, logo acabam por morrer afogados – o que terá acontecido em 2016.

“O gelo marinho formado desde 2016 não tem sido tão forte. Os eventos de tempestade que ocorrerem em Outubro e Novembro agora vão acabar cedo. Portanto, houve algum tipo de mudança no sistema que anteriormente era estável e confiável e agora é apenas insustentável.”, disse Fretwell à BBC.

A equipa British Antarctic Survey acredita que muitos pinguins adultos evitaram reproduzir-se nestes últimos três anos ou então mudaram-se para novas zonas de criação no Mar de Wenddell. Uma convicção que ganha mais força quando uma das colónias a cerca de 50 Km de distância, próximo do Glaciar Dawson-Lambton, aumentou.

Os cientistas não conseguiram chegar às razões pelas quais a borda da Plataforma de Brunt não se regenerou, sobretudo porque, dizem, não houve alterações significativas em termos oceânicos e atmosféricos. Mas alertam que ao registarem-se alterações na regeneração do gelo marinho, isso é um sinal do impacto que o aquecimento da Antárctida poderá ter nos pinguins imperadores.

Um cenário assustador

Vários estudos alertam para os riscos de extinção da espécie: se o gelo derreter conforme está previsto, 50 a 70 por cento da população global de pinguins imperador podem desaparecer até 2100; há investigações que referem que até ao final deste século, 45 colónias poderão extinguir-se; outros estudos estimam uma redução de seis mil para 400 casais.

As alterações climáticas e o degelo daí decorrente são a grande ameaça à continuidade da espécie e não a cadeia alimentar.

Cientistas sugerem que uma forma de tornar o cenário menos assustador passaria por medidas provisórias como a criação de novas áreas de protecção onde os animais pudessem permanecer para capturar alimentos. Mas a solução seria mesmo diminuir a emissão de gases com efeito de estufa.

Diário de Notícias
DN
25 Abril 2019 — 13:39

 

1860: As morsas estão a atirar-se de penhascos por causa das alterações climáticas

CIÊNCIA

Gary Bembridge / Wikimedia

A nova série da Netflix “Our Planet” mostra explicitamente como cada ecossistema está a mudar ou está ameaçado pelas alterações climáticas. As morsas russas, por exemplo, estão a atirar-se de penhascos.

David Attenborough, o narrador da série, culpa o incidente pelas mudanças no ecossistema do Árctico que as morsas habitam. Com o gelo do mar a recuar ano após ano, as morsas são forçadas a descansar em praias minúsculas e cheias de gente.

Estas praias estão tão superlotadas, que algumas morsas escalam as falésias para ter um pouco de paz. Mas quando os animais, desacostumados a escalar ou a alturas, decidem voltar à água, caem dos penhascos até às suas horríveis mortes.

Este incidente não é a primeira vez que as pessoas documentam as mortes em massa de morsas. Em 1996, as autoridades da vida selvagem do Alasca relataram um incidente quase sem precedentes no qual quase 60 morsas machos caíram de um penhasco de 60 metros para a sua morte.

Na época, quando o gelo ainda era mais extenso e o clima menos compreendido, os investigadores não culparam as mortes pelas mudanças climáticas. Em vez disso, ficaram perplexos, sem uma resposta para explicar o comportamento, relatou o The New York Times na altura.

Com os anos seguintes, apareceram novos relatos sobre estes tipos de eventos de morsa. Mas estudos mais recentes indicaram que as mudanças climáticas poderiam estar a causar “distúrbios” mortais como o documentário indica. As morsas costumam passar a maior parte do tempo no gelo marinho, com algum tempo intermitente passado em terra em grandes grupos chamados de “haul-outs”.

Um relatório de maio de 2017 do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA (USFWS) constatou que o recuo do gelo marinho do Árctico levava as morsas a fazerem viagens colectivas para praias lotadas com mais frequência. Nessas saídas, as morsas são facilmente assustadas, com um aumento de eventos “perturbadores” mortais.

Os especialistas sugeriram ao Live Science que os eventos de quedas normalmente não envolvem morsas a escalar penhascos – como o documentário mostrou. Pelo contrário, os eventos acontecem quando as morsas sobem encostas rasas nos lados mais distantes das falésias. Lá em cima, as criaturas podem, às vezes, sair a correr se um avião, um urso polar, um barco ou outra coisa estranha os assustar.

