1893: A Ilha da Páscoa está ameaçada. Os culpados são os turistas que tiram macacos do nariz às estátuas

MastaBaba / Flickr

Embora o turismo possa trazer dinheiro para as economias locais, muitas vezes tem impactos negativos significativos nas comunidades nativas – principalmente em lugares com populações pequenas e ecossistemas frágeis, como Rapa Nui, a Ilha de Páscoa.

A pequena e remota ilha vulcânica na Polinésia testemunhou um enorme aumento no número de turistas nos últimos anos – a maioria dos quais se maravilha com as misteriosas estátuas de pedra, conhecidas como “moai”, erguidas entre 1100 e 1400. Agora recebe mais visitantes do que as pirâmides do Egipto.

A arqueóloga Jo Anne Van Tilburg, da Universidade da Califórnia em Los Angeles – que apareceu recentemente no programa 60 Minutes da CBS – tem realizado estudos na ilha há quase 40 anos e testemunhou em primeira mão o impacto que o turismo teve.

“O meu estudo foca-se nos moais e o seu papel na cultura Rapa Nui”, disse Van Tilburg à Newsweek. “Estou interessada na forma como as sociedades criam e expandem o seu senso de identidade e propósito com o uso da arte. Eu fui a Rapa Nui em 1981 e investi basicamente a minha carreira arqueológica nos mistérios e na magia da ilha”.

“Em 1981, havia apenas cerca de 2.500 e 3.000 pessoas a viver na ilha e a contagem anual de visitantes era semelhante a esse número”, disse. “Hoje, a ilha recebe mais de 150 mil turistas por ano”.

Não é de surpreender que o número desproporcional de visitantes esteja a afectar a comunidade local – que actualmente conta com cerca de 5.700 pessoas – de várias maneiras. “Como em todo lugar, o turismo no nível actual está a ter um impacto extremamente negativo sobre os recursos naturais de Rapa Nui, especialmente na água”, disse Van Tilburg. “Toda a infra-estrutura é tensa. O turismo tem um impacto muito negativo no senso de comunidade de Rapa Nui”.

Particularmente desanimador é o frequente comportamento desrespeitoso de alguns viajantes que ignoram as regras pisando áreas protegidas, andando em cima de sepulturas e subindo aos moais, às vezes apenas para tirar uma selfie, a “tirar macacos do nariz da estátua”.

Isto pode levar as estátuas a ficarem danificadas – exacerbando os efeitos da deterioração natural dos elementos. O comportamento é insensível, dado que as esculturas são sagradas para a comunidade Rapa Nui, lembrando os seus ancestrais e as suas relações com os deuses, disse Van Tilburg.

“Estou incomodada com a falta de interesse turístico genuíno na ilha e o seu povo”, disse. “Há uma falta de apreciação pelo passado de Rapa Nui. Parece que muitos desejam apenas inserir-se na história tirando uma selfie com as estátuas”.

Em 1995, a UNESCO designou a Ilha de Páscoa como Património da Humanidade e grande parte da massa de terra é protegida como parte do Parque Nacional de Rapa Nui, que a comunidade local controla. No entanto, Van Tilburg acredita que é preciso fazer mais para proteger os antigos tesouros para as gerações futuras.

“A comunidade de Rapa Nui está muito determinada em proteger a sua herança”, disse. “Os métodos de preservação são conhecidos. As ferramentas estão disponíveis. A tarefa é que os Rapa Nui avancem juntos com um propósito unido e tomem medidas decisivas”.

“Como património mundial, o mundo prometeu cuidar da ilha. Todos nós precisamos de fazer a nossa parte para preservar o passado”, disse. “Os turistas podem estudar e aprender antes de viajarem para a ilha. Podem mostrar o devido respeito pelos outros. Podem remover os seus egos – e os seus selfie sticks – da paisagem e aprender a apreciar o passado”.

ZAP //

Por ZAP
27 Abril, 2019

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620: Finalmente revelado o segredo dos famosos moais da Ilha de Páscoa

(CC0/PD) JPataG / pixabay

Um grupo de cientistas conseguiu revelar como as estátuas gigantes da Ilha de Páscoa, no Chile, receberam os seus “chapéus” de pedra depois de quase 2.000 anos de incertezas.

De acordo com um estudo publicado no Journal of Archaeological Science, os chapéus gigantes, pintados de vermelho e com cerca de 13 toneladas cada, surgiram nas cabeças dos moais graças a uma técnica semelhante à usada pelos europeus para levantar navios afundados.

A Ilha de Páscoa é um dos lugares mais misteriosos da Terra e é o antigo lar de uma civilização polinésia que habitou a região há cerca de 2.000 anos. A civilização deixou na ilha um vasto número de vestígios em forma de moais gigantes que, segundo acreditam os cientistas, personalizam os antepassados dos antigos moradores da ilha.

Esta civilização praticamente desapareceu da Ilha de Páscoa antes mesmo da chegada dos primeiros colonizadores. A causa da sua extinção pode estar relacionada com dois factores: falta de recursos para sobreviver e guerras entre diferentes tribos aborígenes.

Por esta razão, ainda hoje continua a ser muito difícil perceber como era a vida desta civilização extinta e adivinhar o enigma mais interessante da ilha – como é que os gigantescos “chapéus” de pedra, chamados de pukao e com um peso de 10 a 15 toneladas, apareceram na cabeça dos moais?

O facto de as estátuas e dos seus “chapéus” terem sido feitos a partir de várias rochas geológicas não contribui para encontrar a solução deste quebra-cabeças. De salientar que as rochas usadas para construir os “chapéus” podem ser encontradas em regiões distantes da ilha que ficam dezenas de quilómetros afastadas dos moais.

Ao analisar a superfície da ilha e todos as documentos disponíveis para investigação, os pesquisadores da Universidade de Binghamton, Nova Iorque, chefiados pelo antropólogo Carl Lipo, finalmente entenderam como estas estruturas poderiam ter sido construídas pela antiga civilização.

De acordo com os cientistas, os moais foram construídos de forma especial para que as rochas se endireitassem caso fossem levemente inclinadas, permitindo assim que os moradores da ilha os transportassem a distâncias significativas sem causar quaisquer danos.

Os traços existentes nos “chapéus” das estátuas indicam que estes foram levados para os locais das “montagens” quase prontos. Ou seja, foram levados desde a pedreira até ao local onde seriam depois colocados na cabeça dos moais, rolando sobre si mesmos.

Quando os pukao chegaram ao destino, os moradores deram início ao árduo trabalho de colocar estes “acessórios” nos moais, recorrendo à ajuda de aterros e cordas. Assim, pouco a pouco, conseguiram levantaram “chapéus” para a parte superior das estátuas.

Os investigadores apontam várias provas para fundamentar a sua teria, tais como: a existência de vestígios de aterros e de uma cavidade especial no “chapéu” que o impede de cair da cabeça.

Os cientistas notaram ainda que inicialmente os moais estavam um pouco inclinados, permitindo assim que os construtores antigos rolassem os “chapéus” para as cabeças das estátuas sem estragar nada. Depois, simplesmente aplanaram as estátuas.

Tendo em conta os resultados da investigação, os investigadores concluíram que não era necessário ter um exército de escravos ou muitos recursos para construir grandes monumentos. Os moradores da ilha de Páscoa conseguiram imortalizar o seu nome com a ajuda do intelecto, das leis da física e dos recursos escassos da ilha.

ZAP // Sputnik News

Por SN
6 Junho, 2018

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