4740: Viagens ao Espaço podem prejudicar o corpo a nível celular. Fígado é o mais afectado

CIÊNCIA/ESPAÇO/SAÚDE

(dr) Envato Elements

Viagens ao Espaço podem causar o mau funcionamento da mitocôndria de uma célula devido a mudanças na gravidade e radiação, sugere uma nova investigação conduzida pelo Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center, nos EUA.

Investigações com cobaias e humanos que viajaram até ao Espaço revelam que partes críticas da “máquina” responsável pela produção de energia de uma célula – a mitocôndria – podem tornar-se disfuncionais devido à exposição à radiação e outros factores.

Os resultados da investigação, publicados no fim de Novembro na revista científica Cell, fazem parte de um projecto científico maior, que junta várias áreas científicas com o objectivo de analisar os efeitos das viagens espaciais para a saúde do Homem.

“Os esforços desta investigação levada a cabo pela minha equipa concentram-se em tecido muscular de ratos de laboratório que foram enviados para o Espaço e foram depois  comparados com análises de outros cientistas que estudaram diferentes tecidos de cobaias”, explicou Evagelia C. Laiakis, professora associada de Oncologia em Georgetown e co-autora do estudo, citada em comunicado.

“Embora cada um de nós tenha estudado tecidos diferentes, todos chegamos à mesma conclusão: a função mitocondrial foi afectada adversamente pelas viagens espaciais”.

A investigação também demonstrou que as células isoladas foram mais afectadas do que conjuntos de tecidos (órgãos), sendo o fígado o órgão mais prejudicado.

Tal como frisa o portal New Atlas, a investigação agora publicada poderá ter implicações em futuras viagens espaciais, mas poderá também ser utilizado para se conseguir um melhor tratamento de radioterapia para pacientes com cancro na Terra.

“Desta e de outras aventuras planeadas para a Lua e, eventualmente, para Marte, esperamos aprender muito mais sobre os efeitos que os voos espaciais podem ter no metabolismo e como mitigar potencialmente os efeitos adversos para futuros viajantes espaciais”, concluiu a autora principal do estudo.

ZAP //

Por ZAP
2 Dezembro, 2020