A mudança climática parece ter tornado este tipos de eventos mais comuns. No entanto, no Alasca, as quedas em massa parecem ter diminuído nos últimos anos, graças aos esforços humanos para gerir os ambientes dos haul-outs. Reduções nos planos aéreos e outros distúrbios humanos parecem ter evitado algumas das mortes.

ZAP //

Por ZAP
18 Abril, 2019

 

1816: Planeta morto mostra-nos o que vai acontecer à Terra quando o Sol desaparecer

Os cientistas fizeram as contas e concluíram que o Sol terá cerca de 10 mil milhões de anos de vida. Então o que acontecerá ao nosso planeta Terra com o Sol morto?

Uma equipa internacional de astrónomos liderada pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, anunciou uma descoberta. Assim, perante as informações, temos algumas pistas sobre o futuro do nosso planeta.

O Sol irá morrer daqui a quantos milhões de anos?

Bom, esta não é uma conta fácil de fazer. Tanto é que há cientistas que afirmam que o Sol “nasceu” há cerca de 4,6 mil milhões de anos. Contudo, quanto ao seu fim, uns astrónomos apontam para daqui a 6 mil milhões e outros a cerca de 10 mil milhões de anos.

O que acontecerá então com a Terra e com o restante do nosso Sistema Solar?

Os cientistas descobriram uma estrela semelhante ao Sol que está a 410 anos-luz da Terra. É uma anã branca, ou seja, uma estrela que, depois de consumir todo o seu combustível nuclear, desapareceu há milhões de anos.

A revelação foi feita a partir de observações com o Gran Telescopio Canarias (GRANTECAN), instalado no Observatório del Roque de los Muchachos, na ilha de La Palma (Espanha). Esta informação foi divulgada em comunicado do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias (IAC), que também participou do estudo, publicado na revista científica Science.

Os astrónomos estudaram a nuvem que envolve a estrela, chamada SDSS J122859.93+104032.9, e o anel de escombros que orbita em torno dela.

Este anel é formado por corpos rochosos compostos de ferro, magnésio, silício e oxigénio, elementos-chave na composição da Terra.

E entre eles descobriram os restos de um planeta que sobreviveu à morte da estrela e que, além disso, orbita muito perto dela, algo que surpreendeu os cientistas.

Os autores do estudo consideram que os fragmentos eram parte de um corpo maior do seu sistema solar, por exemplo, de um planeta cujas camadas externas foram removidas.

Uma das razões pelas quais se suspeita que ele sobreviveu à destruição do seu sistema planetário é a sua composição, rica em metais pesados, como ferro e níquel.

Indícios do que acontecerá com a Terra

As dúvidas são legítimas. Assim, a pergunta que se impõe é se isto será o futuro da Terra quando o Sol se apagar?

No nosso sistema solar, o Sol vai-se expandir para a órbita da Terra e devastar o nosso planeta, Mercúrio e Vénus.

Marte e o restante dos planetas que estão mais distantes sobreviverão e se deslocarão para fora.

Referiu Christopher Manser, investigador no Departamento de Física da Universidade de Warwick e principal autor do estudo.

Os cientistas acreditam que a anã branca na qual o Sol terá se tornado continuará a reinar no Sistema Solar orbitado por Marte, Júpiter e Saturno, entre outros corpos.

Imagem: Science
Fonte: Science
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pplware
07 Abr 2019

 

1740: Poluição do ar estará a causar o dobro das mortes estimadas em Portugal

UNIÃO EUROPEIA

Friends of the Earth Scotland / Flickr

Investigadores estimam que, em Portugal e durante 2015, a poluição do ar tenha causado 15 mil mortes, ou seja, 138 mortes por cada 100 mil habitantes. Problemas cardiovasculares provocam quase um terço dos óbitos, mas os cardiologistas alertam que as pessoas não estão conscientes do problema.

De acordo com um artigo do Público, divulgado esta terça-feira, a poluição do ar pode ser responsável por mais mortes do que aquelas que a Agência Europeia do Ambiente (EEA, na sigla inglesa) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimavam.

Em Portugal, as estimativas dos cientistas apontam para cerca de 15 mil mortes provocadas pela inalação de partículas finas e outros poluentes, em 2015. As estimativas anteriores da EEA, divulgadas nesse ano, indicavam que seriam 6690.

A conclusão é de uma investigação, publicada a 12 de Março no European Heart Journal, e desenvolvida pelo Instituto Max Plank de Química e a Universidade Médica de Mainz (ambos na Alemanha). O trabalho, noticiava o Público na semana passada, mostrou que a mortalidade relacionada com a contaminação do ar na União Europeia (UE) — 659 mil pessoas — também corresponde ao dobro da estimada em estudos anteriores.

Tendo por base os resultados obtidos na investigação, o Público foi tentar esclarecer o que se terá passado em Portugal.

O número agora calculado para Portugal equivale a 138 mortes por cada 100 mil habitantes. Entre os países europeus, está no meio da tabela. É na Bulgária que o número de mortes é maior (210 por cada 100 mil habitantes). Na Islândia, o impacto da poluição do ar é menor: 43 mortes em cada 100 mil habitantes.

Clean Air @cleanairforall2

Death by #airPollution ; Cardiovascular disease burden from ambient air pollution in Europe reassessed using novel hazard ratio function; European Heart Journal, ehz135, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehz135  ;Published:12 March 2019

Para chegar a estas estimativas, os investigadores utilizaram um modelo de dados que simula a forma como certos processos químicos atmosféricos interagem com a terra, os oceanos e a biosfera, bem como o impacto dos compostos químicos gerados por actividades humanas, como a indústria ou a agricultura.

Os números sobre o impacto da poluição na mortalidade são tão elevados que os investigadores estimam que a contaminação do ar cause mais mortes adicionais por ano do que o tabaco.

Ao Público, Thomas Munzel, da Universidade de Mainz, co-autor do estudo, explicou que a utilização de “uma base de dados mais sólida” e mais informação sobre as “doenças não-comunicáveis, como a diabetes ou a hipertensão”, são os factores responsáveis “pelas estimativas terem subido tanto”.

Na Europa, as mortes provocadas por doenças cardiovasculares associadas à poluição do ar representam uma proporção significativa do total (são cerca de 40%) – as restantes estão relacionadas com problemas respiratórios como doença pulmonar obstrutiva crónica, pneumonia ou cancro do pulmão e outras doenças não-comunicáveis.

Em Portugal, os problemas cardiovasculares, como ataques ou paragens cardíacas, representam 30% do total de mortes causadas pela poluição do ar. Já na Estónia, por exemplo, são 64%.

Partículas finas são o problema

Os peritos focaram-se sobretudo nos danos causados pelas chamadas partículas finas – que têm um diâmetro inferior a 2,5 micrómetros (mais de 20 vezes inferior à espessura de um cabelo) -, mas também incluem o dióxido de azoto e o ozono nas suas contas.

O responsável pela associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira, descreve estas partículas como “um conjunto de substâncias muito diversificado”. São “nitratos, sulfatos, compostos orgânicos”.

Segundo o estudo, foi demonstrado que as partículas finas “levam ao aumento do stress oxidativo por meios surpreendentemente semelhantes” aos que resultam em disfunção vascular associada à diabetes e à hipertensão.

“Portanto, parece que a poluição do ar desencadeia ou agrava outras doenças não-comunicáveis que podem contribuir significativamente para as mortes relacionadas com doenças cardiovasculares”, argumentam os autores.

O cardiologista e secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), José Ferreira Santos​ explicou que existem “alguns estudos que mostram que as pessoas que são sujeitas a mais poluição, a uma maior concentração de partículas nocivas, têm maior risco de diabetes e hipertensão”.

Darren Flinders / Flickr

Por isso, admitiu, “talvez o gatilho que leve a um aumento da mortalidade seja um aumento também dos próprios factores de risco”. “Alguns estudos também mostram que há um aumento da disfunção do endotélio, há mais constrição das artérias, mais inflamação… Há aqui uma base de fisiopatologia que justifica o aumento desta mortalidade”.

É por tudo isto que, neste estudo, os próprios investigadores chamam a atenção para a necessidade de reduzir a concentração destas partículas no ar, indica o artigo do Público. Um primeiro passo será baixar o limite máximo permitido na UE, de 25 microgramas por metro cúbico (o actual) para 10 microgramas, o valor recomendado pela OMS.

Em 2017, Steven J. Davis, um investigador da Universidade da Califórnia, que também tem trabalhado na relação entre a inalação de partículas finas e a mortalidade, explicou ao Público que “há tecnologias avançadas para controlar a poluição do material particulado de 2,5 micrómetros vindo de centrais eléctricas, fábricas, camiões e carros”.

O problema, apontava na altura, é que “os custos disto tornam os bens mais caros e enfraquecem o crescimento económico nos países em desenvolvimento, o que leva à transferência da produção para outros países que têm menos restrições ambientais”.

Pelo menos em Portugal, a “tendência é para melhorar esse limite”, disse Francisco Ferreira. Mas nem tudo é controlável. “Além da poluição associada à actividade humana, estamos a ser influenciados por partículas que vêm do Sara“, indicou o especialista. Até agora, “pensava-se que a fracção de areia que vinha do deserto era mais grosseira (entre 2,5 e 10 micrómetros)”, mas as análises recentes têm mostrado uma quantidade “expressiva” destas partículas.

“Mas nem tudo é catastrófico”, indica o artigo do Público. Os autores do estudo também calcularam qual seria o impacto da redução das partículas finas no ar na redução da mortalidade associada a problemas cardiovasculares, respiratórios e outras doenças não-comunicáveis.

Caso sejam tomadas as medidas necessárias para que a temperatura da Terra não aumente mais do que dois graus Celsius (compromisso estabelecido no Acordo de Paris), o excesso de mortalidade causado pela poluição diminui 55%. Em Portugal, isso equivale a menos 3470 mortes.

A esperança média de vida na Europa também aumenta 1,2 anos. “A transição de combustíveis fósseis para fontes de energia limpa e renovável é uma intervenção altamente eficaz na promoção da saúde”, referem os autores.

A Alemanha, a Ucrânia, a Polónia e a Itália são os países onde mais vidas seriam poupadas caso esse tipo de medidas fossem adoptadas.

No entanto, se é óbvio para a maioria das pessoas que a inalação destes poluentes pode causar problemas respiratórios, não pode dizer-se o mesmo sobre o seu impacto a nível cardiovascular. É algo que “ainda não está na cabeça das pessoas nem dos médicos”, frisou o cardiologista José Ferreira Santos.

Omar Ramírez @xojrhx

Cardiovascular disease burden from ambient air pollution in Europe reassessed using novel hazard ratio functions: “the attributable excess mortality rate is about 8.79 million per year with an overall uncertainty of about ±50%… in Europe is 790.000” https://academic.oup.com/eurheartj/advance-article/doi/10.1093/eurheartj/ehz135/5372326?searchresult=1 

O presidente do Colégio de Cardiologia da Ordem dos Médicos, Miguel Mendes, é da opinião de que “as pessoas não estão alerta”. Também “não se pode ser alarmista, tem de se ser sensato”. Mas deve haver “consciência de que isto é um problema e que se as sociedades não se precaverem vai aumentar”.

Mesmo assim, lembra que “a mortalidade por doença cardiovascular tem vindo a diminuir” em Portugal.

O conselho deixado pelos dois médicos é o de evitar, tanto quanto possível, a exposição ao ar poluído. “Quem já​ tiver uma doença cardiovascular deve evitar andar exposto, ou fazer exercício físico vigoroso nos locais onde os níveis de poluição sejam mais elevados”, avisou José Ferreira Santos.

“Andar no meio de uma cidade, à hora de ponta, quando o trânsito é intenso, pode ser uma forma de precipitar um evento cardiovascular em alguém que tenha um coração fragilizado”, acrescentou.

O médico Miguel Mendes também lembrou que “há estudos que dizem que se anula completamente o benefício do exercício físico se o praticarmos no meio do trânsito”. “Temos de ter medidas nas cidades para medir e depois controlar a poluição”, defendeu.

TP, ZAP //

Por TP
19 Março, 2019

– E que tal referirem os chemtrails, a sua origem e a sua finalidade? Não interessa que os Povos saibam? Será que este vídeo que insiro de seguida é fake news? É uma teoria de conspiração? ABRAM OS OLHOS…!!!

 

1727: Poluição do ar já mata mais pessoas do que fumar

CIÊNCIA & SAÚDE

(dr) Espen Rasmussen

O número de pessoas que morrem como resultado da poluição do ar pode exceder o número de mortes por fumar, sugere um novo estudo.

Investigadores alemães estimam que até 8,8 milhões de mortes por ano globalmente podem ser atribuídas à poluição do ar. Apenas na Europa, estima-se que haja mais de 790.000 mortes adicionais como resultado – o dobro da estimativa anterior, que não explica adequadamente as taxas adicionais de doença cardiovascular.

“Para colocar isto em perspectiva, isto significa que a poluição do ar causa mais mortes extras por ano do que o tabagismo, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima ser responsável por mais 7,2 milhões de mortes em 2015“, disse Thomas Munzel, um dos os autores do Centro Médico da Universidade de Mainz, citado pelo The Independent. “Fumar é evitável, mas a poluição do ar não é”, acrescentou.

Partículas finas de carvão e óxidos de nitrogénio bombeados pelos automóveis, fábricas e centrais de energia podem formar um cocktail nocivo que aumenta significativamente as taxas de ataques cardíacos, derrames e ataques de asma graves.

As autoridades reguladoras estão a tentar acabar com os carros a diesel nas grandes cidades, já que são os principais produtores de partículas microscópicas “PM2.5”. Estes podem conter metais pesados e outros produtos químicos combustíveis que se alojam nos pulmões e entram na corrente sanguínea.

O estudo, publicado no European Heart Journal, usou simulações computacionais de substâncias químicas naturais e sintéticas interactivas combinadas com novas informações sobre densidade populacional, factores de risco de doenças e causas de morte.

Acredita-se que a poluição do ar tenha causado 64 mil mortes no Reino Unido em 2015, incluindo 17 mil casos fatais de doenças cardíacas e arteriais. Mais de 29 mil outras mortes britânicas ligadas à poluição do ar foram devidas a uma série de condições, como cancro, diabetes e doenças pulmonares crónicas.

Isto significou uma redução na expectativa de vida média de cerca de 1,5 anos no Reino Unido. Jos Lelieveld, do Instituto Max-Planck de Química em Mainz, disse: “O alto número de mortes extras causadas pela poluição do ar na Europa é explicado pela combinação de baixa qualidade do ar e densidade populacional, o que leva à exposição que está entre as mais altas do mundo”.

Na Alemanha, a poluição do ar foi responsável por mais de 124 mil mortes em 2015 e por 2.4 anos de expectativa de vida perdida. Estima-se que 81 mil pessoas tenham morrido devido à poluição do ar em Itália.

Já foi pedido à União Europeia que adopte limites de segurança mais rígidos para os PM2.5 estabelecidos pela OMS, já que os actuais níveis de poluição do ar na Europa são o dobro do nível de segurança estabelecido pelo órgão de saúde. “Muitos outros países, como o Canadá, os EUA e a Austrália, usam a directriz da OMS”, disse Munzel. “A UE está muito atrasada neste aspecto”.

ZAP //

Por ZAP
17 Março, 2019

 

1660: Sabemos finalmente o que matou a vida marinha na extinção em massa mais mortal da História

kevinzim / Flickr
Trilobite

O aumento das temperaturas acelerou o metabolismo das criaturas, aumentando as suas necessidades de oxigénio. No entanto, também esgotou o oxigénio dos oceanos, fazendo com que os animais (literalmente) sufocassem.

Há cerca de 252 milhões de anos, a Terra sofreu uma devastação catastrófica – um evento de extinção tão grave que destruiu quase toda a vida na Terra. É chamado de Evento de Extinção Permiano-Triássico, também conhecido como A Grande Morte.

Até 70% de todas as espécies de vertebrados terrestres foram mortas, assim como 96% de todas as espécies marinhas, incluindo o famoso trilobite, que já havia sobrevivido a dois outros eventos de extinção em massa.

É amplamente aceite que a mudança climática é a culpada – em particular a actividade vulcânica de longo prazo na Sibéria, que expeliu tanto material na atmosfera que envolveu o mundo num manto de cinzas durante um milhão de anos, bloqueando a luz solar, reduzindo o ozono, fazendo cair chuva ácida e elevando as temperaturas.

Agora, os cientistas mostraram o que erradicou a vida marinha: o aumento das temperaturas acelerou o metabolismo das criaturas, aumentando as suas necessidades de oxigénio, ao mesmo tempo que esgotou o oxigénio dos oceanos. Como resultados, os animais literalmente sufocaram.

O problema é que, actualmente, estamos a vivenciar um aquecimento atmosférico muito semelhante – e muito mais rápido.

Segundo Justin Penn, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, “esta é a primeira vez que fazemos uma previsão mecanicista sobre o que causou a extinção que pode ser directamente testada com a análise do registo fóssil, permitindo-nos fazer previsões sobre as causas de extinção no futuro”.

A equipa realizou uma simulação por computador das mudanças pelas quais a Terra passou durante A Grande Morte. Antes das erupções vulcânicas da Sibéria, as temperaturas e níveis de oxigénio eram semelhantes às de hoje, pormenor que deu aos investigadores uma boa base para trabalhar.

Posteriormente, os cientistas elevaram os gases de efeito estufa na atmosfera do modelo para imitar as condições após a erupção, o que elevou a temperatura da superfície do mar em cerca de 11 graus Celsius. Esse aumento teve como resultado um esgotamento de oxigénio de cerca de 76% – e cerca de 40% no fundo do mar, principalmente em profundidades maiores.

Para observar de que forma esse esgotamento poderia afectar a vida marinha, a equipa incluiu no estudo dados de requisitos de oxigénio de 61 espécies modernas. E tal como se previa, foi um autêntico desastre. “Muito poucos organismos marinhos permaneceram nos mesmos habitats em que viviam – ou fugiram ou morreram“, disse o oceanógrafo Curtis Deutsch, também da Universidade de Washington.

Os mais prejudicados foram as criaturas mais sensíveis ao oxigénio, com a devastação mais pronunciada em altas latitudes, longe do Equador. Quando a equipa comparou os seus resultados com o registo fóssil, confirmou as suas descobertas.

Os animais que vivem nas águas mais quentes ao redor do Equador podem migrar para latitudes mais altas, onde encontrarão habitats semelhantes aos que acabaram de deixar. No entanto, o mesmo não acontece com os animais que já vivem em latitudes mais atas, uma vez que não têm para onde fugir.

No total, isso causou mais de 50% da perda marinha da Grande Morte. O restante foi provavelmente causado por outros factores, como a acidificação pelo CO2 das armadilhas siberianas e um declínio acentuado na vida das plantas causado pelo desbaste do ozono.

Os cientistas afirmam que é importante prestar atenção a estes factos, uma vez que o aquecimento dos oceanos da Terra está a acelerar cada vez mais.

“Sob um cenário de emissões como o de hoje, em 2100 o aquecimento no oceano terá atingido 20% do aquecimento no final do Permiano-Triássico, e no ano 2300 atingirá entre 35 e 50%”, disse Penn.

É importante não esquecer que “este estudo destaca o potencial para uma extinção em massa decorrente de um mecanismo similar sob mudanças climáticas antropogénicas”, concluem os cientistas.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
4 Março, 2019

 

1589: Morreu a Opportunity, a sonda da NASA que explorou Marte durante 15 anos

Lonesome–Crow / Deviant Art

A agência espacial norte-americana deu esta quarta-feira por terminada a missão do veículo robotizado Opportunity em Marte, que permitiu aos cientistas concluírem que o planeta terá tido no passado água como a Terra.

A morte da Opportunity, ao fim de 15 anos em solo marciano, foi anunciada em comunicado e depois de a NASA ter esgotado todas as tentativas, a última das quais na terça-feira, para restabelecer as comunicações com o veículo.

A sonda “adormecida” deixou de comunicar com a Terra em 10 de Junho de 2018, depois de ter sido atingido por uma grande tempestade de poeira

Actualmente, a NASA tem duas missões robóticas em Marte – a Curiosity e a InSight – e prepara-se para lançar, já em Julho de 2020, uma outra, a Mars 2020, que irá à procura, juntamente com a missão europeia ExoMars, de sinais de vida microbiana passada no planeta.

O veículo robotizado Curiosity está a explorar a superfície marciana, em particular a cratera Gale, há mais de seis anos, enquanto a sonda InSight, que chegou a Marte em 26 de Novembro de 2018, vai estudar o interior do planeta.

ZAP // Lusa

Por Lusa
14 Fevereiro, 2019